
quinta-feira, setembro 20, 2007
Porque é que eu gosto do José Mourinho

terça-feira, setembro 18, 2007
Barulho e mau cheiro
Mas o que me vem incomodando mais nos últimos dias nem é tanto o ritmo. É o barulho. São os telefones a tocar todos ao mesmo tempo, as pessoas que não param de entrar e sair e que vêm sempre aos magotes, e depois como está muita gente toda junta a falar, as pessoas vão falando cada vez mais alto para se fazerem ouvir, às tantas está tudo aos gritos (inclusive eu), e ninguém percebe bem porquê.
E depois há o outro problema desta rentrée. Será que é deste tempo de calor húmido, ou serei eu que com a idade estou a ficar mais sensível? É que a mim anda-me a cheira tudo mal. As casas de banho cheiram-me todas mal, entro nos cafés ou em qualquer espaço fechado e os ambientes estão carregados de um mau cheiro que nem se consegue definir bem, se são as pessoas, ou a comida, ou tudo junto, sei lá. Só sei que ando cá com uma sensibilidade olfactiva que não me anda a facilitar nada a vida. Não suporto certas pessoas a falarem muito perto de mim, então se há coisa que eu não suporte é mau hálito... E nas filas para o multibanco? Ui! É cá uma profusão de "aromas"!...
Estou hipersensível dos ouvidos e do nariz. Enfim, podia dar-me para pior. Mas então, como termino eu o dia de hoje? Numa reunião de condomínio do prédio que já vendi, realizada em vésperas de eu ir fazer a escritura de venda. E do que é que se falou durante a reunião? De barulho e de mau cheiro, basicamente.
E a discussão às tantas tornou-se um bocado barulhenta, de facto. Pode inclusivamente dizer-se que... chegou a cheirar mal. De moldes que está tudo dentro da normalidade, creio eu...
terça-feira, setembro 11, 2007
O "Pequeno T2" dá-me nos nervos cá duma maneira...
E a coisa até que começa bem, o pior é depois. Senão vejamos:
"Eu sonhei que o mundo estava a acabar,
E isso fez-me pensar em tudo o que me resta fazer.
Lamentei tudo o que não fiz.
Vou fintar qualquer obstáculo para concretizar os meus sonhos."
Eh pá, até aqui sim senhor. Se bem que esta visão do final da vida e o desgosto do que está por fazer, esteja mais para uma crise de meia-idade do que propriamente para um jovem na casa dos vintes, em que tudo o que lhe resta fazer ainda pode muito bem vir a acontecer. Mas isso, as crises existenciais não têm idade para aparecer, e portanto o que conta é essa vontade firme, grande, de fintar os obstáculos e concretizar os sonhos. Muito bem! Assim é que é! Com uma vontade destas, só pode ter um grande futuro pela frente! E o que vai ser, jovem, por onde vais começar nessa empreitada gloriosa de tomar a tua vida nas próprias mãos? O que é? O que é?!...
"Apenas tenho que virar
A minha vida de pernas para o ar,
E procurar uma casa para eu morar
Um pequeno T2,
Onde podemos viver os dois.
Com vista para o mar e o jardim.
Um carro com tecto de abrir."
Ah... Mas então... Era só isso?... Deixa cá ver. Vais fintar qualquer obstáculo para concretizar os teus sonhos, e o que tu queres é um... um pequeno T2? Pequeno? Mas pequeno, em que sentido? Pequeno, assim, tipo, como é que eu hei-de dizer isto... pequenino? A sério? Ok, se queres com vista para o mar e com jardim, não podes estar à espera de milagres, mas ainda assim... Um carro com tecto de abrir? É quanto basta? Não estaremos com as expectativas um bocadito, ah... hum... pequeninas?...
"Tenho que virar
A minha vida de pernas para o ar,
E procurar uma casa para eu morar."
Pronto, sim senhor, no fundo eu até te entendo. Sem casa e sem carro, fica difícil arranjar um local apropriado para ter sexo. Não há condições. Pronto jovem, olha, vai em frente, vira lá a vida de pernas para o ar, e compra a casita, enfim, sempre vale mais isso do que andares por aí metido na droga.
"Só me falta arranjar um emprego
Para poder estar contigo, só contigo!
Vou tentar encontrar."
Espera lá, que eu agora é que estou mesmo baralhada. Não devo ter percebido bem, só pode ser. Dizias tu que só te falta arranjar o quê? Só te falta? Arranjar um emprego? Portanto, só te falta arranjar essa questãozita de pormenor, que por acaso é a fonte de financiamento para os teus sonhos: o belo do pequeno T2 e o carro com tecto de abrir. Então quer-se dizer, o menino ainda não tem trabalho? Está giro, e tal. Mas também tem razão, quem está disposto a saltar qualquer obstáculo, e a virar a vida de pernas para o ar à procura da casinha, como é que depois tem cabeça para mais, não é?...
Portantos, a ver se eu percebi bem (que eu hoje estou muito lenta): ah e tal, quero uma casa e um carro, nada de muito exagerado que eu sou meiguinho a pedir, a casa até pode ser pequenina desde que fique junto ao mar e tenha muito verde à volta, o carro tem que ter tecto de abrir. Para poder estar contigo, que eu sou muito romântico. Pronto, já defini estes objectivos fundamentais para o meu projecto de vida. Agora, vamos às questões, vá lá, secundárias: O que é que falta? Eh pá, acho que já só me falta uma coisa, tipo, como é que se chama aquilo... Exacto! Um emprego! Só me falta arranjar um emprego, que é aquela coisa das nove às cinco que a malta faz aos dias de semana e que dá um dinheirito ao fim do mês para pagar o pequeno T2! Então, o que é que eu, rapaz firme e determinado vou fazer? Vou tentar encontrar. Vou tentar, que eu também não estou assim para me maçar muito com pormenores. Se encontrar, encontro, se não encontrar, paciência. Vou tentar. Porque isso foi o que eu determinei, vou fintar qualquer obstáculo, portanto, vou tentar encontrar. Um emprego. Porque o resto está tudo, agora só falta mesmo isto.
"Tenho que virar
A minha vida de pernas para o ar,
E procurar uma casa para eu morar."
A sério, quanto mais penso nisto mais esmagada fico com o peso destas palavras. Dilthey? Nietzsche? Sartre? Heidegger? Meus amigos, esqueçam-nos a todos, pertencem ao passado! Ricardo Azevedo. É este o nome de vulto do Existencialismo no Século XXI!!...
segunda-feira, setembro 10, 2007
Cinzas
Porém, vivo melhor sem ti.
Estar próxima de ti tornou-me sempre em alguém pior do que sou.
E tu, nunca quiseste ser diferente daquilo que serias, comigo longe.
Vives melhor sem mim.
Estive demasiado tempo mergulhada no teu abismo.
Subi a pulso, caí e tornei a cair, cheguei ao cume.
Lambi as feridas, sacudi o pó, segui em frente.
Não volto para trás.
E no entanto, adivinho-te os passos.
Não sei como sei, mas sei, minutos antes de dobrar a esquina,
que vou cruzar-me contigo nesse dia.
Falamos de banalidades.
Já não vale a pena dizer as coisas que não se disseram quando deveriam ter sido ditas.
Ou então nada mais se diz porque tudo foi dito, e repetido vezes a mais.
Olhamo-nos nos olhos, temos essa coragem.
Nesses momentos, há algo em mim que te reconhece.
Continuas a ser o maior mistério da minha vida.
És como a marca de nascença que trago no braço esquerdo.
Raramente me lembro que a tenho.
Mas ela faz parte de mim.
Deu-me hoje para escrever esta banalidade.
Às vezes, sonho contigo.
sábado, setembro 08, 2007
Na volta do correio
Finalmente, chegou uma factura do Gás para pagar (não sei porquê, passaram-se meses sem que aparecesse uma).
De ontem para hoje, os pais da Madalena passaram de bestiais a bestas, e o Papa parece que já não quer nada com eles.
Estou pobre e miserável até ao dia 19 deste mês, nesse dia faço a escritura de venda da minha casa, a seguir a isso fico podre de rica, e logo a seguir começa a desaparecer dinheiro que me vai deixar pobre e miserável outra vez, e num estado muito mais permanente, mas ao menos vou ter uma casa nova.
Preciso de ir às compras. Não tenho ovos, nem fruta, nem uma série de outras coisas que eu ainda não dei conta, mas que de certeza me vão fazer uma falta desgraçada.
Assinalei esta tarde, com um Magnum Essence, o fim de uma série de dias repletos dos mais variados disparates de ordem alimentar, merecendo particular destaque a ingestão diária de batatas fritas (a regra manda que, no máximo, só coma disso numa refeição por semana). O jantar hoje é pescada cozida. Sem ovo nem legumes, dadas as carências mencionadas acima.
Afinal, a Madre Teresa de Calcutá também tinha dúvidas sobre Deus. E isso faz com que eu passe a estar interessada na Madre Teresa de Calcutá. A ver se o raio do livro chega cá rapidamente.
Vai-me saber maravilhosamente o meu colchão, que o sítio era muito jeitoso, e tal, mas o colchão não valia a ponta de um caracol. E no entanto, será algo estranho não acordar amanhã às sete e meia, ao som de um invariável "pai, tenho fome!".
Morreu o Luciano Pavaroti.
Não chegaram as cartas que eu queria que chegassem, e sem elas não me sinto verdadeiramente na rentrée.
Segunda-Feira tenho que ir trabalhar. Amanhã tenho que limpar a casa.
Não acertei no Euromilhões.
sábado, setembro 01, 2007
quarta-feira, agosto 29, 2007
Corta-mato
Agora... dado o tempo prolongado que o pelo tem tido disponível para crescer à vontade, não sei se a senhora amanhã se desenrasca com as bandas de cera fria, ou se não terá que recorrer ao corta-relva...
sexta-feira, agosto 17, 2007
O dilema da maternidade
Levei a minha vida toda a assistir ao comportamento habitual das mulheres, ou mesmo raparigas, à volta dos bébés. Muitos "hiis", e "oh, tão querido", e "que fofo", e toda a gente a querer pegar na criatura, fazer festinhas, dar beijinhos. Não é que eu às vezes não gostasse de comungar desse mundo de encantamento a que tantas mulheres se entregam perante um bebé de colo, até porque a sensação de exclusão é inevitável. Mas a verdade é que não me identifico minimamente com essas reacções. Não acho piada nenhuma a bébés. São totalmente dependes para tudo, desde o comer ao lavar, ao xixi e ao cócó, não falam, não interagem praticamente, e eu não lhes encontro ponto absolutamente nenhum de interesse. Pronto, já deve estar muita gente a ler isto e a olhar de lado. É o costume, mas é assim que eu me sinto e quanto a isso não há nada a fazer.
Ser mãe é uma possibilidade que, quando eu me ponho a pensar nisto mais a sério, me deixa aterrorizada. Não estou a exagerar. Fisicamente, acho que é um processo do mais violento que pode haver. E não falo só do parto, falo de todos os meses de gravidez que poderão implicar (cumulativamente ou não), dores no peito, prisão de ventre, ou em alternativa diarreia, náuseas, vómitos, dores nos rins, inchaço das mãos, dos pés, manchas na pele, aumento de peso, e isto se à partida não houver problemas de saúde associados, tais como a diabetes ou a hipertensão arterial. Depois, a perspectiva existencialista da coisa. Surge uma outra pessoa na nossa vida à qual ficaremos vinculados para sempre. Para o resto da vida. Nunca mais acaba, nem se pode interromper, nem devolver, nem nada. É para o resto da vida. Tipo, não sei se já disse, para o reeeeeessto da vidaaaaaaaaa!...
Ah e tal, mas ser mãe é maravilhoso. E ser pai também. Toda a gente me diz isso e eu acredito, sinceramente. Há-de ser com certeza um sentimento do mais avassalador que pode existir, nem pode ser doutra maneira. Pois se eu convivo com o filho do meu companheiro e já sinto por ele uma ternura tão grande, o que seria então com o tal ser que sairia de dentro de mim? E senão fosse esse sentimento, como é que alguém aguentava a violência de assegurar o bem-estar de um ser humano nos seus primeiros meses de existência? Eu respeito o mais possível este sentimento tão incondicional, e esta generosidade de gerar e criar uma outra pessoa para o mundo, mas... Será que eu quero isto para a minha vida?
Tenho muitas amigas com filhos, aliás, acho que hoje em dia não tenho nenhuma que não os tenha já. E oiço falar muito sobre aquilo que eu muitas vezes chamo, ironicamente, de "delícias da maternidade". Das birras e dos gritos, do acordar de madrugada para dar comida, adormecer, mudar fralda, mudar a roupa da cama porque houve xixi, limpar vomitado, ir para o hospital porque está doente, etc., etc., etc., mas já se sabe, ter filhos é maravilhoso. E eles compensam isso tudo. Ainda assim, as minhas amigas que têm filhos lá se vão queixando que não dormem, não têm tempo para mais nada, que não conseguem ir ao cinema ou sair para jantar (mas em contrapartida passaram a ter que arranjar tempo para andarem numa correria doida e levarem os filhos à natação e ao ballet e ao taekwondo e à música e à ginásticae ao inglês), vivem angustiadas com as doenças e os almoços e os jantares, e as horas dos banhos, e se eles saem agasalhados ou com roupa demais, e muitas vezes ficam tão cansadas que já nem têm cabeça para se preocuparem com mais nada nas suas vidas. Eu respeito em absoluto se este dia-a-dia as completa e a presença dos filhos as compensa de todas as dificuldades, mas eu pergunto-me, será que isto me completaria e compensaria a mim? Tenho a certeza que não. Se eu nunca for mãe, ficam a faltar-me vivências muito especiais e únicas, sem dúvida. Mas quando olho para isto tudo em perspectiva há sempre uma voz cá dentro a dizer que eu não quero este dia-a-dia para a minha vida. E aposto, aposto, que há muitas mulheres que tiveram filhos porque sim, e que vivem a carregar as frustrações da vida que gostariam de ter e não tiveram, mas que continuam a dizer, com toda a sinceridade, que ser mãe é maravilhoso. Mas se calhar muitas delas vão ficar a dever muito a elas próprias. Não sei, fico muitas vezes com esta impressão.
Há quarenta anos atrás as mulheres tiveram que batalhar muito para ganharem o seu lugar no mundo do trabalho. Porque não queriam estar reduzidas à casa, ao marido e aos filhos, queriam mais. Vejo hoje em dia que o fenómeno está invertido. Olho à minha volta e o que não faltam são mulheres que vêm trabalhar todos os dias simplesmente porque tem de ser, porque o salário do marido não chega para o orçamento familiar. Mas o que elas queriam mesmo era a casa, o marido e os filhos, e isso lhes bastaria. Esta é a parte que mais me custa a entender. Respeito, claro, que cada um realiza-se na vida conforme queira e o leque de opções é muito vasto, mas entender, não entendo.
(Ia no outro dia no comboio e uma senhora a meu lado falava em tom aprovador duma jovem mãe que teve o primeiro filho e gozou do tempo máximo de licença de maternidade que lhe foi permitido, a saber, três anos. Então, programou a chegada do segundo filho para o final dessa primeira licença, e prepara-se para se mandar para mais três anos de licença. Com um bocado de sorte, com o marido a ficar cada vez melhor na empresa, a dita senhora já nem pensa verdadeiramente em voltar a trabalhar. E eu, que até ia meio a dormir no comboio, com a perspectiva de ficar seis anos seguidos só dedicada aos filhos e à casa, bateu-me uma espertina que já não me deu descanso até ao fim da viagem! :-) )
Do meu ponto de vista estas mulheres, enquanto indivíduos, constroem-se muito pouco. E quando um dia destes as circunstâncias mudarem, os filhos forem à sua vida, ou o marido deixar de garantir o rendimento da família, ou pura e simplesmente a relação terminar... Bom, nessa altura o que restará, se não cultivarem um pouco a própria individualidade?
Eu gosto muito do meu trabalho. E tenho ambições de carreira. Adoro estudar. Se a vida me corresse bem nos próximos tempos, no espaço de três anos ia fazer o mestrado. E assumo que é neste tipo de projectos que me sinto plenamente realizada. É pensar nestas coisas que me enche o coração de energia, não é pensar que posso vir a ter um bébé para criar. É claro que um filho não representa necessariamente o fim de uma carreira profissional, ou de outros projectos que a pessoa tenha. Mas implica o tal compromisso para a vida, que necessariamente traz alterações profundas e reduz muito a liberdade individual. E contrariamente à ideia (ainda) vigente, de que o grande objectivo da nossa vida é crescermos e multiplicarmo-nos, acho que a minha própria existência, mesmo sem filhos, faz todo o sentido só por si. Não acho nada que seja egoísmo, é uma preservação do valor que todos nós temos, enquanto indivíduos.
Onde está, então, o dilema? Está no raio do prazo de validade. Passei os vinte e os trinta com esta ideia de que para já não, e um dia mais tarde logo se vê, pode ser que a vontade surja sabe-se lá de onde. É que eu tenho plena consciência de que, se a tal mulher que abdica dela própria pelos filhos virá de certeza a pagar a factura de não se ter a si msma, eu poderei vir a pagar a factura do arrependimento, quando o meu corpo me fechar a porta a essa possibilidade. Os 35 já vão a caminho de 36, e sei muito bem que não existem decisões inconsequentes...
É claro que, se quiser, arranjo já aqui dezenas de factores circunstanciais, relacionados com a minha actual e anteriores relações, que declaram a maternidade como algo que ainda nunca fez sentido algum colocar em agenda. Por diferentes ordens de razões, não é este o momento apropriado, tal como não foi o momento apropriado aos 30, ou aos 25, ou aos 20. Mas como diz o outro, não é esta a questão essencial. A questão essencial é mesmo a da vontade. E o dilema, que por vezes se traduz numa certa dúvida sobre a melhor decisão a tomar, está mais relacionado com o prazo de validade do que propriamente com a vontade. É uma espécie de síndrome do "compre já antes que esgote". É por estas e por outras que os saldos são tão perigosos, por exemplo, a gente vê montes de boas oportunidades ali à mão de semear, compra, e só depois é que se pergunta para que raio precisa daquilo. Não que eu compare o meu prazo de validade com uma época de saldos. Não, que horror, era lá capaz de uma coisa dessas. Bom. Pensando bem... Olha, já comparei. Adiante.
O dilema da maternidade, pelo menos o meu, é isto. É o prazo de validade a chegar ao fim. Já no que toca à vontade, despida como está desde sempre de lacinhos cor-de-rosa e cheirinho a pó de talco, o que se há-de fazer? A vontade continua a dizer-me que não foi para isso que eu nasci...
segunda-feira, agosto 13, 2007
Isto sim, é o sonho de qualquer mulher (e de qualquer homem também) - #2
A Bimby. Ou como eu já a chamo carinhosamente, a Bimba. Faz comida sozinha! FAZ COMIDA SOZINHA! É a loucura. É a felicidade extrema. Por mim, qualquer utensílio que me ajude a passar o menor tempo possível naquela tarefa extenuante e suja, e que deixa tudo sujo, que se chama... hum... argh!..., cozinhar, é um autêntico maná vindo dos céus.900 €, segundo dizem. Vou juntar à lista. Deixa cá ver: Driron, 1.880 €, e fico com uma máquina para secar e passar a ferro. Bimby, 900 €, e arranjo uma coisa para cozinhar. E ainda falta outra: Rainbow, uma máquina de limpeza também maravilhosa, por uns modestos 2.500 €. Ora isto tudo junto, deixa cá ver: 5.280 €.
Coisa pouca, portanto. E como é que eu arranjo dinheiro para isto tudo? Uma boa possiblidade é fazer como a Carrie Bradshaw fez uma vez no "Sexo e a Cidade". Vou abrir uma lista de casamento comigo própria. Só que em vez de abrir a lista na sapataria, ponho nos sites dos electrodomésticos a preços obscenos. A mim parece-me bem...
terça-feira, agosto 07, 2007
Que dia é hoje?
Porém não passa despercebida. Tem este hábito, incomodativo e demente, de se meter com todas as pessoas que passam na rua. A todos pergunta o mesmo, que dia é hoje? Que dia é hoje? É Segunda, é Domingo, é Quarta, vai assim tentanto manter presentes as contas dos dias, porque tirando os nomes que eles têm, ela já não lhes encontra nada que os distinga. Se calhar repete a pergunta porque, de cada vez que alguém lhe dá a resposta, já não a consegue manter na memória. Ou então, porque chamar assim pelas pessoas foi a maneira que encontrou de se manter ligada ao mundo deste lado, do lado de cá da porta que a encerra na escuridão, e que a cada momento a pode engolir para sempre, assim lhe faltem as forças para se agarrar às grades do postigo.
No outro dia, surpreendentemente, foi a uma janela onde batia o sol, e quem passava pôde enfim ver-lhe o rosto. Chamou, e chamou, e chamou, mas as pessoas já sabem que ela é maluca, e além disso sabem muitíssimo bem que dia da semana é e que exigências ele irá trazer, para estarem ali a perder tempo com ela. Quando finalmente alguém se aproximou, foi motivo de grande alegria e de muitas palavras de ternura, porque serão tão más todas as outras que chamei e não vieram. Que por favor lhe dissesse que saco era aquele encostado à sua parede, cheio de papéis que ela não entendia. Que vive sozinha no mundo, sem marido, e sem filho, e com isto chora. E enfim a derradeira pergunta, que dia é hoje. E ali ficou, suspensa nas respostas dadas, se calhar à espera de quem iria passar a seguir para recomeçar a chamar, enquanto o benemérito foi à sua vida de dias de semana agendados ao pormenor.
É esta a existência daquela mulher nos últimos anos da sua vida, agarrada ao postigo como se estivesse presa do lado de dentro, ou como se quisesse fazer dele tábua de salvação. Entre uma coisa e outra, venha o Diabo e escolha. E já agora quando vier, que lhe responda com simpatia à pergunta, que dia é hoje. De certeza absoluta que quando o vir, é o que ela terá para lhe perguntar.
sexta-feira, agosto 03, 2007
O cheiro
Já foi ao mecânico, mecânico mudou filtro não-sei-do-quê, melhorou, mas continua a cheirar a gasolina. E o pior é que aquilo incomoda, faz dores de cabeça e fico um bocado maldisposta.
Agora pergunto eu: isto poderá ser do quê?
- Pode ser o ar condicionado a precisar de alguma reparação mais profunda.
- Pode ser alguma fuga de gasolina, que mesmo sendo mínima, provoque aquele cheiro.
- E também pode ser, e isto é que eu acho realmente, que a mim já me cheira a gasolina, e ao carro, já lhe cheira que vou ter mais uns dinheiros em breve, com a venda da casa. E já quer que eu gaste por conta.
Está-me a cheirar. Ai está, está...
quarta-feira, julho 25, 2007
Quando uma transacção imobiliária se transforma numa novela mexicana
Andei durante as minhas férias a ver casas e estando eu quase a decidir-me por um T2 muito jeitoso com um preço agradável, eis senão quando sou contactada por outro mediador muito prestativo, que me tinha mostrado uma outra casa, um T3, que eu já tinha posto de lado, por ser demasiado caro para mim, embora até estivesse realmente num preço bastante interessante. E diz-me este outro mediador, mas olhe que esse T3 que eu lhe mostrei, que até já está num preço bastante interessante, o proprietário está disposto a vendê-lo por um preço imbatível. Foi nessa altura que eu fiquei com os pirulitos todos a chocalhar, e lá fui eu ver outra vez a casa, mais a minha querida irmã, minha melhor amiga, e eterna companheira de momentos decisivos.
Ao fim de um dia cheguei à conclusão que aquele preço imbatível era de facto imbatível, e que aquela opção era muito melhor, sobretudo porque a casa me agradava mais. E aceitei. Feliz e contente, assinei um documento de reserva, passei um cheque sem cobertura e comecei a fazer planos.
Ao fim de dois dias, quando era suposto o proprietário já ter assinado o tal documento de reserva, telefona-me o mediador da casa, está boazinha e tal, sabe, o proprietário fez melhor as contas e está um bocado aflito, chegou à conclusão que o preço imbatível afinal não lhe dá muito jeito, e propõe em vez desse, um preço vá lá, razoavelzinho. A senhora aceita? Não, não aceito, era o que mais faltava, então mas que raio de negociação é esta? Para isso fico com a outra casa, que tem um preço agradável, o que me convém muito mais do que uma casa por um preço, vá lá, razoavelzinho. Que sim senhor, que não me preocupasse mais, que ele iria tratar do assunto.
E a partir daqui voltaram as minhas noites sem dormir. Incrédula, ainda pensei que o proprietário da casa era tontinho da cabeça, a propor preços malucos e a fazer as contas depois. Mas é claro que não foi nada isso que se passou. Depois de eu andar à espera de uma confirmação (ou sim ou sopas) ao longo de uma semana, fui chamada à Agência, já para falar com o gerente. Que se vira para mim e me diz, então a senhora fez aqui uma proposta de compra deste imóvel por um preço imbatível... E digo eu, desculpe, mas essa proposta não tem nada de minha, a não ser o facto de a ter aceite. A proposta foi-me apresentada pelo mediador que aqui trabalha, e supostamente foi apresentada pelo proprietário. Supostamente. Pois. Que o mais certo é ter sido apresentada pelo próprio mediador, à espera sabe-se lá de que milagre. E então o sr. gerente lá tentou outra vez convencer-me a comprar a casa por um preço, vá lá, razoavelzinho, e eu lá voltei a dizer-lhe que não. Dispus-me quando muito a pagar o mesmo que pagaria pela outra, ou seja, um preço agradável.
Mas depois de me vir de lá embora comecei a ficar com o estômago às voltas. Literalmente, que comer nestes últimos dias tem sido um enorme sacrifício, de tal maneira eu me senti mal com esta situação. É horrível a gente sentir-se enganada pelos outros. Como é que se mantém a boa-fé e ao mesmo tempo nos prevenimos da má-fé dos outros? Não se consegue, não é? Bem me parecia. Adiante. Ao fim de umas horas a partir pedra com o meu companheiro comecei a pensar, então estes gajos estão aqui a ter este comportamento absolutamente indecente, e eu ainda estou disposta a negociar com eles? Para quê? Cheguei à conclusão que a casa começava a ter um preço absolutamente inconcebível e resolvi desfazer o negócio. Com a minha casa para ser escriturada dentro de poucas semanas, fui começando a ver casas para alugar, enquanto enxugava as lágrimas que teimavam em querer aparecer, as parvas.
Então chega-se ao outro dia e volto à Agência, quero o meu cheque de volta, por mim isto acaba já hoje, acabou-se. E diz-me o gerente, se a senhora quiser, o negócio está de pé, por um preço imbatível. O mediador com quem falou já não trabalha connosco, por causa deste e doutros problemas semelhantes. Falámos com o proprietário, que também não está nada contente com isto, e na verdade eu não me disponho a ficar com duas pessoas insatisfeitas a dizerem mal da minha empresa. De moldes que proponho a realização do negócio, pelo tal preço imbatível, sendo que a Agência não irá cobrar qualquer valor de comissão desta transacção. Prefiro isso a prejudicar a imagem aqui da minha chafarica.
Aceitei o preço imbatível nas condições apresentadas. Por sorte o proprietário, também já pelos cabelos com isto tudo, resolveu pôr o próprio número de telefone na janela da casa, e eu telefonei-lhe. Conversámos os dois e desta vez aquilo que nos estão a dizer confirma-se tudo. Portantos, acho que desta vez a coisa vai encarrilhar. Que até ao contrato promessa de compra e venda nunca se sabe. Lá vou eu rezar outra vez ao santo protector...
E foram assim passados os meus últimos dias. E foi assim que eu acho que comprei, hei-de comprar, se tudo correr bem e não falhar mais nada, uma casa.
Isto sim, é o sonho de qualquer mulher (e de qualquer homem também)

quarta-feira, julho 18, 2007
Sobre a roda dentada do destino
sexta-feira, julho 13, 2007
Mudar de casa
Desta vez é tudo muito diferente, e hoje confesso que estou particularmente vulnerável. Estive dois anos à espera de vender esta casa, a fazer planos sobre o lugar para onde iria viver a seguir. Sendo que o lugar para onde se vai viver é um lugar onde nós estamos todos os dias, uma casa não é apenas uma casa, é uma coisa que ao longo do tempo se incorpora em nós, ganha o nosso cheiro, reflecte os nossos hábitos, é ao mesmo tempo palco dos nossos melhores e piores momentos, é refúgio, local onde acontecem as nossas maiores intimidades, onde só entra quem a gente quer, onde está grande parte daquilo que somos.
Já dei comigo a olhar à minha volta, aqui no meu T1 que eu quero muito ver pelas costas, e a sentir alguma nostalgia a escorrer pelas paredes abaixo, uma sensação de perca que se instala ao fim do dia, quando o sol começa a desaparecer na cozinha, uma impressão parva de invasão de privacidade quando o comprador me telefona a dizer que já deu esta morada em alguns lugares, que se faz favor o avise no caso de chegar correio para ele.
E agora, para onde é que eu vou? Todas as hipóteses são boas e más, nenhuma é o ideial alimentado ao longo destes dois anos, e por outro lado, todas representam oportunidades de negócio tão boas, mas tão boas, que é difícil discernir qual é a melhor oferta de todas. Os vendedores de casas são muito faladores. E têm sempre qualquer coisa na manga, à espera do momento certo para nos manipularem. São simpáticos e assertivos até ao limite da exaustão. E não têm muitos compradores, então mergulham de cabeça em cima dos poucos que existem. Mergulham de cabeça em cima de mim, portanto.
Com os bancos posso eu bem, fazem-se as contas e pronto, também aí já vi que quem precisa está sempre lixado, mesmo... É como ter um cobertor demasiado curto, é só uma questão de perceber o que é que preferimos ter destapado, se a cabeça ou os pés.
E então especialmente hoje, quando já quase tinha tomado uma decisão, eis que surge uma nova proposta para baralhar e tornar a dar. Fazendo da minha futura casa uma oportunidade de negócio, uma oportunidade de negócio para eu depois transformar num lar. Como é que eu sei, de entre tantas e tão boas oportunidades de negócio, qual a melhor opção para que daqui a uns tempos eu me sinta, novamente, na minha casa? E de preferência, sem que as paredes assistam logo de início a lágrimas de arrependimento?...
PS: Eu sei que isto são dilemas dos bons, quem sou eu para me estar aqui a queixar. Mas a verdade é que esta semana tenho dormido muito mal à conta desta questão. E se por um lado, estar de férias tem sido óptimo para tratar de tudo com tempo, há se calhar demasiado tempo livre entre mãos para matutar nisto. E isso também tem o seu lado negro, sem dúvida...
quinta-feira, julho 12, 2007
Situação: capaz de lhes ir às trombas
Situação REEMB: EMISSÃO ATÉ 31 DE AGOSTO
segunda-feira, julho 09, 2007
Decisões, decisões
Compro no limite do plafond estabelecido, ou fico-me pela que me deixa mais à-vontade financeiramente? Com parqueamento ou sem parqueamento, com arrecadação ou sem ela?
Decido já ou espero para ver aquela que os donos só vêm de férias no fim do mês?...
Quem diria que as minhas férias iam servir para limpar a que já está vendida, e para procurar a que vou ter que limpar a seguir!...
quarta-feira, julho 04, 2007
Blimunda doméstica vs Blimunda patroa
Soubesse ela a trabalheira doida que aquilo dá, tirá-los a todos das prateleiras, limpá-las e voltar a pô-los todos outra vez no mesmo sítio, por ordem alfabética de autores!!!
E ainda por cima a trabalhar de borla.
segunda-feira, julho 02, 2007
Férias
Limpar a casa como deve ser.
Dar-me ao luxo de não ter pressa.
Afastar-me do emprego por uns tempos, coisa importante para a sanidade mental.
Férias para repor energias. Bem bom.

