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quarta-feira, maio 01, 2013

A minha carta para o Tiago Bettencourt

(Vamos passar à frente o facto de estar há meses sem publicar aqui nada? Vamos. Até porque na verdade ninguém está ralado com isso, nem sequer eu).

Meus amigos, concorri ao passatempo da Rádio Comercial para ir ao concerto mais pequeno do mundo com o Tiago Bettencourt, de quem sou grande fã e groupie em espírito (não posso ser mais do que isso, tenho que trabalhar para viver), e o impossível aconteceu: não fui seleccionada.

O passatempo pedia que escrevêssemos uma versão alternativa da "Carta", o que fiz de forma entusiasmada, mas cujo resultado final parece afinal ter sido sobrevalorizado. Por mim, claro está.

Como não tenho mesmo vergonha nenhuma na cara, aqui fica o que remeti para concurso mas que, infelizmente, não me deu direito a ficar ao colo do Tiago Bettencourt durante um concerto e a passar uma noite com ele num hotel. (Hã?... como assim, nunca seria exactamente isso?...)

Bem, aqui está a minha versão da "Carta":

Não falei contigo
Com medo de não me sair nada de jeito
E de cair aos teus pés…

 
Acredito e entendo
Que toda a gente queira mais ou menos
O mesmo que eu
Um lugarzinho no concerto...

 
Vontade é o que vai
Aumentando a toda a hora
De cada vez que te oiço
Na Rádio Comercial

Mas sinto que sabes que se chegar a estar no Acústico,
Também vai ser bom para ti
E mesmo que não seja….
Para mim vai ser de certeza.
 
É que hoje acordei e lembrei-me
Que imaginação é coisa que não me falta
E posso pôr tudo numa folha de papel
Nela viajo para as Caldas
Para as Caaaaldas,
Para ver o Tiago Bettencourt!....

Desconfio que ainda não reparaste
Que estou mesmo disposta a levar isto por diante
E a garantir o meu lugar
No Concerto Mais Pequeno do Mundo.
E que para isso não me importo mesmo nada
De destruir uma canção tão bonita como a Carta,
Mas o que é que queres,
Foi o que mandaram a malta fazer.
 
Anseio o dia em que vou pôr os meus pezinhos
No SANA Silver Coast das Caldas da Rainha
É que o programa é mesmo perfeito.
Já sei as músicas todas de cor, aliás
Vou ter que fazer um esforço para me controlar
Não dar barraca e ser chata para as outras pessoas.

É que hoje acordei e lembrei-me
Que imaginação é coisa que não me falta
Que posso pôr tudo numa folha de papel
Nela viajo para as Caldas
Para as Caaaaldas,
Para ver o Tiago Bettencourt!....
No Concerto Mais Pequeno do Mundo.
 
Desculpa se suspirar muito alto
Quando cantares o "Caminho de Voltar"
Ou o "Chocámos tu e eu"
Mas isso são coisas que eu cá sei
 
Desculpa se a Rádio Comercial
Fizer o disparate de não me seleccionar
Logo a mim, que passo a vida a partilhar
As tuas músicas no facebook...
 
É que hoje acordei e lembrei-me
Que imaginação é coisa que não me falta...
 
Nela viajo para as Caldas
Para as Caaaaldas,
Para ver o Tiago Bettencourt!....
No Concerto Mais Pequeno do Mundo.

Agora que isto está despachado
Tenho que te confessar uma coisa
Agora que isto está despachado...
 
Estou bastante convencida
Que tens covinhas por baixo da barba.
É uma ideia que eu tenho...
É uma ideia que eu tenho...

... E é isto. Então até daqui a cinco meses, sim?...

domingo, junho 03, 2012

Considerações de uma mulher de meia-idade que foi ao Rock in Rio

- Afinal ir ao Rock in Rio é mais ou menos como ir à praia: a malta faz umas sandes, compra sumos de pacote e mete o protector solar na mochila.

- Afinal estar no Rock in Rio é mais ou menos como estar no parque de campismo: há fila para comer; fila para fazer xixi; fila para tomar café.

- Afinal estar no Rock in Rio é tomar consciência da moda deste ano adoptada pelas adolescentes no que toca a vestuário. Alguém já se apercebeu? Eu só dei conta naquele dia, parecia que andavam todas fardadas. Calções (muito) curtos, de cintura subida. Vestidos por cima de collants (!), vulgo meias de vidro, indiferentes à temperatura acima dos 30 graus. É claro que usados de forma generalizada (pois se é moda), tanto pelas que saem favorecidas, como por aquelas que ficam um total desastre com aquilo vestido. Sendo que, depois de umas horas espojadas pelo meio do chão, não há collants que resistam e é ver malhas pelas pernas abaixo, deixando-as a todas com um aspecto mais ou menos igual, com um certo ar de prostituta gasta por muitos anos de profissão, o que de certa forma é a democratização do mau aspecto. É a justiça feita às gordas que nunca deviam ter optado pelos calçõezinhos logo de início e justiça feita a mim, que na idade delas também teria andado com uns vestidos, sem que o meu corpinho mo permitisse.

- Afinal o que é que se passa com as tampas das garrafas de água, pá? Deixem estar que para a próxima já não me apanham com esta. A vantagem de não vestir calções curtos é a quantidade de sítios onde imagino ser possível esconder tampas de garrafas de água, seus palermas...

- Afinal o que realmente vale a pena no Rock in Rio são mesmo os concertos. Não fosse pela experiência avassaladora de ver e ouvir os artistas do nosso coração, se calhar nalguns casos em oportunidades únicas, aquilo não seria mais do que uma concentração excessiva de pessoas e de hormonas de reprodução num espaço limitado, ainda por cima cheio de pó e de mershandising.

Mas assim, com a alma cheia de música, mal posso esperar pelo cartaz de daqui a dois anos, para decidir em que dia vou outra vez.

terça-feira, setembro 13, 2011

Porque isto é mesmo muito bonito

há sempre um sítio pra fugir,
se queres saber um sítio onde podes descansar.
há sempre alguém pra te agarrar, pra te esconder.
se vais cair eu vou-te ver antes da dança, antes da fuga, eu sei-te ver.
antes do tempo te mudar eu vou saber, antes da névoa te vestir e te levar,
há um sítio onde o escuro não chegou pra onde podes ir, um rio pra libertar.

há sempre alguém pra te salvar, se queres saber, se queres sentir a todo o gás.
há sempre alguém pra te dizer se vais cair pra te travar e adormecer.
antes do dia, antes da luta, eu sei-te ver.
antes da noite te sarar eu vou saber, antes da chuva te romper e te lavar,
há um sítio onde a estrada te deixou por onde tens que ir se te queres libertar.

e tudo o que for por bem, tudo o que der razão pelo ponto vai ligar.
tudo te vai unir, tudo se faz canção, no caminho de voltar, no caminho de voltar.

há sempre paz noutro lugar, entre nuvens,
um sítio onde podes perceber que há sempre alguém para te ver,
em segredo, te descobrir e renovar, e renovar.
te descobrir e renovar.
te descobrir e renovar.
te descobrir e renovar

Tiago Bettencourt, "Caminho de Voltar"

domingo, março 06, 2011

A luta é alegria!!!



Kirikirikirikiriki! Os homens da luta ganharam o festival da canção e foi o povo que lhes deu a vitória. O que quererá dizer esta vitória, pergunto eu? Quer dizer que estamos perante mais outro exemplo do poder das redes sociais e de quem delas souber fazer bom uso face aos seus objectivos? Pergunto-me: quantas pessoas que votaram nos homens da luta através da internet para o apuramento inicial, e esta noite pelo telefone, quantas delas foram às urnas no passado dia 23 de Janeiro para eleger o Presidente da República?

Quererá dizer apenas que o povo agarrou finalmente a oportunidade de gozar com aquele festivalzinho de merda, pouco diferente desde 1964 só que agora com piores canções e piores cantores (excepção e honra feita ao Nuno Norte e à Wanda Stuart)? Pergunto-me: esta gente ainda acha que ganha concursos a gritar em plenos pulmões?

Quererá dizer que o povo quis levar este gozo para além do festivalzinho de merda que tem cá, e finalmente dizer aos senhores da Eurovisão que enfiem o Festival onde melhor lhes aprouver?

Ou quererá dizer que "Os Homens da Luta" têm a energia e a criatividade suficientes para agitar, incomodar a portugalidade balofa que se vê nas canções do Festival da Canção e no nosso dia-a-dia?

É tão irónico que seja justamente à Alemanha que a Luta agora vá chegar. E foi muito giro de ver hoje, depois dos resultados apurados, a tensão no Teatro Camões, o nervosismo da apresentadora, os olhares incomodados, os apupos. São uns palhaços, as canções não prestam. A crise não se resolve de megafone na mão, a dizer disparates e a cantar cantigas.

Dizem que no tempo do Zeca Afonso também era assim.

sábado, janeiro 30, 2010

Falar é fácil!...



Se calhar já não é novidade para muitos, mas eu só vi isto ontem à noite e fez-me rir à gargalhada. Um conceito muito bem pensado. :-)

terça-feira, junho 10, 2008

Get Carried away

Fui ver o "Sexo e a Cidade". E se já me estava a borrifar para os críticos neo-velhos do restelo antes de ver o filme, depois de o ver então... "I curse the day you were born!", é o que tenho para vos dizer, meus caros, e ilustro o meu comentário por um gesto típico da Samantha Jones (piada apenas compreensível para quem tiver visto o filme).

Dizem que o filme é outro episódio mais longo, e pergunto eu, que mal tem isso? Para mim foi um prolongamento do prazer, foi um mudar de posição em vez de "despachar a coisa duma vez". A quem preferir a segunda possibilidade à primeira, o melhor é ir de urgência fazer depilação e repensar as suas prioridades! (outra piada apenas compreensível, e tal e tal).

É um tremendo dum desfile de moda. Cheio de coisas que sim senhor, e de outras tantas que valha-me-deus-o-que-é-aquilo. E com montanhas de sapatos, pois é. Mas convenhamos, um príncipe dos nos nossos tempos, de certezinha que nos mandava fazer um armário daquele tamanho. Encantador, simplesmente encantador. O armário. E o Mr. Big, sempre, raios o partam.

De resto, o filme declara a rotina como o inimigo n.º 1 das relações. Diz-nos que em nome destas, nunca poderemos deixar de ser quem somos, nem tão pouco esperar que os outros se tornem naquilo que não são. Fala-nos de amizade e de amor. De risos e lágrimas por conta de uma qualquer parvoíce. É mais do mesmo? Que seja. Pois se não é de tudo isto que se fazem os sonhos? E não é disto tudo que se fazem os filmes?...

"Life doesn't allways turn out to be your fantasy. That's why you need friendships that are real, to get you through it all."

PS1: E a banda sonora? Fabulosa!...

PS2: Mais em www.sexandthecitymovie.com

sábado, maio 12, 2007

Memorial do Convento


Aqui esta grande doente de Saramago foi ver "Memorial do Convento", que está em cena no Palácio Nacional de Mafra até 30 de Junho.

Para já, acho que qualquer companhia de teatro que pônha pés ao caminho para adaptar ao Teatro um romance do Saramago, agarram-se a uma empreitada gigantesca, porque nunca é com duas ou três penadas que se adaptam textos com aquela profundidade. Do meu ponto de vista, merecem louvor desde logo, pela coragem.

Fui ver em tempos, ao Teatro da Trindade, a adaptação do "Ensaio sobre a Cegueira", e fiquei pasmada com a criatividade cénica que foi criada para aquele espectáculo, assim como com a capacidade que tiveram na altura de resumir o texto todo, mas mesmo todo.

Neste "Memorial do Convento", exalto sobretudo o trabalho dos actores. Especialmente do Flávio Tomé, que compõe um Padre Bartolomeu de Gusmão de tal forma marcante, que acho que vai passar a ficar a imagem do seu personagem na minha cabeça de todas as vezes que voltar àquele texto. É o maior elogio que lhe posso fazer. A evolução do personagem ao longo da peça é excelente. O espectáculo no seu todo, é muitíssimo bom.

De resto, tudo assenta no texto, que é aquela obra de genialidade do princípio ao fim. E quando as palavras dos actores citavam o livro, fazia-se um eco qualquer dentro de mim, que não sei porquê, as palavras que percorrem aquele romance, os acontecimentos reais e irreais que por lá são relatados, tudo aquilo me comove de uma maneira que vai muito além de qualquer fruição literária.

As primeiras lágrimas caíram-me quando se ouviu em "off" a mãe de Blimunda. A partir daí foi uma choradeira constante, quando veio o sermão do Padre Bartolomeu, já à beira da loucura, questionando-se se são os homens que estão em Deus, ou se é Deus que está nos homens, e que seja como for, estar Deus nos homens depende sempre da vontade destes últimos, e que nesse caso, o homem é mais que Deus, porque não há Deus sem a vontade dos homens. E no final, quando a Blimunda vai entre os espectadores a perguntar se alguém viu o Baltasar, que há nove anos que o procura, porque por mais vezes que leia a história, que a oiça contar, de todas as vezes é como se fosse a primeira, nunca deixa de me doer o que o destino tem guardado para Baltasar e Blimunda.

"Sabes tu o que é ser homem e mulher? Ninguém sabe."

"É a vontade dos homens que segura as estrelas. É a vontade dos homens que Deus respira"

Hoje vai-me custar a adormecer...

sábado, agosto 13, 2005

Somos todos cegos que vêem

Ontem fui ver “Ensaio sobre a Cegueira”, uma adaptação para teatro do romance do Saramago, com o mesmo nome. Este valente desafio foi agarrado pelo Teatro O Bando, e está em cena no Teatro da Trindade até 18 de Setembro.

Para os poucos incautos que ainda não tenham percebido, aqui a dona deste estabelecimento é uma grande admiradora de (leia-se: tem uma grande panca por) José Saramago. No caso concreto deste romance, Ensaio sobre a Cegueira (que apenas tive coragem para ler duas vezes), considero ser um dos textos mais geniais do nosso Nobel. Genial sim, mas também um dos mais inquietantes, mais angustiantes, mais complexos, e diria eu, mais impossíveis de adaptar para Teatro.

Fui então ver a peça, munida do meu pessimismo céptico, ou em alternativa, do meu cepticismo pessimista. E estive para não ir. Pensava eu, se aquilo tentar ser fiel ao texto vai ser uma porcaria, se aquilo não for fiel ao texto vai ser uma banhada sem jeito nenhum. Ainda por cima, tinha visto há pouco tempo em DVD a decepcionante adaptação para cinema de A Jangada de Pedra, de moldes que já tinha os pés todos atrás que tinha para ter…

… E fiquei tão esmagada pela peça quanto fiquei já pelo livro. Que enorme coragem teve aquele grupo de pessoas para montar um espectáculo assim! Conseguiram reproduzir toda a história na íntegra, com momentos tão brutais quantos os do próprio livro em si. Quem sabe se até mais brutais ainda, porque ali estamos perante todo o espectáculo da miséria humana ao vivo e a cores, com imagens, sons e cheiros. E o espaço cénico, meus amigos, é extraordinário!

Da parte de mais esta cega que vê, aqui fica a minha humilde vénia para todos os elementos d’“O Bando”, que para além de terem concebido e montado o espectáculo, ainda lhes sobra força anímica para o levar à cena todos os dias. Olhem que é preciso terem uns tomates muito rijos e muito pretos.

Ah! Escusado será dizer que o meu pessimismo e cepticismo saíram do Teatro ontem com o rabo entre as pernas, mudos e quietos, e ainda hoje não abriram a boca. Estão pr’áli enfiados no canto mais escuro da casa, com uma grande crise de amuo. Tadinhos.

terça-feira, julho 05, 2005

American Pie

É uma canção muito linda. Da autoria de um tipo chamado Don MacLean, e já tem mais de 30 anos. Deve ser possível ouvir isto na net, mas como não consegui encontrar nenhum link para esse efeito pelo menos pode-se chegar à letra por aqui.

Ouvi isto pela primeira vez no final de uma das melhores peças de teatro que já vi na vida. Chamava-se "Os Descendentes de Kennedy", foi levada à cena pelo Teatro da Malaposta e tinha no elenco a maravilhosa Maria João Luís e o Marcantónio del Carlo, a Ana Nave também, e pelo menos mais dois actores, cujos nomes não consigo recordar. Nunca oiço este tema que não me recorde daquele espectáculo e de como chorei baba e ranho ao som deste "American Pie". E já lá vai um porradão de anos...