segunda-feira, janeiro 16, 2006
sábado, janeiro 14, 2006
Campanha Eleitoral II
"ESCOLA DO ADRO
A malta que vinha à escola vestia ganga
comia um naco de boroa e uma sardinha
tinha tinta nos dedos e às vezes tinha
na cabeça uma doença chamada tinha.
Cheirava a fumo e a poeira dos caminhos
a minha avó dizia que era a raposinho
mas era a fumo e a bolor a tinta e a peido
um cheiro que já não há porque era o cheiro
do muito pouco em mil novecentos e quarenta e três
quando os automóveis andavam a gasogéneo
e aquela malta que vinha à escola
não tinha sapatos tinha chancas
às vezes tamancos e às vezes só pés.
Quando era Junho ou Julho aquela malta
depois da escola vinha para o rio
despia-se em frente das lavadeiras
«ai os grandes sacanas que já pintam»
diziam elas e riam-se e aquela malta
atirava torrões para cima da roupa branca
estendida a corar no areal.
Todas as manhãs se fazia a saudação fascista
mal o professor virava costas
começavam os manguitos e as caretas
daquela malta que não gostava de estender o braço
e punha a língua de fora para os retratos
de Carmona e Salazar na parede ao fundo.
Aquela malta que vinha à escola
não era malta para ser domada.
Talvez por isso o jeito que me ficou
de fazer manguitos pela vida fora."
A malta que vinha à escola vestia ganga
comia um naco de boroa e uma sardinha
tinha tinta nos dedos e às vezes tinha
na cabeça uma doença chamada tinha.
Cheirava a fumo e a poeira dos caminhos
a minha avó dizia que era a raposinho
mas era a fumo e a bolor a tinta e a peido
um cheiro que já não há porque era o cheiro
do muito pouco em mil novecentos e quarenta e três
quando os automóveis andavam a gasogéneo
e aquela malta que vinha à escola
não tinha sapatos tinha chancas
às vezes tamancos e às vezes só pés.
Quando era Junho ou Julho aquela malta
depois da escola vinha para o rio
despia-se em frente das lavadeiras
«ai os grandes sacanas que já pintam»
diziam elas e riam-se e aquela malta
atirava torrões para cima da roupa branca
estendida a corar no areal.
Todas as manhãs se fazia a saudação fascista
mal o professor virava costas
começavam os manguitos e as caretas
daquela malta que não gostava de estender o braço
e punha a língua de fora para os retratos
de Carmona e Salazar na parede ao fundo.
Aquela malta que vinha à escola
não era malta para ser domada.
Talvez por isso o jeito que me ficou
de fazer manguitos pela vida fora."
Manuel Alegre
Rua de Baixo, 1990
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Desabafo de ordem pessoal
Que eu não sou de invejas, e aliás acho que esse é o sentimento mais negativo que pode existir. Não é isso.
Mas parece que ultimamente à minha volta só oiço falar em casas que se venderam num ápice, escrituras e mudanças, e por muito que tenha andado a combater este sentimento nos últimos tempos, hoje sinto-me um bocado invadida pelo chamado desespero. Estou há sete meses com a minha casa à venda e nem uma única alma apareceu até aos dias de hoje para a ver, quanto mais para a comprar.
Tenho a sensação que vou ficar enclausurada naquelas quatro paredes para todo o sempre e que nunca mais nos dias da minha vida vou conseguir sair daquele lugar que não tem nada a ver comigo...
Que merda.
Mas parece que ultimamente à minha volta só oiço falar em casas que se venderam num ápice, escrituras e mudanças, e por muito que tenha andado a combater este sentimento nos últimos tempos, hoje sinto-me um bocado invadida pelo chamado desespero. Estou há sete meses com a minha casa à venda e nem uma única alma apareceu até aos dias de hoje para a ver, quanto mais para a comprar.
Tenho a sensação que vou ficar enclausurada naquelas quatro paredes para todo o sempre e que nunca mais nos dias da minha vida vou conseguir sair daquele lugar que não tem nada a ver comigo...
Que merda.
terça-feira, janeiro 10, 2006
Campanha Eleitoral I

"Que ninguém fale de prudência ninguém fale
de esperar. Há palavras que estão gastas (que me gastam)
Ponderação me pedem. Exigem que me cale
mas bebem do meu vinho meus campos devastam
à resignação chamam virtude juventude à indignação
com seus conselhos me enfastiam com seus prémios me castigam.
Se digo não me dizem sim se digo sim me dizem não
calar-me é doloroso mais ainda me é falar
pois o silêncio é uma traição mas há palavras que me gastam
há um falar que não é dizer há um tempo que se gasta.
Ah não me peçam para esperar que de esperar
eu desespero e a esperança já não basta
que já não posso já não posso suportar
nem os velhos que me falam da virtude
nem os novos que começam a ser velhos.
E se a revolta (dizem) é juventude
eu vos digo que há um tempo de acabar
com este tempo que se gasta e que nos gasta.
Altas são as montanhas. E as águas do mar são vastas.
Partir ou não partir. De qualquer modo ousar.
Pois o tempo é de agir. E as palavras estão gastas."
Manuel Alegre
Um Barco para Ítaca, 1971
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Há algo de ursa dentro de mim
De outro modo como é que se explica que eu tenha dormido quase nove horas a noite passada, e mesmo assim esteja aqui com um sono, mas um sono...
... que a bem dizer, todas as minhas forças se esvaem no simples esforço de manter os olhos abertos.
Deve ser do frio. E a minha costela de ursa está a pedir-me para hibernar...
... que a bem dizer, todas as minhas forças se esvaem no simples esforço de manter os olhos abertos.
Deve ser do frio. E a minha costela de ursa está a pedir-me para hibernar...
Presidenciais
Assino por baixo tudo o que diz o Ruca, aqui.
Eu nem ando a pensar muito nestas eleições. É tão óbvio o que vai acontecer que nem vale a pena. Ai Portugal, Portugal...
Eu nem ando a pensar muito nestas eleições. É tão óbvio o que vai acontecer que nem vale a pena. Ai Portugal, Portugal...
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Gentemuitaespertasimsenhor
Fui eu há uns dias atrás muito lampeira ao Millenium BCP tirar cheques da máquina, facilidade até positiva, que a malta escusa de andar a pedir ao balcão, e mais não sei quê. Qual não é o meu espanto quando a máquina se recusa a vomitar os cheques como é costume, e sem me dizer sequer o porquê da coisa. Lá fui eu ao balcão, já a pensar que tinha feito porcaria e ainda tinha menos dinheiro do que pensava que tinha, perguntar porque estava eu assim excluída do maravilhoso mundo dos cheques impressos na máquina.E diz-me a menina, ah e tal, só com um saldo superior a 200,00 € é que pode tirar cheques na máquina! E eu fiquei a pensar nisto.
Hoje lá fui eu outra vez, a dita cuja conta entretanto aprovisionada com um saldo que fez de mim, novamente, uma pessoa de confiança ao olhos daqueles senhores. Pelo sim pelo não, em vez de fazer cinco cheques fiz dez.
E pergunto eu, o que é que aquelas alimárias que inventaram esta medida, ganham com isto? Pessoas inteligentes à brava, sim senhor. A ver se encontro algum que me explique o que é que me impede agora, com os cheques na mão, de os passar ultrapassando o saldo da conta que lá está!
Que garantias lhes dá o facto de, no momento em que são emitidos os cheques, a conta ter mais de 200,00 €? É que ainda hoje posso ir lá buscar o dinheiro todo e ficar com a conta a zeros, entretanto a máquina já não vem a correr atrás de mim a exigir os cheques de volta! Acho eu, não sei... Vai na volta...
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Contenção
Orçamental
O mês de Janeiro é uma desgrça. Até ao próximo ordenado, não há livros nem discos, não há trapos, não há cinemas nem teatros, nem bugigangas. Únicas despesas permitidas: cafés, pequenos-almoços, almoços, combustível, compras de supermercado, e estas últimas também com muito cuidadinho.
Calórica
O mês de Dezembro foi uma desgraça. Até novas ordens, não há chocolates, bonbons, frutos secos, não há cá sobremesas a torto e a direito, nem bolos disto ou daquilo. Acabou-se. Finito. The end. Pãozinho e leitinho, iogurte magro e frutinha. Cozidos e grelhados. Bolachinhas integrais.
(Post escrito numa tentativa desesperada de ignorar caixa de After Eight com recheio de Irish Cream situada mesmo em frente ao meu campo de visão, trazida por colega especialista em boicotar resoluções firmes e inabaláveis, como obviamente são as minhas.)
PS: Caixa de After Eight também conhece a cantiga do Abrunhosa.
PS2: Por acaso provei destes After Eight no outro dia. São bons. Também há com creme de laranja e de limão. E há uns de chocolate branco, mas eu de chocolate branco não gosto muito. Estes por acaso são bons. Hum.
O mês de Janeiro é uma desgrça. Até ao próximo ordenado, não há livros nem discos, não há trapos, não há cinemas nem teatros, nem bugigangas. Únicas despesas permitidas: cafés, pequenos-almoços, almoços, combustível, compras de supermercado, e estas últimas também com muito cuidadinho.
Calórica
O mês de Dezembro foi uma desgraça. Até novas ordens, não há chocolates, bonbons, frutos secos, não há cá sobremesas a torto e a direito, nem bolos disto ou daquilo. Acabou-se. Finito. The end. Pãozinho e leitinho, iogurte magro e frutinha. Cozidos e grelhados. Bolachinhas integrais.
(Post escrito numa tentativa desesperada de ignorar caixa de After Eight com recheio de Irish Cream situada mesmo em frente ao meu campo de visão, trazida por colega especialista em boicotar resoluções firmes e inabaláveis, como obviamente são as minhas.)
PS: Caixa de After Eight também conhece a cantiga do Abrunhosa.
PS2: Por acaso provei destes After Eight no outro dia. São bons. Também há com creme de laranja e de limão. E há uns de chocolate branco, mas eu de chocolate branco não gosto muito. Estes por acaso são bons. Hum.
terça-feira, janeiro 03, 2006
Ataque de pieguice romântica
"They say that all poets must have an unrequited love
As all lovers must have thought provoking fears
But holding on to you means letting go of pain
Means letting go of tears
Means letting go of the rain
Holding on to you
Means letting sorrows heal
Means letting go of what's not real
Holding on to you"
Não é costume, mas de vez em quando também me dá. Daqui a bocadinho já passa.
As all lovers must have thought provoking fears
But holding on to you means letting go of pain
Means letting go of tears
Means letting go of the rain
Holding on to you
Means letting sorrows heal
Means letting go of what's not real
Holding on to you"
Holding on to you
Terence Trent d'Arby
in Vibrator
Não é costume, mas de vez em quando também me dá. Daqui a bocadinho já passa.
segunda-feira, janeiro 02, 2006
O problema...
... Já nem são as quantidades obscenas de calorias que foram ingeridas nos últimos dois fins-de-semana.
O problema é o bolo de bolacha, a tarte de natas, o bolo-rei, os Raffaellos e os Món Chéri que continuam lá por casa a cantarem todos a cantiga do Abrunhosa:
"Eu, estou aqui
E eu, estou aqui"
É de tal maneira que eu ainda nem fui para casa e já estou daqui a ouvi-los cantar... Não dá. Prevejo medidas radicais anti-engorda para muito breve.
O problema é o bolo de bolacha, a tarte de natas, o bolo-rei, os Raffaellos e os Món Chéri que continuam lá por casa a cantarem todos a cantiga do Abrunhosa:
"Eu, estou aqui
E eu, estou aqui"
É de tal maneira que eu ainda nem fui para casa e já estou daqui a ouvi-los cantar... Não dá. Prevejo medidas radicais anti-engorda para muito breve.
domingo, janeiro 01, 2006
Doze passas
Tenho andado para escrever aqui qualquer coisa sobre o ano novo. Resoluções impossíveis de concretizar, desejos que espero ver cumpridos em 2006, já que em 2005 foi o que se viu, enfim, o costume.
Esta coisa da afirmação dos desejos não deixa de ser curiosa. Eu cá cumpri a tradição, comi as doze passas, guardei uma para a taça, formulei os meus desejos para o firmamento, na esperança de que alguns deles venham a verificar-se. Mas também fiz outra coisa que faço sempre, que é recordar o início deste ano que agora passou. Procurei lembrar-me da pessoa que era e das circunstâncias que me rodeavam, dos desejos que então formulei e quais se cumpriram ou não e porquê, em resumo, o que é que 2005 encontrou quando chegou e o que é que 2006 encontra agora. Está tudo muito diferente, numas coisas pelo melhor, a maior parte felizmente, noutras não tanto, a moeda tem sempre dois lados e temos que saber viver com ambos.
Podia colocar aqui os doze desejos que me passaram pelas passas. Mas convenhamos, o que contribui para um Feliz Ano Novo não é a formlução dos desejos, que essa parte é fácil, as passas são doces e com champanhe até escorregam melhor. O que faz verdadeiramente um Feliz Ano Novo é a força, o ânimo, o empenho, um dia de cada vez, a tornar possível que os desejos se realizem. Alguns, às vezes.
Deixemo-nos de sebastianismos. Em vez de entregar tudo às passas, ficam aqui estas doze ideias, retiradas deste livro:
"Se fazes girar uma hélice
por meio de compressão
não te surpreendas
quando o motor começa a trabalhar."
"Compra segurança em vez de felicidade
e será esse o preço a pagar."
"Não há problema em fazer coisas vulgares
Desde que não te sintas vulgar."
"É um processo lento,
mudar de princípios,
e nunca saberás que eles mudaram
até que alguma coisa que era certa
para ti
simplesmente deixe de o ser."
"Aprendes mais
quando jogas contra um adversário
que te pode derrotar."
"Se queres conhecer alguém
que resolva as situações que te desagradam,
que possa trazer-te felicidade
apesar do que os outros dizem ou acreditam,
olha-te ao espelho e diz esta palavra mágica:
«Olá.»"
"A melhor maneira de evitar
a responsabilidade é dizer:
«Tenho responsabilidades.»"
"Evita problemas
e nunca serás aquele que os resolveu."
"Quando aprenderás
a esperar o que não podes imaginar
que vai acontecer?"
"Nunca te é dado um desejo
sem também te ser dado o poder
de o realizares.
Contudo, poderás ter de lutar por isso."
"Um modo de escolher um futuro é acreditar
que é inevitável."
"A fim de viveres livre e feliz
tens de sacrificar o tédio.
E isso nem sempre é um sacrifício
simples."
Feliz Ano Novo. Um dia de cada vez.
Esta coisa da afirmação dos desejos não deixa de ser curiosa. Eu cá cumpri a tradição, comi as doze passas, guardei uma para a taça, formulei os meus desejos para o firmamento, na esperança de que alguns deles venham a verificar-se. Mas também fiz outra coisa que faço sempre, que é recordar o início deste ano que agora passou. Procurei lembrar-me da pessoa que era e das circunstâncias que me rodeavam, dos desejos que então formulei e quais se cumpriram ou não e porquê, em resumo, o que é que 2005 encontrou quando chegou e o que é que 2006 encontra agora. Está tudo muito diferente, numas coisas pelo melhor, a maior parte felizmente, noutras não tanto, a moeda tem sempre dois lados e temos que saber viver com ambos.
Podia colocar aqui os doze desejos que me passaram pelas passas. Mas convenhamos, o que contribui para um Feliz Ano Novo não é a formlução dos desejos, que essa parte é fácil, as passas são doces e com champanhe até escorregam melhor. O que faz verdadeiramente um Feliz Ano Novo é a força, o ânimo, o empenho, um dia de cada vez, a tornar possível que os desejos se realizem. Alguns, às vezes.
Deixemo-nos de sebastianismos. Em vez de entregar tudo às passas, ficam aqui estas doze ideias, retiradas deste livro:
"Se fazes girar uma hélice
por meio de compressão
não te surpreendas
quando o motor começa a trabalhar."
"Compra segurança em vez de felicidade
e será esse o preço a pagar."
"Não há problema em fazer coisas vulgares
Desde que não te sintas vulgar."
"É um processo lento,
mudar de princípios,
e nunca saberás que eles mudaram
até que alguma coisa que era certa
para ti
simplesmente deixe de o ser."
"Aprendes mais
quando jogas contra um adversário
que te pode derrotar."
"Se queres conhecer alguém
que resolva as situações que te desagradam,
que possa trazer-te felicidade
apesar do que os outros dizem ou acreditam,
olha-te ao espelho e diz esta palavra mágica:
«Olá.»"
"A melhor maneira de evitar
a responsabilidade é dizer:
«Tenho responsabilidades.»"
"Evita problemas
e nunca serás aquele que os resolveu."
"Quando aprenderás
a esperar o que não podes imaginar
que vai acontecer?"
"Nunca te é dado um desejo
sem também te ser dado o poder
de o realizares.
Contudo, poderás ter de lutar por isso."
"Um modo de escolher um futuro é acreditar
que é inevitável."
"A fim de viveres livre e feliz
tens de sacrificar o tédio.
E isso nem sempre é um sacrifício
simples."
Feliz Ano Novo. Um dia de cada vez.
sexta-feira, dezembro 30, 2005
Procura-se
Tolerância de ponto. Foi vista pela última vez no passado dia 26 de Dezembro. Mostrava sinais de cansaço e náusea, derivados provavelmente dos excessos alimentares das noites anteriores.
Correm rumores de ter sido novamente avistada hoje, para os lados da Câmara Municipal de Lisboa. Pede-se a quem a encontrar que não seja garganeiro e extenda o seu âmbito ao maior número de funcionários públicos possível.
Caso seja atribuída, oferece-se jantar de fim-de-ano preparado com toda a calma, com mais garantias de sucesso, permitindo inclusive fazer as compras todas sem andar no meio da carneirada.
Aguardaremos notícias até às 12h30 de hoje. Muito obrigado. É tudo.
Correm rumores de ter sido novamente avistada hoje, para os lados da Câmara Municipal de Lisboa. Pede-se a quem a encontrar que não seja garganeiro e extenda o seu âmbito ao maior número de funcionários públicos possível.
Caso seja atribuída, oferece-se jantar de fim-de-ano preparado com toda a calma, com mais garantias de sucesso, permitindo inclusive fazer as compras todas sem andar no meio da carneirada.
Aguardaremos notícias até às 12h30 de hoje. Muito obrigado. É tudo.
Primeira injustiça de 2006
Alguns funcionários públicos deste País tiveram tolerância de ponto, hoje.
Outros não.
Outros não.
quinta-feira, dezembro 29, 2005
quarta-feira, dezembro 28, 2005
terça-feira, dezembro 27, 2005
Day after
Então, o Natal? Ah e tal, passou-se. O importante é estar junto da família, não é? Sim, sim, isso é o mais importante. Jantar com a família, trocar prendas com a família, almoçar no dia seguinte com a família, tentar equilibrar os diferentes jogos de forças que existem entre os vários membros da família, ouvir as lamentações e os mesmos comentários de sempre da família, manter a calma e a serenidade perante crises de infantilidade dos elementos mais velhos da família...
Se calhar é por isso que nos enchemos de comida até ao esófago, no Natal. É para tentar afogar as frustrações que sempre acompanham esta noite, tão plena de amor e de paz.
Comi demais, como sempre. Estou com uma overdose familiar.
Se calhar é por isso que nos enchemos de comida até ao esófago, no Natal. É para tentar afogar as frustrações que sempre acompanham esta noite, tão plena de amor e de paz.
Comi demais, como sempre. Estou com uma overdose familiar.
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Feliz Natal
Presépio de LataCarlos Tê / Rui Veloso
"Três estrelas de alumínio
A luzir num céu de querosene
Um bêbedo julgando-se césar
Faz um discurso solene
Sombras chinesas nas ruas
Esmeram-se aranhas nas teias
Impacientam-se gazuas
Corre o cavalo nas veias
Há uma luz branca na barraca
Lá dentro uma sagrada família
À porta um velho pneu com terra
Onde cresce uma buganvília
É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells,
Oiçam um choro de criança
Será branca negra ou mulata
Toquem as trompas da esperança
E assentem bem qual a data
A lua leva a boa nova
Aos arrabaldes mais distantes
Avisa os pastores sem tecto
Tristes reis magos errantes
E vem um sol de chapa fina
Subindo a anunciar o dia
Dois anjinhos de cartolina
Vão cantando aleluia
É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells,
Nasceu enfim o menino
Foi posto aqui à falsa fé
A mãe deixou-o sozinho
E o pai não se sabe quem é
É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells"
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Exm.º Sr. Querido Pai Natal
Venho por este meio, já que pelos vistos toda a gente faz isto, e não é que eu ache que um indivíduo vestido de vermelho, com umas barbas brancas, aparentando uma idade já avançada, mais apropriada para estar em casa sossegadinho com uma manta pelos joelhos, ou quando muito para concorrer a Presidente da República, do que para andar por aí a aparecer na casa das pessoas todas numa única noite, ele sempre há gente muita bisbilhoteira, credo, e que não contente com isto, ultimamente até se pendura nas varandas a torto e a direito montes de tempo antes do Natal, dizia eu, não é que eu ache possível que V.ª Ex.ª tenha condições de me presentear com o que passo a expor, mas não vá o diabo tecê-las, também afinal pedir não custa, e vai na volta ainda resulta, solicitar estas duas singelas prendas de Natal:
Prenda n.º 1: Um comprador para a minha humilde casinha, que eu estou bem farta dela e do sítio onde ela está, e eu queria duma vez por todas vendê-la, para poder comprar outra maior e mais bonita e num sítio mais catita.
Prenda n.º 2: Um novo posto de trabalho, de preferência noutro local e numa área um bocadinho diferente do que este em que me encontro actualmente, que estou a precisar à brava de mudar de ares, e já agora, se não for pedir muito, inclusive tendo em consideração o solicitado na prenda n.º 1, a receber um ordenado mais elevado que o actual.
Era isto. Obrigadinha pela atenção. Pede deferimento,
blimunda sete luas
P.S.: Eu quero mesmo muito estas coisas. Por isso, Sr. Querido Pai Natal, estou disponível para negociar as contrapartidas que considerar necessárias, inclusive eventuais favores sexuais, isto claro no limite do razoável, ou seja, só o senhor, sem renas nem duendes à mistura, que eu sou uma rapariga séria e não quero cá badalhoquices com animais ou outras criaturas. Que eu não condeno nada dessas coisas, atenção, desde que todos queiram, o que é preciso é que as pessoas sejam felizes. Um Santo Natal para si e para os seus.
Prenda n.º 1: Um comprador para a minha humilde casinha, que eu estou bem farta dela e do sítio onde ela está, e eu queria duma vez por todas vendê-la, para poder comprar outra maior e mais bonita e num sítio mais catita.
Prenda n.º 2: Um novo posto de trabalho, de preferência noutro local e numa área um bocadinho diferente do que este em que me encontro actualmente, que estou a precisar à brava de mudar de ares, e já agora, se não for pedir muito, inclusive tendo em consideração o solicitado na prenda n.º 1, a receber um ordenado mais elevado que o actual.
Era isto. Obrigadinha pela atenção. Pede deferimento,
blimunda sete luas
P.S.: Eu quero mesmo muito estas coisas. Por isso, Sr. Querido Pai Natal, estou disponível para negociar as contrapartidas que considerar necessárias, inclusive eventuais favores sexuais, isto claro no limite do razoável, ou seja, só o senhor, sem renas nem duendes à mistura, que eu sou uma rapariga séria e não quero cá badalhoquices com animais ou outras criaturas. Que eu não condeno nada dessas coisas, atenção, desde que todos queiram, o que é preciso é que as pessoas sejam felizes. Um Santo Natal para si e para os seus.
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Canção de alterne
"Pára de chorar
E dizer que nunca mais vais ser feliz
Não há ninguém a conspirar
Para fazer destinos
Negros de raiz
Pára de chorar
Não ligues a quem diz
Que há nos astros o poder
De marcar alguém
Só por prazer
Por isso pára de chorar
Carrega no batom
Abusa do verniz
Põe os pontos nos Is
Nem Deus tem o dom
De escolher quem vai ser feliz
Pára de sorrir
E exibir a tua felicidade
Só por leviandade
Se pode sorrir assim
Num estado de graça
Que até ofende quem passa
Como se não haja queda
No Universo
E a vida seja moeda
Sem reverso
Por isso pára de sorrir
Não abuses dessa hora
Ela pode atrair
O ciúme e a inveja
Tu não perdes pela demora
E a seguir tudo se evapora"
Rui Veloso/Carlos Tê
A Espuma das Canções
E dizer que nunca mais vais ser feliz
Não há ninguém a conspirar
Para fazer destinos
Negros de raiz
Pára de chorar
Não ligues a quem diz
Que há nos astros o poder
De marcar alguém
Só por prazer
Por isso pára de chorar
Carrega no batom
Abusa do verniz
Põe os pontos nos Is
Nem Deus tem o dom
De escolher quem vai ser feliz
Pára de sorrir
E exibir a tua felicidade
Só por leviandade
Se pode sorrir assim
Num estado de graça
Que até ofende quem passa
Como se não haja queda
No Universo
E a vida seja moeda
Sem reverso
Por isso pára de sorrir
Não abuses dessa hora
Ela pode atrair
O ciúme e a inveja
Tu não perdes pela demora
E a seguir tudo se evapora"
Rui Veloso/Carlos Tê
A Espuma das Canções
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