Estes pseudo-artistas, mais as exigências do raio que os parta, têm a excentricidade das manias inversamente proporcionais ao talento, digo eu, que ninguém me perguntou nada...
E depois ainda há aqueles que precisavam mesmo era de estarem internados. Uma criatura que se entretém a destruir comida da forma como é descrito, isso sim deixa-me chocada. E eu nem sei o que é pior... Se é tal pessoa fazer aquelas coisas, se é os outros à volta aceitarem tanta demência sem se revoltarem nem fazerem nada. Tipo, abaná-lo e dar-lhe um estalo, ou arranjar-lhe uma mãe que lhe dê amor, ou simplesmente alguém para se rir a bom rir daquele boneco ridículo. Agora, dar-lhe comida para ele se entreter a pisar, tenham paciência!...
"Quem é mais louco? O louco ou aquele que o segue?..."
quarta-feira, agosto 17, 2005
terça-feira, agosto 16, 2005
Mas quem é que me manda a mim...
... Ir comer porcarias?...
Eu já sei que não posso. Que me faz mal. Mas lá uma vez em cada dois anos cometo o erro crasso de entrar num MacDonalds. Ah e tal, que eles agora têm isto e aquilo, que já não é bem o mesmo...
Pois, pois. Quando saí de lá pensei que só tinha apanhado uma barrigada de fome. Mas antes estivesse já com fome. Estou aqui com uma náusea de tal ordem que se passar hoje o dia sem me vomitar toda já estou eu com sorte.
É bem feita. Um dia destes, pode ser que aprenda. Ah, e fica o aviso: os PitMac têm um molho duvidoso tipo "bomba", que deixa o estômago às voltas. Meu rico dinheiro.
Eu já sei que não posso. Que me faz mal. Mas lá uma vez em cada dois anos cometo o erro crasso de entrar num MacDonalds. Ah e tal, que eles agora têm isto e aquilo, que já não é bem o mesmo...
Pois, pois. Quando saí de lá pensei que só tinha apanhado uma barrigada de fome. Mas antes estivesse já com fome. Estou aqui com uma náusea de tal ordem que se passar hoje o dia sem me vomitar toda já estou eu com sorte.
É bem feita. Um dia destes, pode ser que aprenda. Ah, e fica o aviso: os PitMac têm um molho duvidoso tipo "bomba", que deixa o estômago às voltas. Meu rico dinheiro.
sábado, agosto 13, 2005
Somos todos cegos que vêem
Ontem fui ver “Ensaio sobre a Cegueira”, uma adaptação para teatro do romance do Saramago, com o mesmo nome. Este valente desafio foi agarrado pelo Teatro O Bando, e está em cena no Teatro da Trindade até 18 de Setembro.
Para os poucos incautos que ainda não tenham percebido, aqui a dona deste estabelecimento é uma grande admiradora de (leia-se: tem uma grande panca por) José Saramago. No caso concreto deste romance, Ensaio sobre a Cegueira (que apenas tive coragem para ler duas vezes), considero ser um dos textos mais geniais do nosso Nobel. Genial sim, mas também um dos mais inquietantes, mais angustiantes, mais complexos, e diria eu, mais impossíveis de adaptar para Teatro.
Fui então ver a peça, munida do meu pessimismo céptico, ou em alternativa, do meu cepticismo pessimista. E estive para não ir. Pensava eu, se aquilo tentar ser fiel ao texto vai ser uma porcaria, se aquilo não for fiel ao texto vai ser uma banhada sem jeito nenhum. Ainda por cima, tinha visto há pouco tempo em DVD a decepcionante adaptação para cinema de A Jangada de Pedra, de moldes que já tinha os pés todos atrás que tinha para ter…
… E fiquei tão esmagada pela peça quanto fiquei já pelo livro. Que enorme coragem teve aquele grupo de pessoas para montar um espectáculo assim! Conseguiram reproduzir toda a história na íntegra, com momentos tão brutais quantos os do próprio livro em si. Quem sabe se até mais brutais ainda, porque ali estamos perante todo o espectáculo da miséria humana ao vivo e a cores, com imagens, sons e cheiros. E o espaço cénico, meus amigos, é extraordinário!
Da parte de mais esta cega que vê, aqui fica a minha humilde vénia para todos os elementos d’“O Bando”, que para além de terem concebido e montado o espectáculo, ainda lhes sobra força anímica para o levar à cena todos os dias. Olhem que é preciso terem uns tomates muito rijos e muito pretos.
Ah! Escusado será dizer que o meu pessimismo e cepticismo saíram do Teatro ontem com o rabo entre as pernas, mudos e quietos, e ainda hoje não abriram a boca. Estão pr’áli enfiados no canto mais escuro da casa, com uma grande crise de amuo. Tadinhos.
Para os poucos incautos que ainda não tenham percebido, aqui a dona deste estabelecimento é uma grande admiradora de (leia-se: tem uma grande panca por) José Saramago. No caso concreto deste romance, Ensaio sobre a Cegueira (que apenas tive coragem para ler duas vezes), considero ser um dos textos mais geniais do nosso Nobel. Genial sim, mas também um dos mais inquietantes, mais angustiantes, mais complexos, e diria eu, mais impossíveis de adaptar para Teatro.
Fui então ver a peça, munida do meu pessimismo céptico, ou em alternativa, do meu cepticismo pessimista. E estive para não ir. Pensava eu, se aquilo tentar ser fiel ao texto vai ser uma porcaria, se aquilo não for fiel ao texto vai ser uma banhada sem jeito nenhum. Ainda por cima, tinha visto há pouco tempo em DVD a decepcionante adaptação para cinema de A Jangada de Pedra, de moldes que já tinha os pés todos atrás que tinha para ter…
… E fiquei tão esmagada pela peça quanto fiquei já pelo livro. Que enorme coragem teve aquele grupo de pessoas para montar um espectáculo assim! Conseguiram reproduzir toda a história na íntegra, com momentos tão brutais quantos os do próprio livro em si. Quem sabe se até mais brutais ainda, porque ali estamos perante todo o espectáculo da miséria humana ao vivo e a cores, com imagens, sons e cheiros. E o espaço cénico, meus amigos, é extraordinário!
Da parte de mais esta cega que vê, aqui fica a minha humilde vénia para todos os elementos d’“O Bando”, que para além de terem concebido e montado o espectáculo, ainda lhes sobra força anímica para o levar à cena todos os dias. Olhem que é preciso terem uns tomates muito rijos e muito pretos.
Ah! Escusado será dizer que o meu pessimismo e cepticismo saíram do Teatro ontem com o rabo entre as pernas, mudos e quietos, e ainda hoje não abriram a boca. Estão pr’áli enfiados no canto mais escuro da casa, com uma grande crise de amuo. Tadinhos.
sexta-feira, agosto 12, 2005
É deprimente
O maior dá hoje destaque a este artigo. Mesmo correndo o risco de ser redundante, aqui fica ele destacado também neste humilde barraco.
Li isto e fiquei deprimida. Não só pelo tema em si, que já dá motivo de sobra para esse efeito. Também por causa deste malvado modo de ser português (e contra mim falo), que se dá ao luxo de saber sempre tudo o que está mal, conhecer os esquemas todos, e por sistema encolher os ombros e optar pela inércia.
Ao menos que se vá denunciando. Sempre se pode optar por ser incómodo e maçador, qual moscardo zumbindo aos ouvidos do gigante adormecido...
Li isto e fiquei deprimida. Não só pelo tema em si, que já dá motivo de sobra para esse efeito. Também por causa deste malvado modo de ser português (e contra mim falo), que se dá ao luxo de saber sempre tudo o que está mal, conhecer os esquemas todos, e por sistema encolher os ombros e optar pela inércia.
Ao menos que se vá denunciando. Sempre se pode optar por ser incómodo e maçador, qual moscardo zumbindo aos ouvidos do gigante adormecido...
quinta-feira, agosto 11, 2005
Duas mulheres e um carro sem gasóleo
- Xô Dona Blimunda, preciso que vá comigo a Lisboa...
(fazendo vénia até ao chão):
- Com certeza, xô Dona Doutora Assessora, Excelentíssima e coiso! Vou imediatamente buscar uma viatura que nos carregue a ambas as duas por estes caminhos fora até ao destino!
(raios partam esta m..., era só o que me faltava, já não bastava o calor, agora ainda tenho que aturar isto, ainda por cima não gosto nada de conduzir em Lisboa, que sou uma valente azelha sem o menor sentido de orientação...)
(Viatura na mão, aqui vamos nós. Viatura sem gasóleo, logo, paragem na bomba mais próxima para meter. Gasóleo.)
- Ó xô Dona Blimunda, então estamos há vinte minutos paradas na bomba porquê? Assim nunca mais chegamos a Lisboa, e eu sou uma mulher ocupadíssima, não posso estar aqui assim!
- Pois... A xô Dona Doutora e etecetera vai-me desculpar a minha incompetência e incapacidade de corresponder às suas expectativas, mas eu para meter gasóleo tenho que abrir a portinhola lá de fora que permite enfiar a coisa no coiso, e eu até sei que aqui por dentro deve haver um botão que faz isso, só que como sou muito burra não estou a dar com ele, por acaso a xô Dona Doutora na sua incomensurável sabedoria não saberá onde é que está o botãozinho?... Também não?... Pois, realmente, é uma chatice, mas olhe que o botão deve estar mesmo aqui por perto, de certeza...
(mas onde é que se meteu o &%?!$# do botão, que &%?!$#! Estou capaz de "#$%& esta ?/&%$# toda, o meu carro tem o botão mesmo aqui... MAS PORQUE É QUE NÃO FAZEM OS CARROS TODOS IGUAIS? MAS PORQUE É QUE O COLEGA QUE COSTUMA ABASTECER OS CARROS DE SERVIÇO E FAZER AS VEZES DE MOTORISTA FOI DE FÉRIAS? ONDE É QUE ESTÁ O C&%$#"& DO BOTÃO?)
- Ah! Achei o botão! Estava mesmo aqui, do lado oposto àquele onde eu estava a procurar...
(cinco minutos depois da meia hora que demorou a encontrar o botão que abriu o depósito do gasóleo)
- Já podemos ir, xô Dona Doutora. Eu vou é com um ligeiro pivete a gasóleo, que o manípulo quando eu peguei nele, foi com um bocadito de força a mais, eh eh eh, já estava um bocadito enervada e tal com isto do botão, e o coiso de meter gasóleo tinha um bocadito de combustível residual que saiu disparado, eu ainda me desviei, mas um braço e as mãos, foi inevitável, mas não se preocupe, está tudo controlado, agora vai correr tudo bem, na pior das hipóteses quando for a hora de regressar apanhamos uma operação stop...
... o que veio a verificar-se. Ele há dias...
(fazendo vénia até ao chão):
- Com certeza, xô Dona Doutora Assessora, Excelentíssima e coiso! Vou imediatamente buscar uma viatura que nos carregue a ambas as duas por estes caminhos fora até ao destino!
(raios partam esta m..., era só o que me faltava, já não bastava o calor, agora ainda tenho que aturar isto, ainda por cima não gosto nada de conduzir em Lisboa, que sou uma valente azelha sem o menor sentido de orientação...)
(Viatura na mão, aqui vamos nós. Viatura sem gasóleo, logo, paragem na bomba mais próxima para meter. Gasóleo.)
- Ó xô Dona Blimunda, então estamos há vinte minutos paradas na bomba porquê? Assim nunca mais chegamos a Lisboa, e eu sou uma mulher ocupadíssima, não posso estar aqui assim!
- Pois... A xô Dona Doutora e etecetera vai-me desculpar a minha incompetência e incapacidade de corresponder às suas expectativas, mas eu para meter gasóleo tenho que abrir a portinhola lá de fora que permite enfiar a coisa no coiso, e eu até sei que aqui por dentro deve haver um botão que faz isso, só que como sou muito burra não estou a dar com ele, por acaso a xô Dona Doutora na sua incomensurável sabedoria não saberá onde é que está o botãozinho?... Também não?... Pois, realmente, é uma chatice, mas olhe que o botão deve estar mesmo aqui por perto, de certeza...
(mas onde é que se meteu o &%?!$# do botão, que &%?!$#! Estou capaz de "#$%& esta ?/&%$# toda, o meu carro tem o botão mesmo aqui... MAS PORQUE É QUE NÃO FAZEM OS CARROS TODOS IGUAIS? MAS PORQUE É QUE O COLEGA QUE COSTUMA ABASTECER OS CARROS DE SERVIÇO E FAZER AS VEZES DE MOTORISTA FOI DE FÉRIAS? ONDE É QUE ESTÁ O C&%$#"& DO BOTÃO?)
- Ah! Achei o botão! Estava mesmo aqui, do lado oposto àquele onde eu estava a procurar...
(cinco minutos depois da meia hora que demorou a encontrar o botão que abriu o depósito do gasóleo)
- Já podemos ir, xô Dona Doutora. Eu vou é com um ligeiro pivete a gasóleo, que o manípulo quando eu peguei nele, foi com um bocadito de força a mais, eh eh eh, já estava um bocadito enervada e tal com isto do botão, e o coiso de meter gasóleo tinha um bocadito de combustível residual que saiu disparado, eu ainda me desviei, mas um braço e as mãos, foi inevitável, mas não se preocupe, está tudo controlado, agora vai correr tudo bem, na pior das hipóteses quando for a hora de regressar apanhamos uma operação stop...
... o que veio a verificar-se. Ele há dias...
quarta-feira, agosto 10, 2005
Os Australianos é que têm o frio todo!
Boa. Afinal, na próxima vaga de calor (que parece que está para breve) já sei para onde vou emigrar. Ou então não...
terça-feira, agosto 09, 2005
segunda-feira, agosto 08, 2005
Corta Mato
- Boa tarde. É para fazer depilação, por favor…
- Com certeza, minha senhora...
(dois erros numa única frase: não sou dela, e também não sou uma senhora. Mas adiante.)
- ... vem para fazer meia-perna, perna inteira?...
(mais outro disparate pegado. As pernas, sejam inteiras ou às metades, são minhas e já estão feitas, que diabo!...)
- Ó fáxavor, deixemo-nos de mariquices. É para arrancar pêlo, começando nos tornozelos e terminando junto ao umbigo, sim? Pode ser já?... Óptimo, vamos lá a isto, então...
- Com certeza, minha senhora...
(dois erros numa única frase: não sou dela, e também não sou uma senhora. Mas adiante.)
- ... vem para fazer meia-perna, perna inteira?...
(mais outro disparate pegado. As pernas, sejam inteiras ou às metades, são minhas e já estão feitas, que diabo!...)
- Ó fáxavor, deixemo-nos de mariquices. É para arrancar pêlo, começando nos tornozelos e terminando junto ao umbigo, sim? Pode ser já?... Óptimo, vamos lá a isto, então...
sexta-feira, agosto 05, 2005
Mais um poema existencialista
Álvaro de Campos:
"Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo -
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! ... "
40 graus. Nimed. Zyrtec. Unisedil: sou eu, à espera de melhores dias...
"Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo -
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! ... "
40 graus. Nimed. Zyrtec. Unisedil: sou eu, à espera de melhores dias...
quinta-feira, agosto 04, 2005
40 Graus!
Hoje dão 40 graus de máxima para Lisboa. E amanhã outros 40. Ora, isto é coisa para me derreter os já poucos neurónios que ainda teimam em habitar o meu cérebro tresloucado.
Detesto estes calores disparatados. Fico capaz de emigrar para qualquer sítio do mundo, desde que por lá esteja frio. Quantos dias é que teremos que aturar isto desta vez? Hein?...
Detesto estes calores disparatados. Fico capaz de emigrar para qualquer sítio do mundo, desde que por lá esteja frio. Quantos dias é que teremos que aturar isto desta vez? Hein?...
quarta-feira, agosto 03, 2005
Cântico Negro
"«Vem por aqui» --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí."
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí."
José Régio, Poemas de Deus e do Diabo
segunda-feira, agosto 01, 2005
A melhor invenção desde a roda
Ena! O bem que isto poderá vir a fazer em prol das relações interpessoais! Extremamente positivo!
sábado, julho 30, 2005
A fénix
A mim sempre me pareceu que há algumas semelhanças entre a fénix que eternamente renasce das próprias cinzas e o dogma católico da ressurreição, a meu ver erradamente considerado como acontecimento histórico, quando deveria talvez ser interpretado pelo seu valor simbólico.
Seja como for, exemplos de renascimentos e ressurreições estão sempre a acontecer por este mundo fora, e nas vidas de cada um de nós também. É graças a esse tanto de fénix que todos temos que podemos ver esta maravilha transformar-se nesta outra, e serem ambas verdadeiras, e ambas expressarem aquilo que é.
Seja como for, exemplos de renascimentos e ressurreições estão sempre a acontecer por este mundo fora, e nas vidas de cada um de nós também. É graças a esse tanto de fénix que todos temos que podemos ver esta maravilha transformar-se nesta outra, e serem ambas verdadeiras, e ambas expressarem aquilo que é.
sexta-feira, julho 29, 2005
8.428.517 punhetas a grilos depois...
... e na perspectiva desta semana não chegar para as bater todas, tenho apenas a dizer que:
SÓ ME APETECE SUBIR AOS POSTES E APALPAR O CU ÀS LÂMPADAS!
Arre!...
SÓ ME APETECE SUBIR AOS POSTES E APALPAR O CU ÀS LÂMPADAS!
Arre!...
quinta-feira, julho 28, 2005
Silly Season
Ele há dias, tal como hoje, em que o meu trabalho não tem outra forma de ser caracterizado: tenho aqui que bater uma série de punhetas a grilos...
Quando terminar estarei capaz de me sentar em frente à televisão durante horas, com um prato bem grande de bifes com batatas fritas à frente, comendo compulsivamente enquanto vejo telenovelas mexicanas...
Enfim, vidas...
Quando terminar estarei capaz de me sentar em frente à televisão durante horas, com um prato bem grande de bifes com batatas fritas à frente, comendo compulsivamente enquanto vejo telenovelas mexicanas...
Enfim, vidas...
terça-feira, julho 26, 2005
Um dia de chuva
"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é."
Ambos existem; cada um como é."
Alberto Caeiro
segunda-feira, julho 25, 2005
Jesus!
Hoje trouxe para casa um autêntico tesouro. Estou rica, mesmo sem euro milhões.
Comprei os dois primeiros volumes de um conjunto de três, que estes senhores fizeram o favor de traduzir do castelhano, num trabalho que assim à primeira vista me parece ser de bastante qualidade. Finalmente, finalmente!, uma tradução para português de jeito dos Evangelhos Gnósticos! Tenho nas minhas mãos, com o papel a cheirar a novo, O Livro Secreto de João e outros Textos Gnósticos, e também Evangelhos Gnósticos. Autênticas preciosidades como o “Evangelho de Tomé”, “O Evangelho de Maria (Madalena)” e o “Evangelho de Filipe”, entre outros. Eu nem estou em mim de tanta felicidade! Falta-me agora ter acesso ao terceiro volume, A Revelação de Pedro e Outros Textos Gnósticos.
Estes textos nunca integraram o Novo Testamento e desde sempre foram rejeitados pelas correntes ortodoxas do cristianismo. É nos Evangelhos Gnósticos, ou apócrifos, que podemos encontrar histórias desde sempre incómodas para os católicos, tais como esta, retirada do Evangelho de Filipe: “E a companheira do [Salvador é] Maria Madalena. O [Salvador] amava-a mais do que a todos os discípulos e beijava-a frequentemente na [boca].”
Isto contado desta maneira pode parecer um bocado estúpido, mas confesso que quando vi estes livros na prateleira do Jumbo o meu coração deu um salto, exclamei um “ah!” de alegria que se ouviu uns bons metros à volta (algumas pessoas chegaram a olhar-me de maneira esquisita, mas estou-me a borrifar para elas), e a verdade é que, algumas horas passadas, ainda não consegui aquietar-me completamente.
Neste momento, a única coisa que ocupa o meu espírito, para além da urgência de ler isto tudo é: QUERO COMPRAR O TERCEIRO VOLUME JÁ! PORQUE É QUE NÃO ESTAVA AO PÉ DOS OUTROS?! HEIN? ONDE É QUE ESTÁ… O TERCEIRO VOL… PRECISO DO TERC… VOL… URGENT… É UM CASO DE VIDA OU MORT…
… Estas coisas põem-me louca.
Comprei os dois primeiros volumes de um conjunto de três, que estes senhores fizeram o favor de traduzir do castelhano, num trabalho que assim à primeira vista me parece ser de bastante qualidade. Finalmente, finalmente!, uma tradução para português de jeito dos Evangelhos Gnósticos! Tenho nas minhas mãos, com o papel a cheirar a novo, O Livro Secreto de João e outros Textos Gnósticos, e também Evangelhos Gnósticos. Autênticas preciosidades como o “Evangelho de Tomé”, “O Evangelho de Maria (Madalena)” e o “Evangelho de Filipe”, entre outros. Eu nem estou em mim de tanta felicidade! Falta-me agora ter acesso ao terceiro volume, A Revelação de Pedro e Outros Textos Gnósticos.
Estes textos nunca integraram o Novo Testamento e desde sempre foram rejeitados pelas correntes ortodoxas do cristianismo. É nos Evangelhos Gnósticos, ou apócrifos, que podemos encontrar histórias desde sempre incómodas para os católicos, tais como esta, retirada do Evangelho de Filipe: “E a companheira do [Salvador é] Maria Madalena. O [Salvador] amava-a mais do que a todos os discípulos e beijava-a frequentemente na [boca].”
Isto contado desta maneira pode parecer um bocado estúpido, mas confesso que quando vi estes livros na prateleira do Jumbo o meu coração deu um salto, exclamei um “ah!” de alegria que se ouviu uns bons metros à volta (algumas pessoas chegaram a olhar-me de maneira esquisita, mas estou-me a borrifar para elas), e a verdade é que, algumas horas passadas, ainda não consegui aquietar-me completamente.
Neste momento, a única coisa que ocupa o meu espírito, para além da urgência de ler isto tudo é: QUERO COMPRAR O TERCEIRO VOLUME JÁ! PORQUE É QUE NÃO ESTAVA AO PÉ DOS OUTROS?! HEIN? ONDE É QUE ESTÁ… O TERCEIRO VOL… PRECISO DO TERC… VOL… URGENT… É UM CASO DE VIDA OU MORT…
… Estas coisas põem-me louca.
sábado, julho 23, 2005
Delícias da vida doméstica
Ora deixa cá ver...
Mexer em carne crua, que cheira, obviamente a carne crua. Tirar peles e gorduras nojentas. Por conta do cheio e do resto, fazer grande esforço de abstracção mental, essencial para impedir os espasmos do estômago, perigosamente indiciadores do vómito.
A seguir, ficar com os olhos a arder enquanto se pica a cebola, para logo depois as mãos ficarem a tresandar com o cheiro a alho.
Passar pelo menos hora e meia de volta de um tacho a ferver, transpirar, transpirar e ver cada vez mais longe a frescura do banho acabado de tomar.
Eis aquilo que está para além da minha capacidade de compreensão: há pessoas que, mesmo passando por isto tudo, continuam... continuam a gostar... gostam de cozinhar! Tss, tss, tss...
Mexer em carne crua, que cheira, obviamente a carne crua. Tirar peles e gorduras nojentas. Por conta do cheio e do resto, fazer grande esforço de abstracção mental, essencial para impedir os espasmos do estômago, perigosamente indiciadores do vómito.
A seguir, ficar com os olhos a arder enquanto se pica a cebola, para logo depois as mãos ficarem a tresandar com o cheiro a alho.
Passar pelo menos hora e meia de volta de um tacho a ferver, transpirar, transpirar e ver cada vez mais longe a frescura do banho acabado de tomar.
Eis aquilo que está para além da minha capacidade de compreensão: há pessoas que, mesmo passando por isto tudo, continuam... continuam a gostar... gostam de cozinhar! Tss, tss, tss...
quinta-feira, julho 21, 2005
As faces são opostas mas a moeda é a mesma
O celibato é uma coisa boa porque…
- O que é meu é meu. Sou livre para comprar ou vender quando me apetece, sem ter que discutir, negociar ou ceder sobre coisa nenhuma.
- Não tenho que gastar dinheiro em coisas parvas tais como consolas de videogames ou máquinas digitais de filmar que vão custar um dinheirão e servir uma vez ou duas, até aparecer um brinquedo mais giro.
- Ao regressar a casa, as únicas coisas que encontro desarrumadas são precisamente aquelas que eu própria desarrumei.
- Posso chegar ao fim do dia e “fechar-me na concha”, no silêncio da minha casa, até conseguir recuperar o equilíbrio que por vezes me abandona enquanto ando na rua.
- Não tenho camisas de homem para passar a ferro.
- Quando sou atacada pelo SPM (Síndroma Pré-Menstrual) isso não afecta mais ninguém a não ser eu própria, o que pode ser muito positivo sobretudo quando o dito inclui crises de ansiedade, irritabilidade simplesmente porque o céu é azul, flatulência e outros desarranjos intestinais.
- Gasto o dinheiro que me apetece em roupa, lingerie e cosméticos sem precisar de inventar argumentos que expliquem porque é que tudo isto me faz tanta falta, quando a verdade é que não há argumentos possíveis…
O celibato é uma coisa má porque…
- Não tenho vida sexual, facto que reconhecidamente não me faz nada bem aos nervos. Por outro lado é óptimo para os fabricantes de ansiolíticos e de chocolates.
- Tenho que acartar sozinha com as compras do supermercado até ao terceiro andar.
- Quando chega a hora de pagar a renda da casa, a prestação do carro, a água, a luz, o telefone, etc., etc., sai tudo do mesmo ordenado e não é o do vizinho do lado, infelizmente.
- Se chego tarde e exausta a casa não está lá ninguém para tomar conta de mim e me preparar o jantar (porém o que não falta prái são homens que não preparam jantares).
- Nas férias calha-me sempre a mim conduzir a porra do carro.
- Sou sempre descaradamente enganada por tudo o que seja vendedor ou mecânico de automóveis, e ainda por cima tenho que me ralar com coisas estupidamente parvas, tais como lavar o carro (!), ou verificar o ar dos pneus (???!) (porém o que não falta prái são homens que não percebem nada de carros).
- Quando avaria o autoclismo, há candeeiros e cortinados para montar ou alguma torneira começa a pingar, surge um sentimento de apocalipse iminente extremamente desagradável, ultrapassado apenas quando me conformo em ser escandalosamente enganada pelos canalizadores, electricistas, ou simplesmente pelos gajos que têm jeito para tratar destas merdas (porém, ó desgraça, ó martírio, o que não falta prái são homens que não conseguem sequer trocar uma lâmpada).
- O que é meu é meu. Sou livre para comprar ou vender quando me apetece, sem ter que discutir, negociar ou ceder sobre coisa nenhuma.
- Não tenho que gastar dinheiro em coisas parvas tais como consolas de videogames ou máquinas digitais de filmar que vão custar um dinheirão e servir uma vez ou duas, até aparecer um brinquedo mais giro.
- Ao regressar a casa, as únicas coisas que encontro desarrumadas são precisamente aquelas que eu própria desarrumei.
- Posso chegar ao fim do dia e “fechar-me na concha”, no silêncio da minha casa, até conseguir recuperar o equilíbrio que por vezes me abandona enquanto ando na rua.
- Não tenho camisas de homem para passar a ferro.
- Quando sou atacada pelo SPM (Síndroma Pré-Menstrual) isso não afecta mais ninguém a não ser eu própria, o que pode ser muito positivo sobretudo quando o dito inclui crises de ansiedade, irritabilidade simplesmente porque o céu é azul, flatulência e outros desarranjos intestinais.
- Gasto o dinheiro que me apetece em roupa, lingerie e cosméticos sem precisar de inventar argumentos que expliquem porque é que tudo isto me faz tanta falta, quando a verdade é que não há argumentos possíveis…
O celibato é uma coisa má porque…
- Não tenho vida sexual, facto que reconhecidamente não me faz nada bem aos nervos. Por outro lado é óptimo para os fabricantes de ansiolíticos e de chocolates.
- Tenho que acartar sozinha com as compras do supermercado até ao terceiro andar.
- Quando chega a hora de pagar a renda da casa, a prestação do carro, a água, a luz, o telefone, etc., etc., sai tudo do mesmo ordenado e não é o do vizinho do lado, infelizmente.
- Se chego tarde e exausta a casa não está lá ninguém para tomar conta de mim e me preparar o jantar (porém o que não falta prái são homens que não preparam jantares).
- Nas férias calha-me sempre a mim conduzir a porra do carro.
- Sou sempre descaradamente enganada por tudo o que seja vendedor ou mecânico de automóveis, e ainda por cima tenho que me ralar com coisas estupidamente parvas, tais como lavar o carro (!), ou verificar o ar dos pneus (???!) (porém o que não falta prái são homens que não percebem nada de carros).
- Quando avaria o autoclismo, há candeeiros e cortinados para montar ou alguma torneira começa a pingar, surge um sentimento de apocalipse iminente extremamente desagradável, ultrapassado apenas quando me conformo em ser escandalosamente enganada pelos canalizadores, electricistas, ou simplesmente pelos gajos que têm jeito para tratar destas merdas (porém, ó desgraça, ó martírio, o que não falta prái são homens que não conseguem sequer trocar uma lâmpada).
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