segunda-feira, setembro 01, 2008

Mr. U

Que saudades do Cabaret da Coxa...

Boca pouco doce

Hoje fiz um pudim instantâneo "boca doce" de morango.

Não me saiu bem.

Assim se percebe um pouco melhor até onde pode chegar a minha disfuncionalidade no que respeita à culinária.

Tenho que me dedicar antes às marcas que não precisem de juntar açúcar, porque isto desta maneira torna-se demasiado complicado...

P.S.: É claro que eu agora poderia aqui discorrer sobre a lei das compensações e de como, em contrapartida, sou extraordinariamente boa de cama, mas isso era vulgar e acima de tudo demasiado óbvio, de maneiras que vou ficar-me por aqui, ok?

P.S.2: E muito menos vou fazer trocadilhos brejeiros que relacionem o "extraordinariamente boa de cama" com a marca do pudim, que isso então, era de um mau gosto tal, que eu fico chocada só de pensar que eu pudesse eventualmente pensar numa coisa dessas.

P.S.3: Francamente, pá.

terça-feira, agosto 26, 2008

Arrependimento, consciência e responsabilidade

Esta coisa do arrependimento, julgo, é algo de inevitável na vida de qualquer um. Todos nós, num momento ou noutro, já tomámos opções das quais nos arrependemos. Ou melhor, à luz da experiência entretanto adquirida, muitas vezes até após vivenciar as consequências das opções tomadas, verificamos que afinal não tomámos a melhor decisão, dando-se aí o tal do arrependimento.

Mas sinceramente eu considero que, em situações dessas, há pouco lugar para o dito. Porque olhando para trás, para os muitos erros que fui cometendo, a verdade é que no momento em que tomei as decisões, elas eram para mim a melhor coisa a fazer, e optei com a alma e a razão, convicta de que era aquele o caminho a seguir. A compreensão do porquê de um determinado passo, que parecia tão seguro, ser afinal um passo em falso, isso veio depois, e não tinha como chegar antes. Então aí, de que serve o arrependimento? "Se soubesse o que sei hoje" é uma frase muito gira mas consola pouco e não justifica nada. A verdade é que na maior parte das ocasiões não sabia o que sei hoje, e isso é afinal a tal constante da vida.

Do meu ponto de vista, o que há a fazer é aquilo que, a cada momento, identifico dentro mim como a minha maior verdade, aquilo em que eu acredito mais profundamente e no fim, esperar pelo melhor. "Põe quanto és no mínimo que fazes", é realmente a melhor forma de andar para a frente. Não sem cometer erros, porque eles são fatais como o destino e precisamos deles para aprendermos a ser melhores do que aquilo que somos. Mas para dormir todos os dias descansada, que estou a fazer tudo, mas tudo o que me é possível, com aquilo que sou em cada momento.

Para mim, o arrependimento mora noutros momentos. Naqueles em que tomei opções que não vieram cá de dentro, em que me deixei levar em coisas nas quais não acreditava totalmente, em que disse "sim" quando queria verdadeiramente ter dito "não" ou vice-versa, e pior, quando olho envergonhada para trás e verifico que já sabia então exactamente aquilo que sei hoje, e ainda assim, incorri no erro. É aí que mora o meu arrependimento. Porque para esses erros eu não (me) dou desculpas ou panos quentes. Eu tinha tudo o que era preciso para saber melhor.

Continuo no entanto a achar que o arrependimento é uma coisa inútil. Não ensina nada, não minimiza nada, prende-nos ao passado e não nos deixa avançar. Está lá, e é tudo. Quanto aos erros, não é bem assim. Há sempre algo para fazer com eles. Por mim, encaram-se de frente e carregam-se juntamente com a restante bagagem, pois se fazem parte de nós e nos fizeram chegar aqui, não se podem largar no meio do caminho sem mais nem menos, se o que se pretende é seguir viagem.

Porque o erro de não assumir um erro pesa sempre mais do que o primeiro e para a frente é que é caminho, entre o arrependimento, a consciência e a responsabilidade, que venham elas, e ele se deixe estar por aí num canto qualquer a lamentar-se.

terça-feira, agosto 19, 2008

Anúncio do "Expresso", a 02 de Agosto

DIRECTORES DE ARTE (m/f) ( 02-08-2008 )

Perfil do candidato: O Departamento Criativo precisa de gente com bom feitio, interessante, divertida, descontraída, imaginativa, culta, bonita, com bom gosto e que cheire bem. O Departamento Comercial diz que o que faz falta é pessoas responsáveis e cumpridoras. E, uma vez mais, a Produção afirma que - dados os prazos - nada disto é possível.

Contacto: Contudo, acreditamos que por aí haverá quem queira participar neste nosso projecto. Se for assim, contactem-nos o mais depressa possível, para que não tenham de ser sempre os mesmos a trabalhar.

Observações: Seniores e Juniores

segunda-feira, agosto 11, 2008

Murphy, esse gajo incontornável

Roubei aqui. Uma delícia:

Ley de Murphy para os homens


1 - Os homens simpáticos são feios.

2- Os homens bonitos não são simpáticos.

3 - Os homens bonitos e simpáticos são gays.

4 - Os homens bonitos e simpáticos e heterossexuais estão casados.

5 - Os homens que não são lá muito bonitos, mas são simpáticos, heterossexuais e que não estão casados, não tem dinheiro.


6 - Os homens que não são lá muito bonitos, mas são simpáticos, heterossexuais, não estão casados, mas têm dinheiro, pensam que andamos atrás deles pelo dinheiro.

7 - Os homens bonitos, simpáticos, heterossexuais mas sem dinheiro andam atrás do nosso dinheiro.

8 - Os homens bonitos que não são lá muito simpáticos mas são heterossexuais e não ligam ao dinheiro, acham que não somos suficientemente bonitas.

9 - Os homens bonitos, simpáticos, heterossexuais, não casados, com dinheiro e que acham que somos lindas, são cobardes.

10 - Os homens ligeiramente bonitos, algo simpáticos, não casados, com algum dinheiro e, graças a Deus heterossexuais, que nos acham lindas, são tímidos e Nunca Dão o Primeiro Passo.

11 - Os homens que nunca dão o primeiro passo, perdem logo o interesse quando as mulheres tomam a iniciativa.

Eu acrescento: Os homens bonitos, simpáticos, não casados e heterossexuais que seriam perfeitamente capazes de dar o primeiro passo e de nos acharem lindas se nos chegassem a conhecer, têm o problema de desaparecerem ao fim de 45 minutos, quando entra o genérico final do Lost:

domingo, agosto 10, 2008

Beijing

No meio de conversas sobre este mundo e o outro, em que o denominador comum é o aniversário de uma amiga, assiste-se à repetição do espectáculo de abertura dos Jogos Olímpicos.

Espectacular, esmagador, impossível ficar indiferente.

Perante tantos milhares de jovens chineses a participar no espectáculo, há alguém que rompe o êxtase:

"Tantas bolas da Nike que podiam estar a ser feitas, pá. Sinceramente."

Fartámo-nos de rir, claro. E o vinho também era excelente. :-)

Post vagamente semelhante a uma letra da Rosa Lobato Faria

Maçãs, bananas, peras e laranjas, sim senhor, nada contra.

Mas então o que dizer das cerejas, dos pêssegos, das ameixas, dos melões, das meloas, das uvas e dos alperces?...

Do ponto de vista das frutas não há dúvidas, o Verão é de longe a melhor altura do ano!... :-)

Desabafos de volta

Está de volta o primeiro blogue que comecei a ler com regularidade. Os desabafos de um médico que tem sabido contar as histórias clínicas do ponto de vista do médico, mas também do ser humano que é. E muito, muito bem escritas. É de ler, meus amigos, é de ler.

sábado, agosto 09, 2008

"É abatê-los!..."

Ontem, SIC Notícias, aquele programa em que as pessoas telefonam para lá a dizer coisas. Inevitável o assunto do assalto na agência do BES.

E dizia um espectador, inflamado (se não me engano, polícia de profissão):
"Eu não sou violento e sou aliás contra qualquer tipo de violência. Mas nestes casos, é abatê-los, é abatê-los!..."

Mais outro que ainda acredita em sol na eira e chuva no nabal... A mim, a contradição dos termos e a convicção expressa na voz só me deu vontade de rir.

PS: E como deve estar a ser difícil ser-se brasileiro no nosso País por estes dias...

sexta-feira, julho 25, 2008

Não, não é...

"Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!..."
Álvaro de Campos

segunda-feira, julho 07, 2008

Envelhecer é...

Quando aquele tipo que conhecemos e apreciámos devidamente, quer pelo facto de ser mesmo atraente e bonito, e ainda por cima divertido, e ainda por cima inteligente, e ainda por cima simpático e educado, e alto, pá, umas mãos lindas, um sorriso de enfraquecer os joelhos a uma pessoa, uma voz daquelas mesmo masculinas, não sei se estão a ver, quente, bem timbrada. Canta bem como o raio, aliás...

Onde é que eu ia?... Ah, dizia eu, quando uma pessoa conhece um tipo como este, qual poderá ser a pior coisa que pode suceder? Não, não é ele já ter namorada, porque isso não chega a ser uma coisa má, quer dizer, é uma inevitabilidade da natureza, é um dado consumado do destino que um homem daqueles não estará disponível nunca, no momento em que repararmos nele. Nada disso. A pior coisa que nos pode acontecer na presença de tal musa inspiradora é ele tratar-nos por... você.

"Olá, está boa? Já foi àquele site ver as fotos do outro dia?...". Por você, trata-me ele. E nisto uma pessoa estatela-se no meio do chão, caída das nuvens aos trambolhões, porque ó desgraça das desgraças, onde eu ganho em experiência e maturidade, ele ganha em anos a menos. Onde ele está pleno de energia para percorrer os 100 metros, eu já vou com a endurance dos corredores de fundo. E vamos aqui reconhecer, constatar isto é coisa para desgostar uma pessoa.

Mas ainda assim, sendo tudo isto verdade, sinto-me algo injustiçada. Aquele você coloca-me mais anos em cima do que aqueles que tenho, bolas.

Vai daí, fico com vontade de lhe dizer um dia destes, amigo, não me trates por você, não me reduzas a essa condição de tia a quem se deve respeitinho. Afinal, não tenho sequer idade para ser tua mãe. Trata-me antes por tu, que é um tratamento mais compatível com as coisas que eu penso e imagino quando estou à tua frente, e que se resumem a uma certa vontade de verificar empiricamente que, na tua idade, já não precisas que eu te ensine nada.

Vontade essa que inclui, muitas vezes, vãos de escada ou lugares ermos.

quarta-feira, julho 02, 2008

A louca

Impõe-se na assistência. Fala claro, dá nomes, datas, factos. Toda a gente a escuta, impotentes todos, porque nada mais se pode fazer do que ouvi-la. Alguns arriscam sorrir ou gracejar com o vizinho do lado, outros mexem-se nas cadeiras, incomodados. A louca fala e todos a escutam, desejando não estar ali, e que ela não estivesse ali.

Por fim, cala-se. E aos nomes, datas, factos que não existem senão nela própria, são-lhe contrapostos nomes, datas, factos que existem para todos os outros, excepto para ela.

Sai invariavelmente gritando injúrias, revoltada com todos quantos, por maldade, a querem fazer passar por louca, e não vêem aquilo que é tão óbvio aos seus olhos. Na sua cabeça, já se vão formando novas realidades cujas razões e contornos não somos capazes de compreender, nem sequer de imaginar.

Na próxima oportunidade que tiver, dar-nos-á conta delas, com toda a força das suas convicções. Do lado de cá da muralha, escutaremos, derrotados.

segunda-feira, junho 16, 2008

...

Cenário:
Bomba de gasolina, de volta da maquineta que dá ar aos pneus.

Personagens:
Um gajo (ele) e uma gaja (eu), mais dois gajos, mais uma outra gaja com o filhote. E respectivas bicicletas, todas a precisarem do mesmo, ou seja, dar ar aos pneus.

Acção:
Os dois gajos já lá estavam quando chegámos. O meu gajo entabulou conversa com os outros, muito mais experientes nesta coisa de andar de bicicleta ao fim-de-semana do que nós, e ao fim de pouco tempo estava em curso conversa animada entre gajos sobre bars e outra coisa que já nem me lembro como se chama, valores inscritos nos pneus, valores a inserir na máquina, e uma coisa absolutamente misteriosa chamada "calibragem automática".

A senhora e o filhote chegaram entretanto com o mesmo objectivo e ela colocou-se a ouvir a conversa na expectativa de perceber alguma coisa. Veja-se a pequena diferença entre estar com gajo e estar sem gajo. A minha postura era totalmente diferente. Estava numa de, está aqui a bicicleta, vocês conversem lá isso, eu quero é os pneus rijinhos para quando for andar. Estivesse eu sem gajo e estaria tão à rasca quanto estava a outra senhora, a tentar ler letras e números escritos em pneus que nunca reparámos que lá estão, nem para que servem, nem o que é que dizem.

Às tantas diz a senhora, meio a desabafar, meio num tom tipo estou-mesmo-a-ver-que-não-me-desenrasco: "mas não se pode marcar um valor qualquer na máquina e está a andar?...". Como a compreendi naquele momento. Os gajos lá lhe explicaram que era melhor não, e que tinha que ser um valor igual ao que estava indicado no pneu, e assim. E a senhora ficou a contas com a máquina, aposto que se desenrascou a pôr um valor qualquer e está a andar, que era exactamente o que eu teria feito se estivesse no lugar dela.

Passeando de bicicleta, diz o meu gajo: "então mas não é óbvio para qualquer pessoa que os pneus não possam levar todos a mesma quantidade de ar?". E continua, "é que isto não é o mesmo que lavar a cabeça, em que serve um champô qualquer..."

Reflexão:
Lá está, pensei eu. Assim de repente, num Sábado de manhã que nada mais fazia prever do que um passeio de bicicleta, eis que surge, cristalino, um profundo exemplo de relevância filosófica sobre esta coisa premente que é a diferença de género. Eles até podem ser muito bons a colocar o ar adequado nos pneus. Mas são totalmente incapazes de reconhecer o champô adequado ao seu tipo de cabelo.

Conclusão:
(...) Taditos.

terça-feira, junho 10, 2008

Get Carried away

Fui ver o "Sexo e a Cidade". E se já me estava a borrifar para os críticos neo-velhos do restelo antes de ver o filme, depois de o ver então... "I curse the day you were born!", é o que tenho para vos dizer, meus caros, e ilustro o meu comentário por um gesto típico da Samantha Jones (piada apenas compreensível para quem tiver visto o filme).

Dizem que o filme é outro episódio mais longo, e pergunto eu, que mal tem isso? Para mim foi um prolongamento do prazer, foi um mudar de posição em vez de "despachar a coisa duma vez". A quem preferir a segunda possibilidade à primeira, o melhor é ir de urgência fazer depilação e repensar as suas prioridades! (outra piada apenas compreensível, e tal e tal).

É um tremendo dum desfile de moda. Cheio de coisas que sim senhor, e de outras tantas que valha-me-deus-o-que-é-aquilo. E com montanhas de sapatos, pois é. Mas convenhamos, um príncipe dos nos nossos tempos, de certezinha que nos mandava fazer um armário daquele tamanho. Encantador, simplesmente encantador. O armário. E o Mr. Big, sempre, raios o partam.

De resto, o filme declara a rotina como o inimigo n.º 1 das relações. Diz-nos que em nome destas, nunca poderemos deixar de ser quem somos, nem tão pouco esperar que os outros se tornem naquilo que não são. Fala-nos de amizade e de amor. De risos e lágrimas por conta de uma qualquer parvoíce. É mais do mesmo? Que seja. Pois se não é de tudo isto que se fazem os sonhos? E não é disto tudo que se fazem os filmes?...

"Life doesn't allways turn out to be your fantasy. That's why you need friendships that are real, to get you through it all."

PS1: E a banda sonora? Fabulosa!...

PS2: Mais em www.sexandthecitymovie.com

terça-feira, junho 03, 2008

Aquilo

"A defesa da moral pública ou dos ditos bons costumes foi, durante muitos anos, pretexto para a repressão dos cidadãos no seu quotidiano. No início dos anos 50, o beijo na boca quase só era permitido no altar, entre recém-casados (...).

A postura municipal da Câmara de Lisboa, n.º 69 035, de 2 de Janeiro de 1953, regulando o policiamento de logradouros públicos e zonas florestais, constatava que, apesar do frio, se verificava «o aumento de actos atentatórios à moral e aos bons costumes, que dia a dia se vêm verificando nos logradouros públicos e jardins (...)».

Determinava, por isso, «à Polícia e Guardas Florestais uma permanente vigilância sobre as pessoas que procurem frondosas vegetações para a prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes» e estabelecia uma curiosa tabela de multas.

A saber:
1. Mão na mão ............ 2$50
2. Mão naquilo ............ 15$00
3. Aquilo na mão ............ 30$00
4. Aquilo naquilo ............ 50$00
5. Aquilo atrás daquilo ............ 100$00
§ único - Com a língua naquilo: 150$00 de multa, preso e fotografado."

António Costa Santos, "Os Anos de Salazar", Vol. 10

Fico a perguntar-me (entre as muitas dúvidas que esta tabela de multas me suscita): era fotografado enquanto ainda tinha a língua naquilo, ou já depois de a ter tirado?...

segunda-feira, junho 02, 2008

Ser e Tempo

Nos meus tempos de faculdade, dediquei-me especialmente ao estudo de Heidegger. Encontrei nos seus escritos várias coisas que para mim fizeram muito sentido, em contraponto a outros autores cujos escritos nunca me fizeram sentido nenhum (limitações minhas, não deles, certamente).

Faz sentido para mim, por exemplo, que o que determina o nosso percurso pela vida seja a nossa consciência de que vamos morrer. Não fôssemos nós mortais e o nosso projecto seria, de certeza, completamente diferente daquilo que é. O tempo determina a nossa existência (e a nossa essência?), sem Tempo não há Ser.

Carpe Diem, dizem-nos os poetas, e a gente vai tentando. Aproveitamos o dia ao máximo, ou pelo menos adormecemos convencidos de que foi isso que fizémos, e olhamos confiantes para a linha do tempo que se estende à nossa frente, para o projecto de vida que queremos concretizar, um dia de cada vez, nesta coisa maravilhosa de deixarmos de ser aquilo que já fomos, para nos transformarmos naquilo que havemos de ser, e no entanto, sendo iguais a nós próprios a cada passo do caminho. Mesmo sendo a morte o único facto verdadeiramente incontornável da nossa existência, nada nos prepara para que essa linha do tempo não cumpra, vá lá, os mínimos obrigatórios.

A verdade é que às vezes não cumpre. Olhamos para o lado e vemos linhas do tempo partidas em momentos ridículos, cretinos, bons projectos de vida que se dão por terminados, sem contemplações ou margem de negociação.

E então pensamos, há que aproveitar bem o dia, realmente. Não, é claro que não é tudo maravilhoso apenas pela graça de estamos vivos. O trânsito é uma merda, o trabalho esgota-nos mais do que devia, os combustíveis estão caríssimos, só comemos porcarias e não dá nada de jeito na televisão. Mas para nós ainda há tempo. A nossa linha é tão frágil como outra qualquer, mas por enquanto, por enquanto, temos o nosso projecto nas mãos. Ainda há Tempo para Mais Ser. É aí que reside a diferença.

Para muito boa gente, esse tempo foi curto demais para tudo o que podiam e queriam ser. Acredite agora quem quiser no sentido oculto das coisas, ou em alternativa, que as coisas não têm sentido oculto nenhum.

quarta-feira, maio 21, 2008

É assim, que eu quero ser, como a Barbiiiiiee!...

O gajo que dorme comigo tem uma teoria. Que os estilistas só fazem roupa para mulheres escanzeladas porque eles são todos maricas e odeiam as mulheres, mais as formas que lhes são características. Daí que se dediquem a fazer roupa mais apropriada para vestir tábuas de engomar.

Ando há meses a tentar comprar um fato. Um fato, um simples fato de casaco e calça. Não consigo. E porquê? Porque não tenho o tal corpo de tábua de engomar.

As calças são concebidas para mulheres sem ancas. A tirania do "corte direito", já para não falar da maldita da cintura descaída, faz com que, para me caberem decentemente nas pernas, fique com meio metro de tecido a sobrar na cintura.

Os casacos, com um botão. Deixem-me que vos diga o que acontece aos casacos com um só botão, vestidos em mulheres que têm mamas. Enfolam, é o que acontece. As mulheres com mamas precisam de casacos com dois botões, dois.

Descarrega-se assim a frustação de uma mulher com ancas, cintura e mamas, após nova tentativa frustrada de encontrar um fato, num mundo dominado pelas tábuas de engomar e por quem as acha o melhor da vida...

Se alguém souber de uma loja, uma marca, que vista decentemente uma mulher de características portuguesas, a gerência agradece do fundo do coração!

terça-feira, maio 20, 2008

Moderadamente, protesta-se


É tão tipicamente português, este protesto contra o preço dos combustíveis. Vamos então fazer boicote na Galp, BP e Repsol, porque lá a gasolina e o gasóleo estão muito caros.

Então e nos outros, estão baratos, queres ver?

Mas o que será que nos impede de fazer boicote nos tais três dias, em TODOS os postos de combustível? Nos que vendem mais caro, e nos que vendem menos caro, mas ainda assim, a preços obscenos. O brando costume não chegará para tanto? Ou será que os combustíveis ainda não estão caros o suficiente, hein?...

terça-feira, maio 13, 2008

Olha! Cem mil!

A ocasião justifica. Mesmo em crise existencial, muito e muito e mesmo muito obrigada. :-)

domingo, maio 11, 2008

Ah, e tal

Até que já tinha valido a pena vir aqui escrever umas coisas. Se eu não chegasse ao fim do dia tão cansada que só o pensar nisso já me dava sono.

Também me podia justificar com a falta de tempo, e não estaria a mentir, mas a verdade é mais profunda, e é esta: auto-censuro-me. Estou para este espaço como para quem utiliza uma casa de banho pública com a porta aberta, nunca se sabe quem vai entrar e descobrir-nos com as calças para baixo.

Já não me sinto à vontade a escrever aqui, antes de escrever uma linha pergunto-me que consequências terá, e outras opções começam a perfilar-se. Orgulho-me tanto destas quase 100.000 visitas que estou prestes a celebrar... Mas este blogue está assumidamente em crise existencial. E logo se vê.