segunda-feira, dezembro 17, 2007

Teoria da relatividade

Passeavam ao meio da tarde, de braço dado, os passos e os espíritos alinhados, aproveitando a última meia-hora de sol daquele dia. À sua frente o esqueleto de um projecto que não vingou, rodeado de um estaleiro que, ao que tudo indica, se instalou para destruir e não para construir. E dizia ele, mais vale deitarem abaixo de uma vez, a Expo já foi há quase dez anos, se não vingou, que venha algo novo.

Realmente, dizia ela olhando para o alto da torre, que coisa estranha é pensar que já passaram quase dez anos sobre a Expo! E pensava ainda, que coisa estranha é, por vezes, pensar em tudo o que passa e se passa ao longo de dez anos nas nossas vidas.

A par destas conjecturas, pressentiu mais do que viu uns olhos postos nela, e foi então que reconheceu alguém bem seu conhecido, passando de bicicleta.

Sorriu perante a ironia dos factos e dos pensamentos. Não era na torre que estava a mais visível marca da passagem do tempo. A grande marca estava afinal no passeio a pé, no braço dado, e no outro braço que saudou sem mágoas o homem da bicicleta, deixando-o levar consigo o tempo que já passou.

sábado, dezembro 08, 2007

Tertúlia de Mentirosos

"A mulher à beira do rio

(...)

Dois jovens monges zen fizeram juntos o juramento de nunca tocar numa mulher. Tratava-se de uma decisão ardente e total a que durante muito tempo ambos se mostraram fiéis.

Um dia, quando viajavam, preparavam-se para atravessar o leito de um rio em cheia quando viram aparecer uma jovem mulher de rara beleza que lhes pediu ajuda para transpor as águas impetuosas. Tinha grande necessidade de atravessar aquele rio, explicou, para ir socorrer o seu pai doente. Sozinha e frágil, não podia arriscar.

O primeiro monge, sem sequer escutar as palavras da mulher, avançou para o rio e atravessou-o. O segundo monge tomou a mulher nos braços e, mais lentamente, mais dificilmente, com a ajuda de uma corda, levou-a para a outra margem.

A jovem agradeceu e afastou-se rapidamente. Os dois monges retomaram o seu caminho. Durante mais de uma hora mantiveram-se em silêncio. A certa altura o primeiro monge, que já não podia continuar calado, irrompeu em cólera, em censuras e disse ao seu companheiro:

- Como pudeste quebrar o teu juramento? A tua jura sagrada? O juramento que pronunciámos juntos? Não sentes vergonha? Como pudeste tomar aquela mulher nos teus braços?

- Olha - diz o outro -, (...) ainda a trazes tu?"

in Tertúlia de Mentirosos
de Jean-Claude Carrière
Editorial Teorema

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Convenhamos

O anúncio até está engraçado, e eu percebo a ideia e tal.
Mas convenhamos. Imaginar que uma mulher se aproxima de uma máquina de café, tem um homem à frente dela, ele vira-se e é o George Clooney. E ela continua apenas interessada em tirar um cafezinho.

Vamos pensar nisto só por um bocadinho.

Realmente. Estes publicitários por vezes ultrapassam os limites do razoável.

terça-feira, dezembro 04, 2007

São quatro

Mas apenas a três deles já lhes consegui aprender a personalidade. O outro continua fugidio, mais solitário, nem sei ainda se é gato ou gata.


Nenhum deles parece gato de rua, de tão meigos que são. Há um então que é uma graça, porque ainda tem reminiscências de gatinho. Corre atrás de qualquer coisa que mexa, é um destemido, vem para o colo de modo próprio, e já esteve à beira de me entrar em casa.

A outra é a fêmea do grupo, e fazendo jus a isso, quem sabe se também com autoridades de mãe, lidera. Faladora, faz questão de chamar sempre que passo por ela, outra característica tipicamente feminina, que aos outros ainda não lhes conheço um miau.

E depois há o tímido. O que quer e não quer. O que me vira as costas quando o chamo, e faz de conta que não ouve. O que abala a fugir quando vê a mão erguer-se, quase a tocar-lhe a cabeça, para fazer festas. Que se senta a um metro de onde eu me sento mas não arreda pé, a fingir para ele próprio que não quer saber de mim para nada. Que dá imediatamente um passo para trás quando vê os companheiros a chegarem-se à frente e fica só a olhar, tal e qual como tantos de nós fazemos pela vida fora.

É a ele que eu vejo com mais frequência, porque ultimamente passa muito tempo próximo da minha janela. Quando o chamo começa a rebolar no chão de felicidade, vai se aproximando sempre a rebolar, deita-se no parapeito da janela com as patas para o ar, mas sempre a uma distância tal que não me permite chegar-lhe. Ele próprio estica as patas até ao limite e ficamos ali os dois, suspensos neste toque que não chega a ser, eu porque não consigo lá chegar mesmo querendo, ele porque não consegue ainda querer o suficiente.

No outro dia conseguimos, os dois. Ao fim de um tempo infinito à janela, ao frio (será por isso esta dorzita de garganta? Mas que se lixe, para os gatos nunca me faltou paciência), lá o consegui atrair a mim à conta de brincadeira, numa altura em que os companheiros andavam por outras paragens. Aceitou as festas até ao ponto de lhas fazer na barriga, o local mais sensível para os bichanos, e que eles não consentem a qualquer um. Totalmente rendido, colocou uma pata no meu braço, como quem quer retribuir os afagos, e olhou-me de uma forma tão intensa que senti sinceramente o meu carinho a ser correspondido. Foram apenas alguns segundos de silêncio e magia. Mas encheram-me o coração de coisas positivas.

A seguir lembrou-se que era tímido, deu um salto e foi-se embora, porque afinal, o senhor gato precisa de continuar a ser fiel a si próprio e à sua reputação!...

quinta-feira, novembro 29, 2007

Como é que se iPod evitar isto?

Haverá alguma razão plausível para uns tipos da Citibank me mandarem 62, repito, 62 e-mails todos seguidos a dizer "Este Natal temos um iPod para si"?

Eliminei-os a todos sem sequer querer saber o que fiz eu para merecer 62 ofertas de um iPod este Natal. Mais concretamente, concluí que não os iPod aturar...

quinta-feira, novembro 22, 2007

Pois a mim agrada-me

Este Scolari que me consegue sempre inspirar admiração.

Este Scolari na sua forma genuína de ser, que já atingiu aquele patamar em que não tem que fazer de conta que algo o chateia, quando o chateia.

Este Scolari que ferve em pouca água, mas que tem tomates para se chegar à frente e admitir os próprios erros.

Este Scolari que estabelece objectivos gerais e os atinge, e depois não está para aturar comentários corrosivos disfarçados de jornalismos responsáveis.

Este Scolari que é frontal, autêntico, competente, falível, sofredor, empenhado.

Acho que ele é mesmo muito bom. Talvez por isso ande aí tanto fazedor de opinião pública a desejar de o ver pelas costas. É esta nossa desgraçada mediocridade, que sempre prefere um fracasso do qual todos nos possamos queixar, a um sucesso que tenha o sabor agridoce do trabalho árduo.

Não me espantarei se o homem um dia destes ficar tão farto de (n)os aturar, que pense seriamente em abandonar algo mais do que apenas a sala de imprensa. Será uma pena. Mas ao menos nessa altura, haverá muitas horas de emissão nas televisões para os comentadores comentarem até rebentarem.

sábado, novembro 17, 2007

sexta-feira, novembro 16, 2007

Sobre a inveja

(Abençoadas as amigas, que nos dão inspiração para escrever quando ela teima em não aparecer.)

Sobre a inveja. Também eu já tenho reflectido um bocado sobre esta questão, e acho que este é, possivelmente, o sentimento mais negativo que existe. Muito pior que o ódio, pior até que o rancor (se bem que também este é muito corrosivo, porque nos deixa amarrados a más lembranças e não nos deixa seguir em frente). Estes sentimentos, pelo menos, têm alguma motivação na sua base.

Para mim não é bem inveja essa coisa de olhar para o lado e ver outra pessoa ter, ou conquistar algo que também desejamos para nós próprios. Porque esse olhar em si mesmo não deseja mal à pessoa que o conseguiu, simplesmente nos confronta com as nossas próprias realidades, e pode até servir-nos de bom exemplo, gerando novos desafios que nos levem a firmar objectivos, ou em última análise, a compreender as nossas limitações.

A inveja, não. Ao contrário do que possa parecer, a inveja não tem nenhum objecto ou objectivo, e por isso mesmo é que não passa de uma coisa oca, repleta apenas de más vibrações e eternas frustações. Desengane-se quem pense que o invejoso alguma vez fica contente quando alcança aquilo que inveja. Isso nunca acontece. Ele apenas quer acreditar que isso será suficiente para apaziguar a sua oca existência. Na verdade, o que o invejoso gostava, era de ter tudo o que os outros têm, que os outros perdessem aquilo que têm e isso lhes causasse sofrimento, e que ele pudesse estar a assistir a tudo. E ainda assim, ainda assim, continuaria a invejar o facto de não ter a vida dessas pessoas, sofrimento incluído, de não ser outra pessoa qualquer, que não ele próprio.

Em boa verdade, a inveja não está relacionada com o ter, mas sim com o ser, e mesmo que o pretenso objecto da inveja seja alcançado, o espírito permanece na obscuridade, porque aquilo que o invejoso consegue nunca lhe permite preencher esse imenso buraco-negro que é o seu não-ser.

Como é que isto se combate? Acho que mantendo a maior distância possível dessas pessoas. E quando não se consegue, com a indiferença. Ripostar apenas no caso de nos tentarem fazer mal. Porque de resto, e na maior parte dos casos, são as maiores vítimas delas próprias, que deve ser muito triste olhar para o espelho e ver apenas o reflexo dos outros, sem ser capaz de olhar de frente para si mesmo, e enfrentar aquilo (aquele) que é.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Post revisitado

Mais ou menos dois meses depois da criação deste blog publiquei isto, e hoje apeteceu-me trazê-lo de novo à ribalta. Na altura não tinha a média diária de visitantes que tenho hoje, e mesmo que venham os dedos em riste do costume chamar-me de cabra presunçosa, acho mesmo que o texto merece ser lido por mais gente. Aqui está ele:

Emancipação

Quando casou ia virgem.
Hoje em dia mantém apenas uma união sem factos, e um dia-a-dia feito a pensar nos outros. Vive num lugar que entende a infelicidade e a abnegação como coisa natural e própria da condição feminina. Aos olhos dos que a rodeiam tem um bom marido. Tem trabalhado toda a vida pela família e vem sempre dormir a casa.

Não interessa que regresse sempre bêbado. Não interessa que não a acompanhe em nada. Que a envergonhe. Não interessa. E a bem da verdade, também já nada disso lhe interessa, essa ferida há muito tempo que secou. Muito gostava ela de o ver pelas costas. Mas ele ali está, estendido no sofá da sala da casa que o pai e a mãe lhe deram. Na casa que é dela, mas que ele não deixa, se calhar porque não tem para onde ir.

As filhas estão criadas, bem casadas, deseja-lhes melhor sorte que a sua. Em momentos de desespero chegou a dizer que, no dia em que visse as duas fora de casa, sairia ela de seguida. Mas a casa é dela. A mãe ainda lá mora. E ela ainda não teve coragem de bater com a porta.

Está apaixonada. Um amor duplamente pecaminoso, que os compadres são o mesmo que família. Com mais de quarenta anos de idade, descobriu-se em prazeres que o marido nunca lhe soube proporcionar, na pressa de alcançar o seu próprio. Descobriu o afecto. O encanto. O cuidado. Este homem está disposto a tudo por ela, tudo. Excepto esperar para sempre.

A vida não pára. Não decidir é uma decisão também, e não há decisões sem consequências. Ela sabe. Sabe que se sair por aquela porta terá todo o seu mundo a apontar-lhe o dedo, começando pela mãe, com quem provavelmente não trocará mais nenhuma palavra até ao fim da vida. E também sabe que se ficar onde está, um dia destes não há ninguém à sua espera do lado de fora.

O cão veio cheirá-la, estranhando vê-la imóvel por tanto tempo. Levantou-se, são horas de fazer o jantar. Ouviu o vento lá fora a soprar.

Com a força do vento, o portão da rua não parava de bater.

terça-feira, novembro 06, 2007

"Seriously"


Nestes últimos tempos de grandes mudanças (nem todas boas, porém todas determinantes), tenho encontrado algum escape mental na FoxLive todas as noites, com a "Anatomia de Grey". Fui ganhando gosto pela série, e sobretudo pelas personagens, cada uma delas muito interessante, e na sua maioria muitíssimo bem interpretadas.
Acho que apenas uma coisa não faz falta nenhuma à série. A própria Meredith Grey. A sério. Do meu ponto de vista, aquela é a personagem mais apagada de todas, e a própria actriz que lhe dá vida, fica muito aquém das interpretações brilhantes de outros colegas, ditos, secundários.
Nem sei se alguma vez me prendi a uma série de televisão em que a coisa que eu menos apreciasse fosse a protagonista. Mas por mim, acho que a série ganhava bastante se passasse a chamar-se "Anatomia sem Grey". A sério.

Para ti

"O fim de tudo é o recomeço,
e olha eu bem que mereço
tratar bem do melhor em mim..."
Sérgio Godinho

quinta-feira, novembro 01, 2007

Pão por Deus?!...

Hoje bateram-me à porta duas jovens criaturas a pedirem o pão por Deus. Que é um conceito do mais hipócrita que pode haver, primeiro, porque ninguém está realmente à espera de receber pão, e depois, porque como em tudo na vida, quando se pede por Deus pede-se na verdade por nós próprios, e mais valia que assim fosse dito alto e bom som, "pão por mim", ou melhor ainda, "qualquer coisa doce para eu me refastelar a comer, neste dia em que não tenho mais nadinha que fazer".

Mal por mal, acho mais honesto o "doçuras ou travessuras" importado dos Americanos, se bem que, também neste caso, existe alguma perfídia, que isto de se ter que pagar para não nos chatearem soa-me vagamente a chantagem, mas devo ser eu que não estou imbuída do espírito da coisa.

Adiante. O certo é que hoje em dia este hábito é cada vez mais raro, e qual não é o meu espanto perante o toque da campainha e um apelo ao pão por Deus. Mais bizarro, que fossem dois rapazes com os seus treze, catorze anos, com alguma profusão de acne juvenil, vestidos de preto e com umas correntezitas ao pescoço (Punk? Dread? Gótico? Metal? You name it...), e com o triste saquinho de plástico pela mão e a bela frase, "pão por Deus".

Pareceu-me um quadro bastante surrealista, aquele. Quando este tipo de coisas me acontece, chego mesmo a ficar na dúvida se realmente aconteceram, ou se foram mero produto da minha imaginação. Só tenho a certeza que aconteceram mesmo porque eu não tenho uma imaginação assim tão fértil para imaginar adolescentes que mais valia andarem a já a tentar engatar umas garotas, munidos de saco de plástico a andarem de porta em porta reclamando "pão por Deus".

A minha religião nem deveria permitir embarcar neste tipo de coisas. Mas simplesmente não me apeteceu ser má para eles, fiquei com medo de os traumatizar, e resolvi cooperar. Só que não se safaram nada bem comigo, coitados. A única coisa levemente semelhante com um doce que consegui encontrar (sim, ainda há caixotes por abrir) foram uns pacotes de bolachas integrais que vêm em bolsitas individuais e até estavam um bocado esmigalhadas, deve ter sido na mudança. Duas ou três, que aquilo são pretensamente bolachas digestivas e boas para a dieta.

Mas tinham pepitas de chocolate, atenção. E agora podem dizer, ah e tal, grande dieta, bolachas com pepitas de chocolate, que é isso. E eu respondo, que é isso digo eu, que aquilo não eram criancinhas de "pão por Deus" que se apresentassem à porta de uma pessoa. Surrealismo com surrealismo se paga.

quinta-feira, outubro 25, 2007

E agora, um pouco de Astrologia

Não sei dizer porquê, mas o que é facto é que certas coisas têm tendência a suceder-me sempre nas mesmas alturas do ano.

Março costuma ser um mês de grande importância, sobretudo no que respeita aos afectos.

Julho e Agosto são meses que muitas vezes receio, porque sempre acontecem coisas marcantes, podem ser boas ou más, e não raras vezes sucedem coisas más.

Depois há os números. O meu querido número 17 não costuma falhar nem um bocadinho, e os dias 17 têm sempre qualquer coisa digna de nota, a maior parte das vezes coisas boas, algumas vezes também, dias 17 completamente para esquecer, mas sempre, sempre, fortes e marcantes.

Diz também a numerologia que o meu número é o quatro. Nascida que sou em ano bissexto, consigo dizer claramente, desde aí os meus 16 anos, as coisas determinantes para a minha vida que sempre sucedem em ano bissexto. Que a minha vida dá sempre um salto importante de oito em oito anos, também é certinho. E então perguntava-me eu por estes dias, que muitas coisas importantes andavam a começar já em 2007, desta vez finalmente assistia a um desvio da norma.

Mas afinal não falha. É certo que a casa nova chegou antes do ano bissexto, e isso é sem dúvida importante. Mas a nomeação que eu esperava há anos, a que representa o passo mais importante da minha carreira profissional até esta data, saiu finalmente, e terá efeitos a partir de 01 de Janeiro de 2008.

A notícia chegou hoje. O ano bissexto de 2008 tem desde já esta marca: vai ser o ano em que passo a Chefe de Divisão.

É a roda dentada do destino a cumprir o seu papel, e eu tenho agora que me preparar para cumprir o meu. Vai ser difícil. Mas eu desejo muito, e consigo, e acredito sinceramente que mereço esta oportunidade.

Sem deslumbramentos, porque sei bem das dificuldades que aí vêm, nesta altura só peço que eu tenha força suficiente, e os astros continuem a conspirar a meu favor. Porque aqui para nós, também já não era sem tempo!...

segunda-feira, outubro 22, 2007

Eu tenho um homem das obras

... Mas estou disposta a partilhá-lo. Naquele que é o primeiro acto de descarada publicidade deste tasco, quero aqui deixar as melhores referências possíveis ao Manuel Reis, que é o homem das obras que qualquer um de nós pede ao santo dos homens das obras.


Se está na área da Grande Lisboa e precisa de alguém que pinte, estuque, remodele (muito ou só um bocadinho), que seja profissional de carpintaria e de electricidade, que faça tectos falsos ou verdadeiros, que arranje torneiras, que substitua lâmpadas fundidas, que coloque candeeiros e protecções nas banheiras da casa de banho, e que ainda por cima seja de confiança, a melhor solução é:


Manuel Reis - 96 382 16 23


A sério. Este homem faz sempre falta em qualquer casa. Não gosta de pimenta na comida. Mas enfim, ninguém é perfeito. A solução aí é não lhe darem de comer, pronto. Mas tirando isso, a sério, se for preciso arranjar alguma coisa aí em casa, olhem que este tipo é bem capaz de resolver.


Não digam que não avisei.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Ou então esta, que também é muito apropriada

"I'm broke but I'm happy
I'm poor but I'm kind
I'm short but I'm healthy, yeah
I'm high but I'm grounded
I'm sane but I'm overwhelmed
I'm lost but I'm hopeful baby

What it all comes down to
Is that everything's gonna be fine fine fine
I've got one hand in my pocket
And the other one is giving a high five

I feel drunk but I'm sober
I'm young and I'm underpaid
I'm tired but I'm working, yeah
I care but I'm restless
I'm here but I'm really gone
I'm wrong and I'm sorry baby

What it all comes down to
Is that everything's gonna be quite alright
I've got one hand in my pocket
And the other one is flicking a cigarette

And what it all comes down to
Is that I haven't got it all figured out just yet
I've got one hand in my pocket
And the other one is giving the peace sign

I'm free but I'm focused
I'm green but I'm wise
I'm hard but I'm friendly baby
I'm sad but I'm laughing
I'm brave but I'm chickenshit
I'm sick but I'm pretty baby

And what it all boils down to
Is that no one's really got it figured out just yet
I've got one hand in my pocket
And the other one is playing the piano

And what it all comes down to my friends
Is that everything's just fine fine fine
I've got one hand in my pocket
And the other one is hailing a taxi cab"

ALANIS MORISSETTE
Hand In My Pocket

Espero em breve poder explicar porque me deu hoje para pensar tanto outra vez na roda dentada do destino. Entretanto, alguém que toque a gaita de beiços ó fáxavor!

Tocando em frente

Mais outra canção que faz pensar outra vez na roda dentada do destino. Para mim, e para uma série de gente à minha volta que está a lutar para chegar ao final desta semana da melhor maneira possível. Para a R., a I. e o E., para a X. e para o Q., já que não se arranja nada melhor, fica isto para ajudar no que puder:

"Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz..."

Almir Sater e Renato Teixeira

quarta-feira, outubro 17, 2007

De maneiras que é isto

- Na Terça-Feira da semana passada fiz a mudança. Voltei à minha casa antiga para a deixar minimamente limpa, agarrei numa sacola com meia dúzia de coisas e fui dormir a casa dele. No dia seguinte, fui trabalhar.

- Na Quinta, Sexta e Sábado, limpei a cozinha. Ou parte dela, porque no Sábado apelei para a ajuda de mais um par de mãos. Constatei nessa altura que há partes de uma casa que só se podem limpar se a casa for desmontada, o que pode depois trazer outro tipo de chatices. Começaram as pinturas e os arranjos, a minha casa ficou feita num estaleiro.

- No Domingo limpei roupeiros e comecei a arrumar caixas. As pinturas continuaram.

- Na Segunda-Feira voltei ao trabalho. Ao fim do dia, chegar a casa, mais pinturas, mais limpezas, mais arrumações, até cair para o lado de cansaço. Terça-Feira, mais do mesmo, com a particularidade de ficar a saber que a nova fechadura da minha antiga casa me vai custar noventa e oito e qualquer coisa que eu já nem ouvi bem. Euros, evidentemente.

- Hoje. Duas horas e meia à espera dos senhores da EDP que vinham trocar o contador, mas que não vieram. Em contrapartida (?), veio o período menstrual, que no meio desta loucura toda, passava bem sem ele. O trabalho a acumular-se, porque as ausências têm sido mais que muitas. Reuniões na hora de almoço.

E ainda tanta, tanta coisa começada em casa e tão pouca acabada. As pinturas, quase todas feitas a partir das seis e meia da tarde, prolongam-se até altas horas da noite. E antes de Sexta-Feira não acabam, de certeza. Hoje vou outra vez acampar para outro lado. Acho que está a fazer-me falta uma pausa para descansar e tentar descontrair um bocado.

É que, mesmo sabendo que esta fase é inevitável, custa muito chegar a casa e ver aquele caos generalizado de roupa suja pelo chão, móveis cheios de pó, pincéis e chaves de fendas e tudo a exigir mais tempo do que aquele que é possível disponibilizar.

De maneiras que é isto. Ando estafada. Mas sei que vai passar. E verdade seja dita, quando alguma coisa consegue ficar limpa e minimamente organizada, fica muito bonito!...