segunda-feira, abril 23, 2007

(I)rracionalidades

Tal como já referi por alto em tempos, andamos (eu, a minha irmã, o meu pai, sobrinha, gato, rouxinol) a caminho do hospital com a minha mãe, em busca de uma cirurgia que já se viu que é inevitável, e vai sendo cada vez mais urgente.

Pensávamos que estava para breve, tipo o mês que vem. Infelizmente, hoje a consulta de Anestesiologia trouxe-nos um grande balde de água fria: os valores da tiróide estão muito alterados, e a anestesista deu um parecer negativo à cirurgia. Recambiou-nos para Medicina, para regularizar os valores, e nessa altura re-avaliar a situação.

A minha mãe já retirou a tiróide há cinco anos atrás, e desde então aqueles valores nunca mais bateram certo. Como é que agora vão conseguir equilibrar aquilo e quanto tempo vai ainda durar? Não sei.

Só fiquei perplexa com a minha reacção a esta novidade. Por um lado o meu lado racional reconhece que a médica até está a defender os interesses da minha mãe, porque afinal, se ela for para a cirurgia e depois alguma coisa correr mal, eu cá estarei para pedir responsabilidades. Eles também têm que se defender, estas coisas não são como nós queremos e a minha mãe tem montes de problemas que a tornam numa doente de risco. Eu sei isto tudo.

Mas por outro lado, tenho a dizer que fiquei a odiar aquela médica de morte. Que lhe ganhei uma raiva naquele mesmo instante, que a minha vontade foi subir para cima da mesa, apertar-lhe o pescoço e obrigá-la a fazer um relatório favorável, para tirar a minha mãe, e nós todos, desta aflição em que andamos já há meses. O meu lado irracional tinha vontade a de a ver a sofrer. Palavra de honra. Sinto-me uma autêntica mulher das cavernas, hoje... :-(

sábado, abril 21, 2007

Um sucesso

Lá acabou em grande o tal do pico de trabalho. Felizmente a maior parte correu bem. Digo a maior parte porque o meu lado perfeccionista vê sempre umas manchas aqui e ali, que podiam ter sido melhores e não foram. Mas a bem da verdade, numa iniciativa que conta com 4.000 visitantes em três dias, e que movimenta cerca de uma centena de pessoas na sua produção, estranho seria que no final tudo tivesse corrido conforme o previsto!

Este ano houve coisas especiais, que marcaram a diferença. Numa já habitual festa de encerramento, que eu já muitas vezes apresentei sem grandes requisitos de espectáculo, convenceram-me (e eu não demorei muito a deixar-me convencer...) a subir ao palco vestida e arranjada cumadeveser. E foi bom, claro. Dois cabeleireiros de volta de mim, a maquilhagem sempre discreta, que grandes maluqueiras a esse nível não são para mim - um dos aspectos do mundo feminino que para mim continuam um pouco insondáveis é mesmo a maquilhagem -, e é claro, o fato. O fato era mesmo giro. Quem sabe se um dia destes não resisto à vaidade de aqui colocar uma foto da coisa.

Esta iniciativa ficou à minha responsabilidade pela oitava vez consecutiva. Ao longo dos anos tenho tido o gosto de a ver a crescer, e a certos níveis, aquilo é hoje quatro vezes mais do que já foi. Mas apesar de fazer este trabalho há tanto tempo, é um projecto que me destabiliza mais do que qualquer outro. Seja pelo peso da responsabilidade, seja pela enorme logística que ele implica, a maior de todas em relação a tudo o que faço ao longo do ano (e com recursos financeiros e materiais cada vez mais escassos), nunca consegui fazer isto em ano nenhum sem ter uma crise de desespero, de choro, sem ficar com os nervos em frangalhos por conta das dificuldades que aparecem. Como eu costumo dizer, uns dias antes de abrir o certame há sempre um dia que eu baptizei como o "dia do não", em que basicamente, toda a gente nos diz que não a tudo, como se estivessem combinados para testar a nossa capacidade de resistência. Bom, isto tudo para dizer que este ano, muito à conta dos anti-depressivos que ainda circulam pelo organismo, se bem que já em quantidade reduzida, não houve descontrolo emocional. Não houve crise nervosa. Não me desesperei com nada. E isso foi o melhor de tudo, muito melhor até do que o fato no último dia. O meu desafio daqui em diante é ser capaz de lidar com estas situações de pressão sem comprimidos da felicidade. Porque não há dúvidas que assim o trabalho corre melhor, para mim e para os outros.

Por outro lado, o que eu gostava mesmo era que este tivesse sido o meu último ano naquela iniciativa. Teria sido uma excelente forma de me despedir, aquela de ontem. Aqui há uns tempos atrás sopraram uns ventos de mudança na minha vida profissional, mas acontece que os meus ventos são soprados por políticos, e já se sabe, ventos soprados por esta malta, tão depressa são furacões como a seguir se transformam em calentura. Estou mais que pronta para dar o passo em frente e sou mais que merecedora. Digo isto à Sporting, com toda a tranquilidade. Agora que o pico de trabalho já passou, estou na expectativa de ver se finalmente vai chegar uma nova fase para mim, ou se a festa de ontem foi só uma forma glamorosa de continuar a marcar passo.

segunda-feira, abril 16, 2007

Pico de trabalho

É esta semana. Três meses de trabalho intensivo para três dias de actividades que começam na próxima Quarta-Feira. As horas voam a uma velocidade tremenda, precisava de ser duas, de ser três, para estar em vários sítios ao mesmo tempo. Gastam-me o nome. Hoje consegui a proeza de estar a falar para um grupo de umas dez pessoas com dois telemóveis à minha frente, os dois a tocarem desalmados ao mesmo tempo.

E o pior são os que não telefonam, e já deviam ter telefonado. Não. O pior são os que não páram de telefonar. Pior que esses só aqueles que já chegaram pessoalmente, e começam logo a pedir coisas que não há, e que têm que se arranjar a correr, mesmo não havendo. E já só temos amanhã para estar tudo pronto. E o mais incrível e maravilhoso, que nunca deixa de me surpreender por mais anos que passem, é que chega-se à hora e está tudo pronto. Quantos milagres terão que ser obrados amanhã? Muitos. Depois de amanhã aquilo começa e pronto, é uma espécie de funil, cada hora que passa é menos uma hora de coisas que precisam de ser previstas, acauteladas, geridas, resolvidas.

É esta semana, até Sexta-Feira. Depois vem o merecido descanso. Mas até lá, até lá, vou ter que chegar para muitas encomendas. Estou tão cansada...

sexta-feira, abril 13, 2007

Lingerie anti-depressiva

Se há coisa terapêutica para eu combater aqueles dias mais stressantes, ou para me animar quando alguma coisa me contraria e fico mais em baixo de forma, é sem dúvida comprar conjuntos de lingerie. É tiro e queda. Ah e tal, discuti com a chefe (infelizmente só tenho chefes mulheres), bati com o carro, a vida é um chatice, seja lá o que for: compro umas cuecas e um soutien novos e pronto, vejo logo a vida com outros olhos! Podia dar-me para pior, olha se as depressões só me passassem comprando artigos na ourivesaria?...

Aqui há uns dias atrás fui às compras ao Jumbo, e antes disso passei pela farmácia, dois dos locais onde deixo habitualmente quantidades absurdas de dinheiro. Comprei duas coisas na farmácia e deixei lá ficar mais de quarenta euros. Ora isto transtornou-me. Saí de lá direita ao Jumbo angustiadíssima porque aquele dinheiro fazia-me uma falta danada, que este é outro daqueles meses em que eu ando a contar os tostões. Chegada ao Jumbo, bato de frente com uma promoção da DIM. Na compra de um conjunto de cueca e soutien, oferta de mais uma cueca. É claro que me agarrei logo àquilo, comprei um conjunto amoroso, ainda por cima com uma cueca de borla, era impossível não aproveitar. Duas cuecas e um soutien por 26 €, grande negócio!

É verdade sim senhor, gastei mais 26 € em cima dos outros 40. E já sei que alguma mente tortuosa poderá agora vir dizer que isto não faz sentido nenhum, que se o problema era falta de dinheiro o melhor era não ter gasto mais, e mais não sei quê. Mas isso já se sabe, são cabeças fraquitas. Qualquer mente esclarecida percebe perfeitamente que, falida por falida, ao menos saí do Jumbo mais bem disposta!...

Agora fiquei foi com um problemazito... Só depois de chegar a casa é que me decidi a experimentar a lingerie. E o modelito das cuecas, decididamente não me fica nada bem... Aquelas cuecas, que até fiquei logo com duas, não sei se terei coragem de alguma vez andar com elas vestidas. Mas que são muita lindas e que foram uma pechincha, lá isso!...

terça-feira, abril 10, 2007

O poncho

Ganhei um poncho da Mango, pelo Natal (parecido com este da foto, mas mais giro). Ora acontece que aquilo dá certo trabalho a vestir e a despir, motivo pelo qual estava sentada a almoçar com ele vestido. O colega do lado, de vinte e poucos anos (uma criança, portanto!), entabulou comigo a seguinte conversa a respeito de… da…. do poncho, no fundo, a respeito do poncho:

R.: Eh pá, muito jeitoso, sim senhor, bem fashion. Mas porque é que estás com isso vestido enquanto estás a comer? Estás assim com tanto frio?

Eu: Nada disso. É que isto dá-me algum trabalho a vestir e a despir, porque tem um cinto meio manhoso…
(depois de algumas explicações de ordem prática sobre como vestir e despir o poncho) … e para me poupar a isso, resolvi almoçar com isto vestido.

R.: As mulheres são umas complicadas! Já viste bem o trabalhão que isso pode dar a um homem? Ficas a saber... (esta malta nova tem cá uma mania de que foram eles a inventar o pai-nosso e que agora têm esta missão humanitária de o ensinar aos mais velhos!...) ... que os homens não gostam disso! Gostam é de coisas simples, que se dispam num instante!

Eu: Bom. Embora sejas um rapaz novinho, acho que já tens idade suficiente para saber algumas coisas. Vou dar-te uma novidade. Uma coisa que dê trabalho a despir pode ser muuuuuuito estimulante em determinados momentos, ok?...

R.: Bom. Embora já tenhas uma certa idade, acho que também ainda poderás saber do que é que eu estou a falar. Essas demoras não têm piada NENHUMA se o único tempo disponível que tenhas for durante A HORA DE ALMOÇO, ok?!!!!...
(Diz ele com todo o ar de quem sabe exactamente do que é que está a falar...)

Donde se conclui que isto das pressas e dos vagares não é só uma questão de idades. Não se tem pressa só porque se é novo. É também porque não há espaço, nem horários compatíveis com o vagar. Mas pensando bem, a verdade é que não têm espaços nem horários porquê? Porque são novos, lá está. Realmente, agora que penso nisto, prefiro de longe ter “trintas” a ter “vintes”. E não é só por causa do poncho!...

domingo, abril 08, 2007

Informática, essa grande desconhecida...

Alguém me poderá explicar porque carga d'água é que o Microsoft Outlook agora só recebe mensagens, e não envia nenhuma?

Qualquer que seja o endereço de e-mail para onde eu tente enviar algo, um gajo que eu não conheço de lado nenhum, chamado Administrador do Sistema, manda-me à merda com esta conversa:

"A sua mensagem não chegou a um ou mais destinatários.
Assunto: Teste
Enviada: 08-04-2007 23:27

Não foi possível contactar os seguintes destinatários:
'blimunda_setluas@mail.pt' em 08-04-2007 23:27
554 5.7.1 : Recipient address rejected: Access denied"


Juro que não fiz nada para merecer isto. E o que é estranho é que recebe tudo na perfeição. Será viroseira?... Raios partam os computadores, ainda dizem que as mulheres é que são inconstantes...

sábado, abril 07, 2007

Ontem

Dormir até às onze.
Passear em Cascais e apanhar sol à beira-mal.
Gelado Santini de morango e marabunda.
Sexo.
Cinema.

Tenho que concordar com a comunidade religiosa. Ontem foi mesmo Sexta-Feira santa!...

quinta-feira, março 29, 2007

"I only ask of God"

Gosto de música. Mas as palavras... São elas, quase sempre, as que realmente me comovem. Como desta vez:

Sólo le pido a Dios
León Gieco

"Sólo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente,
que la reseca muerte no me encuentre
vacío y solo sin haber hecho lo suficiente.

Sólo le pido a Dios
que lo injusto no me sea indiferente,
que no me abofeteen la otra mejilla
después que una garra me arañó esta suerte.

Sólo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente,
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.

Sólo le pido a Dios
que el engaño no me sea indiferente
si un traidor puede más que unos cuantos,
que esos cuantos no lo olviden fácilmente.

Sólo le pido a Dios
que el futuro no me sea indiferente,
desahuciado está el que tiene que marchar
a vivir una cultura diferente."

A canção veio da Argentina, de 1978. Mas está viva. Na música dos Outlandish, mas também neste mundo civilizado, democrático(?), desenvolvido, e porém tão desnorteado, em que vivemos. Descubro-a viva dentro de mim própria, nos acontecimentos que ditam o meu dia-a-dia.

Para o bem e para o mal. Está viva.

terça-feira, março 27, 2007

A minha primeira aventura homeopática

(Depois de passar mais uma série de dias sem acesso à internet, porque a Memória RAM estava a precisar que um especialista em informática passasse cá por casa, a tirasse do sítio, lhe desse uma assopradela, lhe tirasse o pó com um pano macio, e a voltasse a colocar no local respectivo, aqui estou eu uma vez mais.)

Fui ao homeopata. A Albicans sossegou mas não morreu, e vai daí resolvi combater o meu cepticismo com uma resolução que não tem contra-argumentação possível: eu hei-de fazer tudo, mas tudo o que esteja ao meu alcance, para combater esta doença que me assaltou. Porque melhorar não é o mesmo que ficar boa, e melhorar à base de medicamentos que só fazem "festas ao bicho", exigia que eu fosse pelo menos ver o que estava para lá da medicina tradicional.

E lá fui eu. O doutor foi bem recomendado, professor catedrático e não sei quê. Uma coisa vi eu logo quando lá cheguei: com uma sala de espera tão repleta, desde crianças a velhinhos de bengala, é estatisticamente improvável que tanta gente ande ao engano. Com o meu cepticismo a gritar-me aos ouvidos: "É um charlatão! Vais sair daqui sem um tostãozinho para amostra!", sentei-me e esperei, que as decisões, quando se tomam, são para levar adiante. E esperei. E esperei mais um bocadinho, e continuei a esperar, que pelos vistos aquilo é mesmo assim que funciona.

E lá entrei para falar com o senhor. Expus-lhe o problema Albicans, e da parte dele só ouvi coisas razoáveis, o que me agradou. Propôs-se a reforçar o meu sistema imunitário, mantendo todos os tratamentos que a medicina tradicional me tinha prescrito. "Cada coisa no seu lugar, disse ele". Lembrou que a Candida Albicans não é como uma bactéria estranha ao nosso corpo, que se combate e expulsa, e o problema fica resolvido. A Albicans vive dentro de nós, e a única coisa que se pode fazer é dar ao nosso corpo as ferramentas que e ele precisa para não a deixar andar desgovernada. Que a bicha aprende a criar resistência e depois é uma chatice, quanto mais é agredida, mais ela se revolta. E até aqui tudo bem.

A seguir, manda-me ir para um aparelhómetro, e faz o quê? Observa-me o olho! O olho! E passando desde já à frente de algum pensamento mais brejeiro da parte de quem esteja a ler estas linhas, era um aparelho em tudo semelhante aos que existem nos consultórios de oftalmologia, ok? Fiquei depois a saber que a Iridologia (observação da íris) é uma prática dos médicos homeopatas, porque dizem eles, é possível ver na íris os males do corpo da pessoa. (Estou a escrever isto e ao mesmo tempo o meu cepticismo aperta-me o pescoço, abana-me e dá-me caroladas na cabeça, tudo ao mesmo tempo).

E pronto. Deixei lá ficar quase 200 euros. O doutor mandou-me voltar ao fim de um mês de tratamento para, palavras da funcionária da entrada, "me dar um olhinho". Já a tinha ouvido a utilizar a expressão enquanto esperava pela minha vez, só depois percebi que aquilo tinha um sentido literal!

Já comecei o tratamento. Não fiz alergia até agora, do mal o menos. Quanto aos resultados, vamos lá a ver. Peço desculpa a quem possa estar com vontade de saber o que é que eu ando a tomar, mas acho que não devo dizer. Ainda não sei que efeitos práticos vai ter, não conheço assim tão bem este tipo de medicamentos, e não quero pensar que alguém vá à procura destas coisas, mal informada e na base do desespero. Quando muito, se alguém quiser saber o nome do homeopata, estou à disposição.

Para já, e cepticismos à parte, estou de peito aberto nesta forma alternativa de levar a Albicans ao engano. Quem sabe?...

domingo, março 18, 2007

Cada poeta tem a sua ninfa

No final do fim-de-semana, juntámo-nos as três, como tantas vezes acontece. Eu, a irmã e a sobrinha, à mesa do café depois do jantar. Fascinadas com Ninfa Artémis*, que a letra passou a servir de teaser no meio das conversas (Gatoooooooooo!... Comoqueresqueeusejagatooooooo!... Vou pintarospelospubicooooooooosss!...), do que é que se haveria de falar? De literatura, pois claro.

Do "Memorial do Convento", que a jovem de 17 anos anda a ler com grande sacrifício, mas que não desiste. Dos poemas de Saramago, que ela não conhece. De Fernando Pessoa, que continua a fascinar mais velhos e mais novos. Do Cântico Negro, de José Régio, que eu recito de cor desde que tinha a idade dela, e que ela já recita de cor com a mesma idade que eu tinha. E então recitou-se o poema de novo, as palavras tão belas e sempre tão vivas, que se saboreiam como a um bom vinho (Vem por aqui, dizem-me alguns com olhos doces, Estendendo-me os braços e seguros, De que seria bom que eu os ouvisse, Quando me dizem: "vem por aqui" - e não é que a catraia tinha razão, é "que eu os ouvisse", e não "que eu os seguisse", como eu dizia... Bolas!...).

De novo Ninfa Artémis, mais Fernando Pessoa, Come Restos (pelos vistos outra grande obra poética que para mim permanece desconhecida), sim, que no fundo tudo é arte, e depois cada um que decida qual a arte que é boa ou má.

Na mesa ao lado, entre dois elementos do sexo masculino, a conversa era outra. Já nós estávamos para sair, um deles pega numa nota, cheira-a e diz alto e bom som: "Ai que horror, esta nota cheira a corrimento! Estas mulheres são umas porcas, misturam as notas com os pensos higiénicos!...". Olhámos umas para as outras e saímos rapidamente, para rir à vontade. E para "cantar", que de repente o teaser fazia todo o sentido: "Gatooooooooooo!..."

* Quem não teve contacto com o Laboratolarilolela, de Nuno Markl, da passada Sexta-Feira, não vai perceber nada desta conversa.

quarta-feira, março 14, 2007

De regresso

E pronto, foi hoje que voltei a ter internet em casa. Depois de estar aqui um tempo a marrar com o Blogger, que pelos vistos estava com um qualquer problema técnico demoninado "anhar", lá consegui entrar nesta porra.

Estou contentinha. Novamente ligada ao mundo, retomando contactos com amigos cibernautas, espero agora retomar o ritmo habitual na actualização desta choça. Para breve, a minha primeira aventura homeopática!...

quarta-feira, março 07, 2007

Caminhos de ferro, cabeças de abóbora

E venho eu desembestada a correr pela estação dos comboios afora, ainda por cima decidi calçar as botas mais pesadas que tenho, e para chegar ao raio da linha é preciso galgar umas escadas que nunca mais acabam, primeiro a subir e depois a descer, e a menina já vai dizendo "atenção, senhores passageiros, o comboio que você precisa de apanhar já está a chegar à linha número 3 e você ainda nem chegou à máquina de tirar os bilhetes, o próximo comboio chegará depois de você apanhar mais meia-hora de seca. Obrigada pela vossa atenção".

Caguei para o bilhete e corri, corri, e apanhei o comboio. Uff, uff, revisor à vista, aqui vou eu com o meu sorriso número 52, exclusivo para quando quero ser agradável e conquistar a simpatia dos revisores da CP. Senhor revisor muito bom dia, uff, uff, eu queria comprar um bilhete, uff, se faz favor, uff, uff, porque não tive tempo de comprar o bilhete...

E diz-me o revisor da CP, com uma cara de "sou um bom profissional e nem sequer estou a ligar nenhuma a essas duas copas B tamanho 36 que estão a subir e a descer a ritmo acelerado mesmo à frente do meu nariz", minha senhora, da maneira como estão as multas hoje em dia, mais vale esperar meia-hora pelo próximo comboio. Arrisca-se a pagar uma multa que pode chegar a 360 euros.

E digo eu, mas, mas, mas, repare, eu não tive tempo... e vim logo ter consigo, eu até quero pagar o bilhete, está a ver? Então mas não posso tirar o bilhete no comboio porquê? E diz ele, pois, realmente, nós hoje em dia só podemos vender bilhetes a deficientes e no caso das máquinas nas estações estarem avariadas.

Deixe-me ver se percebi bem, disse eu. Eu estou aqui na sua frente, honestamente dizendo que vim a correr para o comboio e não consegui tirar o bilhete, e nesse caso tenho que pagar multa. Se lhe mentir e disser que a máquina estava avariada, já me pode vender o bilhete? E diz ele, pois, quer-se dizer, eu teria sempre que comunicar para a "central" (seja lá onde isso for) e confirmar se realmente há ou não avaria, eles também nem sempre conseguem confirmar logo de seguida, e se a senhora chegar ao seu destino sem eu ter a confirmação também não a ia prender no comboio, não é?

Ah, pois é. De moldes que tendo em conta a minha honestidade (e quem sabe, o peitinho a arfar), o senhor revisor da CP foi amigo e deixou-me viajar de borla. E fiquei a saber que para os cérebros desta grande empresa, mais vale um utente mentiroso que um utente sincero. Para a próxima mais vale não arriscar...

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Impedimentos

Por causa dumas políticas pseudo-moralizadoras e ilusoriamente restritivas de algum pessoal mais abusador, os meus colegas informáticos, que com toda a certeza passam 100% do seu horário de expediente recorrendo à internet para fins exclusivamente profissionais (e se não o fizerem também nunca ninguém vai saber porque eles, para além de donos da moral e dos bons costumes, são os administradores do sistema), deixei esta semana de ter acesso às caixas de comentários do blogger e à minha própria conta. O que não me permite comentar, nem actualizar esta chafarica no trabalho.

Por causa disso, e porque os meus dias continuam a um ritmo alucinante (nova entrevista para mudar de emprego, marcação de nova consulta para a mãe, muito trabalho - sim, que eu entre uns comentários em blogs e umas novas postagens sempre vou fazendo alguma coisinha -, imobiliárias para angariar a venda da minha casa e já lá vão quase dois anos, amigos a precisarem da minha atenção e eu a precisar da atenção deles), não tem dado para deixar novos posts.

É a ironia do cibernauta, não posta porque não tem assunto, e outras vezes não posta porque os assuntos são tantos que não sobra tempo para escrever. Vou oferecer-me de prenda de anos a instalação da netcabo, e a partir daí volto a estar ligada ao mundo a partir de casa.

Pois, porque amanhã também acontecem muitas coisas. Uma delas é ir com a minha mãe para o hospital, a ver se é desta que ela é consultada. Outra é celebrar o aniversário número 35!...

sábado, fevereiro 17, 2007

Suor, muito suor


Enquanto se está no meio duma aula de ginástica, com o suor a escorrer pela cara abaixo e pelo corpo todo, parando o dito apenas onde a imaginação de qualquer um queira conceber, com o cérebro aos gritos a dizer de forma alternada "já cheeeeeeeega!" e "áaaaaaaaguaaaaaaaaa!", passam-nos coisas muito estranhas pela cabeça.




Ontem, quando a monitora deu a ordem "virar de barriga para cima, e abdominais!", eu dei comigo a conceber este pensamento: "eh pá, finalmente um bocadinho para poder descansar e recuperar algum fôlego". E depois pensei, isto está a dar cabo de mim. Então eu já assumo com descanso estar de barriga para cima a fazer abdominais à maluca?... Em que monstro da actividade física está esta mulher a tornar-me?

E as dores? Estou aqui que nem me aguento... E o bem que aquilo me faz? Maravilha!...

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Acontecimentos, demasiados

"Entre os dias que correm menos mal
Lá vem um que nos dá mais que fazer"

É assim que eu me sinto em relação ao dia de ontem. Tantos dias às vezes que se arrastam uns atrás dos outros, e depois quando algo de significativo tem que suceder, bumba!, vem tudo ao mesmo tempo.

A minha mãe bastante doente, e o desespero para lhe arranjar a assistência médica apropriada.
A minha própria saúde, uma preocupação constante e a requerer muito do meu tempo.
A vida profissional em fase determinante, com contactos e mais contactos, e a necessidade de estar atenta, assertiva, bem disposta, calma.

Tudo isto levou a que ontem eu tivesse uma óptima conversa com um superior hierárquico, uma colposcopia na Maternidade Alfredo da Costa, mais outra conversa, desta vez péssima, com outro superior hierárquico, e no meio de tudo isto, procurar consulta para a mãe, tentar com todos os meios ao nosso alcance que ela seja atendida o mais depressa possível, tentar que a conversa péssima não se sobreponha à conversa óptima... Só sei que no fim do dia a minha cabeça doía e tudo o que me apetecia era colo.

Abençoados anti-depressivos. Não fossem eles, e tenho a certeza absoluta que ontem o meu dia tinha sido um desastre. E abençoados sejam os anjos da guarda, a irmã anjo-da-guarda e eterna companheira de angústias (e alegrias!), os amigos anjos-da-guarda que andam a trabalhar na sombra só porque querem o meu bem, o companheiro anjo-da-guarda que permanece ao meu lado apesar de todos os problemas que andamos a enfrentar há tanto tempo.

Hoje é outro dia. Existir é isto.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Sou contra

Esta coisa nova do Blogger. Isto era para quê? Simplificar, não era?...

Depois de me mudarem para isto compulsivamente, nunca mais consegui deixar comentários noutros blogs, porque esta porra está sempre a pedir-me para validar o e-mail, ou lá o que é. Nem sequer no meu próprio blog! Tenho que entrar no blogger e só depois é que fico "reconhecível". Mas que treta!...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Será que sou assísmica?...

Como é que isto pode ser? Pessoas sentadas a um metro de mim, disseram de repente: "Sentiram isto? A minha secretária abanou!". E eu, nada. Nadinha. Passou-me completamente ao lado, não senti nada, mais outro tremor de terra, tudo a dizer que sim senhor, que a terra tremeu, e eu aqui estou, sem saber o que isso é.

Que eu não queria assim um tremor de terra de deitar prédios abaixo, nada disso, mas caramba, gostava de perceber como é esta sensação de ter o chão a tremer debaixo dos pés. Mas eu devo sofrer de uma patologia qualquer. Não há pessoas que não sentem dor? Eu devo ter uma insensibilidade congénita aos sismos. Sou assísmica, só pode ser. E parecendo que não, isto pode explicar muita coisa...

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Cada tiro cada melro, cada cavadela cada minhoca

Você é “Against All Odds” de Phil Collins: você tem uma grande dificuldade em deixar o passado ficar no passado. As relações deixam-lhe marcas para a vida e um coração partido é mal que lhe demora a sarar.