Ou seja, a todos e a todas a quem este problema não diz nada, ainda bem para vocês, podem passar ao blog seguinte e voltar noutro dia qualquer. Para as restantes, e os restantes, que também os há, aqui fica uma actualização do que tem sido a minha relação com esta doença nos últimos tempos.A minha Candida está, desde Março, controlada. Passei um fase muito má em Janeiro, quando celebrei o 1.º aniversário da dita. Nessa altura voltei à Maternidade Alfredo da Costa, e a seguir fui ao meu médico, que me pôs a anti-depressivos, tal era o estado miserável em que eu me encontrava. Tenho vindo a reduzir, e vou largá-los definitivamente no mês que vem.
Depois de despistar todas as possibilidades e mais alguma de eu ter algum outro problema de saúde que provocasse esta situação (tiróide ou outro distúrbio hormonal, infecção por bactéria, alergia), estou hoje em dia a encarar este problema como uma doença crónica que eu contraí. Daí não dizer que estou curada, porque não estou, mas apenas que consegui arranjar maneira de manter isto controlado. Um controlo muito instável, aliás. Basta comer alguma coisa mais calórica, ingerir menos líquidos, trabalhar mais intensamente, enervar-me, chego ao fim do dia e já estou com mais corrimento, sinal de que a bicha aproveitou logo uma qualquer fraqueza minha para se soltar das rédeas em que está presa.
Actualmente o que me preocupa é a dependência dos medicamentos para andar bem. Tenho a sentença lida para tomar
Fluconazol uma vez por semana, num período que será de seis meses a um ano. Pode-me dar cabo do fígado? Pois pode. Fui fazer análises recentemente, estou à espera do resultado, para ir monitorizando a minha reacção a uma toma tão regular deste fármaco, e espero que o fígado se vá aguentando. De resto, tenho muitas dúvidas quanto à eficácia disto. Umas vezes acho que me faz bem, outras vezes tenho a impressão que até fico com mais corrimento dois ou três dias depois de o ter tomado, mas também não tenho uma certeza a cem por cento, e por via das dúvidas, vou tomando. Volto à Maternidade em Agosto, logo se verá.
Estou bastante satisfeita com a homeopatia, a minha conta bancária é que fica gravemente doente de cada vez que vou a uma nova consulta. Senti grandes melhoras com o tratamento que o homeopata me prescreveu, e o único problema é que umas semanas depois de o terminar... tive uma recaída. Já vou na segunda dose de um tratamento, que se baseia em dois princípios: fortalecer o meu sistema imunitário e controlar a acidez dos medicamentos que ingiro. Recordo que a Candida não sobrevive em meio alcalino. Logo, se a acidez dos alimentos for reduzida, a bicha fica sem ter do que comer. Isto para mim continua a fazer sentido, independentemente do que
o senhor me veja no olho ou não. Ele na altura receitou-me uns óvulos que eu comprei mas não coloquei (ainda), porque não quis continuar a castigar a minha flora vaginal com substâncias, que eu às tantas já não tinha noção do que é que ajudava ou desajudava. De resto, o tratamento que faço é este:
Prelief;
Stauvita;
Sanukehl Cand D6;
Caprinol.
Mantenho as idas ao Alergologista. A vacina que comecei em Novembro do ano passado, ainda não chegou à dose mais concentrada, que supostamente começará a ser eficaz. Vou lá de quinze em quinze dias levar uma picadela, de cada uma das vezes a dose vai sendo maior, e no que a isto diz respeito, continuo a pagar para ver.
Bebo dois litros de água por dia. Quando me desleixo, ressinto-me. Não posso abusar dos doces, chocolate então, o melhor é nem o cheirar. Como uma laranja quando o rei faz anos, o leite está praticamente erradicado, é ainda mais raro do que as laranjas, sempre que bebo leite é tiro e queda o acentuar do corrimento. Passei de três cafés para um café diário. Cuecas de algodão, arejar, lavagem íntima sempre com água fria.
O
Geliofil, que foi
aqui aconselhado por um médico generoso a quem uma vez mais agradeço a simpatia e a atenção, tornou-se num companheiro regular. No final de cada período menstrual, três dias de Geliofil. Só tenho a dizer maravilhas. Disso e do
Alkagin. Uso a loção de higiene íntima e o gel de aplicação vulvar. Já vi que a fase mais complicada é sempre a partir dos vinte dias de ciclo, e até aparecer a menstruação. Nessa altura a secura acentua-se, e a aplicação do Alkagin em gel é óptimo, sobretudo antes de deitar.
E agora poderão perguntar-me, mas assim com isso tudo, como é que sabes o que verdadeiramente te está a fazer bem? A resposta é: não sei. Nem sei se é apenas uma coisa, ou precisamente estas coisas todas em conjunto que me têm ajudado a manter algum equilíbrio. O que eu sei é que voltei a uma vida sexual regular, e isso parecendo que não, contribui e muito para a minha sanidade mental. Uma das coisas que me empurrou para a depressão foi precisamente essa incapacidade para o sexo, que era física mas também de uma total ausência de líbido. Isso fazia-me sentir um lixo enquanto mulher, e estive muito perto de me afastar do meu companheiro por causa disto. Felizmente os tempos actuais são bem melhores, que se vier por aí mais uma fase má, pelo menos já há memória de uma fase boa pelo meio.
Nunca esperei, quando falei disto pela primeira vez em Setembro do ano passado, que estivesse ainda hoje a ver aumentar a caixa de comentários
deste post. Já vai em mais de 200, e há até quem me sugira a criação de um Fórum sobre este assunto. São muitas as mulheres e homens que se aproximaram de mim por conta desta doença, que comentaram, enviaram e-mails, procuraram, de alguma forma, conversar comigo sobre este assunto. Fico a imaginar quantos têm passado por aqui com o mesmo problema e que não chegaram a dizer nada.
Quanto aos que se chegam à frente, tenho procurado estar disponível para todos, embora sublinhe que estou longe de ser uma especialista na matéria. Agora, estou absolutamente convencida que este não é um problema de minorias. É uma doença grave, que provoca danos físicos e psicológicos profundos, e está em crescimento. O médico que achar que isto é coisa simples de resolver, até pode ser um bom médico, mas não tem condições de ajudar quem esteja com uma infecção recorrente de Candida Albicans.
E no entanto, a única maneira possível de lidar com esta doença é, precisamente, indo ao médico. Se não gostarem, se acharem que são mal acompanhadas, troquem. Vão a outro, e a outro, e a outro, até encontrarem aquele que vos dê a atenção merecida, e nessa altura, agarrem-se a ele com unhas e dentes, se for preciso. Ginecologista, alergologista, dermatologista, endocrinologista, homeopata, psicólogo, psiquiatra, o que for. O único caminho que eu posso sugerir é este: conhecer a fundo o próprio corpo, perceber que problemas de saúde poderão existir em concomitância com a Candida, porque se for um problema hormonal o tratamento é um, se for uma questão alérgica será com certeza outro, e por aí fora. Depois, por tentativa e erro, encontrar os medicamentos, ou produtos, que em cada caso possam ajudar a encontrar o tal equilíbrio. Identificar os hábitos, alimentares ou outros, que contribuem para melhorar a qualidade de vida, e seguir por esse caminho. Não vale a pena pensar em termos de cura. Isto é uma doença crónica, o melhor que se pode alcançar é o seu controle.
E o mais importante de tudo (que serve também para me lembrar a mim, no caso de um dia destes resvalar outra vez para o abismo): Não deixem de gostar de si próprias por causa disto. Perder a auto-estima é uma derrota que não podemos conceder a este fungo, que é desprezível ao ponto de se alimentar com a nossa infelicidade.
(Pode parecer outra vez um grande testamento em torno do mesmo assunto, mas as dezenas de pessoas que aqui vêm parar todos os dias, motivadas pela angústia que este problema produz, merecem-me todo o respeito e solidariedade. A única coisa que posso fazer por elas é dar o meu testemunho, por isso aqui está ele, uma vez mais.)