É tudo o que eu peço ao deus nosso senhor do euromilhões.
São cem mil contos. O suficiente para eu comprar uma casa na cidade e outra junto ao mar (o meu grande sonho), e nunca mais me ralar com rendas de casa na vida.
Meto uma licença sem vencimento por dois anos e vou dedicar-me a fazer um mestrado, experimentando pela primeira vez desde que saí do Secundário, o que é andar a estudar sem ter que trabalhar ao mesmo tempo. Quanto ao resto, logo se vê.
Já sei que são uns projectos um bocado acanhaditos, mas eu no que toca a dinheiro, como sempre tive pouco, tenho assim esta mentalidade de saloia, pronto.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Vencedora do prémio "Mais valia estares quieta"
Uma senhora, nascida e criada na freguesia da Castanheira do Ribatejo, foi passar este fim-de-semana à Serra da Estrela, para ver neve pela primeira vez.
domingo, janeiro 29, 2006
Benfica 1 - Sporting 3, ou, o dia em que eu fui à bola
Aquilo é giro. Devias ir. Nem que seja só uma vez, para saberes como é estar num estádio repleto, e ver um jogo de futebol a sério.
Eu não percebo nem tenho grande apreço pelo Futebol enquanto jogo, a não ser quando joga a Selecção. Mas o Futebol enquanto fenómeno de massas desperta em mim algum interesse, de moldes que lá concordei que sim senhor, mal também não há-de fazer, quando calhar logo se vê. Desta vez surgiu e oportunidade e a coisa deu-se, ontem fui com ele à bola.
Aquilo que eu gostei mais foi de ver a águia a voar por ali abaixo. Achei muito bonito e senti verdadeiramente que partilhava uma qualquer emoção colectiva. Coisa de gaja. Quanto ao estar no estádio, foi um misto de assombro e angústia, que eu não gosto mesmo nada de multidões e por alguns - felizmente poucos - momentos, o facto de só ver cabeças à minha frente e atrás de mim, exigiu-me algum poder de auto-controle da fobia. Mas uma vez lá dentro, é sem dúvida esmagador. Grande concentração de testosterona. Acho que nunca tinha estado num sítio onde a concentração fosse tão grande. Hum.
Quanto ao jogo em si. Bom, atrás de nós estavam umas aves raras, uns Benfiquistas do Norte que foram para mim de grande utilidade. É que nós estávamos num sítio muuuito alto, e eu sou muito pitosga, não via os jogadores, e também se os visse, a verdade é que conheço muito poucos pelo nome. Por isso foi muito positiva a ajuda daqueles senhores, que assim fiquei a saber que todos os jogadores do Sporting se chamavam "filho da puta", embora curiosamente fosse esse também o nome de todos os árbitros, e ocasionalmente, era igualmente o nome de alguns jogadores do Benfica. Aliás, à medida que o jogo avançava, mais jogadores do benfica passaram a chamar-se assim. Curioso.
De resto, senti-me um bocado como me sinto quando estou na missa. A malta vai-se sentando e levantando todos ao mesmo tempo, e eu faço o mesmo com uns segundos de atraso, porque, tal como na missa, todos à minha volta conheciam as regras do jogo, menos eu. A minha pergunta mais corrente era, "O que é que foi que aconteceu?"
O meu parceiro, que conheço como pessoa comedida no linguajar e nos modos, durante aquela hora e meia recorreu a um vernáculo profuso e diversificado, e posso mesmo afirmar que lhe ouvi dizer ontem mais asneirada naquele curto espaço de tempo do que em todo o tempo que já passei com ele. Pese embora esteja a anos-luz das capacidades dos companheiros da bancada de trás, atenção.
À medida que o Sporting foi marcando golos, assisti também a um espectáculo interessantíssimo, que é ver um homem adulto a amuar, e progressivamente a ficar sem pescoço, desaparecendo assim pela roupa adentro, até ficar apenas o gorro, os óculos e o cachecol. Acho que ele ainda ia dentro da roupa quando nos fomos embora. Pelo menos, alguém me deu a mão e levou para fora do estádio, e depois conduziu o carro. Eu acho que era ele. Mas não tenho certezas de nada.
Eu não percebo nem tenho grande apreço pelo Futebol enquanto jogo, a não ser quando joga a Selecção. Mas o Futebol enquanto fenómeno de massas desperta em mim algum interesse, de moldes que lá concordei que sim senhor, mal também não há-de fazer, quando calhar logo se vê. Desta vez surgiu e oportunidade e a coisa deu-se, ontem fui com ele à bola.
Aquilo que eu gostei mais foi de ver a águia a voar por ali abaixo. Achei muito bonito e senti verdadeiramente que partilhava uma qualquer emoção colectiva. Coisa de gaja. Quanto ao estar no estádio, foi um misto de assombro e angústia, que eu não gosto mesmo nada de multidões e por alguns - felizmente poucos - momentos, o facto de só ver cabeças à minha frente e atrás de mim, exigiu-me algum poder de auto-controle da fobia. Mas uma vez lá dentro, é sem dúvida esmagador. Grande concentração de testosterona. Acho que nunca tinha estado num sítio onde a concentração fosse tão grande. Hum.
Quanto ao jogo em si. Bom, atrás de nós estavam umas aves raras, uns Benfiquistas do Norte que foram para mim de grande utilidade. É que nós estávamos num sítio muuuito alto, e eu sou muito pitosga, não via os jogadores, e também se os visse, a verdade é que conheço muito poucos pelo nome. Por isso foi muito positiva a ajuda daqueles senhores, que assim fiquei a saber que todos os jogadores do Sporting se chamavam "filho da puta", embora curiosamente fosse esse também o nome de todos os árbitros, e ocasionalmente, era igualmente o nome de alguns jogadores do Benfica. Aliás, à medida que o jogo avançava, mais jogadores do benfica passaram a chamar-se assim. Curioso.
De resto, senti-me um bocado como me sinto quando estou na missa. A malta vai-se sentando e levantando todos ao mesmo tempo, e eu faço o mesmo com uns segundos de atraso, porque, tal como na missa, todos à minha volta conheciam as regras do jogo, menos eu. A minha pergunta mais corrente era, "O que é que foi que aconteceu?"
O meu parceiro, que conheço como pessoa comedida no linguajar e nos modos, durante aquela hora e meia recorreu a um vernáculo profuso e diversificado, e posso mesmo afirmar que lhe ouvi dizer ontem mais asneirada naquele curto espaço de tempo do que em todo o tempo que já passei com ele. Pese embora esteja a anos-luz das capacidades dos companheiros da bancada de trás, atenção.
À medida que o Sporting foi marcando golos, assisti também a um espectáculo interessantíssimo, que é ver um homem adulto a amuar, e progressivamente a ficar sem pescoço, desaparecendo assim pela roupa adentro, até ficar apenas o gorro, os óculos e o cachecol. Acho que ele ainda ia dentro da roupa quando nos fomos embora. Pelo menos, alguém me deu a mão e levou para fora do estádio, e depois conduziu o carro. Eu acho que era ele. Mas não tenho certezas de nada.
Rir
Era o que eu teria feito se, precisamente há um ano atrás, alguém me dissesse que no mesmo fim-de-semana:
a) Eu estaria no Estádio da Luz a ver o Benfica-Sporting;
b) Iria ver cair neve da janela da minha casa.
Este fica assim eleito o fim-de-semana mais improvável dos últimos tempos.
a) Eu estaria no Estádio da Luz a ver o Benfica-Sporting;
b) Iria ver cair neve da janela da minha casa.
Este fica assim eleito o fim-de-semana mais improvável dos últimos tempos.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
quarta-feira, janeiro 25, 2006
O drama de dormir sozinha no Inverno
Dormir sozinha nesta altura do ano, em que faz um frio que até arrepassa os ossos, é das coisas mais desconsoladas que pode haver. Os meus serões passam-se a tentar manter o equilíbrio corporal, que é como quem diz, a ver se mantenho os pés quentes e se estou agasalhada, porque se vou para a cama à espera de aquecer quando lá chegar, boa noite. Ou melhor, boa noite é coisa que não vou ter.
Eu sou uma criatura muito estranha, a sério. As pessoas dizem que vão para a cama e aquecem. Eu vou para a cama e gelo a cama. E ultimamente, com o frio a apertar, mesmo que vá quentinha para a cama, chego lá e gelo a cama na mesma. Os pés então, é um problema constante. E isto leva-me, nesta altura, a fazer coisas para tentar manter-me quente na cama, algumas desesperadas, e outras simplesmente... bom, ridículas.
Mas como imagino que haja por aí mais gente com o mesmo problema, ficam umas dicas para gente como eu, ou seja, como diz alguém meu conhecido, que "não presta para nada":
- Ligar aquecedor no quarto de dormir uma hora antes de deitar e fechar a porta do quarto;
- Antes de vestir o pijama, pô-lo em cima do aquecedor um bocadinho;
- Mergulhar os pés em água bem quente antes de deitar;
- Vestir pijama e meias, das mais grossas que houver lá por casa;
- Pegar no robe e enfiá-lo entre os lençóis, a parte de cima para baixo. Já explico para quê;
- Enfiar as pernas pelos braços do robe, embrulhar o resto do corpo no robe, e ficar muito quieta, até porque depois de embrulhada em roupa desta maneira, não há grandes hipóteses duma pessoa se mexer.
E pronto. Em princípio assim a coisa corre mais ou menos bem. A alternativa é mesmo arranjar companhia para passar a noite, claro, que isto um homem numa casa, faz muita falta.
Eu sou uma criatura muito estranha, a sério. As pessoas dizem que vão para a cama e aquecem. Eu vou para a cama e gelo a cama. E ultimamente, com o frio a apertar, mesmo que vá quentinha para a cama, chego lá e gelo a cama na mesma. Os pés então, é um problema constante. E isto leva-me, nesta altura, a fazer coisas para tentar manter-me quente na cama, algumas desesperadas, e outras simplesmente... bom, ridículas.
Mas como imagino que haja por aí mais gente com o mesmo problema, ficam umas dicas para gente como eu, ou seja, como diz alguém meu conhecido, que "não presta para nada":
- Ligar aquecedor no quarto de dormir uma hora antes de deitar e fechar a porta do quarto;
- Antes de vestir o pijama, pô-lo em cima do aquecedor um bocadinho;
- Mergulhar os pés em água bem quente antes de deitar;
- Vestir pijama e meias, das mais grossas que houver lá por casa;
- Pegar no robe e enfiá-lo entre os lençóis, a parte de cima para baixo. Já explico para quê;
- Enfiar as pernas pelos braços do robe, embrulhar o resto do corpo no robe, e ficar muito quieta, até porque depois de embrulhada em roupa desta maneira, não há grandes hipóteses duma pessoa se mexer.
E pronto. Em princípio assim a coisa corre mais ou menos bem. A alternativa é mesmo arranjar companhia para passar a noite, claro, que isto um homem numa casa, faz muita falta.
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Sem título
Estou há quase 24 horas sem beber café. Devo ter a tensão arterial a -3 min. 2 max, ou coisa que o valha. Uma opção radical para tentar proteger pobre estômago que pelos vistos, como eu andei a gabá-lo e a dizer que ele resistia a tudo, decidiu dar ares da sua graça.
Diarreia voltou.
Cavaco Silva foi eleito à primeira volta.
Diarreia voltou.
Cavaco Silva foi eleito à primeira volta.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Doidas, doidas, doidas, andam as galinhas
Dizia-me hoje uma amiga, frequentadora de baby-blogs, que corria pelos comentários de alguns deles coisas do género, ah e tal, é coisa muito absurda haver mulheres que podendo ter filhos, não os querem ter.
E isto irritou-me. Ao ponto de não me apetecer ser boazinha, que aliás, em regra não sou. Ao ponto de me estar a apetecer ser fundamentalista, e até quem sabe um bocado estúpida, mas que se lixe, que também às vezes uma pessoa cansa-se de estar sempre a levar com estas matronas presumidas, armadas em donas da virtude e convencidas que só elas é que estão certas.
Não tenho a maternidade como uma prioridade, nem primeira, nem sequer segunda nem sequer terceira, pois não. E isso não faz de mim uma mulher de segunda categoria, tenham lá paciência, vão olhar de modo complacente para outro lado ó fáxavor. Raios as partam.
Fiquem a saber que a moeda tem sempre dois lados. Absurdo para mim é ver mulheres que manifestamente não podem ter filhos e que continuam obcecadas , dispostas a tê-los a qualquer preço. Com tanta criança que por aí anda aos caídos, isso não é egoísmo também?
De uma vez por todas. Temos todas os mesmos direitos, ninguém é melhor que ninguém. O desejo de procriar é tão legítimo quanto o desejo de não o fazer. Certo? Ah claro, já sei. Não precisam de dizer. Sou uma insensível. Não posso compreender. Porque não sou mãe, pois claro.
Pois aqui esta pecadora capital, esta deficiente emocional a quem obviamente faltam peças fundamentais tem a dizer que, muito francamente, acho que os baby-blogs às vezes são tão queriduchos, tão mimosinhos, tão ternurentinhos, e as respectivas comentadoras são tão pi-pi-pi, tão qui-qui-qui, mi-mi-mi, nhe-nhe-nhe, tu-tu-tu, coro cocó, que me deixam a pontos de vomitar em cima deles.
E isto irritou-me. Ao ponto de não me apetecer ser boazinha, que aliás, em regra não sou. Ao ponto de me estar a apetecer ser fundamentalista, e até quem sabe um bocado estúpida, mas que se lixe, que também às vezes uma pessoa cansa-se de estar sempre a levar com estas matronas presumidas, armadas em donas da virtude e convencidas que só elas é que estão certas.
Não tenho a maternidade como uma prioridade, nem primeira, nem sequer segunda nem sequer terceira, pois não. E isso não faz de mim uma mulher de segunda categoria, tenham lá paciência, vão olhar de modo complacente para outro lado ó fáxavor. Raios as partam.
Fiquem a saber que a moeda tem sempre dois lados. Absurdo para mim é ver mulheres que manifestamente não podem ter filhos e que continuam obcecadas , dispostas a tê-los a qualquer preço. Com tanta criança que por aí anda aos caídos, isso não é egoísmo também?
De uma vez por todas. Temos todas os mesmos direitos, ninguém é melhor que ninguém. O desejo de procriar é tão legítimo quanto o desejo de não o fazer. Certo? Ah claro, já sei. Não precisam de dizer. Sou uma insensível. Não posso compreender. Porque não sou mãe, pois claro.
Pois aqui esta pecadora capital, esta deficiente emocional a quem obviamente faltam peças fundamentais tem a dizer que, muito francamente, acho que os baby-blogs às vezes são tão queriduchos, tão mimosinhos, tão ternurentinhos, e as respectivas comentadoras são tão pi-pi-pi, tão qui-qui-qui, mi-mi-mi, nhe-nhe-nhe, tu-tu-tu, coro cocó, que me deixam a pontos de vomitar em cima deles.
Campanha Eleitoral IV
Hoping for the best but expecting de worst.
Para mim, o pior é ver o Cavaco levar isto logo à primeira. O melhor será ver o Manuel Alegre ir à segunda volta. Já não esgrimo mais argumentos sobre quem é o melhor candidato, os argumentos utilizam-se conforme as conveniências, a verdade é que há verdades de todos os ângulos que se olhe a coisa.
O Manuel Alegre merece a segunda volta. Merece ter mais votos que o Soares. Primeiro chamaram-no para uma missão e depois disseram-lhe que afinal não, obrigadinho, mas pensando bem há outra pessoa melhor. Porque estamos à rasca e temos que ganhar isto, custe o que custar. Foi isto. E isto não se faz.
Não deveria ser necessário dizê-lo, mas pelos vistos tem que ser, a política não é o campeonato de futebol e não se pode querer ganhar a qualquer preço. A política é suposto ter a ver com valores e dignidade e convicções. Mesmo que isso signifique não ganhar. Mas não, o que se vê é que em cada momento eleitoral, interessa é marcar golos e ganhar o jogo. Posso estar muito errada, mas eu acho que não pode ser assim.
O meu voto vai para o Manuel Alegre porque desde sempre, na minha opinião, é o único candidato que uma certa esquerda deveria ter apresentado, apoiado e dignificado. Mesmo assumindo o risco disso representar um resultado menos bom. Teria sido muito mais bonito de se ver.
O próximo Presidente será aquele que a maioria dos portugueses quiser eleger. E será o meu Presidente. Quanto à esquerda, mais uma vez, terá aquilo que fez por merecer.
Para mim, o pior é ver o Cavaco levar isto logo à primeira. O melhor será ver o Manuel Alegre ir à segunda volta. Já não esgrimo mais argumentos sobre quem é o melhor candidato, os argumentos utilizam-se conforme as conveniências, a verdade é que há verdades de todos os ângulos que se olhe a coisa.
O Manuel Alegre merece a segunda volta. Merece ter mais votos que o Soares. Primeiro chamaram-no para uma missão e depois disseram-lhe que afinal não, obrigadinho, mas pensando bem há outra pessoa melhor. Porque estamos à rasca e temos que ganhar isto, custe o que custar. Foi isto. E isto não se faz.
Não deveria ser necessário dizê-lo, mas pelos vistos tem que ser, a política não é o campeonato de futebol e não se pode querer ganhar a qualquer preço. A política é suposto ter a ver com valores e dignidade e convicções. Mesmo que isso signifique não ganhar. Mas não, o que se vê é que em cada momento eleitoral, interessa é marcar golos e ganhar o jogo. Posso estar muito errada, mas eu acho que não pode ser assim.
O meu voto vai para o Manuel Alegre porque desde sempre, na minha opinião, é o único candidato que uma certa esquerda deveria ter apresentado, apoiado e dignificado. Mesmo assumindo o risco disso representar um resultado menos bom. Teria sido muito mais bonito de se ver.
O próximo Presidente será aquele que a maioria dos portugueses quiser eleger. E será o meu Presidente. Quanto à esquerda, mais uma vez, terá aquilo que fez por merecer.
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Orgasmos e orgasmos
Muito engraçado. O site, quero eu dizer, que orgasmo não é uma coisa que se possa chamar de engraçado. Um orgasmo que nos dê vontade de rir, não sei, mas não deve ter sido grande coisa de orgasmo. Acho eu...
quarta-feira, janeiro 18, 2006
O meu estômago
É uma espécie de trituradora. Uma besta faminta cuja única preocupação é estar cheio, não importa com o quê. Logo, não se pode contar com ele. Nada de avisos, tipo, cuidado que isso que estás a comer não está bom, ou, recuso-me a digerir essa misturada de coisas. Nada disso. Amassa-se tudo, empurra-se pelo cano abaixo, e segue jogo.
Os intestinos são enfim os desgraçados que apanham sempre por conta. E mais uma vez, sem que o meu estômago ou papilas gustativas tenham emitido sequer um ínfimo sinal de alarme, estou agora a braços com um autêntico incêndio nas minhas entranhas, umas punhaladas filhas-da-puta que me forçam a dobrar-me sobre mim mesma e que aparecem sem aviso, e uns instestinos em tumulto, revoltados contra a inércia do estômago, e dizendo que assim não têm condições de fazer bem o seu trabalho.
Vou tomar uma Ultra-Levure, pode ser que isto passe. Ironia das ironias, quando eu comia fritos a torto e a direito, estas coisas aconteciam-me menos...
Os intestinos são enfim os desgraçados que apanham sempre por conta. E mais uma vez, sem que o meu estômago ou papilas gustativas tenham emitido sequer um ínfimo sinal de alarme, estou agora a braços com um autêntico incêndio nas minhas entranhas, umas punhaladas filhas-da-puta que me forçam a dobrar-me sobre mim mesma e que aparecem sem aviso, e uns instestinos em tumulto, revoltados contra a inércia do estômago, e dizendo que assim não têm condições de fazer bem o seu trabalho.
Vou tomar uma Ultra-Levure, pode ser que isto passe. Ironia das ironias, quando eu comia fritos a torto e a direito, estas coisas aconteciam-me menos...
Todas as mulheres sonham com isto...
segunda-feira, janeiro 16, 2006
sábado, janeiro 14, 2006
Campanha Eleitoral II
"ESCOLA DO ADRO
A malta que vinha à escola vestia ganga
comia um naco de boroa e uma sardinha
tinha tinta nos dedos e às vezes tinha
na cabeça uma doença chamada tinha.
Cheirava a fumo e a poeira dos caminhos
a minha avó dizia que era a raposinho
mas era a fumo e a bolor a tinta e a peido
um cheiro que já não há porque era o cheiro
do muito pouco em mil novecentos e quarenta e três
quando os automóveis andavam a gasogéneo
e aquela malta que vinha à escola
não tinha sapatos tinha chancas
às vezes tamancos e às vezes só pés.
Quando era Junho ou Julho aquela malta
depois da escola vinha para o rio
despia-se em frente das lavadeiras
«ai os grandes sacanas que já pintam»
diziam elas e riam-se e aquela malta
atirava torrões para cima da roupa branca
estendida a corar no areal.
Todas as manhãs se fazia a saudação fascista
mal o professor virava costas
começavam os manguitos e as caretas
daquela malta que não gostava de estender o braço
e punha a língua de fora para os retratos
de Carmona e Salazar na parede ao fundo.
Aquela malta que vinha à escola
não era malta para ser domada.
Talvez por isso o jeito que me ficou
de fazer manguitos pela vida fora."
A malta que vinha à escola vestia ganga
comia um naco de boroa e uma sardinha
tinha tinta nos dedos e às vezes tinha
na cabeça uma doença chamada tinha.
Cheirava a fumo e a poeira dos caminhos
a minha avó dizia que era a raposinho
mas era a fumo e a bolor a tinta e a peido
um cheiro que já não há porque era o cheiro
do muito pouco em mil novecentos e quarenta e três
quando os automóveis andavam a gasogéneo
e aquela malta que vinha à escola
não tinha sapatos tinha chancas
às vezes tamancos e às vezes só pés.
Quando era Junho ou Julho aquela malta
depois da escola vinha para o rio
despia-se em frente das lavadeiras
«ai os grandes sacanas que já pintam»
diziam elas e riam-se e aquela malta
atirava torrões para cima da roupa branca
estendida a corar no areal.
Todas as manhãs se fazia a saudação fascista
mal o professor virava costas
começavam os manguitos e as caretas
daquela malta que não gostava de estender o braço
e punha a língua de fora para os retratos
de Carmona e Salazar na parede ao fundo.
Aquela malta que vinha à escola
não era malta para ser domada.
Talvez por isso o jeito que me ficou
de fazer manguitos pela vida fora."
Manuel Alegre
Rua de Baixo, 1990
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Desabafo de ordem pessoal
Que eu não sou de invejas, e aliás acho que esse é o sentimento mais negativo que pode existir. Não é isso.
Mas parece que ultimamente à minha volta só oiço falar em casas que se venderam num ápice, escrituras e mudanças, e por muito que tenha andado a combater este sentimento nos últimos tempos, hoje sinto-me um bocado invadida pelo chamado desespero. Estou há sete meses com a minha casa à venda e nem uma única alma apareceu até aos dias de hoje para a ver, quanto mais para a comprar.
Tenho a sensação que vou ficar enclausurada naquelas quatro paredes para todo o sempre e que nunca mais nos dias da minha vida vou conseguir sair daquele lugar que não tem nada a ver comigo...
Que merda.
Mas parece que ultimamente à minha volta só oiço falar em casas que se venderam num ápice, escrituras e mudanças, e por muito que tenha andado a combater este sentimento nos últimos tempos, hoje sinto-me um bocado invadida pelo chamado desespero. Estou há sete meses com a minha casa à venda e nem uma única alma apareceu até aos dias de hoje para a ver, quanto mais para a comprar.
Tenho a sensação que vou ficar enclausurada naquelas quatro paredes para todo o sempre e que nunca mais nos dias da minha vida vou conseguir sair daquele lugar que não tem nada a ver comigo...
Que merda.
terça-feira, janeiro 10, 2006
Campanha Eleitoral I

"Que ninguém fale de prudência ninguém fale
de esperar. Há palavras que estão gastas (que me gastam)
Ponderação me pedem. Exigem que me cale
mas bebem do meu vinho meus campos devastam
à resignação chamam virtude juventude à indignação
com seus conselhos me enfastiam com seus prémios me castigam.
Se digo não me dizem sim se digo sim me dizem não
calar-me é doloroso mais ainda me é falar
pois o silêncio é uma traição mas há palavras que me gastam
há um falar que não é dizer há um tempo que se gasta.
Ah não me peçam para esperar que de esperar
eu desespero e a esperança já não basta
que já não posso já não posso suportar
nem os velhos que me falam da virtude
nem os novos que começam a ser velhos.
E se a revolta (dizem) é juventude
eu vos digo que há um tempo de acabar
com este tempo que se gasta e que nos gasta.
Altas são as montanhas. E as águas do mar são vastas.
Partir ou não partir. De qualquer modo ousar.
Pois o tempo é de agir. E as palavras estão gastas."
Manuel Alegre
Um Barco para Ítaca, 1971
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Há algo de ursa dentro de mim
De outro modo como é que se explica que eu tenha dormido quase nove horas a noite passada, e mesmo assim esteja aqui com um sono, mas um sono...
... que a bem dizer, todas as minhas forças se esvaem no simples esforço de manter os olhos abertos.
Deve ser do frio. E a minha costela de ursa está a pedir-me para hibernar...
... que a bem dizer, todas as minhas forças se esvaem no simples esforço de manter os olhos abertos.
Deve ser do frio. E a minha costela de ursa está a pedir-me para hibernar...
Presidenciais
Assino por baixo tudo o que diz o Ruca, aqui.
Eu nem ando a pensar muito nestas eleições. É tão óbvio o que vai acontecer que nem vale a pena. Ai Portugal, Portugal...
Eu nem ando a pensar muito nestas eleições. É tão óbvio o que vai acontecer que nem vale a pena. Ai Portugal, Portugal...
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