terça-feira, abril 25, 2006

Duas canções

Para celebrar Abril. Escolhi estas duas porque gosto delas, podiam ser milhentas.

Cada um terá as suas preferidas, e isso só é assim porque esta nossa Revolução também foi feita de música e poemas, e músicos e poetas, que não merece a pena procurar palavras para elogiar, tanto as obras como os autores, porque isso serão sempre apenas palavras, e isso não chega para lhes dar o devido valor.

Acho que mais vale fazer assim, deixar que estas músicas e estes poemas façam sempre parte de nós:

E depois do Adeus
Interpretação:
Paulo de Carvalho Música: José Calvário Letra: José Niza


"Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós"

Já joguei ao Boxe, já toquei Bateria
Sérgio Godinho
"O rapaz até que não é burro
tem é falta de uso
mete o nariz onde não é chamado
como um parafuso
ó meu rapaz, tu só és senhor
do nariz que é teu
aqui paro para explicar uma coisa:
é que o rapaz sou eu
e assim fala quem quer mandar em mim
e assim fala quem quer mandar em mim
e assim fala quem quer mandar em mim
não protestes
não desfiles
não contestes
não refiles
já joguei ao boxe, já toquei bateria (trapum)
p´ra ver se me livrava desta energia
nada feito, que arrelia
isto no fim não passa de uma fase
que passa com o uso
foi muita liberdade de uma vez
e o rapaz está confuso
agora é tempo de apertar com ele:
olha, acabou-se a farra
ai, ai que este país está de pantanas
e não há quem o varra
assim fala quem já me quis varrer
assim fala quem já me quis varrer
assim fala quem já me quis varrer
não protestes
não desfiles
não contestes
não refiles
já joguei ao boxe, já toquei bateria (trapum)
p'ra ver se me livrava desta energia
nada feito, que arrelia
durante algum tempo foi necessário
pôr o rapaz a uso
pô-lo a gritar sobre o prestigio pátrio
e o orgulho luso
agora só nos faltava ele querer
virar o feitiço
contra o feiticeiro que o pôs a render
é que nem pensar nisso
assim fala quem me pôs a render
assim fala quem me pôs a render
assim fala quem me pôs a render
não protestes
não desfiles
não contestes
não refiles
já joguei ao boxe, já toquei bateria (trapum)
p'ra ver se me livrava desta energia
nada feito, que arrelia"
Que seria de nós todos, bloggers errantes, se não fora por este dia, há 32 anos atrás?...

segunda-feira, abril 24, 2006

O lado merdoso da vida

Pois claro. Eu logo vi que este exercício de procurar o lado brilhante da vida, comigo jamais resultaria. Uma pessimista congénita como eu não abandona assim às boas a convicção de que todo o mundo conspira contra mim, que há bruxas sim senhor, e que umas tantas andaram a juntar-se nos últimos tempos para me rogarem uma bela duma praga.

Haverá outra explicação para o facto de hoje de manhã, a fechadura da porta da rua decidir encravar-se e deixar-me fechada por dentro durante meia-hora, até ao ponto do desespero total? Quando consegui desencravar aquela merda já os bombeiros vinham a caminho.

Valeram-me as vizinhas do lado, aquelas almas caridosas que me apelaram à calma do lado de fora e a seguir me deram toalhas molhadas para arrefecer a testa e me ajudaram a controlar os nervos...

domingo, abril 23, 2006

O lado brilhante da vida

Ok. Vou fazer essa coisa de ver o lado brilhante da vida.

Não há dúvida que o esquentador avariou, não posso tomar banho em casa e tenho que aquecer água no fogão para lavar a loiça. Mas por outro lado, na cozinha há vários outros electrodomésticos, tipo o frigorífico, a máquina de lavar roupa, o fogão e o exaustor, o microondas, e estão todos a funcionar perfeitamente.

O aspirador, por sinal partiu-se uma peça na semana passada mas que se lixe, afinal ele continou a trabalhar alegremente, e já hoje limpou a casa toda sem problema.

Já o ferro de engomar, da última vez que trabalhou fez uns barulhos muito estranhos e o vapor não saiu nada como deve ser, o que não augura nada de bom para o futuro... Mas então, de que é que eu me estou a queixar? O carro, tirando o facto de beber óleo como se não hovesse amanhã, não sabe sequer o significado da palavra "avaria".

Um esquentador avariado, isso é lá coisa para aborrecer alguém...

Vou só ali comer uma tablete de chocolate e depois faço este exercício outra vez, pode ser que à segunda resulte...

terça-feira, abril 18, 2006

Francisco Adam

Tenho visto nos últimos dias, a maneira como a TVI tem espremido até não poder mais tudo o que tenha a ver com a morte do rapaz, escarafunchando mais uma vez na desgraça alheia, e de caminho aproveitando para dar ainda mais promoção à novela.

Só posso concluir uma coisa: provavelmente, estamos perante todo um novo potencial para o programa "Circo das Celebridades".

segunda-feira, abril 17, 2006

Onde andará ela

A minha paz de espírito. Veio visitar-me por poucos dias, agora desandou outra vez.

Não tenho outro remédio senão ir à procura dela. Faz-me muita falta. A ver se a encontro, já volto.

quinta-feira, abril 13, 2006

Seis horas de sono dá nisto

Estive a um milímetro de espalhar creme hidratante na escova de dentes.

O que vale é que falta só meio-dia para começar o fim-de-semana mais sagrado de todos. Abençoada seja a época da Páscoa. Hosanas pelos feriados e tolerâncias de ponto!

quarta-feira, abril 12, 2006

Ironia, essa companheira constante

"Well life has a funny way of sneaking up on you
When you think everything's okay and everything's going right
And life has a funny way of helping you out when
You think everything's gone wrong and everything blows up
In your face

(...)

Life has a funny way of sneaking up on you
Life has a funny, funny way of helping you out
Helping you out"
Alanis Morissette, Ironic
A vida tem altos e baixos, já se sabe. Dá-nos a pancada quando a gente pensa que está tudo bem, mas também tem a sua maneira de nos puxar para cima, mesmo que até pareça que está tudo a correr mal.
De alguém cujos macaquinhos no sótão têm vindo nos últimos dias a acalmar, e por isso anda mais optimista, para a amiga que está a precisar de se lembrar que "life has a funny way of helping you out". Para os entretantos, contamos uns com os outros.

sábado, abril 08, 2006

O acto médico está pela hora da morte

Aviso a todos os machos que lêem este blog:
Este post é susceptível de afectar os homens mais sensíveis. Contém referências técnicas relacionadas com exames ginecológicos e coisas assim que as mulheres costumam fazer, que não se percebem bem o que são e que quando elas começam a explicar metem uma impressão do caraças, que a gente é modernos, mas com juízo.

E agora, o post propriamente dito:

Isto parece uma anedota, e visto bem, se calhar é. Os meandros das comparticipações da ADSE não cessam de me surpreender, e espelham bem o País de merda em que vivemos, desculpem lá a expressão.

Pois que fui a consulta de Ginecologia, devidamente comparticipada pela ADSE. Alegria. Durante a consulta, o senhor Doutor tratou de recolher amostra para se realizar a citologia.

E o que é uma citologia, poderão perguntar? Uma citologia é um exame em que se faz a colheita de material do colo do útero, o qual é mandado para um laboratório especializado em citopatologia.

(por esta altura, todos os homens que aguentaram ler isto até aqui já vão por esta altura a correr, espavoridos, na direção da televisão mais próxima que esteja sintonizada na Sport TV).

Agora, reparai na maravilha desta subtileza: a consulta de ginecologia foi comparticipada. O exame no laboratório também vai ser. Mas o acto médico de recolher o material do colo do útero, isso não é comparticipado. Arrota aí com 20 euros, que isto do acto médico de retirar material para análise num sítito destes, é coisa que nem tem nada a ver com a consulta, está-se mesmo a ver, eu é que tenho a mania de ir ao médico da especialidade para fazer isto, esquisitices, qualquer mecânico de automóveis, ou canalizador poderia talvez, aí por metade do preço...

Tipo, a malta vai ao médico com uma constipação, a ADSE comparticipa a consulta sim senhor, mas ai, ai, ai, se o médico pegar no estetoscópio, atenção, que o acto médico de auscultar o paciente a ver se tem os pulmões apanhados, isso a ADSE já não está cá para comparticipar, era o que faltava!...

Ah! Falta só dizer que este exame (a citologia) é fundamental, devia ser feito por todas as mulheres uma vez por ano, e serve, entre outras coisas, para detectar precocemente o cancro do colo do útero...

quinta-feira, abril 06, 2006

Dias difíceis

E não, não são daqueles mais óbvios que costumam acontecer às senhoras, e às que não são senhoras também, visto que a mim também me acontecem.

É porque de vez em quando lá surgem alturas destas, em que me sinto uma espécie de equilibrista, a segurar uma pilha de pratos numa mão, outra pilha na outra mão, mais outra num dos pés, outra bem grande na ponta do nariz... e à espera, a qualquer momento, que venha parar tudo ao meio do chão, desfeito em cacos...

Nesta altura do ano, é quase sempre assim. Tem sobretudo a ver com o volume de trabalho, a que se juntam mais umas preocupações pessoais para ajudar à festa. Em fases de grande pressão como estas, fico sempre aquém das minhas próprias expectativas porque gostava de ser mais forte do que aquilo que realmente sou. E menos chorona. E menos pessimista.

Mas como alguém já disse em tempos, "reclama as tuas limitações porque elas pertencem-te". E portantos, quando começo a resvalar para uma espiral de negativismo já minha bem conhecida, e o pânico se aloja na minha garganta e não me deixa respirar como deve ser, tomo ansiolíticos sim senhor, e não tenho vergonha nenhuma disso.

Os dias ficam difíceis na mesma, mas pelo menos sou eu quem toma conta dos problemas, não são os problemas a tomarem conta de mim.

sexta-feira, março 31, 2006

Expectativas

Algumas vezes já tenho vindo para aqui falar das minhas aspirações a mudar de emprego. Não sou criatura para andar a lamentar-me sobre alguma coisa que esteja mal na minha vida e não fazer nada para a modificar. Vai daí, desde há coisa de um ano, passei a estar muito atenta às ofertas que me pudessem convir, e tenho vindo a candidatar-me a alguns concursos públicos, ou simplesmente enviando cartas de apresentação.

Já sei à partida que isto é um bocado dar murros em pontas de faca. Em 99,99% dos casos em que aparece um concurso público, sobretudo se for interno, está "reservado" o cargo para a pessoa que já o ocupa, sendo aquilo mais uma formalidade para resolver a situação à pessoa do que propriamente para seleccionar seja quem for. Mesmo assim, tem valido a pena concorrer, porque sempre vou distribuíndo o meu currículo e passando informação a meu respeito, se não for para aquele concurso pode sempre surgir outra coisa qualquer.

Nas últimas semanas surgiram várias coisas interessantes, daquelas que eu se pudesse até pagava para ir fazer. Ontem mandei uma candidatura para um lugar que é tão completamente a minha cara, que até me enervei a ler o anúncio.

E mais uma vez lá me meti eu toda no correio, o meu curso do Secundário, a minha Licenciatura, a minha Pós-Graduação, as acções de formação - as boas e as da treta, só para encher -, a minha passagem pelo Teatro de amadores, as minhas pretensas vocações literárias, o meu Inglês falado e escrito, o meu domínio de informática na óptica do utilizador.

Lá seguiram via postal, as minhas expectativas. Com uma linda carta muito profissional, onde é possível ler-se, nas entrelinhas, levem-me daqui, que eu prometo que não se arrependem...

terça-feira, março 28, 2006

Ufa!!...

Andei meses a ler "O Livro Secreto de João". O entusiamo inicial da compra, descrito aqui, não se desvaneceu, mas empacou numa leitura muito mais difícil do que eu imaginava.

São textos muito, muito antigos, alguns deles escritos nos primeiros cem anos após o nascimento de Jesus Cristo, e dão conta de uma versão da origem do universo tão alternativa à que é narrada no próprio Velho Testamento, que consegue fazer do Deus "Javé", originário do Deus da Igreja Católica, uma mera criatura emanada de uma potência muito maior. Portanto, quando esse "Javé" se auto-proclama como o único Deus, não havendo outro para além dele (primeiro mandamento do Velho Testamento, certo?), está apenas a ser arrogante e a ofender, tanto a nossa verdadeira origem, quanto a dele próprio.

Basicamente, e de acordo com os gnósticos, toda a matéria, ou seja, todo o universo tal como o conhecemos, resulta de uma situação anómala, que não era suposto ter acontecido. Uma granda bronca, portantos. E depois deu nisto, que é aquilo que nós somos. Mas há salvação, porque mesmo sendo nós todos um aborto de proporções galácticas, temos em nós a essencia do inominável, auto-gerado, origem e potência de tudo o que é. Há divindade em nós. Poucochinha, mas há.

Adiante. Nos próximos tempos vou dedicar-me a umas leituras mais "leves". Tal como a que já aparece ali ao lado. Fui ver o filme aqui há uns tempos e constatei que as histórias de amor, quando são bem contadas, são sempre muito bonitas e comoventes...

segunda-feira, março 27, 2006

Sapatos, esse pesadelo

Embora me identifique, em muitos aspectos, com as musas inspiradoras aqui do lado, duas delas padecem de grande fixação com sapatos da qual eu não partilho.

Carrie Bradshaw e Cathy derretem rios de dinheiro em sapatos, eu não. Mas não é que eu não quisesse, já que derreto rios de dinheiro em roupa, porque não gastar também em sapatos. O problema é que os criadores de calçado, nos últimos anos, pura e simplesmente enlouqueceram.

Durante estações e estações a fio, foi a moda do sapato em bico:

horrível Tipo, acaba o pé e o bico do sapato continua mais cinco centímetros. Mais dez. Houve alturas em que eu julgava que só iam parar quando começasse o sapato, e meio metro depois chegasse o pé. A sério. Que moda tão parva. Eu quando compro um sapato ou uma bota quero que o meu pé fique pequenino, não quero olhar para baixo e ficar com a sensação de que passei a calçar o 43!

Mas não, essa moda entrou em declínio. E eu pensei, finalmente, agora vou encontrar calçado giro e que me fique bem. Mas a moda mudou de sapato bicudo para...

medonhasSabrinas. Tudo redondinho à frente, como se agora todas nós tivéssemos nascido para bailarinas. E sem salto absolutamente nenhum. Tudo muito enfeitadinho com florinhas e outras mariquices. Só falta oferecerem logo o par de suquetes brancos para a gente a seguir usar com a saia de folhos, que por sinal voltou a usar-se. Eu por mim só aceito vestir esse figurino se for sem meias, e com as minhas pernas à espera de verem cera depilatória há pelo menos cinco semanas. Se é para andar a fazer figuras ridículas, ao menos faço a coisa cumadeveser.

Por conta disto, ando com uns sapatos a caírem de velhos há meses, tenho as minhas sandálias de Verão (as poucas decentes que encontrei no ano passado) todas capazes de irem para o lixo, e as botas vão-se tornar impossíveis de calçar dentro de muito pouco tempo.

Acresce a tudo isto que todo e qualquer calçado que eu compre vai sempre dar-me cabo dos pés nos primeiros dias, e não é seguro que, depois das feridas sararem, eu consiga voltar a calçar aquelas coisas sem que elas me magoem. Muito sapato, muita sandália, deitados fora ou oferecidos novos porque não os consigo aguentar nos pés.

Por isso é que eu, quando vejo malta a comprar sapatos como quem compra camisas, tenho a mesma sensação que costumo ter quando vejo o George Clooney no écran. A visão dá-me prazer, mas sei que há coisas neste mundo que simplesmente não são para mim, e eu tenho que aprender a viver com isso...

domingo, março 26, 2006

Perdidos

Sou grande admiradora da série, desde o princípio.

E escusam de ficar a pensar que é só por causa disto:

Sawyer










Ou disto:

Jack

E muito menos por causa disto:
(embora neste caso específico consiga facilmente imaginar filmes muito interessantes envolvendo este actor, a minha própria pessoa e uma ilha paradisíaca)

Sayid

Não senhor. É porque aquilo é mesmo bom, e bem feito, e estimulante e inquietante e viciante.
É sem dúvida das coisas melhorzinhas que andam a passar na televisão.

Ah! E também têm lá mulheres!

sexta-feira, março 24, 2006

Bons prenúncios?

O dia ainda vai só a meio, mas se vesti as cuecas do avesso e a única coisa que acontece é ter que aturar os chefes todos a darem uma "ripada" ao pessoal, então nesse caso, ora bolas para os sinais de boa sorte.

xiça!...

Bons prenúncios

Gosto à brava do número 17. Não sei porquê, mas o certo é que ao dia 17 de cada mês, acontece-me sempre alguma coisa especial. Nem quer dizer que seja boa, pode não ser, mas será sempre determinante.

O dia de hoje é 24.03.2006. Se somarmos 2 + 4 + 3 + 2 + 6, dá o quê? 17. Lá está. Um bom prenúncio.

E outra coisa boa de acontecer é quando calha vestir roupa do avesso, sobretudo roupa interior, é sempre sinal de boa sorte.

Hoje vesti a cueca do avesso. Dois bons prenúncios num dia só, muito bom.

E isto é científico. Tenham a certeza disso.

quarta-feira, março 22, 2006

Sem surpresas

"Você tem um espírito independente e proclama alto e bom som que o amor não é prioridade – o que não deixa de ser verdade, mas esconde também algum medo de ficar só. É muito opinativa e mesmo sarcástica."

terça-feira, março 21, 2006

Não tem nada a ver

Uma coisa é dizer que certa iniciativa irá inaugurar no dia tal.

Completamente diferente é dizer que a inauguração da iniciativa será efectuada no dia tal.

Qualquer pessoa percebe as diferenças. Eu é que sou estúpida. Por isso é que me calhou a mim emendar as 31 cartas...

domingo, março 19, 2006

Limpezas


Uma das maravilhas (ou não) dos fins-de-semana, é o tempo que se dedica à limpeza da casa. Para quem, como eu, não tem dinheiro para ter assalariados a fazer esse serviço, nada mais resta do que ser eu própria a fazê-lo, ocupando sempre um tempito do Sábado ou Domingo para o fazer.

Mas há limpezas e limpezas. Há a limpeza de começar logo de manhã e passar dias inteiros naquilo, ele é limpar frigorífico por dentro e por fora, ele é tirar os livros todos das estantes para limpar o pó como deve ser, ele é aplicar desengordurante no fogão e tudo à volta para deixar tudo a brilhar...

E depois, há a limpeza da toalhita. Toalhita desengordurante para todo o tipo de superfícies, com agradável aroma a limão. Toalhitas limpa-vidros. Toalhitas limpa-frigoríficos e micro-ondas. Toalhitas limpa-móveis, com cera de abelhas.

Este fim-de-semana foi de limpeza de toalhita. Daqui a dois dias está tudo na mesma. Mas quero que se lixe, em contrapartida estou farta de passear!...

quarta-feira, março 15, 2006

Os meus escritos

São outros, que não aqueles que aqui costumo colocar. Terminei ontem mais um conto, de uma série que venho escrevendo, sempre muito devagarinho que estas coisas saem-me da alma e a inspiração nem sempre ajuda.

Fico sempre a perguntar-me se estas coisas que eu escrevo terão algum valor para além daquele que eu própria lhes dou. Nos dias bons acho que sim. Noutros, dá-me uma crise de rejeição e acho que é tudo uma porcaria.

Por exemplo, este extracto que aqui vos deixo, não é mais um conjunto de banalidades e lugares-comuns, repleto de lamechices e sem qualquer importância?

"A propósito de flores e sentimentos, a verdade é que, se por um lado, os amores são todos imperfeitos e por isso não são flores, têm no entanto inúmeros aspectos em comum com elas. São frágeis, os sentimentos, qualquer sol demasiado intenso ou chuva arrebatada os podem destruir. Há que cuidá-los bem e acarinhá-los, dar água e luz em doses certas para os ver crescer. E no entanto também há os que persistem em florescer mesmo quando as condições lhes são adversas, morrerão esses também enfim, se continuarem os maus-tratos, mas no entretanto deram grande lição de perseverança, já que teimaram em existir onde há muito, tantos outros teriam já entregue as armas dizendo, não posso mais. Para estes amores, imperfeitos todos, não é o primeiro vento que lhes quebra o caule, não são as primeiras chuvas a fazer ceder as pétalas, e mesmo quando o sol deu calor a mais, as cores foram capazes de se manter como estavam pela frescura da manhã. Se calhar, plantas que sejam como estes amores deveriam ser chamadas de amores-teimosos, amores-determinados, amores-perserverantes. Ou então nada disto é verdade e há apenas um amor, que é sempre igual, diferente apenas a pessoa que o sente e a pessoa por quem se sente. Quem sabe. Afinal, a vida das flores está repleta de segredos."

terça-feira, março 14, 2006

sábado, março 11, 2006

Não deixa de ser irónico

Que precisamente quando estou a vender a casa, me tenha calhado este ano ser a administradora do prédio.

Ou seja, quando a minha cabeça estava mais do que virada para empacotar coisas e contratar empresas de mudanças, é de imaginar a minha disposição para me ralar com os assuntos do condomínio.

Para ajudar à festa, desde que "tomei posse" em Janeiro, o prédio já entrou em obras duas semanas para instalar o gás natural, foi preciso mandar uma carta aos donos do bar aqui de baixo por causa do barulho, as lâmpadas das escadas desataram todas a fundir-se ao mesmo tempo e há um corrimão na entrada a aguardar orçamento para ser substituído.

Ah! Ontem quando cheguei, vieram informar-me que os trincos eléctricos deixaram todos de funcionar, ou seja, ninguém consegue abrir a porta da entrada, a partir de casa.

É mais que a conta.

sexta-feira, março 10, 2006

Caríssimas PT's e netcabos, e assim

Entendam uma coisa de uma vez por todas.

Se vocês contratam um qualquer rapazito imberbe, que vem tocar-me à porta de casa às oito horas da noite, quando eu e a maior parte das pessoas deste País estão sentadas a jantar, não há a mínima hipótese, a mínima, entendem, de eu lhe comprar o que quer que seja.

As pessoas já passam as horas todas do dia a serem interpeladas por isto ou aquilo, acham mesmo que ainda dá para estar receptiva a conversas da treta de um tipo que nos apareceu em casa sem ser convidado ou sequer avisar que vinha? Hein?

A sério, desistam das vendas porta-a-porta. Parem com isso.

quarta-feira, março 08, 2006

Isto é que vai ser!! (A Maya é que sabe)

"Março de 2006

Carta dominante: XIX O SOL

O SOL define uma conjuntura auspiciosa para os nativos de Peixes que verão a sua vida evoluir de forma surpreendente. Pode dizer-se que o mês de Março tende a ser rico e próspero para Peixes que verá assuntos desbloquear e terá verdadeiras surpresas a maioria das quais, felizmente, de cariz positivo. Peixes está optimista e divertido e força do destino virá dar ainda mais intensidade à sua vida.
Sentimentalmente não terá motivos para estar inseguro ou desconfiado, pelo contrário, a conjuntura é de grandes afinidades e deveras propícia ao crescimento afectivo. Deve viver o mês de forma tranquila manifestando serenamente o que sente. Em Março pode ser surpreendido por manifestações de afecto ou gestos românticos que muito lhe vão agradar.
No campo profissional Março é um mês positivo neste sector e adequado a que possa correr riscos; ou melhor, aproveitar oportunidades. Para quem se queixava que a vida não corria muito bem, o SOL brilha de forma auspiciosa. Tenha em conta que, independentemente da sua idade ou estatuto, há situações que não se repetem; confie em si e na sua capacidade de trabalho e arrisque.
Na saúde conseguirá, apesar de ser um mês muito intenso, gerir da melhor forma as suas energias. Deve ter especiais cuidados com a postura dado que alguns problemas de coluna ou pernas podem dever-se a erros posturais. "

Vou vender a casa. Vou mudar de emprego. Homens vão prostrar-se aos meus pés. Vou acertar no Euromilhões.

Tudo num mês só.

Eu tenho tanta coisa que fazer...

... E vontade?

Dizia hoje um senhor muito inteligente, desde que as pessoas estejam motivadas, e tenham boas condições de trabalho, há bons motivos para nos levantarmos de manhã.

Desde que. Lá está.

segunda-feira, março 06, 2006

As maravilhas da ADSE

Então e não é que ainda há uns meses fui daqui recambiada para Lisboa para ter uma consulta médica daquela especialidade?

E não é que hoje vou dar com um médico dos que eu preciso, a meia-dúzia de quilómetros de minha casa, e que me arranjou consulta já para esta semana?

Ainda me parece bom demais para ser verdade... Na volta acontece-me o mesmo que dessa outra vez em que fui a Lisboa, muito contente porque o médico era super disponível... Saiu-me um velho com ar de octogenário, que tremia por todo o lado, ouvia mal e não se percebia nada do que ele dizia.

O que será que me espera nesta Sexta-Feira? Para já, levei um dia inteiro a achar o número de telefone da clínica, que depois dizia não estar atribuído, liguei de novo ao 118, que me deu outro número, que pelos vistos é da casa da senhora que marca as consultas, que me explicou que o outro número foi mandado encerrar por engano, porque era parecido com o da vizinha do lado que vendeu a casa, mas ela era muito simpática, a senhora que me atendeu, a vizinha não cheguei a conhecer, e então agora durante quinze dias até a PT resolver a coisa o único contacto é o da casa dela, e então disse-me para lhe ligar para casa logo à noite, que já me diz a que horas pode ser a consulta. Mas já ficou marcado. Acho eu.

É um dos karmas da minha vida. Sempre que tenho alguma coisa relacionada com esta área da medicina, tenho sempre a sensação de ter entrado na twilight zone. Medo.

domingo, março 05, 2006

Dedicatória

"Eu contigo, eu consigo
Fazer o que digo
Eu contigo, eu consigo
Fazer o que digo

Eu contigo, eu não pago
Eu não temo e eu não devo
Devo dizer-te ao ouvido
Eu sem ti não tem sentido
Tem sido

Devo dizer-te ao ouvido
Bem bom
Bem bom, bem bom
Bem mais do que o que é bom
Bem bom, bem bom"

Sérgio Godinho
in Escritor de Canções

sexta-feira, março 03, 2006

As férias, as férias...

Numa fase de pouca motivação profissional, é mesmo só no que apetece pensar.

E depois tem uma vantagem: enquanto estão em projecto, podemos ir para um monte de lugares giros, porque em projecto não se paga nada!...

terça-feira, fevereiro 28, 2006

34

Feitos hoje. Sem nostalgias. Estou de bem com o meu presente e não o trocava por nenhum dos meus passados. Para a frente é que é caminho. Parabéns e coiso e tal, e siga, siga, siga...

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Insólito, dizem eles

Os senhores do Correio da Manhã acharam isto insólito.

O pior é se um dia destes deixa de ser insólito, para se tornar banal. Já faltou mais...

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Flexicoiso

Uns senhores de uma certa entidade bancária, sabendo que eu estou quase a comemorar o meu aniversário, estão dispostos a oferecer-me 1.000,00 € de presente pelos meus 34 anos, ficando eu a pagar mais de 50 € por mês até ter quase 36.

São tão queridos.

Privacidade vs solidariedade

Ouvi em tempos uma pessoa dizer que em termos de relacionamento humano, onde se ganha em solidariedade perde-se sempre em privacidade. Não posso estar mais de acordo, e se isto às vezes é uma coisa difícil de conciliar, meus amigos.

Senão vejamos. Aqui na minha vidinha de todos os dias, vou muitas vezes de autocarro para o trabalho. E acontece que há diversos colegas que me dão boleia com alguma frequência, já que entramos todos mais ou menos às mesmas horas e vamos todos para o mesmo lado. Tenho uma colecção de potenciais boleias muito considerável, que me permite poupar alguns trocos em transportes, o que é positivo. ;-)

Mas depois, lá está. Ganha-se solidariedade, perde-se privacidade. Ando a braços com a situação caricata de um certo colega, que me dá boleia com alguma regularidade, que de cada vez que não me encontra no local habitual à hora de sempre, acha-se no direito de me questionar, então a que horas vieste hoje, o que é que te aconteceu, trouxeste o carro, etc., etc.

Isto a mim causa-me calafrios. Desde sempre, se eu sonho que alguém me anda a controlar os horários, isso é coisa para me tirar do sério. Não gosto, não gosto mesmo nada. Inclusive, posso-me tornar mal educada se insistirem muito.

Além disso, o que é que o senhor quer? À pergunta mais frequente, a que horas vieste hoje, essa então recuso-me a responder de todo, era o que me faltava. Já me basta o relógio de ponto à entrada do serviço. Aliás, a resposta mais provável seria essa, eh pá, telefone para a secção de pessoal que por esta altura já lá está o registo. Não pode ser, o colega até é simpático, e se calhar nem tem noção de que está a ser inconveniente. E a boleia dele dá jeito. Mas há perguntas que não se fazem, bolas.

Além de que, com a vida que eu levo, nem que eu lhe passasse a minha agenda. E assim ele já sabia os dias em que não apareci porque tive uma reunião de manhã noutro lado, porque adormeci e resolvi apanhar um autocarro mais tarde, porque trouxe o carro para ir à piscina ao fim do dia, ou a uma reunião qualquer noutro lado qualquer, porque, porque, porque, porque. Não há pachorra.

Então e se me desse para responder mesmo? Também podia ser giro. Uma pergunta do género, que foi que te aconteceu hoje, a ser respondida à letra poderia ser algo parecido com isto:
- Sabe, é que eu esta noite não dormi em casa, e portanto era impossível ver-me por aquela zona de manhã...

ou então, melhor ainda:
- É que eu por estes dias andei menstruada e então, sabe como é, tive que dar mais umas voltinhas na casa de banho e atrasei-me, foi isso... Então o tempo? Este frio não há meio de abalar, hein?...

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Por estes dias

Estive em formação, e daí o silêncio. Durou a semana toda e terminou hoje.

Estas experiências valem sempre a pena, acho eu. Ainda que o tempo de duração seja curto e os assuntos todos tratados pela rama, ainda que as condições sejam precárias, ainda que, ainda que, se a gente não quiser começar logo derrotados, a verdade é que se pode aproveitar sempre alguma coisa.

Por um lado, é a oportunidade de conviver com colegas com quem nunca tenho que trabalhar directamente e por isso só muito por alto sabia o que raio faziam eles. Até conheci algumas que nunca tinha sequer visto. E durante aquela semana não há hierarquias nem divisões ou departamentos, e temos que trabalhar em conjunto e em pé de igualdade. É muito giro.

Depois realmente, quem me quiser ver motivada e contentinha é darem-me coisas novas para aprender. Eu gosto mesmo muito de estudar. E estes períodos em que me recoloco na posição de aprendiz de alguma coisa tornam-se numa espécie de alimento para a alma, um choque vitamínico que me deixa cheia de bons sentimentos, optimismo, esperança.

Modéstias à parte, as apreciações da minha prestação são quase sempre muito positivas. E comprovam aquilo que eu já sinto há muito tempo, que estou pronta para outros voos e só falta a oportunidade acontecer. Dizia a formadora que lhe apetecia, depois daquela formação e doutras, pegar numas tantas pessoas e fazer o papel de caçadora de cabeças, para levar para outros lados. Não me contive. Disse logo, "eh pá, a minha cabeça está à disposição para ser caçada!". Riu-se tudo muito e eu fiquei contente. Como isto nunca se sabe, lá passei a mensagem a mais outra pessoa.

E porque tudo tem o sem valor, e às vezes no pouco é que se encontra o muito, nos momentos de convívio que sempre ocorrem nestas alturas, um colega pode ter-me dado, sem saber, o mote que me andava a faltar para a escrita de um romance. Se eu tiver unhas para isso.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Pois...

"O facto de você ainda continuar numa relação só pode querer dizer uma de duas coisas: ou a sua cara-metade tem muita paciência ou estamos perante um milagre. Você não se esforça na vida a dois e é completamente desligado/a. Qualquer tipo (mesmo remoto) de romantismo não lhe diz absolutamente nada."

Não, meus amigos. Isto demonstra bem é o que é que eu penso sobre esta coisa do Dia do Comerc.... quer dizer, dos namorados.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Ode ao consumismo

Não pense, diga.
Viva o momento,
Aposte nos seus sonhos
e Worten sempre.

Damos vida ao seu telemóvel,
Tecnologia para a vida, liberdade sem limites.
O bom sai bem,
E dura, dura, dura.

Quem é simpático, quem é?
Segue o que sentes,
Crédito pronto a usar,
Grandes compras.

Isto é verdade, não é só publicidade.
Até já.

Os saldos...

... são o paraíso e o inferno.

Paraíso porque está tudo a uns preços maravilhosos, e de repente arranjam-se umas pechinchas que doutra maneira seriam impossíveis. Sobretudo quando vamos a um dos meus sítios preferidos para ir às compras, o belo do Freeport em Alcochete, onde se podem contrar galheteiros por 2,38 €, e conjuntos cueca/soutien da Triumph por 16,00 €, sendo que este último ainda por cima foi oferecido!

Inferno porque me farto de ver coisas giras que gostaria de comprar e que compraria de certeza, se ainda houvesse o número que eu visto. Vi camisas bem giras na Sacoor, vendidas ao preço da chuva, experimentei algumas sete ou oito e só comprei uma, porque as outras estavam todas ou demasiado grandes, ou demasiado pequenas.

Por causa disto é que depois acabo por lidar com a frustração, indo a estas lojas ou outras e gasto balúrdios de dinheiro, mas ao menos encontro as coisas que me acentam realmente bem, nas cores e nos padrões que eu quiser.

E agora que já dei o rol das futilidades deste fim-de-semana, um dia destes prometo que faço um post muito sério sobre coisas realmente importantes, como a fome que há no mundo, por exemplo.

... que a futilidade também é uma coisa muito séria, atenção.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Em reunião

Olhou para o relógio. Ao fim de uma hora e meia de reunião continuavam no primeiro ponto da ordem de trabalhos. Suspirou. Pela janela via-se um sol esplendoroso, mas o frio que vinha do chão não enganava ninguém, e ao fim daquele tempo todo praticamente imóvel, já só não batia os dentes por mera vergonha.

O presidente da mesa passou a palavra a outro elemento, que também se achou no direito de dizer qualquer coisinha sobre aquele assunto. E ainda faltava passar a palavra a metade das pessoas presentes. Foi à casa de banho, na esperança de que no regresso, algum milagre tivesse sucedido. É claro que voltou e ainda estava a mesma criatura a falar, num tom monocórdico que só lhe dava era sono.

Deu consigo a odiar de morte todas as pessoas que usavam da palavra. Essa cambada de gente molenga, a quem tanto lhe fazia sair dali às seis, às sete ou às oito da noite. Esta cambada de inúteis não teria casa nem família? Seria ela a única pessoa na sala com vida própria? Mas porque é que continuavam a pedir licença a uma palavra para dizerem a seguinte e pior ainda, a fazer pausas entre palavras? E depois ainda havia quem quisesse voltar atrás para perceber melhor. Para perceber melhor! Mas afinal, quanto tempo mais é que aquilo ainda iria durar?

Enquanto sorria afavelmente para o orador da frente a assentia com a cabeça, controlava a o tédio e treinava a sua técnica de abrir ligeiramente a boca e fazer pressão com o maxilar, para disfarçar o bocejo. Imaginou como ficaria feliz se pudesse calar aquela boca que vomitava palavras sem interesse absolutamente nenhum. Um belo soco em cheio naquela boca mole, talvez fosse suficiente. Ou então não. O melhor era mesmo saltar para cima da mesa, armada de duas catanas, e cortar-lhe a cabeça de uma assentada como tinha visto no filme dos samurais em que entrava o Tom Cruise. De cabeça cortada calava-se de certeza, aquela lontra nojenta. Sorriu. Tomou mais umas notas.

Mas pensando bem, e já que se tinha imaginado com duas catanas na mão, porque não cortar também a cabeça do tipo que estava ao lado? Pelo arzinho dele, preparava-se para tomar a palavra e não a largar tão depressa. Não foi tarde nem foi cedo. Cabeça cortada, problema resolvido. E antes que mais alguém se lembrasse de dizer alguma coisa, decidiu pegar na sua caneta automática, que era também um isqueiro e uma arma de fogo de alta precisão, e começou a disparar. Aquela reunião tinha que acabar custasse e o que custasse, e estava nas suas mãos acabar com ela. Fuzilou todos um por um.

Quando terminou a carnificina restava apenas o presidente da mesa. Há que tempos que o andava a marcar, aquela barbinha por fazer, o rabinho bem feito, os modos galantes, o olhar de carneiro mal-morto que ele lhe deitava em todas as reuniões. Agora é que ela queria ver, se ele era homem para isso. Empurrou para o lado o cadáver do 1.º secretário, encarregue de fazer a acta, e puxou o presidente para si. Tendo em conta a delicadeza da matéria, sussurrou-lhe o problema que verdadeiramente a preocupava. Apelou para que ele o encarasse com firmeza e dedicação. Derrubaram todos os dossiers e lançaram-se com violência sobre aquele novo ponto da ordem de trabalhos. Debateram-no até à exaustão…

Foi o próprio presidente da mesa quem a trouxe de volta à realidade. Sobre o primeiro ponto da ordem da ordem de trabalhos, tem alguma coisa a dizer? Não? Então podemos passar ao segundo ponto…

Muito profissional, debruçou-se novamente sobre os seus apontamentos, agora com toda a atenção. A reunião continuava sem fim à vista. Mas pelo menos, já não tinha frio.

Teclas traiçoeiras 2

... Que eu não posso falar muito sobre enganos ao teclar. Aqui há uns anos atrás, num certo documento dirigido ao público em geral, aquilo que deveria ser:

"ERRADICAÇÃO DAS BARRACAS"

saiu assim:

"ERRADIAÇÃO DAS BARRACAS"

Foi só um "c". O pior é que o sentido da frase ficou precisamente o oposto do que deveria ser. Lembro-me que na altura, a reacção do chefe foi "que c......".

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Teclas traiçoeiras

Recebi agora mesmo um mail de um senhor muito simpático, que termina a sua mensagem desta forma:

"Coma os meus cumprimentos"

E eu, tudo bem.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

O meu estado de espírito hoje

"Estou velho!
dói-me o joelho
dói-me parte do antebraço
dói-me a parte interna
de uma perna
a parte amiga
da barriga
que fadiga
o que é que eu faço ?
escolho o baço ou o almoço?
vira o osso
dói pescoço
é do excesso
do ex-sexo
alvoroço
reboliço
perco o viço
já soluço
ja sobroço
esmiuço
os meus sintomas
e já agora, do meu médico
os diplomas
esmiuço
a consciência
e já agora, apresento a penitência"
Sérgio Godinho, O Elixir da Juventude
in Tinta Permanente, 1993

É oficial. Estou farta do Inverno.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Hábitos estranhos? E são só cinco?!...

Piece of cake. Aqui vai:

- Penteio o cabelo todas as noites, antes de ir dormir.

- Não suporto vestir camisas por baixo de camisolas. Prefiro camisolinhas de licra ou algodão, por baixo das lãs. Ou então, visto as camisolas de lã directamente sobre a pele.

- O duche dura 30 minutos. E não quero saber.

- Gosto de comer pastéis de nata à colher, como fazem os putos.

- Enxaguo o lava-loiças até à última gota quando acabo de lavar a loiça, mesmo sabendo que o mais certo é abrir a torneira nos cinco minutos seguintes.

Quando quiserem mais cinco, é só dizerem!...

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Beijos e coiso e tal

Tá bem, tá bem. Mas acontece que as opções de resposta não me agradam. Portantos aqui vão as minhas verdadeiras respostas, e quem quiser que calcule os resultados:

1. Como foi o seu primeiro beijo?
Foi uma coisa sem jeito nenhum. Quando alguém se põe a fazer o que quer que seja, sem saber o que raio está a fazer, o que sai é mesmo isso, uma coisa sem jeito nenhum. Demasiada saliva para pouca calma. E por favor, não me façam recordar mais nada que é demasiado embaraçoso, sim?...

2. Qual destes menus prefere para um jantar a dois?
O que me apetecer mais depois de ler a lista no restaurante, ou seja, qualquer um que eu não tenha que cozinhar.

3. Chegou a hora h, o que faz?
Tento controlar os nervos e deixar a coisa correr, caso contrário transformo-me desgraçadamente na adolescente descrita em 1.

4. Qual destas palavras é a mais indicada para dizer “beijo"?
Beijo.

5. Os seus beijos mais eficazes deixam a outra pessoa a pensar?
Os meus beijos mais eficazes, onde? Sejam mais explícitos, ó faxavor. É que conforme os sítios, a outra pessoa pode ficar a pensar diferentes coisas, ou eventualmente, não ficar em condições de pensar... Ou então não.

Sorte ou azar?

Dizem que entornar vinho é sinal de dinheiro.

E entornar café é sinal de quê? É que já agora, depois de levar com uma bica por mim abaixo, ao menos que seja sinal de euromilhões, de venda da casa, ou de uma promoção no emprego...

Se não, é mesmo só sinal de que vou ter que passar por casa e mudar de roupa antes de ir para os sítios onde preciso de ir no final da tarde, e de que, definitivamente...

EU HOJE DEVIA TER FICADO EM CASA A TIRAR O PÓ AOS MÓVEIS!!!...

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

quinhentos mil euros

É tudo o que eu peço ao deus nosso senhor do euromilhões.

São cem mil contos. O suficiente para eu comprar uma casa na cidade e outra junto ao mar (o meu grande sonho), e nunca mais me ralar com rendas de casa na vida.

Meto uma licença sem vencimento por dois anos e vou dedicar-me a fazer um mestrado, experimentando pela primeira vez desde que saí do Secundário, o que é andar a estudar sem ter que trabalhar ao mesmo tempo. Quanto ao resto, logo se vê.

Já sei que são uns projectos um bocado acanhaditos, mas eu no que toca a dinheiro, como sempre tive pouco, tenho assim esta mentalidade de saloia, pronto.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Vencedora do prémio "Mais valia estares quieta"

Uma senhora, nascida e criada na freguesia da Castanheira do Ribatejo, foi passar este fim-de-semana à Serra da Estrela, para ver neve pela primeira vez.

domingo, janeiro 29, 2006

Benfica 1 - Sporting 3, ou, o dia em que eu fui à bola

Aquilo é giro. Devias ir. Nem que seja só uma vez, para saberes como é estar num estádio repleto, e ver um jogo de futebol a sério.

Eu não percebo nem tenho grande apreço pelo Futebol enquanto jogo, a não ser quando joga a Selecção. Mas o Futebol enquanto fenómeno de massas desperta em mim algum interesse, de moldes que lá concordei que sim senhor, mal também não há-de fazer, quando calhar logo se vê. Desta vez surgiu e oportunidade e a coisa deu-se, ontem fui com ele à bola.

Aquilo que eu gostei mais foi de ver a águia a voar por ali abaixo. Achei muito bonito e senti verdadeiramente que partilhava uma qualquer emoção colectiva. Coisa de gaja. Quanto ao estar no estádio, foi um misto de assombro e angústia, que eu não gosto mesmo nada de multidões e por alguns - felizmente poucos - momentos, o facto de só ver cabeças à minha frente e atrás de mim, exigiu-me algum poder de auto-controle da fobia. Mas uma vez lá dentro, é sem dúvida esmagador. Grande concentração de testosterona. Acho que nunca tinha estado num sítio onde a concentração fosse tão grande. Hum.

Quanto ao jogo em si. Bom, atrás de nós estavam umas aves raras, uns Benfiquistas do Norte que foram para mim de grande utilidade. É que nós estávamos num sítio muuuito alto, e eu sou muito pitosga, não via os jogadores, e também se os visse, a verdade é que conheço muito poucos pelo nome. Por isso foi muito positiva a ajuda daqueles senhores, que assim fiquei a saber que todos os jogadores do Sporting se chamavam "filho da puta", embora curiosamente fosse esse também o nome de todos os árbitros, e ocasionalmente, era igualmente o nome de alguns jogadores do Benfica. Aliás, à medida que o jogo avançava, mais jogadores do benfica passaram a chamar-se assim. Curioso.

De resto, senti-me um bocado como me sinto quando estou na missa. A malta vai-se sentando e levantando todos ao mesmo tempo, e eu faço o mesmo com uns segundos de atraso, porque, tal como na missa, todos à minha volta conheciam as regras do jogo, menos eu. A minha pergunta mais corrente era, "O que é que foi que aconteceu?"

O meu parceiro, que conheço como pessoa comedida no linguajar e nos modos, durante aquela hora e meia recorreu a um vernáculo profuso e diversificado, e posso mesmo afirmar que lhe ouvi dizer ontem mais asneirada naquele curto espaço de tempo do que em todo o tempo que já passei com ele. Pese embora esteja a anos-luz das capacidades dos companheiros da bancada de trás, atenção.

À medida que o Sporting foi marcando golos, assisti também a um espectáculo interessantíssimo, que é ver um homem adulto a amuar, e progressivamente a ficar sem pescoço, desaparecendo assim pela roupa adentro, até ficar apenas o gorro, os óculos e o cachecol. Acho que ele ainda ia dentro da roupa quando nos fomos embora. Pelo menos, alguém me deu a mão e levou para fora do estádio, e depois conduziu o carro. Eu acho que era ele. Mas não tenho certezas de nada.

Rir

Era o que eu teria feito se, precisamente há um ano atrás, alguém me dissesse que no mesmo fim-de-semana:

a) Eu estaria no Estádio da Luz a ver o Benfica-Sporting;
b) Iria ver cair neve da janela da minha casa.

Este fica assim eleito o fim-de-semana mais improvável dos últimos tempos.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Então...














Bom fim-de-semana!!...

Somos 11

Dava 13 milhões, 272 mil, 727 euros a cada um.

O ano passado saiu-nos um prémio de 6.588,21 €, e já foi muito positivo. O que dizer então desta quantidade absurda de dinheiro...

Mas lá que merecíamos, merecíamos!...

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O drama de dormir sozinha no Inverno

Dormir sozinha nesta altura do ano, em que faz um frio que até arrepassa os ossos, é das coisas mais desconsoladas que pode haver. Os meus serões passam-se a tentar manter o equilíbrio corporal, que é como quem diz, a ver se mantenho os pés quentes e se estou agasalhada, porque se vou para a cama à espera de aquecer quando lá chegar, boa noite. Ou melhor, boa noite é coisa que não vou ter.

Eu sou uma criatura muito estranha, a sério. As pessoas dizem que vão para a cama e aquecem. Eu vou para a cama e gelo a cama. E ultimamente, com o frio a apertar, mesmo que vá quentinha para a cama, chego lá e gelo a cama na mesma. Os pés então, é um problema constante. E isto leva-me, nesta altura, a fazer coisas para tentar manter-me quente na cama, algumas desesperadas, e outras simplesmente... bom, ridículas.

Mas como imagino que haja por aí mais gente com o mesmo problema, ficam umas dicas para gente como eu, ou seja, como diz alguém meu conhecido, que "não presta para nada":

- Ligar aquecedor no quarto de dormir uma hora antes de deitar e fechar a porta do quarto;

- Antes de vestir o pijama, pô-lo em cima do aquecedor um bocadinho;

- Mergulhar os pés em água bem quente antes de deitar;

- Vestir pijama e meias, das mais grossas que houver lá por casa;

- Pegar no robe e enfiá-lo entre os lençóis, a parte de cima para baixo. Já explico para quê;

- Enfiar as pernas pelos braços do robe, embrulhar o resto do corpo no robe, e ficar muito quieta, até porque depois de embrulhada em roupa desta maneira, não há grandes hipóteses duma pessoa se mexer.

E pronto. Em princípio assim a coisa corre mais ou menos bem. A alternativa é mesmo arranjar companhia para passar a noite, claro, que isto um homem numa casa, faz muita falta.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Sem título

Estou há quase 24 horas sem beber café. Devo ter a tensão arterial a -3 min. 2 max, ou coisa que o valha. Uma opção radical para tentar proteger pobre estômago que pelos vistos, como eu andei a gabá-lo e a dizer que ele resistia a tudo, decidiu dar ares da sua graça.

Diarreia voltou.

Cavaco Silva foi eleito à primeira volta.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Doidas, doidas, doidas, andam as galinhas

Dizia-me hoje uma amiga, frequentadora de baby-blogs, que corria pelos comentários de alguns deles coisas do género, ah e tal, é coisa muito absurda haver mulheres que podendo ter filhos, não os querem ter.

E isto irritou-me. Ao ponto de não me apetecer ser boazinha, que aliás, em regra não sou. Ao ponto de me estar a apetecer ser fundamentalista, e até quem sabe um bocado estúpida, mas que se lixe, que também às vezes uma pessoa cansa-se de estar sempre a levar com estas matronas presumidas, armadas em donas da virtude e convencidas que só elas é que estão certas.

Não tenho a maternidade como uma prioridade, nem primeira, nem sequer segunda nem sequer terceira, pois não. E isso não faz de mim uma mulher de segunda categoria, tenham lá paciência, vão olhar de modo complacente para outro lado ó fáxavor. Raios as partam.

Fiquem a saber que a moeda tem sempre dois lados. Absurdo para mim é ver mulheres que manifestamente não podem ter filhos e que continuam obcecadas , dispostas a tê-los a qualquer preço. Com tanta criança que por aí anda aos caídos, isso não é egoísmo também?

De uma vez por todas. Temos todas os mesmos direitos, ninguém é melhor que ninguém. O desejo de procriar é tão legítimo quanto o desejo de não o fazer. Certo? Ah claro, já sei. Não precisam de dizer. Sou uma insensível. Não posso compreender. Porque não sou mãe, pois claro.

Pois aqui esta pecadora capital, esta deficiente emocional a quem obviamente faltam peças fundamentais tem a dizer que, muito francamente, acho que os baby-blogs às vezes são tão queriduchos, tão mimosinhos, tão ternurentinhos, e as respectivas comentadoras são tão pi-pi-pi, tão qui-qui-qui, mi-mi-mi, nhe-nhe-nhe, tu-tu-tu, coro cocó, que me deixam a pontos de vomitar em cima deles.

Campanha Eleitoral IV

Hoping for the best but expecting de worst.

Para mim, o pior é ver o Cavaco levar isto logo à primeira. O melhor será ver o Manuel Alegre ir à segunda volta. Já não esgrimo mais argumentos sobre quem é o melhor candidato, os argumentos utilizam-se conforme as conveniências, a verdade é que há verdades de todos os ângulos que se olhe a coisa.

O Manuel Alegre merece a segunda volta. Merece ter mais votos que o Soares. Primeiro chamaram-no para uma missão e depois disseram-lhe que afinal não, obrigadinho, mas pensando bem há outra pessoa melhor. Porque estamos à rasca e temos que ganhar isto, custe o que custar. Foi isto. E isto não se faz.

Não deveria ser necessário dizê-lo, mas pelos vistos tem que ser, a política não é o campeonato de futebol e não se pode querer ganhar a qualquer preço. A política é suposto ter a ver com valores e dignidade e convicções. Mesmo que isso signifique não ganhar. Mas não, o que se vê é que em cada momento eleitoral, interessa é marcar golos e ganhar o jogo. Posso estar muito errada, mas eu acho que não pode ser assim.

O meu voto vai para o Manuel Alegre porque desde sempre, na minha opinião, é o único candidato que uma certa esquerda deveria ter apresentado, apoiado e dignificado. Mesmo assumindo o risco disso representar um resultado menos bom. Teria sido muito mais bonito de se ver.

O próximo Presidente será aquele que a maioria dos portugueses quiser eleger. E será o meu Presidente. Quanto à esquerda, mais uma vez, terá aquilo que fez por merecer.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Orgasmos e orgasmos

Muito engraçado. O site, quero eu dizer, que orgasmo não é uma coisa que se possa chamar de engraçado. Um orgasmo que nos dê vontade de rir, não sei, mas não deve ter sido grande coisa de orgasmo. Acho eu...

quarta-feira, janeiro 18, 2006

O meu estômago

É uma espécie de trituradora. Uma besta faminta cuja única preocupação é estar cheio, não importa com o quê. Logo, não se pode contar com ele. Nada de avisos, tipo, cuidado que isso que estás a comer não está bom, ou, recuso-me a digerir essa misturada de coisas. Nada disso. Amassa-se tudo, empurra-se pelo cano abaixo, e segue jogo.

Os intestinos são enfim os desgraçados que apanham sempre por conta. E mais uma vez, sem que o meu estômago ou papilas gustativas tenham emitido sequer um ínfimo sinal de alarme, estou agora a braços com um autêntico incêndio nas minhas entranhas, umas punhaladas filhas-da-puta que me forçam a dobrar-me sobre mim mesma e que aparecem sem aviso, e uns instestinos em tumulto, revoltados contra a inércia do estômago, e dizendo que assim não têm condições de fazer bem o seu trabalho.

Vou tomar uma Ultra-Levure, pode ser que isto passe. Ironia das ironias, quando eu comia fritos a torto e a direito, estas coisas aconteciam-me menos...

Campanha Eleitoral III

Pois, realmente, está tudo dito.

Todas as mulheres sonham com isto...


... Encontrar um homem que respeita e inclusive gosta das nossas partes flácidas!!...

(Colin Firth faz um efeito desgraçado)

sábado, janeiro 14, 2006

Campanha Eleitoral II

"ESCOLA DO ADRO

A malta que vinha à escola vestia ganga
comia um naco de boroa e uma sardinha
tinha tinta nos dedos e às vezes tinha
na cabeça uma doença chamada tinha.
Cheirava a fumo e a poeira dos caminhos
a minha avó dizia que era a raposinho
mas era a fumo e a bolor a tinta e a peido
um cheiro que já não há porque era o cheiro
do muito pouco em mil novecentos e quarenta e três
quando os automóveis andavam a gasogéneo
e aquela malta que vinha à escola
não tinha sapatos tinha chancas
às vezes tamancos e às vezes só pés.

Quando era Junho ou Julho aquela malta
depois da escola vinha para o rio
despia-se em frente das lavadeiras
«ai os grandes sacanas que já pintam»
diziam elas e riam-se e aquela malta
atirava torrões para cima da roupa branca
estendida a corar no areal.

Todas as manhãs se fazia a saudação fascista
mal o professor virava costas
começavam os manguitos e as caretas
daquela malta que não gostava de estender o braço
e punha a língua de fora para os retratos
de Carmona e Salazar na parede ao fundo.

Aquela malta que vinha à escola
não era malta para ser domada.
Talvez por isso o jeito que me ficou
de fazer manguitos pela vida fora."
Manuel Alegre
Rua de Baixo, 1990

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Desabafo de ordem pessoal

Que eu não sou de invejas, e aliás acho que esse é o sentimento mais negativo que pode existir. Não é isso.

Mas parece que ultimamente à minha volta só oiço falar em casas que se venderam num ápice, escrituras e mudanças, e por muito que tenha andado a combater este sentimento nos últimos tempos, hoje sinto-me um bocado invadida pelo chamado desespero. Estou há sete meses com a minha casa à venda e nem uma única alma apareceu até aos dias de hoje para a ver, quanto mais para a comprar.

Tenho a sensação que vou ficar enclausurada naquelas quatro paredes para todo o sempre e que nunca mais nos dias da minha vida vou conseguir sair daquele lugar que não tem nada a ver comigo...

Que merda.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Campanha Eleitoral I













"Que ninguém fale de prudência ninguém fale
de esperar. Há palavras que estão gastas (que me gastam)
Ponderação me pedem. Exigem que me cale
mas bebem do meu vinho meus campos devastam
à resignação chamam virtude juventude à indignação
com seus conselhos me enfastiam com seus prémios me castigam.
Se digo não me dizem sim se digo sim me dizem não
calar-me é doloroso mais ainda me é falar
pois o silêncio é uma traição mas há palavras que me gastam
há um falar que não é dizer há um tempo que se gasta.
Ah não me peçam para esperar que de esperar
eu desespero e a esperança já não basta
que já não posso já não posso suportar
nem os velhos que me falam da virtude
nem os novos que começam a ser velhos.
E se a revolta (dizem) é juventude
eu vos digo que há um tempo de acabar
com este tempo que se gasta e que nos gasta.
Altas são as montanhas. E as águas do mar são vastas.
Partir ou não partir. De qualquer modo ousar.
Pois o tempo é de agir. E as palavras estão gastas."
Manuel Alegre
Um Barco para Ítaca, 1971

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Há algo de ursa dentro de mim

De outro modo como é que se explica que eu tenha dormido quase nove horas a noite passada, e mesmo assim esteja aqui com um sono, mas um sono...

... que a bem dizer, todas as minhas forças se esvaem no simples esforço de manter os olhos abertos.

Deve ser do frio. E a minha costela de ursa está a pedir-me para hibernar...

Presidenciais

Assino por baixo tudo o que diz o Ruca, aqui.

Eu nem ando a pensar muito nestas eleições. É tão óbvio o que vai acontecer que nem vale a pena. Ai Portugal, Portugal...

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Gentemuitaespertasimsenhor

Fui eu há uns dias atrás muito lampeira ao Millenium BCP tirar cheques da máquina, facilidade até positiva, que a malta escusa de andar a pedir ao balcão, e mais não sei quê. Qual não é o meu espanto quando a máquina se recusa a vomitar os cheques como é costume, e sem me dizer sequer o porquê da coisa. Lá fui eu ao balcão, já a pensar que tinha feito porcaria e ainda tinha menos dinheiro do que pensava que tinha, perguntar porque estava eu assim excluída do maravilhoso mundo dos cheques impressos na máquina.

E diz-me a menina, ah e tal, só com um saldo superior a 200,00 € é que pode tirar cheques na máquina! E eu fiquei a pensar nisto.

Hoje lá fui eu outra vez, a dita cuja conta entretanto aprovisionada com um saldo que fez de mim, novamente, uma pessoa de confiança ao olhos daqueles senhores. Pelo sim pelo não, em vez de fazer cinco cheques fiz dez.

E pergunto eu, o que é que aquelas alimárias que inventaram esta medida, ganham com isto? Pessoas inteligentes à brava, sim senhor. A ver se encontro algum que me explique o que é que me impede agora, com os cheques na mão, de os passar ultrapassando o saldo da conta que lá está!

Que garantias lhes dá o facto de, no momento em que são emitidos os cheques, a conta ter mais de 200,00 €? É que ainda hoje posso ir lá buscar o dinheiro todo e ficar com a conta a zeros, entretanto a máquina já não vem a correr atrás de mim a exigir os cheques de volta! Acho eu, não sei... Vai na volta...

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Contenção

Orçamental
O mês de Janeiro é uma desgrça. Até ao próximo ordenado, não há livros nem discos, não há trapos, não há cinemas nem teatros, nem bugigangas. Únicas despesas permitidas: cafés, pequenos-almoços, almoços, combustível, compras de supermercado, e estas últimas também com muito cuidadinho.

Calórica
O mês de Dezembro foi uma desgraça. Até novas ordens, não há chocolates, bonbons, frutos secos, não há cá sobremesas a torto e a direito, nem bolos disto ou daquilo. Acabou-se. Finito. The end. Pãozinho e leitinho, iogurte magro e frutinha. Cozidos e grelhados. Bolachinhas integrais.

(Post escrito numa tentativa desesperada de ignorar caixa de After Eight com recheio de Irish Cream situada mesmo em frente ao meu campo de visão, trazida por colega especialista em boicotar resoluções firmes e inabaláveis, como obviamente são as minhas.)

PS: Caixa de After Eight também conhece a cantiga do Abrunhosa.

PS2: Por acaso provei destes After Eight no outro dia. São bons. Também há com creme de laranja e de limão. E há uns de chocolate branco, mas eu de chocolate branco não gosto muito. Estes por acaso são bons. Hum.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Ataque de pieguice romântica

"They say that all poets must have an unrequited love
As all lovers must have thought provoking fears

But holding on to you means letting go of pain
Means letting go of tears
Means letting go of the rain
Holding on to you
Means letting sorrows heal
Means letting go of what's not real
Holding on to you"
Holding on to you
Terence Trent d'Arby
in Vibrator

Não é costume, mas de vez em quando também me dá. Daqui a bocadinho já passa.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

O problema...

... Já nem são as quantidades obscenas de calorias que foram ingeridas nos últimos dois fins-de-semana.

O problema é o bolo de bolacha, a tarte de natas, o bolo-rei, os Raffaellos e os Món Chéri que continuam lá por casa a cantarem todos a cantiga do Abrunhosa:

"Eu, estou aqui
E eu, estou aqui"

É de tal maneira que eu ainda nem fui para casa e já estou daqui a ouvi-los cantar... Não dá. Prevejo medidas radicais anti-engorda para muito breve.

domingo, janeiro 01, 2006

Doze passas

Tenho andado para escrever aqui qualquer coisa sobre o ano novo. Resoluções impossíveis de concretizar, desejos que espero ver cumpridos em 2006, já que em 2005 foi o que se viu, enfim, o costume.

Esta coisa da afirmação dos desejos não deixa de ser curiosa. Eu cá cumpri a tradição, comi as doze passas, guardei uma para a taça, formulei os meus desejos para o firmamento, na esperança de que alguns deles venham a verificar-se. Mas também fiz outra coisa que faço sempre, que é recordar o início deste ano que agora passou. Procurei lembrar-me da pessoa que era e das circunstâncias que me rodeavam, dos desejos que então formulei e quais se cumpriram ou não e porquê, em resumo, o que é que 2005 encontrou quando chegou e o que é que 2006 encontra agora. Está tudo muito diferente, numas coisas pelo melhor, a maior parte felizmente, noutras não tanto, a moeda tem sempre dois lados e temos que saber viver com ambos.

Podia colocar aqui os doze desejos que me passaram pelas passas. Mas convenhamos, o que contribui para um Feliz Ano Novo não é a formlução dos desejos, que essa parte é fácil, as passas são doces e com champanhe até escorregam melhor. O que faz verdadeiramente um Feliz Ano Novo é a força, o ânimo, o empenho, um dia de cada vez, a tornar possível que os desejos se realizem. Alguns, às vezes.

Deixemo-nos de sebastianismos. Em vez de entregar tudo às passas, ficam aqui estas doze ideias, retiradas deste livro:

"Se fazes girar uma hélice
por meio de compressão
não te surpreendas
quando o motor começa a trabalhar."


"Compra segurança em vez de felicidade
e será esse o preço a pagar."

"Não há problema em fazer coisas vulgares
Desde que não te sintas vulgar."


"É um processo lento,
mudar de princípios,
e nunca saberás que eles mudaram
até que alguma coisa que era certa
para ti
simplesmente deixe de o ser."


"Aprendes mais
quando jogas contra um adversário
que te pode derrotar."


"Se queres conhecer alguém
que resolva as situações que te desagradam,
que possa trazer-te felicidade
apesar do que os outros dizem ou acreditam,
olha-te ao espelho e diz esta palavra mágica:
«Olá.»"


"A melhor maneira de evitar
a responsabilidade é dizer:
«Tenho responsabilidades.»"

"Evita problemas
e nunca serás aquele que os resolveu."

"Quando aprenderás
a esperar o que não podes imaginar
que vai acontecer?"


"Nunca te é dado um desejo
sem também te ser dado o poder
de o realizares.
Contudo, poderás ter de lutar por isso."


"Um modo de escolher um futuro é acreditar
que é inevitável."


"A fim de viveres livre e feliz
tens de sacrificar o tédio.
E isso nem sempre é um sacrifício
simples."


Feliz Ano Novo. Um dia de cada vez.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Procura-se

Tolerância de ponto. Foi vista pela última vez no passado dia 26 de Dezembro. Mostrava sinais de cansaço e náusea, derivados provavelmente dos excessos alimentares das noites anteriores.

Correm rumores de ter sido novamente avistada hoje, para os lados da Câmara Municipal de Lisboa. Pede-se a quem a encontrar que não seja garganeiro e extenda o seu âmbito ao maior número de funcionários públicos possível.

Caso seja atribuída, oferece-se jantar de fim-de-ano preparado com toda a calma, com mais garantias de sucesso, permitindo inclusive fazer as compras todas sem andar no meio da carneirada.

Aguardaremos notícias até às 12h30 de hoje. Muito obrigado. É tudo.

Primeira injustiça de 2006

Alguns funcionários públicos deste País tiveram tolerância de ponto, hoje.

Outros não.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

terça-feira, dezembro 27, 2005

Day after

Então, o Natal? Ah e tal, passou-se. O importante é estar junto da família, não é? Sim, sim, isso é o mais importante. Jantar com a família, trocar prendas com a família, almoçar no dia seguinte com a família, tentar equilibrar os diferentes jogos de forças que existem entre os vários membros da família, ouvir as lamentações e os mesmos comentários de sempre da família, manter a calma e a serenidade perante crises de infantilidade dos elementos mais velhos da família...

Se calhar é por isso que nos enchemos de comida até ao esófago, no Natal. É para tentar afogar as frustrações que sempre acompanham esta noite, tão plena de amor e de paz.

Comi demais, como sempre. Estou com uma overdose familiar.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Feliz Natal

Presépio de Lata
Carlos Tê / Rui Veloso

"Três estrelas de alumínio
A luzir num céu de querosene
Um bêbedo julgando-se césar
Faz um discurso solene

Sombras chinesas nas ruas
Esmeram-se aranhas nas teias
Impacientam-se gazuas
Corre o cavalo nas veias

Há uma luz branca na barraca
Lá dentro uma sagrada família
À porta um velho pneu com terra
Onde cresce uma buganvília

É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells,

Oiçam um choro de criança
Será branca negra ou mulata
Toquem as trompas da esperança
E assentem bem qual a data

A lua leva a boa nova
Aos arrabaldes mais distantes
Avisa os pastores sem tecto
Tristes reis magos errantes
E vem um sol de chapa fina
Subindo a anunciar o dia
Dois anjinhos de cartolina
Vão cantando aleluia

É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells,

Nasceu enfim o menino
Foi posto aqui à falsa fé
A mãe deixou-o sozinho
E o pai não se sabe quem é

É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells"

Definitivamente...

Isto não presta para nada. E isto então, até mete nojo.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Exm.º Sr. Querido Pai Natal

Venho por este meio, já que pelos vistos toda a gente faz isto, e não é que eu ache que um indivíduo vestido de vermelho, com umas barbas brancas, aparentando uma idade já avançada, mais apropriada para estar em casa sossegadinho com uma manta pelos joelhos, ou quando muito para concorrer a Presidente da República, do que para andar por aí a aparecer na casa das pessoas todas numa única noite, ele sempre há gente muita bisbilhoteira, credo, e que não contente com isto, ultimamente até se pendura nas varandas a torto e a direito montes de tempo antes do Natal, dizia eu, não é que eu ache possível que V.ª Ex.ª tenha condições de me presentear com o que passo a expor, mas não vá o diabo tecê-las, também afinal pedir não custa, e vai na volta ainda resulta, solicitar estas duas singelas prendas de Natal:

Prenda n.º 1: Um comprador para a minha humilde casinha, que eu estou bem farta dela e do sítio onde ela está, e eu queria duma vez por todas vendê-la, para poder comprar outra maior e mais bonita e num sítio mais catita.

Prenda n.º 2: Um novo posto de trabalho, de preferência noutro local e numa área um bocadinho diferente do que este em que me encontro actualmente, que estou a precisar à brava de mudar de ares, e já agora, se não for pedir muito, inclusive tendo em consideração o solicitado na prenda n.º 1, a receber um ordenado mais elevado que o actual.

Era isto. Obrigadinha pela atenção. Pede deferimento,
blimunda sete luas

P.S.: Eu quero mesmo muito estas coisas. Por isso, Sr. Querido Pai Natal, estou disponível para negociar as contrapartidas que considerar necessárias, inclusive eventuais favores sexuais, isto claro no limite do razoável, ou seja, só o senhor, sem renas nem duendes à mistura, que eu sou uma rapariga séria e não quero cá badalhoquices com animais ou outras criaturas. Que eu não condeno nada dessas coisas, atenção, desde que todos queiram, o que é preciso é que as pessoas sejam felizes. Um Santo Natal para si e para os seus.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Canção de alterne

"Pára de chorar
E dizer que nunca mais vais ser feliz
Não há ninguém a conspirar
Para fazer destinos
Negros de raiz
Pára de chorar
Não ligues a quem diz
Que há nos astros o poder
De marcar alguém
Só por prazer
Por isso pára de chorar
Carrega no batom
Abusa do verniz
Põe os pontos nos Is
Nem Deus tem o dom
De escolher quem vai ser feliz

Pára de sorrir
E exibir a tua felicidade
Só por leviandade
Se pode sorrir assim
Num estado de graça
Que até ofende quem passa
Como se não haja queda
No Universo
E a vida seja moeda
Sem reverso
Por isso pára de sorrir
Não abuses dessa hora
Ela pode atrair
O ciúme e a inveja
Tu não perdes pela demora
E a seguir tudo se evapora"

Rui Veloso/Carlos Tê
A Espuma das Canções

domingo, dezembro 18, 2005

Mais duas, mais uma... Agora a outra perna!...

Tenho uma monitora de hidroginástica nova, que me dá aulas todos os Domingos, às nove da manhã.

Cheguei hoje à conclusão que a rapariga, para além do curso de monitora de hidroginástica que deve ser normal tirar-se, tirou uma especialização qualquer em "movimentos musculares subaquáticos equivalentes a processos de tortura"...

Livra!...

PS: Está mesmo tudo doido com o Natal. Vinha eu desta minha actividade física, passando de carro, e eu nem queria acreditar, mas juro que não é mentira, juro que vi isto, um tipo a fazer jogging, com um barrete de Pai Natal enfiado pela cabeça abaixo!!

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Vencedor absoluto do prémio "Já vais tarde e a más horas"

Para este senhor.

Adeus, e se quiser um queijo da serra vá comprá-lo, que o dinheiro da indemnização deve chegar e sobrar.

A minha primeira festa do croquete com gente que sai nas revistas


Fui parar ontem à tarde a uma singela cerimónia de apresentação de uma artista, e pude estar ali, a minha própria pessoa, em convivência com algumas das figuras que costumam sair nas revistas, a dizerem coisas para eu me entreter enquanto bebo o meu cafezinho e preciso de qualquer coisa para ler que me descanse o cérebro.

Enfim, agora não fiquem a pensar que era assim uma coisa com muita VIPalhada. O Castelo Branco não estava lá, a Lili Caneças também não, ou seja, era uma festa do croquete sem dúvida, mas não era uma festa do croquete a que se possa chamar de profissional. Cada macaco no seu galho, que o respeitinho é muito bonito. Quando eu digo VIP's, quero dizer que estavam para lá uns comediantes e uns apresentadores de televisão, uns radialistas muito intermitentes, umas actrizes de telenovela, enfim, malta que no ranking dos VIP's deve estar uns lugarezitos cá mais para baixo. Assim tipo, uns VIP's de baixa cotação, os melhorzinhos que se puderam arranjar para a ocasião, enfim...

Pois meus amigos, aprendi muitas coisas naquele tempo que lá passei. Altamente pedagógico. Fiquei a saber que tudo o que os tipos dizem enquanto estão a ser fotografados para as revistas é "ok, vamos lá então a rir com um ar muito natural, e fazer de conta que estamos práqui a conviver uns com os outros e a tagarelar, e que nem estamos a reparar que estamos a ser fotografados, eh eh eh". Ah! E tenho agora a prova provada que não vale a pena ler os textos das revistas. Só lá vão os fotógrafos tirar o boneco, o texto deve ser todo inventado com o cu bem assente à secretária. Jornalista, não vi nenhum. Só se estivesse camuflado de pessoa normal, tal como eu.

Mas vi outras coisas. Vi que famoso que é famoso, às vezes também fica sozinho. E também se encosta à parede com ar circunspecto a pensar "Bolas, ninguém fala comigo, ninguém me liga nenhuma... Ninguém me pergunta o que é que eu tenho! E agora?...".

Em festa de gente importante come-se de pé. A sopa vem em copos de whiskey. Não há guardanapos, porque o glamour é tanto que a malta come sem sujar as mãos. São pessoas muito talentosas que conseguem, em simultâneo, segurar o prato da comida, um copo de vinho ou outra bebida a gosto, o casaco, a mala (no caso das senhoras), e mesmo assim sorrir e ter conversas muito interessantes e divertidas. Já vos disse que esteve tudo de pé, horas a fio? E aquela gente sempre impecável, são mesmo admiráveis! Já eu, que sou uma reles criatura, a esta hora ainda me doem os pés e as costas... Por causa disto tudo é que o mundo do espectáculo não é para mim... Eu muitas horas em pé não maguento... E quando cheguei a casa tinha um buraco na meia, no dedo grande do pé, que me estava a deixar doida...

Mas não me interpretem mal. A artista é uma boa artista. E acima de tudo é uma pessoa cumadeveser. Com um modo de sorrir que não é artificial, não se põe com parvoíces, trata a malta toda da mesma forma, e por isso é que a gente depois gosta dela e coiso. Dela e dos outros VIP's que a rodeavam ontem, que pelos vistos grande parte deles também sofrem desta coisa esquisita que não é costume dar aos famosos. Essa coisa, de se acharem pessoas normais, de se apresentarem com uma humildade genuína (e não postiça), e não incharem perante o enorme talento, que por acaso efectivamente têm.

VIP's de segunda, portanto... Alguns deles até se dão ao trabalho de virem aqui a esta espelunca meter o nariz!! Corja!...

Vamos todos pensar nisto, sim?...

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Dezembro

Olhou o calendário e sorriu ao mês de Dezembro.

Com relativa surpresa, apercebeu-se que pela primeira vez, em muitos anos, a chegada deste mês não trazia consigo a sombra do que devia ser e não era.

Era simplesmente Dezembro, sem o peso de mais um ano caído em cima dos anteriores. Sem as lágrimas de ter pena de si mesma. Sem o virar da cara à alegria dos outros, visão insuportável perante o próprio vazio que se instalara dentro de si.

Lenta e dolorosa foi a jornada que providenciou o regresso à superfície, que até à infelicidade somos capazes de nos habituar e conformar. Enfim, emergiu. Inspirou. Inspirou-se.

Recebeu o mês de Dezembro com a leveza de quem não teme nem deve. Fortalecida pelas amizades sinceras. Aquecida pela troca dos afectos.

De bem com o mundo, reparou que têm estado uns dias de sol maravilhosos. Vem aí um ano novo. Finalmente. É Natal.

terça-feira, dezembro 06, 2005

Últimos dias...

... de férias antes do final do ano.

Para descansar mais um bocadinho. Para as compras de Natal que ainda não estão resolvidas. Para dormir até tarde e limpar a casa cumadeveser.

Para ver se duma vez por todas acabo um texto que já ando a enrolar há tempo a mais, que eu sou a coisa mais preguiçosa para escrever que existe à face da terra (e enquanto escrevo isto sei que isto não vou ver, mas enfim...).

Isto daqui até ao final do ano é um pulo...

domingo, dezembro 04, 2005

O amor acontece

“O Amor Acontece” é um filme que já estava cá em casa há um tempo, à espera de ser visto. Foi hoje e serviu de bálsamo espiritual, num dia em que nem tudo foram rosas. Uma comédia romântica e bolo de chocolate foi a terapêutica certa que me deixou “sintonizada” para o bem, em vez do mal.

Constato que sempre existirá pobreza de espírito e mesquinhez por todo o lado. Coisas que são o que são, e valem o que valem. Encolho os ombros. Concentro-me no amor que acontece.

A quem cedeu o filme, a quem cozinhou o bolo, os meus agradecimentos. Não há acasos.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Um feriado é uma coisa maravilhosa

Fim de tarde. Chuva. Frio.
Sofá. Manta. Aquecedor.
Harry Potter.
Há dias em que o melhor que nos pode acontecer é usufruir de grandes prazeres proporcionados por coisas pequenas...

terça-feira, novembro 29, 2005

Dia do quê?!

Veio parar às minhas mãos certa publicação em forma de Agenda para 2006, onde consta tudo o que é Dia Mundial, Internacional, Europeu, ou simplesmente dia-de-qualquer-coisa. Não sei se sou eu que acordei hoje com uma certa vontade de embirrar, mas há pr’áqui coisas (e eu só seleccionei algumas, atenção!), que me parecem um bocado bizarras. Senão, vejamos:

Dia Mundial para a Protecção da Camada do Ozono – 16 de Setembro
Dia Mundial do Mar – 17 de Março
Dia Mundial da Terra – 22 de Abril
Dia Internacional do Sol – 03 de Maio
(É bonito. Há um dia para todos os elementos, ar, água, terra e fogo. Muito místico. Gosto.)

Dia Mundial da População – 16 de Julho
Dia Mundial do Habitat – 04 de Outubro
(Esperem. Expliquem-me lá isto como se eu fosse muito burra…)

Dia Mundial da Meteorologia – 23 de Março
Dia Mundial da Luta contra a Seca e o Despovoamento – 17 de Junho
(Ehr… É caso para dizer que se de um lado chove, do outro faz vento.)

Dia Mundial do Turismo – 27 de Setembro
Dia do Turista – 20 de Abril
(Então, mas, mas… Se já havia um dia do turismo, porque é que tem que haver um dia do turista? E quem é que faz turismo em Abril, pelamordedeus…)

Dia Nacional dos Avós – 26 de Julho
Dia Mundial do Idoso – 01 de Outubro
Dia Nacional da Terceira Idade – 26 de Outubro
(Isto agora já é um abuso. Então isto não se juntava tudo num dia só e ficavam despachados?...)

Dia Mundial dos Castelos – 09 de Outubro
Dia Mundial dos Centros Históricos – 28 de Março
Dia Nacional dos Moinhos – 07 de Abril
Dia Internacional dos Monumentos e dos Sítios – 19 de Abril
Dia do Relógio de Sol – 21 de Junho
(Esta malta dos museus deve ter a mania… E ainda falta o Dia Internacional dos Museus, que é a 18 de Maio. Xiça!!)

Dia Mundial dos Correios – 09 de Outubro
(Tá giro. E também devem estar para criar o dia mundial dos distribuidores de publicidade porta-a-porta não tarda mesmo nada.)

Dia Nacional da Desburocratização – 28 de Outubro
(AH! AH! AH!... Só mesmo em Portugal para se fazer um dia destes. É este e o dia nacional da fuga ao fisco!)

Dia da Qualidade de Vida – 14 de Novembro
(Eu até podia ter juntado este com o de cima, mas não vou por aí, não insistam…)

Dia Nacional da Cultura Científica – 24 de Novembro
(Tá bem. Mas é discriminatório. Então e as outras culturas, que não são científicas? Isto de certezinha que tem a ver com o choque tecnológico.)

Dia da Não Violência e da Paz nas Escolas – 30 de Janeiro
Dia Mundial das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão – 02 de Junho
Dia Internacional de Recordação da Escravatura e sua Abolição – 23 de Agosto
(Pronto, aqui as causas são umas boas causas, mas os termos em que estão ditas… Então só as crianças inocentes é que contam para aquele dia 02 de Junho? Então e a criança que perdeu a inocência? Já pode levar porrada à vontade? Muito estranho…)

Dia do Livro Português – 26 de Março
Dia do Autor Português – 22 de Maio
(Mania de se acharem mais que os outros, livra!...)

Dia Internacional da Luta contra a Droga – 02 de Abril
Dia Internacional Contra o Abuso do Uso da Droga e do Tráfico Ilícito – 26 de Junho
(Isto não é tudo o mesmo? Isto não é tudo o mesmo? Isto não é tud… Hã? Estou só a dizer a mesma cois... É para seguir em fr...? Ah, ok, prontos.)

Dia Mundial das Comunicações – 27 de Abril
Dia Internacional da Liberdade de Imprensa – 03 de Maio
Dia Mundial da Comunicação Social – 07 de Maio
(Estes jornalistas são uns exibicionistas!...)

Mas o que eu gostei mesmo, mesmo, que achei uma maravilha, uma verdadeira pérola foi esta coisa do arco da velha:

Dia Internacional dos Povos Autóctones – 09 de Agosto
(Auto quê?!! Mas será que não arranjavam uma maneira mais clara para dizer isto? Quem é que decide estas merdas?!... Oh, sinceramente…)

segunda-feira, novembro 28, 2005

Momento parvo do dia

Um pintelho num urinol não é coisa de estranhar.

Se fossem marcas de baton, aí sim, era caso para desconfiar.

Momento egoísta do dia

Fui a uma loja destas, e comprei-me o meu presente de Natal. Gastei um dinheirão. Não quero saber.

A mocinha da loja tratou-me super bem, à proporção do dinheirão que lá deixei. Deu-me um cabide. E uma capa impermeável para a roupa, porque está a chover, e o jeitão que aquilo me vai dar para arrumar coisas, depois.

Não interessa que eu ande desde o ano passado a ver se consigo ter dinheiro para isto. E que tenha que vigiar com muito cuidado as minhas despesas nos próximos tempos, e cortar-me a algumas coisas para compensar a despesa de hoje.

No fundo, no fundo, eu não passo de uma pelintra. Mas ao menos hoje, ao sair da loja de sacalhão na mão, sentia-me mesmo uma senhora!

sexta-feira, novembro 25, 2005

Os Homens do Leme

Fui a desejo, ao primeiro de todos. Um bom concerto, aliás, outra coisa não se esperava.

Enquanto lá estive, coisas muito diferentes me foram passando pela cabeça. As músicas iam-se sucedendo, e fosse da música, fosse dos cheiros esquisitos que de vez em quando se faziam sentir, dei comigo a reflectir uma vez mais no rumo que a minha vida tomou este ano, e que graças a circunstâncias muito pessoais, têm vindo afastar-me de uma fase árida, que já se arrastava há muito. Este rumo que hoje tomo vai fazendo de mim uma pessoa melhor.

Talvez por isso, mas também porque foi um momento muito bonito de ontem à noite, registam-se aqui estas sábias palavras.

"Sozinho na noite
Um barco ruma, para onde vai?
Uma luz no escuro
Brilha a direito, ofusca as demais

E mais que uma onda, mais que uma maré
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé
Mas vogando à vontade, rompendo a saudade
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme

E uma vontade de rir
Nasce no fundo do ser
E uma vontade de ir
Correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder

No fundo do mar
Jazem os outros, os que lá ficaram
Em dias cinzentos
Descanso eterno lá encontraram

E mais que uma onda, mais que uma maré
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé
Mas vogando à vontade, rompendo a saudade
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme

E uma vontade de rir
Nasce no fundo do ser
E uma vontade de ir
Correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder"

quinta-feira, novembro 24, 2005

Vieira do Mar

"No dia de Natal, muitos dos miúdos que, semanas antes, se encarrapitavam nos tais carrinhos de compras com ademanes autoritários, estão de olho fixo no ecrã da televisão, com as mãos agarradas a um comando, ocupados em passar para o nível treze do alheamento individual (que é o do estoumacagarpravocêstodos)."

É só um exemplo das coisas pertinentes e muito bem escritas, sempre, que podem ser encontradas aqui.

Pois...

Ando sem assunto

Preciso de um desbloqueador de conversa, é o que é...

quinta-feira, novembro 17, 2005

Prestar provas

Ontem de manhã, enquanto assistia à realização de provas de conhecimento de um concurso para a entrada na Função Pública, pus-me a pensar que já lá vão alguns anos desde o tempo em que eu própria estive "daquele lado".

Tive muita sorte. Entrei para os quadros sem grande esforço, e até sem ter grande consciência da importância que isso poderia ter na minha vida. Tinha 20 anos, fiquei em 22.º lugar no concurso. Naquela altura as carências de pessoal eram muitas, e ninguém falava em cortar despesas.

As minhas dificuldades vieram depois, também não perderam pela demora, e foi a pulso que me afirmei profissionalmente. Tive que prestar mais provas, de conhecimento e das outras, provas de profissionalismo, provas de carácter, provas de nervos, muitas vezes. Nada de especial, no fundo fiz-me à vida. E mais uma vez tive sorte. Os obstáculos foram muitos mas também houve quem me ajudasse a ultrapassá-los. A gente precisa sempre de alguém que nos ajude.

Olhando para trás, parece que esse tempo em que estava na mesma posição daqueles concorrentes de ontem, está a 300 anos-luz de distância. Hoje em dia ocupo o meu lugar confortavelmente, e sei que podia apenas instalar-me e deixar o tempo passar, usufruir do que conquistei. Mas não dá.

Quem aos 20 anos me ensinou a trabalhar, sempre disse umas palavras sábias de "puta velha" (no bom sentido). Dizia ela, faças o que fizeres, não calces as pantufas, que é como quem diz, parar é morrer. Com apenas 13 anos de carreira, longe de mim a ideia de calçar as pantufas. Quero mais, posso mais, preciso de mais. E por causa disso, vejo-me novamente num qualquer ponto de partida, que felizmente não é já nenhum dos que já passei, mas outro.

Tenho tido sorte. Espero continuar a tê-la. E gente para me ajudar. Afinal não estou num plano assim tão diferente das pessoas que prestaram provas ontem, cá ando a fazer pela vida, que por enquanto ainda é cedo para calçar as pantufas.

PS: É muito triste, por outro lado, saber que daquele grupo de concorrentes só podemos escolher um. E saber que se viessem 2 ou 3 havia trabalho para todos. Fico a perguntar-me que mais-valias teríamos, em termos de serviço, que resultados poderíamos obter se escolhêssemos, não o melhor, mas os 3 melhores, para virem trabalhar connosco. Se pudesse ser assim em todo o lado. Será que os níveis de desenvolvimento que obtínhamos não compensariam o acréscimo da despesa pública?...

terça-feira, novembro 15, 2005

Ai, estes canais generalistas...

Na semana passada estreou "O Sexo e a Cidade" na SIC, um conjunto de episódios novos, que ainda nunca passaram na televisão cá em Portugal, e aos quais apenas se tinha acesso largando balúrdios de dinheiro na fnac, a comprar os dvd's. Estreou às 00h20.

Hoje, dois novos episódios, lá pela 01h05 da manhã. Primeiro, programas realmente interessantes, os "Malucos", a novela "América" versão de metro, que hoje casa não-sei-quem, e depois ainda mais outra da Lua não sei quê.

Eu estava desejosa de ver aqueles episódios, mas não dá, claro. Se já na semana passada não me aguentei para ver aquilo, quanto mais hoje...

Ó senhores da SIC! A malta trabalha, sabiam?! A gente levanta-se cedo!! Se não fosse pedir muito, lá de vez em quando, gostava de ver um programita do meu agrado a horas decentes! Será que é um grande incómodo pensar um bocadinho noutro target para além da carneirada??!!

Palhaços, pá...

sábado, novembro 12, 2005

As Intermitências da Morte

É um livro que confirma o que já se vem verificando nos livros anteriores de José Saramago. Do meu modestou ponto de vista, a última obra de génio do mestre, até esta data, foi O Ensaio Sobre a Cegueira.

Este livro é muitíssimo interessante. Acho inquestionável que por trás do autor que criou a obra, está um homem que, pelos anos de vida que já conta, pelo seu modo de ser pragmático e descrente noutra vida que não seja esta em que vivemos, certamente vai pensando cada vez mais na inevitável morte que o espera. É curioso que tenha acabado com ela no final do livro, redimindo-a, se assim se pode dizer, e fazendo com que mais ninguém morra. Se calhar encerra-se aí o seu desejo mais profundo, que é o de todos nós, o de que os dias vão passando, um atrás dos outros, e a morte nunca nos bata à porta, porque por mais que aceitemos as evidências da física, da biologia, da experiência empírica, olhamos para dentro e sempre pensamos que não, que a morte não é para nós. Esmagados pela lógica, muitas vezes substituímos essa negação da mortalidade com um simples "ainda é cedo". Acho que é nessa fase que se encontra o nosso Saramago, que faz 83 anos no dia 16 deste mês.

Mas por outro lado, As Intermitências da Morte é novamente uma decepção. Ficam tantas pontas soltas pelo caminho, tantas ideias que podiam ser melhor exploradas e que são abandonadas à sua sorte, tantas questões relevantes apresentadas de forma inconsistente, a precisarem de serem esmiuçadas, esgravatadas até ao seu âmago, doa a quem doer. Foi a isso que ele me habituou nos seus livros, e foi com esses livros que eu deixei de ser o que era, para passar a ser outra coisa diferente. Este livro, tal como os anteriores, deixam-me na mesma, e tenho pena.

Não sei porque é. Se calhar, é apenas o facto de nenhum génio da literatura conseguir produzir sempre obras de génio. Sendo génios da literatura, não deixam de ser também simples homens e mulheres, com tudo o que isso tem de bom e de mau. Será velhice? Será falta de paciência, falta de vontade, falta de tempo, será o quê? Se calhar nem interessa saber. O património cultural que este homem concedeu ao nosso País e ao Mundo é já por demais digno dos nossos agradecimentos. Se já não cria mais obras de génio paciência, a isso não está obrigado.

Muitos não concordarão com o que aqui deixo escrito. Muitos detestam o José Saramago e não compreendem sequer como alguém pode gostar de ler aqueles livros mal escritos, sem pontuação, intragáveis na forma e no conteúdo, quanto mais considerá-lo um génio da literatura! Para essas pessoas, o meu respeito. Há muitos escritores de excelência que eu não consigo ler.
Quanto ao Saramago, que já não é hoje o Saramago do Ensaio sobre a Cegueira, que não era o Saramago do Evangelho Segundo Jesus Cristo, que por sua vez não tem nada a ver com o Saramago do Memorial do convento, que estava já a anos-luz do Saramago do Levantado do Chão, sempre que tenha alguma coisa para dar a ler eu cá estarei, mesmo que os livros que agora me chegam às mãos já pouco tenham a ver com a Blimunda em que os seus outros livros me tornaram.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Pilha de limão??

Pronto. Gente com necessidades algo caricatas começa a vir cá parar.

Teoria da relatividade

"Bom dia, doutora", disseram-me respeitosamente no corredor, enquanto eu me dirigia apressada para a casa-de-banho, a fim de satisfazer a necessidade fisiológica número dois.