Quando comecei a visitar blogs, este foi um dos que me prenderam a atenção de imediato. Infelizmente chegou ao fim, era muitíssimo bem escrito e mostrava a visão do ser humano que muitas vezes os médicos deixam escondida.
Neste sítio encontram-se duas histórias que, do meu ponto de vista, acabam por completar-se. Ora vejam:
Ela não quer saber
"Tem 21 anos. Está internada no serviço de Puérperas porque nasceu o seu segundo filho. Sabe o que quer, queria ter estes dois filhos, foi tudo planeado. Não foi a uma única consulta com a Médica de Familia ou com um Ginecologista. A gravidez não foi vigiada, não tendo feito qualquer análise ou ecografia ao longo da gravidez. A meio do período gestacional foi internada por ameaça de parto pré-termo, abandonando em seguida o hospital contra as recomendações dos médicos. Alguns meses depois nasceu o bebé, prematuramente. Quando questionada sobre anticoncepção diz que vai tomar a pílula. Pela evidente irresponsabilidade que apresenta sugerimos que colocasse um implante subcutâneo, que a impedirá de engravidar durante 3 anos. Recusa, diz que é muito nova. Basicamente, é daquelas pessoas que "não quer saber". Não quer saber a opinião dos médicos, não quer saber se a gravidez é normal, não quer saber se o bebé está bem ou não, não quer saber se o bebé fica bem ou não. Não quer saber, pura e simplesmente. Sabe o que quer, de momento quer sair novamente do hospital, apesar de ser ainda cedo.Voluntários para dar dois pares de estalos? Eu não posso..."
Permito-me deixar só uma deixa, a discussão fica em aberto, obviamente: A esta mulher, não há Lei nenhuma que a leve a um tribunal ou que a condene. O corpo é dela, a decisão é dela, pode ser negligente à vontade nas suas gestações, e eu pergunto-me, que direito à vida é este, e porque é que também não hão-de haver formas legais para impedir estas atitudes?
E depois, a outra face da moeda:
Já fez abortos?
"Esta pergunta não é feita todos os dias... Não é, também, feita por todas as pessoas. No entanto, os médicos precisam muitas vezes de saber se uma determinada mulher já fez interrupções voluntárias da gravidez (IVG), pelo que é uma pergunta frequente no consultório de um Médico de Família. As respostas, essas, ficam lá dentro. Antes de ser estudante de medicina, não sei se por ser muito novo e inocente ou por contactar pouco com estas realidades, não fazia ideia se eram muitas ou poucas as mulheres que abortam. Devo dizer que fiquei surpreendido com o que encontrei: uma enorme percentagem das mulheres acima dos 25 anos já fez uma IVG. Arrisco afirmar que provavelmente mais de metade das mulheres já o fez... Este número não decorre de nenhum estudo estatístico (se os há), mas apenas do que me apercebo no dia a dia da prática clínica.Antes de chamar a Ana, uma mulher de 42 anos, a minha tutora deu uma vista de olhos no processo. Rapidamente recordámos a história: tinha estado na consulta há cerca de três semanas, grávida. Tinha entrado descontraidamente no consultório com um teste rápido positivo. Na altura pedimos análises laboratoriais e uma ecografia obstétrica. Assim que saiu do consultória a minha tutora afirmou categoricamente: "Vai fazer um aborto.". Era já mãe de dois rapazes, e não tinha planeado engravidar. Não usava qualquer método anticoncepcional apesar da insistência da minha tutora na consulta de planeamento familiar.A minha tutora disse-me "Queres ver como fez um aborto?" e chamou a Ana. Entrou no gabinete com o mesmo ar descontraido da outra vez. Sentou-se, e disse: "Tenho uma coisa que se calhar era melhor falar só com a doutora...". A minha tutora respondeu-lhe que eu já sabia o que era, podia contar à vontade... Confirmava-se: tinha tentado abortar. Foi ao Ginecologista/Obstetra em consulta particular fazer a ecografia obstétrica que tinhamos pedido na consulta anterior, onde confirmou a presença de um saco gestacional. Nada contou ao Ginecologista da sua intenção, e comprou os já famosos comprimidos abortivos (aqueles que servem para as patologias do estômago). Desconheço como obteve acesso aos comprimidos (mas reconheço que não deve ser nada compicado, com mais ou menos dinheiro...), mas ingeriu-os na quantidade que lhe foi recomendada pela vizinha. Pouco tempo depois teve uma pequena hemorragia. Explicou: "Da última vez tinha feito no bidé, e vi sair qualquer coisa. Desta vez não tive coragem, e fui para a sanita...". Não me surpreendi com a recorrência da situação, uma vez que as pessoas facilmente se habituam a utilizar o aborto como "método anticoncepcional"... Já não tinha tido mais perdas de sangue, dores ou corrimentos desde então, e vinha agora pedir as análises laboratoriais que confirmariam o sucesso do aborto. Observei-a, e facilmente senti o fundo uterino. Das duas uma: ou tinha um útero grande ou ainda estava grávida. Não tinhamos o relatório da ecografia obstétrica para tentar avaliar a existência de miomas, uma vez que ela tinha queimado o relatório na lareira para apagar os registos daquela gravidez. Qualquer que fosse a situação, uma certeza eu tinha: aquela gravidez não iria seguir por muito mais tempo... Passámos nova ecografia, desta vez "mascarada" de ecografia pélvica. Pensando alto afirmou que teria que ir a outro Ginecologista, não queria contar ao primeiro o que tinha sucedido. Afirmou ainda que se houvesse algum problema iria às Urgências do Hospital fazer uma "raspagem", mas naturalmente não iria contar a verdade. Expliquei-lhe que tal como nós naquele consultório, também os médicos da Urgência não são polícias. Não nos compete, como médicos, julga-la. Mas é importante que tenhamos em mão toda a informação possível para a tratar convenientemente. Lembrou a mediática história do enfermeiro que denunciou às autoridades uma doente que tinha abortado. Relembrámo-la que o enfermeiro em causa tinha sido penalizado por quebrar o sigilo profissional a que estava obrigado, e que as queixas tinham por isso sido retiradas. Encolheu os ombros, sorriu, e disse que fosse como fosse a situação se resolveria. E saiu, com descontracção semelhante àquela com que havia entrado."
Esta história fala de muitas coisas. Fala de uma pessoa que pelos vistos recorre ao aborto como método anti-concepcional, o que obviamente não é bom. Mas a verdade é que a Lei, tal como está, não impede as pessoas irresponsáveis de terem um comportamento irresponsável. Para ultrapassar estes problemas será necessário trabalhar noutras frentes. O que eu mais retenho, sempre que leio esta história, é o seu final. Que tudo se resolverá. Que de uma maneira ou doutra, uma mulher não queira ser mãe, não vai ser. E enquanto esta Lei estiver como está, há pessoas a enriquecer em grande estilo à custa do aborto clandestino, há mulheres a serem exploradas num momento de grande fragilidade, e depois há muitas delas a engrossarem a despesa do Estado, porque quando as coisas correm mal é lá que vão parar para acabar de resolver.
Educação sexual? Com certeza. Planeamento familiar? O mais possível. Apoio social às famílias que optam pelo nascimento das crianças? Evidentemente. Mas nada disso está actualmente em discussão, pois não?
A Lei actual é injusta, penalizadora, discriminatória. Não protege a vida de ninguém, nem dos que cá estão, nem dos que estão para chegar. Do meu ponto de vista, o VOTO SIM é a forma mais responsável, enquanto cidadã, de defender o direito à vida. Uma vida com mais igualdade, descomplexada, livre de preconceitos morais e religiosos, uma vida com dignidade. Para todas e para todos.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
terça-feira, janeiro 23, 2007
Os tectos
São as barreiras que nos impedem de subir mais alto. Lembrei-me hoje de um colega de faculdade que era brilhante em todas as áreas de estudo, e que se lamentava muito da prisão que representavam os tectos. Isto porque havia professores de certas cadeiras que não davam mais de 17. E 17, para este meu colega que tinha capacidade para muitíssimo mais, era o tecto que o deixava inerte, injustamente associado a um nível que era manifestamente pouco para as suas reais capacidades.
Hoje puseram-me debaixo de um tecto novo. Chamaram-me a atenção para a qualidade do estuque que o ornamenta, para a iluminação e para o facto de estar pintado de fresco, de uma cor que vai mesmo bem com os meus olhos verdes. Eu olhei para cima e vi exactamente aquilo que é, um tecto, nada mais que isso. A mesma pressão claustrofóbica a manter-me bem rentinha ao chão, onde permaneça debaixo d'olho e não possa fazer muitas ondas.
Está bem. Que seja. Há já muito tempo que ando a escavar um buraco na parede, e os tectos só seguram quem se acomoda a eles.
Não é o caso.
Hoje puseram-me debaixo de um tecto novo. Chamaram-me a atenção para a qualidade do estuque que o ornamenta, para a iluminação e para o facto de estar pintado de fresco, de uma cor que vai mesmo bem com os meus olhos verdes. Eu olhei para cima e vi exactamente aquilo que é, um tecto, nada mais que isso. A mesma pressão claustrofóbica a manter-me bem rentinha ao chão, onde permaneça debaixo d'olho e não possa fazer muitas ondas.
Está bem. Que seja. Há já muito tempo que ando a escavar um buraco na parede, e os tectos só seguram quem se acomoda a eles.
Não é o caso.
sábado, janeiro 20, 2007
Posts por escrever
Tenho andado pouco motivada para a escrita aqui nesta chafarica. Por vários motivos. Por um lado, porque deixei de ter acesso à internet em casa. Eu era das últimas pessoas (na volta era mesmo a última) a ter acesso à net pela linha telefónica da PT, usando um modem convencional. Como eu costumava dizer, que funcionava a carvão. Amigos que me tentavam mandar ficheiros pelo messenger chegavam a perguntar-me se eu estava a pedalar do lado de cá enquanto decorria a transferência :-). Enfim, fartei-me de ser chulada pela PT e dei baixa do telefone. Vou mudar para a netcabo. Um dia. Porque me revoltam os fígados aquela taxa de 25€ inicial, e ainda não me decidi a isso. E assim, sobra-me pouco tempo para escrever coisas mais elaboradas, que exigiriam alguma concentração. Só posso postar em casa de alguém (como é agora o caso) ou no trabalho, e no trabalho estou também um pouco limitada no tempo, porque, tipo, tenho que estar lá a trabalhar. Eu sei, é uma escandaleira, mas não posso fazer nada para o evitar.
Depois, continuo com as mesmas preocupações de saúde de há meses e meses, e não quero passar a vida a usar este espaço para bater mais no ceguinho. Já me basta pensar nisto 24 horas por dia, às vezes escrever sobre a coisa alivia, outras vezes só me faz ainda pior, entre uma coisa e outra fica muitas vezes o silêncio.
Quero escrever em breve alguma coisa sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez, agora que estamos a entrar num período de campanha, e este é um assunto que eu considero de enorme importância. Sei o que tenho para dizer, mas vou ter que fazer um esforço para pôr de lado os problemas já mencionados e abordar o tema com a seriedade e o tempo que ele merece. Ainda não é hoje. Hoje é mesmo só isto, um post sobre o que poderia ser e não é...
Depois, continuo com as mesmas preocupações de saúde de há meses e meses, e não quero passar a vida a usar este espaço para bater mais no ceguinho. Já me basta pensar nisto 24 horas por dia, às vezes escrever sobre a coisa alivia, outras vezes só me faz ainda pior, entre uma coisa e outra fica muitas vezes o silêncio.
Quero escrever em breve alguma coisa sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez, agora que estamos a entrar num período de campanha, e este é um assunto que eu considero de enorme importância. Sei o que tenho para dizer, mas vou ter que fazer um esforço para pôr de lado os problemas já mencionados e abordar o tema com a seriedade e o tempo que ele merece. Ainda não é hoje. Hoje é mesmo só isto, um post sobre o que poderia ser e não é...
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Guilty Pleasure
Novelas brasileiras. Acho que são bem feitas, e mais do que as histórias, o que eu gosto mesmo de apreciar são as interpretações, algumas delas a atingirem verdadeiros níveis de excelência. Quanto às portuguesas não me dizem nada, primeiro porque eu tenho uma aversão intestina à TVI, e depois porque sinceramente acho que aqueles textos são uma miséria.
Aos meses e meses que não aparecia nenhuma que me interessasse. Desde a "Senhora do Destino" que eu não ficava "agarrada" a nenhuma. E agora chega "Páginas da Vida". E é ver-me por estes dias em frente à televisão, lavada em lágrimas, o ranho a escorrer-me pelo nariz, um divertimento, portantos.
A sério. Eu acho que ontem chorei copiosamente desde o início do episódio até ao final. Houve um personagem que teve um enfarte. Se aquilo continua assim, acho que ainda tenho um também!
Aos meses e meses que não aparecia nenhuma que me interessasse. Desde a "Senhora do Destino" que eu não ficava "agarrada" a nenhuma. E agora chega "Páginas da Vida". E é ver-me por estes dias em frente à televisão, lavada em lágrimas, o ranho a escorrer-me pelo nariz, um divertimento, portantos.
A sério. Eu acho que ontem chorei copiosamente desde o início do episódio até ao final. Houve um personagem que teve um enfarte. Se aquilo continua assim, acho que ainda tenho um também!
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Aos médicos
Especialmente ginecologistas, que ainda acham que a infecção por Candida Albicans é um problema simples de solucionar:
É só para dizer que este post já atingiu os 100 comentários.
E que se for mesmo só de 5% a percentagem de mulheres que vivem anos a fio com este problema, e que não conseguem encontrar a cura com os tristemente famosos imidazólicos e triazólicos, então meus amigos, deu-se esta coisa extraordinária de boa parte delas vir parar aqui a este tasco. À procura de respostas que tardam, aproveitando o espaço para chorar as mágoas, trocar umas ideias, enfim, à procura da luz ao fundo do túnel.
Vendo isto, vendo que mais de metade das minhas visitas hoje em dia provêm de pesquisas relacionadas com este problema, fico a perguntar-me: seremos afinal uns bichos assim tão raros? Cada vez estou mais convencida que não...
A Candida continua a marcar pontos.
É só para dizer que este post já atingiu os 100 comentários.
E que se for mesmo só de 5% a percentagem de mulheres que vivem anos a fio com este problema, e que não conseguem encontrar a cura com os tristemente famosos imidazólicos e triazólicos, então meus amigos, deu-se esta coisa extraordinária de boa parte delas vir parar aqui a este tasco. À procura de respostas que tardam, aproveitando o espaço para chorar as mágoas, trocar umas ideias, enfim, à procura da luz ao fundo do túnel.
Vendo isto, vendo que mais de metade das minhas visitas hoje em dia provêm de pesquisas relacionadas com este problema, fico a perguntar-me: seremos afinal uns bichos assim tão raros? Cada vez estou mais convencida que não...
A Candida continua a marcar pontos.
Aborto no Coito
Dizem-me que ontem à noite, nas notícias, apareceu um bispo qualquer que foi pregar contra o aborto lá para os lados de Vila Nova do Coito. Nome sugestivo, não é? Também sempre achei. Por acaso conheço o sítio, fica perto de Almoster e até tenho por lá alguns familiares.
Muito apropriado, mas acho que os movimentos pelo sim também deverão obrigatoriamente passar por Vila Nova do Coito. Acho que tem tudo a ver.
Hoje à noite, jantar do movimento Cidadania pelo Sim no Mercado da Ribeira. Lá estarei.
Muito apropriado, mas acho que os movimentos pelo sim também deverão obrigatoriamente passar por Vila Nova do Coito. Acho que tem tudo a ver.
Hoje à noite, jantar do movimento Cidadania pelo Sim no Mercado da Ribeira. Lá estarei.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Desgaste rápido
Para todos os que consideram que a profissão de futebolista é de desgaste rápido...
... Experimentem trabalhar numa Autarquia Local.
E já agora, não deixem de estudar só porque dão uns pontapés numa bola, que assim quando a carreira de futebolista acabar talvez não sejam uma cambada de inúteis, e preparem-se mas é para o que têm que fazer da vidinha depois do futebol se acabar.
E no entretanto paguem o mesmo que os outros, que deve ter ficado muito boa gente no desemprego, saídos da Opel, que viram de repente as suas carreiras profissionais interrompidas, vão ter que começar tudo do zero, e não me consta que tenham tido qualquer regime especial de impostos.
Coitadinhos dos futebolistas. Tenho tanta peninha deles. E se fizerem greve, que grande transtorno que isso vai trazer à minha vida e à da população em geral, o caos nos transportes, nos hospitais, nas repartições públicas, vão faltar bens essenciais nos supermercados...
Haja paciência.
... Experimentem trabalhar numa Autarquia Local.
E já agora, não deixem de estudar só porque dão uns pontapés numa bola, que assim quando a carreira de futebolista acabar talvez não sejam uma cambada de inúteis, e preparem-se mas é para o que têm que fazer da vidinha depois do futebol se acabar.
E no entretanto paguem o mesmo que os outros, que deve ter ficado muito boa gente no desemprego, saídos da Opel, que viram de repente as suas carreiras profissionais interrompidas, vão ter que começar tudo do zero, e não me consta que tenham tido qualquer regime especial de impostos.
Coitadinhos dos futebolistas. Tenho tanta peninha deles. E se fizerem greve, que grande transtorno que isso vai trazer à minha vida e à da população em geral, o caos nos transportes, nos hospitais, nas repartições públicas, vão faltar bens essenciais nos supermercados...
Haja paciência.
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Para 2007
Desejei, claro. Toda a gente deseja, porque não eu? Este ano as primeiras coisas que desejei foram o reflexo das minhas principais preocupações. Mais saúde, mais dinheiro. Alguém ao meu lado acrescentou, "mais homens!". E agora a correr os blogs vi que a minha amiga Xana pediu para ter sorte.
Fiquei a pensar nisto. Eu também devia ter pedido isso, porque raio é não me ocorreu? A resposta é simples: eu nunca me lembro da sorte porque isso é coisa que para mim é como se não existisse. Sabem aquela canção brasileira, "se há sorte, eu não sei, nunca vi"?. Pois. Estou tão habituada a que a minha vida seja uma espécie de corrida de obstáculos, e que cada objectivo alcançado seja tirado a ferros, com muito tempo de esforço e de sofrimento, de tal maneira que às vezes o destino só me concede as coisas porque é vencido pelo cansaço, que eu nem me dá para pensar em conseguir as coisas à conta de mera sorte.
Por isso, aqui vai atrasado mais este desejo para 2007: alguma coisa que eu deseje alcançar, que ao menos uma vez na vida me caia do céu aos trambolhões, fácil, fácil, sem esforço absolutamente nenhum, à conta da mais despudorada sorte. Para eu saber como é que é isso, essa coisa de se ter sorte.
Agora fiquei com uma vozinha cá dentro a dizer, "cuidado com o que desejas, que a Deusa pode conceder-to". Está bem, prontos. Que seja. Mas então, ficamos assim: saúde, dinheiro e sorte. Obrigadinha.
Fiquei a pensar nisto. Eu também devia ter pedido isso, porque raio é não me ocorreu? A resposta é simples: eu nunca me lembro da sorte porque isso é coisa que para mim é como se não existisse. Sabem aquela canção brasileira, "se há sorte, eu não sei, nunca vi"?. Pois. Estou tão habituada a que a minha vida seja uma espécie de corrida de obstáculos, e que cada objectivo alcançado seja tirado a ferros, com muito tempo de esforço e de sofrimento, de tal maneira que às vezes o destino só me concede as coisas porque é vencido pelo cansaço, que eu nem me dá para pensar em conseguir as coisas à conta de mera sorte.
Por isso, aqui vai atrasado mais este desejo para 2007: alguma coisa que eu deseje alcançar, que ao menos uma vez na vida me caia do céu aos trambolhões, fácil, fácil, sem esforço absolutamente nenhum, à conta da mais despudorada sorte. Para eu saber como é que é isso, essa coisa de se ter sorte.
Agora fiquei com uma vozinha cá dentro a dizer, "cuidado com o que desejas, que a Deusa pode conceder-to". Está bem, prontos. Que seja. Mas então, ficamos assim: saúde, dinheiro e sorte. Obrigadinha.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Os bois pelos nomes
O colega é um bom colega e a observação foi bem intencionada. A mim é que me soa sempre estranha esta expressão do "namorado", e não é de hoje, não sei explicar porquê mas a palavra dita por mim não me sai bem, deixa-me com a impressão de estar a usar uma roupagem demasiado larga ou demasiado apertada, nunca me parece adequada. Acho preferível, quando me refiro ao dito, usar termos como "parceiro" ou "companheiro".
Mas também estas têm os seus quês. "Parceiro" faz-nos logo pensar em parceiro sexual, e no caso em concreto é muito mais que isso. Já "companheiro", deixa as pessoas a pensar em uniões de facto, e também isso não se aplica. União é com certeza, mas para ser de facto implicaria a partilha de um mesmo espaço em comum e numa base diária, não em tempos e espaços diferenciados, como nós fazemos. Assim como está é uma união com factos, mas alternados. Uma união que alterna, vá. Mas isto daria um trabalhão a explicar a quem não nos conhece assim tão bem, e aliás nem se justificaria. De moldes que, de vez em quando, lá se torna inevitável o recurso à convencional e incómoda palavra "namorado".
Depois por outro lado, este colega, assim como outros que me rodeiam no meu trabalho, conhecem-me desde que eu comecei, aos 19 anos, e dá-me ideia que nunca perderam totalmente a imagem da pouco mais que adolescente que lhes apareceu um dia pela frente. Talvez por isso, logo a seguir ao meu recurso à palavra "namorado", surgiu a tal observação: "Ah, então já namoras?...".
Lá respondi uma qualquer banalidade. E fiquei a pensar neste "já namoras", cuja jovialidade não bate mesmo nada certo com a história que acompanha os meus quase 35 anos de vida (e que o colega, obviamente, desconhece). Se o "namorado" me soa esquisito, o que dizer então deste "já namoras"!...
É a consequência dos novos tempos e destas relações "modernas". Olha, outra palavra bizarra. Deviam inventar-se umas palavras novas, mais apropriadas para caracterizar as relações afectivas entre pessoas adultas. :-)
Adenda: O título dado a este post foi tão infeliz, valha-me Deus. Mas agora, já está, já está, também não me ocorre outro melhor...
Mas também estas têm os seus quês. "Parceiro" faz-nos logo pensar em parceiro sexual, e no caso em concreto é muito mais que isso. Já "companheiro", deixa as pessoas a pensar em uniões de facto, e também isso não se aplica. União é com certeza, mas para ser de facto implicaria a partilha de um mesmo espaço em comum e numa base diária, não em tempos e espaços diferenciados, como nós fazemos. Assim como está é uma união com factos, mas alternados. Uma união que alterna, vá. Mas isto daria um trabalhão a explicar a quem não nos conhece assim tão bem, e aliás nem se justificaria. De moldes que, de vez em quando, lá se torna inevitável o recurso à convencional e incómoda palavra "namorado".
Depois por outro lado, este colega, assim como outros que me rodeiam no meu trabalho, conhecem-me desde que eu comecei, aos 19 anos, e dá-me ideia que nunca perderam totalmente a imagem da pouco mais que adolescente que lhes apareceu um dia pela frente. Talvez por isso, logo a seguir ao meu recurso à palavra "namorado", surgiu a tal observação: "Ah, então já namoras?...".
Lá respondi uma qualquer banalidade. E fiquei a pensar neste "já namoras", cuja jovialidade não bate mesmo nada certo com a história que acompanha os meus quase 35 anos de vida (e que o colega, obviamente, desconhece). Se o "namorado" me soa esquisito, o que dizer então deste "já namoras"!...
É a consequência dos novos tempos e destas relações "modernas". Olha, outra palavra bizarra. Deviam inventar-se umas palavras novas, mais apropriadas para caracterizar as relações afectivas entre pessoas adultas. :-)
Adenda: O título dado a este post foi tão infeliz, valha-me Deus. Mas agora, já está, já está, também não me ocorre outro melhor...
domingo, dezembro 24, 2006
Música de Natal
HEAVEN ON THEIR MINDS
JUDAS
My mind is clearer now.
At last all too well
I can see where we all soon will be.
If you strip away
The myth from the man,
You will see where we all soon will be. Jesus!
You've started to believe
The things they say of you.
You really do believe
This talk of God is true.
And all the good you've done
Will soon get swept away.
You've begun to matter more
Than the things you say.
Listen Jesus I don't like what I see.
All I ask is that you listen to me.
And remember, I've been your right hand man all along.
You have set them all on fire.
They think they've found the new Messiah.
And they'll hurt you when they find they're wrong.
I remember when this whole thing began.
No talk of God then, we called you a man.
And believe me, my admiration for you hasn't died.
But every word you say today
Gets twisted 'round some other way.
And they'll hurt you if they think you've lied.
Nazareth, your famous son should have stayed a great unknown
Like his father carving wood
He'd have made good.
Tables, chairs, and oaken chests would have suited Jesus best.
He'd have caused nobody harm; no one alarm.
Listen, Jesus, do you care for your race?
Don't you see we must keep in our place?
We are occupied; have you forgotten how put down we are?
I am frightened by the crowd.
For we are getting much too loud.
And they'll crush us if we go too far.
If they go too far....
Listen, Jesus, to the warning I give.
Please remember that I want us to live.
But it's sad to see our chances weakening with every hour.
All your followers are blind.
Too much heaven on their minds.
It was beautiful, but now it's sour.
Yes it's all gone sour.
Listen, Jesus, to the warning I give.
Please remember that I want us to live.
C'mon, c'mon
He won't listen to me ...
C'mon, c'mon
He won't listen to me ...
JUDAS
My mind is clearer now.
At last all too well
I can see where we all soon will be.
If you strip away
The myth from the man,
You will see where we all soon will be. Jesus!
You've started to believe
The things they say of you.
You really do believe
This talk of God is true.
And all the good you've done
Will soon get swept away.
You've begun to matter more
Than the things you say.
Listen Jesus I don't like what I see.
All I ask is that you listen to me.
And remember, I've been your right hand man all along.
You have set them all on fire.
They think they've found the new Messiah.
And they'll hurt you when they find they're wrong.
I remember when this whole thing began.
No talk of God then, we called you a man.
And believe me, my admiration for you hasn't died.
But every word you say today
Gets twisted 'round some other way.
And they'll hurt you if they think you've lied.
Nazareth, your famous son should have stayed a great unknown
Like his father carving wood
He'd have made good.
Tables, chairs, and oaken chests would have suited Jesus best.
He'd have caused nobody harm; no one alarm.
Listen, Jesus, do you care for your race?
Don't you see we must keep in our place?
We are occupied; have you forgotten how put down we are?
I am frightened by the crowd.
For we are getting much too loud.
And they'll crush us if we go too far.
If they go too far....
Listen, Jesus, to the warning I give.
Please remember that I want us to live.
But it's sad to see our chances weakening with every hour.
All your followers are blind.
Too much heaven on their minds.
It was beautiful, but now it's sour.
Yes it's all gone sour.
Listen, Jesus, to the warning I give.
Please remember that I want us to live.
C'mon, c'mon
He won't listen to me ...
C'mon, c'mon
He won't listen to me ...
Jesus Christ Superstar
Andrew Lloyd Webber Tim Rice
terça-feira, dezembro 19, 2006
Links actualizados
Hoje resolvi actualizar os meus links aqui do lado. Já eram visitados regularmente há algum tempo e agora passam a estar oficialmente "linkados".
sábado, dezembro 16, 2006
O espírito de Natal, como ele é
Conheço certa moça, muito católica praticante, que tem um TMN. Imbuída do espírito de Natal, todos os anos, por esta altura, muda o tarifário dela habitual para um tarifário PAKO. Para quem não sabe, este tarifário oferece um valor em dinheiro ao utilizador, tanto maior quanto o número e tempo de chamadas que receba.
E assim lá anda ela, a ganhar uns dinheiritos sobre as chamadas de votos de Boas Festas que família e amigos lhe vão desejando nesta quadra, tão querida à comunidade Católica.
É sem dúvida uma época em que impera o espírito fraternal, a solidariedade, os afectos, a amizade entre os homens. Mas se for possível, que se ganhem também uns cobres, porque afinal é Natal, e o menino Jesus não há-de levar a mal...
E assim lá anda ela, a ganhar uns dinheiritos sobre as chamadas de votos de Boas Festas que família e amigos lhe vão desejando nesta quadra, tão querida à comunidade Católica.
É sem dúvida uma época em que impera o espírito fraternal, a solidariedade, os afectos, a amizade entre os homens. Mas se for possível, que se ganhem também uns cobres, porque afinal é Natal, e o menino Jesus não há-de levar a mal...
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Sim

Com o maior dos descaramentos, fui buscar isto à Propriedade Privada, e por aqui vai ficar até ao dia 12 de Fevereiro.
Estava capaz de trabalhar voluntariamente na campanha, desde que ligada a alguma associação pelo sim que fosse o mais independente possível de qualquer força partidária. Alguém tem contactos?...
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Cabazes de Natal e rifas
Para além da grande satisfação que me daria qualquer prémio acima de 100.000 euros no Euromilhões, o que eu gostava era que me saísse um cabaz de Natal! Sempre tive esta vontade, e o que é giro é que a maior parte das coisas que compõem os cabazes de Natal até nem me interessam para nada. Mas o cesto recheado daquilo tudo, o embrulho, enfim, gostava que me saísse um.
Esta semana começou também a despontar outra praga ligada à vertente consumista do Natal: as rifas. Estou a trabalhar há dois dias e já me cravaram três vezes, ou seja, três euros para o caraças, em rifas que na maior parte dos casos oferecem o quê? Cabazes de Natal. O pior desta praga é que o livro das rifas vem quase sempre agarrado às mãos de um ou uma qualquer colega de quem até se gosta, simpatiza, e a quem custa muito dizer que não...
Adiante. Comprei o número 42 para o cabaz de Natal do café em frente à minha casa. Duas das três rifas compradas dão cabazes de Natal, vai daí toca de comprar sempre o mesmo número. Portanto, se o 42 bater em todas elas, este Natal vou levar com três cabazes de Natal pela cabeça abaixo!...
Esta semana começou também a despontar outra praga ligada à vertente consumista do Natal: as rifas. Estou a trabalhar há dois dias e já me cravaram três vezes, ou seja, três euros para o caraças, em rifas que na maior parte dos casos oferecem o quê? Cabazes de Natal. O pior desta praga é que o livro das rifas vem quase sempre agarrado às mãos de um ou uma qualquer colega de quem até se gosta, simpatiza, e a quem custa muito dizer que não...
Adiante. Comprei o número 42 para o cabaz de Natal do café em frente à minha casa. Duas das três rifas compradas dão cabazes de Natal, vai daí toca de comprar sempre o mesmo número. Portanto, se o 42 bater em todas elas, este Natal vou levar com três cabazes de Natal pela cabeça abaixo!...
quinta-feira, dezembro 07, 2006
É Natal, grande dor de pés
Tlim, tlim, tlim, e mais não sei quê (a música de Natal dentro das lojas é, na minha opinião, um claro apelo aos instintos mais violentos e assassinos que existem em qualquer um de nós).
Tirei uns dias de férias, e fiada na boa experiência do ano passado, hoje dediquei o dia às compras de Natal. Devia era ter ficado sossegada em casa a fazer limpezas, que era melhor para me descontrair o espírito do que este bate-perna horas a fio à procura de presentes. O ano passado correu tão bem, um dia inteiro no Freeport em Alcochete foi quanto bastou para ficar tudo comprado. Este ano a coisa vai muito pior.
Não só já corri esse de ponta a ponta no fim de semana passado como hoje já me dirigi a mais duas grandes superfícies comerciais. Nem tenho assim tantas prendas para fazer, são para aí umas sete ou oito. Consegui comprar... duas. Para além disso consegui uma valente dor nos pés. Ah! E mandei lavar o carro, o que também foi muito positivo, que aquilo até já cheirava mal por dentro (a sério, não é exagero).
É verdade que o meu orçamento este ano está muito limitado. Mas será que é só isso? Tenho a sensação de que não se vê nada de jeito, que as coisas são todas iguais, tudo de um modo geral sem grande interesse...
Resta-me o Vasco da Gama. No próximo Sábado de manhã atiro-me a ele de cabeça!! Mas desta vez vou de sapatinho raso...
Tirei uns dias de férias, e fiada na boa experiência do ano passado, hoje dediquei o dia às compras de Natal. Devia era ter ficado sossegada em casa a fazer limpezas, que era melhor para me descontrair o espírito do que este bate-perna horas a fio à procura de presentes. O ano passado correu tão bem, um dia inteiro no Freeport em Alcochete foi quanto bastou para ficar tudo comprado. Este ano a coisa vai muito pior.
Não só já corri esse de ponta a ponta no fim de semana passado como hoje já me dirigi a mais duas grandes superfícies comerciais. Nem tenho assim tantas prendas para fazer, são para aí umas sete ou oito. Consegui comprar... duas. Para além disso consegui uma valente dor nos pés. Ah! E mandei lavar o carro, o que também foi muito positivo, que aquilo até já cheirava mal por dentro (a sério, não é exagero).
É verdade que o meu orçamento este ano está muito limitado. Mas será que é só isso? Tenho a sensação de que não se vê nada de jeito, que as coisas são todas iguais, tudo de um modo geral sem grande interesse...
Resta-me o Vasco da Gama. No próximo Sábado de manhã atiro-me a ele de cabeça!! Mas desta vez vou de sapatinho raso...
quinta-feira, novembro 30, 2006
Maldita Candida
Entre 14 de Outubro e 15 de Novembro entupi-me de medicamentos. Diflucan (fluconazol) 150 mg uma vez por semana, e nos primeiros seis dias, comprimidos vaginais Gyno-Trosyd (tioconazol) 100 mg, um por dia. Foi este o tratamento que me recomendaram na Maternidade Alfredo da Costa. Dois dias depois de terminar os comprimidos vaginais a inflamação voltou.
Uma semana depois voltei à carga com o Gyno-Trosyd, desta vez em creme, que dá para enfiar 300 mg de uma vez. Quatro dias depois, mais 300 mg. Melhorei, muito, menstruação, novo tratamento de prevenção durante quatro dias.
Estive bem durante 10 dias (é o máximo de tempo em que me consigo manter bem). Já voltou tudo ao mesmo outra vez. Era suposto ficar sem medicamento durante um mês, ou seja, entre menstruações, continuando a tomar o Diflucan uma vez por mês durante três meses. Bem que eu gostaria de cumprir esse tratamento. Que ele fosse suficiente. Mas nunca é suficiente, estou como os toxicodependentes, já não vivo sem a droga.
Comecei uma vacina contra a bicha. Alergologista espera assim dar o seu contributo para que eu veja este problema pelas costas. Para já levo a vacina uma vez por semana e ainda só lá fui duas vezes, de modo que não sei ainda que resultado irá isso dar.
A pergunta volta sempre e pesa como um fardo de toneladas. Isto terá alguma vez um fim? As alternativas possíveis vão caindo por terra, uma a uma. Já lá vai quase um ano. Estou farta de dar voltas. E de gastar dinheiro. Basicamente, estou farta.
Uma semana depois voltei à carga com o Gyno-Trosyd, desta vez em creme, que dá para enfiar 300 mg de uma vez. Quatro dias depois, mais 300 mg. Melhorei, muito, menstruação, novo tratamento de prevenção durante quatro dias.
Estive bem durante 10 dias (é o máximo de tempo em que me consigo manter bem). Já voltou tudo ao mesmo outra vez. Era suposto ficar sem medicamento durante um mês, ou seja, entre menstruações, continuando a tomar o Diflucan uma vez por mês durante três meses. Bem que eu gostaria de cumprir esse tratamento. Que ele fosse suficiente. Mas nunca é suficiente, estou como os toxicodependentes, já não vivo sem a droga.
Comecei uma vacina contra a bicha. Alergologista espera assim dar o seu contributo para que eu veja este problema pelas costas. Para já levo a vacina uma vez por semana e ainda só lá fui duas vezes, de modo que não sei ainda que resultado irá isso dar.
A pergunta volta sempre e pesa como um fardo de toneladas. Isto terá alguma vez um fim? As alternativas possíveis vão caindo por terra, uma a uma. Já lá vai quase um ano. Estou farta de dar voltas. E de gastar dinheiro. Basicamente, estou farta.
segunda-feira, novembro 27, 2006
Mas porque nem tudo é mau...
Depois de um bom conselho aqui deixado, não é que experimentei esta coisa das meias de liga e agora não quero outra coisa?... :-)
Os simpáticos, os créditos bons, o raio que os parta
Eu e as instituições bancárias temos já uma longa história de incompatibilidades, que cada vez mais me convencem que ainda me verei a levantar o ordenado todos os meses e a pô-lo debaixo do colchão.
Aqui há uns meses atrás, nos simpáticos Totta, onde tenho o meu crédito à habitação, passou-se o seguinte: encontrei um seguro para a casa em condições muito mais vantajosas do que aquele que tinha. Cumpridora das regras como sou, tratei da mudança do seguro e fui ao banco informá-los dessa alteração. Grande erro. Mesmo muito grande. Os simpáticos, que não mexeram uma palha, ou seja, fui eu que andei a tratar de tudo com as duas seguradoras, sem me dizerem uma palavra que fosse, retiraram-me da conta de "despesas de alteração do contrato", a módica quantia de oitenta e tal euros. Uma simpatia, estes senhores.
Este mês foram os amigos da Credibom, a quem ando a pagar o carro. A quem, no espaço de três anos, nunca falhei uma única prestação. Este mês, a vésperas de "cair" a dita, verifico que faltam 40 euros para cobrir a prestação. Culpa minha sem dúvida, distraí-me, coisa que para as pessoas ditas "sérias" equivale no fundo a um delito grave. Fiz imediatamente uma transferência bancária para cobrir o que estava em falta, mas é claro que já nada havia a fazer. Telefonei hoje para os Credibons, que em relação à prestação deste mês já me vão cobrar mais 30 euros para eu aprender a não andar distraída.
Eu fico sempre a perguntar-me: O que é que estas instituições fazem às pessoas que não cumprem? Às pessoas que não pagam prestação em cima de prestação, que se estão a borrifar para os seus compromissos?
Eu gostava que me saísse o Euromilhões de um modo geral, mas gostava em particular por causa destas merdas. Para não precisar de recorrer a estas sanguessugas de fato e gravata.
Cá fica mais este desabafo. Nos dias que correm, é o que se pode arranjar.
Aqui há uns meses atrás, nos simpáticos Totta, onde tenho o meu crédito à habitação, passou-se o seguinte: encontrei um seguro para a casa em condições muito mais vantajosas do que aquele que tinha. Cumpridora das regras como sou, tratei da mudança do seguro e fui ao banco informá-los dessa alteração. Grande erro. Mesmo muito grande. Os simpáticos, que não mexeram uma palha, ou seja, fui eu que andei a tratar de tudo com as duas seguradoras, sem me dizerem uma palavra que fosse, retiraram-me da conta de "despesas de alteração do contrato", a módica quantia de oitenta e tal euros. Uma simpatia, estes senhores.
Este mês foram os amigos da Credibom, a quem ando a pagar o carro. A quem, no espaço de três anos, nunca falhei uma única prestação. Este mês, a vésperas de "cair" a dita, verifico que faltam 40 euros para cobrir a prestação. Culpa minha sem dúvida, distraí-me, coisa que para as pessoas ditas "sérias" equivale no fundo a um delito grave. Fiz imediatamente uma transferência bancária para cobrir o que estava em falta, mas é claro que já nada havia a fazer. Telefonei hoje para os Credibons, que em relação à prestação deste mês já me vão cobrar mais 30 euros para eu aprender a não andar distraída.
Eu fico sempre a perguntar-me: O que é que estas instituições fazem às pessoas que não cumprem? Às pessoas que não pagam prestação em cima de prestação, que se estão a borrifar para os seus compromissos?
Eu gostava que me saísse o Euromilhões de um modo geral, mas gostava em particular por causa destas merdas. Para não precisar de recorrer a estas sanguessugas de fato e gravata.
Cá fica mais este desabafo. Nos dias que correm, é o que se pode arranjar.
sexta-feira, novembro 24, 2006
Este espaço é meu, não e? Posso dizer o que me apetecer, certo?
Então aqui vai, que eu hoje preciso muito de desabafar:
FODA-SE PARA ESTA MERDA DE TEMPO, QUE JÁ HOJE FIQUEI ENCHARCADA ATÉ AOS OSSOS PELO MENOS TRÊS VEZES, MAIS AS CONAS MOLES DO CARALHO QUE ANDAM À MINHA VOLTA TODO O DIA, INCOMPETENTES DE MERDA QUE NÃO CONSEGUEM FAZER EM TRÊS DIAS O TRABALHO QUE EU FAÇO NUMA TARDE, QUE ME FODEM O TRABALHO TODO E A SEGUIR AINDA VOMITAM ORDENS DE MERDA, A EXIGIREM PRAZOS CRETINOS, FILHAS DA PUTA É O QUE ELAS SÃO.
Pronto. Agora vou para a ginástica destilar o resto.
FODA-SE PARA ESTA MERDA DE TEMPO, QUE JÁ HOJE FIQUEI ENCHARCADA ATÉ AOS OSSOS PELO MENOS TRÊS VEZES, MAIS AS CONAS MOLES DO CARALHO QUE ANDAM À MINHA VOLTA TODO O DIA, INCOMPETENTES DE MERDA QUE NÃO CONSEGUEM FAZER EM TRÊS DIAS O TRABALHO QUE EU FAÇO NUMA TARDE, QUE ME FODEM O TRABALHO TODO E A SEGUIR AINDA VOMITAM ORDENS DE MERDA, A EXIGIREM PRAZOS CRETINOS, FILHAS DA PUTA É O QUE ELAS SÃO.
Pronto. Agora vou para a ginástica destilar o resto.
sábado, novembro 18, 2006
Novela da vida real
Às vezes os concursos para a Função Pública têm destas coisas.
Eram sete vagas para uma carreira de auxiliar, um salário relativamente baixo mas a garantia de estabilidade ao longo de um ano inteiro de trabalho, com boas perspectivas de continuidade. As candidatas foram às dezenas, tal como já se esperava. Feito o concurso, as sete primeiras seleccionadas e colocadas, eis que surge uma vaga para colocar mais outra. Numa escolinha no meio do campo, a meio caminho de atrás do sol posto.
Portadora de boas novas, vi a colega a ligar à oitava classificada. Que disse já estar empregada, ainda bem para ela, pelo que declinou a oferta. Passou-se à nona classificada. Que a escola era muito fora de mão, não lhe dava jeito nenhum, pelo que também preferiu não aceitar. Ligou-se à décima classificada, que rejeitou o horário, por não ser compatível com não sei o quê. Às tantas estávamos todas atentas a ver onde iria isto dar.
Seguia-se a décima primeira. Esta já conhecíamos. Tinha colaborado connosco noutras ocasiões, uma garota de vinte e poucos anos que a custo lá terminou o Secundário, ao mesmo tempo que se esfolava a trabalhar para garantir o sustento da família. Há uns tempos atrás apareceu-nos lá em desespero, só tinha trabalho ao fim-de-semana em regime de part-time como caixa de supermercado, se não tínhamos mais nada que lhe arranjássemos. Andava a caminho do hospital, deprimida, com acessos de pânico, tudo coisas que na verdade só precisavam do mais simples dos tratamentos: trabalho. Meios suficientes para viver condignamente.
Quando percebeu que ia ser colocada começou logo a chorar. Não questionou transportes, nem horário, só agradecia a quem lhe estava a ligar, como se a minha colega tivesse acabado de lhe salvar a vida. Às tantas chorava uma e chorava outra. E à volta, outras tantas galinhas tontas, que entretanto se tinham juntado a ouvir a conversa, fungavam discretamente e coçavam o canto dos olhos.
Há muitas maneiras diferentes de sair o euromilhões às pessoas.
Eram sete vagas para uma carreira de auxiliar, um salário relativamente baixo mas a garantia de estabilidade ao longo de um ano inteiro de trabalho, com boas perspectivas de continuidade. As candidatas foram às dezenas, tal como já se esperava. Feito o concurso, as sete primeiras seleccionadas e colocadas, eis que surge uma vaga para colocar mais outra. Numa escolinha no meio do campo, a meio caminho de atrás do sol posto.
Portadora de boas novas, vi a colega a ligar à oitava classificada. Que disse já estar empregada, ainda bem para ela, pelo que declinou a oferta. Passou-se à nona classificada. Que a escola era muito fora de mão, não lhe dava jeito nenhum, pelo que também preferiu não aceitar. Ligou-se à décima classificada, que rejeitou o horário, por não ser compatível com não sei o quê. Às tantas estávamos todas atentas a ver onde iria isto dar.
Seguia-se a décima primeira. Esta já conhecíamos. Tinha colaborado connosco noutras ocasiões, uma garota de vinte e poucos anos que a custo lá terminou o Secundário, ao mesmo tempo que se esfolava a trabalhar para garantir o sustento da família. Há uns tempos atrás apareceu-nos lá em desespero, só tinha trabalho ao fim-de-semana em regime de part-time como caixa de supermercado, se não tínhamos mais nada que lhe arranjássemos. Andava a caminho do hospital, deprimida, com acessos de pânico, tudo coisas que na verdade só precisavam do mais simples dos tratamentos: trabalho. Meios suficientes para viver condignamente.
Quando percebeu que ia ser colocada começou logo a chorar. Não questionou transportes, nem horário, só agradecia a quem lhe estava a ligar, como se a minha colega tivesse acabado de lhe salvar a vida. Às tantas chorava uma e chorava outra. E à volta, outras tantas galinhas tontas, que entretanto se tinham juntado a ouvir a conversa, fungavam discretamente e coçavam o canto dos olhos.
Há muitas maneiras diferentes de sair o euromilhões às pessoas.
quinta-feira, novembro 16, 2006
Tempo
É coisa que me anda a fugir por entre os dedos. Os dias passam a uma velocidade vertiginosa, em menos de um nada são horas de levantar, em ainda menos que isso já estou a caminho da cama para dormir outra vez, e pelo meio fica uma sequência atabalhoada de acontecimentos, de correrias, não só no trabalho mas também nele, e no final do dia, uma sensação de que não fiz rigorosamente nada, a não ser este andar a correr de uns lugares para os outros. Sinto-me especialmente cansada esta semana.
No outro dia olhei para o calendário e apercebi-me que já estamos no final do ano outra vez. Senti-me como o personagem principal do filme "Click", que tem um comando e faz "fast foward" na vida dele sempre que quer passar por cima de algo que não lhe interessa. Senti-me acabadinha de chegar de um "fast foward" desses.
Para onde foi este ano que está quase a chegar ao fim? Não sei. Fiz tanta coisa interessante, diverti-me, tenho montes de coisas boas para reter na memória, mas a triste verdade é que em todos os momentos a grande preocupação era a Candida, e mesmo em períodos de diversão e alegria, foram sempre filtrados pela Candida, e este será, definitivamente, o ano da Candida. Nela se tem consumido grande parte do meu tempo e das minhas energias. É definitivamente a personagem principal do meu filme deste ano. Já só me resta esperar que em 2007 saia de cartaz.
No outro dia olhei para o calendário e apercebi-me que já estamos no final do ano outra vez. Senti-me como o personagem principal do filme "Click", que tem um comando e faz "fast foward" na vida dele sempre que quer passar por cima de algo que não lhe interessa. Senti-me acabadinha de chegar de um "fast foward" desses.
Para onde foi este ano que está quase a chegar ao fim? Não sei. Fiz tanta coisa interessante, diverti-me, tenho montes de coisas boas para reter na memória, mas a triste verdade é que em todos os momentos a grande preocupação era a Candida, e mesmo em períodos de diversão e alegria, foram sempre filtrados pela Candida, e este será, definitivamente, o ano da Candida. Nela se tem consumido grande parte do meu tempo e das minhas energias. É definitivamente a personagem principal do meu filme deste ano. Já só me resta esperar que em 2007 saia de cartaz.
terça-feira, novembro 07, 2006
Referendo, lá terá que ser
Estou de acordo com a realização de novo referendo sobre a questão da Interrupção Voluntária da Gravidez. É uma das últimas heranças do Eng.º Guterres, a meu ver. O primeiro é que escusava de ter sido feito. Agora, depois de ter havido um referendo, e de a resposta ser não, não se pode alterar o sentido dessa resposta sem se voltar a perguntar. É uma questão de respeito pela própria população, julgo eu.
Fomos a referendo a primeira vez por um único motivo: o Primeiro-Ministro da altura era católico. E não quis assumir uma alteração à lei com a qual ele próprio não concordava. O cenário hoje em dia é diferente, mas infelizmente, os termos que são utilizados para defender o "sim" ou o "não" são exactamente os mesmos.
Já começou, aliás. Acho que o "suquete" do Gato Fedorento sobre o Prós e Contras em que se debateu a questão ilustra bem como é que as partes argumentam. Com muitos fundamentalismos, quanto menos esclarecimento melhor (de parte a parte, atenção!), muito alarido, muita mão no coração, direito à vida e Deus Nosso Senhor.
Eu espero sinceramente que a campanha desta vez seja diferente, mas estou convencida que vai ser o mesmo circo da outra vez. Já nem tenho paciência para os ouvir discutir. Ah e tal, porque a vida começa às dez semanas, porque começa antes disso, porque a vida é logo no momento da fecundação, porque a vida, porque a vida. Só me apetece partir para o disparate. Se há vida na fecundação, então é inquestionável que há vida no espermatozóide e no óvulo. Isso quer dizer que de todas as vezes que eu faço um broche e engulo, cometo um infanticídio?...
Não discutam a moral, nem o moralismo, porque a questão do referendo não tem a ver com moral(ismos). Não discutam a religião, porque muito menos tem a ver com a religião. Nem tem a ver com ética, nem com biologia, nem com a consciência invidual. Estes aspectos merecem-me todo o respeito mas são do domínio da nossa individualidade. Reportam-se ao modo como vivemos a nossa existência e às opções que daí decorrem. Todos eles são ulteriores à questão colocada e à própria lei que venha a ser criada.
A questão do referendo é de carácter jurídico e legislativo, tem a ver com saúde pública e com os direitos dos cidadãos. Porque estamos num Estado laico que tem a obrigação de preservar, como princípios fundamentais, a liberdade e o respeito pelas diferentes opções individuais.
E portanto, lá terá que ser o referendo. Cá estamos de novo.
Fomos a referendo a primeira vez por um único motivo: o Primeiro-Ministro da altura era católico. E não quis assumir uma alteração à lei com a qual ele próprio não concordava. O cenário hoje em dia é diferente, mas infelizmente, os termos que são utilizados para defender o "sim" ou o "não" são exactamente os mesmos.
Já começou, aliás. Acho que o "suquete" do Gato Fedorento sobre o Prós e Contras em que se debateu a questão ilustra bem como é que as partes argumentam. Com muitos fundamentalismos, quanto menos esclarecimento melhor (de parte a parte, atenção!), muito alarido, muita mão no coração, direito à vida e Deus Nosso Senhor.
Eu espero sinceramente que a campanha desta vez seja diferente, mas estou convencida que vai ser o mesmo circo da outra vez. Já nem tenho paciência para os ouvir discutir. Ah e tal, porque a vida começa às dez semanas, porque começa antes disso, porque a vida é logo no momento da fecundação, porque a vida, porque a vida. Só me apetece partir para o disparate. Se há vida na fecundação, então é inquestionável que há vida no espermatozóide e no óvulo. Isso quer dizer que de todas as vezes que eu faço um broche e engulo, cometo um infanticídio?...
Não discutam a moral, nem o moralismo, porque a questão do referendo não tem a ver com moral(ismos). Não discutam a religião, porque muito menos tem a ver com a religião. Nem tem a ver com ética, nem com biologia, nem com a consciência invidual. Estes aspectos merecem-me todo o respeito mas são do domínio da nossa individualidade. Reportam-se ao modo como vivemos a nossa existência e às opções que daí decorrem. Todos eles são ulteriores à questão colocada e à própria lei que venha a ser criada.
A questão do referendo é de carácter jurídico e legislativo, tem a ver com saúde pública e com os direitos dos cidadãos. Porque estamos num Estado laico que tem a obrigação de preservar, como princípios fundamentais, a liberdade e o respeito pelas diferentes opções individuais.
E portanto, lá terá que ser o referendo. Cá estamos de novo.
segunda-feira, novembro 06, 2006
:-(
O meu extracto bancário diz que a partir do mês que vem pago mais 25€ de renda de casa. Como em Maio já tinha subido outros 25€, chego ao fim do ano a pagar mais 50€ todos os meses.Desde o princípio do ano, a minha entidade patronal deixou de pagar horas extraordinárias.
Ando com um encargo mensal de despesas de saúde completamente obsceno.
Faltam-me dois longos anos para acabar de pagar o carro.
Não faço a mínima ideia de quando é que poderei progredir na carreira, mas pelo andar da carruagem, deve ser lá pela altura da reforma do Eng.º Sócrates (ou da minha).
Não acertei um único número no Euromilhões.
Vou fazer greve na próxima Quinta-Feira, dois dias nem pensar, primeiro porque sou contra greves a servirem de pretexto para fins-de-semana prolongados. E depois porque financeiramente seria incomportável. Já fazer um dia, é um rombo de tal ordem que se me ponho a pensar muito nisso, ainda acabo por vir trabalhar.
Estou no vermelho. Outra vez. Mas que grande merda.
domingo, novembro 05, 2006
Gavetas
Coisa que eu devia ser proibida de ter. E porquê? Porque só me servem para duas coisas:
para eu deitar lá para dentro as coisas que não me fazem falta nenhuma mas que não consigo deitar fora vá-se lá saber porquê;
ou
para arrumar muito bem arrumadinhas coisas que eu acho que são importantes, mas que vão para o meio da confusão e eu nunca mais me lembro que as tenho nem onde é que foram parar.
Este fim-de-semana, à procura de uma coisa que não encontrei, acabei a fazer algo muito positivo para energizar o ambiente da casa (dizem os senhores do Feng-Shui, e eu acho que isto tem um fundo de verdade). Dei uma volta tal aqui às três gavetas da secretária que deitei fora, sem exagero, uns três quilos de papel e outros objectos inúteis.
Fiquei medianamente satisfeita. Gostava de ter achado o que andava à procura (há tantas outras gavetas por aqui, valha-me Deus!!). Mas por outro lado fiquei com estas três tão arrumadinhas e organizadinhas, que mal posso esperar por começar a entupi-las de porcaria outra vez!...
Upgrade: Deve ter sido da agitação energética. Esta noite (de Domingo para Segunda), uma das prateleiras da estante caiu outra vez! E é sempre a mesma. Curioso...
para eu deitar lá para dentro as coisas que não me fazem falta nenhuma mas que não consigo deitar fora vá-se lá saber porquê;
ou
para arrumar muito bem arrumadinhas coisas que eu acho que são importantes, mas que vão para o meio da confusão e eu nunca mais me lembro que as tenho nem onde é que foram parar.
Este fim-de-semana, à procura de uma coisa que não encontrei, acabei a fazer algo muito positivo para energizar o ambiente da casa (dizem os senhores do Feng-Shui, e eu acho que isto tem um fundo de verdade). Dei uma volta tal aqui às três gavetas da secretária que deitei fora, sem exagero, uns três quilos de papel e outros objectos inúteis.
Fiquei medianamente satisfeita. Gostava de ter achado o que andava à procura (há tantas outras gavetas por aqui, valha-me Deus!!). Mas por outro lado fiquei com estas três tão arrumadinhas e organizadinhas, que mal posso esperar por começar a entupi-las de porcaria outra vez!...
Upgrade: Deve ter sido da agitação energética. Esta noite (de Domingo para Segunda), uma das prateleiras da estante caiu outra vez! E é sempre a mesma. Curioso...
sexta-feira, novembro 03, 2006
quarta-feira, outubro 25, 2006
O crime compensa (?)
Aqui há uns dias atrás terminei de ler os Cem Anos de Solidão. E pensei em vir aqui em acto de contrição, declarar-me uma reles ameba literária que devia mas era estar quieta e não escrever uma porcaria de uma linha que fosse, e quando muito, castigar a minha presunção de escrever alguma coisa de jeito, deitando ao fogo cada uma das minhas tristes histórias à medida que as escrevesse. Isto porque me sinto sempre, enquanto presumida a escritora, muitapequenina defronte de Gabriel Garcia Márquez, daquele poder de imaginação, daquela mestria no domínio das palavras, dos sentimentos, do que existe e não existe.
Logo a seguir, apareceu esta coisa. E aquelas histórias, tão bem guardadas nos meus documentos, confortavelmente instaladas em pasta intitulada "textos originais", começaram a falar, as parvas. A insultarem-me, ainda por cima. A dizerem que sou uma ganda estúpida, uma lesma inútil que nem para ir aos Restauradores registá-las como minhas sou capaz de mexer um dedo. Que podem ser umas tristes amostras de aventuras literárias, mas ao menos estão de acordo com a pasta onde se encontram guardadas, são textos originais. Os meus textos originais.
Mereciam que eu lutasse mais por eles? Eh pá, se calhar sim, se calhar não. Podia andar com eles debaixo do braço e bater a umas portas? Podia, realmente. Mas bem vistas as coisas, aquilo que eu tenho são uns textos mais ou menos, que contam umas histórias assim assim, e a mim ninguém me conhece de lado nenhum.
Querem lá bem saber que sejam mesmo textos originais, mas mesmo mesmo. A triste verdade é que não me chamo Miguel Sousa Tavares ou outro qualquer nome sonante, nunca fui a nenhum reality show, nunca sequer apareci na televisão, não canto nem sou actriz, nem taróloga, nem coisa nenhuma. Portanto não há lugar para mim no mundo da literatura portuguesa...
Adenda: Que isto do Miguel Sousa Tavares transformou-se numa novela cibernauta. Vejam só este, mais este, este outro, e este ainda. Amanhã não se sabe quantos mais terão nascido...
Logo a seguir, apareceu esta coisa. E aquelas histórias, tão bem guardadas nos meus documentos, confortavelmente instaladas em pasta intitulada "textos originais", começaram a falar, as parvas. A insultarem-me, ainda por cima. A dizerem que sou uma ganda estúpida, uma lesma inútil que nem para ir aos Restauradores registá-las como minhas sou capaz de mexer um dedo. Que podem ser umas tristes amostras de aventuras literárias, mas ao menos estão de acordo com a pasta onde se encontram guardadas, são textos originais. Os meus textos originais.
Mereciam que eu lutasse mais por eles? Eh pá, se calhar sim, se calhar não. Podia andar com eles debaixo do braço e bater a umas portas? Podia, realmente. Mas bem vistas as coisas, aquilo que eu tenho são uns textos mais ou menos, que contam umas histórias assim assim, e a mim ninguém me conhece de lado nenhum.
Querem lá bem saber que sejam mesmo textos originais, mas mesmo mesmo. A triste verdade é que não me chamo Miguel Sousa Tavares ou outro qualquer nome sonante, nunca fui a nenhum reality show, nunca sequer apareci na televisão, não canto nem sou actriz, nem taróloga, nem coisa nenhuma. Portanto não há lugar para mim no mundo da literatura portuguesa...
Adenda: Que isto do Miguel Sousa Tavares transformou-se numa novela cibernauta. Vejam só este, mais este, este outro, e este ainda. Amanhã não se sabe quantos mais terão nascido...
terça-feira, outubro 24, 2006
Collants, essa grande chatice
Por conta deles é que eu acabo sempre por passar a maior parte do Inverno de calças. Não gosto de collants, e hoje tive que me render às evidências, calcei uns para passar o dia todo arrependida.
Sim, há homens que vivem com o martírio das gravatas e dos nós das ditas, mas meus amigos, convenhamos. Nada bate a irritação de uns collants a escorregarem pelas pernas abaixo, a repuxarem no meio das pernas de todas as vezes que se dá um passo... E o que é que acontece depois de uns tantos puxões a tentar "encaixá-los" no sítio? Rompem-se, claro está. Abrem malhas de cima a baixo, e deixam-nos com um certo ar de puta velha, do mais decadente que há.
E nem me venham com a conversa do ah e tal, o barato sai caro. Nada disso. Se há coisa em que a qualidade e o preço não andam a par é no caso das collants. Já empatei muito dinheirinho em meias da DIM que nem chegaram a ver a rua. Da primeira vez que as calcei romperam-se. E nem queiram saber como fica o meu humor para o resto do dia quando tento vestir-me e isto me acontece...
Mal por mal, nada como as collants marca "Alba". Vendem-se na loja dos chineses, umas caixinhas às riscas azuis e brancas, tamanho único, acho que dois pares custam 2,50€.
E agora deixa-me ir ali num instante à casa-de-banho, pôr as meias no sítio pela enésima vez, ainda o dia vai a meio...
Sim, há homens que vivem com o martírio das gravatas e dos nós das ditas, mas meus amigos, convenhamos. Nada bate a irritação de uns collants a escorregarem pelas pernas abaixo, a repuxarem no meio das pernas de todas as vezes que se dá um passo... E o que é que acontece depois de uns tantos puxões a tentar "encaixá-los" no sítio? Rompem-se, claro está. Abrem malhas de cima a baixo, e deixam-nos com um certo ar de puta velha, do mais decadente que há.
E nem me venham com a conversa do ah e tal, o barato sai caro. Nada disso. Se há coisa em que a qualidade e o preço não andam a par é no caso das collants. Já empatei muito dinheirinho em meias da DIM que nem chegaram a ver a rua. Da primeira vez que as calcei romperam-se. E nem queiram saber como fica o meu humor para o resto do dia quando tento vestir-me e isto me acontece...
Mal por mal, nada como as collants marca "Alba". Vendem-se na loja dos chineses, umas caixinhas às riscas azuis e brancas, tamanho único, acho que dois pares custam 2,50€.
E agora deixa-me ir ali num instante à casa-de-banho, pôr as meias no sítio pela enésima vez, ainda o dia vai a meio...
segunda-feira, outubro 23, 2006
Tomem lá, seus despeitados!
Que isto enfim, tivesse eu mais 20 centímetros, menos dez quilos, se pintasse o cabelo de preto, mandasse endireitar o nariz e eliminar a miopia, se me livrasse do acne e das varizes, se fosse actriz em Hollywood com dinheiro a rodos para comprar os melhores cremes, a melhor maquilhagem, as melhores roupas... assim também eu, assim também eu!...
sexta-feira, outubro 20, 2006
sexta-feira, outubro 13, 2006
Músicas para sonhar
Já não é a primeira vez que me acontece. Hoje de manhã, quando comecei a ouvir no rádio a música do Tom Sawyer, começaram a agitar-se uma montanha de emoções e recordações, e admito, à medida que cantarolava a coisa caiu uma lágrimazita ou outra.Eu adorava ver o Tom Sawyer. Mas o que me deixou mais emocionada esta manhã nem foi isso. É este fenómeno incrível de ouvirmos os primeiros acordes de uma música que nos diz algo, e imediatamente, abrir-se uma qualquer portinhola que dá para a cave das memórias mais antigas. E como essas memórias aparecem frescas e nítidas, como se tivessem estado a acompanhar-nos todos os dias... O embate é brutal, agita-nos as entranhas, e daí as lágrimas.
De repente vi com toda a clareza uma manhã de há quinhentos anos atrás, a minha mãe a voltar das compras com um livro para eu ler. Era o Tom Sawyer, e nem sei dizer o que foi que veio primeiro, os desenhos-animados ou o livro.
Um livro novo era sempre a melhor prenda que me poderiam dar. Nesse aspecto da minha educação sinto-me privilegiada. Nenhum dos meus pais foi além da instrução primária, mas sempre alimentaram esta minha paixão pelos livros. Naquele dia, a minha mãe comprou o Tom Sawyer sem qualquer critério, apenas porque sim. E foi a maior das alegrias.
Apenas uns poucos segundos de música. Mas hoje fez efeito, meu caro amigo. Um efeito do catano!...
quinta-feira, outubro 12, 2006
Não há lugar para estacionar
É de propósito. É que só pode ser. Ou então é um qualquer defeito genético, porque quando vai um qualquer ele a conduzir, isto nunca acontece.
Eu vou de carro seja para onde for, e vou à procura de estacionamento o mais perto possível, como é habitual. Sim. Admito que muitas vezes desprezo lugares mesmo bons, mas que são só um lugar, e as minhas parcas capacidades de manobra do veículo obrigam-me a ir estacionar mais longe. Costumo dizer que quando é para estacionar a direito, preciso sempre de lugar e meio. E isto se for para estacionar à direita. Se for à esquerda então, boa noite. Não quero saber. Reclama as tuas limitações porque elas pertencem-te, é frase do mais sábio que alguma vez ouvi.
E a questão não é essa, a questão é outra coisa que me está sempre, mas mesmo sempre, a acontecer. É eu passar num sítio qualquer onde quero estacionar, não há lugares, mesmo nenhuns, e vou dar uma volta do catano e deixo o carro a cascos. E depois venho a pé. E nessa algura é que eles estão à vista, aos dois lugares livres que nem era preciso fazer manobra, lugares em espinha, lugares, lugares, todos pertíssimo do sítio para onde vou, todos livres no espaço de minutos a seguir a eu ter passado por eles, ali mesmo à mão de semear, claramente a gozarem com a minha cara!...
Ah e tal, dar mais outra volta? Não adianta. Vai acontecer sempre o mesmo. Eu passo, não há lugares. Dou mais outra volta, não há lugares. Eu estaciono a quilómetros, e assim que saio do carro, os lugares começam a aparecer. É Karma. As mulheres sofrem muito.
Eu vou de carro seja para onde for, e vou à procura de estacionamento o mais perto possível, como é habitual. Sim. Admito que muitas vezes desprezo lugares mesmo bons, mas que são só um lugar, e as minhas parcas capacidades de manobra do veículo obrigam-me a ir estacionar mais longe. Costumo dizer que quando é para estacionar a direito, preciso sempre de lugar e meio. E isto se for para estacionar à direita. Se for à esquerda então, boa noite. Não quero saber. Reclama as tuas limitações porque elas pertencem-te, é frase do mais sábio que alguma vez ouvi.
E a questão não é essa, a questão é outra coisa que me está sempre, mas mesmo sempre, a acontecer. É eu passar num sítio qualquer onde quero estacionar, não há lugares, mesmo nenhuns, e vou dar uma volta do catano e deixo o carro a cascos. E depois venho a pé. E nessa algura é que eles estão à vista, aos dois lugares livres que nem era preciso fazer manobra, lugares em espinha, lugares, lugares, todos pertíssimo do sítio para onde vou, todos livres no espaço de minutos a seguir a eu ter passado por eles, ali mesmo à mão de semear, claramente a gozarem com a minha cara!...
Ah e tal, dar mais outra volta? Não adianta. Vai acontecer sempre o mesmo. Eu passo, não há lugares. Dou mais outra volta, não há lugares. Eu estaciono a quilómetros, e assim que saio do carro, os lugares começam a aparecer. É Karma. As mulheres sofrem muito.
quarta-feira, outubro 11, 2006
A minha pobre vagina
Que tantas alegrias me tem dado no passado, continua doente. E como qualquer mulher que se preze precisa de viver com uma vagina em condições, fui ontem com ela à Maternidade Alfredo da Costa, porque se há sítio neste País que perceba de vaginas, é lá de certeza absoluta.
A assim foi. Esperado o tempo regulamentar entrámos as duas no gabinete para a consulta, mas foi preciso alguma presença de espírito para não dar meia-volta e fugir logo no primeiro embate. É que à espera da minha vagina estavam dois pénis acabadinhos de sair da faculdade, de tal maneira novinhos, que de certeza absoluta, já a minha vagina menstruava e aqueles pénis ainda não tinham nascido.
Era evidente para todos naquela sala que aqueles dois pénis inexperientes não tinham arcaboiço para se aguentarem com uma vagina como a minha, nem mesmo com ela boa de saúde, quanto mais cheia de complicações como ela anda. Mas mesmo assim, confiei. Afinal, todos nós já passámos pelo tempo em que as nossas vaginas e os nossos pénis podiam contar apenas com muita informação teórica e pouca ou nenhuma experiência prática. E não há inexperiência que não se possa compensar com entusiasmo, vontade de experimentar coisas novas e é claro, alguma humildade.
Foi o caso. Depois de fazer o relatório de tudo aquilo por que a minha vagina já passou, ambos os pénis abandonaram o gabinete por uns cinco minutos. Estou capaz de apostar que foram ter com alguma vagina mais velha, algum pénis mais rodado, que lhes dissesse o que fazer com a minha pobre vagina. Voltaram de lá com um tratamento bem estruturado, que me deu, pelo menos para já, a esperança de uma recuperação.
Que ao menos haja essa esperança. Já que nos últimos tempos a única coisa boa que resta à minha pobre vagina e ao pobre pénis que tantas noites dorme ao lado dela, é a lembrança de tempos muito mais felizes...
A assim foi. Esperado o tempo regulamentar entrámos as duas no gabinete para a consulta, mas foi preciso alguma presença de espírito para não dar meia-volta e fugir logo no primeiro embate. É que à espera da minha vagina estavam dois pénis acabadinhos de sair da faculdade, de tal maneira novinhos, que de certeza absoluta, já a minha vagina menstruava e aqueles pénis ainda não tinham nascido.
Era evidente para todos naquela sala que aqueles dois pénis inexperientes não tinham arcaboiço para se aguentarem com uma vagina como a minha, nem mesmo com ela boa de saúde, quanto mais cheia de complicações como ela anda. Mas mesmo assim, confiei. Afinal, todos nós já passámos pelo tempo em que as nossas vaginas e os nossos pénis podiam contar apenas com muita informação teórica e pouca ou nenhuma experiência prática. E não há inexperiência que não se possa compensar com entusiasmo, vontade de experimentar coisas novas e é claro, alguma humildade.
Foi o caso. Depois de fazer o relatório de tudo aquilo por que a minha vagina já passou, ambos os pénis abandonaram o gabinete por uns cinco minutos. Estou capaz de apostar que foram ter com alguma vagina mais velha, algum pénis mais rodado, que lhes dissesse o que fazer com a minha pobre vagina. Voltaram de lá com um tratamento bem estruturado, que me deu, pelo menos para já, a esperança de uma recuperação.
Que ao menos haja essa esperança. Já que nos últimos tempos a única coisa boa que resta à minha pobre vagina e ao pobre pénis que tantas noites dorme ao lado dela, é a lembrança de tempos muito mais felizes...
segunda-feira, outubro 09, 2006
Pescadinha de rabo na boca
A flora vaginal é naturalmente ácida. É neste ambiente que se desenvolvem os bacilos Doderlein, essenciais para combater infecções por bactérias e outras porcarias.
Quando se tem uma infecção por bactérias, é preciso tomar antibiótico. Os antibióticos enfraquecem o sistema imunitário.
Quando se toma antibiótico para eliminar as bactérias, o sistema imunitário enfraquece e o organismo fica mais sujeito a infecções por fungos, como a Candida Albicans.
Quando se combate a Candida, altera-se o PH vaginal, porque o fungo não sobrevive em ambiente alcalino.
Quando se eleva o PH vaginal, matam-se os bacilos Doderlein que combatem as infecções por bactérias. As bactérias dão-se bem com ambiente alcalino.
Quando se tem uma infecção por bactérias é preciso tomar antibiótico...
Quando se tem uma infecção por bactérias, é preciso tomar antibiótico. Os antibióticos enfraquecem o sistema imunitário.
Quando se toma antibiótico para eliminar as bactérias, o sistema imunitário enfraquece e o organismo fica mais sujeito a infecções por fungos, como a Candida Albicans.
Quando se combate a Candida, altera-se o PH vaginal, porque o fungo não sobrevive em ambiente alcalino.
Quando se eleva o PH vaginal, matam-se os bacilos Doderlein que combatem as infecções por bactérias. As bactérias dão-se bem com ambiente alcalino.
Quando se tem uma infecção por bactérias é preciso tomar antibiótico...
quarta-feira, outubro 04, 2006
Fecha-se uma porta...
Depois de três épocas de natação completas que tanto bem me fizeram ao corpo e ao espírito, tenho mesmo que decretar uma interrupção dessa prática por período indeterminado.Mas já que esperei 30 anos para começar a fazer exercício físico com regularidade, deixa cá ver se não perco de vista este bom hábito. Começo hoje com o ginásio. Ginástica localizada, Aeróbica e Step.
Vou um bocado contrariada. Mas o meu inconformismo empurra-me para a frente. E melhores dias virão. Espero.
PS após primeira aula: Habituada ao exercício dentro da piscina, senti-me literalmente um peixe fora de água. Mas estou entusiasmada. Suei que nem uma camela e vim coxa da perna esquerda, é verdade. Mas por outro lado, se eu levar isto direitinho, desconfio que é desta que eu perco os tais três quilos a mais. Se é que hoje em dia são só três, que eu nunca mais fui à balança. Porquê? Porque motivos para andar deprimida já eu tenho de sobra, não preciso de mais esse...
segunda-feira, outubro 02, 2006
Crise da Segunda-Feira
Custou-me tanto hoje. Ainda estava meio escuro, e eu levantar-me sem luz do dia é um sacrifício do catano. E pensar em começar outra semana de trabalho, o mesmo trabalho, com as mesmas pessoas e os mesmos problemas eternamente sem solução, acordaram hoje ainda mais pesados do que habitualmente. Tive que recorrer à imagem mental da grua, a vir do tecto até ao nível da cama, a elevar-me em peso até me por de pé, e depois lá me levantei. Mas custou-me tanto.
Há bocado no café, enquanto tomava o pequeno-almoço, vi um garoto de uns quatro anitos aos gritos e a chorar, uma fita de todo o tamanho. A mãe teve que pegar nele ao colo e levá-lo enquanto ele esbraçejava: "NÃO QUEEEEERO! NÃO QUEEEEERO IR PARA A ESCOOOOOLA HOOOOOJE!...".
Privilégio de criança, isto de se poder fazer uma fita. Com mais 30 anos em cima, não me posso dar àquele luxo. Mas estou totalmente solidária com ele. Dentro de mim existe hoje algo dentro de mim que está igualmente aos gritos e a chorar compulsivamente. Humpf...
Há bocado no café, enquanto tomava o pequeno-almoço, vi um garoto de uns quatro anitos aos gritos e a chorar, uma fita de todo o tamanho. A mãe teve que pegar nele ao colo e levá-lo enquanto ele esbraçejava: "NÃO QUEEEEERO! NÃO QUEEEEERO IR PARA A ESCOOOOOLA HOOOOOJE!...".
Privilégio de criança, isto de se poder fazer uma fita. Com mais 30 anos em cima, não me posso dar àquele luxo. Mas estou totalmente solidária com ele. Dentro de mim existe hoje algo dentro de mim que está igualmente aos gritos e a chorar compulsivamente. Humpf...
segunda-feira, setembro 25, 2006
Cidália e Julieta
Lá no escritório ninguém gosta muito da Cidália. É um bocado burra, tem um corpo meio desconchavado e nunca diz nada que interesse aos outros à sua volta. Parece uma versão feminina do Mr. Bean. Anda sempre sozinha. As pessoas riem-se à socapa daquela figura que parece sempre deslocada na sua profissão, deslocada nas roupas que veste, deslocada nas coisas que diz quando tenta ser simpática, deslocada dentro de si mesma. Solteirona e encalhada, se ainda não tem os 40 já não falta muito de certeza. Olha-se-lhe para dentro dos olhos e não se vê nada, ninguém sabe que pessoa é, nem o que é que verdadeiramente pensa, se é que pensa alguma coisa.
A Julieta é uma das pessoas que não a grama nem à lei da bala. Não perde uma oportunidade para a reduzir à sua insignificância, de preferência puxando dos seus galões de profissional superior e do seu estatuto de mulher bem casada. No outro dia o sarcasmo roçou a crueldade, quando se referiu a um hipotético namorado, coisa que não consta que exista ou alguma vez tenha existido para a Cidália. Uma boca foleira ao género toma-lá-que-já-te-entalei, especialidade exclusiva de mulher para mulher.
A outra deu-lhe uma resposta já meio entaramelada pela timidez e respeito à hierarquia, rodou nos calcanhares e sentou-se a engolir a frustração virada para o ambiente de trabalho. É uma questão de tempo até que lhe passe pelas mãos um qualquer processo de grande importância para a Julieta, e nessa altura, alguma coisa irá desaparecer ou correr mal, por motivos que ninguém entenderá.
A anos-luz das frustrações desta insignificante Cidália (será que ainda é virgem, coitada), a bem sucedida Julieta encaminha-se para casa tarde a más horas. Não há pressas. Hoje, tal como na maior parte dos dias da semana, tem à sua espera uma casa em silêncio, só terá a companhia do marido lá para as tantas da manhã. Também ele é um homem muito bem sucedido e atarefado.
A Julieta é uma das pessoas que não a grama nem à lei da bala. Não perde uma oportunidade para a reduzir à sua insignificância, de preferência puxando dos seus galões de profissional superior e do seu estatuto de mulher bem casada. No outro dia o sarcasmo roçou a crueldade, quando se referiu a um hipotético namorado, coisa que não consta que exista ou alguma vez tenha existido para a Cidália. Uma boca foleira ao género toma-lá-que-já-te-entalei, especialidade exclusiva de mulher para mulher.
A outra deu-lhe uma resposta já meio entaramelada pela timidez e respeito à hierarquia, rodou nos calcanhares e sentou-se a engolir a frustração virada para o ambiente de trabalho. É uma questão de tempo até que lhe passe pelas mãos um qualquer processo de grande importância para a Julieta, e nessa altura, alguma coisa irá desaparecer ou correr mal, por motivos que ninguém entenderá.
A anos-luz das frustrações desta insignificante Cidália (será que ainda é virgem, coitada), a bem sucedida Julieta encaminha-se para casa tarde a más horas. Não há pressas. Hoje, tal como na maior parte dos dias da semana, tem à sua espera uma casa em silêncio, só terá a companhia do marido lá para as tantas da manhã. Também ele é um homem muito bem sucedido e atarefado.
domingo, setembro 24, 2006
"Mas vocês acham que eu ando aqui a dormir?..."

Estou deliciada com a campanha pró-vandalismo do mupi publicitário da Delta que surgiu recentemente, e que conta com a participação daquele rapaz que se diz que é humorista, um tal de Bruno Marques, ou assim.
É o jogo do "mata-esfola" a uma escala global, e isso é giro. Que é como quem diz, ai vão vandalizar isto de qualquer das maneiras, então vamos lá a fazer um concurso a ver quem é que vandaliza melhor.
Num País que tantas vezes prima pelo cinzentismo, acho notável que uma empresa tenha suficiente poder de visão para vender o seu produto recorrendo ao humor. E ainda por cima, tem a inteligência de continuar a aproveitar meios alternativos de publicidade, patrocinando um prémio para o autor do melhor acto de vandalismo.
Está tudo muito bem explicadinho aqui na chafarica do xô Marques. E para ver os vandalismos todos (que já me fartei de rir hoje), façam favor de clicar. Mas não resisto a deixar um dos que mais gostei, com a devida vénia ao autor, Manual de Deus.
quarta-feira, setembro 20, 2006
Parece anedota de loura mas não é
Certa rapariga foi a um restaurante chinês e apreciou o exotismo dos caracteres impressos nos pauzinhos da refeição.
Resolveu tatuar os ditos caracteres no pescoço. Ficou bem giro, deu-lhe um certo estilo e tal.
Quando chegou ao trabalho, tinha lá um colega de origem chinesa que traduziu aquilo para o pessoal.
Dizia "bom apetite".
Resolveu tatuar os ditos caracteres no pescoço. Ficou bem giro, deu-lhe um certo estilo e tal.
Quando chegou ao trabalho, tinha lá um colega de origem chinesa que traduziu aquilo para o pessoal.
Dizia "bom apetite".
sexta-feira, setembro 15, 2006
Literatura, palavras cruzadas e sudoku
Que o meu pai cultiva o hábito da leitura, já eu sei de há muitos anos. Palavras cruzadas, também foi sempre um passatempo preferido, tudo bem. Agora, sudoku? Ficámos de boca aberta, eu e a minha irmã. O sr. Manuel, do alto dos seus 75 anos, anda-me a fazer sudokus como se não houvesse amanhã.
"Ah e tal, os do Correio da Manhã e do Record faço com uma perna às costas. Os do 24 Horas são uma porcaria e desconfio que estão todos engatados. E os do Público são difíceis à brava, vejo-me à rasca para os fazer e muitas vezes não consigo..."
Meti a viola no saco. Sim, porque aqui esta cabeça loira que vos tecla está prontinha a varar a noite dissertando sobre questões profundas como o Existencialismo nos filósofos alemães, os dogmas e contradições da religião católica, a pintura Expressionista. Mas se me puserem daqueles quadradinhos com números à frente os meus neurónios começam a chocalhar todos uns contra os outros e o único pensamento que consigo formular é "sistem failure".
Sudoku. "Ah e tal, tenho um sistema para fazer aquilo...". E explicou como é o sistema. Não percebi patavina. Mas abençoado seja o exercício regular que ele faz ao próprio cérebro. Cheira-me que são anos ganhos de sanidade mental, e mais tempo para nós podermos desfrutar da sua companhia com boa saúde.
"Ah e tal, os do Correio da Manhã e do Record faço com uma perna às costas. Os do 24 Horas são uma porcaria e desconfio que estão todos engatados. E os do Público são difíceis à brava, vejo-me à rasca para os fazer e muitas vezes não consigo..."
Meti a viola no saco. Sim, porque aqui esta cabeça loira que vos tecla está prontinha a varar a noite dissertando sobre questões profundas como o Existencialismo nos filósofos alemães, os dogmas e contradições da religião católica, a pintura Expressionista. Mas se me puserem daqueles quadradinhos com números à frente os meus neurónios começam a chocalhar todos uns contra os outros e o único pensamento que consigo formular é "sistem failure".
Sudoku. "Ah e tal, tenho um sistema para fazer aquilo...". E explicou como é o sistema. Não percebi patavina. Mas abençoado seja o exercício regular que ele faz ao próprio cérebro. Cheira-me que são anos ganhos de sanidade mental, e mais tempo para nós podermos desfrutar da sua companhia com boa saúde.
quinta-feira, setembro 14, 2006
Ciganices
Cigana:
Venho aqui perguntar porque é que não tenho direito ao subsídio.
Funcionária Pública:
A senhora não tem direito porque o seu IRS de 2005 tem um rendimento de 15.000 €...
Cigana:
15.000 €?!?!?! Com a vida desgraçada que eu levo?... Isso não pode ser!...
Esse IRS não é meu.
Esse IRS é meu mas o contabilista enganou-se, a culpa é dele.
Dê-me uma cópia disso, não sei do original do IRS.
Roubaram-me o original quando me assaltaram o carro, partiram-me o carro todo.
E a Funcionária Pública vê-a todos os dias a almoçar no café com as quatro filhas...
Venho aqui perguntar porque é que não tenho direito ao subsídio.
Funcionária Pública:
A senhora não tem direito porque o seu IRS de 2005 tem um rendimento de 15.000 €...
Cigana:
15.000 €?!?!?! Com a vida desgraçada que eu levo?... Isso não pode ser!...
Esse IRS não é meu.
Esse IRS é meu mas o contabilista enganou-se, a culpa é dele.
Dê-me uma cópia disso, não sei do original do IRS.
Roubaram-me o original quando me assaltaram o carro, partiram-me o carro todo.
E a Funcionária Pública vê-a todos os dias a almoçar no café com as quatro filhas...
terça-feira, setembro 12, 2006
Olha! Baixou a gasolina outra vez
Mas eu hoje em dia já desconfio muito destas baixas de preço.
Cá para mim, os gajos estão só a recuar para tomarem balanço.
Cá para mim, os gajos estão só a recuar para tomarem balanço.
terça-feira, setembro 05, 2006
O meu nome é Albicans. Candida Albicans.
E tem licença para me atormentar. Ando há sete meses a lutar contra uma inflamação vaginal provocada por este fungo e estou cada vez mais desesperada. Nada resolve o problema. Já tenho que puxar muito pela cabeça para me recordar de todos os tratamentos que já fiz, de todas as substâncias que já ingeri ou apliquei, tudo o que consigo após cada tratamento são alguns dias, desta última vez então, apenas algumas horas de alívio até a inflamação voltar, sempre com mais força.
A minha esperança era que, quando me sentasse para escrever sobre este problema fosse uma coisa do género, aconteceu-me isto, resolvi desta maneira assim, assim. Um pouco até para ajudar uma desgraçada qualquer que, tal como eu, ande a circular pela internet à procura de alguma resposta que ainda ninguém deu, alguma substância activa que ainda não se experimentou, qualquer coisa, que eu por mim falo, se por esta altura me garantirem que para resolver o problema o melhor é saltar de um sítio qualquer alto, eu vou direitinha à Ponte 25 de Abril, atiro-me e nem discuto.
Mas não. Não tenho solução para apresentar. Antes agradeço qualquer contributo que surja de quem já tenha passado pelo mesmo ou saiba do que é que eu estou a falar. Porque eu já não sei o que hei-de fazer mais.
Os primeiros sintomas surgiram em finais de Janeiro. Comichão, ardor, não me espantou por aí além, eu fazia natação três vezes por semana (fazia, porque entretanto já abandonei) e as mulheres têm a chamada porta aberta para o mundo. Nestas circunstâncias, uma inflamação por Cândida é coisa corriqueira. Fui ao meu médico que me mandou aplicar o “Gyno-Pevaril” (Nitrato de Econazol). Não passou. Voltei lá, para ouvir o primeiro disparate de todo este processo. E ainda me custa mais, vindo de um médico que já me conhece há anos, e que até costuma ser tão cauteloso nos diagnósticos. Enfim. Que não havia nenhum fungo. Que o que eu tinha provavelmente era alguma ferida, provocada por uma incompatibilidade anatómica entre mim e o meu parceiro(?!). Mandou-me aplicar um outro creme, desta vez o “Travocort” (Nitrato de Isoconazol + Valerianato de Diflucortolona).
No início de Março, já a dizer mal da minha vida, virei-me para o ginecologista. Ao princípio a coisa parecia bem encaminhada. De acordo com a observação, o meu mal era Thricomonas, independentemente da existência do fungo. Lá fui eu recambiada, com comprimidos “Flagentyl” (Secnidazol) para tomar, eu e o meu parceiro, e mais 10 dias a aplicar óvulos “Flagyl”, com a mesma substância activa. Nesta altura entraram as alergias ao barulho, e já não consegui concluir o tratamento. A alergia aos óvulos foi de tal maneira que o simples facto de me limpar com papel higiénico deixava-me a amarinhar pelas paredes com comichão e ardor. Fui ter com o ginecologista de urgência que me passou para o creme “Gino-Canesten” (Clotrimazol). Melhorei. No fim deste tratamento fui fazer um exsudado vaginal pela primeira vez, e para mal dos meus pecados, cedo demais. Assim, quando me cheguei ao senhor doutor com uma análise negativa, mas a dizer-lhe que continuava a não me sentir bem, ele preferiu acreditar na análise e não em mim. Veio a segunda dose de disparates. Que eu precisava de me descontrair. Não foi por estas palavras, mas no fundo o que me foi transmitido é que o problema já não estava na vagina, mas sim na cabeça. E eu, estúpida, deixei-me convencer daquilo. Fui para casa esperar pelo resultado da citologia, tentando convencer-me que os sintomas eram todos psicológicos.
Em Abril voltei ao mesmo médico, porque me sentia cada vez pior. Fui lá perder o meu tempo e o dele. Que eu não me podia andar a lavar com anti-sépticos. Que era por isso que eu não melhorava. Areje, não se lave muito, descontraia-se, adeus e um queijo. Em Maio passei para outro ginecologista, nesta altura já totalmente deprimida. Na observação estava tudo bem, não havia motivos para. Fiquei de lhe levar o resultado da citologia, que tardava. Fui lá na semana seguinte, com mais outro resultado negativo. Palavra de honra que eu nunca imaginei receber resultados de análises que diziam estar tudo bem, e ficar desesperada a chorar agarrada aos papéis. As análises diziam uma coisa mas eu sentia outra totalmente diferente.
Acabei a repetir o esxudado por minha própria conta. E já armada em médica de mim mesma, enquanto esperava pelo resultado, comprei uma embalagem de “Sporanox” (Itraconazol), e só no primeiro dia tomei 400 mg. A seguir, 100 mg por dia, durante cinco dias. Enfim, mal não fez, mas também não resolveu.
Parei com a pílula e abandonei definitivamente a piscina (também, as vezes que lá consegui ir nos meses anteriores contaram-se pelos dedos). Em finais de Maio mudei para uma ginecologista que pelo menos tem a virtude de partilhar a minha frustração perante os insucessos. Levei-lhe uma análise positiva para Candida Albicans. Vim de lá cheia de esperança que desta vez é que era. Anti-inflamatório “Maxilaze” (Alfa-Amilase) + anti-alérgico “Xyzal” (Cloridrato de levocetirizina) durante 10 dias, seguidos de 12 dias a aplicar óvulos “Dafnegil” (Nifuratel + Nistatina). Ao mesmo tempo, uma droga nova para fazer as vezes de vacina. “Baciginal Oral”, um suplemento alimentar com probióticos, ainda pouco conhecido, e que ao fim de 12 dias me deixou cheia de urticária. Era suposto tomar aquilo 45 dias seguidos. Deixei de os tomar, terminei o resto do tratamento e tudo até levava a crer que estava resolvido, finalmente.
Tive descanso durante 10 dias. Quando fui repetir a análise já ia com a certeza do que é que me esperava. Lá voltou o resultado positivo para Candida, e a uma pesquisa por Chlamydia e por Mycoplasma, veio o resultado negativo para a primeira (alívio), mas positivo para o segundo, com um bicharoco chamado “Ureaplasma urealyticum”.
A última consulta foi em Agosto. Com a médica a dizer que já não sabe o que me há-de fazer. Tomei antibiótico “Vibramicina” (Doxicilina) para ver se mato o Mycoplasma, e tomei o “Rapamic” (Cetoconazol) durante 11 dias. A seguir reforcei com mais 12 dias de “Dafnegil”. Bastou tomar um comprimido de cada para a alergia se manifestar outra vez. Felizmente consegui controlá-la, mas só recorrendo a mais medicamento, desta feita “Atarax” (Hidroxizina). Terminei no Sábado passado, e desta vez nem tive direito a descanso. Os sintomas nunca chegaram a desaparecer totalmente, e foi uma questão de horas até se afirmarem definitivamente, a uma velocidade que eu considero ao mesmo tempo assustadora e impressionante.
Já na base do desespero vou dobrar a dose diária de “Rapamic” e engolir mais uns tantos comprimidos nos próximos dias. Anti-inflamatório “Nimed” (Nimesulida), porque não, já agora marcha também. Nesta altura já estou a rezar para não acordar amanhã de manhã cheia de manchas pelo corpo todo, mas desconfio que é o que tenho mais certo. Dizem que aplicar iogurte natural às vezes ajuda, vou experimentar isso também. E depois lá tenho eu que esperar 15 dias para repetir a análise, agora com um teste de resistência aos antifúngicos, para ver se ando a tomar alguma coisa que em vez de matar, esteja a dar de comer à bicha.
Entretanto vou virar-me também para o alergologista, porque sei lá, às tantas ando a comer alguma coisa à qual sou alérgica, e não tenho dúvidas que por esta altura o meu sistema imunitário está a precisar de uma ajuda qualquer.
O que é que falta? Qual é a análise, qual é a droga, produto químico, natural ou assim, assim, seja o que for, eu estou disposta a tudo. Haverá algum médico que saiba mais do que estes que eu tenho visitado, e tenha na manga algum tratamento eficaz para me devolver a uma vida normal? Aquela vida normal que eu passei tantos, demasiados anos sem ter, e que agora teria, não fosse isto.
O pior de tudo é pensar na possibilidade que mais me atormenta, a de que se calhar não há nada a fazer, e que a minha vida não vai passar disto. Sei que estes pensamentos negativos não me ajudam em nada. Mas a verdade é que, se há dias em que vou buscar forças não sei onde, optimismo não sei a quê, e a coisa leva-se, outros há em que já não me sinto capaz de nada. Só de me estender ali no sofá, fechar os olhos e deixar-me dormir.
A minha esperança era que, quando me sentasse para escrever sobre este problema fosse uma coisa do género, aconteceu-me isto, resolvi desta maneira assim, assim. Um pouco até para ajudar uma desgraçada qualquer que, tal como eu, ande a circular pela internet à procura de alguma resposta que ainda ninguém deu, alguma substância activa que ainda não se experimentou, qualquer coisa, que eu por mim falo, se por esta altura me garantirem que para resolver o problema o melhor é saltar de um sítio qualquer alto, eu vou direitinha à Ponte 25 de Abril, atiro-me e nem discuto.
Mas não. Não tenho solução para apresentar. Antes agradeço qualquer contributo que surja de quem já tenha passado pelo mesmo ou saiba do que é que eu estou a falar. Porque eu já não sei o que hei-de fazer mais.
Os primeiros sintomas surgiram em finais de Janeiro. Comichão, ardor, não me espantou por aí além, eu fazia natação três vezes por semana (fazia, porque entretanto já abandonei) e as mulheres têm a chamada porta aberta para o mundo. Nestas circunstâncias, uma inflamação por Cândida é coisa corriqueira. Fui ao meu médico que me mandou aplicar o “Gyno-Pevaril” (Nitrato de Econazol). Não passou. Voltei lá, para ouvir o primeiro disparate de todo este processo. E ainda me custa mais, vindo de um médico que já me conhece há anos, e que até costuma ser tão cauteloso nos diagnósticos. Enfim. Que não havia nenhum fungo. Que o que eu tinha provavelmente era alguma ferida, provocada por uma incompatibilidade anatómica entre mim e o meu parceiro(?!). Mandou-me aplicar um outro creme, desta vez o “Travocort” (Nitrato de Isoconazol + Valerianato de Diflucortolona).
No início de Março, já a dizer mal da minha vida, virei-me para o ginecologista. Ao princípio a coisa parecia bem encaminhada. De acordo com a observação, o meu mal era Thricomonas, independentemente da existência do fungo. Lá fui eu recambiada, com comprimidos “Flagentyl” (Secnidazol) para tomar, eu e o meu parceiro, e mais 10 dias a aplicar óvulos “Flagyl”, com a mesma substância activa. Nesta altura entraram as alergias ao barulho, e já não consegui concluir o tratamento. A alergia aos óvulos foi de tal maneira que o simples facto de me limpar com papel higiénico deixava-me a amarinhar pelas paredes com comichão e ardor. Fui ter com o ginecologista de urgência que me passou para o creme “Gino-Canesten” (Clotrimazol). Melhorei. No fim deste tratamento fui fazer um exsudado vaginal pela primeira vez, e para mal dos meus pecados, cedo demais. Assim, quando me cheguei ao senhor doutor com uma análise negativa, mas a dizer-lhe que continuava a não me sentir bem, ele preferiu acreditar na análise e não em mim. Veio a segunda dose de disparates. Que eu precisava de me descontrair. Não foi por estas palavras, mas no fundo o que me foi transmitido é que o problema já não estava na vagina, mas sim na cabeça. E eu, estúpida, deixei-me convencer daquilo. Fui para casa esperar pelo resultado da citologia, tentando convencer-me que os sintomas eram todos psicológicos.
Em Abril voltei ao mesmo médico, porque me sentia cada vez pior. Fui lá perder o meu tempo e o dele. Que eu não me podia andar a lavar com anti-sépticos. Que era por isso que eu não melhorava. Areje, não se lave muito, descontraia-se, adeus e um queijo. Em Maio passei para outro ginecologista, nesta altura já totalmente deprimida. Na observação estava tudo bem, não havia motivos para. Fiquei de lhe levar o resultado da citologia, que tardava. Fui lá na semana seguinte, com mais outro resultado negativo. Palavra de honra que eu nunca imaginei receber resultados de análises que diziam estar tudo bem, e ficar desesperada a chorar agarrada aos papéis. As análises diziam uma coisa mas eu sentia outra totalmente diferente.
Acabei a repetir o esxudado por minha própria conta. E já armada em médica de mim mesma, enquanto esperava pelo resultado, comprei uma embalagem de “Sporanox” (Itraconazol), e só no primeiro dia tomei 400 mg. A seguir, 100 mg por dia, durante cinco dias. Enfim, mal não fez, mas também não resolveu.
Parei com a pílula e abandonei definitivamente a piscina (também, as vezes que lá consegui ir nos meses anteriores contaram-se pelos dedos). Em finais de Maio mudei para uma ginecologista que pelo menos tem a virtude de partilhar a minha frustração perante os insucessos. Levei-lhe uma análise positiva para Candida Albicans. Vim de lá cheia de esperança que desta vez é que era. Anti-inflamatório “Maxilaze” (Alfa-Amilase) + anti-alérgico “Xyzal” (Cloridrato de levocetirizina) durante 10 dias, seguidos de 12 dias a aplicar óvulos “Dafnegil” (Nifuratel + Nistatina). Ao mesmo tempo, uma droga nova para fazer as vezes de vacina. “Baciginal Oral”, um suplemento alimentar com probióticos, ainda pouco conhecido, e que ao fim de 12 dias me deixou cheia de urticária. Era suposto tomar aquilo 45 dias seguidos. Deixei de os tomar, terminei o resto do tratamento e tudo até levava a crer que estava resolvido, finalmente.
Tive descanso durante 10 dias. Quando fui repetir a análise já ia com a certeza do que é que me esperava. Lá voltou o resultado positivo para Candida, e a uma pesquisa por Chlamydia e por Mycoplasma, veio o resultado negativo para a primeira (alívio), mas positivo para o segundo, com um bicharoco chamado “Ureaplasma urealyticum”.
A última consulta foi em Agosto. Com a médica a dizer que já não sabe o que me há-de fazer. Tomei antibiótico “Vibramicina” (Doxicilina) para ver se mato o Mycoplasma, e tomei o “Rapamic” (Cetoconazol) durante 11 dias. A seguir reforcei com mais 12 dias de “Dafnegil”. Bastou tomar um comprimido de cada para a alergia se manifestar outra vez. Felizmente consegui controlá-la, mas só recorrendo a mais medicamento, desta feita “Atarax” (Hidroxizina). Terminei no Sábado passado, e desta vez nem tive direito a descanso. Os sintomas nunca chegaram a desaparecer totalmente, e foi uma questão de horas até se afirmarem definitivamente, a uma velocidade que eu considero ao mesmo tempo assustadora e impressionante.
Já na base do desespero vou dobrar a dose diária de “Rapamic” e engolir mais uns tantos comprimidos nos próximos dias. Anti-inflamatório “Nimed” (Nimesulida), porque não, já agora marcha também. Nesta altura já estou a rezar para não acordar amanhã de manhã cheia de manchas pelo corpo todo, mas desconfio que é o que tenho mais certo. Dizem que aplicar iogurte natural às vezes ajuda, vou experimentar isso também. E depois lá tenho eu que esperar 15 dias para repetir a análise, agora com um teste de resistência aos antifúngicos, para ver se ando a tomar alguma coisa que em vez de matar, esteja a dar de comer à bicha.
Entretanto vou virar-me também para o alergologista, porque sei lá, às tantas ando a comer alguma coisa à qual sou alérgica, e não tenho dúvidas que por esta altura o meu sistema imunitário está a precisar de uma ajuda qualquer.
O que é que falta? Qual é a análise, qual é a droga, produto químico, natural ou assim, assim, seja o que for, eu estou disposta a tudo. Haverá algum médico que saiba mais do que estes que eu tenho visitado, e tenha na manga algum tratamento eficaz para me devolver a uma vida normal? Aquela vida normal que eu passei tantos, demasiados anos sem ter, e que agora teria, não fosse isto.
O pior de tudo é pensar na possibilidade que mais me atormenta, a de que se calhar não há nada a fazer, e que a minha vida não vai passar disto. Sei que estes pensamentos negativos não me ajudam em nada. Mas a verdade é que, se há dias em que vou buscar forças não sei onde, optimismo não sei a quê, e a coisa leva-se, outros há em que já não me sinto capaz de nada. Só de me estender ali no sofá, fechar os olhos e deixar-me dormir.
quinta-feira, agosto 31, 2006
Caramba
Por inspiração doutro amigo, aqui fica a letra completa, porque não há dúvida que o Sérgio Godinho é tão bom, tão bom, mas tão bom, que o melhor mesmo é fazer a vénia e ficar calada:
"Ó senhor da loja
já que a vida é curta
diga-me lá, se souber
quantos metros tem a dor
E já que ainda por cima
a vida é pesada
diga-me lá, se puder
quantos quilos tem o amor
E já que a paciência
tem os seus limites
diga-me lá quantos são
que é p'ra eu saber se espero ou não
quando for desesperar
Já que a vida é curta
e o futuro, diz que está aqui já
(sei lá)
já que o futuro vêm
em peças separadas p'ra montar
(ah! ah! ah! ah!)
antes que se esgote
reserve desde já o seu exemplar
Caramba
está-se p'raqui a dançar na corda bamba
sem se saber para que lado é que se cai
nem com que pé é que se samba
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é bela
diga-me lá se souber
em que espelho a devo olhar
Mas se por outro lado
diz que a vida é dura
arranje-me aí, se tiver
um capacete p'ra eu marrar
E já que a vida é feita
de pequenos nadas
guarde-me aí quatro ou cinco
que é p'ra quando for domingo
eu os poder saborear
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é breve
arranje-me aí os ponteiros
dum relógio que atrasar
E já que no fundo
vai tudo dar ao mesmo
diga-me se o mesmo é mesmo
tudo o que ainda vai mudar
E já que é preciso
deitar contas à vida
desconte-me aí os meses
em que apenas fiz às vezes
doutro que não era eu"
E já agora um beijo grande para outro Pedro, que hoje precisa de toda a música deste mundo. Andamos todos na corda bamba, meu amigo.
"Ó senhor da loja
já que a vida é curta
diga-me lá, se souber
quantos metros tem a dor
E já que ainda por cima
a vida é pesada
diga-me lá, se puder
quantos quilos tem o amor
E já que a paciência
tem os seus limites
diga-me lá quantos são
que é p'ra eu saber se espero ou não
quando for desesperar
Já que a vida é curta
e o futuro, diz que está aqui já
(sei lá)
já que o futuro vêm
em peças separadas p'ra montar
(ah! ah! ah! ah!)
antes que se esgote
reserve desde já o seu exemplar
Caramba
está-se p'raqui a dançar na corda bamba
sem se saber para que lado é que se cai
nem com que pé é que se samba
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é bela
diga-me lá se souber
em que espelho a devo olhar
Mas se por outro lado
diz que a vida é dura
arranje-me aí, se tiver
um capacete p'ra eu marrar
E já que a vida é feita
de pequenos nadas
guarde-me aí quatro ou cinco
que é p'ra quando for domingo
eu os poder saborear
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é breve
arranje-me aí os ponteiros
dum relógio que atrasar
E já que no fundo
vai tudo dar ao mesmo
diga-me se o mesmo é mesmo
tudo o que ainda vai mudar
E já que é preciso
deitar contas à vida
desconte-me aí os meses
em que apenas fiz às vezes
doutro que não era eu"
E já agora um beijo grande para outro Pedro, que hoje precisa de toda a música deste mundo. Andamos todos na corda bamba, meu amigo.
quarta-feira, agosto 30, 2006
Pequenos prazeres de Verão
Sair pela manhã sem pressas e encontrar a rua em silêncio.
Ter os chefes todos de férias, o que permite desenvolver imenso trabalho.
Ver o "CSI" (o original. Há outros?...) no AXN todos os dias às 18h30.
Assistir à chegada de todos os colegas que andaram de férias em Agosto, e ir de férias logo a seguir.
Ter os chefes todos de férias, o que permite desenvolver imenso trabalho.
Ver o "CSI" (o original. Há outros?...) no AXN todos os dias às 18h30.
Assistir à chegada de todos os colegas que andaram de férias em Agosto, e ir de férias logo a seguir.
sábado, agosto 26, 2006
Penso eu de que
Qual Belenenses, qual Gil Vicente, qual Leixões. Quanto a mim, a melhor maneira de resolver estas questões futeboleiras é chamar o último classificado da 2.ª Divisão para a 1.ª Divisão. Nem sei qual é o clube, mas esse é que devia ocupar o lugar. Os outros ficavam a discutir uns com os outros no degrau de baixo.
Ou isto, ou irem os dirigentes desportivos em questão governarem-se todos com o salário mínimo nacional durante a próxima época.
Ou isto, ou irem os dirigentes desportivos em questão governarem-se todos com o salário mínimo nacional durante a próxima época.
terça-feira, agosto 22, 2006
O poder de Deus
Hoje de manhã passei por um cartaz com marketing religioso interessante:
Achei honesto. Ou seja, a malta que já anda mal, vai à Igreja Maná para se por pior.
"De mal a pior
Vá a uma Igreja Maná"
Achei honesto. Ou seja, a malta que já anda mal, vai à Igreja Maná para se por pior.
sexta-feira, agosto 18, 2006
E porque os dias 17 trazem sempre qualquer coisa...
Ontem, estando a minha casa à venda há mais de um ano, ficou agendada pela primeiríssima vez a visita de um potencial interessado.
É agora, às 17h30.
É agora, às 17h30.
quinta-feira, agosto 17, 2006
A cor do dinheiro
Para mim é sempre cor de burro quando foge. Isto porque normalmente, mal olho para ele, já ele vai a fugir para um lado qualquer.
E sinceramente, as minhas ambições em matéria de dinheiro são do mais básico que pode haver. Não sinto falta de grandes fortunas, que devem dar um trabalhão a gerir. O que eu gostava mesmo (mas mesmo, mesmo!), era de não precisar de contar tostões.
Por um lado, há a noção de que poupar é importante. Por outro, há em mim um espírito consumista desenfreado que tenho que andar constantemente a vigiar, mas que também tenho que libertar de vez em quando, para não viver por aí cheia de frustrações e deprimida. Depois, há as preocupações com o futuro, a necessidade que ultimamente tenho (infelizmente) de deixar quantidades obscenas de dinheiro em consultórios médicos e na farmácia (um dia destes falarei disto). E ainda as coisas que legitimamente preciso de comprar, e onde terei que gastar dinheiro mais tarde ou mais cedo.
Ora, isto é muita coisa para uns certos 50 euros que me vieram parar ao bolso este mês. O meu lado precavido diz-me para os deixar sossegadinhos, que se eu andasse a poupar 50 euros todos os meses desde o início do ano, por esta altura já tinha 400 euros guardados. Mas nisto vem o meu lado consumista aos gritos, a lembrar que há uma camisola LINDA, com uma cor FANTÁSTICA na nova colecção da Lanidor, que AINDA DESAPARECE se eu não for a correr buscá-la.
Outra voz mais pragmática, ecoa em mim com relatórios pormenorizados das centenas de euros já gastos no dito problema de saúde, sem perspectivas de quando irá terminar esta nova despesa fixa que apareceu na minha vida. E uma outra diz-me que tenho uns sapatos capazes de irem para o lixo, de moldes que se é para gastar, que seja numa coisa que realmente me faz falta, tipo uns sapatos novos, e além disso ainda estão uns diazitos de férias programados lá para Setembro...
Tudo o que eu queria era ter podido comprar a camisola no instante em que a vi, os sapatos no dia seguinte, ter uma reserva de dinheiro confortável para fazer face a despesas inesperadas, tais como problemas de saúde ou outra coisa qualquer, e ir de férias quando me apeteça sem estar para me ralar muito com o assunto.
Assim como assim, o mais certo é andar aqui a fazer ginástica com os ditos 50 euros, a ver se eles chegam para os almoços e os cafés, e rezar para que venha depressa o ordenado de Agosto.
Vidas!...
PS: Aceitam-se propostas. O que fazer aos 50 €?
a) Guardá-los muito bem guardadinhos
b) Derretê-los em roupa
c) Derretê-los em sapatos
d) Guardá-los para derreter nas férias
e) Guardá-los para derreter na farmácia
E sinceramente, as minhas ambições em matéria de dinheiro são do mais básico que pode haver. Não sinto falta de grandes fortunas, que devem dar um trabalhão a gerir. O que eu gostava mesmo (mas mesmo, mesmo!), era de não precisar de contar tostões.
Por um lado, há a noção de que poupar é importante. Por outro, há em mim um espírito consumista desenfreado que tenho que andar constantemente a vigiar, mas que também tenho que libertar de vez em quando, para não viver por aí cheia de frustrações e deprimida. Depois, há as preocupações com o futuro, a necessidade que ultimamente tenho (infelizmente) de deixar quantidades obscenas de dinheiro em consultórios médicos e na farmácia (um dia destes falarei disto). E ainda as coisas que legitimamente preciso de comprar, e onde terei que gastar dinheiro mais tarde ou mais cedo.
Ora, isto é muita coisa para uns certos 50 euros que me vieram parar ao bolso este mês. O meu lado precavido diz-me para os deixar sossegadinhos, que se eu andasse a poupar 50 euros todos os meses desde o início do ano, por esta altura já tinha 400 euros guardados. Mas nisto vem o meu lado consumista aos gritos, a lembrar que há uma camisola LINDA, com uma cor FANTÁSTICA na nova colecção da Lanidor, que AINDA DESAPARECE se eu não for a correr buscá-la.
Outra voz mais pragmática, ecoa em mim com relatórios pormenorizados das centenas de euros já gastos no dito problema de saúde, sem perspectivas de quando irá terminar esta nova despesa fixa que apareceu na minha vida. E uma outra diz-me que tenho uns sapatos capazes de irem para o lixo, de moldes que se é para gastar, que seja numa coisa que realmente me faz falta, tipo uns sapatos novos, e além disso ainda estão uns diazitos de férias programados lá para Setembro...
Tudo o que eu queria era ter podido comprar a camisola no instante em que a vi, os sapatos no dia seguinte, ter uma reserva de dinheiro confortável para fazer face a despesas inesperadas, tais como problemas de saúde ou outra coisa qualquer, e ir de férias quando me apeteça sem estar para me ralar muito com o assunto.
Assim como assim, o mais certo é andar aqui a fazer ginástica com os ditos 50 euros, a ver se eles chegam para os almoços e os cafés, e rezar para que venha depressa o ordenado de Agosto.
Vidas!...
PS: Aceitam-se propostas. O que fazer aos 50 €?
a) Guardá-los muito bem guardadinhos
b) Derretê-los em roupa
c) Derretê-los em sapatos
d) Guardá-los para derreter nas férias
e) Guardá-los para derreter na farmácia
domingo, agosto 13, 2006
Finalmente, subi na vida!
A chefe maior lá da minha xafarica, ou melhor dizendo, a que detém maior grau de autoridade (não lhe chamaria propriamente maior), foi de férias. A que está abaixo dela ainda está de férias amanhã.
A minha chefe está de férias, assim como quase todo o pessoal à minha volta. A encarregada da limpeza também está de férias.
Andava por lá uma mosca, um bocado maçadora, que já há uns tempos que não a vejo, vai na volta resolveu ir de férias.
Talvez porque não está lá quase ninguém. Ou então não. Amanhã sou Directora de Departamento!!
A minha chefe está de férias, assim como quase todo o pessoal à minha volta. A encarregada da limpeza também está de férias.
Andava por lá uma mosca, um bocado maçadora, que já há uns tempos que não a vejo, vai na volta resolveu ir de férias.
Talvez porque não está lá quase ninguém. Ou então não. Amanhã sou Directora de Departamento!!
quinta-feira, agosto 10, 2006
Eu nem ligo muito a carros de gente rica
E no entanto, cheguei à conclusão que gosto mesmo deste:

Mas mesmo, mesmo.

Mas mesmo, mesmo.
terça-feira, agosto 08, 2006
Carta aberta ao meu ferro de engomar
É só para te dizer que me estou a borrifar. Podes continuar com as tuas censuras veladas aí no fundo do roupeiro onde te encontras, tu que tens a mania que és dono de todas as virtudes no mundo dos algodões e dos sintéticos. Sei muito bem que passas os dias a destilar veneno a meu respeito, juntamente com o secador do cabelo, que vive duas prateleiras acima de ti. Também olha quem é que escolheste para me cortar na casaca, um aparelho que só veio parar cá a casa por oferta, e foi usado uma única vez, com resultados nada satisfatórios. Ele percebeu logo que eu não tinha mãos para manusear tal maquinaria, e o meu cabelo pensou o mesmo. Andamos a evitar-nos desde então.
Portanto juntem-se os dois à vontade, quero cá bem saber. De cada vez que apanho mais uma máquina de roupa e a ponho no cesto para passar, sinto nas costas esse teu olhar de freira virgem ressabiada a desprezar-me por ser tão desleixada. Pois então ficas sabendo, mais vale desleixada que porca, se a roupa está por passar é sinal que está lavada. Toma lá e vai-te curar.
E já sei que vais continuar a queixares-te da tua má sorte, por teres vindo parar a uma casa tão desgovernada como a minha. Com lamúrias dessas posso eu bem. Conforma-te por uma vez. Se for preciso deitar-me em lençóis amarrotados, deito-me. Se tiver que vestir roupa engelhada, que assim seja. Se for preciso rebuscar até ao mais fundo do cesto à procura de umas cuecas e soutien lavados, fá-lo-ei sem hesitações.
O cesto já leva com três máquinas de roupa em cima. Até podem vir mais três, mais seis, uma coisa tens tu certa: enquanto durar este filho da puta deste calor não passas nem um napron!!...
Portanto juntem-se os dois à vontade, quero cá bem saber. De cada vez que apanho mais uma máquina de roupa e a ponho no cesto para passar, sinto nas costas esse teu olhar de freira virgem ressabiada a desprezar-me por ser tão desleixada. Pois então ficas sabendo, mais vale desleixada que porca, se a roupa está por passar é sinal que está lavada. Toma lá e vai-te curar.
E já sei que vais continuar a queixares-te da tua má sorte, por teres vindo parar a uma casa tão desgovernada como a minha. Com lamúrias dessas posso eu bem. Conforma-te por uma vez. Se for preciso deitar-me em lençóis amarrotados, deito-me. Se tiver que vestir roupa engelhada, que assim seja. Se for preciso rebuscar até ao mais fundo do cesto à procura de umas cuecas e soutien lavados, fá-lo-ei sem hesitações.
O cesto já leva com três máquinas de roupa em cima. Até podem vir mais três, mais seis, uma coisa tens tu certa: enquanto durar este filho da puta deste calor não passas nem um napron!!...
Passarola Voadora
A autêntica. Que pelos vistos nunca voou. E como poderia? Faltaram-lhe as vontades dos homens e a força de uma mulher que visse onde ir buscá-las.
domingo, agosto 06, 2006
No worries
Passear, mesmo debaixo de muito calor. Conversar. Rir. Bowling. Praia.
Já não me lembrava do hilariante que é jogar ao Uno, grande vício dos meus tempos de escola secundária.
Arranjei uma dor de garganta, mas se calhar foi do esforço do fim-de-semana. Ai deixa-me encostar um bocado ali no sofá, e pôr uma musiquita a tocar, que devo estar a precisar muito de repouso...
Já não me lembrava do hilariante que é jogar ao Uno, grande vício dos meus tempos de escola secundária.
Arranjei uma dor de garganta, mas se calhar foi do esforço do fim-de-semana. Ai deixa-me encostar um bocado ali no sofá, e pôr uma musiquita a tocar, que devo estar a precisar muito de repouso...
"(I just know your life's gonna change)
(Gonna get a little better)
(Moving on the darkest day)
(I just know your life's gonna change)
(Gonna get a little further)
(Right up until the feeling fades)
So, is this how it goes,
Think you've come this far,
and then it'll show,
but that aint so, oh no,
you don't see where you are,
and if you don't wanna look back
you'll never know,
cuz you think that you've been here
just treading water
waiting in the wings for the show to begin
but i always see you searching
and you try that bit harder
getting closer, oh yeah
to the life you're imagining
(I just know your life's gonna change)
maybe not today, maybe not today,
but some day soon you'll be alright,
(I just know your life's gonna change)
turn the other way, turn the other way,
feels like luck is on your side,
(Just wanna live)
no worries, no worries,
(Don't wanna die)
no worries, no worries,
sing for me, sing for me,
we all need somebody,
(yeah you can sink)
no worries, no worries,
(or you can swim)
no worries, no worries,
sing for me, sing for me,
we all need somebody,
So, baby keep drifiting on
getting there aint just selfless wasted time
seek and find, yeah
you're not that far from
what you hoped and wished for
all along,
cuz you think that you've been there,
just treading water
waiting in the wings for the show to begin
but i always see you searching
and you try that bit harder
getting closer, oh yeah
to the life you're imagining
I just know your life's gonna change
sing for me, sing for me,
we all need somebody..."
SIMON WEBBE
No Worries
domingo, julho 30, 2006
Porque é que?...
... As mulheres, genericamente, acham todas que têm o rabo grande, mas quando se chateiam com outras mulheres, as ditas têm SEMPRE um rabo escanzelado?
Tenho andado a pensar nisto, Pedro, não me esqueci! E de moldes que concluo o seguinte:
É um facto que mulher nenhuma neste mundo está ou estará, algum dia, satisfeita com o corpinho com que nasceu. É uma coisa genética. O rabo há-de ser sempre damasiado grande ou demasiado pequeno, queria ser mais alta, queria ser mais magra, o peito é grande de mais, pequeno demais, está descaído, pele muito seca, pele oleosa cheia de pontos negros, o cabelo, meu Deus, o cabelo!, porque é que é tão liso e colado à cabeça, porque é que encaracola e não se consegue pentear, quem me dera ser loura, os joelhos, as unhas das mãos, as unhas dos pés, a sobrancelha do olho esquerdo que fica em 5.º lugar a contar da direita e que NUNCA fica ao mesmo nível das outras.
Mas não concordo contigo. Nem todas as mulheres com quem eu me chateio me deixam a impressão de que têm o rabo escanzelado. Algumas têm um cu do tamanho de uma bomba de hidrogénio, e isso não quer dizer que eu tenha embirrado menos com elas. Depende.
Agora, admito. Também eu me incluo nessa generalidade de mulheres que acham o seu próprio rabo demasiado grande. Assim como também acho que outras coisas em mim são demasiado grandes, apesar de diversas opiniões em contrário. Só há uma coisa que eu nunca acho grande: o cabelo. O meu cabelo está sempre curto. Mesmo que me bata nas costas, abaixo da linha do soutien. Aliás, eu julgo que sofro de um distúrbio psicológico de média gravidade (entre outros, de elevada gravidade), que denomino por "anorexia capilar", que é parecido com a anorexia tradicional, mas com sintomas ao contrário, no que ao cabelo diz respeito. Não sei se me fiz entender... Provavelmente não.
O que acho verdadeiramente é que toda a mulher, quando confrontada com outra mulher, tem sempre como ponto de partida um nível de embirranço elevado. Se não for pelo rabo há-de ser por outra coisa qualquer das mencionadas acima. Porque é que isto é assim? Não sei. Mas é como as cobras quando mordem, não é por mal, é a nossa natureza que é assim...
Mas que a tipa tinha um cu escanzelado, tinha sim senhor. E um peitinho que mais parecia uma tábua de engomar, coitadita. Até te digo mais, alguém lhe devia dizer que em cima daqueles sapatos, JAMAIS ela conseguirá andar direita, e se calhar é por isso que o cérebro não é irrigado como deve ser.
Blimunda dixit, se o homem é o lobo do homem, a mulher é a cabra da mulher.
Tenho andado a pensar nisto, Pedro, não me esqueci! E de moldes que concluo o seguinte:
É um facto que mulher nenhuma neste mundo está ou estará, algum dia, satisfeita com o corpinho com que nasceu. É uma coisa genética. O rabo há-de ser sempre damasiado grande ou demasiado pequeno, queria ser mais alta, queria ser mais magra, o peito é grande de mais, pequeno demais, está descaído, pele muito seca, pele oleosa cheia de pontos negros, o cabelo, meu Deus, o cabelo!, porque é que é tão liso e colado à cabeça, porque é que encaracola e não se consegue pentear, quem me dera ser loura, os joelhos, as unhas das mãos, as unhas dos pés, a sobrancelha do olho esquerdo que fica em 5.º lugar a contar da direita e que NUNCA fica ao mesmo nível das outras.
Mas não concordo contigo. Nem todas as mulheres com quem eu me chateio me deixam a impressão de que têm o rabo escanzelado. Algumas têm um cu do tamanho de uma bomba de hidrogénio, e isso não quer dizer que eu tenha embirrado menos com elas. Depende.
Agora, admito. Também eu me incluo nessa generalidade de mulheres que acham o seu próprio rabo demasiado grande. Assim como também acho que outras coisas em mim são demasiado grandes, apesar de diversas opiniões em contrário. Só há uma coisa que eu nunca acho grande: o cabelo. O meu cabelo está sempre curto. Mesmo que me bata nas costas, abaixo da linha do soutien. Aliás, eu julgo que sofro de um distúrbio psicológico de média gravidade (entre outros, de elevada gravidade), que denomino por "anorexia capilar", que é parecido com a anorexia tradicional, mas com sintomas ao contrário, no que ao cabelo diz respeito. Não sei se me fiz entender... Provavelmente não.
O que acho verdadeiramente é que toda a mulher, quando confrontada com outra mulher, tem sempre como ponto de partida um nível de embirranço elevado. Se não for pelo rabo há-de ser por outra coisa qualquer das mencionadas acima. Porque é que isto é assim? Não sei. Mas é como as cobras quando mordem, não é por mal, é a nossa natureza que é assim...
Mas que a tipa tinha um cu escanzelado, tinha sim senhor. E um peitinho que mais parecia uma tábua de engomar, coitadita. Até te digo mais, alguém lhe devia dizer que em cima daqueles sapatos, JAMAIS ela conseguirá andar direita, e se calhar é por isso que o cérebro não é irrigado como deve ser.
Blimunda dixit, se o homem é o lobo do homem, a mulher é a cabra da mulher.
quinta-feira, julho 27, 2006
"A Woman's Right to Shoes"
Passou este fim-de-semana este episódio de "O Sexo e a Cidade". É muito interessante, porque de certa forma expõe algumas das clivagens que sempre acabam por surgir quando as pessoas assumem diferentes opções de vida.
Carrie vai a uma festa de uma amiga, que celebra o nascimento do seu terceiro filho. Por causa das crianças, pede às pessoas para se descalçarem na entrada, coisa que todos cumprem. E no final da noite, alguém acaba por levar, "por engano", as sandálias "Manolo" da Carrie, que por sinal lhe custaram a módica quantia de 485 dólares.
Os problemas começam quando Carrie começa a tentar ser compensada do seu prejuízo. Visita a dona da casa e telefona várias vezes, que faz sempre um ar complacente, de quem tem coisas muito mais importantes em que pensar do que em sapatos. Insinua mesmo que Carrie leva uma vida sem sentido nem objectivos, uma realidade muito distante da sua, que tem filhos para criar, e embora se ofereça inicialmente para lhe pagar o prejuízo, chega à conclusão que não tem que pagar por opções de vida tão extravagantes quanto as da Carrie.
Carrie vai para casa fazer contas ao seu extravagante estilo de vida. Convicta de que mesmo sem filhos para criar, a sua vida continua a fazer sentido à mesma. Chega à conclusão que, para celebrar as opções de vida da amiga, contribuiu com 2.300 dólares em prendas de casamento, e de nascimento para cada um dos filhos do casal!
E diz uma coisa que realmente é muito verdadeira. A nossa sociedade não prevê que qualquer pessoa solteira, a partir da formatura, tenha ocasiões de celebração do que quer que seja. Celebram-se os casamentos, os nascimentos, alguns divórcios, hoje em dia, mas se a opção é seguir um projecto de vida a solo... pelos vistos não há motivo para celebrar.
A personagem principal de "O Sexo e a Cidade" resolve o problema com uma aviso formal de que vai casar-se... consigo própria! E avisa a tal da amiga que, para celebrar o evento, abriu uma lista de casamento na sapataria "Manolo", lista essa que tem um único item: as sandálias que são suas, de pleno direito.
A culpa também é nossa, das pessoas solteiras, quero eu dizer, que esta falta de celebração aconteça. Afinal, remamos contra a maré ao tomar diferentes opções de vida, mas a verdade é que nos guiamos pela mesma cartilha social. Também nos vemos com o mesmo olhar dos outros, ao olharem para nós.
E no entanto é um grande, grande desafio, levar avante um projecto de vida a solo, e sem dúvida que faz tanto sentido quanto outro qualquer. Merece ser celebrado, claro que sim. Até porque é difícil, não é para toda a gente. Que eu por mim falo. Há dias em que tenho mesmo que dizer de mim para comim, xiça, não é mesmo nada fácil viver comigo!...
Carrie vai a uma festa de uma amiga, que celebra o nascimento do seu terceiro filho. Por causa das crianças, pede às pessoas para se descalçarem na entrada, coisa que todos cumprem. E no final da noite, alguém acaba por levar, "por engano", as sandálias "Manolo" da Carrie, que por sinal lhe custaram a módica quantia de 485 dólares.
Os problemas começam quando Carrie começa a tentar ser compensada do seu prejuízo. Visita a dona da casa e telefona várias vezes, que faz sempre um ar complacente, de quem tem coisas muito mais importantes em que pensar do que em sapatos. Insinua mesmo que Carrie leva uma vida sem sentido nem objectivos, uma realidade muito distante da sua, que tem filhos para criar, e embora se ofereça inicialmente para lhe pagar o prejuízo, chega à conclusão que não tem que pagar por opções de vida tão extravagantes quanto as da Carrie.
Carrie vai para casa fazer contas ao seu extravagante estilo de vida. Convicta de que mesmo sem filhos para criar, a sua vida continua a fazer sentido à mesma. Chega à conclusão que, para celebrar as opções de vida da amiga, contribuiu com 2.300 dólares em prendas de casamento, e de nascimento para cada um dos filhos do casal!
E diz uma coisa que realmente é muito verdadeira. A nossa sociedade não prevê que qualquer pessoa solteira, a partir da formatura, tenha ocasiões de celebração do que quer que seja. Celebram-se os casamentos, os nascimentos, alguns divórcios, hoje em dia, mas se a opção é seguir um projecto de vida a solo... pelos vistos não há motivo para celebrar.
A personagem principal de "O Sexo e a Cidade" resolve o problema com uma aviso formal de que vai casar-se... consigo própria! E avisa a tal da amiga que, para celebrar o evento, abriu uma lista de casamento na sapataria "Manolo", lista essa que tem um único item: as sandálias que são suas, de pleno direito.
A culpa também é nossa, das pessoas solteiras, quero eu dizer, que esta falta de celebração aconteça. Afinal, remamos contra a maré ao tomar diferentes opções de vida, mas a verdade é que nos guiamos pela mesma cartilha social. Também nos vemos com o mesmo olhar dos outros, ao olharem para nós.
E no entanto é um grande, grande desafio, levar avante um projecto de vida a solo, e sem dúvida que faz tanto sentido quanto outro qualquer. Merece ser celebrado, claro que sim. Até porque é difícil, não é para toda a gente. Que eu por mim falo. Há dias em que tenho mesmo que dizer de mim para comim, xiça, não é mesmo nada fácil viver comigo!...
sexta-feira, julho 21, 2006
Fw: Provérbios para gente culta
Se calhar só são novidade para mim, mas não resisto a difundir um Fw: que recebi hoje.
É à conta de recebermos estas coisas que ganhamos motivação para trabalhar. E sinto, dentro de mim, que tenho capacidade ainda para receber muito mais!!
Então aqui vai:
Expõe-me com quem deambulas e a tua idiossincrasia augurarei.
(Diz-me com quem andas e te direi quem és)
Espécime avícola na cavidade metacárpica, supera os congéneres revolteando em duplicado.
(Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar)
Ausência de percepção ocular, insensibiliza órgão cardial.
(Olhos que não vêem, coração que não sente)
Equídeo objecto de dádiva, não é passível de observação odontológica.
(A cavalo dado não se olham os dentes)
O globo ocular do proprietário torna obesos os bovinos.
(O olho do amo engorda o gado)
Idêntico ascendente, idêntico descendente.
(Tal pai, tal filho)
Descendente de espécime piscícola sabe locomover-se em líquido inorgânico.
(Filho de peixe sabe nadar)
Pequena leguminosa seca após pequena leguminosa seca atesta a capacidade de ingestão de espécie avícola.
(Grão a grão enche a galinha o papo)
Tem o monarca no baixo ventre.
(Tem o rei na barriga)
Quem movimenta os músculos supra faciais mais longe do primeiro, movimenta-os substancialmente em condições excepcionais.
(Quem ri por último ri melhor)
É à conta de recebermos estas coisas que ganhamos motivação para trabalhar. E sinto, dentro de mim, que tenho capacidade ainda para receber muito mais!!
Então aqui vai:
Expõe-me com quem deambulas e a tua idiossincrasia augurarei.
(Diz-me com quem andas e te direi quem és)
Espécime avícola na cavidade metacárpica, supera os congéneres revolteando em duplicado.
(Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar)
Ausência de percepção ocular, insensibiliza órgão cardial.
(Olhos que não vêem, coração que não sente)
Equídeo objecto de dádiva, não é passível de observação odontológica.
(A cavalo dado não se olham os dentes)
O globo ocular do proprietário torna obesos os bovinos.
(O olho do amo engorda o gado)
Idêntico ascendente, idêntico descendente.
(Tal pai, tal filho)
Descendente de espécime piscícola sabe locomover-se em líquido inorgânico.
(Filho de peixe sabe nadar)
Pequena leguminosa seca após pequena leguminosa seca atesta a capacidade de ingestão de espécie avícola.
(Grão a grão enche a galinha o papo)
Tem o monarca no baixo ventre.
(Tem o rei na barriga)
Quem movimenta os músculos supra faciais mais longe do primeiro, movimenta-os substancialmente em condições excepcionais.
(Quem ri por último ri melhor)
terça-feira, julho 18, 2006
A minha vida dava um filme indiano, ou, de cada vez que levo o carro à oficina, é isto
Que ontem foi dia 17, e isso era a primeira coisa em que eu devia ter pensado antes de marcar a inspecção do carro para este dia.
Sete e meia, vamos a isto que é uma pressa, quanto mais depressa lá chegar mais depressa me despacho, e o raio da oficina ainda é longe.
Chego. Aviso a todas as mulheres com carros para levar à oficina este mês e no próximo, altura MUITO MÁ porque os tipos que costumam lá estar foram todos de férias e portanto correm sérios riscos de serem atendidas por... outra mulher. Foi o que me aconteceu.
Portantos, às oito e meia da manhã, uma bela rapariga muito senhora do seu Volskwagen Golf compareceu à hora marcada na oficina da marca, para fazer a inspecção, e já agora, da última vez que cá estive ficou a faltar colocar uma peça, era para aproveitar a viagem e tratar disso também, se faz favor.
Qual peça, perguntou-me a rapariga, que tinha voltado nesse dia de férias e deve perceber tanto de carros como eu. Ao que eu respondo, letra por letra o que o outro moço me tinha dito há uns meses atrás (e que está de férias), que eu nisto sou muito cuidadosa e até aponto as coisas que eles me dizem e tudo para repetir tudo certinho, a ver se corre tudo bem. Nunca corre, claro. Ah e tal, é para colocar uma protecção lateral do motor. Uma protecção lat... Então, mas e essa peça foi requisitada, perguntou-me a mocita. Pois eu disso já não sei, o seu colega disse-me só que quando cá voltasse se punha a peça, uma protecção do motor, pergunta ela, sim, respondo eu, mas que tipo de protecção é, não sabe, pois claro que não sei, respondo eu, então e de que lado é que está a faltar, pois também não faço ideia, e a referência da peça, sabe, pois o que é quer que eu lhe diga...
Nisto passa um homem em fato de macaco com todo o ar de ser mecânico, abençoado seja. Isto pensei eu e pensou ela, claro. Ó coiso e tal, esta senhora diz que precisa de colocar uma protecção no motor, ao que ele disse com toda a calma, sim senhor, uma protecção lateral do motor, e penso eu, finalmente apareceu alguém que sabe o que raio é isso. Só que temos um problemazinho (lá tinha que ser), a peça não há cá, tem que se encomendar, de moldes que vamos tratar disso e a senhora terá que cá voltar.
Sim senhor, digo eu, então mas nesse caso vamos em frente com a inspecção, que isso da peça depois logo se vê. Com certeza minha senhora, uma vez ultrapassado o problema da peça a rapariga estava de novo senhora do seu trabalhito, vamos lá a tratar das coisas, pronto já está, então agora é só esperar um bocadinho, disse-me ela com total segurança. Eram nove horas, por sinal a minha hora de entrar ao trabalho, com tolerância até às nove e meia a coisa ainda dá, pelos vistos isto está rápido e assim escuso de andar para trás e para a frente, levo já o carro, alegria. Confiei. Esperei.
Dez e dez. Ah e tal, isto hoje parece que está lá muita gente, só lhe levámos o carro agora e nem temos a certeza se fica pronto de manhã, que ainda estão muitos carros à frente do seu. Aí já pus a minha cara de chateada. E digo eu, já me podiam ter dito isso às nove da manhã, mas o tom de voz foi mais, vai mas é à merda com o raio da conversa, então deixas-me aqui à seca mais de uma hora e agora dizes-me uma coisa dessas com esse ar desconchavado? Tivesse eu aqui à mão uma protecção lateral de motor, seja lá o que isso for, e enfiava-to mas era por esse cu escanzelado acima, sua cabra. Ela deve ter percebido o sub-texto. Quando disse que precisava de me ir embora imediatamente, ofereceram-se logo para me emprestarem um carro. Digo eu, venha ele já, que a esta hora já devia era estar a trabalhar. E lá fui eu a correr para o trabalho.
Meio da tarde, telefonema, xôra dona Blimunda o seu carro está pronto, fechamos às seis. Cinco e meia, aqui vou eu a correr direita ao carro emprestado, já atrasada para ir buscar o meu carro à oficina, que fica assim mais ou menos nos confins do mundo. E vou dar com ele, o carro emprestado, placidamente à minha espera. Com um pneu furado.
O meu carro passou na inspecção. O senhor que mo trouxe ficou junto ao outro a trocar o pneu. Foi ele, verdadeiramente, a única vítima inocente de mais um dos meus típicos dias 17...
Sete e meia, vamos a isto que é uma pressa, quanto mais depressa lá chegar mais depressa me despacho, e o raio da oficina ainda é longe.
Chego. Aviso a todas as mulheres com carros para levar à oficina este mês e no próximo, altura MUITO MÁ porque os tipos que costumam lá estar foram todos de férias e portanto correm sérios riscos de serem atendidas por... outra mulher. Foi o que me aconteceu.
Portantos, às oito e meia da manhã, uma bela rapariga muito senhora do seu Volskwagen Golf compareceu à hora marcada na oficina da marca, para fazer a inspecção, e já agora, da última vez que cá estive ficou a faltar colocar uma peça, era para aproveitar a viagem e tratar disso também, se faz favor.
Qual peça, perguntou-me a rapariga, que tinha voltado nesse dia de férias e deve perceber tanto de carros como eu. Ao que eu respondo, letra por letra o que o outro moço me tinha dito há uns meses atrás (e que está de férias), que eu nisto sou muito cuidadosa e até aponto as coisas que eles me dizem e tudo para repetir tudo certinho, a ver se corre tudo bem. Nunca corre, claro. Ah e tal, é para colocar uma protecção lateral do motor. Uma protecção lat... Então, mas e essa peça foi requisitada, perguntou-me a mocita. Pois eu disso já não sei, o seu colega disse-me só que quando cá voltasse se punha a peça, uma protecção do motor, pergunta ela, sim, respondo eu, mas que tipo de protecção é, não sabe, pois claro que não sei, respondo eu, então e de que lado é que está a faltar, pois também não faço ideia, e a referência da peça, sabe, pois o que é quer que eu lhe diga...
Nisto passa um homem em fato de macaco com todo o ar de ser mecânico, abençoado seja. Isto pensei eu e pensou ela, claro. Ó coiso e tal, esta senhora diz que precisa de colocar uma protecção no motor, ao que ele disse com toda a calma, sim senhor, uma protecção lateral do motor, e penso eu, finalmente apareceu alguém que sabe o que raio é isso. Só que temos um problemazinho (lá tinha que ser), a peça não há cá, tem que se encomendar, de moldes que vamos tratar disso e a senhora terá que cá voltar.
Sim senhor, digo eu, então mas nesse caso vamos em frente com a inspecção, que isso da peça depois logo se vê. Com certeza minha senhora, uma vez ultrapassado o problema da peça a rapariga estava de novo senhora do seu trabalhito, vamos lá a tratar das coisas, pronto já está, então agora é só esperar um bocadinho, disse-me ela com total segurança. Eram nove horas, por sinal a minha hora de entrar ao trabalho, com tolerância até às nove e meia a coisa ainda dá, pelos vistos isto está rápido e assim escuso de andar para trás e para a frente, levo já o carro, alegria. Confiei. Esperei.
Dez e dez. Ah e tal, isto hoje parece que está lá muita gente, só lhe levámos o carro agora e nem temos a certeza se fica pronto de manhã, que ainda estão muitos carros à frente do seu. Aí já pus a minha cara de chateada. E digo eu, já me podiam ter dito isso às nove da manhã, mas o tom de voz foi mais, vai mas é à merda com o raio da conversa, então deixas-me aqui à seca mais de uma hora e agora dizes-me uma coisa dessas com esse ar desconchavado? Tivesse eu aqui à mão uma protecção lateral de motor, seja lá o que isso for, e enfiava-to mas era por esse cu escanzelado acima, sua cabra. Ela deve ter percebido o sub-texto. Quando disse que precisava de me ir embora imediatamente, ofereceram-se logo para me emprestarem um carro. Digo eu, venha ele já, que a esta hora já devia era estar a trabalhar. E lá fui eu a correr para o trabalho.
Meio da tarde, telefonema, xôra dona Blimunda o seu carro está pronto, fechamos às seis. Cinco e meia, aqui vou eu a correr direita ao carro emprestado, já atrasada para ir buscar o meu carro à oficina, que fica assim mais ou menos nos confins do mundo. E vou dar com ele, o carro emprestado, placidamente à minha espera. Com um pneu furado.
O meu carro passou na inspecção. O senhor que mo trouxe ficou junto ao outro a trocar o pneu. Foi ele, verdadeiramente, a única vítima inocente de mais um dos meus típicos dias 17...
domingo, julho 16, 2006
É calor a mais (II)
Muito cumpridoras das recomendações médicas, metemos as toalhas nos sacos, e decidimos ir para a praia cedo. Bastante cedo, aliás. Pensámos, ah e tal, chegamos aí às 08h30 à praia, voltamos por volta das 11h30, tá-se bem.
E pronto, aqui vou eu para a Costa, cheia de pica. 25 quilómetros andados e parámos. Não pode ser fila, ainda é cedíssimo, a nossa especialidade é levantarmo-nos com as galinhas e chegar à praia antes mesmo dela abrir. Acidente, só pode ser.
Não era. Era fila para a Costa. Quando começámos a fazer contas, concluímos que o tempo que iríamos levar a chegar à praia, encontrar estacionamento, e abancar, seriam aí umas... 11h30. Ou seja, horas de vir embora.
E foi isso que fizemos. Viemos embora.
E pronto, aqui vou eu para a Costa, cheia de pica. 25 quilómetros andados e parámos. Não pode ser fila, ainda é cedíssimo, a nossa especialidade é levantarmo-nos com as galinhas e chegar à praia antes mesmo dela abrir. Acidente, só pode ser.
Não era. Era fila para a Costa. Quando começámos a fazer contas, concluímos que o tempo que iríamos levar a chegar à praia, encontrar estacionamento, e abancar, seriam aí umas... 11h30. Ou seja, horas de vir embora.
E foi isso que fizemos. Viemos embora.
sábado, julho 15, 2006
É calor a mais
Aqui estou eu. Tudo fechado em casa e às escuras, mas o sol vai bater em cheio na cozinha e na varanda até aí às 20h15. Ventoinha a funcionar na sala, outra no quarto. Cueca e soutien, não se aguenta mais nada em cima da pele.
Era suposto limpar a cozinha no fim-de-semana. E também há roupa para lavar que até não implica assim tanto esforço, mas mesmo assim, ainda nem me cheguei lá ao pé. Enquanto estiver por lavar não se estende, não seca, e não tem que se passar a ferro.
De resto é esperar escondida, no que tenho de mais parecido com uma toca, que este tempo horrível se vá embora. Palavra de honra que não percebo as pessoas que gostam de calor. Para mim, de 30 a 35 graus de máxima já é desagradável. Quando ultrapassa isso, é uma calamidade.
Era suposto limpar a cozinha no fim-de-semana. E também há roupa para lavar que até não implica assim tanto esforço, mas mesmo assim, ainda nem me cheguei lá ao pé. Enquanto estiver por lavar não se estende, não seca, e não tem que se passar a ferro.
De resto é esperar escondida, no que tenho de mais parecido com uma toca, que este tempo horrível se vá embora. Palavra de honra que não percebo as pessoas que gostam de calor. Para mim, de 30 a 35 graus de máxima já é desagradável. Quando ultrapassa isso, é uma calamidade.
sexta-feira, julho 14, 2006
Não gosto
De fazer telefonemas de enfiada, para um monte de sítios diferentes, sempre a dizer a mesma coisa.
É chatinho.
É chatinho.
quinta-feira, julho 13, 2006
Favas com chouriço
Quem mais?
PS: Por acaso, não gosto de favas. Agora, se em vez de favas forem ervilhas, com o chouriço sim senhor e uns ovos escalfados, aí sim!...
PS: Por acaso, não gosto de favas. Agora, se em vez de favas forem ervilhas, com o chouriço sim senhor e uns ovos escalfados, aí sim!...
terça-feira, julho 11, 2006
Senhor Primeiro Ministro, eu também quero
Venho por este meio propor a V.ª Ex.ª que, tendo em conta o massivo apoio que os portugueses prestaram à nossa Selecção durante o Mundial de Futebol, o Estado atribua um prémio de participação a todos estes cidadãos.
Considero que esta medida seria um justo reconhecimento da capacidade de mobilização dos portugueses, os quais contribuiram de forma significativa para a divulgação e prestígio do País, especialmente numa prova desportiva de tão elevado nível competitivo.
Face ao exposto, proponho a imediata isenção de IRS no ano de 2006 a todos os portugueses que tenham cumprido com pelo menos um dos seguintes requisitos:
- Colocação de Bandeira Nacional à janela;
- Presença no Estádio Nacional aquando da formação de "a mais bela bandeira do mundo", facto que inclusive deu direito à inclusão do nosso País nesse baluarte da cultura ocidental que é o Guinness Book of Records;
- Reacções do tipo "Ahhhh!....", "Nãããooooo!...", "F......!...", "Vai-te lixar, pá!", "Yes! Yes!", que reflectem uma enorme capacidade de entrega e de sofrimento durante todos os jogos, inclusive naqueles em que a gente levou valentes cabazadas (especialmente nesses);
- Saída para a rua no final de cada jogo em que a Selecção se consagrou vitoriosa, consumindo combustível e desgastando buzinas de automóvel, com especial referência a todos quantos conseguiram subir à estátua do Marquês de Pombal sem caírem de lá abaixo, isto em condições físicas particulamente difíceis, tendo em conta o teor alcoólico no sangue;
- Deslocação ao Aeroporto de Lisboa para receber em delírio todos os jogadores, ou em alternativa, paragem na 2.ª Circular para lhes dizer adeus e mandar beijos, e de um modo geral ao longo de todo o percurso.
- Deslocação ao Estádio Nacional para participar na festa que recebeu toda a comitiva, mais uma vez em condições excepcionalmente difíceis, face ao calor que se fazia sentir e à presença de Roberto Leal no Estádio para cantar o Hino Nacional.
Certa de que este pedido de isenção será atendido, e tendo em conta que toda a Selecção foi também obrigada a ouvir Roberto Leal a cantar o Hino Nacional depois de várias semanas de grande desgaste físico, aproveito esta oportunidade para manifestar o meu apoio ao pedido da Federação Portuguesa de Futebol, para que todos os jogadores da Selecção vejam os seus prémios de jogo do Mundial isentos de IRS. Tal como nós, eles também merecem.
Ao dispor de V.ª Ex.ª
Pede deferimento
Blimunda Sete Luas
Considero que esta medida seria um justo reconhecimento da capacidade de mobilização dos portugueses, os quais contribuiram de forma significativa para a divulgação e prestígio do País, especialmente numa prova desportiva de tão elevado nível competitivo.
Face ao exposto, proponho a imediata isenção de IRS no ano de 2006 a todos os portugueses que tenham cumprido com pelo menos um dos seguintes requisitos:
- Colocação de Bandeira Nacional à janela;
- Presença no Estádio Nacional aquando da formação de "a mais bela bandeira do mundo", facto que inclusive deu direito à inclusão do nosso País nesse baluarte da cultura ocidental que é o Guinness Book of Records;
- Reacções do tipo "Ahhhh!....", "Nãããooooo!...", "F......!...", "Vai-te lixar, pá!", "Yes! Yes!", que reflectem uma enorme capacidade de entrega e de sofrimento durante todos os jogos, inclusive naqueles em que a gente levou valentes cabazadas (especialmente nesses);
- Saída para a rua no final de cada jogo em que a Selecção se consagrou vitoriosa, consumindo combustível e desgastando buzinas de automóvel, com especial referência a todos quantos conseguiram subir à estátua do Marquês de Pombal sem caírem de lá abaixo, isto em condições físicas particulamente difíceis, tendo em conta o teor alcoólico no sangue;
- Deslocação ao Aeroporto de Lisboa para receber em delírio todos os jogadores, ou em alternativa, paragem na 2.ª Circular para lhes dizer adeus e mandar beijos, e de um modo geral ao longo de todo o percurso.
- Deslocação ao Estádio Nacional para participar na festa que recebeu toda a comitiva, mais uma vez em condições excepcionalmente difíceis, face ao calor que se fazia sentir e à presença de Roberto Leal no Estádio para cantar o Hino Nacional.
Certa de que este pedido de isenção será atendido, e tendo em conta que toda a Selecção foi também obrigada a ouvir Roberto Leal a cantar o Hino Nacional depois de várias semanas de grande desgaste físico, aproveito esta oportunidade para manifestar o meu apoio ao pedido da Federação Portuguesa de Futebol, para que todos os jogadores da Selecção vejam os seus prémios de jogo do Mundial isentos de IRS. Tal como nós, eles também merecem.
Ao dispor de V.ª Ex.ª
Pede deferimento
Blimunda Sete Luas
segunda-feira, julho 10, 2006
Miau
"Eis as três características exclusivas da humanidade: a consciência da morte, a capacidade de rir, e o cu."
De volta, não se sabe por quanto tempo. Há que aproveitar.
De volta, não se sabe por quanto tempo. Há que aproveitar.
quarta-feira, julho 05, 2006
Lost
É um vício desgraçado. Já comprei a primeira série e passei os últimos dias de férias a ver aquilo tudo outra vez.Entretanto, acompanho sofregamente os episódios que vão passando na RTP, aos Domingos. E ontem não resisti. Fui ler os resumos todos até ao final da segunda série. :-)
Para os demais viciados, fica o link.
Entretanto, verifico o seguinte: a famosa série de números é 4-8-15-16-23-42.
O voo da Oceanic é o 815.
Foram 48, os sobreviventes na primeira série.
Somando o total de episódios da primeira série (25) e da segunda (23), dá um total de 48.
Quando se inicia a segunda série, passaram-se 48 dias na ilha.
A tecla tem que ser premida a cada 108 minutos*, ou seja, uma hora e 48 minutos.
E ainda:
Quantos são os sobreviventes na outra parte da ilha, no início da segunda série? 23, não é?O prémio para quem denunciasse a Kate, era de 23 mil dólares.
A Danielle Rousseau está na ilha há 16 anos.
... Acho que tenho que parar de pensar nisto... Não há dúvida que o ócio faz mal à cabeça das pessoas...
* PS: E se somarmos os números 4+8+15+16+23+42, o resultado é... 108!
sábado, julho 01, 2006
Apre!!!
Raios partam os Ingleses. Mas será possível que tenham sempre que ser uns bifes assim tão duros de roer? A sério, quando o jogo acabou estava completamente de rastos.
Ainda bem que eu não gosto de Futebol.
Ainda bem que eu não gosto de Futebol.
quinta-feira, junho 29, 2006
Apercebi-me agora
Que esta choça já fez um ano de existência.
Devo reconhecer que me espanta um bocado hoje em dia, olhar ali para o contador do lado direito e ver quantos?... 12.381?... Eh pá, muito e muito obrigada. A sério. Sejam bem vindos.
Devo reconhecer que me espanta um bocado hoje em dia, olhar ali para o contador do lado direito e ver quantos?... 12.381?... Eh pá, muito e muito obrigada. A sério. Sejam bem vindos.
quarta-feira, junho 28, 2006
Regresso a casa
É muito bom ir. E estar por lá. Sentir os dias a passar a cem à hora, tão depressa cá chegámos, já está na hora de ir embora. É mesmo assim, e talvez por isso, por serem poucos, os dias se tornem ainda mais preciosos.
Mas a minha casa. Abrir a porta e sentir o meu próprio cheiro no ar. A luz dourada que sempre aparece ao meio da tarde, quando bate o sol nas janelas da frente. Sentar-me no meu sofá para abrir a correspondência. Tenho a cama feita de lavado. Hum...
Mas a minha casa. Abrir a porta e sentir o meu próprio cheiro no ar. A luz dourada que sempre aparece ao meio da tarde, quando bate o sol nas janelas da frente. Sentar-me no meu sofá para abrir a correspondência. Tenho a cama feita de lavado. Hum...
quarta-feira, junho 21, 2006
sábado, junho 17, 2006
Há algum médico na sala?...
Se há, poderá por favor dizer-me o que é que estes medicamentos têm em comum, para além do facto de eu ser alérgica a eles todos?
A quem deslindar o mistério, darei de bom grado um prémio de valor considerável, nomeadamente um rebobinador de cassetes VHS que assim escusava de ficar à espera da próxima quermesse, e uma centrifugadora Moulinex que faz uns sumos maravilhosos, pelo menos da última vez que foi ligada, há coisa de dez anos atrás, funcionou que foi uma maravilha!...
- Betadine
- Clavamox
- Flagyl
- Baciginal Oral
A quem deslindar o mistério, darei de bom grado um prémio de valor considerável, nomeadamente um rebobinador de cassetes VHS que assim escusava de ficar à espera da próxima quermesse, e uma centrifugadora Moulinex que faz uns sumos maravilhosos, pelo menos da última vez que foi ligada, há coisa de dez anos atrás, funcionou que foi uma maravilha!...
segunda-feira, junho 12, 2006
Haverá vida para além do Mundial?
Acho que muito pouca gente em Portugal saberá responder a isto hoje.
Houve um terramoto onde? E já agora, como está a situação em Timor? Sei que os GNR's de lá estiveram a ver o jogo, que para esta reportagem importantíssima esteve de serviço um profissional da comunicação social em directo, para nos falar disto de imediato. De resto, o que é que eles lá andam a fazer, se morrem ou levam tiros, isso agora não interessa para nada. A maternidade de Elvas fecha ou não fecha? Como estão os preços dos combustíveis? E os profissionais da fábrica da Azambuja, vão todos para o desemprego ou não?
Que eu também vi o jogo ontem, atenção. E tenciono ver os outros, desde que tenha oportunidade e tal.
Mas é um verdadeiro enjoo o que as nossas televisões, principalmente a SIC e a RTP, têm estado a fazer em torno do Mundial. Durante o jornal da noite de ontem, que durou duas horas (!), entre as 18h00 e as 20h00, houve uma única notícia: o Mundial de Futebol. Não se passa mais nada, nem no País, nem no Mundo, pelos vistos.
É um disparate e um exagero. E fazendo uso de uma palavra muito recorrente nas ideologias comunistas, o que não é o caso, é uma alienação. Na medida em que alienação é o mesmo que ter a consciência entre parêntesis.
Houve um terramoto onde? E já agora, como está a situação em Timor? Sei que os GNR's de lá estiveram a ver o jogo, que para esta reportagem importantíssima esteve de serviço um profissional da comunicação social em directo, para nos falar disto de imediato. De resto, o que é que eles lá andam a fazer, se morrem ou levam tiros, isso agora não interessa para nada. A maternidade de Elvas fecha ou não fecha? Como estão os preços dos combustíveis? E os profissionais da fábrica da Azambuja, vão todos para o desemprego ou não?
Que eu também vi o jogo ontem, atenção. E tenciono ver os outros, desde que tenha oportunidade e tal.
Mas é um verdadeiro enjoo o que as nossas televisões, principalmente a SIC e a RTP, têm estado a fazer em torno do Mundial. Durante o jornal da noite de ontem, que durou duas horas (!), entre as 18h00 e as 20h00, houve uma única notícia: o Mundial de Futebol. Não se passa mais nada, nem no País, nem no Mundo, pelos vistos.
É um disparate e um exagero. E fazendo uso de uma palavra muito recorrente nas ideologias comunistas, o que não é o caso, é uma alienação. Na medida em que alienação é o mesmo que ter a consciência entre parêntesis.
terça-feira, junho 06, 2006
Ajude-me, diga-me o que fazer
Às vezes vêm ter comigo e pedem-me isto. Sinal de confiança e de respeito que me valoriza, sem dúvida, mas que traz também consigo a responsabilidade, essa coisa que se instala nos nossos ombros com todo o seu peso, e que nem sequer se pode sacudir assim sem mais nem menos, porque se o fizermos, é vê-la a cair e a magoar os que estão à nossa volta a pedir, ajude-me, diga-me o que fazer.
E quando não há resposta para esta pergunta? E quando a única maneira de se ser responsável
é dizer honestamente, não sei, está por sua conta. Esse peso, não o posso carregar eu.
E que posso eu fazer quando me calha a mim formular esta mesma pergunta? A quem é que eu peço ajuda, quando não sei o que fazer?
Quanto mais se sobe até ao cume da montanha, menos oxigénio existe para se respirar à vontade.
E quando não há resposta para esta pergunta? E quando a única maneira de se ser responsável
é dizer honestamente, não sei, está por sua conta. Esse peso, não o posso carregar eu.
E que posso eu fazer quando me calha a mim formular esta mesma pergunta? A quem é que eu peço ajuda, quando não sei o que fazer?
Quanto mais se sobe até ao cume da montanha, menos oxigénio existe para se respirar à vontade.
sábado, junho 03, 2006
Isto sim, é um filme de jeito

Enquanto anda tudo entretido com "O Código Da Vinci", "The World's Fastest Indian" está a passar ao lado de muita gente.
Em Lisboa só está em três salas: Alvaláxia, Colombo e El Corte Inglés. No Colombo está numa sala que deve ser das mais pequenas, e diga-se em abono da verdade que nem dez pessoas se juntaram para ver aquilo, ontem à noite.
Mas é muito giro. Uma história verídica bem aproveitada para combater alguns preconceitos contra a terceira idade. Existe muito aquela ideia de que ser-se velho é o mesmo que deixar de ter sonhos, projectos, ou vida sexual. E na verdade, se é certo que um corpo envelhecido necessariamente irá limitar-nos, isso não quer dizer que a nossa cabeça vá pelo mesmo caminho.
Anthony Hopkins está soberbo, como sempre. Vão depressa, antes que saia de cartaz.
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