quarta-feira, julho 25, 2007

Isto sim, é o sonho de qualquer mulher (e de qualquer homem também)


Seca a roupa, passa a ferro, e ainda consegue ser bonito. É caro como o raio: 1880 €. Mas por mim, vale a pena o investimento. Não sei quando vai ser, mas um dia vou ser dona duma coisa destas. De certezinha absoluta.


Olha aqui tão lindo, de portinha aberta:


quarta-feira, julho 18, 2007

Sobre a roda dentada do destino


A ver se me consigo explicar. A minha imagem do destino é mais ou menos a do mecanismo de um relógio. O destino é a roda dentada maior. As nossas vidas são as rodas dentadas mais pequeninas, o que quer dizer que qualquer um de nós dá não sei quantas voltas a mais sobre si próprio, ao mesmo tempo que a roda dentada do destino dá umas voltas muito maiores, e necessariamente mais lentas.

Imagino ainda que apenas um número muito reduzido de dentes na grande roda dentada do destino tenham a capacidade de produzir acontecimento importantes. Então, isso leva a que nós, pequenas rodas dentadas, levemos a vida por vezes muito cansaditas de andar às voltas, a cumprir com as nossas obrigações mas sempre a fazer projectos, que as rodas dentadas mais pequenas têm sempre muitos sonhos por concretizar, e até há quem diga que são as vontades das pequenas rodas dentadas que dão energia ao relógio para trabalhar. Donde se pode concluir que a grande roda dentada do destino só anda por conta das pequenas rodas dentadas, que a fazem girar. Mas adiante.
Dizia eu que assim sendo, "longa se torna a espera" pelos momentos em que o tal dentinho da roda dentada grande toca a nossa minúscula, porém significante, vida. Mas de muito em muito tempo, lá surge o dia, os dias, em que esse tal dente encaixa na nossa pequena roda dentada. Nessa altura, muito provavelmente, quem estiver com atenção consegue ouvir distintamente o mecanismo a funcionar.
Para o melhor e para o pior, a roda toca-nos e determina novas realidades. E a pequena roda dentada faz o que está na sua génese: continua a girar, a projectar, a realizar. Mas as voltas, parecendo as mesmas, serão outras, porque é esse o efeito que a grande roda do destino sempre consegue exercer. Nunca nada fica como antes.

sexta-feira, julho 13, 2007

Mudar de casa

Quando há sete anos atrás comprei esta casa que agora vendi, foi tudo muito diferente. Estava a sair de casa dos meus pais, a casa que então encontrasse era o meu primeiro espaço próprio, para eu (me) construir de raiz. Na altura foi relativamente fácil, encontrei a casa que quis, pedi o empréstimo ao banco, e depois pronto.

Desta vez é tudo muito diferente, e hoje confesso que estou particularmente vulnerável. Estive dois anos à espera de vender esta casa, a fazer planos sobre o lugar para onde iria viver a seguir. Sendo que o lugar para onde se vai viver é um lugar onde nós estamos todos os dias, uma casa não é apenas uma casa, é uma coisa que ao longo do tempo se incorpora em nós, ganha o nosso cheiro, reflecte os nossos hábitos, é ao mesmo tempo palco dos nossos melhores e piores momentos, é refúgio, local onde acontecem as nossas maiores intimidades, onde só entra quem a gente quer, onde está grande parte daquilo que somos.

Já dei comigo a olhar à minha volta, aqui no meu T1 que eu quero muito ver pelas costas, e a sentir alguma nostalgia a escorrer pelas paredes abaixo, uma sensação de perca que se instala ao fim do dia, quando o sol começa a desaparecer na cozinha, uma impressão parva de invasão de privacidade quando o comprador me telefona a dizer que já deu esta morada em alguns lugares, que se faz favor o avise no caso de chegar correio para ele.

E agora, para onde é que eu vou? Todas as hipóteses são boas e más, nenhuma é o ideial alimentado ao longo destes dois anos, e por outro lado, todas representam oportunidades de negócio tão boas, mas tão boas, que é difícil discernir qual é a melhor oferta de todas. Os vendedores de casas são muito faladores. E têm sempre qualquer coisa na manga, à espera do momento certo para nos manipularem. São simpáticos e assertivos até ao limite da exaustão. E não têm muitos compradores, então mergulham de cabeça em cima dos poucos que existem. Mergulham de cabeça em cima de mim, portanto.

Com os bancos posso eu bem, fazem-se as contas e pronto, também aí já vi que quem precisa está sempre lixado, mesmo... É como ter um cobertor demasiado curto, é só uma questão de perceber o que é que preferimos ter destapado, se a cabeça ou os pés.

E então especialmente hoje, quando já quase tinha tomado uma decisão, eis que surge uma nova proposta para baralhar e tornar a dar. Fazendo da minha futura casa uma oportunidade de negócio, uma oportunidade de negócio para eu depois transformar num lar. Como é que eu sei, de entre tantas e tão boas oportunidades de negócio, qual a melhor opção para que daqui a uns tempos eu me sinta, novamente, na minha casa? E de preferência, sem que as paredes assistam logo de início a lágrimas de arrependimento?...

PS: Eu sei que isto são dilemas dos bons, quem sou eu para me estar aqui a queixar. Mas a verdade é que esta semana tenho dormido muito mal à conta desta questão. E se por um lado, estar de férias tem sido óptimo para tratar de tudo com tempo, há se calhar demasiado tempo livre entre mãos para matutar nisto. E isso também tem o seu lado negro, sem dúvida...

quinta-feira, julho 12, 2007

Situação: capaz de lhes ir às trombas

Ando eu práqui a ver euros e mais euros à minha frente, e há uns euros que não há meio de ver: o reembolso do IRS. Malta que entregou depois de mim, já recebeu, muitos ainda em Junho. E eu, que entreguei aquilo logo no início do prazo, quando vou consultar a minha "situação", dou sempre de caras com isto:

Situação REEMB: EMISSÃO ATÉ 31 DE AGOSTO
Filhos da mãe. Aqui há uns tempos atrás mandei-lhes um mail a perguntar quando é que começavam a pagar. Nunca tive resposta, claro. Mas este ano, com este atraso todo, que aliás nunca me tinha acontecido, fico a perguntar-me: tu queres ver, que lá nas catacumbas empoeiradas do Ministério das Finanças (sim, porque eu imagino sempre que aquilo há-de ser num buraco qualquer, onde eles vivem a contar o dinheirinho que nos levam todos os meses, e a verem-no a acumular até forrar as paredes e o tecto, e devem ser tão sumíticos que nem devem estar dispostos a pagar a alguém para lá ir fazer limpeza, e depois devem ficar a chorar agarrados às notas antes de começarem a largá-las para nos fazerem os reembolsos), dizia eu, tu queres ver, que algures num desses buracos, um reles funcionário recebeu o meu mail de alguém nitidamente à rasca para receber o raio do dinheiro, e pensou: "Ai está com pressa, a menina? Pois este ano hás-de ser das últimas a receber, que é para aprenderes a não vires entupir-me a caixa de e-mail com perguntas parvas".
Não sei, não sei, mas a mim parece-me uma boa teoria da conspiração. Ressabiados do caraças, é o que eles são todos. Só vêem dinheiro à frente, até metem nojo, palavra de honra. 31 de Agosto. Pffff!...

segunda-feira, julho 09, 2007

Decisões, decisões

T2 ou T3? Rés-do-chão ou primeiro andar? Se quero mais um quarto não tenho onde estender roupa, se não tiver hall de entrada tenho que me desfazer de alguma mobília... Mais recente e virada para a estrada, ou mais antiga e com uma palmeira à frente da janela (se bem que também virada para uma estrada)? Toda viradinha para o jardim é que era, mas não há...

Compro no limite do plafond estabelecido, ou fico-me pela que me deixa mais à-vontade financeiramente? Com parqueamento ou sem parqueamento, com arrecadação ou sem ela?

Decido já ou espero para ver aquela que os donos só vêm de férias no fim do mês?...

Quem diria que as minhas férias iam servir para limpar a que já está vendida, e para procurar a que vou ter que limpar a seguir!...

quarta-feira, julho 04, 2007

Blimunda doméstica vs Blimunda patroa

450, contei-os eu, de diferentes tamanhos, qualidades e feitios. Raios partam a mulher com a mania que é intelectual, para que quererá ela tanto livro, sempre gostava eu de saber.

Soubesse ela a trabalheira doida que aquilo dá, tirá-los a todos das prateleiras, limpá-las e voltar a pô-los todos outra vez no mesmo sítio, por ordem alfabética de autores!!!

E ainda por cima a trabalhar de borla.

segunda-feira, julho 02, 2007

Férias

Para dormir até tarde.

Limpar a casa como deve ser.

Dar-me ao luxo de não ter pressa.

Afastar-me do emprego por uns tempos, coisa importante para a sanidade mental.

Férias para repor energias. Bem bom.

quinta-feira, junho 28, 2007

Diga-se de passagem

Que no sobe-e-desce escada e percorre-corredor dentro do hospital, para visitar a mãe, tenho dado de caras com um médico, que sim senhor.

Não me importava nada de saber qual é a especialidade dele.

E a julgar pela troca de olhares, fiquei com ideia que ele também não se importava nada.

quarta-feira, junho 27, 2007

Ó sr. santo protector do tempo de espera até ao contrato de promessa compra e venda

O comprador partiu o perónio? Partiu o perónio? Eu sei que as coisas a mim não me acontecem nunca de maneira fácil, e tudo corre naquela base da corrida de obstáculos, mas levar esta metáfora tão a sério ao ponto do desgraçado do comprador partir uma perna, é mais que a conta.

Coitado do homem, foi internado, foi operado e tudo. Isto faz-me lembrar o Hugo, do Lost, que ganhou aquele dinheiro todo mas a partir daí há sempre pessoas à volta dele a sofrerem as consequências da maldição, tipo, gente a morrer e assim.

No meu caso, como sou assim uma criatura de fraca qualidade, o único efeito colateral que consigo provocar é um perónio partido. Ainda assim, o contrato era para assinar já amanhã e afinal vai ficar para Sábado ou Domingo. Ou Segunda, ou Terça...

Com franqueza.

terça-feira, junho 26, 2007

A operação da mãe

Em linguagem médica, foi uma histeroctomia, devido a um prolapso do útero. Em linguagem de gente, foi preciso remover o útero da minha mãe, porque ele descaíu e saiu para fora do corpo. Em linguagem de família, há já muitos meses que a minha mãe estava a perder faculdades básicas na nossa frente, a um ritmo diário, e para além do sofrimento físico que a coisa lhe provocava, vinham também por arrasto a depressão, a baixa auto-estima, o desinteresse por si própria e por aquilo que a rodeava. As ondas de choque provocadas por este problema alastraram por toda a família, a começar pelo meu pai, que é o que está mais perto, e que também inspira cuidados de saúde, já que o senhor não é propriamente um jovem. Desde que ela nos deu conta deste problema, em Novembro do ano passado, tem sido uma fase muito difícil, de muito desgaste para nós todos.

A operação foi ontem, e felizmente correu tudo bem. Hoje já a encontrei bem disposta e animada, feliz por se ver livre daquele peso que a empurrava, literal e figuradamente, para baixo.

Persistem muitas preocupações. Há muitas mais coisas que vemos que não estão bem e que têm que ser acompanhadas, há ainda muitas dúvidas sobre quais as sequelas desta intervenção no futuro, e portanto, não dá para fazer grandes festas. Mas pelo menos, esta corrida de obstáculos para a fazer chegar à operação o mais rápido possível, já a conseguimos concluir.

Hoje é tempo de respirar fundo e esperar que, como dizia Gabriel Garcia Marques num dos seus livros, "Deus nos livre daquilo que somos capazes de aguentar".

segunda-feira, junho 25, 2007

SPM

Há bastante tempo que não me dava. Estou irritada com qualquer coisa que mexa em particular, e com o mundo inteiro, de uma maneira geral.

quinta-feira, junho 21, 2007

Foi desta

VENDI A MINHA CASA!!!!! :) :) :) :)

(agora vou ali acender uma velinha ao santo protector do tempo de espera até à assinatura do contrato de promessa de compra e venda).

quarta-feira, junho 20, 2007

Eu, de certo modo

Eu quero: uma promoção.
Eu tenho: muitos projectos.
Eu acho: que mudar é sempre bom, nem que seja para pior.
Eu odeio: assuntos mal resolvidos.
Eu sinto saudades: de estudar.
Eu escuto: muito burburinho e isso cansa-me muito.

Eu cheiro: a mim.
Eu imploro: às pessoas que não andem em carneirada, e pensem pela própria cabeça.
Eu procuro: aprender e evoluir (uma coisa depende da outra).
Eu pergunto-me: será que existe isso do acaso?
Eu arrependo-me: de algumas coisas.
Eu amo: os meus.

Eu sinto dor: quando faço ginástica localizada (e mesmo assim volto lá para fazer mais).
Eu sinto falta: de alguns amigos.
Eu importo-me: quando não sou correcta para alguém.
Eu sempre: chego à hora combinada.
Eu não fico: descontraída por muito tempo.
Eu acredito: que sem muito trabalho, muito esforço, nada se consegue.
Eu danço: mal.
Eu canto: muito bem, aliás, sou um talento por descobrir nessa área.

Eu choro: baba e ranho nos filmes todos, inclusive a ver o Dumbo (de todas as vezes que vejo o Dumbo, aquela cena dele a separar-se da mãe dá cabo de mim).
Eu falho: como toda a gente, mas lido muito mal com isso.
Eu luto: e luto, e luto, e luto, todos os dias desde que me levanto até que me deito, contra todas as contrariedades que a vida me atravessa à frente, e às vezes consigo as coisas, mas acho que é mesmo só porque a vida fica farta de me ver a saltar obstáculos.
Eu escrevo: e depois guardo na gaveta.
Eu ganho: mal, claro, mas há quem esteja pior.
Eu perco: a paciência com demasiada facilidade.
Eu nunca: fumei um cigarro na minha vida.
Eu confundo-me: em qualquer lugar novo que vá, e em alguns onde vou com frequência também. O meu sentido de orientação é uma desgraça.
Eu estou: bem amada.

Eu sou: um bocado snob. E mal-humorada. E impaciente. Mas ainda assim, sou boa pessoa.
Eu fico feliz quando: acontecem coisas boas aos outros ou a mim.
Eu tenho esperança: de uma vida melhor.
Eu preciso: de ver os meus pais bem de saúde.
Eu deveria: aprender a lidar melhor com os fracassos.

quinta-feira, junho 14, 2007

quarta-feira, junho 13, 2007

No smoking, please

Falta muito para entrar em vigor aquela nova legislação sobre o tabaco?

É que, depois de um frugal pequeno-almoço de chá e torrada, estou com o cabelo a cheirar como se tivesse ficado num bar qualquer a fumar e a beber até às duas da manhã!

Ainda ontem lavei o cabelo, raios partam este vício horrível.

quarta-feira, junho 06, 2007

Vidas...

- Dentista às 09h30.

- Depilação às 13h00.

- Ginástica às 17h30.

Ó Sócrates, desculpa lá mas hoje só deu para trabalhar quatro horas!...

segunda-feira, junho 04, 2007

(Querem ver as fêmeas à minha volta a ficarem todas doidas? Querem? Querem? Então cá vai...)

Eh pá...

Não estou habituada a isto...

É mais ou menos como ter um gão de pó no olho, ou ser mordida por uma melga e ficar uns dias com comichão no braço, ou comer uma refeição mais calórica e fazer uma digestão mais prolongada que o habitual... Incomoda um bocadito, mas felizmente são tudo situações transitórias, ao fim de um tempo passa e volta tudo à normalidade.

Também não consegue incomodar por aí além, ele coitadito é congenitamente atrofiado, e continua mirrado à conta da subnutrição.

Mas ainda assim, de vez em quando manifesta-se, o raio do instinto maternal!...

domingo, maio 27, 2007

Paciência

Ontem trabalhei onze horas seguidas, apareceu-me o período, e apesar da barriga a doer, lá fui levando o dia cantando e rindo. Quando me deitei, tarde e a más horas, tive que recorrer ao analgésico para conseguir descansar um pouco, hoje acordei com a mais ou menos habitual dor de cabeça do "day after", e a pensar que tenho mesmo que ir ligar o aspirador, porque ao menos isso tenho que fazer pela minha casa, mas estou com tanta vontadinha, que em vez disso estou aqui, agarrada ao teclado.

E hoje ao acordar, entrou-me pelos ouvidos esta canção, na voz da Mafalda Veiga e do João Pedro Pais:

Paciência

"Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára (a vida não pára não)

Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára (a vida não pára não... a vida não pára)"
Composição: Lenine e Dudu Falcão

E eu pensei: apropriado.

Agora é que tem mesmo que ser. Vou aspirar.