sábado, julho 15, 2006

É calor a mais

Aqui estou eu. Tudo fechado em casa e às escuras, mas o sol vai bater em cheio na cozinha e na varanda até aí às 20h15. Ventoinha a funcionar na sala, outra no quarto. Cueca e soutien, não se aguenta mais nada em cima da pele.

Era suposto limpar a cozinha no fim-de-semana. E também há roupa para lavar que até não implica assim tanto esforço, mas mesmo assim, ainda nem me cheguei lá ao pé. Enquanto estiver por lavar não se estende, não seca, e não tem que se passar a ferro.

De resto é esperar escondida, no que tenho de mais parecido com uma toca, que este tempo horrível se vá embora. Palavra de honra que não percebo as pessoas que gostam de calor. Para mim, de 30 a 35 graus de máxima já é desagradável. Quando ultrapassa isso, é uma calamidade.

sexta-feira, julho 14, 2006

Não gosto

De fazer telefonemas de enfiada, para um monte de sítios diferentes, sempre a dizer a mesma coisa.

É chatinho.

quinta-feira, julho 13, 2006

Favas com chouriço

Quem mais?

PS: Por acaso, não gosto de favas. Agora, se em vez de favas forem ervilhas, com o chouriço sim senhor e uns ovos escalfados, aí sim!...

terça-feira, julho 11, 2006

Senhor Primeiro Ministro, eu também quero

Venho por este meio propor a V.ª Ex.ª que, tendo em conta o massivo apoio que os portugueses prestaram à nossa Selecção durante o Mundial de Futebol, o Estado atribua um prémio de participação a todos estes cidadãos.

Considero que esta medida seria um justo reconhecimento da capacidade de mobilização dos portugueses, os quais contribuiram de forma significativa para a divulgação e prestígio do País, especialmente numa prova desportiva de tão elevado nível competitivo.

Face ao exposto, proponho a imediata isenção de IRS no ano de 2006 a todos os portugueses que tenham cumprido com pelo menos um dos seguintes requisitos:

- Colocação de Bandeira Nacional à janela;

- Presença no Estádio Nacional aquando da formação de "a mais bela bandeira do mundo", facto que inclusive deu direito à inclusão do nosso País nesse baluarte da cultura ocidental que é o Guinness Book of Records;

- Reacções do tipo "Ahhhh!....", "Nãããooooo!...", "F......!...", "Vai-te lixar, pá!", "Yes! Yes!", que reflectem uma enorme capacidade de entrega e de sofrimento durante todos os jogos, inclusive naqueles em que a gente levou valentes cabazadas (especialmente nesses);

- Saída para a rua no final de cada jogo em que a Selecção se consagrou vitoriosa, consumindo combustível e desgastando buzinas de automóvel, com especial referência a todos quantos conseguiram subir à estátua do Marquês de Pombal sem caírem de lá abaixo, isto em condições físicas particulamente difíceis, tendo em conta o teor alcoólico no sangue;

- Deslocação ao Aeroporto de Lisboa para receber em delírio todos os jogadores, ou em alternativa, paragem na 2.ª Circular para lhes dizer adeus e mandar beijos, e de um modo geral ao longo de todo o percurso.

- Deslocação ao Estádio Nacional para participar na festa que recebeu toda a comitiva, mais uma vez em condições excepcionalmente difíceis, face ao calor que se fazia sentir e à presença de Roberto Leal no Estádio para cantar o Hino Nacional.

Certa de que este pedido de isenção será atendido, e tendo em conta que toda a Selecção foi também obrigada a ouvir Roberto Leal a cantar o Hino Nacional depois de várias semanas de grande desgaste físico, aproveito esta oportunidade para manifestar o meu apoio ao pedido da Federação Portuguesa de Futebol, para que todos os jogadores da Selecção vejam os seus prémios de jogo do Mundial isentos de IRS. Tal como nós, eles também merecem.

Ao dispor de V.ª Ex.ª
Pede deferimento
Blimunda Sete Luas

quarta-feira, julho 05, 2006

Lost

É um vício desgraçado. Já comprei a primeira série e passei os últimos dias de férias a ver aquilo tudo outra vez.

Entretanto, acompanho sofregamente os episódios que vão passando na RTP, aos Domingos. E ontem não resisti. Fui ler os resumos todos até ao final da segunda série. :-)

Para os demais viciados, fica o link.

Entretanto, verifico o seguinte: a famosa série de números é 4-8-15-16-23-42.
O voo da Oceanic é o 815.
Foram 48, os sobreviventes na primeira série.
Somando o total de episódios da primeira série (25) e da segunda (23), dá um total de 48.
Quando se inicia a segunda série, passaram-se 48 dias na ilha.
A tecla tem que ser premida a cada 108 minutos*, ou seja, uma hora e 48 minutos.

E ainda:
Quantos são os sobreviventes na outra parte da ilha, no início da segunda série? 23, não é?O prémio para quem denunciasse a Kate, era de 23 mil dólares.
A Danielle Rousseau está na ilha há 16 anos.

... Acho que tenho que parar de pensar nisto... Não há dúvida que o ócio faz mal à cabeça das pessoas...

* PS: E se somarmos os números 4+8+15+16+23+42, o resultado é... 108!

sábado, julho 01, 2006

Apre!!!

Raios partam os Ingleses. Mas será possível que tenham sempre que ser uns bifes assim tão duros de roer? A sério, quando o jogo acabou estava completamente de rastos.

Ainda bem que eu não gosto de Futebol.

quinta-feira, junho 29, 2006

Apercebi-me agora

Que esta choça já fez um ano de existência.

Devo reconhecer que me espanta um bocado hoje em dia, olhar ali para o contador do lado direito e ver quantos?... 12.381?... Eh pá, muito e muito obrigada. A sério. Sejam bem vindos.

quarta-feira, junho 28, 2006

Regresso a casa

É muito bom ir. E estar por lá. Sentir os dias a passar a cem à hora, tão depressa cá chegámos, já está na hora de ir embora. É mesmo assim, e talvez por isso, por serem poucos, os dias se tornem ainda mais preciosos.

Mas a minha casa. Abrir a porta e sentir o meu próprio cheiro no ar. A luz dourada que sempre aparece ao meio da tarde, quando bate o sol nas janelas da frente. Sentar-me no meu sofá para abrir a correspondência. Tenho a cama feita de lavado. Hum...

sábado, junho 17, 2006

Há algum médico na sala?...

Se há, poderá por favor dizer-me o que é que estes medicamentos têm em comum, para além do facto de eu ser alérgica a eles todos?
  • Betadine
  • Clavamox
  • Flagyl
  • Baciginal Oral
Ando cá desconfiada do Estearato de Magnésio. Mas por outro lado, essa substância está presente no Atarax e no Xyzal, anti-alérgicos que se tornaram nos meus amiguinhos de todos os dias, para ver se eu, em vez de morrer das doenças, não morro das curas.

A quem deslindar o mistério, darei de bom grado um prémio de valor considerável, nomeadamente um rebobinador de cassetes VHS que assim escusava de ficar à espera da próxima quermesse, e uma centrifugadora Moulinex que faz uns sumos maravilhosos, pelo menos da última vez que foi ligada, há coisa de dez anos atrás, funcionou que foi uma maravilha!...

segunda-feira, junho 12, 2006

Haverá vida para além do Mundial?

Acho que muito pouca gente em Portugal saberá responder a isto hoje.

Houve um terramoto onde? E já agora, como está a situação em Timor? Sei que os GNR's de lá estiveram a ver o jogo, que para esta reportagem importantíssima esteve de serviço um profissional da comunicação social em directo, para nos falar disto de imediato. De resto, o que é que eles lá andam a fazer, se morrem ou levam tiros, isso agora não interessa para nada. A maternidade de Elvas fecha ou não fecha? Como estão os preços dos combustíveis? E os profissionais da fábrica da Azambuja, vão todos para o desemprego ou não?

Que eu também vi o jogo ontem, atenção. E tenciono ver os outros, desde que tenha oportunidade e tal.

Mas é um verdadeiro enjoo o que as nossas televisões, principalmente a SIC e a RTP, têm estado a fazer em torno do Mundial. Durante o jornal da noite de ontem, que durou duas horas (!), entre as 18h00 e as 20h00, houve uma única notícia: o Mundial de Futebol. Não se passa mais nada, nem no País, nem no Mundo, pelos vistos.

É um disparate e um exagero. E fazendo uso de uma palavra muito recorrente nas ideologias comunistas, o que não é o caso, é uma alienação. Na medida em que alienação é o mesmo que ter a consciência entre parêntesis.

terça-feira, junho 06, 2006

Ajude-me, diga-me o que fazer

Às vezes vêm ter comigo e pedem-me isto. Sinal de confiança e de respeito que me valoriza, sem dúvida, mas que traz também consigo a responsabilidade, essa coisa que se instala nos nossos ombros com todo o seu peso, e que nem sequer se pode sacudir assim sem mais nem menos, porque se o fizermos, é vê-la a cair e a magoar os que estão à nossa volta a pedir, ajude-me, diga-me o que fazer.

E quando não há resposta para esta pergunta? E quando a única maneira de se ser responsável
é dizer honestamente, não sei, está por sua conta. Esse peso, não o posso carregar eu.

E que posso eu fazer quando me calha a mim formular esta mesma pergunta? A quem é que eu peço ajuda, quando não sei o que fazer?

Quanto mais se sobe até ao cume da montanha, menos oxigénio existe para se respirar à vontade.

sábado, junho 03, 2006

Isto sim, é um filme de jeito



Enquanto anda tudo entretido com "O Código Da Vinci", "The World's Fastest Indian" está a passar ao lado de muita gente.

Em Lisboa só está em três salas: Alvaláxia, Colombo e El Corte Inglés. No Colombo está numa sala que deve ser das mais pequenas, e diga-se em abono da verdade que nem dez pessoas se juntaram para ver aquilo, ontem à noite.

Mas é muito giro. Uma história verídica bem aproveitada para combater alguns preconceitos contra a terceira idade. Existe muito aquela ideia de que ser-se velho é o mesmo que deixar de ter sonhos, projectos, ou vida sexual. E na verdade, se é certo que um corpo envelhecido necessariamente irá limitar-nos, isso não quer dizer que a nossa cabeça vá pelo mesmo caminho.
Anthony Hopkins está soberbo, como sempre. Vão depressa, antes que saia de cartaz.

sexta-feira, junho 02, 2006

Um dia normal de trabalho

Atrás de tempo, tempo vem.

Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe.

E ainda, sem ser provérbio mas que podia ser, do grande José Saramago:

"Aquilo que me pertence por direito, naturalmente me virá parar às mãos".

Desde o início deste ano, têm-me sucedido coisas em contexto de trabalho que chegam a ser inomináveis. Estou capaz de me propôr para a lista de excedentários da Função Pública...

segunda-feira, maio 29, 2006

Da Vinci


Fui ver o filme sem grande expectativa. De moldes que a decepção não chegou a existir. O que falha no filme, a meu ver, é aquilo que falha no livro, que é uma tentativa algo patética de fazer uma trama policial atractiva, e a verdade é que aquela narrativa não tem pés nem cabeça. Onde não é incongruente, é previsível. E o filme vai por arrasto. É fraquinho. São fraquinhos.

Aquilo que realmente me interessa é a análise deste fresco do Da Vinci. Para mim, que sempre encarei "A Última Ceia" como o quadro perfeito para colocar a enfeitar a despensa, ler e ver agora no filme todas as interpretações possíveis de fazer a esta imagem, isso sim é que me deixa com os neurónios aos saltos.

Eu não sei se Jesus deixou descendência ou não, nem ninguém pode afirmar, com certezas, seja o que for que confirme ou desminta essa possibilidade. Agora, olhando para esta imagem, não tenho a menor dúvida que à direita do Senhor, senta-se uma mulher. E que aquele "V" entre as duas figuras não é inocente. Como também não o é a mão que emerge junto à mesa, abaixo de Pedro empunhando uma faca e que pertence, basicamente a... ninguém. E que Pedro faz um gesto agressivo ao pescoço da figura feminina, como se quisesse ver aquela cabeça cortada. E que Jesus e a figura à sua direita estão vestidos a fazer "pendant", ele de vermelho e azul, ela de azul e vermelho... Além disso, que melhor vaso para conter o sangue de Jesus, senão o vaso do ventre de uma mulher?...

Acho que é neste despertar de consciências que reside todo o mérito de "O Código Da Vinci". Que o próprio Da Vinci teve alguma intenção com tudo isto, sem dúvida alguma. Se calhar queria apenas gozar com os dogmas que lhe impunham, mas todos sabemos que a ironia e o humor são óptimas armas para acordar os espíritos.

Sinceramente... Alguém ainda acha que a vida de Jesus se passou tal e qual como é contada pelos Evangelhos do Novo Testamento? Hein?... Acham?... Que pessoas tão piedosas que sedes todos vozes... Abençoados sejam...

sábado, maio 27, 2006

Bandeiras

Cada um com a sua.

Hoje olhei para a varanda de um vizinho e lá estava ela, mais uma bandeira pendurada da varanda, exibindo o que vai no coração das gentes daquela casa.

A marcar a sua presença, que em Portugal o Mundial não se faz só de verde e vermelho, lá está ela, a bandeira da Selecção de Angola.

domingo, maio 21, 2006

Má-criação em directo na SIC

Acabei de assistir a mais uma pérola de patriotismo na nossa televisão. Numa altura em que se procura exaltar tanto aquilo que é Português, a fadista Mariza começa a sua actuação na Gala dos Globos de Ouro e toca de cortar o pio a uma das cantoras mais talentosas do nosso País, e isto para entrar o quê? A publicidade, pois claro.

Será que vão fazer o mesmo à mocinha cujo nome agora não me lembro e que vai cantar o "first day of my life"? Não me parece...

Estragaram tudo. Aquilo até estava giro, e tal. Mas isto é falta de educação. Borraram a pintura toda.

quinta-feira, maio 18, 2006

Parece mentira, mas não é

Palavras não eram ditas, e pelos vistos mais valia ter estado calada, o carro avariou. Ontem. O que soma mais um aos filhos da &%#"?=, mais o &$»?/&#$ dos azares que me vêem sucedendo desde o início do ano.

E depois, a mística dos números. Por uma razão qualquer que desconheço, há uns tantos números sempre presentes, e sempre determinantes na minha vida, um assunto que um dia destes vou abordar com mais pormenor. É o caso do número 17. A cada dia 17, sempre acontece algo marcante, quase sempre para o bem, algumas vezes para o mal. Ontem foi dia 17 e aconteceram várias coisas, se calhar umas boas e outras manifestamente más, como foi o caso do carro.

E quanto se acende luz avisadora que indica que algo não vai bem, o que é que se faz? Vai-se ao livro de instruções ver o que é aquilo. A luz que acendeu correspondia a que número? Número 17, pois claro. Não podia ser outro.

segunda-feira, maio 15, 2006

As escolhas de Scolari

Então, parece que ficámos hoje a saber quem vai representar-nos no Mundial de Futebol. E que o Scolari já escolheu, e tal. Muito se tem dito sobre os critérios de selecção mas eu devo dizer que, na minha opinião, faltou ao Mister um critério absolutamente essencial, que é o critério estético. E assim, não vamos a lado nenhum no Futebol. Estamos perante um conjunto de seleccionados muito irregular, com homens verdadeiramente bonitos, outros em que a gente faz de conta que não vê a cara em nome das pernas e do... enfim, do resto, mas depois temos outros que pelamordedeus, que é aquilo.

Passo a explicar.

Guarda-redes:
Ricardo (Sporting). Eu acho que ele é giro. Jeitoso. Por mim, foi bem escolhido. Um grande guarda-redes.

Quim (Benfica). Também lhe acho piada. Não é tão bonito quanto o Ricardo, e sem dúvida que o Vítor Baía fazia uma falta enorme a esta Selecção, porque é de longe o mais lindo deles todos. Para mim, a falta do Baía é a primeira grande falha do Mister. Com todo o respeito.

Bruno Vale (Estrela da Amadora). Começou o disparte. Favor ver acima argumentação a favor de Vítor Baía

Defesas:
Miguel (Valência). Este moço é muito giro. Excelente defesa. Muito bem escolhido.

Paulo Ferreira (Chelsea). Tem cara de beto, mas está bem. Despenteado, com a barba por fazer, podia ser que marchasse.

Ricardo Carvalho (Chelsea). Ehrrr... Este rapaz é feio, peço imensa desculpa. Não pode ser.

Fernando Meira (Estugarda). Conheço mal, e as fotos não ajudam. Mas quer-me cá parecer que está aqui outro grande disparate...

Ricardo Costa (FC Porto). Estou a ver que tenho mesmo que chamar o Mister à razão, este grupo de defesas, mas o que é isto?...

Caneira (Sporting). Sem comentários.

Nuno Valente (Everton). Eh pá, se não forem os avançados que nos safem... Falta muito para chegar ao Figo?...

Médios:
Costinha (Dínamo de Moscovo). AAARGHHH!!!....

Petit (Benfica). Até que enfim, uma cara conhecida. Tem a sua piada. Mas eu, na verdade, tenho uns gostos às vezes meio esquisitos.

Maniche (Chelsea). Eh pá, por favor. Mas onde é que este homem estava com a cabeça...

Tiago (Lyon). É engraçado. Pode ficar.

Deco (FC Barcelona). Muito giro. Sim senhor. Percebe-se perfeitamente que esteja na Selecção.

Hugo Viana (Valência). Hum... Nunca tinha reparado neste... Não me parece nada mal...

Avançados:
Figo (Inter de Milão). Como o próprio nome indica. (suspiro). (suspiro mais prolongado). Adiante.

Cristiano Ronaldo (Manchester United). Há quem o ache giro. Eu cá não acho. E já agora, para que é que esta malta quer tanto dinheiro? Já não ganhou o suficiente para pagar uma cirurgia plástica que o livre daquelas marcas do acne, e já agora, arranjar os dentes? Hein?...

Boa Morte (Fulham). Não lhe desejo mal nenhum. Mas o que é que ele está a fazer neste grupo? Não sei.

Simão (Benfica). O saboroso. Dizem. Que eu nunca provei. Mas não há dúvida que esteticamente está aprovado.

Nuno Gomes (Benfica). Outro clássico. Para mim tem um ar demasiado efeminado. Mas enfim, são gostos. É bonitinho. Demasiado bonitinho.

Pauleta (Paris SG). É um dos meus preferidos. De alguma maneira estranha, este rapaz consegue ser parecido com o vocalista dos "Maroon 5" e com o "Jack" dos "Perdidos"...

Hélder Postiga (St. Etienne). Este moço não é giro, mas é querido. E gosto muito de o ver a correr por ali a fora, é uma presença muito alegre. E isso também conta.

E prontos, Scolari. Toma e embrulha. Querem ter mulheres a apoiar a Selecção? Então ó faxavor, vamos lá a ter em conta os critérios estéticos. Mainada.

Porque a verdade tem que ser dita

E esta malta da publicidade tem que perceber, duma vez por todas, que há limites para tudo.

Não, não falo daquele anúncio do carro em que o gajo vai devolver a mulher ao pai, depois de a ter experimentado três dias. Até aí ainda vamos, meus amigos.

Agora, vamos ser sérios, sim? É que não há mulher nenhuma deste mundo que, com um bolo daqueles no frigorífico, o ponha de lado para comer cereais. Nenhuma. Aquele anúncio é uma vergonha. Os tipos da Kellogs deviam era ser processados por inventarem uma tal infâmia, e tentarem enganar assim as pessoas.

Cambada.

sexta-feira, maio 12, 2006

Mudança de Instalações

Quatro anos e quatro meses numas instalações que sempre detestei. Parece que finalmente vamos para outro lado.

Não era bem esta a mudança que eu queria, mas ao menos é uma mudança. E mudar é sempre bom, nem que seja para pior.

terça-feira, maio 09, 2006

Não pirilamparás

Sinceramente. Eu sei que a causa é nobre, e tal. Mas eu acho que é um disparate de dinheiro aquilo que pedem pelo raio do pirilampo mágico. E ainda por cima o bicho é feio. E fica mal em todo o lado. E é uma autêntica praga, que começam a acumular-se de uns anos para os outros.

E no entanto, não faço mais nada na minha vida que me deixe com esta sensação clara de que vou de certezinha para o inferno, do que mentir descaradamente a todas aquelas pessoas que nos assaltam diariamente a tentar vender o pirilampo.

Mesmo assim, desde que começou a campanha, de todas as vezes que me tentam vender uma coisa daquelas, digo com o ar mais seguro deste mundo, já comprei, muito obrigada. E as pessoas ficam com um ar tão feliz, coitadas. Não presto mesmo para nada.

domingo, maio 07, 2006

Day After

Terminou ontem. Desde há oito anos para cá que sou responsável por esta iniciativa, que é uma espécie de Fórum Estudante à escala municipal, e que está dirigida a jovens a partir dos 15 anos. O objectivo é dar informação a estes garotos sobre o que poderão vir a fazer das suas vidas no futuro, seja pela via do prosseguimento de estudos, ou pelo ingresso directo na vida profissional. Paralelamente, estes mesmos jovens têm oportunidade de actuar num palco “à séria”, e durante estes quatro dias foram actores, cantores, bailarinos e modelos de passerelle.

A maior dificuldade tem sido sempre a falta de meios. Este ano então, a única coisa de que nos pudemos gabar de continuar a ter com fartura, foi a nossa própria boa vontade. De resto, tivemos paus e pedras para trabalhar. Mas hoje, depois de tudo ter corrido pelo melhor, e recuperadas que estão as horas de sono perdidas, não consigo pensar muito nas dificuldades diárias, nem nas frustrações e aborrecimentos. Isso fica para amanhã.

Só consigo pensar num dos miúdos que desfilaram ontem, na passagem de modelos que encerrou o evento. Conheci-o em 2002, quando ele tinha talvez uns 12 ou 13 anos. Juntamente com outro irmão, estava no grupo de teatro da Escola Básica que frequentava na altura, e eram bem patentes as carências económicas que a família dele deveria enfrentar. Mas ali estava ele, pronto para fazer teatro, e para nos ajudar no que fosse preciso para erguer esta outra iniciativa que também promovemos anualmente, e que consiste em juntar os grupos de teatro das Escolas Básicas e Secundárias do Concelho, apresentando os seus espectáculos a toda a comunidade.

O caso dele não é diferente de tantos outros, apenas sei dele um pouco mais do que sei dos outros. E apenas posso imaginar quantas coisas ele gostaria de ter e não pode, que esforços serão necessários à família para o manter na Escola, assim como aos outros irmãos, que são uma data deles, e como aquele dia-a-dia deve ser difícil.

Quase todos os anos o tenho visto em cima dos palcos que nós lhe proporcionamos. Ontem então, quando o vi aparecer já tão crescido (deve andar pelo 11.º Ano), maquilhado e penteado, desfilando formoso e seguro por aquela passerelle fora, senti outra vez aquela satisfação do dever cumprido, e formulei novamente um pensamento que sempre me acompanha nestas ocasiões. Haverá quem beneficie do nosso esforço sem o merecer. Mas estes miúdos merecem tudo o que a gente possa fazer por eles. Ali, em cima daquele palco, estive ontem a ver desfilar o verdadeiro pagamento que eu recebo pelo meu trabalho.

sexta-feira, abril 28, 2006

Trabalho, trabalho e mais trabalho

A tal iniciativa, que não irá inaugurar, mas sim que cuja inauguração irá efectuar-se, inicia-se no dia 03 de Maio, ou seja, próxima Quarta-Feira, e termina no Sábado, dia 06.

São quatro meses de trabalho para quatro dias de actividades, e já só temos dois dias úteis para que esteja tudo pronto. Vai estar, como sempre, eu sei. Mas até lá chegar, por mais que tente, não me livro desta angústia.

Quem me dera já cá o dia 07 de Maio! O que eu vou dormir descansada nesse dia!...

terça-feira, abril 25, 2006

Duas canções

Para celebrar Abril. Escolhi estas duas porque gosto delas, podiam ser milhentas.

Cada um terá as suas preferidas, e isso só é assim porque esta nossa Revolução também foi feita de música e poemas, e músicos e poetas, que não merece a pena procurar palavras para elogiar, tanto as obras como os autores, porque isso serão sempre apenas palavras, e isso não chega para lhes dar o devido valor.

Acho que mais vale fazer assim, deixar que estas músicas e estes poemas façam sempre parte de nós:

E depois do Adeus
Interpretação:
Paulo de Carvalho Música: José Calvário Letra: José Niza


"Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós"

Já joguei ao Boxe, já toquei Bateria
Sérgio Godinho
"O rapaz até que não é burro
tem é falta de uso
mete o nariz onde não é chamado
como um parafuso
ó meu rapaz, tu só és senhor
do nariz que é teu
aqui paro para explicar uma coisa:
é que o rapaz sou eu
e assim fala quem quer mandar em mim
e assim fala quem quer mandar em mim
e assim fala quem quer mandar em mim
não protestes
não desfiles
não contestes
não refiles
já joguei ao boxe, já toquei bateria (trapum)
p´ra ver se me livrava desta energia
nada feito, que arrelia
isto no fim não passa de uma fase
que passa com o uso
foi muita liberdade de uma vez
e o rapaz está confuso
agora é tempo de apertar com ele:
olha, acabou-se a farra
ai, ai que este país está de pantanas
e não há quem o varra
assim fala quem já me quis varrer
assim fala quem já me quis varrer
assim fala quem já me quis varrer
não protestes
não desfiles
não contestes
não refiles
já joguei ao boxe, já toquei bateria (trapum)
p'ra ver se me livrava desta energia
nada feito, que arrelia
durante algum tempo foi necessário
pôr o rapaz a uso
pô-lo a gritar sobre o prestigio pátrio
e o orgulho luso
agora só nos faltava ele querer
virar o feitiço
contra o feiticeiro que o pôs a render
é que nem pensar nisso
assim fala quem me pôs a render
assim fala quem me pôs a render
assim fala quem me pôs a render
não protestes
não desfiles
não contestes
não refiles
já joguei ao boxe, já toquei bateria (trapum)
p'ra ver se me livrava desta energia
nada feito, que arrelia"
Que seria de nós todos, bloggers errantes, se não fora por este dia, há 32 anos atrás?...

segunda-feira, abril 24, 2006

O lado merdoso da vida

Pois claro. Eu logo vi que este exercício de procurar o lado brilhante da vida, comigo jamais resultaria. Uma pessimista congénita como eu não abandona assim às boas a convicção de que todo o mundo conspira contra mim, que há bruxas sim senhor, e que umas tantas andaram a juntar-se nos últimos tempos para me rogarem uma bela duma praga.

Haverá outra explicação para o facto de hoje de manhã, a fechadura da porta da rua decidir encravar-se e deixar-me fechada por dentro durante meia-hora, até ao ponto do desespero total? Quando consegui desencravar aquela merda já os bombeiros vinham a caminho.

Valeram-me as vizinhas do lado, aquelas almas caridosas que me apelaram à calma do lado de fora e a seguir me deram toalhas molhadas para arrefecer a testa e me ajudaram a controlar os nervos...

domingo, abril 23, 2006

O lado brilhante da vida

Ok. Vou fazer essa coisa de ver o lado brilhante da vida.

Não há dúvida que o esquentador avariou, não posso tomar banho em casa e tenho que aquecer água no fogão para lavar a loiça. Mas por outro lado, na cozinha há vários outros electrodomésticos, tipo o frigorífico, a máquina de lavar roupa, o fogão e o exaustor, o microondas, e estão todos a funcionar perfeitamente.

O aspirador, por sinal partiu-se uma peça na semana passada mas que se lixe, afinal ele continou a trabalhar alegremente, e já hoje limpou a casa toda sem problema.

Já o ferro de engomar, da última vez que trabalhou fez uns barulhos muito estranhos e o vapor não saiu nada como deve ser, o que não augura nada de bom para o futuro... Mas então, de que é que eu me estou a queixar? O carro, tirando o facto de beber óleo como se não hovesse amanhã, não sabe sequer o significado da palavra "avaria".

Um esquentador avariado, isso é lá coisa para aborrecer alguém...

Vou só ali comer uma tablete de chocolate e depois faço este exercício outra vez, pode ser que à segunda resulte...

terça-feira, abril 18, 2006

Francisco Adam

Tenho visto nos últimos dias, a maneira como a TVI tem espremido até não poder mais tudo o que tenha a ver com a morte do rapaz, escarafunchando mais uma vez na desgraça alheia, e de caminho aproveitando para dar ainda mais promoção à novela.

Só posso concluir uma coisa: provavelmente, estamos perante todo um novo potencial para o programa "Circo das Celebridades".

segunda-feira, abril 17, 2006

Onde andará ela

A minha paz de espírito. Veio visitar-me por poucos dias, agora desandou outra vez.

Não tenho outro remédio senão ir à procura dela. Faz-me muita falta. A ver se a encontro, já volto.

quinta-feira, abril 13, 2006

Seis horas de sono dá nisto

Estive a um milímetro de espalhar creme hidratante na escova de dentes.

O que vale é que falta só meio-dia para começar o fim-de-semana mais sagrado de todos. Abençoada seja a época da Páscoa. Hosanas pelos feriados e tolerâncias de ponto!

quarta-feira, abril 12, 2006

Ironia, essa companheira constante

"Well life has a funny way of sneaking up on you
When you think everything's okay and everything's going right
And life has a funny way of helping you out when
You think everything's gone wrong and everything blows up
In your face

(...)

Life has a funny way of sneaking up on you
Life has a funny, funny way of helping you out
Helping you out"
Alanis Morissette, Ironic
A vida tem altos e baixos, já se sabe. Dá-nos a pancada quando a gente pensa que está tudo bem, mas também tem a sua maneira de nos puxar para cima, mesmo que até pareça que está tudo a correr mal.
De alguém cujos macaquinhos no sótão têm vindo nos últimos dias a acalmar, e por isso anda mais optimista, para a amiga que está a precisar de se lembrar que "life has a funny way of helping you out". Para os entretantos, contamos uns com os outros.

sábado, abril 08, 2006

O acto médico está pela hora da morte

Aviso a todos os machos que lêem este blog:
Este post é susceptível de afectar os homens mais sensíveis. Contém referências técnicas relacionadas com exames ginecológicos e coisas assim que as mulheres costumam fazer, que não se percebem bem o que são e que quando elas começam a explicar metem uma impressão do caraças, que a gente é modernos, mas com juízo.

E agora, o post propriamente dito:

Isto parece uma anedota, e visto bem, se calhar é. Os meandros das comparticipações da ADSE não cessam de me surpreender, e espelham bem o País de merda em que vivemos, desculpem lá a expressão.

Pois que fui a consulta de Ginecologia, devidamente comparticipada pela ADSE. Alegria. Durante a consulta, o senhor Doutor tratou de recolher amostra para se realizar a citologia.

E o que é uma citologia, poderão perguntar? Uma citologia é um exame em que se faz a colheita de material do colo do útero, o qual é mandado para um laboratório especializado em citopatologia.

(por esta altura, todos os homens que aguentaram ler isto até aqui já vão por esta altura a correr, espavoridos, na direção da televisão mais próxima que esteja sintonizada na Sport TV).

Agora, reparai na maravilha desta subtileza: a consulta de ginecologia foi comparticipada. O exame no laboratório também vai ser. Mas o acto médico de recolher o material do colo do útero, isso não é comparticipado. Arrota aí com 20 euros, que isto do acto médico de retirar material para análise num sítito destes, é coisa que nem tem nada a ver com a consulta, está-se mesmo a ver, eu é que tenho a mania de ir ao médico da especialidade para fazer isto, esquisitices, qualquer mecânico de automóveis, ou canalizador poderia talvez, aí por metade do preço...

Tipo, a malta vai ao médico com uma constipação, a ADSE comparticipa a consulta sim senhor, mas ai, ai, ai, se o médico pegar no estetoscópio, atenção, que o acto médico de auscultar o paciente a ver se tem os pulmões apanhados, isso a ADSE já não está cá para comparticipar, era o que faltava!...

Ah! Falta só dizer que este exame (a citologia) é fundamental, devia ser feito por todas as mulheres uma vez por ano, e serve, entre outras coisas, para detectar precocemente o cancro do colo do útero...

quinta-feira, abril 06, 2006

Dias difíceis

E não, não são daqueles mais óbvios que costumam acontecer às senhoras, e às que não são senhoras também, visto que a mim também me acontecem.

É porque de vez em quando lá surgem alturas destas, em que me sinto uma espécie de equilibrista, a segurar uma pilha de pratos numa mão, outra pilha na outra mão, mais outra num dos pés, outra bem grande na ponta do nariz... e à espera, a qualquer momento, que venha parar tudo ao meio do chão, desfeito em cacos...

Nesta altura do ano, é quase sempre assim. Tem sobretudo a ver com o volume de trabalho, a que se juntam mais umas preocupações pessoais para ajudar à festa. Em fases de grande pressão como estas, fico sempre aquém das minhas próprias expectativas porque gostava de ser mais forte do que aquilo que realmente sou. E menos chorona. E menos pessimista.

Mas como alguém já disse em tempos, "reclama as tuas limitações porque elas pertencem-te". E portantos, quando começo a resvalar para uma espiral de negativismo já minha bem conhecida, e o pânico se aloja na minha garganta e não me deixa respirar como deve ser, tomo ansiolíticos sim senhor, e não tenho vergonha nenhuma disso.

Os dias ficam difíceis na mesma, mas pelo menos sou eu quem toma conta dos problemas, não são os problemas a tomarem conta de mim.

sexta-feira, março 31, 2006

Expectativas

Algumas vezes já tenho vindo para aqui falar das minhas aspirações a mudar de emprego. Não sou criatura para andar a lamentar-me sobre alguma coisa que esteja mal na minha vida e não fazer nada para a modificar. Vai daí, desde há coisa de um ano, passei a estar muito atenta às ofertas que me pudessem convir, e tenho vindo a candidatar-me a alguns concursos públicos, ou simplesmente enviando cartas de apresentação.

Já sei à partida que isto é um bocado dar murros em pontas de faca. Em 99,99% dos casos em que aparece um concurso público, sobretudo se for interno, está "reservado" o cargo para a pessoa que já o ocupa, sendo aquilo mais uma formalidade para resolver a situação à pessoa do que propriamente para seleccionar seja quem for. Mesmo assim, tem valido a pena concorrer, porque sempre vou distribuíndo o meu currículo e passando informação a meu respeito, se não for para aquele concurso pode sempre surgir outra coisa qualquer.

Nas últimas semanas surgiram várias coisas interessantes, daquelas que eu se pudesse até pagava para ir fazer. Ontem mandei uma candidatura para um lugar que é tão completamente a minha cara, que até me enervei a ler o anúncio.

E mais uma vez lá me meti eu toda no correio, o meu curso do Secundário, a minha Licenciatura, a minha Pós-Graduação, as acções de formação - as boas e as da treta, só para encher -, a minha passagem pelo Teatro de amadores, as minhas pretensas vocações literárias, o meu Inglês falado e escrito, o meu domínio de informática na óptica do utilizador.

Lá seguiram via postal, as minhas expectativas. Com uma linda carta muito profissional, onde é possível ler-se, nas entrelinhas, levem-me daqui, que eu prometo que não se arrependem...

terça-feira, março 28, 2006

Ufa!!...

Andei meses a ler "O Livro Secreto de João". O entusiamo inicial da compra, descrito aqui, não se desvaneceu, mas empacou numa leitura muito mais difícil do que eu imaginava.

São textos muito, muito antigos, alguns deles escritos nos primeiros cem anos após o nascimento de Jesus Cristo, e dão conta de uma versão da origem do universo tão alternativa à que é narrada no próprio Velho Testamento, que consegue fazer do Deus "Javé", originário do Deus da Igreja Católica, uma mera criatura emanada de uma potência muito maior. Portanto, quando esse "Javé" se auto-proclama como o único Deus, não havendo outro para além dele (primeiro mandamento do Velho Testamento, certo?), está apenas a ser arrogante e a ofender, tanto a nossa verdadeira origem, quanto a dele próprio.

Basicamente, e de acordo com os gnósticos, toda a matéria, ou seja, todo o universo tal como o conhecemos, resulta de uma situação anómala, que não era suposto ter acontecido. Uma granda bronca, portantos. E depois deu nisto, que é aquilo que nós somos. Mas há salvação, porque mesmo sendo nós todos um aborto de proporções galácticas, temos em nós a essencia do inominável, auto-gerado, origem e potência de tudo o que é. Há divindade em nós. Poucochinha, mas há.

Adiante. Nos próximos tempos vou dedicar-me a umas leituras mais "leves". Tal como a que já aparece ali ao lado. Fui ver o filme aqui há uns tempos e constatei que as histórias de amor, quando são bem contadas, são sempre muito bonitas e comoventes...

segunda-feira, março 27, 2006

Sapatos, esse pesadelo

Embora me identifique, em muitos aspectos, com as musas inspiradoras aqui do lado, duas delas padecem de grande fixação com sapatos da qual eu não partilho.

Carrie Bradshaw e Cathy derretem rios de dinheiro em sapatos, eu não. Mas não é que eu não quisesse, já que derreto rios de dinheiro em roupa, porque não gastar também em sapatos. O problema é que os criadores de calçado, nos últimos anos, pura e simplesmente enlouqueceram.

Durante estações e estações a fio, foi a moda do sapato em bico:

horrível Tipo, acaba o pé e o bico do sapato continua mais cinco centímetros. Mais dez. Houve alturas em que eu julgava que só iam parar quando começasse o sapato, e meio metro depois chegasse o pé. A sério. Que moda tão parva. Eu quando compro um sapato ou uma bota quero que o meu pé fique pequenino, não quero olhar para baixo e ficar com a sensação de que passei a calçar o 43!

Mas não, essa moda entrou em declínio. E eu pensei, finalmente, agora vou encontrar calçado giro e que me fique bem. Mas a moda mudou de sapato bicudo para...

medonhasSabrinas. Tudo redondinho à frente, como se agora todas nós tivéssemos nascido para bailarinas. E sem salto absolutamente nenhum. Tudo muito enfeitadinho com florinhas e outras mariquices. Só falta oferecerem logo o par de suquetes brancos para a gente a seguir usar com a saia de folhos, que por sinal voltou a usar-se. Eu por mim só aceito vestir esse figurino se for sem meias, e com as minhas pernas à espera de verem cera depilatória há pelo menos cinco semanas. Se é para andar a fazer figuras ridículas, ao menos faço a coisa cumadeveser.

Por conta disto, ando com uns sapatos a caírem de velhos há meses, tenho as minhas sandálias de Verão (as poucas decentes que encontrei no ano passado) todas capazes de irem para o lixo, e as botas vão-se tornar impossíveis de calçar dentro de muito pouco tempo.

Acresce a tudo isto que todo e qualquer calçado que eu compre vai sempre dar-me cabo dos pés nos primeiros dias, e não é seguro que, depois das feridas sararem, eu consiga voltar a calçar aquelas coisas sem que elas me magoem. Muito sapato, muita sandália, deitados fora ou oferecidos novos porque não os consigo aguentar nos pés.

Por isso é que eu, quando vejo malta a comprar sapatos como quem compra camisas, tenho a mesma sensação que costumo ter quando vejo o George Clooney no écran. A visão dá-me prazer, mas sei que há coisas neste mundo que simplesmente não são para mim, e eu tenho que aprender a viver com isso...

domingo, março 26, 2006

Perdidos

Sou grande admiradora da série, desde o princípio.

E escusam de ficar a pensar que é só por causa disto:

Sawyer










Ou disto:

Jack

E muito menos por causa disto:
(embora neste caso específico consiga facilmente imaginar filmes muito interessantes envolvendo este actor, a minha própria pessoa e uma ilha paradisíaca)

Sayid

Não senhor. É porque aquilo é mesmo bom, e bem feito, e estimulante e inquietante e viciante.
É sem dúvida das coisas melhorzinhas que andam a passar na televisão.

Ah! E também têm lá mulheres!

sexta-feira, março 24, 2006

Bons prenúncios?

O dia ainda vai só a meio, mas se vesti as cuecas do avesso e a única coisa que acontece é ter que aturar os chefes todos a darem uma "ripada" ao pessoal, então nesse caso, ora bolas para os sinais de boa sorte.

xiça!...

Bons prenúncios

Gosto à brava do número 17. Não sei porquê, mas o certo é que ao dia 17 de cada mês, acontece-me sempre alguma coisa especial. Nem quer dizer que seja boa, pode não ser, mas será sempre determinante.

O dia de hoje é 24.03.2006. Se somarmos 2 + 4 + 3 + 2 + 6, dá o quê? 17. Lá está. Um bom prenúncio.

E outra coisa boa de acontecer é quando calha vestir roupa do avesso, sobretudo roupa interior, é sempre sinal de boa sorte.

Hoje vesti a cueca do avesso. Dois bons prenúncios num dia só, muito bom.

E isto é científico. Tenham a certeza disso.

quarta-feira, março 22, 2006

Sem surpresas

"Você tem um espírito independente e proclama alto e bom som que o amor não é prioridade – o que não deixa de ser verdade, mas esconde também algum medo de ficar só. É muito opinativa e mesmo sarcástica."

terça-feira, março 21, 2006

Não tem nada a ver

Uma coisa é dizer que certa iniciativa irá inaugurar no dia tal.

Completamente diferente é dizer que a inauguração da iniciativa será efectuada no dia tal.

Qualquer pessoa percebe as diferenças. Eu é que sou estúpida. Por isso é que me calhou a mim emendar as 31 cartas...

domingo, março 19, 2006

Limpezas


Uma das maravilhas (ou não) dos fins-de-semana, é o tempo que se dedica à limpeza da casa. Para quem, como eu, não tem dinheiro para ter assalariados a fazer esse serviço, nada mais resta do que ser eu própria a fazê-lo, ocupando sempre um tempito do Sábado ou Domingo para o fazer.

Mas há limpezas e limpezas. Há a limpeza de começar logo de manhã e passar dias inteiros naquilo, ele é limpar frigorífico por dentro e por fora, ele é tirar os livros todos das estantes para limpar o pó como deve ser, ele é aplicar desengordurante no fogão e tudo à volta para deixar tudo a brilhar...

E depois, há a limpeza da toalhita. Toalhita desengordurante para todo o tipo de superfícies, com agradável aroma a limão. Toalhitas limpa-vidros. Toalhitas limpa-frigoríficos e micro-ondas. Toalhitas limpa-móveis, com cera de abelhas.

Este fim-de-semana foi de limpeza de toalhita. Daqui a dois dias está tudo na mesma. Mas quero que se lixe, em contrapartida estou farta de passear!...

quarta-feira, março 15, 2006

Os meus escritos

São outros, que não aqueles que aqui costumo colocar. Terminei ontem mais um conto, de uma série que venho escrevendo, sempre muito devagarinho que estas coisas saem-me da alma e a inspiração nem sempre ajuda.

Fico sempre a perguntar-me se estas coisas que eu escrevo terão algum valor para além daquele que eu própria lhes dou. Nos dias bons acho que sim. Noutros, dá-me uma crise de rejeição e acho que é tudo uma porcaria.

Por exemplo, este extracto que aqui vos deixo, não é mais um conjunto de banalidades e lugares-comuns, repleto de lamechices e sem qualquer importância?

"A propósito de flores e sentimentos, a verdade é que, se por um lado, os amores são todos imperfeitos e por isso não são flores, têm no entanto inúmeros aspectos em comum com elas. São frágeis, os sentimentos, qualquer sol demasiado intenso ou chuva arrebatada os podem destruir. Há que cuidá-los bem e acarinhá-los, dar água e luz em doses certas para os ver crescer. E no entanto também há os que persistem em florescer mesmo quando as condições lhes são adversas, morrerão esses também enfim, se continuarem os maus-tratos, mas no entretanto deram grande lição de perseverança, já que teimaram em existir onde há muito, tantos outros teriam já entregue as armas dizendo, não posso mais. Para estes amores, imperfeitos todos, não é o primeiro vento que lhes quebra o caule, não são as primeiras chuvas a fazer ceder as pétalas, e mesmo quando o sol deu calor a mais, as cores foram capazes de se manter como estavam pela frescura da manhã. Se calhar, plantas que sejam como estes amores deveriam ser chamadas de amores-teimosos, amores-determinados, amores-perserverantes. Ou então nada disto é verdade e há apenas um amor, que é sempre igual, diferente apenas a pessoa que o sente e a pessoa por quem se sente. Quem sabe. Afinal, a vida das flores está repleta de segredos."

terça-feira, março 14, 2006

sábado, março 11, 2006

Não deixa de ser irónico

Que precisamente quando estou a vender a casa, me tenha calhado este ano ser a administradora do prédio.

Ou seja, quando a minha cabeça estava mais do que virada para empacotar coisas e contratar empresas de mudanças, é de imaginar a minha disposição para me ralar com os assuntos do condomínio.

Para ajudar à festa, desde que "tomei posse" em Janeiro, o prédio já entrou em obras duas semanas para instalar o gás natural, foi preciso mandar uma carta aos donos do bar aqui de baixo por causa do barulho, as lâmpadas das escadas desataram todas a fundir-se ao mesmo tempo e há um corrimão na entrada a aguardar orçamento para ser substituído.

Ah! Ontem quando cheguei, vieram informar-me que os trincos eléctricos deixaram todos de funcionar, ou seja, ninguém consegue abrir a porta da entrada, a partir de casa.

É mais que a conta.

sexta-feira, março 10, 2006

Caríssimas PT's e netcabos, e assim

Entendam uma coisa de uma vez por todas.

Se vocês contratam um qualquer rapazito imberbe, que vem tocar-me à porta de casa às oito horas da noite, quando eu e a maior parte das pessoas deste País estão sentadas a jantar, não há a mínima hipótese, a mínima, entendem, de eu lhe comprar o que quer que seja.

As pessoas já passam as horas todas do dia a serem interpeladas por isto ou aquilo, acham mesmo que ainda dá para estar receptiva a conversas da treta de um tipo que nos apareceu em casa sem ser convidado ou sequer avisar que vinha? Hein?

A sério, desistam das vendas porta-a-porta. Parem com isso.

quarta-feira, março 08, 2006

Isto é que vai ser!! (A Maya é que sabe)

"Março de 2006

Carta dominante: XIX O SOL

O SOL define uma conjuntura auspiciosa para os nativos de Peixes que verão a sua vida evoluir de forma surpreendente. Pode dizer-se que o mês de Março tende a ser rico e próspero para Peixes que verá assuntos desbloquear e terá verdadeiras surpresas a maioria das quais, felizmente, de cariz positivo. Peixes está optimista e divertido e força do destino virá dar ainda mais intensidade à sua vida.
Sentimentalmente não terá motivos para estar inseguro ou desconfiado, pelo contrário, a conjuntura é de grandes afinidades e deveras propícia ao crescimento afectivo. Deve viver o mês de forma tranquila manifestando serenamente o que sente. Em Março pode ser surpreendido por manifestações de afecto ou gestos românticos que muito lhe vão agradar.
No campo profissional Março é um mês positivo neste sector e adequado a que possa correr riscos; ou melhor, aproveitar oportunidades. Para quem se queixava que a vida não corria muito bem, o SOL brilha de forma auspiciosa. Tenha em conta que, independentemente da sua idade ou estatuto, há situações que não se repetem; confie em si e na sua capacidade de trabalho e arrisque.
Na saúde conseguirá, apesar de ser um mês muito intenso, gerir da melhor forma as suas energias. Deve ter especiais cuidados com a postura dado que alguns problemas de coluna ou pernas podem dever-se a erros posturais. "

Vou vender a casa. Vou mudar de emprego. Homens vão prostrar-se aos meus pés. Vou acertar no Euromilhões.

Tudo num mês só.

Eu tenho tanta coisa que fazer...

... E vontade?

Dizia hoje um senhor muito inteligente, desde que as pessoas estejam motivadas, e tenham boas condições de trabalho, há bons motivos para nos levantarmos de manhã.

Desde que. Lá está.

segunda-feira, março 06, 2006

As maravilhas da ADSE

Então e não é que ainda há uns meses fui daqui recambiada para Lisboa para ter uma consulta médica daquela especialidade?

E não é que hoje vou dar com um médico dos que eu preciso, a meia-dúzia de quilómetros de minha casa, e que me arranjou consulta já para esta semana?

Ainda me parece bom demais para ser verdade... Na volta acontece-me o mesmo que dessa outra vez em que fui a Lisboa, muito contente porque o médico era super disponível... Saiu-me um velho com ar de octogenário, que tremia por todo o lado, ouvia mal e não se percebia nada do que ele dizia.

O que será que me espera nesta Sexta-Feira? Para já, levei um dia inteiro a achar o número de telefone da clínica, que depois dizia não estar atribuído, liguei de novo ao 118, que me deu outro número, que pelos vistos é da casa da senhora que marca as consultas, que me explicou que o outro número foi mandado encerrar por engano, porque era parecido com o da vizinha do lado que vendeu a casa, mas ela era muito simpática, a senhora que me atendeu, a vizinha não cheguei a conhecer, e então agora durante quinze dias até a PT resolver a coisa o único contacto é o da casa dela, e então disse-me para lhe ligar para casa logo à noite, que já me diz a que horas pode ser a consulta. Mas já ficou marcado. Acho eu.

É um dos karmas da minha vida. Sempre que tenho alguma coisa relacionada com esta área da medicina, tenho sempre a sensação de ter entrado na twilight zone. Medo.

domingo, março 05, 2006

Dedicatória

"Eu contigo, eu consigo
Fazer o que digo
Eu contigo, eu consigo
Fazer o que digo

Eu contigo, eu não pago
Eu não temo e eu não devo
Devo dizer-te ao ouvido
Eu sem ti não tem sentido
Tem sido

Devo dizer-te ao ouvido
Bem bom
Bem bom, bem bom
Bem mais do que o que é bom
Bem bom, bem bom"

Sérgio Godinho
in Escritor de Canções

sexta-feira, março 03, 2006

As férias, as férias...

Numa fase de pouca motivação profissional, é mesmo só no que apetece pensar.

E depois tem uma vantagem: enquanto estão em projecto, podemos ir para um monte de lugares giros, porque em projecto não se paga nada!...

terça-feira, fevereiro 28, 2006

34

Feitos hoje. Sem nostalgias. Estou de bem com o meu presente e não o trocava por nenhum dos meus passados. Para a frente é que é caminho. Parabéns e coiso e tal, e siga, siga, siga...

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Insólito, dizem eles

Os senhores do Correio da Manhã acharam isto insólito.

O pior é se um dia destes deixa de ser insólito, para se tornar banal. Já faltou mais...

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Flexicoiso

Uns senhores de uma certa entidade bancária, sabendo que eu estou quase a comemorar o meu aniversário, estão dispostos a oferecer-me 1.000,00 € de presente pelos meus 34 anos, ficando eu a pagar mais de 50 € por mês até ter quase 36.

São tão queridos.

Privacidade vs solidariedade

Ouvi em tempos uma pessoa dizer que em termos de relacionamento humano, onde se ganha em solidariedade perde-se sempre em privacidade. Não posso estar mais de acordo, e se isto às vezes é uma coisa difícil de conciliar, meus amigos.

Senão vejamos. Aqui na minha vidinha de todos os dias, vou muitas vezes de autocarro para o trabalho. E acontece que há diversos colegas que me dão boleia com alguma frequência, já que entramos todos mais ou menos às mesmas horas e vamos todos para o mesmo lado. Tenho uma colecção de potenciais boleias muito considerável, que me permite poupar alguns trocos em transportes, o que é positivo. ;-)

Mas depois, lá está. Ganha-se solidariedade, perde-se privacidade. Ando a braços com a situação caricata de um certo colega, que me dá boleia com alguma regularidade, que de cada vez que não me encontra no local habitual à hora de sempre, acha-se no direito de me questionar, então a que horas vieste hoje, o que é que te aconteceu, trouxeste o carro, etc., etc.

Isto a mim causa-me calafrios. Desde sempre, se eu sonho que alguém me anda a controlar os horários, isso é coisa para me tirar do sério. Não gosto, não gosto mesmo nada. Inclusive, posso-me tornar mal educada se insistirem muito.

Além disso, o que é que o senhor quer? À pergunta mais frequente, a que horas vieste hoje, essa então recuso-me a responder de todo, era o que me faltava. Já me basta o relógio de ponto à entrada do serviço. Aliás, a resposta mais provável seria essa, eh pá, telefone para a secção de pessoal que por esta altura já lá está o registo. Não pode ser, o colega até é simpático, e se calhar nem tem noção de que está a ser inconveniente. E a boleia dele dá jeito. Mas há perguntas que não se fazem, bolas.

Além de que, com a vida que eu levo, nem que eu lhe passasse a minha agenda. E assim ele já sabia os dias em que não apareci porque tive uma reunião de manhã noutro lado, porque adormeci e resolvi apanhar um autocarro mais tarde, porque trouxe o carro para ir à piscina ao fim do dia, ou a uma reunião qualquer noutro lado qualquer, porque, porque, porque, porque. Não há pachorra.

Então e se me desse para responder mesmo? Também podia ser giro. Uma pergunta do género, que foi que te aconteceu hoje, a ser respondida à letra poderia ser algo parecido com isto:
- Sabe, é que eu esta noite não dormi em casa, e portanto era impossível ver-me por aquela zona de manhã...

ou então, melhor ainda:
- É que eu por estes dias andei menstruada e então, sabe como é, tive que dar mais umas voltinhas na casa de banho e atrasei-me, foi isso... Então o tempo? Este frio não há meio de abalar, hein?...

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Por estes dias

Estive em formação, e daí o silêncio. Durou a semana toda e terminou hoje.

Estas experiências valem sempre a pena, acho eu. Ainda que o tempo de duração seja curto e os assuntos todos tratados pela rama, ainda que as condições sejam precárias, ainda que, ainda que, se a gente não quiser começar logo derrotados, a verdade é que se pode aproveitar sempre alguma coisa.

Por um lado, é a oportunidade de conviver com colegas com quem nunca tenho que trabalhar directamente e por isso só muito por alto sabia o que raio faziam eles. Até conheci algumas que nunca tinha sequer visto. E durante aquela semana não há hierarquias nem divisões ou departamentos, e temos que trabalhar em conjunto e em pé de igualdade. É muito giro.

Depois realmente, quem me quiser ver motivada e contentinha é darem-me coisas novas para aprender. Eu gosto mesmo muito de estudar. E estes períodos em que me recoloco na posição de aprendiz de alguma coisa tornam-se numa espécie de alimento para a alma, um choque vitamínico que me deixa cheia de bons sentimentos, optimismo, esperança.

Modéstias à parte, as apreciações da minha prestação são quase sempre muito positivas. E comprovam aquilo que eu já sinto há muito tempo, que estou pronta para outros voos e só falta a oportunidade acontecer. Dizia a formadora que lhe apetecia, depois daquela formação e doutras, pegar numas tantas pessoas e fazer o papel de caçadora de cabeças, para levar para outros lados. Não me contive. Disse logo, "eh pá, a minha cabeça está à disposição para ser caçada!". Riu-se tudo muito e eu fiquei contente. Como isto nunca se sabe, lá passei a mensagem a mais outra pessoa.

E porque tudo tem o sem valor, e às vezes no pouco é que se encontra o muito, nos momentos de convívio que sempre ocorrem nestas alturas, um colega pode ter-me dado, sem saber, o mote que me andava a faltar para a escrita de um romance. Se eu tiver unhas para isso.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Pois...

"O facto de você ainda continuar numa relação só pode querer dizer uma de duas coisas: ou a sua cara-metade tem muita paciência ou estamos perante um milagre. Você não se esforça na vida a dois e é completamente desligado/a. Qualquer tipo (mesmo remoto) de romantismo não lhe diz absolutamente nada."

Não, meus amigos. Isto demonstra bem é o que é que eu penso sobre esta coisa do Dia do Comerc.... quer dizer, dos namorados.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Ode ao consumismo

Não pense, diga.
Viva o momento,
Aposte nos seus sonhos
e Worten sempre.

Damos vida ao seu telemóvel,
Tecnologia para a vida, liberdade sem limites.
O bom sai bem,
E dura, dura, dura.

Quem é simpático, quem é?
Segue o que sentes,
Crédito pronto a usar,
Grandes compras.

Isto é verdade, não é só publicidade.
Até já.

Os saldos...

... são o paraíso e o inferno.

Paraíso porque está tudo a uns preços maravilhosos, e de repente arranjam-se umas pechinchas que doutra maneira seriam impossíveis. Sobretudo quando vamos a um dos meus sítios preferidos para ir às compras, o belo do Freeport em Alcochete, onde se podem contrar galheteiros por 2,38 €, e conjuntos cueca/soutien da Triumph por 16,00 €, sendo que este último ainda por cima foi oferecido!

Inferno porque me farto de ver coisas giras que gostaria de comprar e que compraria de certeza, se ainda houvesse o número que eu visto. Vi camisas bem giras na Sacoor, vendidas ao preço da chuva, experimentei algumas sete ou oito e só comprei uma, porque as outras estavam todas ou demasiado grandes, ou demasiado pequenas.

Por causa disto é que depois acabo por lidar com a frustração, indo a estas lojas ou outras e gasto balúrdios de dinheiro, mas ao menos encontro as coisas que me acentam realmente bem, nas cores e nos padrões que eu quiser.

E agora que já dei o rol das futilidades deste fim-de-semana, um dia destes prometo que faço um post muito sério sobre coisas realmente importantes, como a fome que há no mundo, por exemplo.

... que a futilidade também é uma coisa muito séria, atenção.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Em reunião

Olhou para o relógio. Ao fim de uma hora e meia de reunião continuavam no primeiro ponto da ordem de trabalhos. Suspirou. Pela janela via-se um sol esplendoroso, mas o frio que vinha do chão não enganava ninguém, e ao fim daquele tempo todo praticamente imóvel, já só não batia os dentes por mera vergonha.

O presidente da mesa passou a palavra a outro elemento, que também se achou no direito de dizer qualquer coisinha sobre aquele assunto. E ainda faltava passar a palavra a metade das pessoas presentes. Foi à casa de banho, na esperança de que no regresso, algum milagre tivesse sucedido. É claro que voltou e ainda estava a mesma criatura a falar, num tom monocórdico que só lhe dava era sono.

Deu consigo a odiar de morte todas as pessoas que usavam da palavra. Essa cambada de gente molenga, a quem tanto lhe fazia sair dali às seis, às sete ou às oito da noite. Esta cambada de inúteis não teria casa nem família? Seria ela a única pessoa na sala com vida própria? Mas porque é que continuavam a pedir licença a uma palavra para dizerem a seguinte e pior ainda, a fazer pausas entre palavras? E depois ainda havia quem quisesse voltar atrás para perceber melhor. Para perceber melhor! Mas afinal, quanto tempo mais é que aquilo ainda iria durar?

Enquanto sorria afavelmente para o orador da frente a assentia com a cabeça, controlava a o tédio e treinava a sua técnica de abrir ligeiramente a boca e fazer pressão com o maxilar, para disfarçar o bocejo. Imaginou como ficaria feliz se pudesse calar aquela boca que vomitava palavras sem interesse absolutamente nenhum. Um belo soco em cheio naquela boca mole, talvez fosse suficiente. Ou então não. O melhor era mesmo saltar para cima da mesa, armada de duas catanas, e cortar-lhe a cabeça de uma assentada como tinha visto no filme dos samurais em que entrava o Tom Cruise. De cabeça cortada calava-se de certeza, aquela lontra nojenta. Sorriu. Tomou mais umas notas.

Mas pensando bem, e já que se tinha imaginado com duas catanas na mão, porque não cortar também a cabeça do tipo que estava ao lado? Pelo arzinho dele, preparava-se para tomar a palavra e não a largar tão depressa. Não foi tarde nem foi cedo. Cabeça cortada, problema resolvido. E antes que mais alguém se lembrasse de dizer alguma coisa, decidiu pegar na sua caneta automática, que era também um isqueiro e uma arma de fogo de alta precisão, e começou a disparar. Aquela reunião tinha que acabar custasse e o que custasse, e estava nas suas mãos acabar com ela. Fuzilou todos um por um.

Quando terminou a carnificina restava apenas o presidente da mesa. Há que tempos que o andava a marcar, aquela barbinha por fazer, o rabinho bem feito, os modos galantes, o olhar de carneiro mal-morto que ele lhe deitava em todas as reuniões. Agora é que ela queria ver, se ele era homem para isso. Empurrou para o lado o cadáver do 1.º secretário, encarregue de fazer a acta, e puxou o presidente para si. Tendo em conta a delicadeza da matéria, sussurrou-lhe o problema que verdadeiramente a preocupava. Apelou para que ele o encarasse com firmeza e dedicação. Derrubaram todos os dossiers e lançaram-se com violência sobre aquele novo ponto da ordem de trabalhos. Debateram-no até à exaustão…

Foi o próprio presidente da mesa quem a trouxe de volta à realidade. Sobre o primeiro ponto da ordem da ordem de trabalhos, tem alguma coisa a dizer? Não? Então podemos passar ao segundo ponto…

Muito profissional, debruçou-se novamente sobre os seus apontamentos, agora com toda a atenção. A reunião continuava sem fim à vista. Mas pelo menos, já não tinha frio.

Teclas traiçoeiras 2

... Que eu não posso falar muito sobre enganos ao teclar. Aqui há uns anos atrás, num certo documento dirigido ao público em geral, aquilo que deveria ser:

"ERRADICAÇÃO DAS BARRACAS"

saiu assim:

"ERRADIAÇÃO DAS BARRACAS"

Foi só um "c". O pior é que o sentido da frase ficou precisamente o oposto do que deveria ser. Lembro-me que na altura, a reacção do chefe foi "que c......".

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Teclas traiçoeiras

Recebi agora mesmo um mail de um senhor muito simpático, que termina a sua mensagem desta forma:

"Coma os meus cumprimentos"

E eu, tudo bem.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

O meu estado de espírito hoje

"Estou velho!
dói-me o joelho
dói-me parte do antebraço
dói-me a parte interna
de uma perna
a parte amiga
da barriga
que fadiga
o que é que eu faço ?
escolho o baço ou o almoço?
vira o osso
dói pescoço
é do excesso
do ex-sexo
alvoroço
reboliço
perco o viço
já soluço
ja sobroço
esmiuço
os meus sintomas
e já agora, do meu médico
os diplomas
esmiuço
a consciência
e já agora, apresento a penitência"
Sérgio Godinho, O Elixir da Juventude
in Tinta Permanente, 1993

É oficial. Estou farta do Inverno.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Hábitos estranhos? E são só cinco?!...

Piece of cake. Aqui vai:

- Penteio o cabelo todas as noites, antes de ir dormir.

- Não suporto vestir camisas por baixo de camisolas. Prefiro camisolinhas de licra ou algodão, por baixo das lãs. Ou então, visto as camisolas de lã directamente sobre a pele.

- O duche dura 30 minutos. E não quero saber.

- Gosto de comer pastéis de nata à colher, como fazem os putos.

- Enxaguo o lava-loiças até à última gota quando acabo de lavar a loiça, mesmo sabendo que o mais certo é abrir a torneira nos cinco minutos seguintes.

Quando quiserem mais cinco, é só dizerem!...

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Beijos e coiso e tal

Tá bem, tá bem. Mas acontece que as opções de resposta não me agradam. Portantos aqui vão as minhas verdadeiras respostas, e quem quiser que calcule os resultados:

1. Como foi o seu primeiro beijo?
Foi uma coisa sem jeito nenhum. Quando alguém se põe a fazer o que quer que seja, sem saber o que raio está a fazer, o que sai é mesmo isso, uma coisa sem jeito nenhum. Demasiada saliva para pouca calma. E por favor, não me façam recordar mais nada que é demasiado embaraçoso, sim?...

2. Qual destes menus prefere para um jantar a dois?
O que me apetecer mais depois de ler a lista no restaurante, ou seja, qualquer um que eu não tenha que cozinhar.

3. Chegou a hora h, o que faz?
Tento controlar os nervos e deixar a coisa correr, caso contrário transformo-me desgraçadamente na adolescente descrita em 1.

4. Qual destas palavras é a mais indicada para dizer “beijo"?
Beijo.

5. Os seus beijos mais eficazes deixam a outra pessoa a pensar?
Os meus beijos mais eficazes, onde? Sejam mais explícitos, ó faxavor. É que conforme os sítios, a outra pessoa pode ficar a pensar diferentes coisas, ou eventualmente, não ficar em condições de pensar... Ou então não.

Sorte ou azar?

Dizem que entornar vinho é sinal de dinheiro.

E entornar café é sinal de quê? É que já agora, depois de levar com uma bica por mim abaixo, ao menos que seja sinal de euromilhões, de venda da casa, ou de uma promoção no emprego...

Se não, é mesmo só sinal de que vou ter que passar por casa e mudar de roupa antes de ir para os sítios onde preciso de ir no final da tarde, e de que, definitivamente...

EU HOJE DEVIA TER FICADO EM CASA A TIRAR O PÓ AOS MÓVEIS!!!...

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

quinhentos mil euros

É tudo o que eu peço ao deus nosso senhor do euromilhões.

São cem mil contos. O suficiente para eu comprar uma casa na cidade e outra junto ao mar (o meu grande sonho), e nunca mais me ralar com rendas de casa na vida.

Meto uma licença sem vencimento por dois anos e vou dedicar-me a fazer um mestrado, experimentando pela primeira vez desde que saí do Secundário, o que é andar a estudar sem ter que trabalhar ao mesmo tempo. Quanto ao resto, logo se vê.

Já sei que são uns projectos um bocado acanhaditos, mas eu no que toca a dinheiro, como sempre tive pouco, tenho assim esta mentalidade de saloia, pronto.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Vencedora do prémio "Mais valia estares quieta"

Uma senhora, nascida e criada na freguesia da Castanheira do Ribatejo, foi passar este fim-de-semana à Serra da Estrela, para ver neve pela primeira vez.

domingo, janeiro 29, 2006

Benfica 1 - Sporting 3, ou, o dia em que eu fui à bola

Aquilo é giro. Devias ir. Nem que seja só uma vez, para saberes como é estar num estádio repleto, e ver um jogo de futebol a sério.

Eu não percebo nem tenho grande apreço pelo Futebol enquanto jogo, a não ser quando joga a Selecção. Mas o Futebol enquanto fenómeno de massas desperta em mim algum interesse, de moldes que lá concordei que sim senhor, mal também não há-de fazer, quando calhar logo se vê. Desta vez surgiu e oportunidade e a coisa deu-se, ontem fui com ele à bola.

Aquilo que eu gostei mais foi de ver a águia a voar por ali abaixo. Achei muito bonito e senti verdadeiramente que partilhava uma qualquer emoção colectiva. Coisa de gaja. Quanto ao estar no estádio, foi um misto de assombro e angústia, que eu não gosto mesmo nada de multidões e por alguns - felizmente poucos - momentos, o facto de só ver cabeças à minha frente e atrás de mim, exigiu-me algum poder de auto-controle da fobia. Mas uma vez lá dentro, é sem dúvida esmagador. Grande concentração de testosterona. Acho que nunca tinha estado num sítio onde a concentração fosse tão grande. Hum.

Quanto ao jogo em si. Bom, atrás de nós estavam umas aves raras, uns Benfiquistas do Norte que foram para mim de grande utilidade. É que nós estávamos num sítio muuuito alto, e eu sou muito pitosga, não via os jogadores, e também se os visse, a verdade é que conheço muito poucos pelo nome. Por isso foi muito positiva a ajuda daqueles senhores, que assim fiquei a saber que todos os jogadores do Sporting se chamavam "filho da puta", embora curiosamente fosse esse também o nome de todos os árbitros, e ocasionalmente, era igualmente o nome de alguns jogadores do Benfica. Aliás, à medida que o jogo avançava, mais jogadores do benfica passaram a chamar-se assim. Curioso.

De resto, senti-me um bocado como me sinto quando estou na missa. A malta vai-se sentando e levantando todos ao mesmo tempo, e eu faço o mesmo com uns segundos de atraso, porque, tal como na missa, todos à minha volta conheciam as regras do jogo, menos eu. A minha pergunta mais corrente era, "O que é que foi que aconteceu?"

O meu parceiro, que conheço como pessoa comedida no linguajar e nos modos, durante aquela hora e meia recorreu a um vernáculo profuso e diversificado, e posso mesmo afirmar que lhe ouvi dizer ontem mais asneirada naquele curto espaço de tempo do que em todo o tempo que já passei com ele. Pese embora esteja a anos-luz das capacidades dos companheiros da bancada de trás, atenção.

À medida que o Sporting foi marcando golos, assisti também a um espectáculo interessantíssimo, que é ver um homem adulto a amuar, e progressivamente a ficar sem pescoço, desaparecendo assim pela roupa adentro, até ficar apenas o gorro, os óculos e o cachecol. Acho que ele ainda ia dentro da roupa quando nos fomos embora. Pelo menos, alguém me deu a mão e levou para fora do estádio, e depois conduziu o carro. Eu acho que era ele. Mas não tenho certezas de nada.

Rir

Era o que eu teria feito se, precisamente há um ano atrás, alguém me dissesse que no mesmo fim-de-semana:

a) Eu estaria no Estádio da Luz a ver o Benfica-Sporting;
b) Iria ver cair neve da janela da minha casa.

Este fica assim eleito o fim-de-semana mais improvável dos últimos tempos.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Então...














Bom fim-de-semana!!...

Somos 11

Dava 13 milhões, 272 mil, 727 euros a cada um.

O ano passado saiu-nos um prémio de 6.588,21 €, e já foi muito positivo. O que dizer então desta quantidade absurda de dinheiro...

Mas lá que merecíamos, merecíamos!...

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O drama de dormir sozinha no Inverno

Dormir sozinha nesta altura do ano, em que faz um frio que até arrepassa os ossos, é das coisas mais desconsoladas que pode haver. Os meus serões passam-se a tentar manter o equilíbrio corporal, que é como quem diz, a ver se mantenho os pés quentes e se estou agasalhada, porque se vou para a cama à espera de aquecer quando lá chegar, boa noite. Ou melhor, boa noite é coisa que não vou ter.

Eu sou uma criatura muito estranha, a sério. As pessoas dizem que vão para a cama e aquecem. Eu vou para a cama e gelo a cama. E ultimamente, com o frio a apertar, mesmo que vá quentinha para a cama, chego lá e gelo a cama na mesma. Os pés então, é um problema constante. E isto leva-me, nesta altura, a fazer coisas para tentar manter-me quente na cama, algumas desesperadas, e outras simplesmente... bom, ridículas.

Mas como imagino que haja por aí mais gente com o mesmo problema, ficam umas dicas para gente como eu, ou seja, como diz alguém meu conhecido, que "não presta para nada":

- Ligar aquecedor no quarto de dormir uma hora antes de deitar e fechar a porta do quarto;

- Antes de vestir o pijama, pô-lo em cima do aquecedor um bocadinho;

- Mergulhar os pés em água bem quente antes de deitar;

- Vestir pijama e meias, das mais grossas que houver lá por casa;

- Pegar no robe e enfiá-lo entre os lençóis, a parte de cima para baixo. Já explico para quê;

- Enfiar as pernas pelos braços do robe, embrulhar o resto do corpo no robe, e ficar muito quieta, até porque depois de embrulhada em roupa desta maneira, não há grandes hipóteses duma pessoa se mexer.

E pronto. Em princípio assim a coisa corre mais ou menos bem. A alternativa é mesmo arranjar companhia para passar a noite, claro, que isto um homem numa casa, faz muita falta.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Sem título

Estou há quase 24 horas sem beber café. Devo ter a tensão arterial a -3 min. 2 max, ou coisa que o valha. Uma opção radical para tentar proteger pobre estômago que pelos vistos, como eu andei a gabá-lo e a dizer que ele resistia a tudo, decidiu dar ares da sua graça.

Diarreia voltou.

Cavaco Silva foi eleito à primeira volta.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Doidas, doidas, doidas, andam as galinhas

Dizia-me hoje uma amiga, frequentadora de baby-blogs, que corria pelos comentários de alguns deles coisas do género, ah e tal, é coisa muito absurda haver mulheres que podendo ter filhos, não os querem ter.

E isto irritou-me. Ao ponto de não me apetecer ser boazinha, que aliás, em regra não sou. Ao ponto de me estar a apetecer ser fundamentalista, e até quem sabe um bocado estúpida, mas que se lixe, que também às vezes uma pessoa cansa-se de estar sempre a levar com estas matronas presumidas, armadas em donas da virtude e convencidas que só elas é que estão certas.

Não tenho a maternidade como uma prioridade, nem primeira, nem sequer segunda nem sequer terceira, pois não. E isso não faz de mim uma mulher de segunda categoria, tenham lá paciência, vão olhar de modo complacente para outro lado ó fáxavor. Raios as partam.

Fiquem a saber que a moeda tem sempre dois lados. Absurdo para mim é ver mulheres que manifestamente não podem ter filhos e que continuam obcecadas , dispostas a tê-los a qualquer preço. Com tanta criança que por aí anda aos caídos, isso não é egoísmo também?

De uma vez por todas. Temos todas os mesmos direitos, ninguém é melhor que ninguém. O desejo de procriar é tão legítimo quanto o desejo de não o fazer. Certo? Ah claro, já sei. Não precisam de dizer. Sou uma insensível. Não posso compreender. Porque não sou mãe, pois claro.

Pois aqui esta pecadora capital, esta deficiente emocional a quem obviamente faltam peças fundamentais tem a dizer que, muito francamente, acho que os baby-blogs às vezes são tão queriduchos, tão mimosinhos, tão ternurentinhos, e as respectivas comentadoras são tão pi-pi-pi, tão qui-qui-qui, mi-mi-mi, nhe-nhe-nhe, tu-tu-tu, coro cocó, que me deixam a pontos de vomitar em cima deles.

Campanha Eleitoral IV

Hoping for the best but expecting de worst.

Para mim, o pior é ver o Cavaco levar isto logo à primeira. O melhor será ver o Manuel Alegre ir à segunda volta. Já não esgrimo mais argumentos sobre quem é o melhor candidato, os argumentos utilizam-se conforme as conveniências, a verdade é que há verdades de todos os ângulos que se olhe a coisa.

O Manuel Alegre merece a segunda volta. Merece ter mais votos que o Soares. Primeiro chamaram-no para uma missão e depois disseram-lhe que afinal não, obrigadinho, mas pensando bem há outra pessoa melhor. Porque estamos à rasca e temos que ganhar isto, custe o que custar. Foi isto. E isto não se faz.

Não deveria ser necessário dizê-lo, mas pelos vistos tem que ser, a política não é o campeonato de futebol e não se pode querer ganhar a qualquer preço. A política é suposto ter a ver com valores e dignidade e convicções. Mesmo que isso signifique não ganhar. Mas não, o que se vê é que em cada momento eleitoral, interessa é marcar golos e ganhar o jogo. Posso estar muito errada, mas eu acho que não pode ser assim.

O meu voto vai para o Manuel Alegre porque desde sempre, na minha opinião, é o único candidato que uma certa esquerda deveria ter apresentado, apoiado e dignificado. Mesmo assumindo o risco disso representar um resultado menos bom. Teria sido muito mais bonito de se ver.

O próximo Presidente será aquele que a maioria dos portugueses quiser eleger. E será o meu Presidente. Quanto à esquerda, mais uma vez, terá aquilo que fez por merecer.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Orgasmos e orgasmos

Muito engraçado. O site, quero eu dizer, que orgasmo não é uma coisa que se possa chamar de engraçado. Um orgasmo que nos dê vontade de rir, não sei, mas não deve ter sido grande coisa de orgasmo. Acho eu...

quarta-feira, janeiro 18, 2006

O meu estômago

É uma espécie de trituradora. Uma besta faminta cuja única preocupação é estar cheio, não importa com o quê. Logo, não se pode contar com ele. Nada de avisos, tipo, cuidado que isso que estás a comer não está bom, ou, recuso-me a digerir essa misturada de coisas. Nada disso. Amassa-se tudo, empurra-se pelo cano abaixo, e segue jogo.

Os intestinos são enfim os desgraçados que apanham sempre por conta. E mais uma vez, sem que o meu estômago ou papilas gustativas tenham emitido sequer um ínfimo sinal de alarme, estou agora a braços com um autêntico incêndio nas minhas entranhas, umas punhaladas filhas-da-puta que me forçam a dobrar-me sobre mim mesma e que aparecem sem aviso, e uns instestinos em tumulto, revoltados contra a inércia do estômago, e dizendo que assim não têm condições de fazer bem o seu trabalho.

Vou tomar uma Ultra-Levure, pode ser que isto passe. Ironia das ironias, quando eu comia fritos a torto e a direito, estas coisas aconteciam-me menos...

Campanha Eleitoral III

Pois, realmente, está tudo dito.

Todas as mulheres sonham com isto...


... Encontrar um homem que respeita e inclusive gosta das nossas partes flácidas!!...

(Colin Firth faz um efeito desgraçado)

sábado, janeiro 14, 2006

Campanha Eleitoral II

"ESCOLA DO ADRO

A malta que vinha à escola vestia ganga
comia um naco de boroa e uma sardinha
tinha tinta nos dedos e às vezes tinha
na cabeça uma doença chamada tinha.
Cheirava a fumo e a poeira dos caminhos
a minha avó dizia que era a raposinho
mas era a fumo e a bolor a tinta e a peido
um cheiro que já não há porque era o cheiro
do muito pouco em mil novecentos e quarenta e três
quando os automóveis andavam a gasogéneo
e aquela malta que vinha à escola
não tinha sapatos tinha chancas
às vezes tamancos e às vezes só pés.

Quando era Junho ou Julho aquela malta
depois da escola vinha para o rio
despia-se em frente das lavadeiras
«ai os grandes sacanas que já pintam»
diziam elas e riam-se e aquela malta
atirava torrões para cima da roupa branca
estendida a corar no areal.

Todas as manhãs se fazia a saudação fascista
mal o professor virava costas
começavam os manguitos e as caretas
daquela malta que não gostava de estender o braço
e punha a língua de fora para os retratos
de Carmona e Salazar na parede ao fundo.

Aquela malta que vinha à escola
não era malta para ser domada.
Talvez por isso o jeito que me ficou
de fazer manguitos pela vida fora."
Manuel Alegre
Rua de Baixo, 1990

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Desabafo de ordem pessoal

Que eu não sou de invejas, e aliás acho que esse é o sentimento mais negativo que pode existir. Não é isso.

Mas parece que ultimamente à minha volta só oiço falar em casas que se venderam num ápice, escrituras e mudanças, e por muito que tenha andado a combater este sentimento nos últimos tempos, hoje sinto-me um bocado invadida pelo chamado desespero. Estou há sete meses com a minha casa à venda e nem uma única alma apareceu até aos dias de hoje para a ver, quanto mais para a comprar.

Tenho a sensação que vou ficar enclausurada naquelas quatro paredes para todo o sempre e que nunca mais nos dias da minha vida vou conseguir sair daquele lugar que não tem nada a ver comigo...

Que merda.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Campanha Eleitoral I













"Que ninguém fale de prudência ninguém fale
de esperar. Há palavras que estão gastas (que me gastam)
Ponderação me pedem. Exigem que me cale
mas bebem do meu vinho meus campos devastam
à resignação chamam virtude juventude à indignação
com seus conselhos me enfastiam com seus prémios me castigam.
Se digo não me dizem sim se digo sim me dizem não
calar-me é doloroso mais ainda me é falar
pois o silêncio é uma traição mas há palavras que me gastam
há um falar que não é dizer há um tempo que se gasta.
Ah não me peçam para esperar que de esperar
eu desespero e a esperança já não basta
que já não posso já não posso suportar
nem os velhos que me falam da virtude
nem os novos que começam a ser velhos.
E se a revolta (dizem) é juventude
eu vos digo que há um tempo de acabar
com este tempo que se gasta e que nos gasta.
Altas são as montanhas. E as águas do mar são vastas.
Partir ou não partir. De qualquer modo ousar.
Pois o tempo é de agir. E as palavras estão gastas."
Manuel Alegre
Um Barco para Ítaca, 1971

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Há algo de ursa dentro de mim

De outro modo como é que se explica que eu tenha dormido quase nove horas a noite passada, e mesmo assim esteja aqui com um sono, mas um sono...

... que a bem dizer, todas as minhas forças se esvaem no simples esforço de manter os olhos abertos.

Deve ser do frio. E a minha costela de ursa está a pedir-me para hibernar...

Presidenciais

Assino por baixo tudo o que diz o Ruca, aqui.

Eu nem ando a pensar muito nestas eleições. É tão óbvio o que vai acontecer que nem vale a pena. Ai Portugal, Portugal...

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Gentemuitaespertasimsenhor

Fui eu há uns dias atrás muito lampeira ao Millenium BCP tirar cheques da máquina, facilidade até positiva, que a malta escusa de andar a pedir ao balcão, e mais não sei quê. Qual não é o meu espanto quando a máquina se recusa a vomitar os cheques como é costume, e sem me dizer sequer o porquê da coisa. Lá fui eu ao balcão, já a pensar que tinha feito porcaria e ainda tinha menos dinheiro do que pensava que tinha, perguntar porque estava eu assim excluída do maravilhoso mundo dos cheques impressos na máquina.

E diz-me a menina, ah e tal, só com um saldo superior a 200,00 € é que pode tirar cheques na máquina! E eu fiquei a pensar nisto.

Hoje lá fui eu outra vez, a dita cuja conta entretanto aprovisionada com um saldo que fez de mim, novamente, uma pessoa de confiança ao olhos daqueles senhores. Pelo sim pelo não, em vez de fazer cinco cheques fiz dez.

E pergunto eu, o que é que aquelas alimárias que inventaram esta medida, ganham com isto? Pessoas inteligentes à brava, sim senhor. A ver se encontro algum que me explique o que é que me impede agora, com os cheques na mão, de os passar ultrapassando o saldo da conta que lá está!

Que garantias lhes dá o facto de, no momento em que são emitidos os cheques, a conta ter mais de 200,00 €? É que ainda hoje posso ir lá buscar o dinheiro todo e ficar com a conta a zeros, entretanto a máquina já não vem a correr atrás de mim a exigir os cheques de volta! Acho eu, não sei... Vai na volta...

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Contenção

Orçamental
O mês de Janeiro é uma desgrça. Até ao próximo ordenado, não há livros nem discos, não há trapos, não há cinemas nem teatros, nem bugigangas. Únicas despesas permitidas: cafés, pequenos-almoços, almoços, combustível, compras de supermercado, e estas últimas também com muito cuidadinho.

Calórica
O mês de Dezembro foi uma desgraça. Até novas ordens, não há chocolates, bonbons, frutos secos, não há cá sobremesas a torto e a direito, nem bolos disto ou daquilo. Acabou-se. Finito. The end. Pãozinho e leitinho, iogurte magro e frutinha. Cozidos e grelhados. Bolachinhas integrais.

(Post escrito numa tentativa desesperada de ignorar caixa de After Eight com recheio de Irish Cream situada mesmo em frente ao meu campo de visão, trazida por colega especialista em boicotar resoluções firmes e inabaláveis, como obviamente são as minhas.)

PS: Caixa de After Eight também conhece a cantiga do Abrunhosa.

PS2: Por acaso provei destes After Eight no outro dia. São bons. Também há com creme de laranja e de limão. E há uns de chocolate branco, mas eu de chocolate branco não gosto muito. Estes por acaso são bons. Hum.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Ataque de pieguice romântica

"They say that all poets must have an unrequited love
As all lovers must have thought provoking fears

But holding on to you means letting go of pain
Means letting go of tears
Means letting go of the rain
Holding on to you
Means letting sorrows heal
Means letting go of what's not real
Holding on to you"
Holding on to you
Terence Trent d'Arby
in Vibrator

Não é costume, mas de vez em quando também me dá. Daqui a bocadinho já passa.