quinta-feira, abril 10, 2008

Pescadinha de rabo na boca

Fui às Finanças pedir uma declaração, para entregar na Segurança Social, para pedir uma declaração, para entregar nas Finanças. :-S

terça-feira, abril 08, 2008

Correntes?

Meu caro, o desafio é interessante e puxa pela imaginação, para além de imbecil, demasiado pessoal e parvo, de facto. E por isso tudo, apeteceu mesmo responder-te.

Mas depois lembrei-me de frase sábia, tão antiga que já não lhe conheço a origem.

Quem muito fala, pouco fode.

E por aqui me fico. :-)

quinta-feira, abril 03, 2008

Vivem em nós inúmeros

"Vivem em nós inúmeros, se penso ou sinto, ignoro quem é que pensa ou sente, sou somente o lugar onde se pensa e sente, e, não acabando aqui, é como se acabasse, uma vez que para além de pensar e sentir não há mais nada. Se somente isto sou, pensa Ricardo Reis depois de ler, quem estará pensando agora o que eu penso, ou penso que estou pensando no lugar que sou de pensar, quem estará sentindo o que sinto, ou sinto que estou sentindo no lugar que sou de sentir, quem se serve de mim para sentir e pensar, e, de quantos inúmeros que em mim vivem, eu sou qual, quem, quais, que pensamentos e sensações serão os que não partilho por só me pertencerem, quem sou eu que outros não sejam ou tenham sido ou venham a ser."
O Ano da Morte de Ricardo Reis
José Saramago

Foi disto que me lembrei, quando vi isto. Via Pedro Aniceto.

quarta-feira, abril 02, 2008

Mais links

É verdade, como me dizem ultimamente, que isto dos blogues nos leva por vezes a que estejamos demasiado expostos, sujeitos a amores e ódios, gratuitos todos, e por isso mesmo vazios de sentido.

No entanto, acho que também na comunidade blogueira se passa o fenómeno de nos aproximarmos tendencialmente daqueles com quem mais nos identificamos. Como acontece em qualquer situação em que se juntem grupos de pessoas, há aqueles que já conhecíamos, há os que gostamos desde o primeiro dia, há os outros que vão aparecendo e dos quais aprendemos a gostar.

Nos limites do irreal que é a blogosfera, e não confundindo afinidades com amizades (embora a alguns dos links correspondam de facto amigos e amores da vida real), mantenho a convicção de que por algum motivo são estes os que cá estão, e não outros.

E é assim que todo um conjunto de gente interessante (do meu ponto de vista, é claro), blogueira ou não, se vai agrupando aqui nesta coluna à direita. Sempre que actualizo isto penso sempre como seria interessante um dia juntar esta gente toda numa almoçarada qualquer.

Mas depois acordo, sei perfeitamente que não sou o Júlio Machado Vaz.

sábado, março 29, 2008

A donzela, o bandido e os heróis

Mais ou menos, quer dizer. Os heróis também não foram assim uma coisa completamente espectacular, até porque o bandido, coitado, era mais uma pessoa perturbada mentalmente que outra coisa, e quanto à donzela, enfim, aos anos que isso já lá vai, quem é que pensas que ainda enganas. Mas que ficou um título giro, lá isso...

Falando a sério só por um bocadinho, apanhei um susto dos grandes. Um tipo que começa por rondar o prédio e o parqueamento, apanha a porta do prédio aberta e entra, e a seguir se dirige a passos largos para tentar entrar-me em casa! Tive que dar dois passos atrás a toda a velocidade e fechar a porta à bruta, parecia filme de terror.

Nisto, chamei a polícia. Já na companhia de alguns vizinhos solidários, lá fomos controlando o louco nas suas deambulações pela vizinhança, e esperando pela salvação que tardou a chegar. Fosse o louco algo mais agressivo e mal intencionado, tempo não lhe teria faltado para o que lhe desse na vontade. Não era o caso. E já alguém até lhe reconhecia as origens, onde morava, enfim, não era de fiar, mas também não seria ele o causador de todos os males do nosso bairro.

Já o bandido andava perdido uns tantos quarteirões mais abaixo, chegou a carrinha com os heróis. Oito. Sim senhor, pensei eu, o gajo está mesmo tramado. O exagero do contingente policial era evidente e fazia sorrir os presentes, mas as mulheres riam-se mais que os homens, porque já que não nos tínhamos livrado do susto, ao menos aquilo foi uma coisa digna de se ver, ele eram polícias e mais polícias a saírem de dentro da carrinha, cada um mais, digamos, bem preparado para enfrentar qualquer ilegalidade, que o anterior.

O resto foi a chatice do costume, o que é que se passou, foi isto assim assim, muito bem, vamos abordar a pessoa, e tal, ao fim dum bocado apareceram-me em casa outra vez (já só eram dois), bilhete de identidade, papelinho, muito obrigada, ora essa, é para isso que cá estamos.

Mas sinceramente. Com um grupo tão bem preparado de agentes policiais, foi até uma pena que o delito fosse tão insignificante. Na minha imaginação, consigo ainda neste momento "visionamentalizar" os oito heróis a sairem da carrinha, e conceber perfeitamente outras formas de apoio que poderia ter sido prestado à minha frágil e delicada pessoa. Só que se calhar, nessa altura o título do post não podia ser este. Tinha que ser qualquer coisa como... Algo que eu nem sequer consigo imaginar, claro, ou pensam que eu sou o quê, alguma ordinária, queres ver?...

segunda-feira, março 24, 2008

1988

No ano bissexto de há vinte anos atrás, foi dos anos mais felizes da minha vida. Paixões platónicas? Borbulhas na cara? Amores eternos por cantores pop que afinal eram (e são!) homossexuais? Claro que sim. Mas também a descoberta de uma biblioteca com "O Memorial do Convento", de José Saramago, com poemas de Casimiro de Brito, e aulas onde haviam professores de filosofia, que falavam de coisas deslumbrantes para uma cabecinha muito oca, e por isso mesmo, muito disponível para absorver tudo o que lhe quizessem ensinar. Esqueci muitos dos meus professores de Ensino Secundário, e Superior. Mas nesse ano, houve professores que eu jamais irei esquecer.

Então não é que de repente, um destes professores aparece-me pelo google, regressado das minhas memórias de há 20 anos atrás, e fica-se-me ali, ao simples alcance de um e-mail? Cliquei no enviar sem grandes hesitações, porque o meu entusiasmo nem deu margens à timidez. E o hoje em dia catedrático professor doutor respondeu-me prontamente, mas é o mesmo, o mesmo que dava aulas ao Ensino Secundário e se sentava no bar da escola a comer bifanas! E que me dizia assim, "tiveste 17". E eu respondia, "não estava nada à espera", e dizia ele, "pois, nem eu!". Então não deixa de ser irónico, numa semana em que tanto se fala, e eu própria já falei, da miséria em que andam as nossas escolas, que um desses bons professores que felizmente também existem, surja de novo no meu caminho.

Já não sei onde li em tempos que o professor só aparece quando o aluno está preparado para aprender.

A minha descoberta resultou de pesquisas por mais estudos, que se eu pudesse era estudante sempre. Este meu professor diz que tem coisas novas para me ensinar, e que conta comigo. Eu, em estando preparada, vou.

Mas para já, para já, estou apenas a saborear este presente (mais um) que a vida me deu! :-) :-)

Nota: Coincidências? Bah!... Isso é para meninos!...

domingo, março 23, 2008

Don't you get me wrong



I only want to say
If there is a way
Take this cup away from me
For I don't want to taste its poison
Feel it burn me,I have changed I'm not as sure
As when we started
Then I was inspired
Now I'm sad and tired
Listen surely I've exceeded
Expectations
Tried for three years
Seems like thirty
Could you ask as much
From any other man?

But if I die
See the saga through
And do the things you ask of me
Let them hate me, hit me, hurt me
Nail me to their tree
I'd want to know, I'd want to know my God
I'd want to know, I'd want to know my God
I'd want to see, I'd want to see my God
I'd want to see, I'd want to see my God
Why I should die
Would I be more noticed
Than I ever was before?
Would the things I've said and done
Matter any more?
I'd have to know, I'd have to know my Lord
I'd have to know, I'd have to know my Lord
I'd have to see, I'd have to see my Lord
I'd have to see, I'd have to see my Lord

If I die what will be my reward?
If I die what will be my reward?
I'd have to know, I'd have to know my Lord
I'd have to know, I'd have to know my Lord~

Why, why should I die?
Oh, why should I die?
Can you show me now
That I would not be killed in vain?
Show me just a little
Of your omnipresent brain
Show me there's a reason
For your wanting me to die
You're far too keen on where and how
But not so hot on why
Alright I'll die!
Just watch me die!
See how, see how I die!
Oh, just watch me die!

Then I was inspired
Now I'm sad and tired
After all I've tried for three years
Seems like ninety
Why then am I scared
To finish what I started
What you started
I didn't start it
God thy will is hard
But you hold every card
I will drink your cup of poison
Nail me to your cross and break me
Bleed me, beat me
Kill me, take me now
Before I change my mind



Voice of Judas
Every time I look at you
I don't understand
Why you let the things you did
Get so out of hand
You'd have managed better
If you'd had it planned
Now why'd you choose such a backward time
And such a strange land?

If you'd come today
You could have reached the whole nation
Israel in 4 BC had no mass communication

Don't you get me wrong
Only want to know

Jesus Christ Jesus Christ
Who are you? What have you sacrificed?
Jesus Christ Jesus Christ
Who are you? What have you sacrificed?
Jesus Christ Superstar
Do you think you're what they say you are?
Jesus Christ Superstar
Do you think you're what they say you are?

Tell me what you think
About your friends at the top
Now who d'you think besides yourself
Was the pick of the crop?
Buddah was he where it's at?
Is he where you are?
Could Muhammmed move a mountain
Or was that just PR?
Did you mean to die like that?
Was that a mistake or
Did you know your messy death
Would be a record breaker?

Don't you get me wrong
Only want to know

Jesus Christ Jesus Christ
Who are you? What have you sacrificed?
Jesus Christ Jesus Christ
Who are you? What have you sacrificed?
Jesus Christ Superstar
Do you think you're what they say you are?
Jesus Christ Superstar
Do you think you're what they say you are?

Andrew Lloyd Webber Tim Rice

quinta-feira, março 20, 2008

Assustador



A vários níveis, diria. Primeiro, pela degradação a que chegam aquelas duas pessoas. Depois, pelos risos e ambiente de festa generalizada que se vive perante uma violência daquelas, contrariado apenas por, talvez, dois alunos que lá vão sentindo vagamente que aquilo não está certo e que alguma coisa tem que ser feita.

Depois ainda, pela(s) inconsciência(s) da gravidade da situação, que se vêem em expressões como "espectáculo!" e "a velha vai cair". Como se fosse tudo uma grande paródia.

Entretanto, oiço na SIC uma pedopsiquiatra a dizer que hoje em dia, para os jovens, o telemóvel é como que uma "extensão do próprio corpo", mais ou menos a justificar a reacção da aluna. Pode ser que tenha razão. Mas esta mania que Freud tem de explicar tudo às vezes irrita-me um bocadinho. Por vezes parece-me que se está a nivelar por baixo, a exigir pouco ou quase nada, e ainda assim, cada vez menos. Que quantidade brutal de erros ao nível da educação, dos afectos, é que levam um jovem àquele ponto? E mais assustador do que descobrir isso, será talvez descobrir que não há assim tantos erros, e que ainda assim foi ali que ela chegou...

Em jeito de escape, deixei-me invadir por um pensamento feito do mais puro egoísmo: aquela miudagem é a que vai andar a trabalhar para me pagar a reforma. Perante isto, é inevitável pensar cada vez mais seriamente em fazer um PPR. Seriously...

sábado, março 08, 2008

Duas mulheres encontram-se na esplanada para beber cerveja e falar de futebol

- Olá, como estás? Não vens nada com boa cara. Aconteceu alguma coisa?

- Nem te conto. Acabei de dar de caras com o Rabiola do meu ex-marido!

- Então, não levantes mau testemunho, ele até pode ter muitos defeitos mas nunca teve fama de gostar de homens...

- Acredita que eu sei muito bem. Ainda nem há um mês me deixou, vê lá tu que ainda agora dei de caras com ele no meio da rua, agarrado àquela Makukula da inglesa, a loira de farmácia com pernas até ao pescoço, que trabalha na sapataria, estás a ver quem é?... Uma vergonha, é só o que te digo.

- Bem, amiga, faço ideia o teu estado. Deves ter ficado completamente Sektioui com essa novidade!

- Quem, eu? Nem penses nisso. Quem anda a fazer figuras tristes é ele. Oh, é claro que fiquei capaz de pregar um valente par de Stepanov a cada um, mas é nas situações mais difíceis que uma mulher deve saber manter o nível, e aquilo é gente que não interessa a ninguém.

- Pois, realmente. Mas e ele, não te viu?

- Viu, pois! Sentiu-se tão mal com a figura que ia a fazer que até veio atrás de mim com explicações da treta. Ainda teve a lata de me dizer que a inglesa agora "Izmailov, Adelaide, tenta compreender!". Palhaço!... Mandei-o à Mrdakovic, que é o que ele merece ouvir, e vim-me embora.

- Os homens são uns ingratos. Pensar nos anos que lhe dedicaste, a aturar-lhe as bebedeiras. Sim, que alturas houve em que ele vivia agarrado ao Tonel, não interessava que fosse branco ou tinto, e tu ali, sempre presente...

- Oh, tu sabes lá o que eu passei. Mas não me arrependo, sabes, fiz tudo por amor. No princípio, aquele homem era um ídolo para mim, um Zoro! Mas a coisas mudam, amiga. Quem ma prega uma vez não ma prega segunda. Por mim, pode-lhe cair um Kazmierczak em cima que o deixe paralítico para o resto da vida! Sempre queria ver nessa altura onde ia parar o "Izmailov" pela Makukula!... Não quero saber, já N'Doye.

- Ai, olha, estou a ver que esse encontro te deixou muito perturbada. Tens que ultrapassar, pôr esse Fajardo para trás das costas! Vamos mas é mudar de assunto, que tal comermos qualquer coisa? Já são horas de almoço.

- Sim, é o melhor. Ainda por cima aqui servem um Fucile Carbonara que é mesmo o que me está a apetecer. Com uma Sepsi, que é para ver se refresco as ideias! E eu nem te perguntei a ti como estás, cheguei aqui a despejar as minhas mágoas, grande amiga que eu sou, realmente...

- Oh, eu estou bem. Tirando esta maldita constipação, que já ando Romagnoli há mais de quinze dias. Até já perdi a conta aos pacotes de lenços de papel que gastei...

- Não te dás bem com o Farnerud? Eu não quero outra coisa, quando me ponho assim como tu estás, ataco logo com dois de oito em oito horas, e em meia-dúzia de dias fico óptima!...

- Boa ideia, agora em acabando de almoçar, vou ali à farmácia comprar.

Cabecinhas ocas

Terminada a minha aula de ginástica, costumo ser rápida a deixar o balneário. Prefiro a minha própria casa de banho à do ginásio. Costumo demorar meia hora no duche e não me parece nada prático andar a transportar os frascos todos que são necessários: shampô, amaciador, gel de banho, roll-on, body milk, reparador de pontas... De maneiras que a minha rotina é, terminada a aula, chegar ao cacifo, vestir dois casacos por cima da roupa suada, agarrar no saco e vamos embora que se faz (mesmo!) tarde.

Nisto, passo por um grupinho de meninas na casa dos 15-16 anos, máximo. Alegremente, preparam-se para a aula de step que se segue à minha, a mesma monitora já as espera no andar de cima. E no que consiste a preparação daquelas alimárias, com perdão da expressão, mas que considero plenamente justificada dada a idiotice a que pude assistir? Pois a preparação consiste em enrolarem o abdómen em película aderente! Bem apertadinho, que é para o ventre ficar liso! E depois coloca-se a roupa por cima, ninguém dá por nada, e as meninas "maximizam" o esforço que vão praticar para terem a certeza que perdem mesmo peso à séria!...

A sério, eu nem queria acreditar em tamanho disparate. Naturalmente, já não abandonei o ginásio tão rápido quanto contava. Antes disso fui dar conta do observado a quem de direito, e estou para saber na próxima semana que fim levou esta história. Espero que alguém lhes explique com calma os riscos que aquela ideia triste lhes traz para a sua saúde, nomeadamente cairem para o lado durante a aula, que por sinal é bem puxada, já que a monitora até é bastante exigente.

Espero que alguém tenha uma conversa calma e pedagógica com as cabecinhas ocas. Eu não era de certeza a pessoa indicada para o fazer. Enquanto me ia embora permaneciam na minha cabeça apenas duas coisas: estalos na cara, ou então obrigá-las a engolir o raio da película aderente. e definitivamente, nenhuma destas duas hipóteses serviriam para algo de construtivo...

sábado, março 01, 2008

Teoria da relatividade #2

Não deixa de ter o seu interesse, isto de gerir imponderáveis ao mesmo tempo que se limpam casas de banho (ora cá está uma vantagem de não ter contratado nenhuma empregada doméstica).

É que assim fica-se com uma perspectiva completamente diferente, quer da limpeza da casa de banho, quer do imponderável. Muito enriquecedor, é o que me apraz dizer.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

36

Em regra não costumo fazer nada especial neste dia, e para todos os efeitos é um dia como os outros, mas na verdade não é. Porque no meio das felicitações, do aconchego dos amigos mais próximos, do beijo do pai e da mãe, nunca deixo de meditar um pouco mais profundamente sobre o meu percurso de vida, aquilo que sou, e o que tenho ainda pela frente.

É um aniversário em ano bissexto, e estou de muito bem com a vida. Há que aproveitar esta fase tão boa, porque em boa verdade não sei se alguma vez estive tão realizada em tantos aspectos ao mesmo tempo: pessoal, familiar, profissional. Sinto-me inteira. E estou capaz de seguir em frente para outras coisas, porque ainda é muito cedo para calçar as pantufas.

Ainda pensei em dizer mais umas tantas coisas, mas em boa verdade não iria dizer muito mais do que isto: hoje estarei bem perto daqueles que me saboreiam o doce e o amargo ao longo de todos os dias de cada ano. E sei que os meus motivos de celebração também são os deles, e vice-versa. Isso é tudo o que importa. Muito obrigada a todos vós, porque são a minha estrutura.

E embora num outro nível, obrigada também a todos e todas os que passam por aqui, e que acabam por fazer também parte dos meus dias, quantas vezes com a sensação de que já somos velhos amigos... :-)

domingo, fevereiro 24, 2008

Chocolate a dar com um pau







Que isto, nem tudo pode ser trabalho. Hoje o dia passou-se em Óbidos, entre alguns amigos, uma vista magnífica (que a chuva infelizmente não deixou explorar como deve ser), e autênticas overdoses calóricas.


Foi a primeira vez que fui a Óbidos, e tenho a certeza que não foi a última. Da próxima vez pode ser com menos chocolate, mas por hoje, as "espetadas" de frutas envoltas em chocolate, a ginja dentro do copo de chocolate, entre outras coisas começadas por "c", acabadas em "e" e com "hocolat" pelo meio, deixaram este dia mesmo muito doce. E ligeiramente nauseado para o final do dia, mas nada que não se possa combater à base de água com gás.

PS: A foto aqui de cima foi também colocada com o propósito de me lembrar na próxima semana do tamanho em que o meu cabelo já estava, antes de eu decidir debastá-lo sem dó nem piedade. Isto é claro, se não chegar a mudar de ideias antes desta Quinta-Feira!...

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Água

Vivi toda a minha infância e adolescência numa casa pequenina e muito degradada, que hoje em dia já não existe, e da qual guardo as melhores e as piores lembranças. Recordo-me perfeitamente da pior de todas: a água que teimava em pingar do tecto do meu quarto, por cima da minha cabeça, enquanto eu dormia. Até ao ponto de um fenómeno ainda hoje por explicar, que foi o de, desviada a cama no minúsculo quarto para evitar a goteira por cima da cabeceira, a água deixasse de aparecer do lugar onde aparecia de início para voltar, teimosamente, a pingar por cima da almofada.

Lembro-me doutra ocasião em que foi preciso abrir sulcos no chão (dessa vez resolveu aparecer por esse lado) e da sensação de desalento e desconsolo que era ver aqueles circuitos de água a fazer-me sentir que estava pouco menos do que na rua. E lembro-me do rosto do meu pai nessa época, e dele a subir ao telhado para ver se havia telhas partidas, e a pôr lonas por cima do telhado, e a cavar os sulcos no chão de cimento. Ele punha uma expressão que eu não entendia na altura mas que hoje percebo melhor, que era a cara de um pai que tinha uma casa que metia água pelo quarto da filha, e isso ser o melhor que se podia arranjar.

Agora que penso nisso acho que me ficou alguma coisa de trauma em relação a esses tempos. Naquela altura, o mais simples aguaceiro representava para mim algo de negativo e motivo de angústia, e ficava ali a torcer para que parasse depressa, antes que descobrisse o caminho para o meu espaço. Esta angústia permanece até hoje. Não gosto de chuva. Bole-me com os nervos. E acho que vai ser assim para todo o sempre.

Curiosamente, ainda não consegui ter nenhuma casa onde o problema de lá entrar água não se coloque. Na que tinha anteriormente, a marquise mal amanhada e já ressequida pelo sol, deixava entrar água quando ela vinha tocada a vento. Era um desconsolo. Actualmente, são os bidés das casas de banho que devem ter alguma coisa nos canos a entupir, e quando são usados, lá vem uma pequena, porém irritante, quantidade de água, destruir o meu refúgio, que ser quer aconchegado e principalmente, seco.

(Que isto são doces comparado com o que aconteceu a muitas pessoas hoje. Longe de mim. Mal por mal, nunca tive que ir com a roupa do corpo dormir sabe-se lá onde. Adiante.)

Hoje também foi dia de muita água. Sozinha dentro do carro, passei lençóis de água sempre a acelerar e a rezar para que o carro não me falhasse, levei horas intermináveis nas filas de trânsito, e enquanto olhava para fora e via carros e mais carros, toda a gente parada, e a chuva, maldita chuva cada vez mais violenta, o sentimento que surgiu foi o daquela mesma angústia do tempo em que acordava de noite, com a água a molhar-me a cama.

Passada a borrasca, paragem na casa dos pais para cumprimentar e contar as desventuras do dia. Manifesto a apreensão, de certeza que infundada, de que ao longo do dia, a água tenha subido para dentro de casa, afinal é um rés-do-chão e os bidés andam armados em parvos. Falo no assunto de modo despreocupado, é só um pequeno receio, nada objectivo o faz esperar, a casa é quase nova. Mas sei que o que fala cá mais fundo é esta angústia que nunca mais desapareceu totalmente, e me faz andar de janela em janela sempre que começa a cair com mais força, pelo sim pelo não.

Já de mão na porta para sair, o pedido veio da sala inevitável, "depois quando chegares, diz qualquer coisa". Quando cheguei as apreensões dissiparam-se e fui de imediato dissipar as dele, que estava tudo bem, fica descansado.

De maneiras que por hoje, pai, apesar da muita água que caiu, podemos mandar calar o nosso pequeno trauma. A angústia que ambos conhecemos tão bem vai poder dormir descansada, porque a água permanece do lado de fora, enquanto que nós estamos secos e a salvo, do lado de dentro.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Ser diferente

Não ser capaz de alinhar com o rebanho em que se nasceu. Haverá maior provação do que essa?

Se estás destinado a ser carpinteiro tens que ser carpinteiro e mais nada, escultura é coisa para maricas. Desde quando é que os serventes de pedreiro se põem a desenhar casas? Se nasceste no meio de analfabetos para que te agarras aos livros como se fossem a coisa melhor do mundo? Se aqui toda a gente arrota e dá traques à mesa, para que te pões tu com esses modos de senhora chique, a virar a cara para o lado?

E então fica-se a um canto da sala, a congeminar outros mundos que não aquele a que se está confinado. No dia de Carnaval os outros põem as máscaras, a sua fica agarrada à cara o ano inteiro. Passam-se muitas horas em silêncio, a sós com desejos e sonhos e raivas e medos, tantos medos, tantos. A casa é pequena e tem tectos baixos, obriga a andar curvado. Mas é uma casa, e nunca nos vai abandonar, se não a abandonarmos. Fora dela é a escuridão, o vazio, o desconhecido.

O diferente.

Quantos não ficam vergados por esses medos e se deixam ficar, num esforço eterno para alinharem com o rebanho onde, por fatalidade ou desafio divino, foram parar. Quem os poderá censurar, a solidão custa tanto a suportar.

Outros porém, não conseguem lidar com esta insatisfação. Aceitam a solidão como boa companheira e desalinham do rebanho. Colocam uma nova máscara, feita de bom-humor perante a incompreensão, indiferença face à rejeição. Revestem-na com determinação, para assegurar que a parte da frente não se desmorona. E com ela caminham, à procura dos mundos que lhe pertencem, não por nascimento, mas pela vontade de mais Ser.

Para os que caminham, para os que ficam parados, a provação é grande e o preço a pagar é elevado. Em dia de Carnaval tiram as máscaras e choram baixinho a dor das escolhas que ficaram por tomar.

sábado, janeiro 26, 2008

Não anda a dar

É por isso que não tenho escrito. Não anda mesmo a dar.

O mês de Janeiro entrou com a exigência que se esperava, e a par disso, umas complicações de saúde novas que me têm deitado um pouco abaixo, resumem o meu silêncio.

Para além de outras merdas, que agora não me apetece referir.

E então é isso. O dia resume-se a levantar às sete e meia, trabalhar, trabalhar, trabalhar, comer nos intervalos, chegar a casa tarde, engolir anti-inflamatórios e comprimidos para a febre, que não pode ser, tenho que me aguentar para o dia seguinte, que horas são, onze, vou-me deitar.

De maneiras que é isto, e como se pode ver, não anda a dar.

Tá-se. :s

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Antecipação

Ele (atencioso, preocupado): Tens que contratar alguém para te tratar da casa.

Eu: (suspiro) Eu sei.

Ele (insistindo): Tu depois não vais ter tempo...

Eu (ligeiramente abespinhada): Eu-sei.

(silêncio)

Eu (já a elevar a voz): A questão é que eu já estou mesmo a ver no que é que isso vai dar, percebes, essas pessoas regra geral limpam o que está à vista, eu já sei que sou esquisita com a limpeza da casa, vou começar a espreitar por baixo da cama, a olhar para o exaustor cheio de gordura, o frigorífico, os tapetes que às vezes, tipo, de vez em quando, convém sacudir e limpar a parte do chão que eles tapam...

(pausa para tomar fôlego)

... e depois a seguir lá estou eu a pagar todos os meses e a ter que arranjar tempo para limpar eu na mesma!

Ele (contemporizador): Mas então, também não deves generalizar, às tantas até podes encontrar alguém competente, que limpe como tu gostas, estás aí a fazer um bicho de sete cabeças, e quem sabe, até pode perfeitamente correr bem! E ganhas qualidade de vida, ao fim e ao cabo...

Eu: Mas como (angustiada), é que pode correr bem, se eu ainda não contratei a mulher da limpeza e já estou irritada com ela?...

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Verdade irrefutável como esta não há

Entrei obviamente de dieta, como aliás se impõe depois desta quadra repleta de disparates de ordem alimentar.

O bolo de bolacha e a tarte de natas que ainda estão no frigorífico é que não sabem disto.

Mas isso é um problema que é deles, não é meu.

E Deus me livre de começar o ano a desperdiçar comida, era o que faltava.

Ou seja, na minha cabeça o conceito da dieta já está interiorizado. E isso é o mais importante de tudo, não me venham com merdas. Ah e tal, mas estás a comer porcarias na mesma. Não senhora. Estou a zelar para que a comidinha não se estrague, que isso é que não pode ser.

É dentro desta lógica inabalável que é possível, verdadeiramente, estar de dieta enquanto se come bolo de bolacha.

Mai nada.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

2008

Eis os votos que me vieram à cabeça, enquanto pensava em mim e naqueles que amo:

Saúde acima de tudo, e não, não é um lugar comum. Aprendi nos últimos dois anos a valorizá-la mais depois de a ver a fugir-me, e a fugir de quem me está mais próximo.

Força, coragem, determinação, inspiração, para que os novos caminhos a trilhar permitam que nos transformemos naquilo que seremos, continuando porém a sermos iguais a nós próprios.

Alegrias, sucessos, risos, que a cada esforço honesto para ser mais e para mais ser, corresponda a legítima compensação.

Faço votos de sorrisos cúmplices. De beijos na boca cheios de vontade. De gargalhadas à volta de assuntos sem sentido nenhum. Do prazer de conversar sobre as coisas importantes.

Peço pelas amizades sinceras, ou seja, aquelas que não são incondicionais. Pelos laços mais profundos que juntam as pessoas que se amam, sejam pais, mães, irmãos, amantes, primos afastados ou apenas almas que se (re)conhecem como seus pares.

Que em 2008 não nos faltem os afectos. E a disposição para encher o peito de ar fresco todas as manhãs.

Ou talvez se dê o caso desta malta aqui em baixo conseguir dizer isto tudo e muito mais com menos palavreado e aquele arrebatamento que faz com que a vida valha a pena:






Um 2008 com amor. E sem lugares-comuns.