segunda-feira, setembro 26, 2005

Tá mal!!...

Leva-me contigo, sem ti não sou ninguém...

Quer-se dizer. Os meus colegas da Informática são uns chatos. Receio que tenha de falar com eles muito a sério sobre os seus critérios para bloquear o acesso a uns sites e a outros não.

Ora, se do computador do meu serviço eu consigo entrar aqui (sempre às horas de almoço, claro!), que raio de puritanismo cretino é que bloqueia o acesso a este aqui, que ainda por cima a ligação a carvão que tenho em casa não me deixa abrir...

Das duas uma: ou os colegas da informática não gostam de cuecas e soutiens, ou então não estão atentos a algumas marcas de roupa feminina de grande qualidade. Tá mal, pois claro que tá mal...

PS: Este post era para ter uma linda foto de um casaco bem giro. Só que hoje o blogger recusa-se a colaborar. Também deve estar armado em puritano...

PS2: Como sou uma gaja muita teimosa, lá consegui mostrar o lindo casaco, que por sinal custa 250,00 €, cinquenta contos, portantos.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Não, eu não tenho nada a dizer sobre o caso Fátima Felgueiras

... porque nem para dar a minha opinião me apetece pensar que isto está a acontecer.

Para me esquecer disto, vou trauteando a linda canção do Pedro Abrunhosa:

"E eu estou aqui,
Eu estou aqui,
Eu estou aqui,
Eu estou aqui

E eu estou aqui
Eu estou aqui..."

Acho que agora era a altura dos restantes Portugueses estarem noutro lado qualquer... Tipo, no Brasil, bute todos para lá! Também temos direito, não?...

Ai! Bolas, que afinal sempre disse qualquer coisa! Raios!...

quarta-feira, setembro 21, 2005

Ah! Fazer exercício era tão positivo!...

Se, de todas as vezes que levo o saco da natação a passear de carro, conseguisse depois chegar à piscina ao fim do dia, quem sabe, talvez estivesse já livre destes quatro quilos a mais, tanto que eu gostava de um dia os ver partir...

(suspiro de frustração)

terça-feira, setembro 20, 2005

Demasiadas coisas nas mãos

Casaco. Pasta A4 com documentos. Porta-moedas. Garrafa de água. Telemóvel. Bilhete do comboio. Bilhete do comboio?... Onde é que está o bilhete do comboio?!...

Só mesmo eu para entrar no comboio em Entrecampos, descobrir no Areeiro que estou a viajar sem bilhete, andar a fugir ao pica para ver se ao menos consigo chegar ao Oriente, sair, comprar outro bilhete, e esperar meia-hora pelo próximo comboio!

Eu palavra de honra, às vezes não tenho pachorra para me aturar!...

sábado, setembro 17, 2005

Bolero do coronel sensível que fez amor em monsanto

Ouvi dizer há dias atrás que uma banda recém-criada (nem sei quem são) fez uma versão deste tema do Vitorino. Já conheço a canção aos anos, mas por acaso não sabia que a letra era do António Lobo Antunes.

Aqui fica ela, que quem não conhece isto não merece o ar que respira:

"Bolero Do Coronel Sensível Que Fez Amor Em Monsanto

Eu que me comovo
por tudo e por nada
deixei-te parada
na berma da estrada
usei o teu corpo
paguei o teu preço
esqueci o teu nome
limpei-me com o lenço

olhei-te a cintura
de pé no alcatrão
levantei-te as saias
deitei-te no banco
num bosque de faias
de mala na mão
nem sequer falaste
nem sequer beijaste
nem sequer gemeste
quinhentos escudos
foi o que disseste
tinhas quinze anos
dezasseis, dezassete
cheiravas a mato
à sopa dos pobres
a infância sem quarto
a suor a chiclete
saíste do carro
alisando a blusa
espiei da janela
rosto de aguarela
coxa em semifusa
soltei o travão

voltei para casa
de chaves na mão
sobrancelha em asa
disse: fiz serão
ao filho e à mulher
repeti a fruta
acabei a ceia
larguei o talher

estendi-me na cama
de ouvido à escuta
e perna cruzada
que de olhos em chama
só tinha na ideia
teu corpo parado
na berma da estrada
eu que me comovo
por tudo e por nada."


Da nova versão desta tal banda não sei nada. Mas isto cantado pelo Vitorino é do caraças. Se puderem vão ouvir. Está editado num álbum chamado "As Mais Bonitas".

sexta-feira, setembro 16, 2005

É impossível...

... trabalhar hoje. Vou só ficar aqui sentadinha, à espera para atender o próximo telefone.

Ops!, lá está! Aqui vou eu...

PS: O que é giro é que 90% dos telefonemas são a perguntar por coisas que só não estão feitas porque está tudo ocupado a... atender telefones!

quarta-feira, setembro 14, 2005

Emancipação

Quando casou ia virgem.

Hoje em dia mantém apenas uma união sem factos, e um dia-a-dia feito a pensar nos outros. Vive num lugar que entende a infelicidade e a abnegação como coisa natural e própria da condição feminina. Aos olhos dos que a rodeiam tem um bom marido. Tem trabalhado toda a vida pela família e vem sempre dormir a casa.

Não interessa que regresse sempre bêbado. Não interessa que não a acompanhe em nada. Que a envergonhe. Não interessa.

E a bem da verdade, também já nada disso lhe interessa, essa ferida há muito tempo que secou. Muito gostava ela de o ver pelas costas. Mas ele ali está, estendido no sofá da sala da casa que o pai e a mãe lhe deram. Na casa que é dela, mas que ele não deixa, se calhar porque não tem para onde ir.

As filhas estão criadas, bem casadas, deseja-lhes melhor sorte que a sua. Em momentos de desespero chegou a dizer que, no dia em que visse as duas fora de casa, sairia ela de seguida. Mas a casa é dela. A mãe ainda lá mora. E ela ainda não teve coragem de bater com a porta.

Está apaixonada. Um amor duplamente pecaminoso, que os compadres são o mesmo que família. Com mais de quarenta anos de idade, descobriu-se em prazeres que o marido nunca lhe soube proporcionar, na pressa de alcançar o seu próprio. Descobriu o afecto. O encanto. O cuidado. Este homem está disposto a tudo por ela, tudo. Excepto esperar para sempre.

A vida não pára. Não decidir é uma decisão também, e não há decisões sem consequências. Ela sabe. Sabe que se sair por aquela porta terá todo o seu mundo a apontar-lhe o dedo, começando pela mãe, com quem provavelmente não trocará mais nenhuma palavra até ao fim da vida. E também sabe que se ficar onde está, um dia destes não há ninguém à sua espera do lado de fora.

O cão veio cheirá-la, estranhando vê-la imóvel por tanto tempo. Levantou-se, são horas de fazer o jantar. Ouviu o vento lá fora a soprar.

Com a força do vento, o portão da rua não parava de bater.

terça-feira, setembro 13, 2005

Rentrée

É preciso telefonar.
É preciso retomar aquilo que ficou parado à minha espera.
É preciso ir à reunião amanhã.
É preciso atender os telefones que tocam todos ao mesmo tempo.
É preciso concentração e motivação, que as férias já lá vão.

... Era preciso que eu tivesse dormido melhor esta noite...

sábado, setembro 10, 2005

De volta

Acabaram as férias, que foram bem boas. A lanzeira foi tão grande, mas tão grande, que pasmem as almas, venho com vontade de cozinhar! Muito estranho.

E estou com um bronzeado bem jeitoso. Não há dúvida, uns dias à beira-mar fazem mesmo bem à pele...

sexta-feira, setembro 02, 2005

Improbabilidades de 2005

No início deste ano, quem haveria de dizer...

Que o PS conseguia finalmente a maioria absoluta que tanto desejava?
Que chegávamos a Setembro e continuava sem chover?
Que afinal ainda havia floresta em Portugal com fartura para arder durante o Verão?
Que nas próximas eleições autárquias iríamos ter tanta bailarina a dançar à nossa volta?
Que uma coisa chamada Katrina iria deixar New Orleans parecida com a Ásia, depois do Tsunami?
Que o Mário Soares, qual pilha duracell, se iria candidatar outra vez à Presidência da República?
Que eu estaria hoje de malas aviadas, pronta para ir de férias já amanhã?...

Para o melhor e para o pior, não restam dúvidas: este ano de 2005 tem sido assim uma coisa... não sei, improvável...

domingo, agosto 28, 2005

Melhor yogurte: a decisão

Após ponderada reflexão e atenta prova de todos os nomeados, foi decidido ser esta a melhor altura para atribuir os há tanto tempo aguardados vencedores do óscar para melhor yogurte.

E na categoria de yogurte sólido, o óscar vai para:
Bio Activia da Danone - Cremosos (porque são docinhos e fazem bem à barriga)

E na categoria de yogurte líquido, o óscar vai para:
Dan'Up morango/banana (porque são magros e nunca enjoam, mesmo bebendo disto todos os dias)

PS: isto da melhor altura é sobretudo porque é Verão, estou de férias, e basicamente não tenho mais assunto nenhum de jeito para pôr aqui!

quinta-feira, agosto 25, 2005

40 anos de casa, 65 anos de idade

Ora então, dizem hoje as notícias que o Conselho de Ministros aprovou o diploma que alarga para 65 anos a idade da reforma, e para 40 o número de anos em que é suposto a malta andar a “descontar”.

Isto não é coisa que me preocupe por aí além. Prejudicados a sério devem ficar os colegas que iriam atingir agora, ou nos próximos anos, a idade da reforma de acordo com a anterior legislação. Para esses é que isto é tramado, que já estavam a contar com uma coisa e de repente têm que “amargar” com mais não sei quantos anos…

Agora, euzinha, que ando em funções públicas (não sei porquê isto soa–me algo esquisito…) desde 1993, duvido muito que quando chegar à minha altura este diploma ainda esteja a valer. Aposto que daqui a uns anos, para reduzir o número de desempregados, dão a volta ao disco e desatam a antecipar reformas. Com um bocado de sorte, ainda me mandam para casa mais cedo com indemnização e tudo!

Por outro lado, é algo divertido imaginar-me a poucos anos de me reformar. Ora deixa cá ver: 40 anos de casa. Só vou ter isso em 2033, contarei então a provecta idade de 61 anos. Ou seja, ainda me faltarão mais quatro anos para os 65, que só chegarão em 2037. Por mim, tudo bem. Eu tenho é pena das pessoas que vão estar à minha volta a gramar-me, coitaditas.

Vão sofrer tanto. Vou ser tão impossível de aturar. Se isto já hoje em dia é o que é, quanto mais enrezinada pela idade… Pobres das crianças com o seus 25 anitos de idade que nessa altura estejam sob as minhas ordens. Essas recém-chegadas à Função Pública, que estão hoje em dia a saltar de testículo para testículo, à espera que chegue 2008 para nascerem. E pobres dos jovens trintões dessa altura, ansiosos por uma boa oportunidade profissional, que estarão a salivar pela ocupação do meu posto. Raios partam a puta da velha, é o que dirão os meninos e meninas nascidos em 2000, que hoje em dia vestem bibe e frequentam o Jardim de Infância. Enquanto esta Tiranossaurus Rex não se puser a andar, nunca mais vejo este serviço andar cumadeveser!...

terça-feira, agosto 23, 2005

Que gandas broncos!

Já não basta o País estar a arder como está. Andarmos há não sei quantos dias a levar com telejornais inteiros só a mostrar os incêndios todos.

Nota: e eu não sou das que pensam que as televisões devem omitir as imagens dos incêndios, atenção. Acho que as televisões têm que estar lá, e mostrar, e falar do assunto até à exaustão, porque se eles não mostram então é que isto tudo passa mesmo como se não fosse nada. Agora, já estou um bocado farta daquela pornografia jornalística de constantemente se mostrarem pessoas em total desespero porque em minutos perderam tudo o que possuem, e vir uma abécula qualquer de micro na mão perguntar "como é que se sente, e agora o que vai fazer?". É criminoso, a meu ver, e devia ser punido.

Continuando. Já não basta chegarmos à conclusão que, sejam eles cor-de-laranja, cor-de-rosa, azul e amarelo ou cor-de-burro-quando-foge, a incapacidade dos governantes pegarem nos problemas a sério e resolvê-los, é, para mal de todos nós, o denominador comum.

Já não basta isto tudo. E hoje, para comprovar que os Portugueses são uns tristes, a SIC, a propósito dos incêndios, considerou como notícia interessante para incluir no Jornal da Noite, a colaboração que prestaram à Sky News, e mostraram imagens do directo (!) que um jornalista da SIC fez, a falar Inglês (que lindo, ahhh....) para a dita estação televisiva... Tipo, vejam como somos bons, entrámos em directo para a Sky News...

Dir-me-ão, com tantos problemas sérios neste âmbito, este assunto é um fait divers (sim, eu também sou muito culta e evoluída, sei falar Francês, e Inglês também). Com certeza. Mas isto dá conta, a meu ver, da pequenez de espírito que continua a caracterizar os Portugueses. Torna evidente como somos totalmente incapazes de cuidar do que é nosso. E como perdemos tempo precioso da nossa vida a espreitar por cima do ombro, a ver como os outros são bons, a invejá-los, e a ficarmos muito preocupadinhos com o que pensam a nosso respeito.

Não temos o mínimo apreço por aquilo que somos, quanto mais por aquilo que temos. À nossa volta está tudo a arder, mas ao menos somos uma notícia de relevo internacional. Esta canção do Sérgio Godinho vem bem a propósito disto... Que gandas broncos!...

domingo, agosto 21, 2005

O que eu gosto do campo...

É uma maravilha, a sério. Tirando o calor. E o pó. E as moscas.

Mas de tudo de tudo, aquilo que eu mais gosto do campo, é do banho de imersão que acontece assim que me apanho em casa. Eh pá, essa parte do campo é que eu curto!!

sexta-feira, agosto 19, 2005

Só mais dois dias úteis

E fico de férias. Vem a carneirada toda trabalhar e lá vou eu. Só mais dois dias, que o de hoje já não conta. Já nem dá para pensar noutra coisa.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Silly Season 2

Minhas senhoras e meus senhores, neste que é provavelmente o assunto mais importante alguma vez tratado neste mísero blog, iremos em breve atribuir o ÓSCAR PARA O MELHOR YOGURTE.

E na categoria de yogurte sólido, os nomeados são:
Bio Activia da Danone - Cereais
Bio Activia da Danone - Cremosos (morango, pêra, maçã reineta, manga, todos)
Magro da Yoplait Fruta e Fibras - ananás, maçã e cenoura
Sveltesse - Pedaços de maçã e kiwi
Yogurte batido com pedaços de morango do Pingo Doce

Na categoria de yogurte líquido, os nomeados são:
Dan'Up morango/framboesa
Mimosa Frutos & Cerais - maçã, laranja, alperce e cereais
Dan'Up morango/banana
Cremoso da Adagio com pedacinhos de morango
Corpos Danone - Aloe Vera

O júri vai agora analisar e brevemente serão atribuídos os óscares!...

quarta-feira, agosto 17, 2005

Haja paciência!...

Estes pseudo-artistas, mais as exigências do raio que os parta, têm a excentricidade das manias inversamente proporcionais ao talento, digo eu, que ninguém me perguntou nada...

E depois ainda há aqueles que precisavam mesmo era de estarem internados. Uma criatura que se entretém a destruir comida da forma como é descrito, isso sim deixa-me chocada. E eu nem sei o que é pior... Se é tal pessoa fazer aquelas coisas, se é os outros à volta aceitarem tanta demência sem se revoltarem nem fazerem nada. Tipo, abaná-lo e dar-lhe um estalo, ou arranjar-lhe uma mãe que lhe dê amor, ou simplesmente alguém para se rir a bom rir daquele boneco ridículo. Agora, dar-lhe comida para ele se entreter a pisar, tenham paciência!...

"Quem é mais louco? O louco ou aquele que o segue?..."

terça-feira, agosto 16, 2005

Mas quem é que me manda a mim...

... Ir comer porcarias?...

Eu já sei que não posso. Que me faz mal. Mas lá uma vez em cada dois anos cometo o erro crasso de entrar num MacDonalds. Ah e tal, que eles agora têm isto e aquilo, que já não é bem o mesmo...

Pois, pois. Quando saí de lá pensei que só tinha apanhado uma barrigada de fome. Mas antes estivesse já com fome. Estou aqui com uma náusea de tal ordem que se passar hoje o dia sem me vomitar toda já estou eu com sorte.

É bem feita. Um dia destes, pode ser que aprenda. Ah, e fica o aviso: os PitMac têm um molho duvidoso tipo "bomba", que deixa o estômago às voltas. Meu rico dinheiro.

sábado, agosto 13, 2005

Somos todos cegos que vêem

Ontem fui ver “Ensaio sobre a Cegueira”, uma adaptação para teatro do romance do Saramago, com o mesmo nome. Este valente desafio foi agarrado pelo Teatro O Bando, e está em cena no Teatro da Trindade até 18 de Setembro.

Para os poucos incautos que ainda não tenham percebido, aqui a dona deste estabelecimento é uma grande admiradora de (leia-se: tem uma grande panca por) José Saramago. No caso concreto deste romance, Ensaio sobre a Cegueira (que apenas tive coragem para ler duas vezes), considero ser um dos textos mais geniais do nosso Nobel. Genial sim, mas também um dos mais inquietantes, mais angustiantes, mais complexos, e diria eu, mais impossíveis de adaptar para Teatro.

Fui então ver a peça, munida do meu pessimismo céptico, ou em alternativa, do meu cepticismo pessimista. E estive para não ir. Pensava eu, se aquilo tentar ser fiel ao texto vai ser uma porcaria, se aquilo não for fiel ao texto vai ser uma banhada sem jeito nenhum. Ainda por cima, tinha visto há pouco tempo em DVD a decepcionante adaptação para cinema de A Jangada de Pedra, de moldes que já tinha os pés todos atrás que tinha para ter…

… E fiquei tão esmagada pela peça quanto fiquei já pelo livro. Que enorme coragem teve aquele grupo de pessoas para montar um espectáculo assim! Conseguiram reproduzir toda a história na íntegra, com momentos tão brutais quantos os do próprio livro em si. Quem sabe se até mais brutais ainda, porque ali estamos perante todo o espectáculo da miséria humana ao vivo e a cores, com imagens, sons e cheiros. E o espaço cénico, meus amigos, é extraordinário!

Da parte de mais esta cega que vê, aqui fica a minha humilde vénia para todos os elementos d’“O Bando”, que para além de terem concebido e montado o espectáculo, ainda lhes sobra força anímica para o levar à cena todos os dias. Olhem que é preciso terem uns tomates muito rijos e muito pretos.

Ah! Escusado será dizer que o meu pessimismo e cepticismo saíram do Teatro ontem com o rabo entre as pernas, mudos e quietos, e ainda hoje não abriram a boca. Estão pr’áli enfiados no canto mais escuro da casa, com uma grande crise de amuo. Tadinhos.

sexta-feira, agosto 12, 2005

É deprimente

O maior dá hoje destaque a este artigo. Mesmo correndo o risco de ser redundante, aqui fica ele destacado também neste humilde barraco.

Li isto e fiquei deprimida. Não só pelo tema em si, que já dá motivo de sobra para esse efeito. Também por causa deste malvado modo de ser português (e contra mim falo), que se dá ao luxo de saber sempre tudo o que está mal, conhecer os esquemas todos, e por sistema encolher os ombros e optar pela inércia.

Ao menos que se vá denunciando. Sempre se pode optar por ser incómodo e maçador, qual moscardo zumbindo aos ouvidos do gigante adormecido...

quinta-feira, agosto 11, 2005

Duas mulheres e um carro sem gasóleo

- Xô Dona Blimunda, preciso que vá comigo a Lisboa...

(fazendo vénia até ao chão):
- Com certeza, xô Dona Doutora Assessora, Excelentíssima e coiso! Vou imediatamente buscar uma viatura que nos carregue a ambas as duas por estes caminhos fora até ao destino!

(raios partam esta m..., era só o que me faltava, já não bastava o calor, agora ainda tenho que aturar isto, ainda por cima não gosto nada de conduzir em Lisboa, que sou uma valente azelha sem o menor sentido de orientação...)

(Viatura na mão, aqui vamos nós. Viatura sem gasóleo, logo, paragem na bomba mais próxima para meter. Gasóleo.)

- Ó xô Dona Blimunda, então estamos há vinte minutos paradas na bomba porquê? Assim nunca mais chegamos a Lisboa, e eu sou uma mulher ocupadíssima, não posso estar aqui assim!

- Pois... A xô Dona Doutora e etecetera vai-me desculpar a minha incompetência e incapacidade de corresponder às suas expectativas, mas eu para meter gasóleo tenho que abrir a portinhola lá de fora que permite enfiar a coisa no coiso, e eu até sei que aqui por dentro deve haver um botão que faz isso, só que como sou muito burra não estou a dar com ele, por acaso a xô Dona Doutora na sua incomensurável sabedoria não saberá onde é que está o botãozinho?... Também não?... Pois, realmente, é uma chatice, mas olhe que o botão deve estar mesmo aqui por perto, de certeza...

(mas onde é que se meteu o &%?!$# do botão, que &%?!$#! Estou capaz de "#$%& esta ?/&%$# toda, o meu carro tem o botão mesmo aqui... MAS PORQUE É QUE NÃO FAZEM OS CARROS TODOS IGUAIS? MAS PORQUE É QUE O COLEGA QUE COSTUMA ABASTECER OS CARROS DE SERVIÇO E FAZER AS VEZES DE MOTORISTA FOI DE FÉRIAS? ONDE É QUE ESTÁ O C&%$#"& DO BOTÃO?)

- Ah! Achei o botão! Estava mesmo aqui, do lado oposto àquele onde eu estava a procurar...

(cinco minutos depois da meia hora que demorou a encontrar o botão que abriu o depósito do gasóleo)

- Já podemos ir, xô Dona Doutora. Eu vou é com um ligeiro pivete a gasóleo, que o manípulo quando eu peguei nele, foi com um bocadito de força a mais, eh eh eh, já estava um bocadito enervada e tal com isto do botão, e o coiso de meter gasóleo tinha um bocadito de combustível residual que saiu disparado, eu ainda me desviei, mas um braço e as mãos, foi inevitável, mas não se preocupe, está tudo controlado, agora vai correr tudo bem, na pior das hipóteses quando for a hora de regressar apanhamos uma operação stop...

... o que veio a verificar-se. Ele há dias...

quarta-feira, agosto 10, 2005

segunda-feira, agosto 08, 2005

Corta Mato

- Boa tarde. É para fazer depilação, por favor…
- Com certeza, minha senhora...

(dois erros numa única frase: não sou dela, e também não sou uma senhora. Mas adiante.)

- ... vem para fazer meia-perna, perna inteira?...

(mais outro disparate pegado. As pernas, sejam inteiras ou às metades, são minhas e já estão feitas, que diabo!...)

- Ó fáxavor, deixemo-nos de mariquices. É para arrancar pêlo, começando nos tornozelos e terminando junto ao umbigo, sim? Pode ser já?... Óptimo, vamos lá a isto, então...

sexta-feira, agosto 05, 2005

Mais um poema existencialista

Álvaro de Campos:

"Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo -
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.

Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

Sou eu mesmo, que remédio! ... "

40 graus. Nimed. Zyrtec. Unisedil: sou eu, à espera de melhores dias...

quinta-feira, agosto 04, 2005

40 Graus!

Hoje dão 40 graus de máxima para Lisboa. E amanhã outros 40. Ora, isto é coisa para me derreter os já poucos neurónios que ainda teimam em habitar o meu cérebro tresloucado.

Detesto estes calores disparatados. Fico capaz de emigrar para qualquer sítio do mundo, desde que por lá esteja frio. Quantos dias é que teremos que aturar isto desta vez? Hein?...

quarta-feira, agosto 03, 2005

Cântico Negro

"«Vem por aqui» --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí."

José Régio, Poemas de Deus e do Diabo

segunda-feira, agosto 01, 2005

sábado, julho 30, 2005

A fénix

A mim sempre me pareceu que há algumas semelhanças entre a fénix que eternamente renasce das próprias cinzas e o dogma católico da ressurreição, a meu ver erradamente considerado como acontecimento histórico, quando deveria talvez ser interpretado pelo seu valor simbólico.

Seja como for, exemplos de renascimentos e ressurreições estão sempre a acontecer por este mundo fora, e nas vidas de cada um de nós também. É graças a esse tanto de fénix que todos temos que podemos ver esta maravilha transformar-se nesta outra, e serem ambas verdadeiras, e ambas expressarem aquilo que é.

sexta-feira, julho 29, 2005

8.428.517 punhetas a grilos depois...

... e na perspectiva desta semana não chegar para as bater todas, tenho apenas a dizer que:

SÓ ME APETECE SUBIR AOS POSTES E APALPAR O CU ÀS LÂMPADAS!

Arre!...

quinta-feira, julho 28, 2005

Silly Season

Ele há dias, tal como hoje, em que o meu trabalho não tem outra forma de ser caracterizado: tenho aqui que bater uma série de punhetas a grilos...

Quando terminar estarei capaz de me sentar em frente à televisão durante horas, com um prato bem grande de bifes com batatas fritas à frente, comendo compulsivamente enquanto vejo telenovelas mexicanas...

Enfim, vidas...

terça-feira, julho 26, 2005

Um dia de chuva

"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é."
Alberto Caeiro

segunda-feira, julho 25, 2005

Jesus!

Hoje trouxe para casa um autêntico tesouro. Estou rica, mesmo sem euro milhões.

Comprei os dois primeiros volumes de um conjunto de três, que estes senhores fizeram o favor de traduzir do castelhano, num trabalho que assim à primeira vista me parece ser de bastante qualidade. Finalmente, finalmente!, uma tradução para português de jeito dos Evangelhos Gnósticos! Tenho nas minhas mãos, com o papel a cheirar a novo, O Livro Secreto de João e outros Textos Gnósticos, e também Evangelhos Gnósticos. Autênticas preciosidades como o “Evangelho de Tomé”, “O Evangelho de Maria (Madalena)” e o “Evangelho de Filipe”, entre outros. Eu nem estou em mim de tanta felicidade! Falta-me agora ter acesso ao terceiro volume, A Revelação de Pedro e Outros Textos Gnósticos.

Estes textos nunca integraram o Novo Testamento e desde sempre foram rejeitados pelas correntes ortodoxas do cristianismo. É nos Evangelhos Gnósticos, ou apócrifos, que podemos encontrar histórias desde sempre incómodas para os católicos, tais como esta, retirada do Evangelho de Filipe: “E a companheira do [Salvador é] Maria Madalena. O [Salvador] amava-a mais do que a todos os discípulos e beijava-a frequentemente na [boca].”

Isto contado desta maneira pode parecer um bocado estúpido, mas confesso que quando vi estes livros na prateleira do Jumbo o meu coração deu um salto, exclamei um “ah!” de alegria que se ouviu uns bons metros à volta (algumas pessoas chegaram a olhar-me de maneira esquisita, mas estou-me a borrifar para elas), e a verdade é que, algumas horas passadas, ainda não consegui aquietar-me completamente.

Neste momento, a única coisa que ocupa o meu espírito, para além da urgência de ler isto tudo é: QUERO COMPRAR O TERCEIRO VOLUME JÁ! PORQUE É QUE NÃO ESTAVA AO PÉ DOS OUTROS?! HEIN? ONDE É QUE ESTÁ… O TERCEIRO VOL… PRECISO DO TERC… VOL… URGENT… É UM CASO DE VIDA OU MORT…

… Estas coisas põem-me louca.

sábado, julho 23, 2005

Delícias da vida doméstica

Ora deixa cá ver...

Mexer em carne crua, que cheira, obviamente a carne crua. Tirar peles e gorduras nojentas. Por conta do cheio e do resto, fazer grande esforço de abstracção mental, essencial para impedir os espasmos do estômago, perigosamente indiciadores do vómito.

A seguir, ficar com os olhos a arder enquanto se pica a cebola, para logo depois as mãos ficarem a tresandar com o cheiro a alho.

Passar pelo menos hora e meia de volta de um tacho a ferver, transpirar, transpirar e ver cada vez mais longe a frescura do banho acabado de tomar.

Eis aquilo que está para além da minha capacidade de compreensão: há pessoas que, mesmo passando por isto tudo, continuam... continuam a gostar... gostam de cozinhar! Tss, tss, tss...

quinta-feira, julho 21, 2005

As faces são opostas mas a moeda é a mesma

O celibato é uma coisa boa porque…

- O que é meu é meu. Sou livre para comprar ou vender quando me apetece, sem ter que discutir, negociar ou ceder sobre coisa nenhuma.

- Não tenho que gastar dinheiro em coisas parvas tais como consolas de videogames ou máquinas digitais de filmar que vão custar um dinheirão e servir uma vez ou duas, até aparecer um brinquedo mais giro.

- Ao regressar a casa, as únicas coisas que encontro desarrumadas são precisamente aquelas que eu própria desarrumei.

- Posso chegar ao fim do dia e “fechar-me na concha”, no silêncio da minha casa, até conseguir recuperar o equilíbrio que por vezes me abandona enquanto ando na rua.

- Não tenho camisas de homem para passar a ferro.

- Quando sou atacada pelo SPM (Síndroma Pré-Menstrual) isso não afecta mais ninguém a não ser eu própria, o que pode ser muito positivo sobretudo quando o dito inclui crises de ansiedade, irritabilidade simplesmente porque o céu é azul, flatulência e outros desarranjos intestinais.

- Gasto o dinheiro que me apetece em roupa, lingerie e cosméticos sem precisar de inventar argumentos que expliquem porque é que tudo isto me faz tanta falta, quando a verdade é que não há argumentos possíveis…


O celibato é uma coisa má porque…

- Não tenho vida sexual, facto que reconhecidamente não me faz nada bem aos nervos. Por outro lado é óptimo para os fabricantes de ansiolíticos e de chocolates.

- Tenho que acartar sozinha com as compras do supermercado até ao terceiro andar.

- Quando chega a hora de pagar a renda da casa, a prestação do carro, a água, a luz, o telefone, etc., etc., sai tudo do mesmo ordenado e não é o do vizinho do lado, infelizmente.

- Se chego tarde e exausta a casa não está lá ninguém para tomar conta de mim e me preparar o jantar (porém o que não falta prái são homens que não preparam jantares).

- Nas férias calha-me sempre a mim conduzir a porra do carro.

- Sou sempre descaradamente enganada por tudo o que seja vendedor ou mecânico de automóveis, e ainda por cima tenho que me ralar com coisas estupidamente parvas, tais como lavar o carro (!), ou verificar o ar dos pneus (???!) (porém o que não falta prái são homens que não percebem nada de carros).

- Quando avaria o autoclismo, há candeeiros e cortinados para montar ou alguma torneira começa a pingar, surge um sentimento de apocalipse iminente extremamente desagradável, ultrapassado apenas quando me conformo em ser escandalosamente enganada pelos canalizadores, electricistas, ou simplesmente pelos gajos que têm jeito para tratar destas merdas (porém, ó desgraça, ó martírio, o que não falta prái são homens que não conseguem sequer trocar uma lâmpada).

Pré-campanha

No "Público", de 19 de Julho. Está tudo dito.

quarta-feira, julho 20, 2005

Sobre o post anterior...

... que pelos vistos não foi bem entendido.

O problema não é o excesso de peso da jovem de ontem. É mesmo a falta de gosto, as más opções na escolha das roupitas, que não a favoreciam em nada. Fiquem lá com mais estes exemplos, a ver se nos entendemos:





Perceberam agora? A noção do ridículo é fundamental...

Isto é tão elementar quanto as saias deverem obedecer sempre a um mínimo de 37 centímetros regulamentares, e as mulheres com mamas grandes não poderem usar soutiens que só custam 5 euros!

Fui mais clara agora?... Não?... Mas que raio...

terça-feira, julho 19, 2005

Momento religioso


Meu Deus! Ouve as minhas preces! Já que não me deste a beleza, ao menos, por favor, nunca me faltes com a noção do ridículo!

sábado, julho 16, 2005

Efeitos colaterais

Eu ando tão frustrada com isto de não encontrar calças de ganga que me sirvam, que no espaço de uma semana já é a segunda blusa que compro.

quinta-feira, julho 14, 2005

Homem bonito, homem feio

Aqui na chafarica destes amigos, tem suscitado vivo debate um certo anúncio publicitário que mete homens semi-nus, cavalos e kilts, e por arrasto, o conceito feminino de beleza masculina, uma coisa que pelos vistos vai muito para além da capacidade de entendimento da classe masculina em geral.

Aproveito este meu canto para me alongar um bocadinho sobre o assunto. Como a maior parte das mulheres entenderá, não há a mínima possibilidade de explicar de forma objectiva porque é que um homem é bonito ou não. Até porque o homem mais belo do mundo pode deixar de o ser em cinco segundos, simplesmente porque fez isto ou aquilo, ou em alternativa, porque não fez isto ou aquilo. Além disso, também não acho os homens assim tão objectivos quando se trata de considerar uma mulher bonita ou feia, portanto estamos conversados, que todó mundo padece da tal da subjectividade.

E depois acho que a questão está mal colocada a priori. A minha apreciação, por exemplo, nunca é posta em termos de bonito ou feio, com todo o respeito por quem pense nesses termos, obviamente. Eu cá prefiro outros conceitos, a meu ver mais abrangentes: simplesmente, ou faz efeito ou não faz efeito.

Assim sendo, e mandando a objectividade às urtigas, andei à procura duns tantos exemplos daquilo que me faz ou não efeito (ou que faria se a minha sorte chegasse a tanto). Se este post não contribuir para o esclarecimento do tema em questão, devo dizer que pelo menos a pesquisa foi muito agradável de fazer e que acredito ter contribuído para a boa disposição do mulherio. Ah! A ordem, tirando o primeiro de todos, é aleatória, que isto não é nenhum campeonato:

Este é o que faz mais efeito de todos!

Descoberto recentemente. Faz efeito se estiver assim, porque se for assim já não faz efeito nenhum
Ai, ai, o efeito que este amiguinho (o da camisa azul) me faz!...
Faz sempre efeito. Sempre. Raios o partam.
Outro “vintage” que nunca deixa de fazer efeito.
Este, este, e este também fazem todos efeito, sendo que isto resume praticamente tudo o que eu sei acerca de futebol.
Aqui está o personagem com tudo para fazer efeito na vida de uma mulher…
E sim, este gajo também me faz efeito, e NÃO QUERO SABER!

Depois,
Faz efeito assim, assim

E finalmente,
Nem que se pinte todo de dourado, não me faz efeito nenhum
Outro que deixa as mulheres todas loucas. A mim, não faz efeito
Nada. Nem um pelinho do braço se me arrepia, quanto mais o resto.
Nop. Este também não faz
Mas isto fará efeito a alguém?... Pior é que a algumas faz. Medo.
É bonito? Sem dúvida. Faz efeito? Não.

E pronto. Aceitam-se sugestões para futuros updates...

terça-feira, julho 12, 2005

VENDE-SE

Funcionária pública competente. Organizada, eficaz na análise, rápida na execução. Com espírito de liderança. A precisar de estímulos profissionais. Preço negociável.

segunda-feira, julho 11, 2005

Alguém entende?...

1.ª noite: Escola. Refeitório. Vidro partido. Assaltantes vandalizam e comem da comidinha que encontram mesmo a jeito, inicialmente destinada aos meninos no dia seguinte. Pela manhã, chamar GNR. Reparar vidro. Lamentar o estado a que isto chegou

2.ª noite: Escola. Refeitório. Vidro partido (outro, não o mesmo). Assaltantes dedicam-se a fritar bifes e a comê-los. Nasce o sol, repara-se o vidro outra vez, GNR, bla bla bla.

3.ª noite: Escola. Refeitório. Vidro partido (ao menos vão-se substituindo os novos pelos velhos, o pior é que os que lá estavam tinham sido pintados pelos miúdos, enfim, estes assaltantes são do piorio). Assaltantes tornam-se refinados, fritam bifes e batatas, já só falta o ovo a cavalo (se calhar não gostam, pronto).

4.ª noite: Escola. Refeitório. Outro vidro (sempre diferente). Não se pode comer sempre à base de fritos. A saladinha também é muito positiva. Estes assaltantes têm bons hábitos alimentares.

Se calhar, é por andarem tão bem alimentados que se tornam mais difíceis de apanhar. Pelo menos a GNR, com eles a irem sempre ao mesmo sítio em quatro noites seguidas ainda não conseguiu. Se calhar acham os assaltantes demasiado previsíveis. Não?...

quinta-feira, julho 07, 2005

Moda ou ditadura?...

a) cintura um pouco descaída
b) cintura descaída
c) cintura muuuuuito descaída

Entre umas e outras estão calças que:
a) assentam na perfeição;
b) assentam assim assim, conforme os modelos;
c) foram concebidas por criaturas malévolas com o único objectivo de nos humilharem em frente ao espelho da cabine de provas!

Ó xô dona da loja! Muito giras estas calças de ganga! Já vi que têm disto para barbies e para adolescentes anorécticas. Agora, se não se importa, diga-me lá onde é que está a roupa para mulheres?!

quarta-feira, julho 06, 2005

terça-feira, julho 05, 2005

Amargos de boca

Os doces são um vício como outro qualquer. Manter bons hábitos alimentares é uma questão de disciplina, de mentalização. Aparentemente é simples mas não é, sobretudo quando cai do céu aos trambolhões (leia-se: da casa da mãe) uma caixa cheia de bolinhos miniatura que têm esta capacidade espantosa de nos invadir o cérebro antes mesmo de os metermos na boca. E lá ficam eles, a chamarem-nos do frigorífico, a insinuarem-se, com mil promessas de eterna felicidade que a gente sabe que são enganadoras, mas tão tentadoras, meu Deus… Nunca, mas nunca, se deve deixar um viciado com fácil acesso ao objecto da sua tentação, a disciplina e a mentalização ficam logo com as perninhas a tremer.

Uma solução possível para o problema era boicotar quem me boicota a dieta, ou seja, deitar tudo fora e pronto. Mas e depois quem é que me livra dos pesos de consciência, aquela que diz que a comida não é para deitar fora, porque temos que respeitar quem não tem o que comer e tal…

Andei dois dias nisto. Bolos no frigorífico: cada vez menos. Disciplina e mentalização: a minguarem tal e qual como o número de bolos no frigorífico. Iria acabar por comê-los todos se não fizesse alguma coisa para acabar com este ciclo vicioso. Há bocado fui-me a eles, comi dois, e a seguir pedi muitas desculpas às criancinhas da Etiópia mas espetei com o resto no caixote do lixo. Amanhã de manhã saem logo comigo a caminho do contentor, que é a única maneira de parar de pensar neles (mais uma infracção: o lixo deve ser sempre despejado à noite. Estão a ver como qualquer vício nos torna pessoas más?).

Era o que faltava. Afinal quem é que manda aqui em casa, eu, ou meia-dúzia de pastéis de nata?... Estou firme e hirta na minha opção por uma alimentação equilibrada e saudável! Fora, pastéis de nata, fora!

… Na verdade não eram só pastéis de nata... Também havia daqueles em forma de rim, cheios de creme por dentro, são dos que eu mais gosto... É melhor nem pensar mais nisto, senão ainda passo pela humilhação de os ir buscar de volta ao caixote. Estão metidos dentro da caixa, ainda devem estar bons… Não?...

American Pie

É uma canção muito linda. Da autoria de um tipo chamado Don MacLean, e já tem mais de 30 anos. Deve ser possível ouvir isto na net, mas como não consegui encontrar nenhum link para esse efeito pelo menos pode-se chegar à letra por aqui.

Ouvi isto pela primeira vez no final de uma das melhores peças de teatro que já vi na vida. Chamava-se "Os Descendentes de Kennedy", foi levada à cena pelo Teatro da Malaposta e tinha no elenco a maravilhosa Maria João Luís e o Marcantónio del Carlo, a Ana Nave também, e pelo menos mais dois actores, cujos nomes não consigo recordar. Nunca oiço este tema que não me recorde daquele espectáculo e de como chorei baba e ranho ao som deste "American Pie". E já lá vai um porradão de anos...

domingo, julho 03, 2005

Será isto a tradição?

Quando cheguei da Festa trazia os pés a latejar de tanta dor. Os cabelos e a roupa, incluindo a interior, cheiravam a suor, febras, couratos, sardinhas e tabaco, tudo ao mesmo tempo. Enquanto lá estive, e munida do meu sorriso profissional número 32, lá fui palmilhando ruas e mais ruas, procurando ser sempre delicada e simpática para toda a gente, incluindo os fadistas que tinha que convencer (obrigar, mesmo) a cumprir o horário de actuações previamente estabelecido, os bêbados que me tentaram engatar (um deles bem giro, por sinal), e os magotes de gente a quem ia pedindo para nos deixarem passar. Nesta longa noite ouvi as mesmas pessoas cantarem os mesmos fados umas três vezes pelo menos. Rapei tanto frio, mas tanto frio, que já não sabia o que fazer à minha vida…

Em cada lugar por onde passámos deram-nos de comer e de beber, tínhamos tudo à disposição, desfeita era não aceitar. As imperiais vinham-me (perigosamente) parar às mãos sem que eu as pedisse e sem saber sequer quem as oferecia ou as estava a pagar. Cantei o fado. Ri com gosto de todas as anedotas que me contaram. Encontrei e abracei amigos que não via há anos e como sempre conversámos e tirámos prazer de estarmos novamente juntos, e isso deixou-nos a todos muito felizes.

Quando cheguei da Festa tinha o corpo numa desgraça. Porém a minha alma vinha a transbordar desta sensação maravilhosa que é a de se pertencer de facto a alguma coisa. Como se a Festa, tão ruidosa e fatigante, fosse afinal uma espécie de colo de mãe, quente e aconchegante. Será isto a tradição?...

sábado, julho 02, 2005

É que não há limites para a estupidez...

Palavras de Mariah Carey: "Quando vejo as crianças a passar fome em África dá-me vontade de chorar. Também gostava de ser assim magra, mas sem aquelas moscas à minha volta."

Andei a tentar arranjar qualquer coisa para comentar isto, mas olha, não consigo lembrar-me de nada...

sexta-feira, julho 01, 2005

Um poema para o fim-de-semana

"Eis o leito em que me deito
No buraco do meu quarto.
E em que sofro a dor do parto
Que não acaba
De mim próprio."

José Régio, acho eu, que procurei procurei e não achei o livro onde isto está.

quinta-feira, junho 30, 2005

A minha alma está parva!

Olha! Tu queres ver que… Então não é que hoje passou um episódio do Gato Fedorento na SIC Generalista antes do Jornal da Noite?! Eu palavra de honra que vi aquilo convencida que estava na SIC Radical, só quando fui a mudar para a “3”, numa de ver as notícias é que percebi a coisa. Alguma coisa de muito estranha se passa nas cabeças daqueles senhores que definem as programações e aquilo que o “povão” gosta de ver para fazerem uma coisa destas.

Então e o “Chocolate com Pimenta”, coitadito? Hein? Uma novela tão gira da qual já ninguém se lembrava porque passou há imeeeeenso tempo e por isso foi uma coisa mesmointeligenteàbrava colocá-la novamente na grelha, sim senhor… Uma novela que é “mesmo adequada para jovens”, palavras de uma rapariguinha que aparecia em spots de promoção a esta excelente estratégia de programação, e que tentava desviar os putos de uma coisa qualquer chamada “Morangos com Açúcar”? Hã? Como é que ficamos? Troca não troca, troca não troca... Mau, queres ver que a gente vai-se chatear?...

Então esta gente é doida ao ponto de mostrarem a todó Portugal esse programa com um nome absolutamente idiota, com umas piadas que nem os jovens nem ninguém consegue achar graça nenhuma, feito com um orçamento ridículo, sempre pelos mesmos quatro gajos parvinhos até ao infinito, e é isto que colocam na SIC Generalista, no lugar do “Chocolate com Pimenta”?... Ao que nós chegámos, meus amigos…

Agora a sério, o que é giro nisto é que estes tipos da SIC parecem tão desesperados para recuperar audiências no horário entre as 19h00 e as 20h00 que estão dispostos a experimentar tudo, mesmo tudo. Pasmem-se as almas, o desespero vai ao ponto de tomarem medidas com sérias probabilidades de serem as mais acertadas!

Acabou não acabou

O meu carro voltou para mim! Acabou a abstinência automóvel! Acabaram os suores, os calores, a vontade de amarinhar pelas paredes… porém oficina não acabou com o “problemazinho”, isto mesmo depois de ter acabado com o meu subsídio de férias… Vidas…

terça-feira, junho 28, 2005

"Temos aqui um problemazinho..."

Claro. Há sempre um “problemazinho”. Também que se lixe, se não fosse para resolver os problemazinhos não levava o carro para a oficina. Agora, o que me fascina é o tom de voz. Mesmo antes do tom, o termo “temos”. Temos? Peço desculpa mas não “temos” nada, o problema é meu, que quando chegar a hora de pagar a conta do “problemazinho” o solícito funcionário não diz, “aqui está a nossa factura”. O que ele diz é “aqui está a sua factura”.

Voltando ao tom. É verdadeiramente assustador, porque o tom que o homem da oficina usa para dizer “temos aqui um problemazinho” é PRECISAMENTE o mesmo tom que a minha ginecologista usou quando uma vez me disse “tem aqui uma feridazinha”… medo. Onde, em que lugar obscuro deste mísero planeta, ginecologistas e funcionários de oficinas auto se juntaram para aprenderem a usar aquele tom?

E quando é que acaba a minha abstinência automóvel? Ontem de manhã era já ontem à tarde. Ontem à tarde, por causa do problemazinho, teve que ficar para hoje à tarde, sem falta nenhuma, fique descansada. Promessas…

QUERO O MEU CARRO DE VOLTA!

segunda-feira, junho 27, 2005

Abstinência

Diz-se que longos períodos de abstinência sexual deixam as mulheres demasiado nervosas; descompensadas; facilmente irritáveis, com variações imprevisíveis de humor. Admito hoje que me sinto precisamente assim, nervosa, descompensada, irritada, mal-humorada… Começou no minuto seguinte a deixar o carro na oficina, para revisão. Estou com uma crise séria de abstinência automóvel.