Coisa que eu devia ser proibida de ter. E porquê? Porque só me servem para duas coisas:
para eu deitar lá para dentro as coisas que não me fazem falta nenhuma mas que não consigo deitar fora vá-se lá saber porquê;
ou
para arrumar muito bem arrumadinhas coisas que eu acho que são importantes, mas que vão para o meio da confusão e eu nunca mais me lembro que as tenho nem onde é que foram parar.
Este fim-de-semana, à procura de uma coisa que não encontrei, acabei a fazer algo muito positivo para energizar o ambiente da casa (dizem os senhores do Feng-Shui, e eu acho que isto tem um fundo de verdade). Dei uma volta tal aqui às três gavetas da secretária que deitei fora, sem exagero, uns três quilos de papel e outros objectos inúteis.
Fiquei medianamente satisfeita. Gostava de ter achado o que andava à procura (há tantas outras gavetas por aqui, valha-me Deus!!). Mas por outro lado fiquei com estas três tão arrumadinhas e organizadinhas, que mal posso esperar por começar a entupi-las de porcaria outra vez!...
Upgrade: Deve ter sido da agitação energética. Esta noite (de Domingo para Segunda), uma das prateleiras da estante caiu outra vez! E é sempre a mesma. Curioso...
domingo, novembro 05, 2006
sexta-feira, novembro 03, 2006
quarta-feira, outubro 25, 2006
O crime compensa (?)
Aqui há uns dias atrás terminei de ler os Cem Anos de Solidão. E pensei em vir aqui em acto de contrição, declarar-me uma reles ameba literária que devia mas era estar quieta e não escrever uma porcaria de uma linha que fosse, e quando muito, castigar a minha presunção de escrever alguma coisa de jeito, deitando ao fogo cada uma das minhas tristes histórias à medida que as escrevesse. Isto porque me sinto sempre, enquanto presumida a escritora, muitapequenina defronte de Gabriel Garcia Márquez, daquele poder de imaginação, daquela mestria no domínio das palavras, dos sentimentos, do que existe e não existe.
Logo a seguir, apareceu esta coisa. E aquelas histórias, tão bem guardadas nos meus documentos, confortavelmente instaladas em pasta intitulada "textos originais", começaram a falar, as parvas. A insultarem-me, ainda por cima. A dizerem que sou uma ganda estúpida, uma lesma inútil que nem para ir aos Restauradores registá-las como minhas sou capaz de mexer um dedo. Que podem ser umas tristes amostras de aventuras literárias, mas ao menos estão de acordo com a pasta onde se encontram guardadas, são textos originais. Os meus textos originais.
Mereciam que eu lutasse mais por eles? Eh pá, se calhar sim, se calhar não. Podia andar com eles debaixo do braço e bater a umas portas? Podia, realmente. Mas bem vistas as coisas, aquilo que eu tenho são uns textos mais ou menos, que contam umas histórias assim assim, e a mim ninguém me conhece de lado nenhum.
Querem lá bem saber que sejam mesmo textos originais, mas mesmo mesmo. A triste verdade é que não me chamo Miguel Sousa Tavares ou outro qualquer nome sonante, nunca fui a nenhum reality show, nunca sequer apareci na televisão, não canto nem sou actriz, nem taróloga, nem coisa nenhuma. Portanto não há lugar para mim no mundo da literatura portuguesa...
Adenda: Que isto do Miguel Sousa Tavares transformou-se numa novela cibernauta. Vejam só este, mais este, este outro, e este ainda. Amanhã não se sabe quantos mais terão nascido...
Logo a seguir, apareceu esta coisa. E aquelas histórias, tão bem guardadas nos meus documentos, confortavelmente instaladas em pasta intitulada "textos originais", começaram a falar, as parvas. A insultarem-me, ainda por cima. A dizerem que sou uma ganda estúpida, uma lesma inútil que nem para ir aos Restauradores registá-las como minhas sou capaz de mexer um dedo. Que podem ser umas tristes amostras de aventuras literárias, mas ao menos estão de acordo com a pasta onde se encontram guardadas, são textos originais. Os meus textos originais.
Mereciam que eu lutasse mais por eles? Eh pá, se calhar sim, se calhar não. Podia andar com eles debaixo do braço e bater a umas portas? Podia, realmente. Mas bem vistas as coisas, aquilo que eu tenho são uns textos mais ou menos, que contam umas histórias assim assim, e a mim ninguém me conhece de lado nenhum.
Querem lá bem saber que sejam mesmo textos originais, mas mesmo mesmo. A triste verdade é que não me chamo Miguel Sousa Tavares ou outro qualquer nome sonante, nunca fui a nenhum reality show, nunca sequer apareci na televisão, não canto nem sou actriz, nem taróloga, nem coisa nenhuma. Portanto não há lugar para mim no mundo da literatura portuguesa...
Adenda: Que isto do Miguel Sousa Tavares transformou-se numa novela cibernauta. Vejam só este, mais este, este outro, e este ainda. Amanhã não se sabe quantos mais terão nascido...
terça-feira, outubro 24, 2006
Collants, essa grande chatice
Por conta deles é que eu acabo sempre por passar a maior parte do Inverno de calças. Não gosto de collants, e hoje tive que me render às evidências, calcei uns para passar o dia todo arrependida.
Sim, há homens que vivem com o martírio das gravatas e dos nós das ditas, mas meus amigos, convenhamos. Nada bate a irritação de uns collants a escorregarem pelas pernas abaixo, a repuxarem no meio das pernas de todas as vezes que se dá um passo... E o que é que acontece depois de uns tantos puxões a tentar "encaixá-los" no sítio? Rompem-se, claro está. Abrem malhas de cima a baixo, e deixam-nos com um certo ar de puta velha, do mais decadente que há.
E nem me venham com a conversa do ah e tal, o barato sai caro. Nada disso. Se há coisa em que a qualidade e o preço não andam a par é no caso das collants. Já empatei muito dinheirinho em meias da DIM que nem chegaram a ver a rua. Da primeira vez que as calcei romperam-se. E nem queiram saber como fica o meu humor para o resto do dia quando tento vestir-me e isto me acontece...
Mal por mal, nada como as collants marca "Alba". Vendem-se na loja dos chineses, umas caixinhas às riscas azuis e brancas, tamanho único, acho que dois pares custam 2,50€.
E agora deixa-me ir ali num instante à casa-de-banho, pôr as meias no sítio pela enésima vez, ainda o dia vai a meio...
Sim, há homens que vivem com o martírio das gravatas e dos nós das ditas, mas meus amigos, convenhamos. Nada bate a irritação de uns collants a escorregarem pelas pernas abaixo, a repuxarem no meio das pernas de todas as vezes que se dá um passo... E o que é que acontece depois de uns tantos puxões a tentar "encaixá-los" no sítio? Rompem-se, claro está. Abrem malhas de cima a baixo, e deixam-nos com um certo ar de puta velha, do mais decadente que há.
E nem me venham com a conversa do ah e tal, o barato sai caro. Nada disso. Se há coisa em que a qualidade e o preço não andam a par é no caso das collants. Já empatei muito dinheirinho em meias da DIM que nem chegaram a ver a rua. Da primeira vez que as calcei romperam-se. E nem queiram saber como fica o meu humor para o resto do dia quando tento vestir-me e isto me acontece...
Mal por mal, nada como as collants marca "Alba". Vendem-se na loja dos chineses, umas caixinhas às riscas azuis e brancas, tamanho único, acho que dois pares custam 2,50€.
E agora deixa-me ir ali num instante à casa-de-banho, pôr as meias no sítio pela enésima vez, ainda o dia vai a meio...
segunda-feira, outubro 23, 2006
Tomem lá, seus despeitados!
Que isto enfim, tivesse eu mais 20 centímetros, menos dez quilos, se pintasse o cabelo de preto, mandasse endireitar o nariz e eliminar a miopia, se me livrasse do acne e das varizes, se fosse actriz em Hollywood com dinheiro a rodos para comprar os melhores cremes, a melhor maquilhagem, as melhores roupas... assim também eu, assim também eu!...
sexta-feira, outubro 20, 2006
sexta-feira, outubro 13, 2006
Músicas para sonhar
Já não é a primeira vez que me acontece. Hoje de manhã, quando comecei a ouvir no rádio a música do Tom Sawyer, começaram a agitar-se uma montanha de emoções e recordações, e admito, à medida que cantarolava a coisa caiu uma lágrimazita ou outra.Eu adorava ver o Tom Sawyer. Mas o que me deixou mais emocionada esta manhã nem foi isso. É este fenómeno incrível de ouvirmos os primeiros acordes de uma música que nos diz algo, e imediatamente, abrir-se uma qualquer portinhola que dá para a cave das memórias mais antigas. E como essas memórias aparecem frescas e nítidas, como se tivessem estado a acompanhar-nos todos os dias... O embate é brutal, agita-nos as entranhas, e daí as lágrimas.
De repente vi com toda a clareza uma manhã de há quinhentos anos atrás, a minha mãe a voltar das compras com um livro para eu ler. Era o Tom Sawyer, e nem sei dizer o que foi que veio primeiro, os desenhos-animados ou o livro.
Um livro novo era sempre a melhor prenda que me poderiam dar. Nesse aspecto da minha educação sinto-me privilegiada. Nenhum dos meus pais foi além da instrução primária, mas sempre alimentaram esta minha paixão pelos livros. Naquele dia, a minha mãe comprou o Tom Sawyer sem qualquer critério, apenas porque sim. E foi a maior das alegrias.
Apenas uns poucos segundos de música. Mas hoje fez efeito, meu caro amigo. Um efeito do catano!...
quinta-feira, outubro 12, 2006
Não há lugar para estacionar
É de propósito. É que só pode ser. Ou então é um qualquer defeito genético, porque quando vai um qualquer ele a conduzir, isto nunca acontece.
Eu vou de carro seja para onde for, e vou à procura de estacionamento o mais perto possível, como é habitual. Sim. Admito que muitas vezes desprezo lugares mesmo bons, mas que são só um lugar, e as minhas parcas capacidades de manobra do veículo obrigam-me a ir estacionar mais longe. Costumo dizer que quando é para estacionar a direito, preciso sempre de lugar e meio. E isto se for para estacionar à direita. Se for à esquerda então, boa noite. Não quero saber. Reclama as tuas limitações porque elas pertencem-te, é frase do mais sábio que alguma vez ouvi.
E a questão não é essa, a questão é outra coisa que me está sempre, mas mesmo sempre, a acontecer. É eu passar num sítio qualquer onde quero estacionar, não há lugares, mesmo nenhuns, e vou dar uma volta do catano e deixo o carro a cascos. E depois venho a pé. E nessa algura é que eles estão à vista, aos dois lugares livres que nem era preciso fazer manobra, lugares em espinha, lugares, lugares, todos pertíssimo do sítio para onde vou, todos livres no espaço de minutos a seguir a eu ter passado por eles, ali mesmo à mão de semear, claramente a gozarem com a minha cara!...
Ah e tal, dar mais outra volta? Não adianta. Vai acontecer sempre o mesmo. Eu passo, não há lugares. Dou mais outra volta, não há lugares. Eu estaciono a quilómetros, e assim que saio do carro, os lugares começam a aparecer. É Karma. As mulheres sofrem muito.
Eu vou de carro seja para onde for, e vou à procura de estacionamento o mais perto possível, como é habitual. Sim. Admito que muitas vezes desprezo lugares mesmo bons, mas que são só um lugar, e as minhas parcas capacidades de manobra do veículo obrigam-me a ir estacionar mais longe. Costumo dizer que quando é para estacionar a direito, preciso sempre de lugar e meio. E isto se for para estacionar à direita. Se for à esquerda então, boa noite. Não quero saber. Reclama as tuas limitações porque elas pertencem-te, é frase do mais sábio que alguma vez ouvi.
E a questão não é essa, a questão é outra coisa que me está sempre, mas mesmo sempre, a acontecer. É eu passar num sítio qualquer onde quero estacionar, não há lugares, mesmo nenhuns, e vou dar uma volta do catano e deixo o carro a cascos. E depois venho a pé. E nessa algura é que eles estão à vista, aos dois lugares livres que nem era preciso fazer manobra, lugares em espinha, lugares, lugares, todos pertíssimo do sítio para onde vou, todos livres no espaço de minutos a seguir a eu ter passado por eles, ali mesmo à mão de semear, claramente a gozarem com a minha cara!...
Ah e tal, dar mais outra volta? Não adianta. Vai acontecer sempre o mesmo. Eu passo, não há lugares. Dou mais outra volta, não há lugares. Eu estaciono a quilómetros, e assim que saio do carro, os lugares começam a aparecer. É Karma. As mulheres sofrem muito.
quarta-feira, outubro 11, 2006
A minha pobre vagina
Que tantas alegrias me tem dado no passado, continua doente. E como qualquer mulher que se preze precisa de viver com uma vagina em condições, fui ontem com ela à Maternidade Alfredo da Costa, porque se há sítio neste País que perceba de vaginas, é lá de certeza absoluta.
A assim foi. Esperado o tempo regulamentar entrámos as duas no gabinete para a consulta, mas foi preciso alguma presença de espírito para não dar meia-volta e fugir logo no primeiro embate. É que à espera da minha vagina estavam dois pénis acabadinhos de sair da faculdade, de tal maneira novinhos, que de certeza absoluta, já a minha vagina menstruava e aqueles pénis ainda não tinham nascido.
Era evidente para todos naquela sala que aqueles dois pénis inexperientes não tinham arcaboiço para se aguentarem com uma vagina como a minha, nem mesmo com ela boa de saúde, quanto mais cheia de complicações como ela anda. Mas mesmo assim, confiei. Afinal, todos nós já passámos pelo tempo em que as nossas vaginas e os nossos pénis podiam contar apenas com muita informação teórica e pouca ou nenhuma experiência prática. E não há inexperiência que não se possa compensar com entusiasmo, vontade de experimentar coisas novas e é claro, alguma humildade.
Foi o caso. Depois de fazer o relatório de tudo aquilo por que a minha vagina já passou, ambos os pénis abandonaram o gabinete por uns cinco minutos. Estou capaz de apostar que foram ter com alguma vagina mais velha, algum pénis mais rodado, que lhes dissesse o que fazer com a minha pobre vagina. Voltaram de lá com um tratamento bem estruturado, que me deu, pelo menos para já, a esperança de uma recuperação.
Que ao menos haja essa esperança. Já que nos últimos tempos a única coisa boa que resta à minha pobre vagina e ao pobre pénis que tantas noites dorme ao lado dela, é a lembrança de tempos muito mais felizes...
A assim foi. Esperado o tempo regulamentar entrámos as duas no gabinete para a consulta, mas foi preciso alguma presença de espírito para não dar meia-volta e fugir logo no primeiro embate. É que à espera da minha vagina estavam dois pénis acabadinhos de sair da faculdade, de tal maneira novinhos, que de certeza absoluta, já a minha vagina menstruava e aqueles pénis ainda não tinham nascido.
Era evidente para todos naquela sala que aqueles dois pénis inexperientes não tinham arcaboiço para se aguentarem com uma vagina como a minha, nem mesmo com ela boa de saúde, quanto mais cheia de complicações como ela anda. Mas mesmo assim, confiei. Afinal, todos nós já passámos pelo tempo em que as nossas vaginas e os nossos pénis podiam contar apenas com muita informação teórica e pouca ou nenhuma experiência prática. E não há inexperiência que não se possa compensar com entusiasmo, vontade de experimentar coisas novas e é claro, alguma humildade.
Foi o caso. Depois de fazer o relatório de tudo aquilo por que a minha vagina já passou, ambos os pénis abandonaram o gabinete por uns cinco minutos. Estou capaz de apostar que foram ter com alguma vagina mais velha, algum pénis mais rodado, que lhes dissesse o que fazer com a minha pobre vagina. Voltaram de lá com um tratamento bem estruturado, que me deu, pelo menos para já, a esperança de uma recuperação.
Que ao menos haja essa esperança. Já que nos últimos tempos a única coisa boa que resta à minha pobre vagina e ao pobre pénis que tantas noites dorme ao lado dela, é a lembrança de tempos muito mais felizes...
segunda-feira, outubro 09, 2006
Pescadinha de rabo na boca
A flora vaginal é naturalmente ácida. É neste ambiente que se desenvolvem os bacilos Doderlein, essenciais para combater infecções por bactérias e outras porcarias.
Quando se tem uma infecção por bactérias, é preciso tomar antibiótico. Os antibióticos enfraquecem o sistema imunitário.
Quando se toma antibiótico para eliminar as bactérias, o sistema imunitário enfraquece e o organismo fica mais sujeito a infecções por fungos, como a Candida Albicans.
Quando se combate a Candida, altera-se o PH vaginal, porque o fungo não sobrevive em ambiente alcalino.
Quando se eleva o PH vaginal, matam-se os bacilos Doderlein que combatem as infecções por bactérias. As bactérias dão-se bem com ambiente alcalino.
Quando se tem uma infecção por bactérias é preciso tomar antibiótico...
Quando se tem uma infecção por bactérias, é preciso tomar antibiótico. Os antibióticos enfraquecem o sistema imunitário.
Quando se toma antibiótico para eliminar as bactérias, o sistema imunitário enfraquece e o organismo fica mais sujeito a infecções por fungos, como a Candida Albicans.
Quando se combate a Candida, altera-se o PH vaginal, porque o fungo não sobrevive em ambiente alcalino.
Quando se eleva o PH vaginal, matam-se os bacilos Doderlein que combatem as infecções por bactérias. As bactérias dão-se bem com ambiente alcalino.
Quando se tem uma infecção por bactérias é preciso tomar antibiótico...
quarta-feira, outubro 04, 2006
Fecha-se uma porta...
Depois de três épocas de natação completas que tanto bem me fizeram ao corpo e ao espírito, tenho mesmo que decretar uma interrupção dessa prática por período indeterminado.Mas já que esperei 30 anos para começar a fazer exercício físico com regularidade, deixa cá ver se não perco de vista este bom hábito. Começo hoje com o ginásio. Ginástica localizada, Aeróbica e Step.
Vou um bocado contrariada. Mas o meu inconformismo empurra-me para a frente. E melhores dias virão. Espero.
PS após primeira aula: Habituada ao exercício dentro da piscina, senti-me literalmente um peixe fora de água. Mas estou entusiasmada. Suei que nem uma camela e vim coxa da perna esquerda, é verdade. Mas por outro lado, se eu levar isto direitinho, desconfio que é desta que eu perco os tais três quilos a mais. Se é que hoje em dia são só três, que eu nunca mais fui à balança. Porquê? Porque motivos para andar deprimida já eu tenho de sobra, não preciso de mais esse...
segunda-feira, outubro 02, 2006
Crise da Segunda-Feira
Custou-me tanto hoje. Ainda estava meio escuro, e eu levantar-me sem luz do dia é um sacrifício do catano. E pensar em começar outra semana de trabalho, o mesmo trabalho, com as mesmas pessoas e os mesmos problemas eternamente sem solução, acordaram hoje ainda mais pesados do que habitualmente. Tive que recorrer à imagem mental da grua, a vir do tecto até ao nível da cama, a elevar-me em peso até me por de pé, e depois lá me levantei. Mas custou-me tanto.
Há bocado no café, enquanto tomava o pequeno-almoço, vi um garoto de uns quatro anitos aos gritos e a chorar, uma fita de todo o tamanho. A mãe teve que pegar nele ao colo e levá-lo enquanto ele esbraçejava: "NÃO QUEEEEERO! NÃO QUEEEEERO IR PARA A ESCOOOOOLA HOOOOOJE!...".
Privilégio de criança, isto de se poder fazer uma fita. Com mais 30 anos em cima, não me posso dar àquele luxo. Mas estou totalmente solidária com ele. Dentro de mim existe hoje algo dentro de mim que está igualmente aos gritos e a chorar compulsivamente. Humpf...
Há bocado no café, enquanto tomava o pequeno-almoço, vi um garoto de uns quatro anitos aos gritos e a chorar, uma fita de todo o tamanho. A mãe teve que pegar nele ao colo e levá-lo enquanto ele esbraçejava: "NÃO QUEEEEERO! NÃO QUEEEEERO IR PARA A ESCOOOOOLA HOOOOOJE!...".
Privilégio de criança, isto de se poder fazer uma fita. Com mais 30 anos em cima, não me posso dar àquele luxo. Mas estou totalmente solidária com ele. Dentro de mim existe hoje algo dentro de mim que está igualmente aos gritos e a chorar compulsivamente. Humpf...
segunda-feira, setembro 25, 2006
Cidália e Julieta
Lá no escritório ninguém gosta muito da Cidália. É um bocado burra, tem um corpo meio desconchavado e nunca diz nada que interesse aos outros à sua volta. Parece uma versão feminina do Mr. Bean. Anda sempre sozinha. As pessoas riem-se à socapa daquela figura que parece sempre deslocada na sua profissão, deslocada nas roupas que veste, deslocada nas coisas que diz quando tenta ser simpática, deslocada dentro de si mesma. Solteirona e encalhada, se ainda não tem os 40 já não falta muito de certeza. Olha-se-lhe para dentro dos olhos e não se vê nada, ninguém sabe que pessoa é, nem o que é que verdadeiramente pensa, se é que pensa alguma coisa.
A Julieta é uma das pessoas que não a grama nem à lei da bala. Não perde uma oportunidade para a reduzir à sua insignificância, de preferência puxando dos seus galões de profissional superior e do seu estatuto de mulher bem casada. No outro dia o sarcasmo roçou a crueldade, quando se referiu a um hipotético namorado, coisa que não consta que exista ou alguma vez tenha existido para a Cidália. Uma boca foleira ao género toma-lá-que-já-te-entalei, especialidade exclusiva de mulher para mulher.
A outra deu-lhe uma resposta já meio entaramelada pela timidez e respeito à hierarquia, rodou nos calcanhares e sentou-se a engolir a frustração virada para o ambiente de trabalho. É uma questão de tempo até que lhe passe pelas mãos um qualquer processo de grande importância para a Julieta, e nessa altura, alguma coisa irá desaparecer ou correr mal, por motivos que ninguém entenderá.
A anos-luz das frustrações desta insignificante Cidália (será que ainda é virgem, coitada), a bem sucedida Julieta encaminha-se para casa tarde a más horas. Não há pressas. Hoje, tal como na maior parte dos dias da semana, tem à sua espera uma casa em silêncio, só terá a companhia do marido lá para as tantas da manhã. Também ele é um homem muito bem sucedido e atarefado.
A Julieta é uma das pessoas que não a grama nem à lei da bala. Não perde uma oportunidade para a reduzir à sua insignificância, de preferência puxando dos seus galões de profissional superior e do seu estatuto de mulher bem casada. No outro dia o sarcasmo roçou a crueldade, quando se referiu a um hipotético namorado, coisa que não consta que exista ou alguma vez tenha existido para a Cidália. Uma boca foleira ao género toma-lá-que-já-te-entalei, especialidade exclusiva de mulher para mulher.
A outra deu-lhe uma resposta já meio entaramelada pela timidez e respeito à hierarquia, rodou nos calcanhares e sentou-se a engolir a frustração virada para o ambiente de trabalho. É uma questão de tempo até que lhe passe pelas mãos um qualquer processo de grande importância para a Julieta, e nessa altura, alguma coisa irá desaparecer ou correr mal, por motivos que ninguém entenderá.
A anos-luz das frustrações desta insignificante Cidália (será que ainda é virgem, coitada), a bem sucedida Julieta encaminha-se para casa tarde a más horas. Não há pressas. Hoje, tal como na maior parte dos dias da semana, tem à sua espera uma casa em silêncio, só terá a companhia do marido lá para as tantas da manhã. Também ele é um homem muito bem sucedido e atarefado.
domingo, setembro 24, 2006
"Mas vocês acham que eu ando aqui a dormir?..."

Estou deliciada com a campanha pró-vandalismo do mupi publicitário da Delta que surgiu recentemente, e que conta com a participação daquele rapaz que se diz que é humorista, um tal de Bruno Marques, ou assim.
É o jogo do "mata-esfola" a uma escala global, e isso é giro. Que é como quem diz, ai vão vandalizar isto de qualquer das maneiras, então vamos lá a fazer um concurso a ver quem é que vandaliza melhor.
Num País que tantas vezes prima pelo cinzentismo, acho notável que uma empresa tenha suficiente poder de visão para vender o seu produto recorrendo ao humor. E ainda por cima, tem a inteligência de continuar a aproveitar meios alternativos de publicidade, patrocinando um prémio para o autor do melhor acto de vandalismo.
Está tudo muito bem explicadinho aqui na chafarica do xô Marques. E para ver os vandalismos todos (que já me fartei de rir hoje), façam favor de clicar. Mas não resisto a deixar um dos que mais gostei, com a devida vénia ao autor, Manual de Deus.
quarta-feira, setembro 20, 2006
Parece anedota de loura mas não é
Certa rapariga foi a um restaurante chinês e apreciou o exotismo dos caracteres impressos nos pauzinhos da refeição.
Resolveu tatuar os ditos caracteres no pescoço. Ficou bem giro, deu-lhe um certo estilo e tal.
Quando chegou ao trabalho, tinha lá um colega de origem chinesa que traduziu aquilo para o pessoal.
Dizia "bom apetite".
Resolveu tatuar os ditos caracteres no pescoço. Ficou bem giro, deu-lhe um certo estilo e tal.
Quando chegou ao trabalho, tinha lá um colega de origem chinesa que traduziu aquilo para o pessoal.
Dizia "bom apetite".
sexta-feira, setembro 15, 2006
Literatura, palavras cruzadas e sudoku
Que o meu pai cultiva o hábito da leitura, já eu sei de há muitos anos. Palavras cruzadas, também foi sempre um passatempo preferido, tudo bem. Agora, sudoku? Ficámos de boca aberta, eu e a minha irmã. O sr. Manuel, do alto dos seus 75 anos, anda-me a fazer sudokus como se não houvesse amanhã.
"Ah e tal, os do Correio da Manhã e do Record faço com uma perna às costas. Os do 24 Horas são uma porcaria e desconfio que estão todos engatados. E os do Público são difíceis à brava, vejo-me à rasca para os fazer e muitas vezes não consigo..."
Meti a viola no saco. Sim, porque aqui esta cabeça loira que vos tecla está prontinha a varar a noite dissertando sobre questões profundas como o Existencialismo nos filósofos alemães, os dogmas e contradições da religião católica, a pintura Expressionista. Mas se me puserem daqueles quadradinhos com números à frente os meus neurónios começam a chocalhar todos uns contra os outros e o único pensamento que consigo formular é "sistem failure".
Sudoku. "Ah e tal, tenho um sistema para fazer aquilo...". E explicou como é o sistema. Não percebi patavina. Mas abençoado seja o exercício regular que ele faz ao próprio cérebro. Cheira-me que são anos ganhos de sanidade mental, e mais tempo para nós podermos desfrutar da sua companhia com boa saúde.
"Ah e tal, os do Correio da Manhã e do Record faço com uma perna às costas. Os do 24 Horas são uma porcaria e desconfio que estão todos engatados. E os do Público são difíceis à brava, vejo-me à rasca para os fazer e muitas vezes não consigo..."
Meti a viola no saco. Sim, porque aqui esta cabeça loira que vos tecla está prontinha a varar a noite dissertando sobre questões profundas como o Existencialismo nos filósofos alemães, os dogmas e contradições da religião católica, a pintura Expressionista. Mas se me puserem daqueles quadradinhos com números à frente os meus neurónios começam a chocalhar todos uns contra os outros e o único pensamento que consigo formular é "sistem failure".
Sudoku. "Ah e tal, tenho um sistema para fazer aquilo...". E explicou como é o sistema. Não percebi patavina. Mas abençoado seja o exercício regular que ele faz ao próprio cérebro. Cheira-me que são anos ganhos de sanidade mental, e mais tempo para nós podermos desfrutar da sua companhia com boa saúde.
quinta-feira, setembro 14, 2006
Ciganices
Cigana:
Venho aqui perguntar porque é que não tenho direito ao subsídio.
Funcionária Pública:
A senhora não tem direito porque o seu IRS de 2005 tem um rendimento de 15.000 €...
Cigana:
15.000 €?!?!?! Com a vida desgraçada que eu levo?... Isso não pode ser!...
Esse IRS não é meu.
Esse IRS é meu mas o contabilista enganou-se, a culpa é dele.
Dê-me uma cópia disso, não sei do original do IRS.
Roubaram-me o original quando me assaltaram o carro, partiram-me o carro todo.
E a Funcionária Pública vê-a todos os dias a almoçar no café com as quatro filhas...
Venho aqui perguntar porque é que não tenho direito ao subsídio.
Funcionária Pública:
A senhora não tem direito porque o seu IRS de 2005 tem um rendimento de 15.000 €...
Cigana:
15.000 €?!?!?! Com a vida desgraçada que eu levo?... Isso não pode ser!...
Esse IRS não é meu.
Esse IRS é meu mas o contabilista enganou-se, a culpa é dele.
Dê-me uma cópia disso, não sei do original do IRS.
Roubaram-me o original quando me assaltaram o carro, partiram-me o carro todo.
E a Funcionária Pública vê-a todos os dias a almoçar no café com as quatro filhas...
terça-feira, setembro 12, 2006
Olha! Baixou a gasolina outra vez
Mas eu hoje em dia já desconfio muito destas baixas de preço.
Cá para mim, os gajos estão só a recuar para tomarem balanço.
Cá para mim, os gajos estão só a recuar para tomarem balanço.
terça-feira, setembro 05, 2006
O meu nome é Albicans. Candida Albicans.
E tem licença para me atormentar. Ando há sete meses a lutar contra uma inflamação vaginal provocada por este fungo e estou cada vez mais desesperada. Nada resolve o problema. Já tenho que puxar muito pela cabeça para me recordar de todos os tratamentos que já fiz, de todas as substâncias que já ingeri ou apliquei, tudo o que consigo após cada tratamento são alguns dias, desta última vez então, apenas algumas horas de alívio até a inflamação voltar, sempre com mais força.
A minha esperança era que, quando me sentasse para escrever sobre este problema fosse uma coisa do género, aconteceu-me isto, resolvi desta maneira assim, assim. Um pouco até para ajudar uma desgraçada qualquer que, tal como eu, ande a circular pela internet à procura de alguma resposta que ainda ninguém deu, alguma substância activa que ainda não se experimentou, qualquer coisa, que eu por mim falo, se por esta altura me garantirem que para resolver o problema o melhor é saltar de um sítio qualquer alto, eu vou direitinha à Ponte 25 de Abril, atiro-me e nem discuto.
Mas não. Não tenho solução para apresentar. Antes agradeço qualquer contributo que surja de quem já tenha passado pelo mesmo ou saiba do que é que eu estou a falar. Porque eu já não sei o que hei-de fazer mais.
Os primeiros sintomas surgiram em finais de Janeiro. Comichão, ardor, não me espantou por aí além, eu fazia natação três vezes por semana (fazia, porque entretanto já abandonei) e as mulheres têm a chamada porta aberta para o mundo. Nestas circunstâncias, uma inflamação por Cândida é coisa corriqueira. Fui ao meu médico que me mandou aplicar o “Gyno-Pevaril” (Nitrato de Econazol). Não passou. Voltei lá, para ouvir o primeiro disparate de todo este processo. E ainda me custa mais, vindo de um médico que já me conhece há anos, e que até costuma ser tão cauteloso nos diagnósticos. Enfim. Que não havia nenhum fungo. Que o que eu tinha provavelmente era alguma ferida, provocada por uma incompatibilidade anatómica entre mim e o meu parceiro(?!). Mandou-me aplicar um outro creme, desta vez o “Travocort” (Nitrato de Isoconazol + Valerianato de Diflucortolona).
No início de Março, já a dizer mal da minha vida, virei-me para o ginecologista. Ao princípio a coisa parecia bem encaminhada. De acordo com a observação, o meu mal era Thricomonas, independentemente da existência do fungo. Lá fui eu recambiada, com comprimidos “Flagentyl” (Secnidazol) para tomar, eu e o meu parceiro, e mais 10 dias a aplicar óvulos “Flagyl”, com a mesma substância activa. Nesta altura entraram as alergias ao barulho, e já não consegui concluir o tratamento. A alergia aos óvulos foi de tal maneira que o simples facto de me limpar com papel higiénico deixava-me a amarinhar pelas paredes com comichão e ardor. Fui ter com o ginecologista de urgência que me passou para o creme “Gino-Canesten” (Clotrimazol). Melhorei. No fim deste tratamento fui fazer um exsudado vaginal pela primeira vez, e para mal dos meus pecados, cedo demais. Assim, quando me cheguei ao senhor doutor com uma análise negativa, mas a dizer-lhe que continuava a não me sentir bem, ele preferiu acreditar na análise e não em mim. Veio a segunda dose de disparates. Que eu precisava de me descontrair. Não foi por estas palavras, mas no fundo o que me foi transmitido é que o problema já não estava na vagina, mas sim na cabeça. E eu, estúpida, deixei-me convencer daquilo. Fui para casa esperar pelo resultado da citologia, tentando convencer-me que os sintomas eram todos psicológicos.
Em Abril voltei ao mesmo médico, porque me sentia cada vez pior. Fui lá perder o meu tempo e o dele. Que eu não me podia andar a lavar com anti-sépticos. Que era por isso que eu não melhorava. Areje, não se lave muito, descontraia-se, adeus e um queijo. Em Maio passei para outro ginecologista, nesta altura já totalmente deprimida. Na observação estava tudo bem, não havia motivos para. Fiquei de lhe levar o resultado da citologia, que tardava. Fui lá na semana seguinte, com mais outro resultado negativo. Palavra de honra que eu nunca imaginei receber resultados de análises que diziam estar tudo bem, e ficar desesperada a chorar agarrada aos papéis. As análises diziam uma coisa mas eu sentia outra totalmente diferente.
Acabei a repetir o esxudado por minha própria conta. E já armada em médica de mim mesma, enquanto esperava pelo resultado, comprei uma embalagem de “Sporanox” (Itraconazol), e só no primeiro dia tomei 400 mg. A seguir, 100 mg por dia, durante cinco dias. Enfim, mal não fez, mas também não resolveu.
Parei com a pílula e abandonei definitivamente a piscina (também, as vezes que lá consegui ir nos meses anteriores contaram-se pelos dedos). Em finais de Maio mudei para uma ginecologista que pelo menos tem a virtude de partilhar a minha frustração perante os insucessos. Levei-lhe uma análise positiva para Candida Albicans. Vim de lá cheia de esperança que desta vez é que era. Anti-inflamatório “Maxilaze” (Alfa-Amilase) + anti-alérgico “Xyzal” (Cloridrato de levocetirizina) durante 10 dias, seguidos de 12 dias a aplicar óvulos “Dafnegil” (Nifuratel + Nistatina). Ao mesmo tempo, uma droga nova para fazer as vezes de vacina. “Baciginal Oral”, um suplemento alimentar com probióticos, ainda pouco conhecido, e que ao fim de 12 dias me deixou cheia de urticária. Era suposto tomar aquilo 45 dias seguidos. Deixei de os tomar, terminei o resto do tratamento e tudo até levava a crer que estava resolvido, finalmente.
Tive descanso durante 10 dias. Quando fui repetir a análise já ia com a certeza do que é que me esperava. Lá voltou o resultado positivo para Candida, e a uma pesquisa por Chlamydia e por Mycoplasma, veio o resultado negativo para a primeira (alívio), mas positivo para o segundo, com um bicharoco chamado “Ureaplasma urealyticum”.
A última consulta foi em Agosto. Com a médica a dizer que já não sabe o que me há-de fazer. Tomei antibiótico “Vibramicina” (Doxicilina) para ver se mato o Mycoplasma, e tomei o “Rapamic” (Cetoconazol) durante 11 dias. A seguir reforcei com mais 12 dias de “Dafnegil”. Bastou tomar um comprimido de cada para a alergia se manifestar outra vez. Felizmente consegui controlá-la, mas só recorrendo a mais medicamento, desta feita “Atarax” (Hidroxizina). Terminei no Sábado passado, e desta vez nem tive direito a descanso. Os sintomas nunca chegaram a desaparecer totalmente, e foi uma questão de horas até se afirmarem definitivamente, a uma velocidade que eu considero ao mesmo tempo assustadora e impressionante.
Já na base do desespero vou dobrar a dose diária de “Rapamic” e engolir mais uns tantos comprimidos nos próximos dias. Anti-inflamatório “Nimed” (Nimesulida), porque não, já agora marcha também. Nesta altura já estou a rezar para não acordar amanhã de manhã cheia de manchas pelo corpo todo, mas desconfio que é o que tenho mais certo. Dizem que aplicar iogurte natural às vezes ajuda, vou experimentar isso também. E depois lá tenho eu que esperar 15 dias para repetir a análise, agora com um teste de resistência aos antifúngicos, para ver se ando a tomar alguma coisa que em vez de matar, esteja a dar de comer à bicha.
Entretanto vou virar-me também para o alergologista, porque sei lá, às tantas ando a comer alguma coisa à qual sou alérgica, e não tenho dúvidas que por esta altura o meu sistema imunitário está a precisar de uma ajuda qualquer.
O que é que falta? Qual é a análise, qual é a droga, produto químico, natural ou assim, assim, seja o que for, eu estou disposta a tudo. Haverá algum médico que saiba mais do que estes que eu tenho visitado, e tenha na manga algum tratamento eficaz para me devolver a uma vida normal? Aquela vida normal que eu passei tantos, demasiados anos sem ter, e que agora teria, não fosse isto.
O pior de tudo é pensar na possibilidade que mais me atormenta, a de que se calhar não há nada a fazer, e que a minha vida não vai passar disto. Sei que estes pensamentos negativos não me ajudam em nada. Mas a verdade é que, se há dias em que vou buscar forças não sei onde, optimismo não sei a quê, e a coisa leva-se, outros há em que já não me sinto capaz de nada. Só de me estender ali no sofá, fechar os olhos e deixar-me dormir.
A minha esperança era que, quando me sentasse para escrever sobre este problema fosse uma coisa do género, aconteceu-me isto, resolvi desta maneira assim, assim. Um pouco até para ajudar uma desgraçada qualquer que, tal como eu, ande a circular pela internet à procura de alguma resposta que ainda ninguém deu, alguma substância activa que ainda não se experimentou, qualquer coisa, que eu por mim falo, se por esta altura me garantirem que para resolver o problema o melhor é saltar de um sítio qualquer alto, eu vou direitinha à Ponte 25 de Abril, atiro-me e nem discuto.
Mas não. Não tenho solução para apresentar. Antes agradeço qualquer contributo que surja de quem já tenha passado pelo mesmo ou saiba do que é que eu estou a falar. Porque eu já não sei o que hei-de fazer mais.
Os primeiros sintomas surgiram em finais de Janeiro. Comichão, ardor, não me espantou por aí além, eu fazia natação três vezes por semana (fazia, porque entretanto já abandonei) e as mulheres têm a chamada porta aberta para o mundo. Nestas circunstâncias, uma inflamação por Cândida é coisa corriqueira. Fui ao meu médico que me mandou aplicar o “Gyno-Pevaril” (Nitrato de Econazol). Não passou. Voltei lá, para ouvir o primeiro disparate de todo este processo. E ainda me custa mais, vindo de um médico que já me conhece há anos, e que até costuma ser tão cauteloso nos diagnósticos. Enfim. Que não havia nenhum fungo. Que o que eu tinha provavelmente era alguma ferida, provocada por uma incompatibilidade anatómica entre mim e o meu parceiro(?!). Mandou-me aplicar um outro creme, desta vez o “Travocort” (Nitrato de Isoconazol + Valerianato de Diflucortolona).
No início de Março, já a dizer mal da minha vida, virei-me para o ginecologista. Ao princípio a coisa parecia bem encaminhada. De acordo com a observação, o meu mal era Thricomonas, independentemente da existência do fungo. Lá fui eu recambiada, com comprimidos “Flagentyl” (Secnidazol) para tomar, eu e o meu parceiro, e mais 10 dias a aplicar óvulos “Flagyl”, com a mesma substância activa. Nesta altura entraram as alergias ao barulho, e já não consegui concluir o tratamento. A alergia aos óvulos foi de tal maneira que o simples facto de me limpar com papel higiénico deixava-me a amarinhar pelas paredes com comichão e ardor. Fui ter com o ginecologista de urgência que me passou para o creme “Gino-Canesten” (Clotrimazol). Melhorei. No fim deste tratamento fui fazer um exsudado vaginal pela primeira vez, e para mal dos meus pecados, cedo demais. Assim, quando me cheguei ao senhor doutor com uma análise negativa, mas a dizer-lhe que continuava a não me sentir bem, ele preferiu acreditar na análise e não em mim. Veio a segunda dose de disparates. Que eu precisava de me descontrair. Não foi por estas palavras, mas no fundo o que me foi transmitido é que o problema já não estava na vagina, mas sim na cabeça. E eu, estúpida, deixei-me convencer daquilo. Fui para casa esperar pelo resultado da citologia, tentando convencer-me que os sintomas eram todos psicológicos.
Em Abril voltei ao mesmo médico, porque me sentia cada vez pior. Fui lá perder o meu tempo e o dele. Que eu não me podia andar a lavar com anti-sépticos. Que era por isso que eu não melhorava. Areje, não se lave muito, descontraia-se, adeus e um queijo. Em Maio passei para outro ginecologista, nesta altura já totalmente deprimida. Na observação estava tudo bem, não havia motivos para. Fiquei de lhe levar o resultado da citologia, que tardava. Fui lá na semana seguinte, com mais outro resultado negativo. Palavra de honra que eu nunca imaginei receber resultados de análises que diziam estar tudo bem, e ficar desesperada a chorar agarrada aos papéis. As análises diziam uma coisa mas eu sentia outra totalmente diferente.
Acabei a repetir o esxudado por minha própria conta. E já armada em médica de mim mesma, enquanto esperava pelo resultado, comprei uma embalagem de “Sporanox” (Itraconazol), e só no primeiro dia tomei 400 mg. A seguir, 100 mg por dia, durante cinco dias. Enfim, mal não fez, mas também não resolveu.
Parei com a pílula e abandonei definitivamente a piscina (também, as vezes que lá consegui ir nos meses anteriores contaram-se pelos dedos). Em finais de Maio mudei para uma ginecologista que pelo menos tem a virtude de partilhar a minha frustração perante os insucessos. Levei-lhe uma análise positiva para Candida Albicans. Vim de lá cheia de esperança que desta vez é que era. Anti-inflamatório “Maxilaze” (Alfa-Amilase) + anti-alérgico “Xyzal” (Cloridrato de levocetirizina) durante 10 dias, seguidos de 12 dias a aplicar óvulos “Dafnegil” (Nifuratel + Nistatina). Ao mesmo tempo, uma droga nova para fazer as vezes de vacina. “Baciginal Oral”, um suplemento alimentar com probióticos, ainda pouco conhecido, e que ao fim de 12 dias me deixou cheia de urticária. Era suposto tomar aquilo 45 dias seguidos. Deixei de os tomar, terminei o resto do tratamento e tudo até levava a crer que estava resolvido, finalmente.
Tive descanso durante 10 dias. Quando fui repetir a análise já ia com a certeza do que é que me esperava. Lá voltou o resultado positivo para Candida, e a uma pesquisa por Chlamydia e por Mycoplasma, veio o resultado negativo para a primeira (alívio), mas positivo para o segundo, com um bicharoco chamado “Ureaplasma urealyticum”.
A última consulta foi em Agosto. Com a médica a dizer que já não sabe o que me há-de fazer. Tomei antibiótico “Vibramicina” (Doxicilina) para ver se mato o Mycoplasma, e tomei o “Rapamic” (Cetoconazol) durante 11 dias. A seguir reforcei com mais 12 dias de “Dafnegil”. Bastou tomar um comprimido de cada para a alergia se manifestar outra vez. Felizmente consegui controlá-la, mas só recorrendo a mais medicamento, desta feita “Atarax” (Hidroxizina). Terminei no Sábado passado, e desta vez nem tive direito a descanso. Os sintomas nunca chegaram a desaparecer totalmente, e foi uma questão de horas até se afirmarem definitivamente, a uma velocidade que eu considero ao mesmo tempo assustadora e impressionante.
Já na base do desespero vou dobrar a dose diária de “Rapamic” e engolir mais uns tantos comprimidos nos próximos dias. Anti-inflamatório “Nimed” (Nimesulida), porque não, já agora marcha também. Nesta altura já estou a rezar para não acordar amanhã de manhã cheia de manchas pelo corpo todo, mas desconfio que é o que tenho mais certo. Dizem que aplicar iogurte natural às vezes ajuda, vou experimentar isso também. E depois lá tenho eu que esperar 15 dias para repetir a análise, agora com um teste de resistência aos antifúngicos, para ver se ando a tomar alguma coisa que em vez de matar, esteja a dar de comer à bicha.
Entretanto vou virar-me também para o alergologista, porque sei lá, às tantas ando a comer alguma coisa à qual sou alérgica, e não tenho dúvidas que por esta altura o meu sistema imunitário está a precisar de uma ajuda qualquer.
O que é que falta? Qual é a análise, qual é a droga, produto químico, natural ou assim, assim, seja o que for, eu estou disposta a tudo. Haverá algum médico que saiba mais do que estes que eu tenho visitado, e tenha na manga algum tratamento eficaz para me devolver a uma vida normal? Aquela vida normal que eu passei tantos, demasiados anos sem ter, e que agora teria, não fosse isto.
O pior de tudo é pensar na possibilidade que mais me atormenta, a de que se calhar não há nada a fazer, e que a minha vida não vai passar disto. Sei que estes pensamentos negativos não me ajudam em nada. Mas a verdade é que, se há dias em que vou buscar forças não sei onde, optimismo não sei a quê, e a coisa leva-se, outros há em que já não me sinto capaz de nada. Só de me estender ali no sofá, fechar os olhos e deixar-me dormir.
quinta-feira, agosto 31, 2006
Caramba
Por inspiração doutro amigo, aqui fica a letra completa, porque não há dúvida que o Sérgio Godinho é tão bom, tão bom, mas tão bom, que o melhor mesmo é fazer a vénia e ficar calada:
"Ó senhor da loja
já que a vida é curta
diga-me lá, se souber
quantos metros tem a dor
E já que ainda por cima
a vida é pesada
diga-me lá, se puder
quantos quilos tem o amor
E já que a paciência
tem os seus limites
diga-me lá quantos são
que é p'ra eu saber se espero ou não
quando for desesperar
Já que a vida é curta
e o futuro, diz que está aqui já
(sei lá)
já que o futuro vêm
em peças separadas p'ra montar
(ah! ah! ah! ah!)
antes que se esgote
reserve desde já o seu exemplar
Caramba
está-se p'raqui a dançar na corda bamba
sem se saber para que lado é que se cai
nem com que pé é que se samba
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é bela
diga-me lá se souber
em que espelho a devo olhar
Mas se por outro lado
diz que a vida é dura
arranje-me aí, se tiver
um capacete p'ra eu marrar
E já que a vida é feita
de pequenos nadas
guarde-me aí quatro ou cinco
que é p'ra quando for domingo
eu os poder saborear
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é breve
arranje-me aí os ponteiros
dum relógio que atrasar
E já que no fundo
vai tudo dar ao mesmo
diga-me se o mesmo é mesmo
tudo o que ainda vai mudar
E já que é preciso
deitar contas à vida
desconte-me aí os meses
em que apenas fiz às vezes
doutro que não era eu"
E já agora um beijo grande para outro Pedro, que hoje precisa de toda a música deste mundo. Andamos todos na corda bamba, meu amigo.
"Ó senhor da loja
já que a vida é curta
diga-me lá, se souber
quantos metros tem a dor
E já que ainda por cima
a vida é pesada
diga-me lá, se puder
quantos quilos tem o amor
E já que a paciência
tem os seus limites
diga-me lá quantos são
que é p'ra eu saber se espero ou não
quando for desesperar
Já que a vida é curta
e o futuro, diz que está aqui já
(sei lá)
já que o futuro vêm
em peças separadas p'ra montar
(ah! ah! ah! ah!)
antes que se esgote
reserve desde já o seu exemplar
Caramba
está-se p'raqui a dançar na corda bamba
sem se saber para que lado é que se cai
nem com que pé é que se samba
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é bela
diga-me lá se souber
em que espelho a devo olhar
Mas se por outro lado
diz que a vida é dura
arranje-me aí, se tiver
um capacete p'ra eu marrar
E já que a vida é feita
de pequenos nadas
guarde-me aí quatro ou cinco
que é p'ra quando for domingo
eu os poder saborear
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é breve
arranje-me aí os ponteiros
dum relógio que atrasar
E já que no fundo
vai tudo dar ao mesmo
diga-me se o mesmo é mesmo
tudo o que ainda vai mudar
E já que é preciso
deitar contas à vida
desconte-me aí os meses
em que apenas fiz às vezes
doutro que não era eu"
E já agora um beijo grande para outro Pedro, que hoje precisa de toda a música deste mundo. Andamos todos na corda bamba, meu amigo.
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