sexta-feira, setembro 28, 2007
"O País está doido"
Sim senhor. Faço daqui a minha humilde vénia ao Dr. Pedro Santana Lopes, por quem não tenho especial simpatia, mas que dá aqui um exemplo muito forte sobre o que é um homem com eles no sítio. E que faz mesmo muita falta ao País mais atitudes destas, a ver se duma vez por todas, alguma noção do ridículo começa a existir.
(Que eu gosto do José Mourinho mas há realmente limites para tudo).
Crónica de uma semana difícil
Foi preciso andar na rua a trabalho, a resolver as coisas que estavam a correr mal. Correram várias coisas mal.
Foi preciso ir às compras e acartar compras e arrumar as compras.
Terça-Feira
Foi preciso ir de manhã a Lisboa para consulta de oftalmologia com a mãe. Uma hora na 2.ª Circular para lá chegar. Uma hora e meia de espera até à consulta. 10 minutos de consulta.
Foi preciso atravessar a 2.ª Circular à noite, para chegar à Amadora. Mais uma hora de caminho, por conta do concerto dos Police.
Quarta-Feira
Foi preciso ir num instante ao cabeleireiro, ao fim do dia. Estavam lá três mulheres à minha frente, duas delas para pintar o cabelo. Entrei no cabeleireiro às 17h30, saí de lá às 19h45. Apanhei obras no asfalto no caminho de casa.
Quinta-Feira
Foi preciso levar a mãe e a irmã de manhã cedo à consulta de Ginecologia, após a cirurgia.
Foi preciso ir à entrevista de emprego. Aquela entrevista que me encheu a cabeça e as entranhas ao longo da semana toda, porque pode muito bem ser a oportunidade que eu espero há muito.
A mãe teve alta. A entrevista correu bem. E já só é preciso chegar ao fim do dia de hoje para que a semana acabe...
terça-feira, setembro 25, 2007
Olha o meu carro!...
Vendi o carro há quatro anos atrás, e foi a primeira vez que me aconteceu isto de ver a minha ex-propriedade por aí a passear.
Que importância é que isto tem? Nenhuma. Mas ainda assim foi giro e estranho ao mesmo tempo. Ultrapassou-me e tudo. Levava um homem com um bigode lá dentro. Espectáculo.
quinta-feira, setembro 20, 2007
Porque é que eu gosto do José Mourinho

terça-feira, setembro 18, 2007
Barulho e mau cheiro
Mas o que me vem incomodando mais nos últimos dias nem é tanto o ritmo. É o barulho. São os telefones a tocar todos ao mesmo tempo, as pessoas que não param de entrar e sair e que vêm sempre aos magotes, e depois como está muita gente toda junta a falar, as pessoas vão falando cada vez mais alto para se fazerem ouvir, às tantas está tudo aos gritos (inclusive eu), e ninguém percebe bem porquê.
E depois há o outro problema desta rentrée. Será que é deste tempo de calor húmido, ou serei eu que com a idade estou a ficar mais sensível? É que a mim anda-me a cheira tudo mal. As casas de banho cheiram-me todas mal, entro nos cafés ou em qualquer espaço fechado e os ambientes estão carregados de um mau cheiro que nem se consegue definir bem, se são as pessoas, ou a comida, ou tudo junto, sei lá. Só sei que ando cá com uma sensibilidade olfactiva que não me anda a facilitar nada a vida. Não suporto certas pessoas a falarem muito perto de mim, então se há coisa que eu não suporte é mau hálito... E nas filas para o multibanco? Ui! É cá uma profusão de "aromas"!...
Estou hipersensível dos ouvidos e do nariz. Enfim, podia dar-me para pior. Mas então, como termino eu o dia de hoje? Numa reunião de condomínio do prédio que já vendi, realizada em vésperas de eu ir fazer a escritura de venda. E do que é que se falou durante a reunião? De barulho e de mau cheiro, basicamente.
E a discussão às tantas tornou-se um bocado barulhenta, de facto. Pode inclusivamente dizer-se que... chegou a cheirar mal. De moldes que está tudo dentro da normalidade, creio eu...
terça-feira, setembro 11, 2007
O "Pequeno T2" dá-me nos nervos cá duma maneira...
E a coisa até que começa bem, o pior é depois. Senão vejamos:
"Eu sonhei que o mundo estava a acabar,
E isso fez-me pensar em tudo o que me resta fazer.
Lamentei tudo o que não fiz.
Vou fintar qualquer obstáculo para concretizar os meus sonhos."
Eh pá, até aqui sim senhor. Se bem que esta visão do final da vida e o desgosto do que está por fazer, esteja mais para uma crise de meia-idade do que propriamente para um jovem na casa dos vintes, em que tudo o que lhe resta fazer ainda pode muito bem vir a acontecer. Mas isso, as crises existenciais não têm idade para aparecer, e portanto o que conta é essa vontade firme, grande, de fintar os obstáculos e concretizar os sonhos. Muito bem! Assim é que é! Com uma vontade destas, só pode ter um grande futuro pela frente! E o que vai ser, jovem, por onde vais começar nessa empreitada gloriosa de tomar a tua vida nas próprias mãos? O que é? O que é?!...
"Apenas tenho que virar
A minha vida de pernas para o ar,
E procurar uma casa para eu morar
Um pequeno T2,
Onde podemos viver os dois.
Com vista para o mar e o jardim.
Um carro com tecto de abrir."
Ah... Mas então... Era só isso?... Deixa cá ver. Vais fintar qualquer obstáculo para concretizar os teus sonhos, e o que tu queres é um... um pequeno T2? Pequeno? Mas pequeno, em que sentido? Pequeno, assim, tipo, como é que eu hei-de dizer isto... pequenino? A sério? Ok, se queres com vista para o mar e com jardim, não podes estar à espera de milagres, mas ainda assim... Um carro com tecto de abrir? É quanto basta? Não estaremos com as expectativas um bocadito, ah... hum... pequeninas?...
"Tenho que virar
A minha vida de pernas para o ar,
E procurar uma casa para eu morar."
Pronto, sim senhor, no fundo eu até te entendo. Sem casa e sem carro, fica difícil arranjar um local apropriado para ter sexo. Não há condições. Pronto jovem, olha, vai em frente, vira lá a vida de pernas para o ar, e compra a casita, enfim, sempre vale mais isso do que andares por aí metido na droga.
"Só me falta arranjar um emprego
Para poder estar contigo, só contigo!
Vou tentar encontrar."
Espera lá, que eu agora é que estou mesmo baralhada. Não devo ter percebido bem, só pode ser. Dizias tu que só te falta arranjar o quê? Só te falta? Arranjar um emprego? Portanto, só te falta arranjar essa questãozita de pormenor, que por acaso é a fonte de financiamento para os teus sonhos: o belo do pequeno T2 e o carro com tecto de abrir. Então quer-se dizer, o menino ainda não tem trabalho? Está giro, e tal. Mas também tem razão, quem está disposto a saltar qualquer obstáculo, e a virar a vida de pernas para o ar à procura da casinha, como é que depois tem cabeça para mais, não é?...
Portantos, a ver se eu percebi bem (que eu hoje estou muito lenta): ah e tal, quero uma casa e um carro, nada de muito exagerado que eu sou meiguinho a pedir, a casa até pode ser pequenina desde que fique junto ao mar e tenha muito verde à volta, o carro tem que ter tecto de abrir. Para poder estar contigo, que eu sou muito romântico. Pronto, já defini estes objectivos fundamentais para o meu projecto de vida. Agora, vamos às questões, vá lá, secundárias: O que é que falta? Eh pá, acho que já só me falta uma coisa, tipo, como é que se chama aquilo... Exacto! Um emprego! Só me falta arranjar um emprego, que é aquela coisa das nove às cinco que a malta faz aos dias de semana e que dá um dinheirito ao fim do mês para pagar o pequeno T2! Então, o que é que eu, rapaz firme e determinado vou fazer? Vou tentar encontrar. Vou tentar, que eu também não estou assim para me maçar muito com pormenores. Se encontrar, encontro, se não encontrar, paciência. Vou tentar. Porque isso foi o que eu determinei, vou fintar qualquer obstáculo, portanto, vou tentar encontrar. Um emprego. Porque o resto está tudo, agora só falta mesmo isto.
"Tenho que virar
A minha vida de pernas para o ar,
E procurar uma casa para eu morar."
A sério, quanto mais penso nisto mais esmagada fico com o peso destas palavras. Dilthey? Nietzsche? Sartre? Heidegger? Meus amigos, esqueçam-nos a todos, pertencem ao passado! Ricardo Azevedo. É este o nome de vulto do Existencialismo no Século XXI!!...
segunda-feira, setembro 10, 2007
Cinzas
Porém, vivo melhor sem ti.
Estar próxima de ti tornou-me sempre em alguém pior do que sou.
E tu, nunca quiseste ser diferente daquilo que serias, comigo longe.
Vives melhor sem mim.
Estive demasiado tempo mergulhada no teu abismo.
Subi a pulso, caí e tornei a cair, cheguei ao cume.
Lambi as feridas, sacudi o pó, segui em frente.
Não volto para trás.
E no entanto, adivinho-te os passos.
Não sei como sei, mas sei, minutos antes de dobrar a esquina,
que vou cruzar-me contigo nesse dia.
Falamos de banalidades.
Já não vale a pena dizer as coisas que não se disseram quando deveriam ter sido ditas.
Ou então nada mais se diz porque tudo foi dito, e repetido vezes a mais.
Olhamo-nos nos olhos, temos essa coragem.
Nesses momentos, há algo em mim que te reconhece.
Continuas a ser o maior mistério da minha vida.
És como a marca de nascença que trago no braço esquerdo.
Raramente me lembro que a tenho.
Mas ela faz parte de mim.
Deu-me hoje para escrever esta banalidade.
Às vezes, sonho contigo.
sábado, setembro 08, 2007
Na volta do correio
Finalmente, chegou uma factura do Gás para pagar (não sei porquê, passaram-se meses sem que aparecesse uma).
De ontem para hoje, os pais da Madalena passaram de bestiais a bestas, e o Papa parece que já não quer nada com eles.
Estou pobre e miserável até ao dia 19 deste mês, nesse dia faço a escritura de venda da minha casa, a seguir a isso fico podre de rica, e logo a seguir começa a desaparecer dinheiro que me vai deixar pobre e miserável outra vez, e num estado muito mais permanente, mas ao menos vou ter uma casa nova.
Preciso de ir às compras. Não tenho ovos, nem fruta, nem uma série de outras coisas que eu ainda não dei conta, mas que de certeza me vão fazer uma falta desgraçada.
Assinalei esta tarde, com um Magnum Essence, o fim de uma série de dias repletos dos mais variados disparates de ordem alimentar, merecendo particular destaque a ingestão diária de batatas fritas (a regra manda que, no máximo, só coma disso numa refeição por semana). O jantar hoje é pescada cozida. Sem ovo nem legumes, dadas as carências mencionadas acima.
Afinal, a Madre Teresa de Calcutá também tinha dúvidas sobre Deus. E isso faz com que eu passe a estar interessada na Madre Teresa de Calcutá. A ver se o raio do livro chega cá rapidamente.
Vai-me saber maravilhosamente o meu colchão, que o sítio era muito jeitoso, e tal, mas o colchão não valia a ponta de um caracol. E no entanto, será algo estranho não acordar amanhã às sete e meia, ao som de um invariável "pai, tenho fome!".
Morreu o Luciano Pavaroti.
Não chegaram as cartas que eu queria que chegassem, e sem elas não me sinto verdadeiramente na rentrée.
Segunda-Feira tenho que ir trabalhar. Amanhã tenho que limpar a casa.
Não acertei no Euromilhões.
sábado, setembro 01, 2007
quarta-feira, agosto 29, 2007
Corta-mato
Agora... dado o tempo prolongado que o pelo tem tido disponível para crescer à vontade, não sei se a senhora amanhã se desenrasca com as bandas de cera fria, ou se não terá que recorrer ao corta-relva...
sexta-feira, agosto 17, 2007
O dilema da maternidade
Levei a minha vida toda a assistir ao comportamento habitual das mulheres, ou mesmo raparigas, à volta dos bébés. Muitos "hiis", e "oh, tão querido", e "que fofo", e toda a gente a querer pegar na criatura, fazer festinhas, dar beijinhos. Não é que eu às vezes não gostasse de comungar desse mundo de encantamento a que tantas mulheres se entregam perante um bebé de colo, até porque a sensação de exclusão é inevitável. Mas a verdade é que não me identifico minimamente com essas reacções. Não acho piada nenhuma a bébés. São totalmente dependes para tudo, desde o comer ao lavar, ao xixi e ao cócó, não falam, não interagem praticamente, e eu não lhes encontro ponto absolutamente nenhum de interesse. Pronto, já deve estar muita gente a ler isto e a olhar de lado. É o costume, mas é assim que eu me sinto e quanto a isso não há nada a fazer.
Ser mãe é uma possibilidade que, quando eu me ponho a pensar nisto mais a sério, me deixa aterrorizada. Não estou a exagerar. Fisicamente, acho que é um processo do mais violento que pode haver. E não falo só do parto, falo de todos os meses de gravidez que poderão implicar (cumulativamente ou não), dores no peito, prisão de ventre, ou em alternativa diarreia, náuseas, vómitos, dores nos rins, inchaço das mãos, dos pés, manchas na pele, aumento de peso, e isto se à partida não houver problemas de saúde associados, tais como a diabetes ou a hipertensão arterial. Depois, a perspectiva existencialista da coisa. Surge uma outra pessoa na nossa vida à qual ficaremos vinculados para sempre. Para o resto da vida. Nunca mais acaba, nem se pode interromper, nem devolver, nem nada. É para o resto da vida. Tipo, não sei se já disse, para o reeeeeessto da vidaaaaaaaaa!...
Ah e tal, mas ser mãe é maravilhoso. E ser pai também. Toda a gente me diz isso e eu acredito, sinceramente. Há-de ser com certeza um sentimento do mais avassalador que pode existir, nem pode ser doutra maneira. Pois se eu convivo com o filho do meu companheiro e já sinto por ele uma ternura tão grande, o que seria então com o tal ser que sairia de dentro de mim? E senão fosse esse sentimento, como é que alguém aguentava a violência de assegurar o bem-estar de um ser humano nos seus primeiros meses de existência? Eu respeito o mais possível este sentimento tão incondicional, e esta generosidade de gerar e criar uma outra pessoa para o mundo, mas... Será que eu quero isto para a minha vida?
Tenho muitas amigas com filhos, aliás, acho que hoje em dia não tenho nenhuma que não os tenha já. E oiço falar muito sobre aquilo que eu muitas vezes chamo, ironicamente, de "delícias da maternidade". Das birras e dos gritos, do acordar de madrugada para dar comida, adormecer, mudar fralda, mudar a roupa da cama porque houve xixi, limpar vomitado, ir para o hospital porque está doente, etc., etc., etc., mas já se sabe, ter filhos é maravilhoso. E eles compensam isso tudo. Ainda assim, as minhas amigas que têm filhos lá se vão queixando que não dormem, não têm tempo para mais nada, que não conseguem ir ao cinema ou sair para jantar (mas em contrapartida passaram a ter que arranjar tempo para andarem numa correria doida e levarem os filhos à natação e ao ballet e ao taekwondo e à música e à ginásticae ao inglês), vivem angustiadas com as doenças e os almoços e os jantares, e as horas dos banhos, e se eles saem agasalhados ou com roupa demais, e muitas vezes ficam tão cansadas que já nem têm cabeça para se preocuparem com mais nada nas suas vidas. Eu respeito em absoluto se este dia-a-dia as completa e a presença dos filhos as compensa de todas as dificuldades, mas eu pergunto-me, será que isto me completaria e compensaria a mim? Tenho a certeza que não. Se eu nunca for mãe, ficam a faltar-me vivências muito especiais e únicas, sem dúvida. Mas quando olho para isto tudo em perspectiva há sempre uma voz cá dentro a dizer que eu não quero este dia-a-dia para a minha vida. E aposto, aposto, que há muitas mulheres que tiveram filhos porque sim, e que vivem a carregar as frustrações da vida que gostariam de ter e não tiveram, mas que continuam a dizer, com toda a sinceridade, que ser mãe é maravilhoso. Mas se calhar muitas delas vão ficar a dever muito a elas próprias. Não sei, fico muitas vezes com esta impressão.
Há quarenta anos atrás as mulheres tiveram que batalhar muito para ganharem o seu lugar no mundo do trabalho. Porque não queriam estar reduzidas à casa, ao marido e aos filhos, queriam mais. Vejo hoje em dia que o fenómeno está invertido. Olho à minha volta e o que não faltam são mulheres que vêm trabalhar todos os dias simplesmente porque tem de ser, porque o salário do marido não chega para o orçamento familiar. Mas o que elas queriam mesmo era a casa, o marido e os filhos, e isso lhes bastaria. Esta é a parte que mais me custa a entender. Respeito, claro, que cada um realiza-se na vida conforme queira e o leque de opções é muito vasto, mas entender, não entendo.
(Ia no outro dia no comboio e uma senhora a meu lado falava em tom aprovador duma jovem mãe que teve o primeiro filho e gozou do tempo máximo de licença de maternidade que lhe foi permitido, a saber, três anos. Então, programou a chegada do segundo filho para o final dessa primeira licença, e prepara-se para se mandar para mais três anos de licença. Com um bocado de sorte, com o marido a ficar cada vez melhor na empresa, a dita senhora já nem pensa verdadeiramente em voltar a trabalhar. E eu, que até ia meio a dormir no comboio, com a perspectiva de ficar seis anos seguidos só dedicada aos filhos e à casa, bateu-me uma espertina que já não me deu descanso até ao fim da viagem! :-) )
Do meu ponto de vista estas mulheres, enquanto indivíduos, constroem-se muito pouco. E quando um dia destes as circunstâncias mudarem, os filhos forem à sua vida, ou o marido deixar de garantir o rendimento da família, ou pura e simplesmente a relação terminar... Bom, nessa altura o que restará, se não cultivarem um pouco a própria individualidade?
Eu gosto muito do meu trabalho. E tenho ambições de carreira. Adoro estudar. Se a vida me corresse bem nos próximos tempos, no espaço de três anos ia fazer o mestrado. E assumo que é neste tipo de projectos que me sinto plenamente realizada. É pensar nestas coisas que me enche o coração de energia, não é pensar que posso vir a ter um bébé para criar. É claro que um filho não representa necessariamente o fim de uma carreira profissional, ou de outros projectos que a pessoa tenha. Mas implica o tal compromisso para a vida, que necessariamente traz alterações profundas e reduz muito a liberdade individual. E contrariamente à ideia (ainda) vigente, de que o grande objectivo da nossa vida é crescermos e multiplicarmo-nos, acho que a minha própria existência, mesmo sem filhos, faz todo o sentido só por si. Não acho nada que seja egoísmo, é uma preservação do valor que todos nós temos, enquanto indivíduos.
Onde está, então, o dilema? Está no raio do prazo de validade. Passei os vinte e os trinta com esta ideia de que para já não, e um dia mais tarde logo se vê, pode ser que a vontade surja sabe-se lá de onde. É que eu tenho plena consciência de que, se a tal mulher que abdica dela própria pelos filhos virá de certeza a pagar a factura de não se ter a si msma, eu poderei vir a pagar a factura do arrependimento, quando o meu corpo me fechar a porta a essa possibilidade. Os 35 já vão a caminho de 36, e sei muito bem que não existem decisões inconsequentes...
É claro que, se quiser, arranjo já aqui dezenas de factores circunstanciais, relacionados com a minha actual e anteriores relações, que declaram a maternidade como algo que ainda nunca fez sentido algum colocar em agenda. Por diferentes ordens de razões, não é este o momento apropriado, tal como não foi o momento apropriado aos 30, ou aos 25, ou aos 20. Mas como diz o outro, não é esta a questão essencial. A questão essencial é mesmo a da vontade. E o dilema, que por vezes se traduz numa certa dúvida sobre a melhor decisão a tomar, está mais relacionado com o prazo de validade do que propriamente com a vontade. É uma espécie de síndrome do "compre já antes que esgote". É por estas e por outras que os saldos são tão perigosos, por exemplo, a gente vê montes de boas oportunidades ali à mão de semear, compra, e só depois é que se pergunta para que raio precisa daquilo. Não que eu compare o meu prazo de validade com uma época de saldos. Não, que horror, era lá capaz de uma coisa dessas. Bom. Pensando bem... Olha, já comparei. Adiante.
O dilema da maternidade, pelo menos o meu, é isto. É o prazo de validade a chegar ao fim. Já no que toca à vontade, despida como está desde sempre de lacinhos cor-de-rosa e cheirinho a pó de talco, o que se há-de fazer? A vontade continua a dizer-me que não foi para isso que eu nasci...
segunda-feira, agosto 13, 2007
Isto sim, é o sonho de qualquer mulher (e de qualquer homem também) - #2
A Bimby. Ou como eu já a chamo carinhosamente, a Bimba. Faz comida sozinha! FAZ COMIDA SOZINHA! É a loucura. É a felicidade extrema. Por mim, qualquer utensílio que me ajude a passar o menor tempo possível naquela tarefa extenuante e suja, e que deixa tudo sujo, que se chama... hum... argh!..., cozinhar, é um autêntico maná vindo dos céus.900 €, segundo dizem. Vou juntar à lista. Deixa cá ver: Driron, 1.880 €, e fico com uma máquina para secar e passar a ferro. Bimby, 900 €, e arranjo uma coisa para cozinhar. E ainda falta outra: Rainbow, uma máquina de limpeza também maravilhosa, por uns modestos 2.500 €. Ora isto tudo junto, deixa cá ver: 5.280 €.
Coisa pouca, portanto. E como é que eu arranjo dinheiro para isto tudo? Uma boa possiblidade é fazer como a Carrie Bradshaw fez uma vez no "Sexo e a Cidade". Vou abrir uma lista de casamento comigo própria. Só que em vez de abrir a lista na sapataria, ponho nos sites dos electrodomésticos a preços obscenos. A mim parece-me bem...
terça-feira, agosto 07, 2007
Que dia é hoje?
Porém não passa despercebida. Tem este hábito, incomodativo e demente, de se meter com todas as pessoas que passam na rua. A todos pergunta o mesmo, que dia é hoje? Que dia é hoje? É Segunda, é Domingo, é Quarta, vai assim tentanto manter presentes as contas dos dias, porque tirando os nomes que eles têm, ela já não lhes encontra nada que os distinga. Se calhar repete a pergunta porque, de cada vez que alguém lhe dá a resposta, já não a consegue manter na memória. Ou então, porque chamar assim pelas pessoas foi a maneira que encontrou de se manter ligada ao mundo deste lado, do lado de cá da porta que a encerra na escuridão, e que a cada momento a pode engolir para sempre, assim lhe faltem as forças para se agarrar às grades do postigo.
No outro dia, surpreendentemente, foi a uma janela onde batia o sol, e quem passava pôde enfim ver-lhe o rosto. Chamou, e chamou, e chamou, mas as pessoas já sabem que ela é maluca, e além disso sabem muitíssimo bem que dia da semana é e que exigências ele irá trazer, para estarem ali a perder tempo com ela. Quando finalmente alguém se aproximou, foi motivo de grande alegria e de muitas palavras de ternura, porque serão tão más todas as outras que chamei e não vieram. Que por favor lhe dissesse que saco era aquele encostado à sua parede, cheio de papéis que ela não entendia. Que vive sozinha no mundo, sem marido, e sem filho, e com isto chora. E enfim a derradeira pergunta, que dia é hoje. E ali ficou, suspensa nas respostas dadas, se calhar à espera de quem iria passar a seguir para recomeçar a chamar, enquanto o benemérito foi à sua vida de dias de semana agendados ao pormenor.
É esta a existência daquela mulher nos últimos anos da sua vida, agarrada ao postigo como se estivesse presa do lado de dentro, ou como se quisesse fazer dele tábua de salvação. Entre uma coisa e outra, venha o Diabo e escolha. E já agora quando vier, que lhe responda com simpatia à pergunta, que dia é hoje. De certeza absoluta que quando o vir, é o que ela terá para lhe perguntar.
sexta-feira, agosto 03, 2007
O cheiro
Já foi ao mecânico, mecânico mudou filtro não-sei-do-quê, melhorou, mas continua a cheirar a gasolina. E o pior é que aquilo incomoda, faz dores de cabeça e fico um bocado maldisposta.
Agora pergunto eu: isto poderá ser do quê?
- Pode ser o ar condicionado a precisar de alguma reparação mais profunda.
- Pode ser alguma fuga de gasolina, que mesmo sendo mínima, provoque aquele cheiro.
- E também pode ser, e isto é que eu acho realmente, que a mim já me cheira a gasolina, e ao carro, já lhe cheira que vou ter mais uns dinheiros em breve, com a venda da casa. E já quer que eu gaste por conta.
Está-me a cheirar. Ai está, está...
quarta-feira, julho 25, 2007
Quando uma transacção imobiliária se transforma numa novela mexicana
Andei durante as minhas férias a ver casas e estando eu quase a decidir-me por um T2 muito jeitoso com um preço agradável, eis senão quando sou contactada por outro mediador muito prestativo, que me tinha mostrado uma outra casa, um T3, que eu já tinha posto de lado, por ser demasiado caro para mim, embora até estivesse realmente num preço bastante interessante. E diz-me este outro mediador, mas olhe que esse T3 que eu lhe mostrei, que até já está num preço bastante interessante, o proprietário está disposto a vendê-lo por um preço imbatível. Foi nessa altura que eu fiquei com os pirulitos todos a chocalhar, e lá fui eu ver outra vez a casa, mais a minha querida irmã, minha melhor amiga, e eterna companheira de momentos decisivos.
Ao fim de um dia cheguei à conclusão que aquele preço imbatível era de facto imbatível, e que aquela opção era muito melhor, sobretudo porque a casa me agradava mais. E aceitei. Feliz e contente, assinei um documento de reserva, passei um cheque sem cobertura e comecei a fazer planos.
Ao fim de dois dias, quando era suposto o proprietário já ter assinado o tal documento de reserva, telefona-me o mediador da casa, está boazinha e tal, sabe, o proprietário fez melhor as contas e está um bocado aflito, chegou à conclusão que o preço imbatível afinal não lhe dá muito jeito, e propõe em vez desse, um preço vá lá, razoavelzinho. A senhora aceita? Não, não aceito, era o que mais faltava, então mas que raio de negociação é esta? Para isso fico com a outra casa, que tem um preço agradável, o que me convém muito mais do que uma casa por um preço, vá lá, razoavelzinho. Que sim senhor, que não me preocupasse mais, que ele iria tratar do assunto.
E a partir daqui voltaram as minhas noites sem dormir. Incrédula, ainda pensei que o proprietário da casa era tontinho da cabeça, a propor preços malucos e a fazer as contas depois. Mas é claro que não foi nada isso que se passou. Depois de eu andar à espera de uma confirmação (ou sim ou sopas) ao longo de uma semana, fui chamada à Agência, já para falar com o gerente. Que se vira para mim e me diz, então a senhora fez aqui uma proposta de compra deste imóvel por um preço imbatível... E digo eu, desculpe, mas essa proposta não tem nada de minha, a não ser o facto de a ter aceite. A proposta foi-me apresentada pelo mediador que aqui trabalha, e supostamente foi apresentada pelo proprietário. Supostamente. Pois. Que o mais certo é ter sido apresentada pelo próprio mediador, à espera sabe-se lá de que milagre. E então o sr. gerente lá tentou outra vez convencer-me a comprar a casa por um preço, vá lá, razoavelzinho, e eu lá voltei a dizer-lhe que não. Dispus-me quando muito a pagar o mesmo que pagaria pela outra, ou seja, um preço agradável.
Mas depois de me vir de lá embora comecei a ficar com o estômago às voltas. Literalmente, que comer nestes últimos dias tem sido um enorme sacrifício, de tal maneira eu me senti mal com esta situação. É horrível a gente sentir-se enganada pelos outros. Como é que se mantém a boa-fé e ao mesmo tempo nos prevenimos da má-fé dos outros? Não se consegue, não é? Bem me parecia. Adiante. Ao fim de umas horas a partir pedra com o meu companheiro comecei a pensar, então estes gajos estão aqui a ter este comportamento absolutamente indecente, e eu ainda estou disposta a negociar com eles? Para quê? Cheguei à conclusão que a casa começava a ter um preço absolutamente inconcebível e resolvi desfazer o negócio. Com a minha casa para ser escriturada dentro de poucas semanas, fui começando a ver casas para alugar, enquanto enxugava as lágrimas que teimavam em querer aparecer, as parvas.
Então chega-se ao outro dia e volto à Agência, quero o meu cheque de volta, por mim isto acaba já hoje, acabou-se. E diz-me o gerente, se a senhora quiser, o negócio está de pé, por um preço imbatível. O mediador com quem falou já não trabalha connosco, por causa deste e doutros problemas semelhantes. Falámos com o proprietário, que também não está nada contente com isto, e na verdade eu não me disponho a ficar com duas pessoas insatisfeitas a dizerem mal da minha empresa. De moldes que proponho a realização do negócio, pelo tal preço imbatível, sendo que a Agência não irá cobrar qualquer valor de comissão desta transacção. Prefiro isso a prejudicar a imagem aqui da minha chafarica.
Aceitei o preço imbatível nas condições apresentadas. Por sorte o proprietário, também já pelos cabelos com isto tudo, resolveu pôr o próprio número de telefone na janela da casa, e eu telefonei-lhe. Conversámos os dois e desta vez aquilo que nos estão a dizer confirma-se tudo. Portantos, acho que desta vez a coisa vai encarrilhar. Que até ao contrato promessa de compra e venda nunca se sabe. Lá vou eu rezar outra vez ao santo protector...
E foram assim passados os meus últimos dias. E foi assim que eu acho que comprei, hei-de comprar, se tudo correr bem e não falhar mais nada, uma casa.
Isto sim, é o sonho de qualquer mulher (e de qualquer homem também)

quarta-feira, julho 18, 2007
Sobre a roda dentada do destino
sexta-feira, julho 13, 2007
Mudar de casa
Desta vez é tudo muito diferente, e hoje confesso que estou particularmente vulnerável. Estive dois anos à espera de vender esta casa, a fazer planos sobre o lugar para onde iria viver a seguir. Sendo que o lugar para onde se vai viver é um lugar onde nós estamos todos os dias, uma casa não é apenas uma casa, é uma coisa que ao longo do tempo se incorpora em nós, ganha o nosso cheiro, reflecte os nossos hábitos, é ao mesmo tempo palco dos nossos melhores e piores momentos, é refúgio, local onde acontecem as nossas maiores intimidades, onde só entra quem a gente quer, onde está grande parte daquilo que somos.
Já dei comigo a olhar à minha volta, aqui no meu T1 que eu quero muito ver pelas costas, e a sentir alguma nostalgia a escorrer pelas paredes abaixo, uma sensação de perca que se instala ao fim do dia, quando o sol começa a desaparecer na cozinha, uma impressão parva de invasão de privacidade quando o comprador me telefona a dizer que já deu esta morada em alguns lugares, que se faz favor o avise no caso de chegar correio para ele.
E agora, para onde é que eu vou? Todas as hipóteses são boas e más, nenhuma é o ideial alimentado ao longo destes dois anos, e por outro lado, todas representam oportunidades de negócio tão boas, mas tão boas, que é difícil discernir qual é a melhor oferta de todas. Os vendedores de casas são muito faladores. E têm sempre qualquer coisa na manga, à espera do momento certo para nos manipularem. São simpáticos e assertivos até ao limite da exaustão. E não têm muitos compradores, então mergulham de cabeça em cima dos poucos que existem. Mergulham de cabeça em cima de mim, portanto.
Com os bancos posso eu bem, fazem-se as contas e pronto, também aí já vi que quem precisa está sempre lixado, mesmo... É como ter um cobertor demasiado curto, é só uma questão de perceber o que é que preferimos ter destapado, se a cabeça ou os pés.
E então especialmente hoje, quando já quase tinha tomado uma decisão, eis que surge uma nova proposta para baralhar e tornar a dar. Fazendo da minha futura casa uma oportunidade de negócio, uma oportunidade de negócio para eu depois transformar num lar. Como é que eu sei, de entre tantas e tão boas oportunidades de negócio, qual a melhor opção para que daqui a uns tempos eu me sinta, novamente, na minha casa? E de preferência, sem que as paredes assistam logo de início a lágrimas de arrependimento?...
PS: Eu sei que isto são dilemas dos bons, quem sou eu para me estar aqui a queixar. Mas a verdade é que esta semana tenho dormido muito mal à conta desta questão. E se por um lado, estar de férias tem sido óptimo para tratar de tudo com tempo, há se calhar demasiado tempo livre entre mãos para matutar nisto. E isso também tem o seu lado negro, sem dúvida...
quinta-feira, julho 12, 2007
Situação: capaz de lhes ir às trombas
Situação REEMB: EMISSÃO ATÉ 31 DE AGOSTO
segunda-feira, julho 09, 2007
Decisões, decisões
Compro no limite do plafond estabelecido, ou fico-me pela que me deixa mais à-vontade financeiramente? Com parqueamento ou sem parqueamento, com arrecadação ou sem ela?
Decido já ou espero para ver aquela que os donos só vêm de férias no fim do mês?...
Quem diria que as minhas férias iam servir para limpar a que já está vendida, e para procurar a que vou ter que limpar a seguir!...
quarta-feira, julho 04, 2007
Blimunda doméstica vs Blimunda patroa
Soubesse ela a trabalheira doida que aquilo dá, tirá-los a todos das prateleiras, limpá-las e voltar a pô-los todos outra vez no mesmo sítio, por ordem alfabética de autores!!!
E ainda por cima a trabalhar de borla.
segunda-feira, julho 02, 2007
Férias
Limpar a casa como deve ser.
Dar-me ao luxo de não ter pressa.
Afastar-me do emprego por uns tempos, coisa importante para a sanidade mental.
Férias para repor energias. Bem bom.
quinta-feira, junho 28, 2007
Diga-se de passagem
Não me importava nada de saber qual é a especialidade dele.
E a julgar pela troca de olhares, fiquei com ideia que ele também não se importava nada.
quarta-feira, junho 27, 2007
Ó sr. santo protector do tempo de espera até ao contrato de promessa compra e venda
Coitado do homem, foi internado, foi operado e tudo. Isto faz-me lembrar o Hugo, do Lost, que ganhou aquele dinheiro todo mas a partir daí há sempre pessoas à volta dele a sofrerem as consequências da maldição, tipo, gente a morrer e assim.
No meu caso, como sou assim uma criatura de fraca qualidade, o único efeito colateral que consigo provocar é um perónio partido. Ainda assim, o contrato era para assinar já amanhã e afinal vai ficar para Sábado ou Domingo. Ou Segunda, ou Terça...
Com franqueza.
terça-feira, junho 26, 2007
A operação da mãe
A operação foi ontem, e felizmente correu tudo bem. Hoje já a encontrei bem disposta e animada, feliz por se ver livre daquele peso que a empurrava, literal e figuradamente, para baixo.
Persistem muitas preocupações. Há muitas mais coisas que vemos que não estão bem e que têm que ser acompanhadas, há ainda muitas dúvidas sobre quais as sequelas desta intervenção no futuro, e portanto, não dá para fazer grandes festas. Mas pelo menos, esta corrida de obstáculos para a fazer chegar à operação o mais rápido possível, já a conseguimos concluir.
Hoje é tempo de respirar fundo e esperar que, como dizia Gabriel Garcia Marques num dos seus livros, "Deus nos livre daquilo que somos capazes de aguentar".
segunda-feira, junho 25, 2007
SPM
quinta-feira, junho 21, 2007
Foi desta
(agora vou ali acender uma velinha ao santo protector do tempo de espera até à assinatura do contrato de promessa de compra e venda).
quarta-feira, junho 20, 2007
Eu, de certo modo
Eu tenho: muitos projectos.
Eu acho: que mudar é sempre bom, nem que seja para pior.
Eu odeio: assuntos mal resolvidos.
Eu sinto saudades: de estudar.
Eu escuto: muito burburinho e isso cansa-me muito.
Eu cheiro: a mim.
Eu imploro: às pessoas que não andem em carneirada, e pensem pela própria cabeça.
Eu procuro: aprender e evoluir (uma coisa depende da outra).
Eu pergunto-me: será que existe isso do acaso?
Eu arrependo-me: de algumas coisas.
Eu amo: os meus.
Eu sinto dor: quando faço ginástica localizada (e mesmo assim volto lá para fazer mais).
Eu sinto falta: de alguns amigos.
Eu importo-me: quando não sou correcta para alguém.
Eu sempre: chego à hora combinada.
Eu não fico: descontraída por muito tempo.
Eu acredito: que sem muito trabalho, muito esforço, nada se consegue.
Eu danço: mal.
Eu canto: muito bem, aliás, sou um talento por descobrir nessa área.
Eu choro: baba e ranho nos filmes todos, inclusive a ver o Dumbo (de todas as vezes que vejo o Dumbo, aquela cena dele a separar-se da mãe dá cabo de mim).
Eu falho: como toda a gente, mas lido muito mal com isso.
Eu luto: e luto, e luto, e luto, todos os dias desde que me levanto até que me deito, contra todas as contrariedades que a vida me atravessa à frente, e às vezes consigo as coisas, mas acho que é mesmo só porque a vida fica farta de me ver a saltar obstáculos.
Eu escrevo: e depois guardo na gaveta.
Eu ganho: mal, claro, mas há quem esteja pior.
Eu perco: a paciência com demasiada facilidade.
Eu nunca: fumei um cigarro na minha vida.
Eu confundo-me: em qualquer lugar novo que vá, e em alguns onde vou com frequência também. O meu sentido de orientação é uma desgraça.
Eu estou: bem amada.
Eu sou: um bocado snob. E mal-humorada. E impaciente. Mas ainda assim, sou boa pessoa.
Eu fico feliz quando: acontecem coisas boas aos outros ou a mim.
Eu tenho esperança: de uma vida melhor.
Eu preciso: de ver os meus pais bem de saúde.
Eu deveria: aprender a lidar melhor com os fracassos.
quinta-feira, junho 14, 2007
Delapidação do subsídio de férias # 1
Ah, a felicidade por vezes vem em tons de azul-escuro!...
quarta-feira, junho 13, 2007
No smoking, please
É que, depois de um frugal pequeno-almoço de chá e torrada, estou com o cabelo a cheirar como se tivesse ficado num bar qualquer a fumar e a beber até às duas da manhã!
Ainda ontem lavei o cabelo, raios partam este vício horrível.
quarta-feira, junho 06, 2007
Vidas...
- Depilação às 13h00.
- Ginástica às 17h30.
Ó Sócrates, desculpa lá mas hoje só deu para trabalhar quatro horas!...
segunda-feira, junho 04, 2007
(Querem ver as fêmeas à minha volta a ficarem todas doidas? Querem? Querem? Então cá vai...)
Não estou habituada a isto...
É mais ou menos como ter um gão de pó no olho, ou ser mordida por uma melga e ficar uns dias com comichão no braço, ou comer uma refeição mais calórica e fazer uma digestão mais prolongada que o habitual... Incomoda um bocadito, mas felizmente são tudo situações transitórias, ao fim de um tempo passa e volta tudo à normalidade.
Também não consegue incomodar por aí além, ele coitadito é congenitamente atrofiado, e continua mirrado à conta da subnutrição.
Mas ainda assim, de vez em quando manifesta-se, o raio do instinto maternal!...
terça-feira, maio 29, 2007
A febre consumista deixa-me neste estado:
(post acompanhado de grandes quantidades de saliva e suor, a escorrer pelos cantos da boca e têmporas, respectivamente).
domingo, maio 27, 2007
Paciência
E hoje ao acordar, entrou-me pelos ouvidos esta canção, na voz da Mafalda Veiga e do João Pedro Pais:
Paciência
"Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára (a vida não pára não)
Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára (a vida não pára não... a vida não pára)"
E eu pensei: apropriado.
Agora é que tem mesmo que ser. Vou aspirar.
sábado, maio 26, 2007
Inevitabilidade
Que eu até tenho alguma sorte nisto, primeiro porque o meu cabelo é castanho claro, no pino do Verão até aparecem umas madeixas loiras aqui e ali. E depois, acho que por predisposição genética, que lá em casa toda a família demorou a tornar-se grisalha.
Mas ontem, vi-o pela primeira vez. Ali está ele: inexorável. Com todo o ar de quem veio para ficar. De quem já sabe muito, até mais do que eu. O meu primeiro cabelo branco.
quarta-feira, maio 23, 2007
"Service"
Coisa mai linda. É tão perfeitinho. Desde há uns dias para cá, quando ligo a ignição, as letras do conta quilómetros desaparecem e fica uma mensagem a catrapiscar, dizendo: "service". Isto a mim enternece-me, que querem?
Agora, o próximo passo de gigante na evolução da tecnologia automóvel é uma pessoa poder mandar uma mensagem lá para dentro do bicho, qualquer coisa do tipo: "Não tenho um tostão. Para te mandar para o "service" ainda tens que esperar pelo subsídio de férias".
sábado, maio 19, 2007
Candida Albicans, Update
A minha Candida está, desde Março, controlada. Passei um fase muito má em Janeiro, quando celebrei o 1.º aniversário da dita. Nessa altura voltei à Maternidade Alfredo da Costa, e a seguir fui ao meu médico, que me pôs a anti-depressivos, tal era o estado miserável em que eu me encontrava. Tenho vindo a reduzir, e vou largá-los definitivamente no mês que vem.
Depois de despistar todas as possibilidades e mais alguma de eu ter algum outro problema de saúde que provocasse esta situação (tiróide ou outro distúrbio hormonal, infecção por bactéria, alergia), estou hoje em dia a encarar este problema como uma doença crónica que eu contraí. Daí não dizer que estou curada, porque não estou, mas apenas que consegui arranjar maneira de manter isto controlado. Um controlo muito instável, aliás. Basta comer alguma coisa mais calórica, ingerir menos líquidos, trabalhar mais intensamente, enervar-me, chego ao fim do dia e já estou com mais corrimento, sinal de que a bicha aproveitou logo uma qualquer fraqueza minha para se soltar das rédeas em que está presa.
Actualmente o que me preocupa é a dependência dos medicamentos para andar bem. Tenho a sentença lida para tomar Fluconazol uma vez por semana, num período que será de seis meses a um ano. Pode-me dar cabo do fígado? Pois pode. Fui fazer análises recentemente, estou à espera do resultado, para ir monitorizando a minha reacção a uma toma tão regular deste fármaco, e espero que o fígado se vá aguentando. De resto, tenho muitas dúvidas quanto à eficácia disto. Umas vezes acho que me faz bem, outras vezes tenho a impressão que até fico com mais corrimento dois ou três dias depois de o ter tomado, mas também não tenho uma certeza a cem por cento, e por via das dúvidas, vou tomando. Volto à Maternidade em Agosto, logo se verá.
Estou bastante satisfeita com a homeopatia, a minha conta bancária é que fica gravemente doente de cada vez que vou a uma nova consulta. Senti grandes melhoras com o tratamento que o homeopata me prescreveu, e o único problema é que umas semanas depois de o terminar... tive uma recaída. Já vou na segunda dose de um tratamento, que se baseia em dois princípios: fortalecer o meu sistema imunitário e controlar a acidez dos medicamentos que ingiro. Recordo que a Candida não sobrevive em meio alcalino. Logo, se a acidez dos alimentos for reduzida, a bicha fica sem ter do que comer. Isto para mim continua a fazer sentido, independentemente do que o senhor me veja no olho ou não. Ele na altura receitou-me uns óvulos que eu comprei mas não coloquei (ainda), porque não quis continuar a castigar a minha flora vaginal com substâncias, que eu às tantas já não tinha noção do que é que ajudava ou desajudava. De resto, o tratamento que faço é este: Prelief; Stauvita; Sanukehl Cand D6; Caprinol.
Mantenho as idas ao Alergologista. A vacina que comecei em Novembro do ano passado, ainda não chegou à dose mais concentrada, que supostamente começará a ser eficaz. Vou lá de quinze em quinze dias levar uma picadela, de cada uma das vezes a dose vai sendo maior, e no que a isto diz respeito, continuo a pagar para ver.
Bebo dois litros de água por dia. Quando me desleixo, ressinto-me. Não posso abusar dos doces, chocolate então, o melhor é nem o cheirar. Como uma laranja quando o rei faz anos, o leite está praticamente erradicado, é ainda mais raro do que as laranjas, sempre que bebo leite é tiro e queda o acentuar do corrimento. Passei de três cafés para um café diário. Cuecas de algodão, arejar, lavagem íntima sempre com água fria.
O Geliofil, que foi aqui aconselhado por um médico generoso a quem uma vez mais agradeço a simpatia e a atenção, tornou-se num companheiro regular. No final de cada período menstrual, três dias de Geliofil. Só tenho a dizer maravilhas. Disso e do Alkagin. Uso a loção de higiene íntima e o gel de aplicação vulvar. Já vi que a fase mais complicada é sempre a partir dos vinte dias de ciclo, e até aparecer a menstruação. Nessa altura a secura acentua-se, e a aplicação do Alkagin em gel é óptimo, sobretudo antes de deitar.
E agora poderão perguntar-me, mas assim com isso tudo, como é que sabes o que verdadeiramente te está a fazer bem? A resposta é: não sei. Nem sei se é apenas uma coisa, ou precisamente estas coisas todas em conjunto que me têm ajudado a manter algum equilíbrio. O que eu sei é que voltei a uma vida sexual regular, e isso parecendo que não, contribui e muito para a minha sanidade mental. Uma das coisas que me empurrou para a depressão foi precisamente essa incapacidade para o sexo, que era física mas também de uma total ausência de líbido. Isso fazia-me sentir um lixo enquanto mulher, e estive muito perto de me afastar do meu companheiro por causa disto. Felizmente os tempos actuais são bem melhores, que se vier por aí mais uma fase má, pelo menos já há memória de uma fase boa pelo meio.
Nunca esperei, quando falei disto pela primeira vez em Setembro do ano passado, que estivesse ainda hoje a ver aumentar a caixa de comentários deste post. Já vai em mais de 200, e há até quem me sugira a criação de um Fórum sobre este assunto. São muitas as mulheres e homens que se aproximaram de mim por conta desta doença, que comentaram, enviaram e-mails, procuraram, de alguma forma, conversar comigo sobre este assunto. Fico a imaginar quantos têm passado por aqui com o mesmo problema e que não chegaram a dizer nada.
Quanto aos que se chegam à frente, tenho procurado estar disponível para todos, embora sublinhe que estou longe de ser uma especialista na matéria. Agora, estou absolutamente convencida que este não é um problema de minorias. É uma doença grave, que provoca danos físicos e psicológicos profundos, e está em crescimento. O médico que achar que isto é coisa simples de resolver, até pode ser um bom médico, mas não tem condições de ajudar quem esteja com uma infecção recorrente de Candida Albicans.
E no entanto, a única maneira possível de lidar com esta doença é, precisamente, indo ao médico. Se não gostarem, se acharem que são mal acompanhadas, troquem. Vão a outro, e a outro, e a outro, até encontrarem aquele que vos dê a atenção merecida, e nessa altura, agarrem-se a ele com unhas e dentes, se for preciso. Ginecologista, alergologista, dermatologista, endocrinologista, homeopata, psicólogo, psiquiatra, o que for. O único caminho que eu posso sugerir é este: conhecer a fundo o próprio corpo, perceber que problemas de saúde poderão existir em concomitância com a Candida, porque se for um problema hormonal o tratamento é um, se for uma questão alérgica será com certeza outro, e por aí fora. Depois, por tentativa e erro, encontrar os medicamentos, ou produtos, que em cada caso possam ajudar a encontrar o tal equilíbrio. Identificar os hábitos, alimentares ou outros, que contribuem para melhorar a qualidade de vida, e seguir por esse caminho. Não vale a pena pensar em termos de cura. Isto é uma doença crónica, o melhor que se pode alcançar é o seu controle.
E o mais importante de tudo (que serve também para me lembrar a mim, no caso de um dia destes resvalar outra vez para o abismo): Não deixem de gostar de si próprias por causa disto. Perder a auto-estima é uma derrota que não podemos conceder a este fungo, que é desprezível ao ponto de se alimentar com a nossa infelicidade.
(Pode parecer outra vez um grande testamento em torno do mesmo assunto, mas as dezenas de pessoas que aqui vêm parar todos os dias, motivadas pela angústia que este problema produz, merecem-me todo o respeito e solidariedade. A única coisa que posso fazer por elas é dar o meu testemunho, por isso aqui está ele, uma vez mais.)
sábado, maio 12, 2007
Memorial do Convento

Aqui esta grande doente de Saramago foi ver "Memorial do Convento", que está em cena no Palácio Nacional de Mafra até 30 de Junho.
Para já, acho que qualquer companhia de teatro que pônha pés ao caminho para adaptar ao Teatro um romance do Saramago, agarram-se a uma empreitada gigantesca, porque nunca é com duas ou três penadas que se adaptam textos com aquela profundidade. Do meu ponto de vista, merecem louvor desde logo, pela coragem.
Fui ver em tempos, ao Teatro da Trindade, a adaptação do "Ensaio sobre a Cegueira", e fiquei pasmada com a criatividade cénica que foi criada para aquele espectáculo, assim como com a capacidade que tiveram na altura de resumir o texto todo, mas mesmo todo.
Neste "Memorial do Convento", exalto sobretudo o trabalho dos actores. Especialmente do Flávio Tomé, que compõe um Padre Bartolomeu de Gusmão de tal forma marcante, que acho que vai passar a ficar a imagem do seu personagem na minha cabeça de todas as vezes que voltar àquele texto. É o maior elogio que lhe posso fazer. A evolução do personagem ao longo da peça é excelente. O espectáculo no seu todo, é muitíssimo bom.
De resto, tudo assenta no texto, que é aquela obra de genialidade do princípio ao fim. E quando as palavras dos actores citavam o livro, fazia-se um eco qualquer dentro de mim, que não sei porquê, as palavras que percorrem aquele romance, os acontecimentos reais e irreais que por lá são relatados, tudo aquilo me comove de uma maneira que vai muito além de qualquer fruição literária.
As primeiras lágrimas caíram-me quando se ouviu em "off" a mãe de Blimunda. A partir daí foi uma choradeira constante, quando veio o sermão do Padre Bartolomeu, já à beira da loucura, questionando-se se são os homens que estão em Deus, ou se é Deus que está nos homens, e que seja como for, estar Deus nos homens depende sempre da vontade destes últimos, e que nesse caso, o homem é mais que Deus, porque não há Deus sem a vontade dos homens. E no final, quando a Blimunda vai entre os espectadores a perguntar se alguém viu o Baltasar, que há nove anos que o procura, porque por mais vezes que leia a história, que a oiça contar, de todas as vezes é como se fosse a primeira, nunca deixa de me doer o que o destino tem guardado para Baltasar e Blimunda.
"Sabes tu o que é ser homem e mulher? Ninguém sabe."
"É a vontade dos homens que segura as estrelas. É a vontade dos homens que Deus respira"
Hoje vai-me custar a adormecer...
quarta-feira, maio 09, 2007
domingo, maio 06, 2007
Uma imperial e uma bifana, ó fáxavor!
Foi muito bom. Para mim, que sou a senhora doutora, dá-me muito gozo juntar-me a outros colegas, especialmente àqueles que ficam sem saber muito bem como hão-de lidar comigo nestas circunstâncias. Houve um colega em particular, que me tratou por "dona Blimunda" até ao momento em que levou com um saco de amendoins na cabeça!
Tomei hoje consciência de como o meu ambiente de trabalho é, actualmente, demasiado artificial. Muita mulher junta, muito salto em bico, muita permanente e diferentes tons de loiro-farmácia. Formalismos, narizes empinados, cinismos, hipocrisias, mas tudo bem maquilhado, com os melhores tons de base e batons de boa qualidade. No fundo, é outro teatro, este em que trabalho diariamente. Saber nadar nestas águas e manter a cabeça à superfície também exige perícia e não é para todos, atenção.
Mas pelo menos por hoje, soube mesmo bem o tempero daquelas bifanas, sem quaisquer pretensões a fazerem-se passar por "Bifinhos de Porco Recheados com Míscaros e Mostarda Antiga". Acompanhadas pela boa disposição de quem está a correr por gosto. Ah! E por umas imperiais muito bem tiradinhas, que fiquei hoje grande profissional da coisa!...
sábado, abril 28, 2007
segunda-feira, abril 23, 2007
(I)rracionalidades
Pensávamos que estava para breve, tipo o mês que vem. Infelizmente, hoje a consulta de Anestesiologia trouxe-nos um grande balde de água fria: os valores da tiróide estão muito alterados, e a anestesista deu um parecer negativo à cirurgia. Recambiou-nos para Medicina, para regularizar os valores, e nessa altura re-avaliar a situação.
A minha mãe já retirou a tiróide há cinco anos atrás, e desde então aqueles valores nunca mais bateram certo. Como é que agora vão conseguir equilibrar aquilo e quanto tempo vai ainda durar? Não sei.
Só fiquei perplexa com a minha reacção a esta novidade. Por um lado o meu lado racional reconhece que a médica até está a defender os interesses da minha mãe, porque afinal, se ela for para a cirurgia e depois alguma coisa correr mal, eu cá estarei para pedir responsabilidades. Eles também têm que se defender, estas coisas não são como nós queremos e a minha mãe tem montes de problemas que a tornam numa doente de risco. Eu sei isto tudo.
Mas por outro lado, tenho a dizer que fiquei a odiar aquela médica de morte. Que lhe ganhei uma raiva naquele mesmo instante, que a minha vontade foi subir para cima da mesa, apertar-lhe o pescoço e obrigá-la a fazer um relatório favorável, para tirar a minha mãe, e nós todos, desta aflição em que andamos já há meses. O meu lado irracional tinha vontade a de a ver a sofrer. Palavra de honra. Sinto-me uma autêntica mulher das cavernas, hoje... :-(
sábado, abril 21, 2007
Um sucesso
Este ano houve coisas especiais, que marcaram a diferença. Numa já habitual festa de encerramento, que eu já muitas vezes apresentei sem grandes requisitos de espectáculo, convenceram-me (e eu não demorei muito a deixar-me convencer...) a subir ao palco vestida e arranjada cumadeveser. E foi bom, claro. Dois cabeleireiros de volta de mim, a maquilhagem sempre discreta, que grandes maluqueiras a esse nível não são para mim - um dos aspectos do mundo feminino que para mim continuam um pouco insondáveis é mesmo a maquilhagem -, e é claro, o fato. O fato era mesmo giro. Quem sabe se um dia destes não resisto à vaidade de aqui colocar uma foto da coisa.
Esta iniciativa ficou à minha responsabilidade pela oitava vez consecutiva. Ao longo dos anos tenho tido o gosto de a ver a crescer, e a certos níveis, aquilo é hoje quatro vezes mais do que já foi. Mas apesar de fazer este trabalho há tanto tempo, é um projecto que me destabiliza mais do que qualquer outro. Seja pelo peso da responsabilidade, seja pela enorme logística que ele implica, a maior de todas em relação a tudo o que faço ao longo do ano (e com recursos financeiros e materiais cada vez mais escassos), nunca consegui fazer isto em ano nenhum sem ter uma crise de desespero, de choro, sem ficar com os nervos em frangalhos por conta das dificuldades que aparecem. Como eu costumo dizer, uns dias antes de abrir o certame há sempre um dia que eu baptizei como o "dia do não", em que basicamente, toda a gente nos diz que não a tudo, como se estivessem combinados para testar a nossa capacidade de resistência. Bom, isto tudo para dizer que este ano, muito à conta dos anti-depressivos que ainda circulam pelo organismo, se bem que já em quantidade reduzida, não houve descontrolo emocional. Não houve crise nervosa. Não me desesperei com nada. E isso foi o melhor de tudo, muito melhor até do que o fato no último dia. O meu desafio daqui em diante é ser capaz de lidar com estas situações de pressão sem comprimidos da felicidade. Porque não há dúvidas que assim o trabalho corre melhor, para mim e para os outros.
Por outro lado, o que eu gostava mesmo era que este tivesse sido o meu último ano naquela iniciativa. Teria sido uma excelente forma de me despedir, aquela de ontem. Aqui há uns tempos atrás sopraram uns ventos de mudança na minha vida profissional, mas acontece que os meus ventos são soprados por políticos, e já se sabe, ventos soprados por esta malta, tão depressa são furacões como a seguir se transformam em calentura. Estou mais que pronta para dar o passo em frente e sou mais que merecedora. Digo isto à Sporting, com toda a tranquilidade. Agora que o pico de trabalho já passou, estou na expectativa de ver se finalmente vai chegar uma nova fase para mim, ou se a festa de ontem foi só uma forma glamorosa de continuar a marcar passo.
segunda-feira, abril 16, 2007
Pico de trabalho
E o pior são os que não telefonam, e já deviam ter telefonado. Não. O pior são os que não páram de telefonar. Pior que esses só aqueles que já chegaram pessoalmente, e começam logo a pedir coisas que não há, e que têm que se arranjar a correr, mesmo não havendo. E já só temos amanhã para estar tudo pronto. E o mais incrível e maravilhoso, que nunca deixa de me surpreender por mais anos que passem, é que chega-se à hora e está tudo pronto. Quantos milagres terão que ser obrados amanhã? Muitos. Depois de amanhã aquilo começa e pronto, é uma espécie de funil, cada hora que passa é menos uma hora de coisas que precisam de ser previstas, acauteladas, geridas, resolvidas.
É esta semana, até Sexta-Feira. Depois vem o merecido descanso. Mas até lá, até lá, vou ter que chegar para muitas encomendas. Estou tão cansada...
sexta-feira, abril 13, 2007
Lingerie anti-depressiva
Aqui há uns dias atrás fui às compras ao Jumbo, e antes disso passei pela farmácia, dois dos locais onde deixo habitualmente quantidades absurdas de dinheiro. Comprei duas coisas na farmácia e deixei lá ficar mais de quarenta euros. Ora isto transtornou-me. Saí de lá direita ao Jumbo angustiadíssima porque aquele dinheiro fazia-me uma falta danada, que este é outro daqueles meses em que eu ando a contar os tostões. Chegada ao Jumbo, bato de frente com uma promoção da DIM. Na compra de um conjunto de cueca e soutien, oferta de mais uma cueca. É claro que me agarrei logo àquilo, comprei um conjunto amoroso, ainda por cima com uma cueca de borla, era impossível não aproveitar. Duas cuecas e um soutien por 26 €, grande negócio!
É verdade sim senhor, gastei mais 26 € em cima dos outros 40. E já sei que alguma mente tortuosa poderá agora vir dizer que isto não faz sentido nenhum, que se o problema era falta de dinheiro o melhor era não ter gasto mais, e mais não sei quê. Mas isso já se sabe, são cabeças fraquitas. Qualquer mente esclarecida percebe perfeitamente que, falida por falida, ao menos saí do Jumbo mais bem disposta!...
Agora fiquei foi com um problemazito... Só depois de chegar a casa é que me decidi a experimentar a lingerie. E o modelito das cuecas, decididamente não me fica nada bem... Aquelas cuecas, que até fiquei logo com duas, não sei se terei coragem de alguma vez andar com elas vestidas. Mas que são muita lindas e que foram uma pechincha, lá isso!...
terça-feira, abril 10, 2007
O poncho
Ganhei um poncho da Mango, pelo Natal (parecido com este da foto, mas mais giro). Ora acontece que aquilo dá certo trabalho a vestir e a despir, motivo pelo qual estava sentada a almoçar com ele vestido. O colega do lado, de vinte e poucos anos (uma criança, portanto!), entabulou comigo a seguinte conversa a respeito de… da…. do poncho, no fundo, a respeito do poncho:R.: Eh pá, muito jeitoso, sim senhor, bem fashion. Mas porque é que estás com isso vestido enquanto estás a comer? Estás assim com tanto frio?
Eu: Nada disso. É que isto dá-me algum trabalho a vestir e a despir, porque tem um cinto meio manhoso…
(depois de algumas explicações de ordem prática sobre como vestir e despir o poncho) … e para me poupar a isso, resolvi almoçar com isto vestido.
R.: As mulheres são umas complicadas! Já viste bem o trabalhão que isso pode dar a um homem? Ficas a saber... (esta malta nova tem cá uma mania de que foram eles a inventar o pai-nosso e que agora têm esta missão humanitária de o ensinar aos mais velhos!...) ... que os homens não gostam disso! Gostam é de coisas simples, que se dispam num instante!
Eu: Bom. Embora sejas um rapaz novinho, acho que já tens idade suficiente para saber algumas coisas. Vou dar-te uma novidade. Uma coisa que dê trabalho a despir pode ser muuuuuuito estimulante em determinados momentos, ok?...
R.: Bom. Embora já tenhas uma certa idade, acho que também ainda poderás saber do que é que eu estou a falar. Essas demoras não têm piada NENHUMA se o único tempo disponível que tenhas for durante A HORA DE ALMOÇO, ok?!!!!...
(Diz ele com todo o ar de quem sabe exactamente do que é que está a falar...)
Donde se conclui que isto das pressas e dos vagares não é só uma questão de idades. Não se tem pressa só porque se é novo. É também porque não há espaço, nem horários compatíveis com o vagar. Mas pensando bem, a verdade é que não têm espaços nem horários porquê? Porque são novos, lá está. Realmente, agora que penso nisto, prefiro de longe ter “trintas” a ter “vintes”. E não é só por causa do poncho!...
domingo, abril 08, 2007
Informática, essa grande desconhecida...
Qualquer que seja o endereço de e-mail para onde eu tente enviar algo, um gajo que eu não conheço de lado nenhum, chamado Administrador do Sistema, manda-me à merda com esta conversa:
"A sua mensagem não chegou a um ou mais destinatários.
Assunto: Teste
Enviada: 08-04-2007 23:27
Não foi possível contactar os seguintes destinatários:
'blimunda_setluas@mail.pt' em 08-04-2007 23:27
554 5.7.1
Juro que não fiz nada para merecer isto. E o que é estranho é que recebe tudo na perfeição. Será viroseira?... Raios partam os computadores, ainda dizem que as mulheres é que são inconstantes...
sábado, abril 07, 2007
Ontem
Passear em Cascais e apanhar sol à beira-mal.
Gelado Santini de morango e marabunda.
Sexo.
Cinema.
Tenho que concordar com a comunidade religiosa. Ontem foi mesmo Sexta-Feira santa!...
segunda-feira, abril 02, 2007
quinta-feira, março 29, 2007
"I only ask of God"
Sólo le pido a Dios
León Gieco
"Sólo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente,
que la reseca muerte no me encuentre
vacío y solo sin haber hecho lo suficiente.
Sólo le pido a Dios
que lo injusto no me sea indiferente,
que no me abofeteen la otra mejilla
después que una garra me arañó esta suerte.
Sólo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente,
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.
Sólo le pido a Dios
que el engaño no me sea indiferente
si un traidor puede más que unos cuantos,
que esos cuantos no lo olviden fácilmente.
Sólo le pido a Dios
que el futuro no me sea indiferente,
desahuciado está el que tiene que marchar
a vivir una cultura diferente."
A canção veio da Argentina, de 1978. Mas está viva. Na música dos Outlandish, mas também neste mundo civilizado, democrático(?), desenvolvido, e porém tão desnorteado, em que vivemos. Descubro-a viva dentro de mim própria, nos acontecimentos que ditam o meu dia-a-dia.
Para o bem e para o mal. Está viva.
terça-feira, março 27, 2007
A minha primeira aventura homeopática
Fui ao homeopata. A Albicans sossegou mas não morreu, e vai daí resolvi combater o meu cepticismo com uma resolução que não tem contra-argumentação possível: eu hei-de fazer tudo, mas tudo o que esteja ao meu alcance, para combater esta doença que me assaltou. Porque melhorar não é o mesmo que ficar boa, e melhorar à base de medicamentos que só fazem "festas ao bicho", exigia que eu fosse pelo menos ver o que estava para lá da medicina tradicional.
E lá fui eu. O doutor foi bem recomendado, professor catedrático e não sei quê. Uma coisa vi eu logo quando lá cheguei: com uma sala de espera tão repleta, desde crianças a velhinhos de bengala, é estatisticamente improvável que tanta gente ande ao engano. Com o meu cepticismo a gritar-me aos ouvidos: "É um charlatão! Vais sair daqui sem um tostãozinho para amostra!", sentei-me e esperei, que as decisões, quando se tomam, são para levar adiante. E esperei. E esperei mais um bocadinho, e continuei a esperar, que pelos vistos aquilo é mesmo assim que funciona.
E lá entrei para falar com o senhor. Expus-lhe o problema Albicans, e da parte dele só ouvi coisas razoáveis, o que me agradou. Propôs-se a reforçar o meu sistema imunitário, mantendo todos os tratamentos que a medicina tradicional me tinha prescrito. "Cada coisa no seu lugar, disse ele". Lembrou que a Candida Albicans não é como uma bactéria estranha ao nosso corpo, que se combate e expulsa, e o problema fica resolvido. A Albicans vive dentro de nós, e a única coisa que se pode fazer é dar ao nosso corpo as ferramentas que e ele precisa para não a deixar andar desgovernada. Que a bicha aprende a criar resistência e depois é uma chatice, quanto mais é agredida, mais ela se revolta. E até aqui tudo bem.
A seguir, manda-me ir para um aparelhómetro, e faz o quê? Observa-me o olho! O olho! E passando desde já à frente de algum pensamento mais brejeiro da parte de quem esteja a ler estas linhas, era um aparelho em tudo semelhante aos que existem nos consultórios de oftalmologia, ok? Fiquei depois a saber que a Iridologia (observação da íris) é uma prática dos médicos homeopatas, porque dizem eles, é possível ver na íris os males do corpo da pessoa. (Estou a escrever isto e ao mesmo tempo o meu cepticismo aperta-me o pescoço, abana-me e dá-me caroladas na cabeça, tudo ao mesmo tempo).
E pronto. Deixei lá ficar quase 200 euros. O doutor mandou-me voltar ao fim de um mês de tratamento para, palavras da funcionária da entrada, "me dar um olhinho". Já a tinha ouvido a utilizar a expressão enquanto esperava pela minha vez, só depois percebi que aquilo tinha um sentido literal!
Já comecei o tratamento. Não fiz alergia até agora, do mal o menos. Quanto aos resultados, vamos lá a ver. Peço desculpa a quem possa estar com vontade de saber o que é que eu ando a tomar, mas acho que não devo dizer. Ainda não sei que efeitos práticos vai ter, não conheço assim tão bem este tipo de medicamentos, e não quero pensar que alguém vá à procura destas coisas, mal informada e na base do desespero. Quando muito, se alguém quiser saber o nome do homeopata, estou à disposição.
Para já, e cepticismos à parte, estou de peito aberto nesta forma alternativa de levar a Albicans ao engano. Quem sabe?...
domingo, março 18, 2007
Cada poeta tem a sua ninfa
Do "Memorial do Convento", que a jovem de 17 anos anda a ler com grande sacrifício, mas que não desiste. Dos poemas de Saramago, que ela não conhece. De Fernando Pessoa, que continua a fascinar mais velhos e mais novos. Do Cântico Negro, de José Régio, que eu recito de cor desde que tinha a idade dela, e que ela já recita de cor com a mesma idade que eu tinha. E então recitou-se o poema de novo, as palavras tão belas e sempre tão vivas, que se saboreiam como a um bom vinho (Vem por aqui, dizem-me alguns com olhos doces, Estendendo-me os braços e seguros, De que seria bom que eu os ouvisse, Quando me dizem: "vem por aqui" - e não é que a catraia tinha razão, é "que eu os ouvisse", e não "que eu os seguisse", como eu dizia... Bolas!...).
De novo Ninfa Artémis, mais Fernando Pessoa, Come Restos (pelos vistos outra grande obra poética que para mim permanece desconhecida), sim, que no fundo tudo é arte, e depois cada um que decida qual a arte que é boa ou má.
Na mesa ao lado, entre dois elementos do sexo masculino, a conversa era outra. Já nós estávamos para sair, um deles pega numa nota, cheira-a e diz alto e bom som: "Ai que horror, esta nota cheira a corrimento! Estas mulheres são umas porcas, misturam as notas com os pensos higiénicos!...". Olhámos umas para as outras e saímos rapidamente, para rir à vontade. E para "cantar", que de repente o teaser fazia todo o sentido: "Gatooooooooooo!..."
* Quem não teve contacto com o Laboratolarilolela, de Nuno Markl, da passada Sexta-Feira, não vai perceber nada desta conversa.
quarta-feira, março 14, 2007
De regresso
Estou contentinha. Novamente ligada ao mundo, retomando contactos com amigos cibernautas, espero agora retomar o ritmo habitual na actualização desta choça. Para breve, a minha primeira aventura homeopática!...
quarta-feira, março 07, 2007
Caminhos de ferro, cabeças de abóbora
Caguei para o bilhete e corri, corri, e apanhei o comboio. Uff, uff, revisor à vista, aqui vou eu com o meu sorriso número 52, exclusivo para quando quero ser agradável e conquistar a simpatia dos revisores da CP. Senhor revisor muito bom dia, uff, uff, eu queria comprar um bilhete, uff, se faz favor, uff, uff, porque não tive tempo de comprar o bilhete...
E diz-me o revisor da CP, com uma cara de "sou um bom profissional e nem sequer estou a ligar nenhuma a essas duas copas B tamanho 36 que estão a subir e a descer a ritmo acelerado mesmo à frente do meu nariz", minha senhora, da maneira como estão as multas hoje em dia, mais vale esperar meia-hora pelo próximo comboio. Arrisca-se a pagar uma multa que pode chegar a 360 euros.
E digo eu, mas, mas, mas, repare, eu não tive tempo... e vim logo ter consigo, eu até quero pagar o bilhete, está a ver? Então mas não posso tirar o bilhete no comboio porquê? E diz ele, pois, realmente, nós hoje em dia só podemos vender bilhetes a deficientes e no caso das máquinas nas estações estarem avariadas.
Deixe-me ver se percebi bem, disse eu. Eu estou aqui na sua frente, honestamente dizendo que vim a correr para o comboio e não consegui tirar o bilhete, e nesse caso tenho que pagar multa. Se lhe mentir e disser que a máquina estava avariada, já me pode vender o bilhete? E diz ele, pois, quer-se dizer, eu teria sempre que comunicar para a "central" (seja lá onde isso for) e confirmar se realmente há ou não avaria, eles também nem sempre conseguem confirmar logo de seguida, e se a senhora chegar ao seu destino sem eu ter a confirmação também não a ia prender no comboio, não é?
Ah, pois é. De moldes que tendo em conta a minha honestidade (e quem sabe, o peitinho a arfar), o senhor revisor da CP foi amigo e deixou-me viajar de borla. E fiquei a saber que para os cérebros desta grande empresa, mais vale um utente mentiroso que um utente sincero. Para a próxima mais vale não arriscar...
terça-feira, fevereiro 27, 2007
Impedimentos
Por causa disso, e porque os meus dias continuam a um ritmo alucinante (nova entrevista para mudar de emprego, marcação de nova consulta para a mãe, muito trabalho - sim, que eu entre uns comentários em blogs e umas novas postagens sempre vou fazendo alguma coisinha -, imobiliárias para angariar a venda da minha casa e já lá vão quase dois anos, amigos a precisarem da minha atenção e eu a precisar da atenção deles), não tem dado para deixar novos posts.
É a ironia do cibernauta, não posta porque não tem assunto, e outras vezes não posta porque os assuntos são tantos que não sobra tempo para escrever. Vou oferecer-me de prenda de anos a instalação da netcabo, e a partir daí volto a estar ligada ao mundo a partir de casa.
Pois, porque amanhã também acontecem muitas coisas. Uma delas é ir com a minha mãe para o hospital, a ver se é desta que ela é consultada. Outra é celebrar o aniversário número 35!...
sábado, fevereiro 17, 2007
Suor, muito suor

Enquanto se está no meio duma aula de ginástica, com o suor a escorrer pela cara abaixo e pelo corpo todo, parando o dito apenas onde a imaginação de qualquer um queira conceber, com o cérebro aos gritos a dizer de forma alternada "já cheeeeeeeega!" e "áaaaaaaaguaaaaaaaaa!", passam-nos coisas muito estranhas pela cabeça.
Ontem, quando a monitora deu a ordem "virar de barriga para cima, e abdominais!", eu dei comigo a conceber este pensamento: "eh pá, finalmente um bocadinho para poder descansar e recuperar algum fôlego". E depois pensei, isto está a dar cabo de mim. Então eu já assumo com descanso estar de barriga para cima a fazer abdominais à maluca?... Em que monstro da actividade física está esta mulher a tornar-me?
E as dores? Estou aqui que nem me aguento... E o bem que aquilo me faz? Maravilha!...



