É esta semana. Três meses de trabalho intensivo para três dias de actividades que começam na próxima Quarta-Feira. As horas voam a uma velocidade tremenda, precisava de ser duas, de ser três, para estar em vários sítios ao mesmo tempo. Gastam-me o nome. Hoje consegui a proeza de estar a falar para um grupo de umas dez pessoas com dois telemóveis à minha frente, os dois a tocarem desalmados ao mesmo tempo.
E o pior são os que não telefonam, e já deviam ter telefonado. Não. O pior são os que não páram de telefonar. Pior que esses só aqueles que já chegaram pessoalmente, e começam logo a pedir coisas que não há, e que têm que se arranjar a correr, mesmo não havendo. E já só temos amanhã para estar tudo pronto. E o mais incrível e maravilhoso, que nunca deixa de me surpreender por mais anos que passem, é que chega-se à hora e está tudo pronto. Quantos milagres terão que ser obrados amanhã? Muitos. Depois de amanhã aquilo começa e pronto, é uma espécie de funil, cada hora que passa é menos uma hora de coisas que precisam de ser previstas, acauteladas, geridas, resolvidas.
É esta semana, até Sexta-Feira. Depois vem o merecido descanso. Mas até lá, até lá, vou ter que chegar para muitas encomendas. Estou tão cansada...
segunda-feira, abril 16, 2007
sexta-feira, abril 13, 2007
Lingerie anti-depressiva
Se há coisa terapêutica para eu combater aqueles dias mais stressantes, ou para me animar quando alguma coisa me contraria e fico mais em baixo de forma, é sem dúvida comprar conjuntos de lingerie. É tiro e queda. Ah e tal, discuti com a chefe (infelizmente só tenho chefes mulheres), bati com o carro, a vida é um chatice, seja lá o que for: compro umas cuecas e um soutien novos e pronto, vejo logo a vida com outros olhos! Podia dar-me para pior, olha se as depressões só me passassem comprando artigos na ourivesaria?...
Aqui há uns dias atrás fui às compras ao Jumbo, e antes disso passei pela farmácia, dois dos locais onde deixo habitualmente quantidades absurdas de dinheiro. Comprei duas coisas na farmácia e deixei lá ficar mais de quarenta euros. Ora isto transtornou-me. Saí de lá direita ao Jumbo angustiadíssima porque aquele dinheiro fazia-me uma falta danada, que este é outro daqueles meses em que eu ando a contar os tostões. Chegada ao Jumbo, bato de frente com uma promoção da DIM. Na compra de um conjunto de cueca e soutien, oferta de mais uma cueca. É claro que me agarrei logo àquilo, comprei um conjunto amoroso, ainda por cima com uma cueca de borla, era impossível não aproveitar. Duas cuecas e um soutien por 26 €, grande negócio!
É verdade sim senhor, gastei mais 26 € em cima dos outros 40. E já sei que alguma mente tortuosa poderá agora vir dizer que isto não faz sentido nenhum, que se o problema era falta de dinheiro o melhor era não ter gasto mais, e mais não sei quê. Mas isso já se sabe, são cabeças fraquitas. Qualquer mente esclarecida percebe perfeitamente que, falida por falida, ao menos saí do Jumbo mais bem disposta!...
Agora fiquei foi com um problemazito... Só depois de chegar a casa é que me decidi a experimentar a lingerie. E o modelito das cuecas, decididamente não me fica nada bem... Aquelas cuecas, que até fiquei logo com duas, não sei se terei coragem de alguma vez andar com elas vestidas. Mas que são muita lindas e que foram uma pechincha, lá isso!...
Aqui há uns dias atrás fui às compras ao Jumbo, e antes disso passei pela farmácia, dois dos locais onde deixo habitualmente quantidades absurdas de dinheiro. Comprei duas coisas na farmácia e deixei lá ficar mais de quarenta euros. Ora isto transtornou-me. Saí de lá direita ao Jumbo angustiadíssima porque aquele dinheiro fazia-me uma falta danada, que este é outro daqueles meses em que eu ando a contar os tostões. Chegada ao Jumbo, bato de frente com uma promoção da DIM. Na compra de um conjunto de cueca e soutien, oferta de mais uma cueca. É claro que me agarrei logo àquilo, comprei um conjunto amoroso, ainda por cima com uma cueca de borla, era impossível não aproveitar. Duas cuecas e um soutien por 26 €, grande negócio!
É verdade sim senhor, gastei mais 26 € em cima dos outros 40. E já sei que alguma mente tortuosa poderá agora vir dizer que isto não faz sentido nenhum, que se o problema era falta de dinheiro o melhor era não ter gasto mais, e mais não sei quê. Mas isso já se sabe, são cabeças fraquitas. Qualquer mente esclarecida percebe perfeitamente que, falida por falida, ao menos saí do Jumbo mais bem disposta!...
Agora fiquei foi com um problemazito... Só depois de chegar a casa é que me decidi a experimentar a lingerie. E o modelito das cuecas, decididamente não me fica nada bem... Aquelas cuecas, que até fiquei logo com duas, não sei se terei coragem de alguma vez andar com elas vestidas. Mas que são muita lindas e que foram uma pechincha, lá isso!...
terça-feira, abril 10, 2007
O poncho
Ganhei um poncho da Mango, pelo Natal (parecido com este da foto, mas mais giro). Ora acontece que aquilo dá certo trabalho a vestir e a despir, motivo pelo qual estava sentada a almoçar com ele vestido. O colega do lado, de vinte e poucos anos (uma criança, portanto!), entabulou comigo a seguinte conversa a respeito de… da…. do poncho, no fundo, a respeito do poncho:R.: Eh pá, muito jeitoso, sim senhor, bem fashion. Mas porque é que estás com isso vestido enquanto estás a comer? Estás assim com tanto frio?
Eu: Nada disso. É que isto dá-me algum trabalho a vestir e a despir, porque tem um cinto meio manhoso…
(depois de algumas explicações de ordem prática sobre como vestir e despir o poncho) … e para me poupar a isso, resolvi almoçar com isto vestido.
R.: As mulheres são umas complicadas! Já viste bem o trabalhão que isso pode dar a um homem? Ficas a saber... (esta malta nova tem cá uma mania de que foram eles a inventar o pai-nosso e que agora têm esta missão humanitária de o ensinar aos mais velhos!...) ... que os homens não gostam disso! Gostam é de coisas simples, que se dispam num instante!
Eu: Bom. Embora sejas um rapaz novinho, acho que já tens idade suficiente para saber algumas coisas. Vou dar-te uma novidade. Uma coisa que dê trabalho a despir pode ser muuuuuuito estimulante em determinados momentos, ok?...
R.: Bom. Embora já tenhas uma certa idade, acho que também ainda poderás saber do que é que eu estou a falar. Essas demoras não têm piada NENHUMA se o único tempo disponível que tenhas for durante A HORA DE ALMOÇO, ok?!!!!...
(Diz ele com todo o ar de quem sabe exactamente do que é que está a falar...)
Donde se conclui que isto das pressas e dos vagares não é só uma questão de idades. Não se tem pressa só porque se é novo. É também porque não há espaço, nem horários compatíveis com o vagar. Mas pensando bem, a verdade é que não têm espaços nem horários porquê? Porque são novos, lá está. Realmente, agora que penso nisto, prefiro de longe ter “trintas” a ter “vintes”. E não é só por causa do poncho!...
domingo, abril 08, 2007
Informática, essa grande desconhecida...
Alguém me poderá explicar porque carga d'água é que o Microsoft Outlook agora só recebe mensagens, e não envia nenhuma?
Qualquer que seja o endereço de e-mail para onde eu tente enviar algo, um gajo que eu não conheço de lado nenhum, chamado Administrador do Sistema, manda-me à merda com esta conversa:
"A sua mensagem não chegou a um ou mais destinatários.
Assunto: Teste
Enviada: 08-04-2007 23:27
Não foi possível contactar os seguintes destinatários:
'blimunda_setluas@mail.pt' em 08-04-2007 23:27
554 5.7.1: Recipient address rejected: Access denied"
Juro que não fiz nada para merecer isto. E o que é estranho é que recebe tudo na perfeição. Será viroseira?... Raios partam os computadores, ainda dizem que as mulheres é que são inconstantes...
Qualquer que seja o endereço de e-mail para onde eu tente enviar algo, um gajo que eu não conheço de lado nenhum, chamado Administrador do Sistema, manda-me à merda com esta conversa:
"A sua mensagem não chegou a um ou mais destinatários.
Assunto: Teste
Enviada: 08-04-2007 23:27
Não foi possível contactar os seguintes destinatários:
'blimunda_setluas@mail.pt' em 08-04-2007 23:27
554 5.7.1
Juro que não fiz nada para merecer isto. E o que é estranho é que recebe tudo na perfeição. Será viroseira?... Raios partam os computadores, ainda dizem que as mulheres é que são inconstantes...
sábado, abril 07, 2007
Ontem
Dormir até às onze.
Passear em Cascais e apanhar sol à beira-mal.
Gelado Santini de morango e marabunda.
Sexo.
Cinema.
Tenho que concordar com a comunidade religiosa. Ontem foi mesmo Sexta-Feira santa!...
Passear em Cascais e apanhar sol à beira-mal.
Gelado Santini de morango e marabunda.
Sexo.
Cinema.
Tenho que concordar com a comunidade religiosa. Ontem foi mesmo Sexta-Feira santa!...
segunda-feira, abril 02, 2007
quinta-feira, março 29, 2007
"I only ask of God"
Gosto de música. Mas as palavras... São elas, quase sempre, as que realmente me comovem. Como desta vez:
Sólo le pido a Dios
León Gieco
"Sólo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente,
que la reseca muerte no me encuentre
vacío y solo sin haber hecho lo suficiente.
Sólo le pido a Dios
que lo injusto no me sea indiferente,
que no me abofeteen la otra mejilla
después que una garra me arañó esta suerte.
Sólo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente,
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.
Sólo le pido a Dios
que el engaño no me sea indiferente
si un traidor puede más que unos cuantos,
que esos cuantos no lo olviden fácilmente.
Sólo le pido a Dios
que el futuro no me sea indiferente,
desahuciado está el que tiene que marchar
a vivir una cultura diferente."
A canção veio da Argentina, de 1978. Mas está viva. Na música dos Outlandish, mas também neste mundo civilizado, democrático(?), desenvolvido, e porém tão desnorteado, em que vivemos. Descubro-a viva dentro de mim própria, nos acontecimentos que ditam o meu dia-a-dia.
Para o bem e para o mal. Está viva.
Sólo le pido a Dios
León Gieco
"Sólo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente,
que la reseca muerte no me encuentre
vacío y solo sin haber hecho lo suficiente.
Sólo le pido a Dios
que lo injusto no me sea indiferente,
que no me abofeteen la otra mejilla
después que una garra me arañó esta suerte.
Sólo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente,
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.
Sólo le pido a Dios
que el engaño no me sea indiferente
si un traidor puede más que unos cuantos,
que esos cuantos no lo olviden fácilmente.
Sólo le pido a Dios
que el futuro no me sea indiferente,
desahuciado está el que tiene que marchar
a vivir una cultura diferente."
A canção veio da Argentina, de 1978. Mas está viva. Na música dos Outlandish, mas também neste mundo civilizado, democrático(?), desenvolvido, e porém tão desnorteado, em que vivemos. Descubro-a viva dentro de mim própria, nos acontecimentos que ditam o meu dia-a-dia.
Para o bem e para o mal. Está viva.
terça-feira, março 27, 2007
A minha primeira aventura homeopática
(Depois de passar mais uma série de dias sem acesso à internet, porque a Memória RAM estava a precisar que um especialista em informática passasse cá por casa, a tirasse do sítio, lhe desse uma assopradela, lhe tirasse o pó com um pano macio, e a voltasse a colocar no local respectivo, aqui estou eu uma vez mais.)
Fui ao homeopata. A Albicans sossegou mas não morreu, e vai daí resolvi combater o meu cepticismo com uma resolução que não tem contra-argumentação possível: eu hei-de fazer tudo, mas tudo o que esteja ao meu alcance, para combater esta doença que me assaltou. Porque melhorar não é o mesmo que ficar boa, e melhorar à base de medicamentos que só fazem "festas ao bicho", exigia que eu fosse pelo menos ver o que estava para lá da medicina tradicional.
E lá fui eu. O doutor foi bem recomendado, professor catedrático e não sei quê. Uma coisa vi eu logo quando lá cheguei: com uma sala de espera tão repleta, desde crianças a velhinhos de bengala, é estatisticamente improvável que tanta gente ande ao engano. Com o meu cepticismo a gritar-me aos ouvidos: "É um charlatão! Vais sair daqui sem um tostãozinho para amostra!", sentei-me e esperei, que as decisões, quando se tomam, são para levar adiante. E esperei. E esperei mais um bocadinho, e continuei a esperar, que pelos vistos aquilo é mesmo assim que funciona.
E lá entrei para falar com o senhor. Expus-lhe o problema Albicans, e da parte dele só ouvi coisas razoáveis, o que me agradou. Propôs-se a reforçar o meu sistema imunitário, mantendo todos os tratamentos que a medicina tradicional me tinha prescrito. "Cada coisa no seu lugar, disse ele". Lembrou que a Candida Albicans não é como uma bactéria estranha ao nosso corpo, que se combate e expulsa, e o problema fica resolvido. A Albicans vive dentro de nós, e a única coisa que se pode fazer é dar ao nosso corpo as ferramentas que e ele precisa para não a deixar andar desgovernada. Que a bicha aprende a criar resistência e depois é uma chatice, quanto mais é agredida, mais ela se revolta. E até aqui tudo bem.
A seguir, manda-me ir para um aparelhómetro, e faz o quê? Observa-me o olho! O olho! E passando desde já à frente de algum pensamento mais brejeiro da parte de quem esteja a ler estas linhas, era um aparelho em tudo semelhante aos que existem nos consultórios de oftalmologia, ok? Fiquei depois a saber que a Iridologia (observação da íris) é uma prática dos médicos homeopatas, porque dizem eles, é possível ver na íris os males do corpo da pessoa. (Estou a escrever isto e ao mesmo tempo o meu cepticismo aperta-me o pescoço, abana-me e dá-me caroladas na cabeça, tudo ao mesmo tempo).
E pronto. Deixei lá ficar quase 200 euros. O doutor mandou-me voltar ao fim de um mês de tratamento para, palavras da funcionária da entrada, "me dar um olhinho". Já a tinha ouvido a utilizar a expressão enquanto esperava pela minha vez, só depois percebi que aquilo tinha um sentido literal!
Já comecei o tratamento. Não fiz alergia até agora, do mal o menos. Quanto aos resultados, vamos lá a ver. Peço desculpa a quem possa estar com vontade de saber o que é que eu ando a tomar, mas acho que não devo dizer. Ainda não sei que efeitos práticos vai ter, não conheço assim tão bem este tipo de medicamentos, e não quero pensar que alguém vá à procura destas coisas, mal informada e na base do desespero. Quando muito, se alguém quiser saber o nome do homeopata, estou à disposição.
Para já, e cepticismos à parte, estou de peito aberto nesta forma alternativa de levar a Albicans ao engano. Quem sabe?...
Fui ao homeopata. A Albicans sossegou mas não morreu, e vai daí resolvi combater o meu cepticismo com uma resolução que não tem contra-argumentação possível: eu hei-de fazer tudo, mas tudo o que esteja ao meu alcance, para combater esta doença que me assaltou. Porque melhorar não é o mesmo que ficar boa, e melhorar à base de medicamentos que só fazem "festas ao bicho", exigia que eu fosse pelo menos ver o que estava para lá da medicina tradicional.
E lá fui eu. O doutor foi bem recomendado, professor catedrático e não sei quê. Uma coisa vi eu logo quando lá cheguei: com uma sala de espera tão repleta, desde crianças a velhinhos de bengala, é estatisticamente improvável que tanta gente ande ao engano. Com o meu cepticismo a gritar-me aos ouvidos: "É um charlatão! Vais sair daqui sem um tostãozinho para amostra!", sentei-me e esperei, que as decisões, quando se tomam, são para levar adiante. E esperei. E esperei mais um bocadinho, e continuei a esperar, que pelos vistos aquilo é mesmo assim que funciona.
E lá entrei para falar com o senhor. Expus-lhe o problema Albicans, e da parte dele só ouvi coisas razoáveis, o que me agradou. Propôs-se a reforçar o meu sistema imunitário, mantendo todos os tratamentos que a medicina tradicional me tinha prescrito. "Cada coisa no seu lugar, disse ele". Lembrou que a Candida Albicans não é como uma bactéria estranha ao nosso corpo, que se combate e expulsa, e o problema fica resolvido. A Albicans vive dentro de nós, e a única coisa que se pode fazer é dar ao nosso corpo as ferramentas que e ele precisa para não a deixar andar desgovernada. Que a bicha aprende a criar resistência e depois é uma chatice, quanto mais é agredida, mais ela se revolta. E até aqui tudo bem.
A seguir, manda-me ir para um aparelhómetro, e faz o quê? Observa-me o olho! O olho! E passando desde já à frente de algum pensamento mais brejeiro da parte de quem esteja a ler estas linhas, era um aparelho em tudo semelhante aos que existem nos consultórios de oftalmologia, ok? Fiquei depois a saber que a Iridologia (observação da íris) é uma prática dos médicos homeopatas, porque dizem eles, é possível ver na íris os males do corpo da pessoa. (Estou a escrever isto e ao mesmo tempo o meu cepticismo aperta-me o pescoço, abana-me e dá-me caroladas na cabeça, tudo ao mesmo tempo).
E pronto. Deixei lá ficar quase 200 euros. O doutor mandou-me voltar ao fim de um mês de tratamento para, palavras da funcionária da entrada, "me dar um olhinho". Já a tinha ouvido a utilizar a expressão enquanto esperava pela minha vez, só depois percebi que aquilo tinha um sentido literal!
Já comecei o tratamento. Não fiz alergia até agora, do mal o menos. Quanto aos resultados, vamos lá a ver. Peço desculpa a quem possa estar com vontade de saber o que é que eu ando a tomar, mas acho que não devo dizer. Ainda não sei que efeitos práticos vai ter, não conheço assim tão bem este tipo de medicamentos, e não quero pensar que alguém vá à procura destas coisas, mal informada e na base do desespero. Quando muito, se alguém quiser saber o nome do homeopata, estou à disposição.
Para já, e cepticismos à parte, estou de peito aberto nesta forma alternativa de levar a Albicans ao engano. Quem sabe?...
domingo, março 18, 2007
Cada poeta tem a sua ninfa
No final do fim-de-semana, juntámo-nos as três, como tantas vezes acontece. Eu, a irmã e a sobrinha, à mesa do café depois do jantar. Fascinadas com Ninfa Artémis*, que a letra passou a servir de teaser no meio das conversas (Gatoooooooooo!... Comoqueresqueeusejagatooooooo!... Vou pintarospelospubicooooooooosss!...), do que é que se haveria de falar? De literatura, pois claro.
Do "Memorial do Convento", que a jovem de 17 anos anda a ler com grande sacrifício, mas que não desiste. Dos poemas de Saramago, que ela não conhece. De Fernando Pessoa, que continua a fascinar mais velhos e mais novos. Do Cântico Negro, de José Régio, que eu recito de cor desde que tinha a idade dela, e que ela já recita de cor com a mesma idade que eu tinha. E então recitou-se o poema de novo, as palavras tão belas e sempre tão vivas, que se saboreiam como a um bom vinho (Vem por aqui, dizem-me alguns com olhos doces, Estendendo-me os braços e seguros, De que seria bom que eu os ouvisse, Quando me dizem: "vem por aqui" - e não é que a catraia tinha razão, é "que eu os ouvisse", e não "que eu os seguisse", como eu dizia... Bolas!...).
De novo Ninfa Artémis, mais Fernando Pessoa, Come Restos (pelos vistos outra grande obra poética que para mim permanece desconhecida), sim, que no fundo tudo é arte, e depois cada um que decida qual a arte que é boa ou má.
Na mesa ao lado, entre dois elementos do sexo masculino, a conversa era outra. Já nós estávamos para sair, um deles pega numa nota, cheira-a e diz alto e bom som: "Ai que horror, esta nota cheira a corrimento! Estas mulheres são umas porcas, misturam as notas com os pensos higiénicos!...". Olhámos umas para as outras e saímos rapidamente, para rir à vontade. E para "cantar", que de repente o teaser fazia todo o sentido: "Gatooooooooooo!..."
* Quem não teve contacto com o Laboratolarilolela, de Nuno Markl, da passada Sexta-Feira, não vai perceber nada desta conversa.
Do "Memorial do Convento", que a jovem de 17 anos anda a ler com grande sacrifício, mas que não desiste. Dos poemas de Saramago, que ela não conhece. De Fernando Pessoa, que continua a fascinar mais velhos e mais novos. Do Cântico Negro, de José Régio, que eu recito de cor desde que tinha a idade dela, e que ela já recita de cor com a mesma idade que eu tinha. E então recitou-se o poema de novo, as palavras tão belas e sempre tão vivas, que se saboreiam como a um bom vinho (Vem por aqui, dizem-me alguns com olhos doces, Estendendo-me os braços e seguros, De que seria bom que eu os ouvisse, Quando me dizem: "vem por aqui" - e não é que a catraia tinha razão, é "que eu os ouvisse", e não "que eu os seguisse", como eu dizia... Bolas!...).
De novo Ninfa Artémis, mais Fernando Pessoa, Come Restos (pelos vistos outra grande obra poética que para mim permanece desconhecida), sim, que no fundo tudo é arte, e depois cada um que decida qual a arte que é boa ou má.
Na mesa ao lado, entre dois elementos do sexo masculino, a conversa era outra. Já nós estávamos para sair, um deles pega numa nota, cheira-a e diz alto e bom som: "Ai que horror, esta nota cheira a corrimento! Estas mulheres são umas porcas, misturam as notas com os pensos higiénicos!...". Olhámos umas para as outras e saímos rapidamente, para rir à vontade. E para "cantar", que de repente o teaser fazia todo o sentido: "Gatooooooooooo!..."
* Quem não teve contacto com o Laboratolarilolela, de Nuno Markl, da passada Sexta-Feira, não vai perceber nada desta conversa.
quarta-feira, março 14, 2007
De regresso
E pronto, foi hoje que voltei a ter internet em casa. Depois de estar aqui um tempo a marrar com o Blogger, que pelos vistos estava com um qualquer problema técnico demoninado "anhar", lá consegui entrar nesta porra.
Estou contentinha. Novamente ligada ao mundo, retomando contactos com amigos cibernautas, espero agora retomar o ritmo habitual na actualização desta choça. Para breve, a minha primeira aventura homeopática!...
Estou contentinha. Novamente ligada ao mundo, retomando contactos com amigos cibernautas, espero agora retomar o ritmo habitual na actualização desta choça. Para breve, a minha primeira aventura homeopática!...
quarta-feira, março 07, 2007
Caminhos de ferro, cabeças de abóbora
E venho eu desembestada a correr pela estação dos comboios afora, ainda por cima decidi calçar as botas mais pesadas que tenho, e para chegar ao raio da linha é preciso galgar umas escadas que nunca mais acabam, primeiro a subir e depois a descer, e a menina já vai dizendo "atenção, senhores passageiros, o comboio que você precisa de apanhar já está a chegar à linha número 3 e você ainda nem chegou à máquina de tirar os bilhetes, o próximo comboio chegará depois de você apanhar mais meia-hora de seca. Obrigada pela vossa atenção".
Caguei para o bilhete e corri, corri, e apanhei o comboio. Uff, uff, revisor à vista, aqui vou eu com o meu sorriso número 52, exclusivo para quando quero ser agradável e conquistar a simpatia dos revisores da CP. Senhor revisor muito bom dia, uff, uff, eu queria comprar um bilhete, uff, se faz favor, uff, uff, porque não tive tempo de comprar o bilhete...
E diz-me o revisor da CP, com uma cara de "sou um bom profissional e nem sequer estou a ligar nenhuma a essas duas copas B tamanho 36 que estão a subir e a descer a ritmo acelerado mesmo à frente do meu nariz", minha senhora, da maneira como estão as multas hoje em dia, mais vale esperar meia-hora pelo próximo comboio. Arrisca-se a pagar uma multa que pode chegar a 360 euros.
E digo eu, mas, mas, mas, repare, eu não tive tempo... e vim logo ter consigo, eu até quero pagar o bilhete, está a ver? Então mas não posso tirar o bilhete no comboio porquê? E diz ele, pois, realmente, nós hoje em dia só podemos vender bilhetes a deficientes e no caso das máquinas nas estações estarem avariadas.
Deixe-me ver se percebi bem, disse eu. Eu estou aqui na sua frente, honestamente dizendo que vim a correr para o comboio e não consegui tirar o bilhete, e nesse caso tenho que pagar multa. Se lhe mentir e disser que a máquina estava avariada, já me pode vender o bilhete? E diz ele, pois, quer-se dizer, eu teria sempre que comunicar para a "central" (seja lá onde isso for) e confirmar se realmente há ou não avaria, eles também nem sempre conseguem confirmar logo de seguida, e se a senhora chegar ao seu destino sem eu ter a confirmação também não a ia prender no comboio, não é?
Ah, pois é. De moldes que tendo em conta a minha honestidade (e quem sabe, o peitinho a arfar), o senhor revisor da CP foi amigo e deixou-me viajar de borla. E fiquei a saber que para os cérebros desta grande empresa, mais vale um utente mentiroso que um utente sincero. Para a próxima mais vale não arriscar...
Caguei para o bilhete e corri, corri, e apanhei o comboio. Uff, uff, revisor à vista, aqui vou eu com o meu sorriso número 52, exclusivo para quando quero ser agradável e conquistar a simpatia dos revisores da CP. Senhor revisor muito bom dia, uff, uff, eu queria comprar um bilhete, uff, se faz favor, uff, uff, porque não tive tempo de comprar o bilhete...
E diz-me o revisor da CP, com uma cara de "sou um bom profissional e nem sequer estou a ligar nenhuma a essas duas copas B tamanho 36 que estão a subir e a descer a ritmo acelerado mesmo à frente do meu nariz", minha senhora, da maneira como estão as multas hoje em dia, mais vale esperar meia-hora pelo próximo comboio. Arrisca-se a pagar uma multa que pode chegar a 360 euros.
E digo eu, mas, mas, mas, repare, eu não tive tempo... e vim logo ter consigo, eu até quero pagar o bilhete, está a ver? Então mas não posso tirar o bilhete no comboio porquê? E diz ele, pois, realmente, nós hoje em dia só podemos vender bilhetes a deficientes e no caso das máquinas nas estações estarem avariadas.
Deixe-me ver se percebi bem, disse eu. Eu estou aqui na sua frente, honestamente dizendo que vim a correr para o comboio e não consegui tirar o bilhete, e nesse caso tenho que pagar multa. Se lhe mentir e disser que a máquina estava avariada, já me pode vender o bilhete? E diz ele, pois, quer-se dizer, eu teria sempre que comunicar para a "central" (seja lá onde isso for) e confirmar se realmente há ou não avaria, eles também nem sempre conseguem confirmar logo de seguida, e se a senhora chegar ao seu destino sem eu ter a confirmação também não a ia prender no comboio, não é?
Ah, pois é. De moldes que tendo em conta a minha honestidade (e quem sabe, o peitinho a arfar), o senhor revisor da CP foi amigo e deixou-me viajar de borla. E fiquei a saber que para os cérebros desta grande empresa, mais vale um utente mentiroso que um utente sincero. Para a próxima mais vale não arriscar...
terça-feira, fevereiro 27, 2007
Impedimentos
Por causa dumas políticas pseudo-moralizadoras e ilusoriamente restritivas de algum pessoal mais abusador, os meus colegas informáticos, que com toda a certeza passam 100% do seu horário de expediente recorrendo à internet para fins exclusivamente profissionais (e se não o fizerem também nunca ninguém vai saber porque eles, para além de donos da moral e dos bons costumes, são os administradores do sistema), deixei esta semana de ter acesso às caixas de comentários do blogger e à minha própria conta. O que não me permite comentar, nem actualizar esta chafarica no trabalho.
Por causa disso, e porque os meus dias continuam a um ritmo alucinante (nova entrevista para mudar de emprego, marcação de nova consulta para a mãe, muito trabalho - sim, que eu entre uns comentários em blogs e umas novas postagens sempre vou fazendo alguma coisinha -, imobiliárias para angariar a venda da minha casa e já lá vão quase dois anos, amigos a precisarem da minha atenção e eu a precisar da atenção deles), não tem dado para deixar novos posts.
É a ironia do cibernauta, não posta porque não tem assunto, e outras vezes não posta porque os assuntos são tantos que não sobra tempo para escrever. Vou oferecer-me de prenda de anos a instalação da netcabo, e a partir daí volto a estar ligada ao mundo a partir de casa.
Pois, porque amanhã também acontecem muitas coisas. Uma delas é ir com a minha mãe para o hospital, a ver se é desta que ela é consultada. Outra é celebrar o aniversário número 35!...
Por causa disso, e porque os meus dias continuam a um ritmo alucinante (nova entrevista para mudar de emprego, marcação de nova consulta para a mãe, muito trabalho - sim, que eu entre uns comentários em blogs e umas novas postagens sempre vou fazendo alguma coisinha -, imobiliárias para angariar a venda da minha casa e já lá vão quase dois anos, amigos a precisarem da minha atenção e eu a precisar da atenção deles), não tem dado para deixar novos posts.
É a ironia do cibernauta, não posta porque não tem assunto, e outras vezes não posta porque os assuntos são tantos que não sobra tempo para escrever. Vou oferecer-me de prenda de anos a instalação da netcabo, e a partir daí volto a estar ligada ao mundo a partir de casa.
Pois, porque amanhã também acontecem muitas coisas. Uma delas é ir com a minha mãe para o hospital, a ver se é desta que ela é consultada. Outra é celebrar o aniversário número 35!...
sábado, fevereiro 17, 2007
Suor, muito suor

Enquanto se está no meio duma aula de ginástica, com o suor a escorrer pela cara abaixo e pelo corpo todo, parando o dito apenas onde a imaginação de qualquer um queira conceber, com o cérebro aos gritos a dizer de forma alternada "já cheeeeeeeega!" e "áaaaaaaaguaaaaaaaaa!", passam-nos coisas muito estranhas pela cabeça.
Ontem, quando a monitora deu a ordem "virar de barriga para cima, e abdominais!", eu dei comigo a conceber este pensamento: "eh pá, finalmente um bocadinho para poder descansar e recuperar algum fôlego". E depois pensei, isto está a dar cabo de mim. Então eu já assumo com descanso estar de barriga para cima a fazer abdominais à maluca?... Em que monstro da actividade física está esta mulher a tornar-me?
E as dores? Estou aqui que nem me aguento... E o bem que aquilo me faz? Maravilha!...
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Acontecimentos, demasiados
"Entre os dias que correm menos mal
Lá vem um que nos dá mais que fazer"
É assim que eu me sinto em relação ao dia de ontem. Tantos dias às vezes que se arrastam uns atrás dos outros, e depois quando algo de significativo tem que suceder, bumba!, vem tudo ao mesmo tempo.
A minha mãe bastante doente, e o desespero para lhe arranjar a assistência médica apropriada.
A minha própria saúde, uma preocupação constante e a requerer muito do meu tempo.
A vida profissional em fase determinante, com contactos e mais contactos, e a necessidade de estar atenta, assertiva, bem disposta, calma.
Tudo isto levou a que ontem eu tivesse uma óptima conversa com um superior hierárquico, uma colposcopia na Maternidade Alfredo da Costa, mais outra conversa, desta vez péssima, com outro superior hierárquico, e no meio de tudo isto, procurar consulta para a mãe, tentar com todos os meios ao nosso alcance que ela seja atendida o mais depressa possível, tentar que a conversa péssima não se sobreponha à conversa óptima... Só sei que no fim do dia a minha cabeça doía e tudo o que me apetecia era colo.
Abençoados anti-depressivos. Não fossem eles, e tenho a certeza absoluta que ontem o meu dia tinha sido um desastre. E abençoados sejam os anjos da guarda, a irmã anjo-da-guarda e eterna companheira de angústias (e alegrias!), os amigos anjos-da-guarda que andam a trabalhar na sombra só porque querem o meu bem, o companheiro anjo-da-guarda que permanece ao meu lado apesar de todos os problemas que andamos a enfrentar há tanto tempo.
Hoje é outro dia. Existir é isto.
Lá vem um que nos dá mais que fazer"
É assim que eu me sinto em relação ao dia de ontem. Tantos dias às vezes que se arrastam uns atrás dos outros, e depois quando algo de significativo tem que suceder, bumba!, vem tudo ao mesmo tempo.
A minha mãe bastante doente, e o desespero para lhe arranjar a assistência médica apropriada.
A minha própria saúde, uma preocupação constante e a requerer muito do meu tempo.
A vida profissional em fase determinante, com contactos e mais contactos, e a necessidade de estar atenta, assertiva, bem disposta, calma.
Tudo isto levou a que ontem eu tivesse uma óptima conversa com um superior hierárquico, uma colposcopia na Maternidade Alfredo da Costa, mais outra conversa, desta vez péssima, com outro superior hierárquico, e no meio de tudo isto, procurar consulta para a mãe, tentar com todos os meios ao nosso alcance que ela seja atendida o mais depressa possível, tentar que a conversa péssima não se sobreponha à conversa óptima... Só sei que no fim do dia a minha cabeça doía e tudo o que me apetecia era colo.
Abençoados anti-depressivos. Não fossem eles, e tenho a certeza absoluta que ontem o meu dia tinha sido um desastre. E abençoados sejam os anjos da guarda, a irmã anjo-da-guarda e eterna companheira de angústias (e alegrias!), os amigos anjos-da-guarda que andam a trabalhar na sombra só porque querem o meu bem, o companheiro anjo-da-guarda que permanece ao meu lado apesar de todos os problemas que andamos a enfrentar há tanto tempo.
Hoje é outro dia. Existir é isto.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Sou contra
Esta coisa nova do Blogger. Isto era para quê? Simplificar, não era?...
Depois de me mudarem para isto compulsivamente, nunca mais consegui deixar comentários noutros blogs, porque esta porra está sempre a pedir-me para validar o e-mail, ou lá o que é. Nem sequer no meu próprio blog! Tenho que entrar no blogger e só depois é que fico "reconhecível". Mas que treta!...
Depois de me mudarem para isto compulsivamente, nunca mais consegui deixar comentários noutros blogs, porque esta porra está sempre a pedir-me para validar o e-mail, ou lá o que é. Nem sequer no meu próprio blog! Tenho que entrar no blogger e só depois é que fico "reconhecível". Mas que treta!...
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Será que sou assísmica?...
Como é que isto pode ser? Pessoas sentadas a um metro de mim, disseram de repente: "Sentiram isto? A minha secretária abanou!". E eu, nada. Nadinha. Passou-me completamente ao lado, não senti nada, mais outro tremor de terra, tudo a dizer que sim senhor, que a terra tremeu, e eu aqui estou, sem saber o que isso é.
Que eu não queria assim um tremor de terra de deitar prédios abaixo, nada disso, mas caramba, gostava de perceber como é esta sensação de ter o chão a tremer debaixo dos pés. Mas eu devo sofrer de uma patologia qualquer. Não há pessoas que não sentem dor? Eu devo ter uma insensibilidade congénita aos sismos. Sou assísmica, só pode ser. E parecendo que não, isto pode explicar muita coisa...
Que eu não queria assim um tremor de terra de deitar prédios abaixo, nada disso, mas caramba, gostava de perceber como é esta sensação de ter o chão a tremer debaixo dos pés. Mas eu devo sofrer de uma patologia qualquer. Não há pessoas que não sentem dor? Eu devo ter uma insensibilidade congénita aos sismos. Sou assísmica, só pode ser. E parecendo que não, isto pode explicar muita coisa...
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Cada tiro cada melro, cada cavadela cada minhoca
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Resmas de histórias destas, resmas
Para ler e reflectir. E ajudar a decidir, pelo menos assim o espero.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Vivam os anti-depressivos!
Na Segunda-Feira passada cheguei ao pé do meu médico num estado de tal maneira miserável, que ao fim de cinco segundos ele já estava a passar a receita dos comprimidinhos que fazem rir os elefantes. "A pílula da felicidade", foi o que ele lhe chamou. E sim, infelizmente a depressão é mais outro efeito colatoral do problema que já chateia tanto que já nem me apetece pronunciar-lhe o nome. É isso mesmo, olha, vou dar um nome à puta da minha candidíase. Vai passar a chamar-se Voldemort, ou aquela cujo nome não pode ser pronunciado.
Que isto só me faz lembrar aquela anedota do médico que atende um doente com diarreia, e que por engano lhe passa calmantes. Mais tarde quando o encontra e lhe pergunta se está melhor, o doente responde: "muito melhor, senhor doutor. Eu continuo a borrar-me todo, mas agora já não me ralo".
Mas não é que a coisa funciona? Desde Segunda-Feira para cá que já consigo dormir sem pesadelos estúpidos, não ando a chorar por tudo e por nada, tenho as ideias mais claras, e isto é que eu acho fantástico, recebi ontem a convocatória para uma entrevista de emprego, e hoje tive uma conversa com um amigo que pode ter sido uma ajuda preciosa para definir o meu futuro profissional. Ah! E pagaram-me o almoço num restaurante fino dois dias seguidos!
É o que diz a minha irmã. À conta dos anti-depressivos ainda vendo a casa já esta semana!...
Que isto só me faz lembrar aquela anedota do médico que atende um doente com diarreia, e que por engano lhe passa calmantes. Mais tarde quando o encontra e lhe pergunta se está melhor, o doente responde: "muito melhor, senhor doutor. Eu continuo a borrar-me todo, mas agora já não me ralo".
Mas não é que a coisa funciona? Desde Segunda-Feira para cá que já consigo dormir sem pesadelos estúpidos, não ando a chorar por tudo e por nada, tenho as ideias mais claras, e isto é que eu acho fantástico, recebi ontem a convocatória para uma entrevista de emprego, e hoje tive uma conversa com um amigo que pode ter sido uma ajuda preciosa para definir o meu futuro profissional. Ah! E pagaram-me o almoço num restaurante fino dois dias seguidos!
É o que diz a minha irmã. À conta dos anti-depressivos ainda vendo a casa já esta semana!...
terça-feira, janeiro 30, 2007
Prós e prós
Gostei do "Prós e Contras" ontem. Pelo menos até à uma da manhã (hei!), que a seguir já não estava a dar mais. E no meio de tanto argumento demagógico a favor do não, foi bom ver mais outro cair por terra (e não foi só este). Falo daquela ideia da liberalização versus penalização, e de que não existirá, depois da vitória do SIM, quaisquer acções de esclarecimento dirigidas às mulheres que pretendam interromper a gravidez.
Eu também não conhecia a proposta de lei, mas realmente, não há nada como a gente ler e pensar pela nossa cabeça.
Eu também não conhecia a proposta de lei, mas realmente, não há nada como a gente ler e pensar pela nossa cabeça.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Desabafos sobre a IVG
Quando comecei a visitar blogs, este foi um dos que me prenderam a atenção de imediato. Infelizmente chegou ao fim, era muitíssimo bem escrito e mostrava a visão do ser humano que muitas vezes os médicos deixam escondida.
Neste sítio encontram-se duas histórias que, do meu ponto de vista, acabam por completar-se. Ora vejam:
Ela não quer saber
"Tem 21 anos. Está internada no serviço de Puérperas porque nasceu o seu segundo filho. Sabe o que quer, queria ter estes dois filhos, foi tudo planeado. Não foi a uma única consulta com a Médica de Familia ou com um Ginecologista. A gravidez não foi vigiada, não tendo feito qualquer análise ou ecografia ao longo da gravidez. A meio do período gestacional foi internada por ameaça de parto pré-termo, abandonando em seguida o hospital contra as recomendações dos médicos. Alguns meses depois nasceu o bebé, prematuramente. Quando questionada sobre anticoncepção diz que vai tomar a pílula. Pela evidente irresponsabilidade que apresenta sugerimos que colocasse um implante subcutâneo, que a impedirá de engravidar durante 3 anos. Recusa, diz que é muito nova. Basicamente, é daquelas pessoas que "não quer saber". Não quer saber a opinião dos médicos, não quer saber se a gravidez é normal, não quer saber se o bebé está bem ou não, não quer saber se o bebé fica bem ou não. Não quer saber, pura e simplesmente. Sabe o que quer, de momento quer sair novamente do hospital, apesar de ser ainda cedo.Voluntários para dar dois pares de estalos? Eu não posso..."
Permito-me deixar só uma deixa, a discussão fica em aberto, obviamente: A esta mulher, não há Lei nenhuma que a leve a um tribunal ou que a condene. O corpo é dela, a decisão é dela, pode ser negligente à vontade nas suas gestações, e eu pergunto-me, que direito à vida é este, e porque é que também não hão-de haver formas legais para impedir estas atitudes?
E depois, a outra face da moeda:
Já fez abortos?
"Esta pergunta não é feita todos os dias... Não é, também, feita por todas as pessoas. No entanto, os médicos precisam muitas vezes de saber se uma determinada mulher já fez interrupções voluntárias da gravidez (IVG), pelo que é uma pergunta frequente no consultório de um Médico de Família. As respostas, essas, ficam lá dentro. Antes de ser estudante de medicina, não sei se por ser muito novo e inocente ou por contactar pouco com estas realidades, não fazia ideia se eram muitas ou poucas as mulheres que abortam. Devo dizer que fiquei surpreendido com o que encontrei: uma enorme percentagem das mulheres acima dos 25 anos já fez uma IVG. Arrisco afirmar que provavelmente mais de metade das mulheres já o fez... Este número não decorre de nenhum estudo estatístico (se os há), mas apenas do que me apercebo no dia a dia da prática clínica.Antes de chamar a Ana, uma mulher de 42 anos, a minha tutora deu uma vista de olhos no processo. Rapidamente recordámos a história: tinha estado na consulta há cerca de três semanas, grávida. Tinha entrado descontraidamente no consultório com um teste rápido positivo. Na altura pedimos análises laboratoriais e uma ecografia obstétrica. Assim que saiu do consultória a minha tutora afirmou categoricamente: "Vai fazer um aborto.". Era já mãe de dois rapazes, e não tinha planeado engravidar. Não usava qualquer método anticoncepcional apesar da insistência da minha tutora na consulta de planeamento familiar.A minha tutora disse-me "Queres ver como fez um aborto?" e chamou a Ana. Entrou no gabinete com o mesmo ar descontraido da outra vez. Sentou-se, e disse: "Tenho uma coisa que se calhar era melhor falar só com a doutora...". A minha tutora respondeu-lhe que eu já sabia o que era, podia contar à vontade... Confirmava-se: tinha tentado abortar. Foi ao Ginecologista/Obstetra em consulta particular fazer a ecografia obstétrica que tinhamos pedido na consulta anterior, onde confirmou a presença de um saco gestacional. Nada contou ao Ginecologista da sua intenção, e comprou os já famosos comprimidos abortivos (aqueles que servem para as patologias do estômago). Desconheço como obteve acesso aos comprimidos (mas reconheço que não deve ser nada compicado, com mais ou menos dinheiro...), mas ingeriu-os na quantidade que lhe foi recomendada pela vizinha. Pouco tempo depois teve uma pequena hemorragia. Explicou: "Da última vez tinha feito no bidé, e vi sair qualquer coisa. Desta vez não tive coragem, e fui para a sanita...". Não me surpreendi com a recorrência da situação, uma vez que as pessoas facilmente se habituam a utilizar o aborto como "método anticoncepcional"... Já não tinha tido mais perdas de sangue, dores ou corrimentos desde então, e vinha agora pedir as análises laboratoriais que confirmariam o sucesso do aborto. Observei-a, e facilmente senti o fundo uterino. Das duas uma: ou tinha um útero grande ou ainda estava grávida. Não tinhamos o relatório da ecografia obstétrica para tentar avaliar a existência de miomas, uma vez que ela tinha queimado o relatório na lareira para apagar os registos daquela gravidez. Qualquer que fosse a situação, uma certeza eu tinha: aquela gravidez não iria seguir por muito mais tempo... Passámos nova ecografia, desta vez "mascarada" de ecografia pélvica. Pensando alto afirmou que teria que ir a outro Ginecologista, não queria contar ao primeiro o que tinha sucedido. Afirmou ainda que se houvesse algum problema iria às Urgências do Hospital fazer uma "raspagem", mas naturalmente não iria contar a verdade. Expliquei-lhe que tal como nós naquele consultório, também os médicos da Urgência não são polícias. Não nos compete, como médicos, julga-la. Mas é importante que tenhamos em mão toda a informação possível para a tratar convenientemente. Lembrou a mediática história do enfermeiro que denunciou às autoridades uma doente que tinha abortado. Relembrámo-la que o enfermeiro em causa tinha sido penalizado por quebrar o sigilo profissional a que estava obrigado, e que as queixas tinham por isso sido retiradas. Encolheu os ombros, sorriu, e disse que fosse como fosse a situação se resolveria. E saiu, com descontracção semelhante àquela com que havia entrado."
Esta história fala de muitas coisas. Fala de uma pessoa que pelos vistos recorre ao aborto como método anti-concepcional, o que obviamente não é bom. Mas a verdade é que a Lei, tal como está, não impede as pessoas irresponsáveis de terem um comportamento irresponsável. Para ultrapassar estes problemas será necessário trabalhar noutras frentes. O que eu mais retenho, sempre que leio esta história, é o seu final. Que tudo se resolverá. Que de uma maneira ou doutra, uma mulher não queira ser mãe, não vai ser. E enquanto esta Lei estiver como está, há pessoas a enriquecer em grande estilo à custa do aborto clandestino, há mulheres a serem exploradas num momento de grande fragilidade, e depois há muitas delas a engrossarem a despesa do Estado, porque quando as coisas correm mal é lá que vão parar para acabar de resolver.
Educação sexual? Com certeza. Planeamento familiar? O mais possível. Apoio social às famílias que optam pelo nascimento das crianças? Evidentemente. Mas nada disso está actualmente em discussão, pois não?
A Lei actual é injusta, penalizadora, discriminatória. Não protege a vida de ninguém, nem dos que cá estão, nem dos que estão para chegar. Do meu ponto de vista, o VOTO SIM é a forma mais responsável, enquanto cidadã, de defender o direito à vida. Uma vida com mais igualdade, descomplexada, livre de preconceitos morais e religiosos, uma vida com dignidade. Para todas e para todos.
Neste sítio encontram-se duas histórias que, do meu ponto de vista, acabam por completar-se. Ora vejam:
Ela não quer saber
"Tem 21 anos. Está internada no serviço de Puérperas porque nasceu o seu segundo filho. Sabe o que quer, queria ter estes dois filhos, foi tudo planeado. Não foi a uma única consulta com a Médica de Familia ou com um Ginecologista. A gravidez não foi vigiada, não tendo feito qualquer análise ou ecografia ao longo da gravidez. A meio do período gestacional foi internada por ameaça de parto pré-termo, abandonando em seguida o hospital contra as recomendações dos médicos. Alguns meses depois nasceu o bebé, prematuramente. Quando questionada sobre anticoncepção diz que vai tomar a pílula. Pela evidente irresponsabilidade que apresenta sugerimos que colocasse um implante subcutâneo, que a impedirá de engravidar durante 3 anos. Recusa, diz que é muito nova. Basicamente, é daquelas pessoas que "não quer saber". Não quer saber a opinião dos médicos, não quer saber se a gravidez é normal, não quer saber se o bebé está bem ou não, não quer saber se o bebé fica bem ou não. Não quer saber, pura e simplesmente. Sabe o que quer, de momento quer sair novamente do hospital, apesar de ser ainda cedo.Voluntários para dar dois pares de estalos? Eu não posso..."
Permito-me deixar só uma deixa, a discussão fica em aberto, obviamente: A esta mulher, não há Lei nenhuma que a leve a um tribunal ou que a condene. O corpo é dela, a decisão é dela, pode ser negligente à vontade nas suas gestações, e eu pergunto-me, que direito à vida é este, e porque é que também não hão-de haver formas legais para impedir estas atitudes?
E depois, a outra face da moeda:
Já fez abortos?
"Esta pergunta não é feita todos os dias... Não é, também, feita por todas as pessoas. No entanto, os médicos precisam muitas vezes de saber se uma determinada mulher já fez interrupções voluntárias da gravidez (IVG), pelo que é uma pergunta frequente no consultório de um Médico de Família. As respostas, essas, ficam lá dentro. Antes de ser estudante de medicina, não sei se por ser muito novo e inocente ou por contactar pouco com estas realidades, não fazia ideia se eram muitas ou poucas as mulheres que abortam. Devo dizer que fiquei surpreendido com o que encontrei: uma enorme percentagem das mulheres acima dos 25 anos já fez uma IVG. Arrisco afirmar que provavelmente mais de metade das mulheres já o fez... Este número não decorre de nenhum estudo estatístico (se os há), mas apenas do que me apercebo no dia a dia da prática clínica.Antes de chamar a Ana, uma mulher de 42 anos, a minha tutora deu uma vista de olhos no processo. Rapidamente recordámos a história: tinha estado na consulta há cerca de três semanas, grávida. Tinha entrado descontraidamente no consultório com um teste rápido positivo. Na altura pedimos análises laboratoriais e uma ecografia obstétrica. Assim que saiu do consultória a minha tutora afirmou categoricamente: "Vai fazer um aborto.". Era já mãe de dois rapazes, e não tinha planeado engravidar. Não usava qualquer método anticoncepcional apesar da insistência da minha tutora na consulta de planeamento familiar.A minha tutora disse-me "Queres ver como fez um aborto?" e chamou a Ana. Entrou no gabinete com o mesmo ar descontraido da outra vez. Sentou-se, e disse: "Tenho uma coisa que se calhar era melhor falar só com a doutora...". A minha tutora respondeu-lhe que eu já sabia o que era, podia contar à vontade... Confirmava-se: tinha tentado abortar. Foi ao Ginecologista/Obstetra em consulta particular fazer a ecografia obstétrica que tinhamos pedido na consulta anterior, onde confirmou a presença de um saco gestacional. Nada contou ao Ginecologista da sua intenção, e comprou os já famosos comprimidos abortivos (aqueles que servem para as patologias do estômago). Desconheço como obteve acesso aos comprimidos (mas reconheço que não deve ser nada compicado, com mais ou menos dinheiro...), mas ingeriu-os na quantidade que lhe foi recomendada pela vizinha. Pouco tempo depois teve uma pequena hemorragia. Explicou: "Da última vez tinha feito no bidé, e vi sair qualquer coisa. Desta vez não tive coragem, e fui para a sanita...". Não me surpreendi com a recorrência da situação, uma vez que as pessoas facilmente se habituam a utilizar o aborto como "método anticoncepcional"... Já não tinha tido mais perdas de sangue, dores ou corrimentos desde então, e vinha agora pedir as análises laboratoriais que confirmariam o sucesso do aborto. Observei-a, e facilmente senti o fundo uterino. Das duas uma: ou tinha um útero grande ou ainda estava grávida. Não tinhamos o relatório da ecografia obstétrica para tentar avaliar a existência de miomas, uma vez que ela tinha queimado o relatório na lareira para apagar os registos daquela gravidez. Qualquer que fosse a situação, uma certeza eu tinha: aquela gravidez não iria seguir por muito mais tempo... Passámos nova ecografia, desta vez "mascarada" de ecografia pélvica. Pensando alto afirmou que teria que ir a outro Ginecologista, não queria contar ao primeiro o que tinha sucedido. Afirmou ainda que se houvesse algum problema iria às Urgências do Hospital fazer uma "raspagem", mas naturalmente não iria contar a verdade. Expliquei-lhe que tal como nós naquele consultório, também os médicos da Urgência não são polícias. Não nos compete, como médicos, julga-la. Mas é importante que tenhamos em mão toda a informação possível para a tratar convenientemente. Lembrou a mediática história do enfermeiro que denunciou às autoridades uma doente que tinha abortado. Relembrámo-la que o enfermeiro em causa tinha sido penalizado por quebrar o sigilo profissional a que estava obrigado, e que as queixas tinham por isso sido retiradas. Encolheu os ombros, sorriu, e disse que fosse como fosse a situação se resolveria. E saiu, com descontracção semelhante àquela com que havia entrado."
Esta história fala de muitas coisas. Fala de uma pessoa que pelos vistos recorre ao aborto como método anti-concepcional, o que obviamente não é bom. Mas a verdade é que a Lei, tal como está, não impede as pessoas irresponsáveis de terem um comportamento irresponsável. Para ultrapassar estes problemas será necessário trabalhar noutras frentes. O que eu mais retenho, sempre que leio esta história, é o seu final. Que tudo se resolverá. Que de uma maneira ou doutra, uma mulher não queira ser mãe, não vai ser. E enquanto esta Lei estiver como está, há pessoas a enriquecer em grande estilo à custa do aborto clandestino, há mulheres a serem exploradas num momento de grande fragilidade, e depois há muitas delas a engrossarem a despesa do Estado, porque quando as coisas correm mal é lá que vão parar para acabar de resolver.
Educação sexual? Com certeza. Planeamento familiar? O mais possível. Apoio social às famílias que optam pelo nascimento das crianças? Evidentemente. Mas nada disso está actualmente em discussão, pois não?
A Lei actual é injusta, penalizadora, discriminatória. Não protege a vida de ninguém, nem dos que cá estão, nem dos que estão para chegar. Do meu ponto de vista, o VOTO SIM é a forma mais responsável, enquanto cidadã, de defender o direito à vida. Uma vida com mais igualdade, descomplexada, livre de preconceitos morais e religiosos, uma vida com dignidade. Para todas e para todos.
terça-feira, janeiro 23, 2007
Os tectos
São as barreiras que nos impedem de subir mais alto. Lembrei-me hoje de um colega de faculdade que era brilhante em todas as áreas de estudo, e que se lamentava muito da prisão que representavam os tectos. Isto porque havia professores de certas cadeiras que não davam mais de 17. E 17, para este meu colega que tinha capacidade para muitíssimo mais, era o tecto que o deixava inerte, injustamente associado a um nível que era manifestamente pouco para as suas reais capacidades.
Hoje puseram-me debaixo de um tecto novo. Chamaram-me a atenção para a qualidade do estuque que o ornamenta, para a iluminação e para o facto de estar pintado de fresco, de uma cor que vai mesmo bem com os meus olhos verdes. Eu olhei para cima e vi exactamente aquilo que é, um tecto, nada mais que isso. A mesma pressão claustrofóbica a manter-me bem rentinha ao chão, onde permaneça debaixo d'olho e não possa fazer muitas ondas.
Está bem. Que seja. Há já muito tempo que ando a escavar um buraco na parede, e os tectos só seguram quem se acomoda a eles.
Não é o caso.
Hoje puseram-me debaixo de um tecto novo. Chamaram-me a atenção para a qualidade do estuque que o ornamenta, para a iluminação e para o facto de estar pintado de fresco, de uma cor que vai mesmo bem com os meus olhos verdes. Eu olhei para cima e vi exactamente aquilo que é, um tecto, nada mais que isso. A mesma pressão claustrofóbica a manter-me bem rentinha ao chão, onde permaneça debaixo d'olho e não possa fazer muitas ondas.
Está bem. Que seja. Há já muito tempo que ando a escavar um buraco na parede, e os tectos só seguram quem se acomoda a eles.
Não é o caso.
sábado, janeiro 20, 2007
Posts por escrever
Tenho andado pouco motivada para a escrita aqui nesta chafarica. Por vários motivos. Por um lado, porque deixei de ter acesso à internet em casa. Eu era das últimas pessoas (na volta era mesmo a última) a ter acesso à net pela linha telefónica da PT, usando um modem convencional. Como eu costumava dizer, que funcionava a carvão. Amigos que me tentavam mandar ficheiros pelo messenger chegavam a perguntar-me se eu estava a pedalar do lado de cá enquanto decorria a transferência :-). Enfim, fartei-me de ser chulada pela PT e dei baixa do telefone. Vou mudar para a netcabo. Um dia. Porque me revoltam os fígados aquela taxa de 25€ inicial, e ainda não me decidi a isso. E assim, sobra-me pouco tempo para escrever coisas mais elaboradas, que exigiriam alguma concentração. Só posso postar em casa de alguém (como é agora o caso) ou no trabalho, e no trabalho estou também um pouco limitada no tempo, porque, tipo, tenho que estar lá a trabalhar. Eu sei, é uma escandaleira, mas não posso fazer nada para o evitar.
Depois, continuo com as mesmas preocupações de saúde de há meses e meses, e não quero passar a vida a usar este espaço para bater mais no ceguinho. Já me basta pensar nisto 24 horas por dia, às vezes escrever sobre a coisa alivia, outras vezes só me faz ainda pior, entre uma coisa e outra fica muitas vezes o silêncio.
Quero escrever em breve alguma coisa sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez, agora que estamos a entrar num período de campanha, e este é um assunto que eu considero de enorme importância. Sei o que tenho para dizer, mas vou ter que fazer um esforço para pôr de lado os problemas já mencionados e abordar o tema com a seriedade e o tempo que ele merece. Ainda não é hoje. Hoje é mesmo só isto, um post sobre o que poderia ser e não é...
Depois, continuo com as mesmas preocupações de saúde de há meses e meses, e não quero passar a vida a usar este espaço para bater mais no ceguinho. Já me basta pensar nisto 24 horas por dia, às vezes escrever sobre a coisa alivia, outras vezes só me faz ainda pior, entre uma coisa e outra fica muitas vezes o silêncio.
Quero escrever em breve alguma coisa sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez, agora que estamos a entrar num período de campanha, e este é um assunto que eu considero de enorme importância. Sei o que tenho para dizer, mas vou ter que fazer um esforço para pôr de lado os problemas já mencionados e abordar o tema com a seriedade e o tempo que ele merece. Ainda não é hoje. Hoje é mesmo só isto, um post sobre o que poderia ser e não é...
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Guilty Pleasure
Novelas brasileiras. Acho que são bem feitas, e mais do que as histórias, o que eu gosto mesmo de apreciar são as interpretações, algumas delas a atingirem verdadeiros níveis de excelência. Quanto às portuguesas não me dizem nada, primeiro porque eu tenho uma aversão intestina à TVI, e depois porque sinceramente acho que aqueles textos são uma miséria.
Aos meses e meses que não aparecia nenhuma que me interessasse. Desde a "Senhora do Destino" que eu não ficava "agarrada" a nenhuma. E agora chega "Páginas da Vida". E é ver-me por estes dias em frente à televisão, lavada em lágrimas, o ranho a escorrer-me pelo nariz, um divertimento, portantos.
A sério. Eu acho que ontem chorei copiosamente desde o início do episódio até ao final. Houve um personagem que teve um enfarte. Se aquilo continua assim, acho que ainda tenho um também!
Aos meses e meses que não aparecia nenhuma que me interessasse. Desde a "Senhora do Destino" que eu não ficava "agarrada" a nenhuma. E agora chega "Páginas da Vida". E é ver-me por estes dias em frente à televisão, lavada em lágrimas, o ranho a escorrer-me pelo nariz, um divertimento, portantos.
A sério. Eu acho que ontem chorei copiosamente desde o início do episódio até ao final. Houve um personagem que teve um enfarte. Se aquilo continua assim, acho que ainda tenho um também!
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Aos médicos
Especialmente ginecologistas, que ainda acham que a infecção por Candida Albicans é um problema simples de solucionar:
É só para dizer que este post já atingiu os 100 comentários.
E que se for mesmo só de 5% a percentagem de mulheres que vivem anos a fio com este problema, e que não conseguem encontrar a cura com os tristemente famosos imidazólicos e triazólicos, então meus amigos, deu-se esta coisa extraordinária de boa parte delas vir parar aqui a este tasco. À procura de respostas que tardam, aproveitando o espaço para chorar as mágoas, trocar umas ideias, enfim, à procura da luz ao fundo do túnel.
Vendo isto, vendo que mais de metade das minhas visitas hoje em dia provêm de pesquisas relacionadas com este problema, fico a perguntar-me: seremos afinal uns bichos assim tão raros? Cada vez estou mais convencida que não...
A Candida continua a marcar pontos.
É só para dizer que este post já atingiu os 100 comentários.
E que se for mesmo só de 5% a percentagem de mulheres que vivem anos a fio com este problema, e que não conseguem encontrar a cura com os tristemente famosos imidazólicos e triazólicos, então meus amigos, deu-se esta coisa extraordinária de boa parte delas vir parar aqui a este tasco. À procura de respostas que tardam, aproveitando o espaço para chorar as mágoas, trocar umas ideias, enfim, à procura da luz ao fundo do túnel.
Vendo isto, vendo que mais de metade das minhas visitas hoje em dia provêm de pesquisas relacionadas com este problema, fico a perguntar-me: seremos afinal uns bichos assim tão raros? Cada vez estou mais convencida que não...
A Candida continua a marcar pontos.
Aborto no Coito
Dizem-me que ontem à noite, nas notícias, apareceu um bispo qualquer que foi pregar contra o aborto lá para os lados de Vila Nova do Coito. Nome sugestivo, não é? Também sempre achei. Por acaso conheço o sítio, fica perto de Almoster e até tenho por lá alguns familiares.
Muito apropriado, mas acho que os movimentos pelo sim também deverão obrigatoriamente passar por Vila Nova do Coito. Acho que tem tudo a ver.
Hoje à noite, jantar do movimento Cidadania pelo Sim no Mercado da Ribeira. Lá estarei.
Muito apropriado, mas acho que os movimentos pelo sim também deverão obrigatoriamente passar por Vila Nova do Coito. Acho que tem tudo a ver.
Hoje à noite, jantar do movimento Cidadania pelo Sim no Mercado da Ribeira. Lá estarei.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Desgaste rápido
Para todos os que consideram que a profissão de futebolista é de desgaste rápido...
... Experimentem trabalhar numa Autarquia Local.
E já agora, não deixem de estudar só porque dão uns pontapés numa bola, que assim quando a carreira de futebolista acabar talvez não sejam uma cambada de inúteis, e preparem-se mas é para o que têm que fazer da vidinha depois do futebol se acabar.
E no entretanto paguem o mesmo que os outros, que deve ter ficado muito boa gente no desemprego, saídos da Opel, que viram de repente as suas carreiras profissionais interrompidas, vão ter que começar tudo do zero, e não me consta que tenham tido qualquer regime especial de impostos.
Coitadinhos dos futebolistas. Tenho tanta peninha deles. E se fizerem greve, que grande transtorno que isso vai trazer à minha vida e à da população em geral, o caos nos transportes, nos hospitais, nas repartições públicas, vão faltar bens essenciais nos supermercados...
Haja paciência.
... Experimentem trabalhar numa Autarquia Local.
E já agora, não deixem de estudar só porque dão uns pontapés numa bola, que assim quando a carreira de futebolista acabar talvez não sejam uma cambada de inúteis, e preparem-se mas é para o que têm que fazer da vidinha depois do futebol se acabar.
E no entretanto paguem o mesmo que os outros, que deve ter ficado muito boa gente no desemprego, saídos da Opel, que viram de repente as suas carreiras profissionais interrompidas, vão ter que começar tudo do zero, e não me consta que tenham tido qualquer regime especial de impostos.
Coitadinhos dos futebolistas. Tenho tanta peninha deles. E se fizerem greve, que grande transtorno que isso vai trazer à minha vida e à da população em geral, o caos nos transportes, nos hospitais, nas repartições públicas, vão faltar bens essenciais nos supermercados...
Haja paciência.
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Para 2007
Desejei, claro. Toda a gente deseja, porque não eu? Este ano as primeiras coisas que desejei foram o reflexo das minhas principais preocupações. Mais saúde, mais dinheiro. Alguém ao meu lado acrescentou, "mais homens!". E agora a correr os blogs vi que a minha amiga Xana pediu para ter sorte.
Fiquei a pensar nisto. Eu também devia ter pedido isso, porque raio é não me ocorreu? A resposta é simples: eu nunca me lembro da sorte porque isso é coisa que para mim é como se não existisse. Sabem aquela canção brasileira, "se há sorte, eu não sei, nunca vi"?. Pois. Estou tão habituada a que a minha vida seja uma espécie de corrida de obstáculos, e que cada objectivo alcançado seja tirado a ferros, com muito tempo de esforço e de sofrimento, de tal maneira que às vezes o destino só me concede as coisas porque é vencido pelo cansaço, que eu nem me dá para pensar em conseguir as coisas à conta de mera sorte.
Por isso, aqui vai atrasado mais este desejo para 2007: alguma coisa que eu deseje alcançar, que ao menos uma vez na vida me caia do céu aos trambolhões, fácil, fácil, sem esforço absolutamente nenhum, à conta da mais despudorada sorte. Para eu saber como é que é isso, essa coisa de se ter sorte.
Agora fiquei com uma vozinha cá dentro a dizer, "cuidado com o que desejas, que a Deusa pode conceder-to". Está bem, prontos. Que seja. Mas então, ficamos assim: saúde, dinheiro e sorte. Obrigadinha.
Fiquei a pensar nisto. Eu também devia ter pedido isso, porque raio é não me ocorreu? A resposta é simples: eu nunca me lembro da sorte porque isso é coisa que para mim é como se não existisse. Sabem aquela canção brasileira, "se há sorte, eu não sei, nunca vi"?. Pois. Estou tão habituada a que a minha vida seja uma espécie de corrida de obstáculos, e que cada objectivo alcançado seja tirado a ferros, com muito tempo de esforço e de sofrimento, de tal maneira que às vezes o destino só me concede as coisas porque é vencido pelo cansaço, que eu nem me dá para pensar em conseguir as coisas à conta de mera sorte.
Por isso, aqui vai atrasado mais este desejo para 2007: alguma coisa que eu deseje alcançar, que ao menos uma vez na vida me caia do céu aos trambolhões, fácil, fácil, sem esforço absolutamente nenhum, à conta da mais despudorada sorte. Para eu saber como é que é isso, essa coisa de se ter sorte.
Agora fiquei com uma vozinha cá dentro a dizer, "cuidado com o que desejas, que a Deusa pode conceder-to". Está bem, prontos. Que seja. Mas então, ficamos assim: saúde, dinheiro e sorte. Obrigadinha.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Os bois pelos nomes
O colega é um bom colega e a observação foi bem intencionada. A mim é que me soa sempre estranha esta expressão do "namorado", e não é de hoje, não sei explicar porquê mas a palavra dita por mim não me sai bem, deixa-me com a impressão de estar a usar uma roupagem demasiado larga ou demasiado apertada, nunca me parece adequada. Acho preferível, quando me refiro ao dito, usar termos como "parceiro" ou "companheiro".
Mas também estas têm os seus quês. "Parceiro" faz-nos logo pensar em parceiro sexual, e no caso em concreto é muito mais que isso. Já "companheiro", deixa as pessoas a pensar em uniões de facto, e também isso não se aplica. União é com certeza, mas para ser de facto implicaria a partilha de um mesmo espaço em comum e numa base diária, não em tempos e espaços diferenciados, como nós fazemos. Assim como está é uma união com factos, mas alternados. Uma união que alterna, vá. Mas isto daria um trabalhão a explicar a quem não nos conhece assim tão bem, e aliás nem se justificaria. De moldes que, de vez em quando, lá se torna inevitável o recurso à convencional e incómoda palavra "namorado".
Depois por outro lado, este colega, assim como outros que me rodeiam no meu trabalho, conhecem-me desde que eu comecei, aos 19 anos, e dá-me ideia que nunca perderam totalmente a imagem da pouco mais que adolescente que lhes apareceu um dia pela frente. Talvez por isso, logo a seguir ao meu recurso à palavra "namorado", surgiu a tal observação: "Ah, então já namoras?...".
Lá respondi uma qualquer banalidade. E fiquei a pensar neste "já namoras", cuja jovialidade não bate mesmo nada certo com a história que acompanha os meus quase 35 anos de vida (e que o colega, obviamente, desconhece). Se o "namorado" me soa esquisito, o que dizer então deste "já namoras"!...
É a consequência dos novos tempos e destas relações "modernas". Olha, outra palavra bizarra. Deviam inventar-se umas palavras novas, mais apropriadas para caracterizar as relações afectivas entre pessoas adultas. :-)
Adenda: O título dado a este post foi tão infeliz, valha-me Deus. Mas agora, já está, já está, também não me ocorre outro melhor...
Mas também estas têm os seus quês. "Parceiro" faz-nos logo pensar em parceiro sexual, e no caso em concreto é muito mais que isso. Já "companheiro", deixa as pessoas a pensar em uniões de facto, e também isso não se aplica. União é com certeza, mas para ser de facto implicaria a partilha de um mesmo espaço em comum e numa base diária, não em tempos e espaços diferenciados, como nós fazemos. Assim como está é uma união com factos, mas alternados. Uma união que alterna, vá. Mas isto daria um trabalhão a explicar a quem não nos conhece assim tão bem, e aliás nem se justificaria. De moldes que, de vez em quando, lá se torna inevitável o recurso à convencional e incómoda palavra "namorado".
Depois por outro lado, este colega, assim como outros que me rodeiam no meu trabalho, conhecem-me desde que eu comecei, aos 19 anos, e dá-me ideia que nunca perderam totalmente a imagem da pouco mais que adolescente que lhes apareceu um dia pela frente. Talvez por isso, logo a seguir ao meu recurso à palavra "namorado", surgiu a tal observação: "Ah, então já namoras?...".
Lá respondi uma qualquer banalidade. E fiquei a pensar neste "já namoras", cuja jovialidade não bate mesmo nada certo com a história que acompanha os meus quase 35 anos de vida (e que o colega, obviamente, desconhece). Se o "namorado" me soa esquisito, o que dizer então deste "já namoras"!...
É a consequência dos novos tempos e destas relações "modernas". Olha, outra palavra bizarra. Deviam inventar-se umas palavras novas, mais apropriadas para caracterizar as relações afectivas entre pessoas adultas. :-)
Adenda: O título dado a este post foi tão infeliz, valha-me Deus. Mas agora, já está, já está, também não me ocorre outro melhor...
domingo, dezembro 24, 2006
Música de Natal
HEAVEN ON THEIR MINDS
JUDAS
My mind is clearer now.
At last all too well
I can see where we all soon will be.
If you strip away
The myth from the man,
You will see where we all soon will be. Jesus!
You've started to believe
The things they say of you.
You really do believe
This talk of God is true.
And all the good you've done
Will soon get swept away.
You've begun to matter more
Than the things you say.
Listen Jesus I don't like what I see.
All I ask is that you listen to me.
And remember, I've been your right hand man all along.
You have set them all on fire.
They think they've found the new Messiah.
And they'll hurt you when they find they're wrong.
I remember when this whole thing began.
No talk of God then, we called you a man.
And believe me, my admiration for you hasn't died.
But every word you say today
Gets twisted 'round some other way.
And they'll hurt you if they think you've lied.
Nazareth, your famous son should have stayed a great unknown
Like his father carving wood
He'd have made good.
Tables, chairs, and oaken chests would have suited Jesus best.
He'd have caused nobody harm; no one alarm.
Listen, Jesus, do you care for your race?
Don't you see we must keep in our place?
We are occupied; have you forgotten how put down we are?
I am frightened by the crowd.
For we are getting much too loud.
And they'll crush us if we go too far.
If they go too far....
Listen, Jesus, to the warning I give.
Please remember that I want us to live.
But it's sad to see our chances weakening with every hour.
All your followers are blind.
Too much heaven on their minds.
It was beautiful, but now it's sour.
Yes it's all gone sour.
Listen, Jesus, to the warning I give.
Please remember that I want us to live.
C'mon, c'mon
He won't listen to me ...
C'mon, c'mon
He won't listen to me ...
JUDAS
My mind is clearer now.
At last all too well
I can see where we all soon will be.
If you strip away
The myth from the man,
You will see where we all soon will be. Jesus!
You've started to believe
The things they say of you.
You really do believe
This talk of God is true.
And all the good you've done
Will soon get swept away.
You've begun to matter more
Than the things you say.
Listen Jesus I don't like what I see.
All I ask is that you listen to me.
And remember, I've been your right hand man all along.
You have set them all on fire.
They think they've found the new Messiah.
And they'll hurt you when they find they're wrong.
I remember when this whole thing began.
No talk of God then, we called you a man.
And believe me, my admiration for you hasn't died.
But every word you say today
Gets twisted 'round some other way.
And they'll hurt you if they think you've lied.
Nazareth, your famous son should have stayed a great unknown
Like his father carving wood
He'd have made good.
Tables, chairs, and oaken chests would have suited Jesus best.
He'd have caused nobody harm; no one alarm.
Listen, Jesus, do you care for your race?
Don't you see we must keep in our place?
We are occupied; have you forgotten how put down we are?
I am frightened by the crowd.
For we are getting much too loud.
And they'll crush us if we go too far.
If they go too far....
Listen, Jesus, to the warning I give.
Please remember that I want us to live.
But it's sad to see our chances weakening with every hour.
All your followers are blind.
Too much heaven on their minds.
It was beautiful, but now it's sour.
Yes it's all gone sour.
Listen, Jesus, to the warning I give.
Please remember that I want us to live.
C'mon, c'mon
He won't listen to me ...
C'mon, c'mon
He won't listen to me ...
Jesus Christ Superstar
Andrew Lloyd Webber Tim Rice
terça-feira, dezembro 19, 2006
Links actualizados
Hoje resolvi actualizar os meus links aqui do lado. Já eram visitados regularmente há algum tempo e agora passam a estar oficialmente "linkados".
sábado, dezembro 16, 2006
O espírito de Natal, como ele é
Conheço certa moça, muito católica praticante, que tem um TMN. Imbuída do espírito de Natal, todos os anos, por esta altura, muda o tarifário dela habitual para um tarifário PAKO. Para quem não sabe, este tarifário oferece um valor em dinheiro ao utilizador, tanto maior quanto o número e tempo de chamadas que receba.
E assim lá anda ela, a ganhar uns dinheiritos sobre as chamadas de votos de Boas Festas que família e amigos lhe vão desejando nesta quadra, tão querida à comunidade Católica.
É sem dúvida uma época em que impera o espírito fraternal, a solidariedade, os afectos, a amizade entre os homens. Mas se for possível, que se ganhem também uns cobres, porque afinal é Natal, e o menino Jesus não há-de levar a mal...
E assim lá anda ela, a ganhar uns dinheiritos sobre as chamadas de votos de Boas Festas que família e amigos lhe vão desejando nesta quadra, tão querida à comunidade Católica.
É sem dúvida uma época em que impera o espírito fraternal, a solidariedade, os afectos, a amizade entre os homens. Mas se for possível, que se ganhem também uns cobres, porque afinal é Natal, e o menino Jesus não há-de levar a mal...
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Sim

Com o maior dos descaramentos, fui buscar isto à Propriedade Privada, e por aqui vai ficar até ao dia 12 de Fevereiro.
Estava capaz de trabalhar voluntariamente na campanha, desde que ligada a alguma associação pelo sim que fosse o mais independente possível de qualquer força partidária. Alguém tem contactos?...
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Cabazes de Natal e rifas
Para além da grande satisfação que me daria qualquer prémio acima de 100.000 euros no Euromilhões, o que eu gostava era que me saísse um cabaz de Natal! Sempre tive esta vontade, e o que é giro é que a maior parte das coisas que compõem os cabazes de Natal até nem me interessam para nada. Mas o cesto recheado daquilo tudo, o embrulho, enfim, gostava que me saísse um.
Esta semana começou também a despontar outra praga ligada à vertente consumista do Natal: as rifas. Estou a trabalhar há dois dias e já me cravaram três vezes, ou seja, três euros para o caraças, em rifas que na maior parte dos casos oferecem o quê? Cabazes de Natal. O pior desta praga é que o livro das rifas vem quase sempre agarrado às mãos de um ou uma qualquer colega de quem até se gosta, simpatiza, e a quem custa muito dizer que não...
Adiante. Comprei o número 42 para o cabaz de Natal do café em frente à minha casa. Duas das três rifas compradas dão cabazes de Natal, vai daí toca de comprar sempre o mesmo número. Portanto, se o 42 bater em todas elas, este Natal vou levar com três cabazes de Natal pela cabeça abaixo!...
Esta semana começou também a despontar outra praga ligada à vertente consumista do Natal: as rifas. Estou a trabalhar há dois dias e já me cravaram três vezes, ou seja, três euros para o caraças, em rifas que na maior parte dos casos oferecem o quê? Cabazes de Natal. O pior desta praga é que o livro das rifas vem quase sempre agarrado às mãos de um ou uma qualquer colega de quem até se gosta, simpatiza, e a quem custa muito dizer que não...
Adiante. Comprei o número 42 para o cabaz de Natal do café em frente à minha casa. Duas das três rifas compradas dão cabazes de Natal, vai daí toca de comprar sempre o mesmo número. Portanto, se o 42 bater em todas elas, este Natal vou levar com três cabazes de Natal pela cabeça abaixo!...
quinta-feira, dezembro 07, 2006
É Natal, grande dor de pés
Tlim, tlim, tlim, e mais não sei quê (a música de Natal dentro das lojas é, na minha opinião, um claro apelo aos instintos mais violentos e assassinos que existem em qualquer um de nós).
Tirei uns dias de férias, e fiada na boa experiência do ano passado, hoje dediquei o dia às compras de Natal. Devia era ter ficado sossegada em casa a fazer limpezas, que era melhor para me descontrair o espírito do que este bate-perna horas a fio à procura de presentes. O ano passado correu tão bem, um dia inteiro no Freeport em Alcochete foi quanto bastou para ficar tudo comprado. Este ano a coisa vai muito pior.
Não só já corri esse de ponta a ponta no fim de semana passado como hoje já me dirigi a mais duas grandes superfícies comerciais. Nem tenho assim tantas prendas para fazer, são para aí umas sete ou oito. Consegui comprar... duas. Para além disso consegui uma valente dor nos pés. Ah! E mandei lavar o carro, o que também foi muito positivo, que aquilo até já cheirava mal por dentro (a sério, não é exagero).
É verdade que o meu orçamento este ano está muito limitado. Mas será que é só isso? Tenho a sensação de que não se vê nada de jeito, que as coisas são todas iguais, tudo de um modo geral sem grande interesse...
Resta-me o Vasco da Gama. No próximo Sábado de manhã atiro-me a ele de cabeça!! Mas desta vez vou de sapatinho raso...
Tirei uns dias de férias, e fiada na boa experiência do ano passado, hoje dediquei o dia às compras de Natal. Devia era ter ficado sossegada em casa a fazer limpezas, que era melhor para me descontrair o espírito do que este bate-perna horas a fio à procura de presentes. O ano passado correu tão bem, um dia inteiro no Freeport em Alcochete foi quanto bastou para ficar tudo comprado. Este ano a coisa vai muito pior.
Não só já corri esse de ponta a ponta no fim de semana passado como hoje já me dirigi a mais duas grandes superfícies comerciais. Nem tenho assim tantas prendas para fazer, são para aí umas sete ou oito. Consegui comprar... duas. Para além disso consegui uma valente dor nos pés. Ah! E mandei lavar o carro, o que também foi muito positivo, que aquilo até já cheirava mal por dentro (a sério, não é exagero).
É verdade que o meu orçamento este ano está muito limitado. Mas será que é só isso? Tenho a sensação de que não se vê nada de jeito, que as coisas são todas iguais, tudo de um modo geral sem grande interesse...
Resta-me o Vasco da Gama. No próximo Sábado de manhã atiro-me a ele de cabeça!! Mas desta vez vou de sapatinho raso...
quinta-feira, novembro 30, 2006
Maldita Candida
Entre 14 de Outubro e 15 de Novembro entupi-me de medicamentos. Diflucan (fluconazol) 150 mg uma vez por semana, e nos primeiros seis dias, comprimidos vaginais Gyno-Trosyd (tioconazol) 100 mg, um por dia. Foi este o tratamento que me recomendaram na Maternidade Alfredo da Costa. Dois dias depois de terminar os comprimidos vaginais a inflamação voltou.
Uma semana depois voltei à carga com o Gyno-Trosyd, desta vez em creme, que dá para enfiar 300 mg de uma vez. Quatro dias depois, mais 300 mg. Melhorei, muito, menstruação, novo tratamento de prevenção durante quatro dias.
Estive bem durante 10 dias (é o máximo de tempo em que me consigo manter bem). Já voltou tudo ao mesmo outra vez. Era suposto ficar sem medicamento durante um mês, ou seja, entre menstruações, continuando a tomar o Diflucan uma vez por mês durante três meses. Bem que eu gostaria de cumprir esse tratamento. Que ele fosse suficiente. Mas nunca é suficiente, estou como os toxicodependentes, já não vivo sem a droga.
Comecei uma vacina contra a bicha. Alergologista espera assim dar o seu contributo para que eu veja este problema pelas costas. Para já levo a vacina uma vez por semana e ainda só lá fui duas vezes, de modo que não sei ainda que resultado irá isso dar.
A pergunta volta sempre e pesa como um fardo de toneladas. Isto terá alguma vez um fim? As alternativas possíveis vão caindo por terra, uma a uma. Já lá vai quase um ano. Estou farta de dar voltas. E de gastar dinheiro. Basicamente, estou farta.
Uma semana depois voltei à carga com o Gyno-Trosyd, desta vez em creme, que dá para enfiar 300 mg de uma vez. Quatro dias depois, mais 300 mg. Melhorei, muito, menstruação, novo tratamento de prevenção durante quatro dias.
Estive bem durante 10 dias (é o máximo de tempo em que me consigo manter bem). Já voltou tudo ao mesmo outra vez. Era suposto ficar sem medicamento durante um mês, ou seja, entre menstruações, continuando a tomar o Diflucan uma vez por mês durante três meses. Bem que eu gostaria de cumprir esse tratamento. Que ele fosse suficiente. Mas nunca é suficiente, estou como os toxicodependentes, já não vivo sem a droga.
Comecei uma vacina contra a bicha. Alergologista espera assim dar o seu contributo para que eu veja este problema pelas costas. Para já levo a vacina uma vez por semana e ainda só lá fui duas vezes, de modo que não sei ainda que resultado irá isso dar.
A pergunta volta sempre e pesa como um fardo de toneladas. Isto terá alguma vez um fim? As alternativas possíveis vão caindo por terra, uma a uma. Já lá vai quase um ano. Estou farta de dar voltas. E de gastar dinheiro. Basicamente, estou farta.
segunda-feira, novembro 27, 2006
Mas porque nem tudo é mau...
Depois de um bom conselho aqui deixado, não é que experimentei esta coisa das meias de liga e agora não quero outra coisa?... :-)
Os simpáticos, os créditos bons, o raio que os parta
Eu e as instituições bancárias temos já uma longa história de incompatibilidades, que cada vez mais me convencem que ainda me verei a levantar o ordenado todos os meses e a pô-lo debaixo do colchão.
Aqui há uns meses atrás, nos simpáticos Totta, onde tenho o meu crédito à habitação, passou-se o seguinte: encontrei um seguro para a casa em condições muito mais vantajosas do que aquele que tinha. Cumpridora das regras como sou, tratei da mudança do seguro e fui ao banco informá-los dessa alteração. Grande erro. Mesmo muito grande. Os simpáticos, que não mexeram uma palha, ou seja, fui eu que andei a tratar de tudo com as duas seguradoras, sem me dizerem uma palavra que fosse, retiraram-me da conta de "despesas de alteração do contrato", a módica quantia de oitenta e tal euros. Uma simpatia, estes senhores.
Este mês foram os amigos da Credibom, a quem ando a pagar o carro. A quem, no espaço de três anos, nunca falhei uma única prestação. Este mês, a vésperas de "cair" a dita, verifico que faltam 40 euros para cobrir a prestação. Culpa minha sem dúvida, distraí-me, coisa que para as pessoas ditas "sérias" equivale no fundo a um delito grave. Fiz imediatamente uma transferência bancária para cobrir o que estava em falta, mas é claro que já nada havia a fazer. Telefonei hoje para os Credibons, que em relação à prestação deste mês já me vão cobrar mais 30 euros para eu aprender a não andar distraída.
Eu fico sempre a perguntar-me: O que é que estas instituições fazem às pessoas que não cumprem? Às pessoas que não pagam prestação em cima de prestação, que se estão a borrifar para os seus compromissos?
Eu gostava que me saísse o Euromilhões de um modo geral, mas gostava em particular por causa destas merdas. Para não precisar de recorrer a estas sanguessugas de fato e gravata.
Cá fica mais este desabafo. Nos dias que correm, é o que se pode arranjar.
Aqui há uns meses atrás, nos simpáticos Totta, onde tenho o meu crédito à habitação, passou-se o seguinte: encontrei um seguro para a casa em condições muito mais vantajosas do que aquele que tinha. Cumpridora das regras como sou, tratei da mudança do seguro e fui ao banco informá-los dessa alteração. Grande erro. Mesmo muito grande. Os simpáticos, que não mexeram uma palha, ou seja, fui eu que andei a tratar de tudo com as duas seguradoras, sem me dizerem uma palavra que fosse, retiraram-me da conta de "despesas de alteração do contrato", a módica quantia de oitenta e tal euros. Uma simpatia, estes senhores.
Este mês foram os amigos da Credibom, a quem ando a pagar o carro. A quem, no espaço de três anos, nunca falhei uma única prestação. Este mês, a vésperas de "cair" a dita, verifico que faltam 40 euros para cobrir a prestação. Culpa minha sem dúvida, distraí-me, coisa que para as pessoas ditas "sérias" equivale no fundo a um delito grave. Fiz imediatamente uma transferência bancária para cobrir o que estava em falta, mas é claro que já nada havia a fazer. Telefonei hoje para os Credibons, que em relação à prestação deste mês já me vão cobrar mais 30 euros para eu aprender a não andar distraída.
Eu fico sempre a perguntar-me: O que é que estas instituições fazem às pessoas que não cumprem? Às pessoas que não pagam prestação em cima de prestação, que se estão a borrifar para os seus compromissos?
Eu gostava que me saísse o Euromilhões de um modo geral, mas gostava em particular por causa destas merdas. Para não precisar de recorrer a estas sanguessugas de fato e gravata.
Cá fica mais este desabafo. Nos dias que correm, é o que se pode arranjar.
sexta-feira, novembro 24, 2006
Este espaço é meu, não e? Posso dizer o que me apetecer, certo?
Então aqui vai, que eu hoje preciso muito de desabafar:
FODA-SE PARA ESTA MERDA DE TEMPO, QUE JÁ HOJE FIQUEI ENCHARCADA ATÉ AOS OSSOS PELO MENOS TRÊS VEZES, MAIS AS CONAS MOLES DO CARALHO QUE ANDAM À MINHA VOLTA TODO O DIA, INCOMPETENTES DE MERDA QUE NÃO CONSEGUEM FAZER EM TRÊS DIAS O TRABALHO QUE EU FAÇO NUMA TARDE, QUE ME FODEM O TRABALHO TODO E A SEGUIR AINDA VOMITAM ORDENS DE MERDA, A EXIGIREM PRAZOS CRETINOS, FILHAS DA PUTA É O QUE ELAS SÃO.
Pronto. Agora vou para a ginástica destilar o resto.
FODA-SE PARA ESTA MERDA DE TEMPO, QUE JÁ HOJE FIQUEI ENCHARCADA ATÉ AOS OSSOS PELO MENOS TRÊS VEZES, MAIS AS CONAS MOLES DO CARALHO QUE ANDAM À MINHA VOLTA TODO O DIA, INCOMPETENTES DE MERDA QUE NÃO CONSEGUEM FAZER EM TRÊS DIAS O TRABALHO QUE EU FAÇO NUMA TARDE, QUE ME FODEM O TRABALHO TODO E A SEGUIR AINDA VOMITAM ORDENS DE MERDA, A EXIGIREM PRAZOS CRETINOS, FILHAS DA PUTA É O QUE ELAS SÃO.
Pronto. Agora vou para a ginástica destilar o resto.
sábado, novembro 18, 2006
Novela da vida real
Às vezes os concursos para a Função Pública têm destas coisas.
Eram sete vagas para uma carreira de auxiliar, um salário relativamente baixo mas a garantia de estabilidade ao longo de um ano inteiro de trabalho, com boas perspectivas de continuidade. As candidatas foram às dezenas, tal como já se esperava. Feito o concurso, as sete primeiras seleccionadas e colocadas, eis que surge uma vaga para colocar mais outra. Numa escolinha no meio do campo, a meio caminho de atrás do sol posto.
Portadora de boas novas, vi a colega a ligar à oitava classificada. Que disse já estar empregada, ainda bem para ela, pelo que declinou a oferta. Passou-se à nona classificada. Que a escola era muito fora de mão, não lhe dava jeito nenhum, pelo que também preferiu não aceitar. Ligou-se à décima classificada, que rejeitou o horário, por não ser compatível com não sei o quê. Às tantas estávamos todas atentas a ver onde iria isto dar.
Seguia-se a décima primeira. Esta já conhecíamos. Tinha colaborado connosco noutras ocasiões, uma garota de vinte e poucos anos que a custo lá terminou o Secundário, ao mesmo tempo que se esfolava a trabalhar para garantir o sustento da família. Há uns tempos atrás apareceu-nos lá em desespero, só tinha trabalho ao fim-de-semana em regime de part-time como caixa de supermercado, se não tínhamos mais nada que lhe arranjássemos. Andava a caminho do hospital, deprimida, com acessos de pânico, tudo coisas que na verdade só precisavam do mais simples dos tratamentos: trabalho. Meios suficientes para viver condignamente.
Quando percebeu que ia ser colocada começou logo a chorar. Não questionou transportes, nem horário, só agradecia a quem lhe estava a ligar, como se a minha colega tivesse acabado de lhe salvar a vida. Às tantas chorava uma e chorava outra. E à volta, outras tantas galinhas tontas, que entretanto se tinham juntado a ouvir a conversa, fungavam discretamente e coçavam o canto dos olhos.
Há muitas maneiras diferentes de sair o euromilhões às pessoas.
Eram sete vagas para uma carreira de auxiliar, um salário relativamente baixo mas a garantia de estabilidade ao longo de um ano inteiro de trabalho, com boas perspectivas de continuidade. As candidatas foram às dezenas, tal como já se esperava. Feito o concurso, as sete primeiras seleccionadas e colocadas, eis que surge uma vaga para colocar mais outra. Numa escolinha no meio do campo, a meio caminho de atrás do sol posto.
Portadora de boas novas, vi a colega a ligar à oitava classificada. Que disse já estar empregada, ainda bem para ela, pelo que declinou a oferta. Passou-se à nona classificada. Que a escola era muito fora de mão, não lhe dava jeito nenhum, pelo que também preferiu não aceitar. Ligou-se à décima classificada, que rejeitou o horário, por não ser compatível com não sei o quê. Às tantas estávamos todas atentas a ver onde iria isto dar.
Seguia-se a décima primeira. Esta já conhecíamos. Tinha colaborado connosco noutras ocasiões, uma garota de vinte e poucos anos que a custo lá terminou o Secundário, ao mesmo tempo que se esfolava a trabalhar para garantir o sustento da família. Há uns tempos atrás apareceu-nos lá em desespero, só tinha trabalho ao fim-de-semana em regime de part-time como caixa de supermercado, se não tínhamos mais nada que lhe arranjássemos. Andava a caminho do hospital, deprimida, com acessos de pânico, tudo coisas que na verdade só precisavam do mais simples dos tratamentos: trabalho. Meios suficientes para viver condignamente.
Quando percebeu que ia ser colocada começou logo a chorar. Não questionou transportes, nem horário, só agradecia a quem lhe estava a ligar, como se a minha colega tivesse acabado de lhe salvar a vida. Às tantas chorava uma e chorava outra. E à volta, outras tantas galinhas tontas, que entretanto se tinham juntado a ouvir a conversa, fungavam discretamente e coçavam o canto dos olhos.
Há muitas maneiras diferentes de sair o euromilhões às pessoas.
quinta-feira, novembro 16, 2006
Tempo
É coisa que me anda a fugir por entre os dedos. Os dias passam a uma velocidade vertiginosa, em menos de um nada são horas de levantar, em ainda menos que isso já estou a caminho da cama para dormir outra vez, e pelo meio fica uma sequência atabalhoada de acontecimentos, de correrias, não só no trabalho mas também nele, e no final do dia, uma sensação de que não fiz rigorosamente nada, a não ser este andar a correr de uns lugares para os outros. Sinto-me especialmente cansada esta semana.
No outro dia olhei para o calendário e apercebi-me que já estamos no final do ano outra vez. Senti-me como o personagem principal do filme "Click", que tem um comando e faz "fast foward" na vida dele sempre que quer passar por cima de algo que não lhe interessa. Senti-me acabadinha de chegar de um "fast foward" desses.
Para onde foi este ano que está quase a chegar ao fim? Não sei. Fiz tanta coisa interessante, diverti-me, tenho montes de coisas boas para reter na memória, mas a triste verdade é que em todos os momentos a grande preocupação era a Candida, e mesmo em períodos de diversão e alegria, foram sempre filtrados pela Candida, e este será, definitivamente, o ano da Candida. Nela se tem consumido grande parte do meu tempo e das minhas energias. É definitivamente a personagem principal do meu filme deste ano. Já só me resta esperar que em 2007 saia de cartaz.
No outro dia olhei para o calendário e apercebi-me que já estamos no final do ano outra vez. Senti-me como o personagem principal do filme "Click", que tem um comando e faz "fast foward" na vida dele sempre que quer passar por cima de algo que não lhe interessa. Senti-me acabadinha de chegar de um "fast foward" desses.
Para onde foi este ano que está quase a chegar ao fim? Não sei. Fiz tanta coisa interessante, diverti-me, tenho montes de coisas boas para reter na memória, mas a triste verdade é que em todos os momentos a grande preocupação era a Candida, e mesmo em períodos de diversão e alegria, foram sempre filtrados pela Candida, e este será, definitivamente, o ano da Candida. Nela se tem consumido grande parte do meu tempo e das minhas energias. É definitivamente a personagem principal do meu filme deste ano. Já só me resta esperar que em 2007 saia de cartaz.
terça-feira, novembro 07, 2006
Referendo, lá terá que ser
Estou de acordo com a realização de novo referendo sobre a questão da Interrupção Voluntária da Gravidez. É uma das últimas heranças do Eng.º Guterres, a meu ver. O primeiro é que escusava de ter sido feito. Agora, depois de ter havido um referendo, e de a resposta ser não, não se pode alterar o sentido dessa resposta sem se voltar a perguntar. É uma questão de respeito pela própria população, julgo eu.
Fomos a referendo a primeira vez por um único motivo: o Primeiro-Ministro da altura era católico. E não quis assumir uma alteração à lei com a qual ele próprio não concordava. O cenário hoje em dia é diferente, mas infelizmente, os termos que são utilizados para defender o "sim" ou o "não" são exactamente os mesmos.
Já começou, aliás. Acho que o "suquete" do Gato Fedorento sobre o Prós e Contras em que se debateu a questão ilustra bem como é que as partes argumentam. Com muitos fundamentalismos, quanto menos esclarecimento melhor (de parte a parte, atenção!), muito alarido, muita mão no coração, direito à vida e Deus Nosso Senhor.
Eu espero sinceramente que a campanha desta vez seja diferente, mas estou convencida que vai ser o mesmo circo da outra vez. Já nem tenho paciência para os ouvir discutir. Ah e tal, porque a vida começa às dez semanas, porque começa antes disso, porque a vida é logo no momento da fecundação, porque a vida, porque a vida. Só me apetece partir para o disparate. Se há vida na fecundação, então é inquestionável que há vida no espermatozóide e no óvulo. Isso quer dizer que de todas as vezes que eu faço um broche e engulo, cometo um infanticídio?...
Não discutam a moral, nem o moralismo, porque a questão do referendo não tem a ver com moral(ismos). Não discutam a religião, porque muito menos tem a ver com a religião. Nem tem a ver com ética, nem com biologia, nem com a consciência invidual. Estes aspectos merecem-me todo o respeito mas são do domínio da nossa individualidade. Reportam-se ao modo como vivemos a nossa existência e às opções que daí decorrem. Todos eles são ulteriores à questão colocada e à própria lei que venha a ser criada.
A questão do referendo é de carácter jurídico e legislativo, tem a ver com saúde pública e com os direitos dos cidadãos. Porque estamos num Estado laico que tem a obrigação de preservar, como princípios fundamentais, a liberdade e o respeito pelas diferentes opções individuais.
E portanto, lá terá que ser o referendo. Cá estamos de novo.
Fomos a referendo a primeira vez por um único motivo: o Primeiro-Ministro da altura era católico. E não quis assumir uma alteração à lei com a qual ele próprio não concordava. O cenário hoje em dia é diferente, mas infelizmente, os termos que são utilizados para defender o "sim" ou o "não" são exactamente os mesmos.
Já começou, aliás. Acho que o "suquete" do Gato Fedorento sobre o Prós e Contras em que se debateu a questão ilustra bem como é que as partes argumentam. Com muitos fundamentalismos, quanto menos esclarecimento melhor (de parte a parte, atenção!), muito alarido, muita mão no coração, direito à vida e Deus Nosso Senhor.
Eu espero sinceramente que a campanha desta vez seja diferente, mas estou convencida que vai ser o mesmo circo da outra vez. Já nem tenho paciência para os ouvir discutir. Ah e tal, porque a vida começa às dez semanas, porque começa antes disso, porque a vida é logo no momento da fecundação, porque a vida, porque a vida. Só me apetece partir para o disparate. Se há vida na fecundação, então é inquestionável que há vida no espermatozóide e no óvulo. Isso quer dizer que de todas as vezes que eu faço um broche e engulo, cometo um infanticídio?...
Não discutam a moral, nem o moralismo, porque a questão do referendo não tem a ver com moral(ismos). Não discutam a religião, porque muito menos tem a ver com a religião. Nem tem a ver com ética, nem com biologia, nem com a consciência invidual. Estes aspectos merecem-me todo o respeito mas são do domínio da nossa individualidade. Reportam-se ao modo como vivemos a nossa existência e às opções que daí decorrem. Todos eles são ulteriores à questão colocada e à própria lei que venha a ser criada.
A questão do referendo é de carácter jurídico e legislativo, tem a ver com saúde pública e com os direitos dos cidadãos. Porque estamos num Estado laico que tem a obrigação de preservar, como princípios fundamentais, a liberdade e o respeito pelas diferentes opções individuais.
E portanto, lá terá que ser o referendo. Cá estamos de novo.
segunda-feira, novembro 06, 2006
:-(
O meu extracto bancário diz que a partir do mês que vem pago mais 25€ de renda de casa. Como em Maio já tinha subido outros 25€, chego ao fim do ano a pagar mais 50€ todos os meses.Desde o princípio do ano, a minha entidade patronal deixou de pagar horas extraordinárias.
Ando com um encargo mensal de despesas de saúde completamente obsceno.
Faltam-me dois longos anos para acabar de pagar o carro.
Não faço a mínima ideia de quando é que poderei progredir na carreira, mas pelo andar da carruagem, deve ser lá pela altura da reforma do Eng.º Sócrates (ou da minha).
Não acertei um único número no Euromilhões.
Vou fazer greve na próxima Quinta-Feira, dois dias nem pensar, primeiro porque sou contra greves a servirem de pretexto para fins-de-semana prolongados. E depois porque financeiramente seria incomportável. Já fazer um dia, é um rombo de tal ordem que se me ponho a pensar muito nisso, ainda acabo por vir trabalhar.
Estou no vermelho. Outra vez. Mas que grande merda.
domingo, novembro 05, 2006
Gavetas
Coisa que eu devia ser proibida de ter. E porquê? Porque só me servem para duas coisas:
para eu deitar lá para dentro as coisas que não me fazem falta nenhuma mas que não consigo deitar fora vá-se lá saber porquê;
ou
para arrumar muito bem arrumadinhas coisas que eu acho que são importantes, mas que vão para o meio da confusão e eu nunca mais me lembro que as tenho nem onde é que foram parar.
Este fim-de-semana, à procura de uma coisa que não encontrei, acabei a fazer algo muito positivo para energizar o ambiente da casa (dizem os senhores do Feng-Shui, e eu acho que isto tem um fundo de verdade). Dei uma volta tal aqui às três gavetas da secretária que deitei fora, sem exagero, uns três quilos de papel e outros objectos inúteis.
Fiquei medianamente satisfeita. Gostava de ter achado o que andava à procura (há tantas outras gavetas por aqui, valha-me Deus!!). Mas por outro lado fiquei com estas três tão arrumadinhas e organizadinhas, que mal posso esperar por começar a entupi-las de porcaria outra vez!...
Upgrade: Deve ter sido da agitação energética. Esta noite (de Domingo para Segunda), uma das prateleiras da estante caiu outra vez! E é sempre a mesma. Curioso...
para eu deitar lá para dentro as coisas que não me fazem falta nenhuma mas que não consigo deitar fora vá-se lá saber porquê;
ou
para arrumar muito bem arrumadinhas coisas que eu acho que são importantes, mas que vão para o meio da confusão e eu nunca mais me lembro que as tenho nem onde é que foram parar.
Este fim-de-semana, à procura de uma coisa que não encontrei, acabei a fazer algo muito positivo para energizar o ambiente da casa (dizem os senhores do Feng-Shui, e eu acho que isto tem um fundo de verdade). Dei uma volta tal aqui às três gavetas da secretária que deitei fora, sem exagero, uns três quilos de papel e outros objectos inúteis.
Fiquei medianamente satisfeita. Gostava de ter achado o que andava à procura (há tantas outras gavetas por aqui, valha-me Deus!!). Mas por outro lado fiquei com estas três tão arrumadinhas e organizadinhas, que mal posso esperar por começar a entupi-las de porcaria outra vez!...
Upgrade: Deve ter sido da agitação energética. Esta noite (de Domingo para Segunda), uma das prateleiras da estante caiu outra vez! E é sempre a mesma. Curioso...
sexta-feira, novembro 03, 2006
quarta-feira, outubro 25, 2006
O crime compensa (?)
Aqui há uns dias atrás terminei de ler os Cem Anos de Solidão. E pensei em vir aqui em acto de contrição, declarar-me uma reles ameba literária que devia mas era estar quieta e não escrever uma porcaria de uma linha que fosse, e quando muito, castigar a minha presunção de escrever alguma coisa de jeito, deitando ao fogo cada uma das minhas tristes histórias à medida que as escrevesse. Isto porque me sinto sempre, enquanto presumida a escritora, muitapequenina defronte de Gabriel Garcia Márquez, daquele poder de imaginação, daquela mestria no domínio das palavras, dos sentimentos, do que existe e não existe.
Logo a seguir, apareceu esta coisa. E aquelas histórias, tão bem guardadas nos meus documentos, confortavelmente instaladas em pasta intitulada "textos originais", começaram a falar, as parvas. A insultarem-me, ainda por cima. A dizerem que sou uma ganda estúpida, uma lesma inútil que nem para ir aos Restauradores registá-las como minhas sou capaz de mexer um dedo. Que podem ser umas tristes amostras de aventuras literárias, mas ao menos estão de acordo com a pasta onde se encontram guardadas, são textos originais. Os meus textos originais.
Mereciam que eu lutasse mais por eles? Eh pá, se calhar sim, se calhar não. Podia andar com eles debaixo do braço e bater a umas portas? Podia, realmente. Mas bem vistas as coisas, aquilo que eu tenho são uns textos mais ou menos, que contam umas histórias assim assim, e a mim ninguém me conhece de lado nenhum.
Querem lá bem saber que sejam mesmo textos originais, mas mesmo mesmo. A triste verdade é que não me chamo Miguel Sousa Tavares ou outro qualquer nome sonante, nunca fui a nenhum reality show, nunca sequer apareci na televisão, não canto nem sou actriz, nem taróloga, nem coisa nenhuma. Portanto não há lugar para mim no mundo da literatura portuguesa...
Adenda: Que isto do Miguel Sousa Tavares transformou-se numa novela cibernauta. Vejam só este, mais este, este outro, e este ainda. Amanhã não se sabe quantos mais terão nascido...
Logo a seguir, apareceu esta coisa. E aquelas histórias, tão bem guardadas nos meus documentos, confortavelmente instaladas em pasta intitulada "textos originais", começaram a falar, as parvas. A insultarem-me, ainda por cima. A dizerem que sou uma ganda estúpida, uma lesma inútil que nem para ir aos Restauradores registá-las como minhas sou capaz de mexer um dedo. Que podem ser umas tristes amostras de aventuras literárias, mas ao menos estão de acordo com a pasta onde se encontram guardadas, são textos originais. Os meus textos originais.
Mereciam que eu lutasse mais por eles? Eh pá, se calhar sim, se calhar não. Podia andar com eles debaixo do braço e bater a umas portas? Podia, realmente. Mas bem vistas as coisas, aquilo que eu tenho são uns textos mais ou menos, que contam umas histórias assim assim, e a mim ninguém me conhece de lado nenhum.
Querem lá bem saber que sejam mesmo textos originais, mas mesmo mesmo. A triste verdade é que não me chamo Miguel Sousa Tavares ou outro qualquer nome sonante, nunca fui a nenhum reality show, nunca sequer apareci na televisão, não canto nem sou actriz, nem taróloga, nem coisa nenhuma. Portanto não há lugar para mim no mundo da literatura portuguesa...
Adenda: Que isto do Miguel Sousa Tavares transformou-se numa novela cibernauta. Vejam só este, mais este, este outro, e este ainda. Amanhã não se sabe quantos mais terão nascido...
terça-feira, outubro 24, 2006
Collants, essa grande chatice
Por conta deles é que eu acabo sempre por passar a maior parte do Inverno de calças. Não gosto de collants, e hoje tive que me render às evidências, calcei uns para passar o dia todo arrependida.
Sim, há homens que vivem com o martírio das gravatas e dos nós das ditas, mas meus amigos, convenhamos. Nada bate a irritação de uns collants a escorregarem pelas pernas abaixo, a repuxarem no meio das pernas de todas as vezes que se dá um passo... E o que é que acontece depois de uns tantos puxões a tentar "encaixá-los" no sítio? Rompem-se, claro está. Abrem malhas de cima a baixo, e deixam-nos com um certo ar de puta velha, do mais decadente que há.
E nem me venham com a conversa do ah e tal, o barato sai caro. Nada disso. Se há coisa em que a qualidade e o preço não andam a par é no caso das collants. Já empatei muito dinheirinho em meias da DIM que nem chegaram a ver a rua. Da primeira vez que as calcei romperam-se. E nem queiram saber como fica o meu humor para o resto do dia quando tento vestir-me e isto me acontece...
Mal por mal, nada como as collants marca "Alba". Vendem-se na loja dos chineses, umas caixinhas às riscas azuis e brancas, tamanho único, acho que dois pares custam 2,50€.
E agora deixa-me ir ali num instante à casa-de-banho, pôr as meias no sítio pela enésima vez, ainda o dia vai a meio...
Sim, há homens que vivem com o martírio das gravatas e dos nós das ditas, mas meus amigos, convenhamos. Nada bate a irritação de uns collants a escorregarem pelas pernas abaixo, a repuxarem no meio das pernas de todas as vezes que se dá um passo... E o que é que acontece depois de uns tantos puxões a tentar "encaixá-los" no sítio? Rompem-se, claro está. Abrem malhas de cima a baixo, e deixam-nos com um certo ar de puta velha, do mais decadente que há.
E nem me venham com a conversa do ah e tal, o barato sai caro. Nada disso. Se há coisa em que a qualidade e o preço não andam a par é no caso das collants. Já empatei muito dinheirinho em meias da DIM que nem chegaram a ver a rua. Da primeira vez que as calcei romperam-se. E nem queiram saber como fica o meu humor para o resto do dia quando tento vestir-me e isto me acontece...
Mal por mal, nada como as collants marca "Alba". Vendem-se na loja dos chineses, umas caixinhas às riscas azuis e brancas, tamanho único, acho que dois pares custam 2,50€.
E agora deixa-me ir ali num instante à casa-de-banho, pôr as meias no sítio pela enésima vez, ainda o dia vai a meio...
segunda-feira, outubro 23, 2006
Tomem lá, seus despeitados!
Que isto enfim, tivesse eu mais 20 centímetros, menos dez quilos, se pintasse o cabelo de preto, mandasse endireitar o nariz e eliminar a miopia, se me livrasse do acne e das varizes, se fosse actriz em Hollywood com dinheiro a rodos para comprar os melhores cremes, a melhor maquilhagem, as melhores roupas... assim também eu, assim também eu!...
sexta-feira, outubro 20, 2006
sexta-feira, outubro 13, 2006
Músicas para sonhar
Já não é a primeira vez que me acontece. Hoje de manhã, quando comecei a ouvir no rádio a música do Tom Sawyer, começaram a agitar-se uma montanha de emoções e recordações, e admito, à medida que cantarolava a coisa caiu uma lágrimazita ou outra.Eu adorava ver o Tom Sawyer. Mas o que me deixou mais emocionada esta manhã nem foi isso. É este fenómeno incrível de ouvirmos os primeiros acordes de uma música que nos diz algo, e imediatamente, abrir-se uma qualquer portinhola que dá para a cave das memórias mais antigas. E como essas memórias aparecem frescas e nítidas, como se tivessem estado a acompanhar-nos todos os dias... O embate é brutal, agita-nos as entranhas, e daí as lágrimas.
De repente vi com toda a clareza uma manhã de há quinhentos anos atrás, a minha mãe a voltar das compras com um livro para eu ler. Era o Tom Sawyer, e nem sei dizer o que foi que veio primeiro, os desenhos-animados ou o livro.
Um livro novo era sempre a melhor prenda que me poderiam dar. Nesse aspecto da minha educação sinto-me privilegiada. Nenhum dos meus pais foi além da instrução primária, mas sempre alimentaram esta minha paixão pelos livros. Naquele dia, a minha mãe comprou o Tom Sawyer sem qualquer critério, apenas porque sim. E foi a maior das alegrias.
Apenas uns poucos segundos de música. Mas hoje fez efeito, meu caro amigo. Um efeito do catano!...
quinta-feira, outubro 12, 2006
Não há lugar para estacionar
É de propósito. É que só pode ser. Ou então é um qualquer defeito genético, porque quando vai um qualquer ele a conduzir, isto nunca acontece.
Eu vou de carro seja para onde for, e vou à procura de estacionamento o mais perto possível, como é habitual. Sim. Admito que muitas vezes desprezo lugares mesmo bons, mas que são só um lugar, e as minhas parcas capacidades de manobra do veículo obrigam-me a ir estacionar mais longe. Costumo dizer que quando é para estacionar a direito, preciso sempre de lugar e meio. E isto se for para estacionar à direita. Se for à esquerda então, boa noite. Não quero saber. Reclama as tuas limitações porque elas pertencem-te, é frase do mais sábio que alguma vez ouvi.
E a questão não é essa, a questão é outra coisa que me está sempre, mas mesmo sempre, a acontecer. É eu passar num sítio qualquer onde quero estacionar, não há lugares, mesmo nenhuns, e vou dar uma volta do catano e deixo o carro a cascos. E depois venho a pé. E nessa algura é que eles estão à vista, aos dois lugares livres que nem era preciso fazer manobra, lugares em espinha, lugares, lugares, todos pertíssimo do sítio para onde vou, todos livres no espaço de minutos a seguir a eu ter passado por eles, ali mesmo à mão de semear, claramente a gozarem com a minha cara!...
Ah e tal, dar mais outra volta? Não adianta. Vai acontecer sempre o mesmo. Eu passo, não há lugares. Dou mais outra volta, não há lugares. Eu estaciono a quilómetros, e assim que saio do carro, os lugares começam a aparecer. É Karma. As mulheres sofrem muito.
Eu vou de carro seja para onde for, e vou à procura de estacionamento o mais perto possível, como é habitual. Sim. Admito que muitas vezes desprezo lugares mesmo bons, mas que são só um lugar, e as minhas parcas capacidades de manobra do veículo obrigam-me a ir estacionar mais longe. Costumo dizer que quando é para estacionar a direito, preciso sempre de lugar e meio. E isto se for para estacionar à direita. Se for à esquerda então, boa noite. Não quero saber. Reclama as tuas limitações porque elas pertencem-te, é frase do mais sábio que alguma vez ouvi.
E a questão não é essa, a questão é outra coisa que me está sempre, mas mesmo sempre, a acontecer. É eu passar num sítio qualquer onde quero estacionar, não há lugares, mesmo nenhuns, e vou dar uma volta do catano e deixo o carro a cascos. E depois venho a pé. E nessa algura é que eles estão à vista, aos dois lugares livres que nem era preciso fazer manobra, lugares em espinha, lugares, lugares, todos pertíssimo do sítio para onde vou, todos livres no espaço de minutos a seguir a eu ter passado por eles, ali mesmo à mão de semear, claramente a gozarem com a minha cara!...
Ah e tal, dar mais outra volta? Não adianta. Vai acontecer sempre o mesmo. Eu passo, não há lugares. Dou mais outra volta, não há lugares. Eu estaciono a quilómetros, e assim que saio do carro, os lugares começam a aparecer. É Karma. As mulheres sofrem muito.
quarta-feira, outubro 11, 2006
A minha pobre vagina
Que tantas alegrias me tem dado no passado, continua doente. E como qualquer mulher que se preze precisa de viver com uma vagina em condições, fui ontem com ela à Maternidade Alfredo da Costa, porque se há sítio neste País que perceba de vaginas, é lá de certeza absoluta.
A assim foi. Esperado o tempo regulamentar entrámos as duas no gabinete para a consulta, mas foi preciso alguma presença de espírito para não dar meia-volta e fugir logo no primeiro embate. É que à espera da minha vagina estavam dois pénis acabadinhos de sair da faculdade, de tal maneira novinhos, que de certeza absoluta, já a minha vagina menstruava e aqueles pénis ainda não tinham nascido.
Era evidente para todos naquela sala que aqueles dois pénis inexperientes não tinham arcaboiço para se aguentarem com uma vagina como a minha, nem mesmo com ela boa de saúde, quanto mais cheia de complicações como ela anda. Mas mesmo assim, confiei. Afinal, todos nós já passámos pelo tempo em que as nossas vaginas e os nossos pénis podiam contar apenas com muita informação teórica e pouca ou nenhuma experiência prática. E não há inexperiência que não se possa compensar com entusiasmo, vontade de experimentar coisas novas e é claro, alguma humildade.
Foi o caso. Depois de fazer o relatório de tudo aquilo por que a minha vagina já passou, ambos os pénis abandonaram o gabinete por uns cinco minutos. Estou capaz de apostar que foram ter com alguma vagina mais velha, algum pénis mais rodado, que lhes dissesse o que fazer com a minha pobre vagina. Voltaram de lá com um tratamento bem estruturado, que me deu, pelo menos para já, a esperança de uma recuperação.
Que ao menos haja essa esperança. Já que nos últimos tempos a única coisa boa que resta à minha pobre vagina e ao pobre pénis que tantas noites dorme ao lado dela, é a lembrança de tempos muito mais felizes...
A assim foi. Esperado o tempo regulamentar entrámos as duas no gabinete para a consulta, mas foi preciso alguma presença de espírito para não dar meia-volta e fugir logo no primeiro embate. É que à espera da minha vagina estavam dois pénis acabadinhos de sair da faculdade, de tal maneira novinhos, que de certeza absoluta, já a minha vagina menstruava e aqueles pénis ainda não tinham nascido.
Era evidente para todos naquela sala que aqueles dois pénis inexperientes não tinham arcaboiço para se aguentarem com uma vagina como a minha, nem mesmo com ela boa de saúde, quanto mais cheia de complicações como ela anda. Mas mesmo assim, confiei. Afinal, todos nós já passámos pelo tempo em que as nossas vaginas e os nossos pénis podiam contar apenas com muita informação teórica e pouca ou nenhuma experiência prática. E não há inexperiência que não se possa compensar com entusiasmo, vontade de experimentar coisas novas e é claro, alguma humildade.
Foi o caso. Depois de fazer o relatório de tudo aquilo por que a minha vagina já passou, ambos os pénis abandonaram o gabinete por uns cinco minutos. Estou capaz de apostar que foram ter com alguma vagina mais velha, algum pénis mais rodado, que lhes dissesse o que fazer com a minha pobre vagina. Voltaram de lá com um tratamento bem estruturado, que me deu, pelo menos para já, a esperança de uma recuperação.
Que ao menos haja essa esperança. Já que nos últimos tempos a única coisa boa que resta à minha pobre vagina e ao pobre pénis que tantas noites dorme ao lado dela, é a lembrança de tempos muito mais felizes...
segunda-feira, outubro 09, 2006
Pescadinha de rabo na boca
A flora vaginal é naturalmente ácida. É neste ambiente que se desenvolvem os bacilos Doderlein, essenciais para combater infecções por bactérias e outras porcarias.
Quando se tem uma infecção por bactérias, é preciso tomar antibiótico. Os antibióticos enfraquecem o sistema imunitário.
Quando se toma antibiótico para eliminar as bactérias, o sistema imunitário enfraquece e o organismo fica mais sujeito a infecções por fungos, como a Candida Albicans.
Quando se combate a Candida, altera-se o PH vaginal, porque o fungo não sobrevive em ambiente alcalino.
Quando se eleva o PH vaginal, matam-se os bacilos Doderlein que combatem as infecções por bactérias. As bactérias dão-se bem com ambiente alcalino.
Quando se tem uma infecção por bactérias é preciso tomar antibiótico...
Quando se tem uma infecção por bactérias, é preciso tomar antibiótico. Os antibióticos enfraquecem o sistema imunitário.
Quando se toma antibiótico para eliminar as bactérias, o sistema imunitário enfraquece e o organismo fica mais sujeito a infecções por fungos, como a Candida Albicans.
Quando se combate a Candida, altera-se o PH vaginal, porque o fungo não sobrevive em ambiente alcalino.
Quando se eleva o PH vaginal, matam-se os bacilos Doderlein que combatem as infecções por bactérias. As bactérias dão-se bem com ambiente alcalino.
Quando se tem uma infecção por bactérias é preciso tomar antibiótico...
quarta-feira, outubro 04, 2006
Fecha-se uma porta...
Depois de três épocas de natação completas que tanto bem me fizeram ao corpo e ao espírito, tenho mesmo que decretar uma interrupção dessa prática por período indeterminado.Mas já que esperei 30 anos para começar a fazer exercício físico com regularidade, deixa cá ver se não perco de vista este bom hábito. Começo hoje com o ginásio. Ginástica localizada, Aeróbica e Step.
Vou um bocado contrariada. Mas o meu inconformismo empurra-me para a frente. E melhores dias virão. Espero.
PS após primeira aula: Habituada ao exercício dentro da piscina, senti-me literalmente um peixe fora de água. Mas estou entusiasmada. Suei que nem uma camela e vim coxa da perna esquerda, é verdade. Mas por outro lado, se eu levar isto direitinho, desconfio que é desta que eu perco os tais três quilos a mais. Se é que hoje em dia são só três, que eu nunca mais fui à balança. Porquê? Porque motivos para andar deprimida já eu tenho de sobra, não preciso de mais esse...
segunda-feira, outubro 02, 2006
Crise da Segunda-Feira
Custou-me tanto hoje. Ainda estava meio escuro, e eu levantar-me sem luz do dia é um sacrifício do catano. E pensar em começar outra semana de trabalho, o mesmo trabalho, com as mesmas pessoas e os mesmos problemas eternamente sem solução, acordaram hoje ainda mais pesados do que habitualmente. Tive que recorrer à imagem mental da grua, a vir do tecto até ao nível da cama, a elevar-me em peso até me por de pé, e depois lá me levantei. Mas custou-me tanto.
Há bocado no café, enquanto tomava o pequeno-almoço, vi um garoto de uns quatro anitos aos gritos e a chorar, uma fita de todo o tamanho. A mãe teve que pegar nele ao colo e levá-lo enquanto ele esbraçejava: "NÃO QUEEEEERO! NÃO QUEEEEERO IR PARA A ESCOOOOOLA HOOOOOJE!...".
Privilégio de criança, isto de se poder fazer uma fita. Com mais 30 anos em cima, não me posso dar àquele luxo. Mas estou totalmente solidária com ele. Dentro de mim existe hoje algo dentro de mim que está igualmente aos gritos e a chorar compulsivamente. Humpf...
Há bocado no café, enquanto tomava o pequeno-almoço, vi um garoto de uns quatro anitos aos gritos e a chorar, uma fita de todo o tamanho. A mãe teve que pegar nele ao colo e levá-lo enquanto ele esbraçejava: "NÃO QUEEEEERO! NÃO QUEEEEERO IR PARA A ESCOOOOOLA HOOOOOJE!...".
Privilégio de criança, isto de se poder fazer uma fita. Com mais 30 anos em cima, não me posso dar àquele luxo. Mas estou totalmente solidária com ele. Dentro de mim existe hoje algo dentro de mim que está igualmente aos gritos e a chorar compulsivamente. Humpf...
segunda-feira, setembro 25, 2006
Cidália e Julieta
Lá no escritório ninguém gosta muito da Cidália. É um bocado burra, tem um corpo meio desconchavado e nunca diz nada que interesse aos outros à sua volta. Parece uma versão feminina do Mr. Bean. Anda sempre sozinha. As pessoas riem-se à socapa daquela figura que parece sempre deslocada na sua profissão, deslocada nas roupas que veste, deslocada nas coisas que diz quando tenta ser simpática, deslocada dentro de si mesma. Solteirona e encalhada, se ainda não tem os 40 já não falta muito de certeza. Olha-se-lhe para dentro dos olhos e não se vê nada, ninguém sabe que pessoa é, nem o que é que verdadeiramente pensa, se é que pensa alguma coisa.
A Julieta é uma das pessoas que não a grama nem à lei da bala. Não perde uma oportunidade para a reduzir à sua insignificância, de preferência puxando dos seus galões de profissional superior e do seu estatuto de mulher bem casada. No outro dia o sarcasmo roçou a crueldade, quando se referiu a um hipotético namorado, coisa que não consta que exista ou alguma vez tenha existido para a Cidália. Uma boca foleira ao género toma-lá-que-já-te-entalei, especialidade exclusiva de mulher para mulher.
A outra deu-lhe uma resposta já meio entaramelada pela timidez e respeito à hierarquia, rodou nos calcanhares e sentou-se a engolir a frustração virada para o ambiente de trabalho. É uma questão de tempo até que lhe passe pelas mãos um qualquer processo de grande importância para a Julieta, e nessa altura, alguma coisa irá desaparecer ou correr mal, por motivos que ninguém entenderá.
A anos-luz das frustrações desta insignificante Cidália (será que ainda é virgem, coitada), a bem sucedida Julieta encaminha-se para casa tarde a más horas. Não há pressas. Hoje, tal como na maior parte dos dias da semana, tem à sua espera uma casa em silêncio, só terá a companhia do marido lá para as tantas da manhã. Também ele é um homem muito bem sucedido e atarefado.
A Julieta é uma das pessoas que não a grama nem à lei da bala. Não perde uma oportunidade para a reduzir à sua insignificância, de preferência puxando dos seus galões de profissional superior e do seu estatuto de mulher bem casada. No outro dia o sarcasmo roçou a crueldade, quando se referiu a um hipotético namorado, coisa que não consta que exista ou alguma vez tenha existido para a Cidália. Uma boca foleira ao género toma-lá-que-já-te-entalei, especialidade exclusiva de mulher para mulher.
A outra deu-lhe uma resposta já meio entaramelada pela timidez e respeito à hierarquia, rodou nos calcanhares e sentou-se a engolir a frustração virada para o ambiente de trabalho. É uma questão de tempo até que lhe passe pelas mãos um qualquer processo de grande importância para a Julieta, e nessa altura, alguma coisa irá desaparecer ou correr mal, por motivos que ninguém entenderá.
A anos-luz das frustrações desta insignificante Cidália (será que ainda é virgem, coitada), a bem sucedida Julieta encaminha-se para casa tarde a más horas. Não há pressas. Hoje, tal como na maior parte dos dias da semana, tem à sua espera uma casa em silêncio, só terá a companhia do marido lá para as tantas da manhã. Também ele é um homem muito bem sucedido e atarefado.
domingo, setembro 24, 2006
"Mas vocês acham que eu ando aqui a dormir?..."

Estou deliciada com a campanha pró-vandalismo do mupi publicitário da Delta que surgiu recentemente, e que conta com a participação daquele rapaz que se diz que é humorista, um tal de Bruno Marques, ou assim.
É o jogo do "mata-esfola" a uma escala global, e isso é giro. Que é como quem diz, ai vão vandalizar isto de qualquer das maneiras, então vamos lá a fazer um concurso a ver quem é que vandaliza melhor.
Num País que tantas vezes prima pelo cinzentismo, acho notável que uma empresa tenha suficiente poder de visão para vender o seu produto recorrendo ao humor. E ainda por cima, tem a inteligência de continuar a aproveitar meios alternativos de publicidade, patrocinando um prémio para o autor do melhor acto de vandalismo.
Está tudo muito bem explicadinho aqui na chafarica do xô Marques. E para ver os vandalismos todos (que já me fartei de rir hoje), façam favor de clicar. Mas não resisto a deixar um dos que mais gostei, com a devida vénia ao autor, Manual de Deus.
quarta-feira, setembro 20, 2006
Parece anedota de loura mas não é
Certa rapariga foi a um restaurante chinês e apreciou o exotismo dos caracteres impressos nos pauzinhos da refeição.
Resolveu tatuar os ditos caracteres no pescoço. Ficou bem giro, deu-lhe um certo estilo e tal.
Quando chegou ao trabalho, tinha lá um colega de origem chinesa que traduziu aquilo para o pessoal.
Dizia "bom apetite".
Resolveu tatuar os ditos caracteres no pescoço. Ficou bem giro, deu-lhe um certo estilo e tal.
Quando chegou ao trabalho, tinha lá um colega de origem chinesa que traduziu aquilo para o pessoal.
Dizia "bom apetite".
sexta-feira, setembro 15, 2006
Literatura, palavras cruzadas e sudoku
Que o meu pai cultiva o hábito da leitura, já eu sei de há muitos anos. Palavras cruzadas, também foi sempre um passatempo preferido, tudo bem. Agora, sudoku? Ficámos de boca aberta, eu e a minha irmã. O sr. Manuel, do alto dos seus 75 anos, anda-me a fazer sudokus como se não houvesse amanhã.
"Ah e tal, os do Correio da Manhã e do Record faço com uma perna às costas. Os do 24 Horas são uma porcaria e desconfio que estão todos engatados. E os do Público são difíceis à brava, vejo-me à rasca para os fazer e muitas vezes não consigo..."
Meti a viola no saco. Sim, porque aqui esta cabeça loira que vos tecla está prontinha a varar a noite dissertando sobre questões profundas como o Existencialismo nos filósofos alemães, os dogmas e contradições da religião católica, a pintura Expressionista. Mas se me puserem daqueles quadradinhos com números à frente os meus neurónios começam a chocalhar todos uns contra os outros e o único pensamento que consigo formular é "sistem failure".
Sudoku. "Ah e tal, tenho um sistema para fazer aquilo...". E explicou como é o sistema. Não percebi patavina. Mas abençoado seja o exercício regular que ele faz ao próprio cérebro. Cheira-me que são anos ganhos de sanidade mental, e mais tempo para nós podermos desfrutar da sua companhia com boa saúde.
"Ah e tal, os do Correio da Manhã e do Record faço com uma perna às costas. Os do 24 Horas são uma porcaria e desconfio que estão todos engatados. E os do Público são difíceis à brava, vejo-me à rasca para os fazer e muitas vezes não consigo..."
Meti a viola no saco. Sim, porque aqui esta cabeça loira que vos tecla está prontinha a varar a noite dissertando sobre questões profundas como o Existencialismo nos filósofos alemães, os dogmas e contradições da religião católica, a pintura Expressionista. Mas se me puserem daqueles quadradinhos com números à frente os meus neurónios começam a chocalhar todos uns contra os outros e o único pensamento que consigo formular é "sistem failure".
Sudoku. "Ah e tal, tenho um sistema para fazer aquilo...". E explicou como é o sistema. Não percebi patavina. Mas abençoado seja o exercício regular que ele faz ao próprio cérebro. Cheira-me que são anos ganhos de sanidade mental, e mais tempo para nós podermos desfrutar da sua companhia com boa saúde.
quinta-feira, setembro 14, 2006
Ciganices
Cigana:
Venho aqui perguntar porque é que não tenho direito ao subsídio.
Funcionária Pública:
A senhora não tem direito porque o seu IRS de 2005 tem um rendimento de 15.000 €...
Cigana:
15.000 €?!?!?! Com a vida desgraçada que eu levo?... Isso não pode ser!...
Esse IRS não é meu.
Esse IRS é meu mas o contabilista enganou-se, a culpa é dele.
Dê-me uma cópia disso, não sei do original do IRS.
Roubaram-me o original quando me assaltaram o carro, partiram-me o carro todo.
E a Funcionária Pública vê-a todos os dias a almoçar no café com as quatro filhas...
Venho aqui perguntar porque é que não tenho direito ao subsídio.
Funcionária Pública:
A senhora não tem direito porque o seu IRS de 2005 tem um rendimento de 15.000 €...
Cigana:
15.000 €?!?!?! Com a vida desgraçada que eu levo?... Isso não pode ser!...
Esse IRS não é meu.
Esse IRS é meu mas o contabilista enganou-se, a culpa é dele.
Dê-me uma cópia disso, não sei do original do IRS.
Roubaram-me o original quando me assaltaram o carro, partiram-me o carro todo.
E a Funcionária Pública vê-a todos os dias a almoçar no café com as quatro filhas...
terça-feira, setembro 12, 2006
Olha! Baixou a gasolina outra vez
Mas eu hoje em dia já desconfio muito destas baixas de preço.
Cá para mim, os gajos estão só a recuar para tomarem balanço.
Cá para mim, os gajos estão só a recuar para tomarem balanço.
terça-feira, setembro 05, 2006
O meu nome é Albicans. Candida Albicans.
E tem licença para me atormentar. Ando há sete meses a lutar contra uma inflamação vaginal provocada por este fungo e estou cada vez mais desesperada. Nada resolve o problema. Já tenho que puxar muito pela cabeça para me recordar de todos os tratamentos que já fiz, de todas as substâncias que já ingeri ou apliquei, tudo o que consigo após cada tratamento são alguns dias, desta última vez então, apenas algumas horas de alívio até a inflamação voltar, sempre com mais força.
A minha esperança era que, quando me sentasse para escrever sobre este problema fosse uma coisa do género, aconteceu-me isto, resolvi desta maneira assim, assim. Um pouco até para ajudar uma desgraçada qualquer que, tal como eu, ande a circular pela internet à procura de alguma resposta que ainda ninguém deu, alguma substância activa que ainda não se experimentou, qualquer coisa, que eu por mim falo, se por esta altura me garantirem que para resolver o problema o melhor é saltar de um sítio qualquer alto, eu vou direitinha à Ponte 25 de Abril, atiro-me e nem discuto.
Mas não. Não tenho solução para apresentar. Antes agradeço qualquer contributo que surja de quem já tenha passado pelo mesmo ou saiba do que é que eu estou a falar. Porque eu já não sei o que hei-de fazer mais.
Os primeiros sintomas surgiram em finais de Janeiro. Comichão, ardor, não me espantou por aí além, eu fazia natação três vezes por semana (fazia, porque entretanto já abandonei) e as mulheres têm a chamada porta aberta para o mundo. Nestas circunstâncias, uma inflamação por Cândida é coisa corriqueira. Fui ao meu médico que me mandou aplicar o “Gyno-Pevaril” (Nitrato de Econazol). Não passou. Voltei lá, para ouvir o primeiro disparate de todo este processo. E ainda me custa mais, vindo de um médico que já me conhece há anos, e que até costuma ser tão cauteloso nos diagnósticos. Enfim. Que não havia nenhum fungo. Que o que eu tinha provavelmente era alguma ferida, provocada por uma incompatibilidade anatómica entre mim e o meu parceiro(?!). Mandou-me aplicar um outro creme, desta vez o “Travocort” (Nitrato de Isoconazol + Valerianato de Diflucortolona).
No início de Março, já a dizer mal da minha vida, virei-me para o ginecologista. Ao princípio a coisa parecia bem encaminhada. De acordo com a observação, o meu mal era Thricomonas, independentemente da existência do fungo. Lá fui eu recambiada, com comprimidos “Flagentyl” (Secnidazol) para tomar, eu e o meu parceiro, e mais 10 dias a aplicar óvulos “Flagyl”, com a mesma substância activa. Nesta altura entraram as alergias ao barulho, e já não consegui concluir o tratamento. A alergia aos óvulos foi de tal maneira que o simples facto de me limpar com papel higiénico deixava-me a amarinhar pelas paredes com comichão e ardor. Fui ter com o ginecologista de urgência que me passou para o creme “Gino-Canesten” (Clotrimazol). Melhorei. No fim deste tratamento fui fazer um exsudado vaginal pela primeira vez, e para mal dos meus pecados, cedo demais. Assim, quando me cheguei ao senhor doutor com uma análise negativa, mas a dizer-lhe que continuava a não me sentir bem, ele preferiu acreditar na análise e não em mim. Veio a segunda dose de disparates. Que eu precisava de me descontrair. Não foi por estas palavras, mas no fundo o que me foi transmitido é que o problema já não estava na vagina, mas sim na cabeça. E eu, estúpida, deixei-me convencer daquilo. Fui para casa esperar pelo resultado da citologia, tentando convencer-me que os sintomas eram todos psicológicos.
Em Abril voltei ao mesmo médico, porque me sentia cada vez pior. Fui lá perder o meu tempo e o dele. Que eu não me podia andar a lavar com anti-sépticos. Que era por isso que eu não melhorava. Areje, não se lave muito, descontraia-se, adeus e um queijo. Em Maio passei para outro ginecologista, nesta altura já totalmente deprimida. Na observação estava tudo bem, não havia motivos para. Fiquei de lhe levar o resultado da citologia, que tardava. Fui lá na semana seguinte, com mais outro resultado negativo. Palavra de honra que eu nunca imaginei receber resultados de análises que diziam estar tudo bem, e ficar desesperada a chorar agarrada aos papéis. As análises diziam uma coisa mas eu sentia outra totalmente diferente.
Acabei a repetir o esxudado por minha própria conta. E já armada em médica de mim mesma, enquanto esperava pelo resultado, comprei uma embalagem de “Sporanox” (Itraconazol), e só no primeiro dia tomei 400 mg. A seguir, 100 mg por dia, durante cinco dias. Enfim, mal não fez, mas também não resolveu.
Parei com a pílula e abandonei definitivamente a piscina (também, as vezes que lá consegui ir nos meses anteriores contaram-se pelos dedos). Em finais de Maio mudei para uma ginecologista que pelo menos tem a virtude de partilhar a minha frustração perante os insucessos. Levei-lhe uma análise positiva para Candida Albicans. Vim de lá cheia de esperança que desta vez é que era. Anti-inflamatório “Maxilaze” (Alfa-Amilase) + anti-alérgico “Xyzal” (Cloridrato de levocetirizina) durante 10 dias, seguidos de 12 dias a aplicar óvulos “Dafnegil” (Nifuratel + Nistatina). Ao mesmo tempo, uma droga nova para fazer as vezes de vacina. “Baciginal Oral”, um suplemento alimentar com probióticos, ainda pouco conhecido, e que ao fim de 12 dias me deixou cheia de urticária. Era suposto tomar aquilo 45 dias seguidos. Deixei de os tomar, terminei o resto do tratamento e tudo até levava a crer que estava resolvido, finalmente.
Tive descanso durante 10 dias. Quando fui repetir a análise já ia com a certeza do que é que me esperava. Lá voltou o resultado positivo para Candida, e a uma pesquisa por Chlamydia e por Mycoplasma, veio o resultado negativo para a primeira (alívio), mas positivo para o segundo, com um bicharoco chamado “Ureaplasma urealyticum”.
A última consulta foi em Agosto. Com a médica a dizer que já não sabe o que me há-de fazer. Tomei antibiótico “Vibramicina” (Doxicilina) para ver se mato o Mycoplasma, e tomei o “Rapamic” (Cetoconazol) durante 11 dias. A seguir reforcei com mais 12 dias de “Dafnegil”. Bastou tomar um comprimido de cada para a alergia se manifestar outra vez. Felizmente consegui controlá-la, mas só recorrendo a mais medicamento, desta feita “Atarax” (Hidroxizina). Terminei no Sábado passado, e desta vez nem tive direito a descanso. Os sintomas nunca chegaram a desaparecer totalmente, e foi uma questão de horas até se afirmarem definitivamente, a uma velocidade que eu considero ao mesmo tempo assustadora e impressionante.
Já na base do desespero vou dobrar a dose diária de “Rapamic” e engolir mais uns tantos comprimidos nos próximos dias. Anti-inflamatório “Nimed” (Nimesulida), porque não, já agora marcha também. Nesta altura já estou a rezar para não acordar amanhã de manhã cheia de manchas pelo corpo todo, mas desconfio que é o que tenho mais certo. Dizem que aplicar iogurte natural às vezes ajuda, vou experimentar isso também. E depois lá tenho eu que esperar 15 dias para repetir a análise, agora com um teste de resistência aos antifúngicos, para ver se ando a tomar alguma coisa que em vez de matar, esteja a dar de comer à bicha.
Entretanto vou virar-me também para o alergologista, porque sei lá, às tantas ando a comer alguma coisa à qual sou alérgica, e não tenho dúvidas que por esta altura o meu sistema imunitário está a precisar de uma ajuda qualquer.
O que é que falta? Qual é a análise, qual é a droga, produto químico, natural ou assim, assim, seja o que for, eu estou disposta a tudo. Haverá algum médico que saiba mais do que estes que eu tenho visitado, e tenha na manga algum tratamento eficaz para me devolver a uma vida normal? Aquela vida normal que eu passei tantos, demasiados anos sem ter, e que agora teria, não fosse isto.
O pior de tudo é pensar na possibilidade que mais me atormenta, a de que se calhar não há nada a fazer, e que a minha vida não vai passar disto. Sei que estes pensamentos negativos não me ajudam em nada. Mas a verdade é que, se há dias em que vou buscar forças não sei onde, optimismo não sei a quê, e a coisa leva-se, outros há em que já não me sinto capaz de nada. Só de me estender ali no sofá, fechar os olhos e deixar-me dormir.
A minha esperança era que, quando me sentasse para escrever sobre este problema fosse uma coisa do género, aconteceu-me isto, resolvi desta maneira assim, assim. Um pouco até para ajudar uma desgraçada qualquer que, tal como eu, ande a circular pela internet à procura de alguma resposta que ainda ninguém deu, alguma substância activa que ainda não se experimentou, qualquer coisa, que eu por mim falo, se por esta altura me garantirem que para resolver o problema o melhor é saltar de um sítio qualquer alto, eu vou direitinha à Ponte 25 de Abril, atiro-me e nem discuto.
Mas não. Não tenho solução para apresentar. Antes agradeço qualquer contributo que surja de quem já tenha passado pelo mesmo ou saiba do que é que eu estou a falar. Porque eu já não sei o que hei-de fazer mais.
Os primeiros sintomas surgiram em finais de Janeiro. Comichão, ardor, não me espantou por aí além, eu fazia natação três vezes por semana (fazia, porque entretanto já abandonei) e as mulheres têm a chamada porta aberta para o mundo. Nestas circunstâncias, uma inflamação por Cândida é coisa corriqueira. Fui ao meu médico que me mandou aplicar o “Gyno-Pevaril” (Nitrato de Econazol). Não passou. Voltei lá, para ouvir o primeiro disparate de todo este processo. E ainda me custa mais, vindo de um médico que já me conhece há anos, e que até costuma ser tão cauteloso nos diagnósticos. Enfim. Que não havia nenhum fungo. Que o que eu tinha provavelmente era alguma ferida, provocada por uma incompatibilidade anatómica entre mim e o meu parceiro(?!). Mandou-me aplicar um outro creme, desta vez o “Travocort” (Nitrato de Isoconazol + Valerianato de Diflucortolona).
No início de Março, já a dizer mal da minha vida, virei-me para o ginecologista. Ao princípio a coisa parecia bem encaminhada. De acordo com a observação, o meu mal era Thricomonas, independentemente da existência do fungo. Lá fui eu recambiada, com comprimidos “Flagentyl” (Secnidazol) para tomar, eu e o meu parceiro, e mais 10 dias a aplicar óvulos “Flagyl”, com a mesma substância activa. Nesta altura entraram as alergias ao barulho, e já não consegui concluir o tratamento. A alergia aos óvulos foi de tal maneira que o simples facto de me limpar com papel higiénico deixava-me a amarinhar pelas paredes com comichão e ardor. Fui ter com o ginecologista de urgência que me passou para o creme “Gino-Canesten” (Clotrimazol). Melhorei. No fim deste tratamento fui fazer um exsudado vaginal pela primeira vez, e para mal dos meus pecados, cedo demais. Assim, quando me cheguei ao senhor doutor com uma análise negativa, mas a dizer-lhe que continuava a não me sentir bem, ele preferiu acreditar na análise e não em mim. Veio a segunda dose de disparates. Que eu precisava de me descontrair. Não foi por estas palavras, mas no fundo o que me foi transmitido é que o problema já não estava na vagina, mas sim na cabeça. E eu, estúpida, deixei-me convencer daquilo. Fui para casa esperar pelo resultado da citologia, tentando convencer-me que os sintomas eram todos psicológicos.
Em Abril voltei ao mesmo médico, porque me sentia cada vez pior. Fui lá perder o meu tempo e o dele. Que eu não me podia andar a lavar com anti-sépticos. Que era por isso que eu não melhorava. Areje, não se lave muito, descontraia-se, adeus e um queijo. Em Maio passei para outro ginecologista, nesta altura já totalmente deprimida. Na observação estava tudo bem, não havia motivos para. Fiquei de lhe levar o resultado da citologia, que tardava. Fui lá na semana seguinte, com mais outro resultado negativo. Palavra de honra que eu nunca imaginei receber resultados de análises que diziam estar tudo bem, e ficar desesperada a chorar agarrada aos papéis. As análises diziam uma coisa mas eu sentia outra totalmente diferente.
Acabei a repetir o esxudado por minha própria conta. E já armada em médica de mim mesma, enquanto esperava pelo resultado, comprei uma embalagem de “Sporanox” (Itraconazol), e só no primeiro dia tomei 400 mg. A seguir, 100 mg por dia, durante cinco dias. Enfim, mal não fez, mas também não resolveu.
Parei com a pílula e abandonei definitivamente a piscina (também, as vezes que lá consegui ir nos meses anteriores contaram-se pelos dedos). Em finais de Maio mudei para uma ginecologista que pelo menos tem a virtude de partilhar a minha frustração perante os insucessos. Levei-lhe uma análise positiva para Candida Albicans. Vim de lá cheia de esperança que desta vez é que era. Anti-inflamatório “Maxilaze” (Alfa-Amilase) + anti-alérgico “Xyzal” (Cloridrato de levocetirizina) durante 10 dias, seguidos de 12 dias a aplicar óvulos “Dafnegil” (Nifuratel + Nistatina). Ao mesmo tempo, uma droga nova para fazer as vezes de vacina. “Baciginal Oral”, um suplemento alimentar com probióticos, ainda pouco conhecido, e que ao fim de 12 dias me deixou cheia de urticária. Era suposto tomar aquilo 45 dias seguidos. Deixei de os tomar, terminei o resto do tratamento e tudo até levava a crer que estava resolvido, finalmente.
Tive descanso durante 10 dias. Quando fui repetir a análise já ia com a certeza do que é que me esperava. Lá voltou o resultado positivo para Candida, e a uma pesquisa por Chlamydia e por Mycoplasma, veio o resultado negativo para a primeira (alívio), mas positivo para o segundo, com um bicharoco chamado “Ureaplasma urealyticum”.
A última consulta foi em Agosto. Com a médica a dizer que já não sabe o que me há-de fazer. Tomei antibiótico “Vibramicina” (Doxicilina) para ver se mato o Mycoplasma, e tomei o “Rapamic” (Cetoconazol) durante 11 dias. A seguir reforcei com mais 12 dias de “Dafnegil”. Bastou tomar um comprimido de cada para a alergia se manifestar outra vez. Felizmente consegui controlá-la, mas só recorrendo a mais medicamento, desta feita “Atarax” (Hidroxizina). Terminei no Sábado passado, e desta vez nem tive direito a descanso. Os sintomas nunca chegaram a desaparecer totalmente, e foi uma questão de horas até se afirmarem definitivamente, a uma velocidade que eu considero ao mesmo tempo assustadora e impressionante.
Já na base do desespero vou dobrar a dose diária de “Rapamic” e engolir mais uns tantos comprimidos nos próximos dias. Anti-inflamatório “Nimed” (Nimesulida), porque não, já agora marcha também. Nesta altura já estou a rezar para não acordar amanhã de manhã cheia de manchas pelo corpo todo, mas desconfio que é o que tenho mais certo. Dizem que aplicar iogurte natural às vezes ajuda, vou experimentar isso também. E depois lá tenho eu que esperar 15 dias para repetir a análise, agora com um teste de resistência aos antifúngicos, para ver se ando a tomar alguma coisa que em vez de matar, esteja a dar de comer à bicha.
Entretanto vou virar-me também para o alergologista, porque sei lá, às tantas ando a comer alguma coisa à qual sou alérgica, e não tenho dúvidas que por esta altura o meu sistema imunitário está a precisar de uma ajuda qualquer.
O que é que falta? Qual é a análise, qual é a droga, produto químico, natural ou assim, assim, seja o que for, eu estou disposta a tudo. Haverá algum médico que saiba mais do que estes que eu tenho visitado, e tenha na manga algum tratamento eficaz para me devolver a uma vida normal? Aquela vida normal que eu passei tantos, demasiados anos sem ter, e que agora teria, não fosse isto.
O pior de tudo é pensar na possibilidade que mais me atormenta, a de que se calhar não há nada a fazer, e que a minha vida não vai passar disto. Sei que estes pensamentos negativos não me ajudam em nada. Mas a verdade é que, se há dias em que vou buscar forças não sei onde, optimismo não sei a quê, e a coisa leva-se, outros há em que já não me sinto capaz de nada. Só de me estender ali no sofá, fechar os olhos e deixar-me dormir.
quinta-feira, agosto 31, 2006
Caramba
Por inspiração doutro amigo, aqui fica a letra completa, porque não há dúvida que o Sérgio Godinho é tão bom, tão bom, mas tão bom, que o melhor mesmo é fazer a vénia e ficar calada:
"Ó senhor da loja
já que a vida é curta
diga-me lá, se souber
quantos metros tem a dor
E já que ainda por cima
a vida é pesada
diga-me lá, se puder
quantos quilos tem o amor
E já que a paciência
tem os seus limites
diga-me lá quantos são
que é p'ra eu saber se espero ou não
quando for desesperar
Já que a vida é curta
e o futuro, diz que está aqui já
(sei lá)
já que o futuro vêm
em peças separadas p'ra montar
(ah! ah! ah! ah!)
antes que se esgote
reserve desde já o seu exemplar
Caramba
está-se p'raqui a dançar na corda bamba
sem se saber para que lado é que se cai
nem com que pé é que se samba
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é bela
diga-me lá se souber
em que espelho a devo olhar
Mas se por outro lado
diz que a vida é dura
arranje-me aí, se tiver
um capacete p'ra eu marrar
E já que a vida é feita
de pequenos nadas
guarde-me aí quatro ou cinco
que é p'ra quando for domingo
eu os poder saborear
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é breve
arranje-me aí os ponteiros
dum relógio que atrasar
E já que no fundo
vai tudo dar ao mesmo
diga-me se o mesmo é mesmo
tudo o que ainda vai mudar
E já que é preciso
deitar contas à vida
desconte-me aí os meses
em que apenas fiz às vezes
doutro que não era eu"
E já agora um beijo grande para outro Pedro, que hoje precisa de toda a música deste mundo. Andamos todos na corda bamba, meu amigo.
"Ó senhor da loja
já que a vida é curta
diga-me lá, se souber
quantos metros tem a dor
E já que ainda por cima
a vida é pesada
diga-me lá, se puder
quantos quilos tem o amor
E já que a paciência
tem os seus limites
diga-me lá quantos são
que é p'ra eu saber se espero ou não
quando for desesperar
Já que a vida é curta
e o futuro, diz que está aqui já
(sei lá)
já que o futuro vêm
em peças separadas p'ra montar
(ah! ah! ah! ah!)
antes que se esgote
reserve desde já o seu exemplar
Caramba
está-se p'raqui a dançar na corda bamba
sem se saber para que lado é que se cai
nem com que pé é que se samba
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é bela
diga-me lá se souber
em que espelho a devo olhar
Mas se por outro lado
diz que a vida é dura
arranje-me aí, se tiver
um capacete p'ra eu marrar
E já que a vida é feita
de pequenos nadas
guarde-me aí quatro ou cinco
que é p'ra quando for domingo
eu os poder saborear
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é breve
arranje-me aí os ponteiros
dum relógio que atrasar
E já que no fundo
vai tudo dar ao mesmo
diga-me se o mesmo é mesmo
tudo o que ainda vai mudar
E já que é preciso
deitar contas à vida
desconte-me aí os meses
em que apenas fiz às vezes
doutro que não era eu"
E já agora um beijo grande para outro Pedro, que hoje precisa de toda a música deste mundo. Andamos todos na corda bamba, meu amigo.
quarta-feira, agosto 30, 2006
Pequenos prazeres de Verão
Sair pela manhã sem pressas e encontrar a rua em silêncio.
Ter os chefes todos de férias, o que permite desenvolver imenso trabalho.
Ver o "CSI" (o original. Há outros?...) no AXN todos os dias às 18h30.
Assistir à chegada de todos os colegas que andaram de férias em Agosto, e ir de férias logo a seguir.
Ter os chefes todos de férias, o que permite desenvolver imenso trabalho.
Ver o "CSI" (o original. Há outros?...) no AXN todos os dias às 18h30.
Assistir à chegada de todos os colegas que andaram de férias em Agosto, e ir de férias logo a seguir.
sábado, agosto 26, 2006
Penso eu de que
Qual Belenenses, qual Gil Vicente, qual Leixões. Quanto a mim, a melhor maneira de resolver estas questões futeboleiras é chamar o último classificado da 2.ª Divisão para a 1.ª Divisão. Nem sei qual é o clube, mas esse é que devia ocupar o lugar. Os outros ficavam a discutir uns com os outros no degrau de baixo.
Ou isto, ou irem os dirigentes desportivos em questão governarem-se todos com o salário mínimo nacional durante a próxima época.
Ou isto, ou irem os dirigentes desportivos em questão governarem-se todos com o salário mínimo nacional durante a próxima época.
terça-feira, agosto 22, 2006
O poder de Deus
Hoje de manhã passei por um cartaz com marketing religioso interessante:
Achei honesto. Ou seja, a malta que já anda mal, vai à Igreja Maná para se por pior.
"De mal a pior
Vá a uma Igreja Maná"
Achei honesto. Ou seja, a malta que já anda mal, vai à Igreja Maná para se por pior.
sexta-feira, agosto 18, 2006
E porque os dias 17 trazem sempre qualquer coisa...
Ontem, estando a minha casa à venda há mais de um ano, ficou agendada pela primeiríssima vez a visita de um potencial interessado.
É agora, às 17h30.
É agora, às 17h30.
quinta-feira, agosto 17, 2006
A cor do dinheiro
Para mim é sempre cor de burro quando foge. Isto porque normalmente, mal olho para ele, já ele vai a fugir para um lado qualquer.
E sinceramente, as minhas ambições em matéria de dinheiro são do mais básico que pode haver. Não sinto falta de grandes fortunas, que devem dar um trabalhão a gerir. O que eu gostava mesmo (mas mesmo, mesmo!), era de não precisar de contar tostões.
Por um lado, há a noção de que poupar é importante. Por outro, há em mim um espírito consumista desenfreado que tenho que andar constantemente a vigiar, mas que também tenho que libertar de vez em quando, para não viver por aí cheia de frustrações e deprimida. Depois, há as preocupações com o futuro, a necessidade que ultimamente tenho (infelizmente) de deixar quantidades obscenas de dinheiro em consultórios médicos e na farmácia (um dia destes falarei disto). E ainda as coisas que legitimamente preciso de comprar, e onde terei que gastar dinheiro mais tarde ou mais cedo.
Ora, isto é muita coisa para uns certos 50 euros que me vieram parar ao bolso este mês. O meu lado precavido diz-me para os deixar sossegadinhos, que se eu andasse a poupar 50 euros todos os meses desde o início do ano, por esta altura já tinha 400 euros guardados. Mas nisto vem o meu lado consumista aos gritos, a lembrar que há uma camisola LINDA, com uma cor FANTÁSTICA na nova colecção da Lanidor, que AINDA DESAPARECE se eu não for a correr buscá-la.
Outra voz mais pragmática, ecoa em mim com relatórios pormenorizados das centenas de euros já gastos no dito problema de saúde, sem perspectivas de quando irá terminar esta nova despesa fixa que apareceu na minha vida. E uma outra diz-me que tenho uns sapatos capazes de irem para o lixo, de moldes que se é para gastar, que seja numa coisa que realmente me faz falta, tipo uns sapatos novos, e além disso ainda estão uns diazitos de férias programados lá para Setembro...
Tudo o que eu queria era ter podido comprar a camisola no instante em que a vi, os sapatos no dia seguinte, ter uma reserva de dinheiro confortável para fazer face a despesas inesperadas, tais como problemas de saúde ou outra coisa qualquer, e ir de férias quando me apeteça sem estar para me ralar muito com o assunto.
Assim como assim, o mais certo é andar aqui a fazer ginástica com os ditos 50 euros, a ver se eles chegam para os almoços e os cafés, e rezar para que venha depressa o ordenado de Agosto.
Vidas!...
PS: Aceitam-se propostas. O que fazer aos 50 €?
a) Guardá-los muito bem guardadinhos
b) Derretê-los em roupa
c) Derretê-los em sapatos
d) Guardá-los para derreter nas férias
e) Guardá-los para derreter na farmácia
E sinceramente, as minhas ambições em matéria de dinheiro são do mais básico que pode haver. Não sinto falta de grandes fortunas, que devem dar um trabalhão a gerir. O que eu gostava mesmo (mas mesmo, mesmo!), era de não precisar de contar tostões.
Por um lado, há a noção de que poupar é importante. Por outro, há em mim um espírito consumista desenfreado que tenho que andar constantemente a vigiar, mas que também tenho que libertar de vez em quando, para não viver por aí cheia de frustrações e deprimida. Depois, há as preocupações com o futuro, a necessidade que ultimamente tenho (infelizmente) de deixar quantidades obscenas de dinheiro em consultórios médicos e na farmácia (um dia destes falarei disto). E ainda as coisas que legitimamente preciso de comprar, e onde terei que gastar dinheiro mais tarde ou mais cedo.
Ora, isto é muita coisa para uns certos 50 euros que me vieram parar ao bolso este mês. O meu lado precavido diz-me para os deixar sossegadinhos, que se eu andasse a poupar 50 euros todos os meses desde o início do ano, por esta altura já tinha 400 euros guardados. Mas nisto vem o meu lado consumista aos gritos, a lembrar que há uma camisola LINDA, com uma cor FANTÁSTICA na nova colecção da Lanidor, que AINDA DESAPARECE se eu não for a correr buscá-la.
Outra voz mais pragmática, ecoa em mim com relatórios pormenorizados das centenas de euros já gastos no dito problema de saúde, sem perspectivas de quando irá terminar esta nova despesa fixa que apareceu na minha vida. E uma outra diz-me que tenho uns sapatos capazes de irem para o lixo, de moldes que se é para gastar, que seja numa coisa que realmente me faz falta, tipo uns sapatos novos, e além disso ainda estão uns diazitos de férias programados lá para Setembro...
Tudo o que eu queria era ter podido comprar a camisola no instante em que a vi, os sapatos no dia seguinte, ter uma reserva de dinheiro confortável para fazer face a despesas inesperadas, tais como problemas de saúde ou outra coisa qualquer, e ir de férias quando me apeteça sem estar para me ralar muito com o assunto.
Assim como assim, o mais certo é andar aqui a fazer ginástica com os ditos 50 euros, a ver se eles chegam para os almoços e os cafés, e rezar para que venha depressa o ordenado de Agosto.
Vidas!...
PS: Aceitam-se propostas. O que fazer aos 50 €?
a) Guardá-los muito bem guardadinhos
b) Derretê-los em roupa
c) Derretê-los em sapatos
d) Guardá-los para derreter nas férias
e) Guardá-los para derreter na farmácia
domingo, agosto 13, 2006
Finalmente, subi na vida!
A chefe maior lá da minha xafarica, ou melhor dizendo, a que detém maior grau de autoridade (não lhe chamaria propriamente maior), foi de férias. A que está abaixo dela ainda está de férias amanhã.
A minha chefe está de férias, assim como quase todo o pessoal à minha volta. A encarregada da limpeza também está de férias.
Andava por lá uma mosca, um bocado maçadora, que já há uns tempos que não a vejo, vai na volta resolveu ir de férias.
Talvez porque não está lá quase ninguém. Ou então não. Amanhã sou Directora de Departamento!!
A minha chefe está de férias, assim como quase todo o pessoal à minha volta. A encarregada da limpeza também está de férias.
Andava por lá uma mosca, um bocado maçadora, que já há uns tempos que não a vejo, vai na volta resolveu ir de férias.
Talvez porque não está lá quase ninguém. Ou então não. Amanhã sou Directora de Departamento!!
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