Julgo não ter ainda explanado nesta minha chafarica o quanto eu detesto, odeio, abomino cozinhar. Preparem-se então as almas, pois hoje é chegado o dia.
Seriously. Dêem-me casas de banho para limpar e é verem-me a esfregar sanitas e bidés com alegria, se estiver para aí virada, com a música em altos berros, dando piruetas e cantando em plenos pulmões enquanto loiças, espelhos e azulejos resplandecem à passagem das minhas mãos, frementes por higiene radical.
Agora na cozinha, é o horror. Para começar, convenhamos que mexer em carne e em peixe crú é um grandessíssimo nojo. Basicamente, a carne e o peixe, quando estão crús, cheiram mal. E escorregam das mãos, e têm gorduras, e escamas, e outras porcarias agarradas, o que me deixa logo com uma enorme vontade de ir fazer qualquer outra coisa, menos mexer naquilo.
Depois, é todo aquele mundo das receitas, quantas vezes ainda mais incompreensíveis e impossíveis de decifrar do que o estado das finanças do País. A ver se vos consigo explicar mais ou menos como sou eu a ler uma receita:
Ingrediente A: "não tenho"
Ingrediente B: "não tenho"
Ingrediente C: "não tenho e não sei onde se compra"
Ingrediente D: "não sei o que é"
Quando eventualmente consigo ultrapassar esta parte dos ingredientes, passo à parte da descrição da receita propriamente dita:
"Misture o ingrediente A com o ingrediente D e reserve. De seguida faça um não sei quê com os ingredientes B e C e depois de esperar 10 min...", não costumo ler muito mais que isto. ´É mais ou menos nesta altura que ponho de lado e desisto, exaurida só de pensar no trabalho que aquilo me vai dar.
E por outro lado, julgo que da mesma forma que um qualquer animal pressente as pessoas que não gostam dele, e reage a isso mesmo, acho que as cozinhas e os alimentos de um modo geral também pressentem esta minha aversão a eles. Só assim se explica que quando me dedico a cozinhar algo, os ovos explodam, o óleo espirre, o caldo entorne, as colheres e as tampas caiam para o chão com grande estrondo, para além de outras coisas imprevisíveis que sempre me acontecem.
Aqui há uns tempos atrás, resolvi fazer puré de batata. Sobrevivi. Mas estraguei dois passe-vites e depois de almoço andei a limpar puré de batata dos móveis da cozinha, em sítios que ainda hoje me parece que desafiaram as mais elementares leis da física...
Depois, há todo um drama a acontecer em torno dos filetes de pescada, não sei se alguém já reparou. Vivi num paraíso durante anos, porque havia isto, que era só meter no forno e eram mesmo bons. Ultimamente passo noites sem dormir, sem qualquer explicação que venha acalmar a minha angústia, porque deixei de os encontrar à venda. Não há filetes de pescada destes em lado nenhum! :-( Senhores da Pescanova: por favor, por favor, não os retirem do mercado. Agora só encontro pázadas disto e não me venham com conversas, porque não é a mesma coisa. Consequência: fazer filetes em casa à boa maneira tradicional (pois, pois...). Com óleo gordurento e de comportamento irrascível, a salpicar-me e a causar dores alucinantes, já para não falar da farinha espalhada por todo o lado, o polme que encaroça com a farinha, e no fim, já se sabe, toda uma cozinha imersa na maior imundície. Parecia que tinha acontecido um tornado de gorduranga por aquela bancada fora. Depois desta última experiência horripilante, concluo que só me restam duas alternativas, se quiser continuar a comer filetes de pescada. Ou descubro um ninho de filetes da Pescanova (mas terá que ser noutro lugar para além deste, julgo eu), ou compro um fato de astronauta para usar da próxima vez que os for fazer. Não me livra da cozinha destruída, mas pelo menos protege-me das queimaduras do óleo e da necessidade de tomar um banho de imersão e de por a roupa toda para lavar.
Mas a verdade é que é Páscoa. E por motivos emocionais que agora não vêm ao caso, germina em mim um imperativo categórico para que não passe mais esta ocasião festiva sem que se faça arroz doce cá em casa. Assim será. Mas palavra de honra, receio pela minha integridade física e pela daqueles que me estão próximos...
sexta-feira, abril 22, 2011
Estar velha é...
... Aceitar pedidos de amizade no Facebook vindos de criaturas que fomos visitar à maternidade quando tinham menos de uma semana de vida!... :-)
terça-feira, abril 19, 2011
Coisas que me fascinam #1
Cães vadios que vão às passadeiras de peões quando querem atravessar a estrada.
sexta-feira, abril 15, 2011
Pragmatismo e desencanto
Não me mintas, pá. Não me canses a beleza com conversinhas de merda, não me esgotes as energias do dia com promessas do céu e da lua que já sabes de antemão que não vais poder cumprir.
Se como julgo, só me queres para um encontro ocasional e depois estás-te a borrifar para o que eu sinto, para o que eu penso, para quem eu sou e se fico bem ou mal, ao menos diz-me isso mesmo, que sempre fico a saber com o que posso contar. Confia em mim, a sério. Sou crescidinha, tenho muito juizinho, tenhas tu coragem para dizer as coisas como elas são, eu terei as forças para (me) aguentar.
Agora, não me digas que estás cá para mim para depois me ignorares no momento a seguir, quando eu mais precisar. Se não tens nada para me dizer, não me digas que depois falamos. Se os teus interesses são outros, não faças de conta que te interesso para alguma coisa, que eu dispenso essa tua condescendência. Dares-me um pouco da tua atenção não é um favor que me faças, percebes? É para essas merdas todas que já não há pachorra.
Não me queiras iludir, que eu já não tenho idade para isso e isso sim, é que me ofende. Ofende-me na minha inteligência e na minha dignidade. Sei que acima de tudo, dependo de mim própria. Não estou à espera que me venhas salvar a vida. Por isso, fala claro comigo.
É tudo o que te peço, querido futuro governante do meu País.
Se como julgo, só me queres para um encontro ocasional e depois estás-te a borrifar para o que eu sinto, para o que eu penso, para quem eu sou e se fico bem ou mal, ao menos diz-me isso mesmo, que sempre fico a saber com o que posso contar. Confia em mim, a sério. Sou crescidinha, tenho muito juizinho, tenhas tu coragem para dizer as coisas como elas são, eu terei as forças para (me) aguentar.
Agora, não me digas que estás cá para mim para depois me ignorares no momento a seguir, quando eu mais precisar. Se não tens nada para me dizer, não me digas que depois falamos. Se os teus interesses são outros, não faças de conta que te interesso para alguma coisa, que eu dispenso essa tua condescendência. Dares-me um pouco da tua atenção não é um favor que me faças, percebes? É para essas merdas todas que já não há pachorra.
Não me queiras iludir, que eu já não tenho idade para isso e isso sim, é que me ofende. Ofende-me na minha inteligência e na minha dignidade. Sei que acima de tudo, dependo de mim própria. Não estou à espera que me venhas salvar a vida. Por isso, fala claro comigo.
É tudo o que te peço, querido futuro governante do meu País.
quarta-feira, abril 06, 2011
Alegrias da sociedade de consumo
Entrar numa pequena papelaria de bairro e descobrir um ninho de canetas Pentel!...
quinta-feira, março 31, 2011
É incrível
A falta de humildade, o fingimento, a cobardia, a incapacidade de reconhecer os próprios erros que existe neste mundo.
Vejo e no fundo não é que me surpreenda, mas ainda assim não consigo deixar de pensar, é incrível.
Vejo e no fundo não é que me surpreenda, mas ainda assim não consigo deixar de pensar, é incrível.
terça-feira, março 29, 2011
Don't stand so close to me
A religião católica determina que tanto é pecado pensar como fazer. Felizmente, não professo tal religião. Dentro da minha cabeça, sou uma libertina!... :-)
domingo, março 06, 2011
A luta é alegria!!!
Kirikirikirikiriki! Os homens da luta ganharam o festival da canção e foi o povo que lhes deu a vitória. O que quererá dizer esta vitória, pergunto eu? Quer dizer que estamos perante mais outro exemplo do poder das redes sociais e de quem delas souber fazer bom uso face aos seus objectivos? Pergunto-me: quantas pessoas que votaram nos homens da luta através da internet para o apuramento inicial, e esta noite pelo telefone, quantas delas foram às urnas no passado dia 23 de Janeiro para eleger o Presidente da República?
Quererá dizer apenas que o povo agarrou finalmente a oportunidade de gozar com aquele festivalzinho de merda, pouco diferente desde 1964 só que agora com piores canções e piores cantores (excepção e honra feita ao Nuno Norte e à Wanda Stuart)? Pergunto-me: esta gente ainda acha que ganha concursos a gritar em plenos pulmões?
Quererá dizer que o povo quis levar este gozo para além do festivalzinho de merda que tem cá, e finalmente dizer aos senhores da Eurovisão que enfiem o Festival onde melhor lhes aprouver?
Ou quererá dizer que "Os Homens da Luta" têm a energia e a criatividade suficientes para agitar, incomodar a portugalidade balofa que se vê nas canções do Festival da Canção e no nosso dia-a-dia?
É tão irónico que seja justamente à Alemanha que a Luta agora vá chegar. E foi muito giro de ver hoje, depois dos resultados apurados, a tensão no Teatro Camões, o nervosismo da apresentadora, os olhares incomodados, os apupos. São uns palhaços, as canções não prestam. A crise não se resolve de megafone na mão, a dizer disparates e a cantar cantigas.
Dizem que no tempo do Zeca Afonso também era assim.
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
terça-feira, fevereiro 22, 2011
Mr. Darcy
Nota: O acesso a esta cena deixou de se poder incorporar, para ver no youtube, vão por aqui: http://www.youtube.com/watch?v=_vhtqVQIBZA
Estou apaixonada por Mr. Darcy. Desde sempre, aliás, já nasci apaixonada por ele. Por este conceito de homem seguro de si próprio até aos limites da arrogância, mas capaz da maior das sensibilidades, ainda que quase sempre dissimulada. Há muitos exemplos de Mr. Darcy por este mundo fora, mas este aqui de cima é para mim o melhor de todos. Melhor ainda que este Mr. Darcy:
Ou este outro Mr. Darcy:
Passo a explicar porque é que me parece que aquele Mr. Darcy do filme "Orgulho e Preconceito", representado por Matthew Macfadyen, é o melhor de todos, e porque é que acho esta cena em particular um verdadeiro espectáculo de representação.
Primeiro que tudo, a voz. Com uma voz daquelas, o tipo podia segredar-me ao ouvido "o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos", ou até uma letra de uma qualquer canção dos GNR, que eu ia para a cama com ele na mesma. É mesmo assim, não há nada mais a dizer.
Mas de regresso a esta cena em particular, independentemente dos atributos físicos (a voz e... e... bem, tudo o resto) o tipo tem aqui um trabalho de actor muito, muito bom. Ok, ela por acaso também não vai mal, mas o ressentimento e outros sentimentos muito negativos levam-me a colocar isso de lado. Ignoremos pois a cabra que teve a oportunidade de uma vida de representar uma cena destas e voltemos ao que interessa. Reparai como ele (Mr. Darcy, o personagem) começa o discurso que tinha previamente decorado ("Miss Elisabeth..."), seguro de que ia despejar tudo de seguida e que iria manter o seu ar altivo de quem comanda tudo. E depois cai o boneco ao segundo 00:43 quando finalmente se confessa: "I love you...". Reparem como de seguida, o "most ardently" é trespassado de emoção, completamente diferente do discurso inicial. E depois, entre o minuto 3:40 e 3:57, quase sem palavras, vejam: tristeza, desilusão; amor; desejo; e finalmente, de novo o orgulho e a altivez. Espectacular. Lindo. Homens, aprendam: é disto que se fazem os sonhos!.. (suspiro).
Pesquisando um pouco mais sobre o amor da minha vida, constato que este Mr. Darcy, pasmem-se as almas, é casado. E fico a perguntar-me: haverá ainda neste mundo algum Mr. Darcy que não o seja?... ;-)
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
Meio comida por lobos da alsácia
Estamos em 2052. Tenho 80 anos de idade. Nunca casei, nunca tive filhos. Os pais desapareceram há muito, a irmã já falecida também. Restam dois sobrinhos, com um deles não falo há cerca de 50 anos, outra perdi-lhe o rasto, falámos pela última vez no Natal, ao telefone, está tudo bem, está, e contigo, também, cá vamos. Estou sozinha. E então? Não estamos todos?
A vista já me cansa muito, não consigo estar muito tempo ao computador, onde há muitos anos atrás comunicava para o mundo inteiro que me quisesse ouvir, e que eu ouvia sempre que queria escutar. Estou sempre a enganar-me a digitar as letras e isso irrita-me, eu que dantes conseguia que os dedos corressem velozes e certeiros pelo teclado, à mesma velocidade do pensamento. A internet é demasiado rápida e já me cansa tanta informação.
Mas continuo amiga das tecnologias. Conforme fui envelhecendo tratei de pôr as facturas todas a descontar directamente na conta bancária. A pensão vai para lá todos os meses, também. A casa ficou paga no ano em que comemorei 74 anos de idade, grande conquista, nesse ano fiz uma viagem à Escócia. Sozinha.
Agora já não viajo. Estou em casa. Resisti até ao limite à ida para aquele sítio a que chamam de "lar", um dia destes irei, tenho dito sempre, mas nunca fui. Não conheço os meus vizinhos. Eles também não me conhecem a mim.
Daqui a uns anos, daqui a uns dias, horas, minutos, algo irá acontecer-me e serei mais uma versão patética dos piores receios da Bridget Jones, que temia ser encontrada morta no chão do apartamento, meio comida por lobos da alsácia. Presunçosa rapariga! Até na morte se achava uma grande coisa, porque haveriam de ser lobos da alsácia, e não vulgares cães de rua?
A mim, quando me acontecer isso, nem cães para me virem comer. Não tenho bichos. Melhor assim. A mim, quando me acontecer, continuarei a pagar as minhas dívidas a tempo e horas, muito tempo poderá passar até que alguém, se é que alguém, dê pela minha falta. Até que finalmente alguém diga, olha, está morta, e então sim, passar realmente e estar. Porque até que alguém o diga não é claro que verdadeiramente o esteja.
Estarei morta? Se calhar já estou morta. E então? Não estaremos todos?
A vista já me cansa muito, não consigo estar muito tempo ao computador, onde há muitos anos atrás comunicava para o mundo inteiro que me quisesse ouvir, e que eu ouvia sempre que queria escutar. Estou sempre a enganar-me a digitar as letras e isso irrita-me, eu que dantes conseguia que os dedos corressem velozes e certeiros pelo teclado, à mesma velocidade do pensamento. A internet é demasiado rápida e já me cansa tanta informação.
Mas continuo amiga das tecnologias. Conforme fui envelhecendo tratei de pôr as facturas todas a descontar directamente na conta bancária. A pensão vai para lá todos os meses, também. A casa ficou paga no ano em que comemorei 74 anos de idade, grande conquista, nesse ano fiz uma viagem à Escócia. Sozinha.
Agora já não viajo. Estou em casa. Resisti até ao limite à ida para aquele sítio a que chamam de "lar", um dia destes irei, tenho dito sempre, mas nunca fui. Não conheço os meus vizinhos. Eles também não me conhecem a mim.
Daqui a uns anos, daqui a uns dias, horas, minutos, algo irá acontecer-me e serei mais uma versão patética dos piores receios da Bridget Jones, que temia ser encontrada morta no chão do apartamento, meio comida por lobos da alsácia. Presunçosa rapariga! Até na morte se achava uma grande coisa, porque haveriam de ser lobos da alsácia, e não vulgares cães de rua?
A mim, quando me acontecer isso, nem cães para me virem comer. Não tenho bichos. Melhor assim. A mim, quando me acontecer, continuarei a pagar as minhas dívidas a tempo e horas, muito tempo poderá passar até que alguém, se é que alguém, dê pela minha falta. Até que finalmente alguém diga, olha, está morta, e então sim, passar realmente e estar. Porque até que alguém o diga não é claro que verdadeiramente o esteja.
Estarei morta? Se calhar já estou morta. E então? Não estaremos todos?
sábado, janeiro 29, 2011
Rapunzel revisitada
A verdade é que já lhe fiz o mesmo a ele. Logo, tive que pôr de lado as recriminações, amuos, recusa de sexo para castigo, e coisas do género a que me apeteceu recorrer. Com pena, mas em nome da mais elementar justiça, lá teve que ser.
Mas a verdade é que, sendo eu despistada, tenho um homem muito mais despistado do que eu. Assim despistado ao nível de estratosférico. Porque se é verdade que eu própria já saí de minha casa e o deixei a ele a dormir trancado do lado de fora, porque quando saí me esqueci completamente que ele lá tinha ficado dentro, quando chegou a vez dele me fazer o mesmo levou isto para toda uma nova dimensão.
Passo a explicar. Em casa dele, ele saiu e eu fiquei. Acordei já atrasada, vesti-me preparei-me para sair, puxo pela porta e ela não mexe. Trancada. Bonito. Puxo do telemóvel a pensar, vais ouvir das boas e agora voltas para trás que te lixas. Telefone começa a tocar e eu oiço: ti-ni-ni-ni-ni. Ti-ni-ni-ni-ni. Estou trancada em casa dele. E aquela besta deixou cá o telemóvel! Não sei a que horas volta. Não tenho como falar com ele.
Senti-me como uma Rapunzel dos tempos modernos, só que a realidade é menos romântica e bem mais ridícula. Solução? Ligar a uma irmã que depois de controlar o riso que a levou às lágrimas (é sempre bom pôr alguém bem disposto às 08h30 da manhã), ligou à mãe que por sorte estava em casa e por sorte tinha a chave suplente que lá costuma estar, não vá ele esquecer-se da dele em algum lado... Coisa que, como facilmente se imagina, nunca acontece!...
A pobre senhora lá veio a pé, empenhada no meu salvamento e depois de me libertar do meu cativeiro ia dizendo, conforme descia as escadas, e depois diz-me o meu filho que eu estou a ficar senil e que me esqueço de tudo...
Fui-me embora a pensar que está na hora desta minha relação dar um passo em frente. Quero uma chave da casa dele. Não é para entrar quando quiser. É para sair quando precisar! :-)
Mas a verdade é que, sendo eu despistada, tenho um homem muito mais despistado do que eu. Assim despistado ao nível de estratosférico. Porque se é verdade que eu própria já saí de minha casa e o deixei a ele a dormir trancado do lado de fora, porque quando saí me esqueci completamente que ele lá tinha ficado dentro, quando chegou a vez dele me fazer o mesmo levou isto para toda uma nova dimensão.
Passo a explicar. Em casa dele, ele saiu e eu fiquei. Acordei já atrasada, vesti-me preparei-me para sair, puxo pela porta e ela não mexe. Trancada. Bonito. Puxo do telemóvel a pensar, vais ouvir das boas e agora voltas para trás que te lixas. Telefone começa a tocar e eu oiço: ti-ni-ni-ni-ni. Ti-ni-ni-ni-ni. Estou trancada em casa dele. E aquela besta deixou cá o telemóvel! Não sei a que horas volta. Não tenho como falar com ele.
Senti-me como uma Rapunzel dos tempos modernos, só que a realidade é menos romântica e bem mais ridícula. Solução? Ligar a uma irmã que depois de controlar o riso que a levou às lágrimas (é sempre bom pôr alguém bem disposto às 08h30 da manhã), ligou à mãe que por sorte estava em casa e por sorte tinha a chave suplente que lá costuma estar, não vá ele esquecer-se da dele em algum lado... Coisa que, como facilmente se imagina, nunca acontece!...
A pobre senhora lá veio a pé, empenhada no meu salvamento e depois de me libertar do meu cativeiro ia dizendo, conforme descia as escadas, e depois diz-me o meu filho que eu estou a ficar senil e que me esqueço de tudo...
Fui-me embora a pensar que está na hora desta minha relação dar um passo em frente. Quero uma chave da casa dele. Não é para entrar quando quiser. É para sair quando precisar! :-)
quarta-feira, janeiro 05, 2011
segunda-feira, janeiro 03, 2011
Realidades distorcidas e ligeiramente doentias :-)
Tendo em consideração que já oiço esta pessoa desde os tempos do Correio da Manhã Rádio, nos inícios dos anos 90, é justo afirmar que tenho acordado mais vezes com ele do meu lado do que com qualquer outro que já tenha passado pela minha vida.
É, portanto, a relação mais duradoura e mais funcional que alguma vez estabeleci em toda a minha vida adulta!...
(eu comecei por dizer que era ligeiramente doentio, certo?...) :-)
É, portanto, a relação mais duradoura e mais funcional que alguma vez estabeleci em toda a minha vida adulta!...
(eu comecei por dizer que era ligeiramente doentio, certo?...) :-)
terça-feira, dezembro 28, 2010
Case Study?...
Parece-me bem que sim. É impressionante o efeito que isto está a ter na blogoesfera e na web 2.0.
O empenho que a Ensitel está a ter, na sua página do Facebook, em apagar(!) os comentários de desagrado que por lá vão ficando é apenas coerente com as acções que encetou para que a autora deste blog apague(!!!) os relatos da sua má experiência com a empresa.
Está-lhes o tiro a sair pela culatra e este post é mais um tiro na culatra deles...
O empenho que a Ensitel está a ter, na sua página do Facebook, em apagar(!) os comentários de desagrado que por lá vão ficando é apenas coerente com as acções que encetou para que a autora deste blog apague(!!!) os relatos da sua má experiência com a empresa.
Está-lhes o tiro a sair pela culatra e este post é mais um tiro na culatra deles...
domingo, dezembro 26, 2010
Versão estafada do Natal
Hoje. Conversa de circunstância, arrematada com um toque de sinceridade:
Eu: Olá, estás boa? Há quanto tempo não te via, vieste passar o Natal com a tua mãe? Está tudo bem?
Ela: Tudo bem, obrigada. Tiveram um bom Natal?
Eu: Sim, tudo bem. E o vosso Natal, também correu bem?
Ela: Sim... E está quase a acabar, graças a Deus!...
Eu: Olá, estás boa? Há quanto tempo não te via, vieste passar o Natal com a tua mãe? Está tudo bem?
Ela: Tudo bem, obrigada. Tiveram um bom Natal?
Eu: Sim, tudo bem. E o vosso Natal, também correu bem?
Ela: Sim... E está quase a acabar, graças a Deus!...
sexta-feira, dezembro 24, 2010
Votos de Boas Festas em tempo de crise
Que tenham todos um Natal sem acumulação de dívidas e que o ano de 2011 seja bastante razoavelzinho!... ;-)
domingo, dezembro 19, 2010
...
Têm sido muitos os murros no estômago, ultimamente. Uns mais fortes do que outros, é verdade. Porém, todos conduzem àquela constatação mais ou menos banal de que a nossa vida vale muito pouco ou nada. E em boa verdade digo hoje em dia, felizes daqueles que acreditam que nada acontece por acaso. Feliz de mim nos tempos em que acreditava, convictamente, que nada acontecia por acaso.
E isto não tem nada a ver com Deus, atenção. Neste contexto, acreditar ou não em Deus é perfeitamente acessório. Mas numa lógica, num tal sentido oculto para as coisas, acreditava sim senhor. Desgraçadamente, estou cada vez mais com o Fernando Pessoa. O único sentido oculto das coisas é elas não terem sentido oculto nenhum. É perfeitamente aleatório. É conforme calha. Tal e qual como os raios quando caem no meio de uma trovoada. E isto é uma coisa que irrita.
Irrita porque levamos a nossa vida inteira a tentar dar-lhe um sentido qualquer, a tentar construir algo, uma identidade, a marcar um percurso, a sermos coerentes. E depois não interessa nada se um tipo é um homem íntegro, bom filho, talentoso, inteligente e bonito, não interessa se só tem 30 anos de idade, toma lá um cancro porque calhou assim, olha, paciência, agora pões aqui a tua vida e a da tua família toda entre parêntesis, a ver quem te mata mais depressa, se o cancro, se a quimioterapia, e vocês todos à volta deste garoto, suspendam a respiração e observem, pode ser que se safe, pode ser que não, agarrem-se a essa ideia absurda de que a lógica da vida certamente não permitirá que o pior aconteça, agarrem-se a isso, se é do que precisam para prosseguirem com as vossas vidas ridículas.
Não interessa nada se um outro homem aos 60 anos de idade tem ainda muito para dar a filhos, a netos, a amigos, não interessa que o seu percurso e as suas opções de vida tenham ajudado a formar o carácter de muitos jovens, ajudado a descobrir talentos, a encontrar vocações. Vem uma qualquer contingência do acaso, baixa-se uma névoa na cabeça deste homem e já não reconhece ninguém, não sabe onde está, nem de onde veio, e tudo o que foi e construiu, para ele já não existe. E a gente pensa, é injusto, e há uma mulher que diz, é injusto, uma mulher com pouco mais de 40 anos que um dia chega a casa e se deita na cama para já não acordar no dia seguinte, a ela calhou-lhe assim, à irmã calhou-lhe meter a chave à porta que estava de reserva "para qualquer eventualidade", porque tinham combinado coisas muito lógicas e coerentes e ela estava atrasada. E foi isto que os acasos da vida deram àquela família.
E eu hoje estou assim muito irritada e revoltada com isto tudo, com as coisas muito importantes às quais me dedico todos os dias, nas quais esgoto as minhas energias enquanto uma parte de mim está 24 horas por dia a dizer-me que o meu pai já tem 79, e a minha mãe já tem 75, e que um dia destes um qualquer acaso vai bater à minha porta, e não necessariamente por causa deles, afinal, também eu posso acordar morta já amanhã.
E fico a pensar que o melhor mesmo era largar esta merda toda, dizer que se foda a tudo na minha vida, arranjar um trabalho a esfregar o mesmo chão todos os dias, alguma coisa que não me desse muito que pensar, que não vale a pena fazer coisas muito relevantes na nossa vida, se tudo se desfaz no minuto a seguir. Penso nisto mas sei que não o farei, porque isso não teria lógica nenhuma, e apesar de tudo, a lógica e a coerência é o que nos faz levantar todos os dias de manhã. Mesmo sabendo que não há coerência, que não há lógica, e que nada faz sentido.
Vivemos de paradoxos. E depois morremos.
E isto não tem nada a ver com Deus, atenção. Neste contexto, acreditar ou não em Deus é perfeitamente acessório. Mas numa lógica, num tal sentido oculto para as coisas, acreditava sim senhor. Desgraçadamente, estou cada vez mais com o Fernando Pessoa. O único sentido oculto das coisas é elas não terem sentido oculto nenhum. É perfeitamente aleatório. É conforme calha. Tal e qual como os raios quando caem no meio de uma trovoada. E isto é uma coisa que irrita.
Irrita porque levamos a nossa vida inteira a tentar dar-lhe um sentido qualquer, a tentar construir algo, uma identidade, a marcar um percurso, a sermos coerentes. E depois não interessa nada se um tipo é um homem íntegro, bom filho, talentoso, inteligente e bonito, não interessa se só tem 30 anos de idade, toma lá um cancro porque calhou assim, olha, paciência, agora pões aqui a tua vida e a da tua família toda entre parêntesis, a ver quem te mata mais depressa, se o cancro, se a quimioterapia, e vocês todos à volta deste garoto, suspendam a respiração e observem, pode ser que se safe, pode ser que não, agarrem-se a essa ideia absurda de que a lógica da vida certamente não permitirá que o pior aconteça, agarrem-se a isso, se é do que precisam para prosseguirem com as vossas vidas ridículas.
Não interessa nada se um outro homem aos 60 anos de idade tem ainda muito para dar a filhos, a netos, a amigos, não interessa que o seu percurso e as suas opções de vida tenham ajudado a formar o carácter de muitos jovens, ajudado a descobrir talentos, a encontrar vocações. Vem uma qualquer contingência do acaso, baixa-se uma névoa na cabeça deste homem e já não reconhece ninguém, não sabe onde está, nem de onde veio, e tudo o que foi e construiu, para ele já não existe. E a gente pensa, é injusto, e há uma mulher que diz, é injusto, uma mulher com pouco mais de 40 anos que um dia chega a casa e se deita na cama para já não acordar no dia seguinte, a ela calhou-lhe assim, à irmã calhou-lhe meter a chave à porta que estava de reserva "para qualquer eventualidade", porque tinham combinado coisas muito lógicas e coerentes e ela estava atrasada. E foi isto que os acasos da vida deram àquela família.
E eu hoje estou assim muito irritada e revoltada com isto tudo, com as coisas muito importantes às quais me dedico todos os dias, nas quais esgoto as minhas energias enquanto uma parte de mim está 24 horas por dia a dizer-me que o meu pai já tem 79, e a minha mãe já tem 75, e que um dia destes um qualquer acaso vai bater à minha porta, e não necessariamente por causa deles, afinal, também eu posso acordar morta já amanhã.
E fico a pensar que o melhor mesmo era largar esta merda toda, dizer que se foda a tudo na minha vida, arranjar um trabalho a esfregar o mesmo chão todos os dias, alguma coisa que não me desse muito que pensar, que não vale a pena fazer coisas muito relevantes na nossa vida, se tudo se desfaz no minuto a seguir. Penso nisto mas sei que não o farei, porque isso não teria lógica nenhuma, e apesar de tudo, a lógica e a coerência é o que nos faz levantar todos os dias de manhã. Mesmo sabendo que não há coerência, que não há lógica, e que nada faz sentido.
Vivemos de paradoxos. E depois morremos.
sábado, dezembro 11, 2010
Coisas realmente importantes para se dizer ao fim de mais de um mês de ausência
Aquela versão boazinha e apaixonada do House não me convence nada.
quarta-feira, novembro 03, 2010
O dinheiro não traz felicidade mas uma copa B tamanho 36, traz sim senhor
Deram uma reportagem no Canal 1 sobre a felicidade, e coisas que podem contribuir para a mesma. Falaram dos factores que permitem a libertação de serotonina no cérebro, tais como o riso, o amor, até o budismo.
O que eu acho estranho, e abona pouco em favor do rigor da dita reportagem, é que nunca, em momento algum, falaram de uma actividade que potencia a libertação de serotonina em grande escala, e que contribui sempre, mas sempre, para aumentar a felicidade: não, não é isso. Quer dizer, isso também liberta serotonina. Mas no caso em concreto refiro-me a outra coisa: comprar lingerie nova. Nunca falha, o que liberta de serotonina e deixa uma pessoa bem disposta, pá! E não apareceu na reportagem, vá-se lá saber porquê.
E note-se que até tem um efeito que se perpetua no tempo: liberta-se a serotonina quando se compra, quando se veste, e com um bocado de sorte, liberta-se mais serotonina, inclusivamente em mais do que uma pessoa, quando se despe, e por aí fora, é um libertar de serotonina que é tudo uma grande alegria.
Quais anti-depressivos quais quê. Lingerie nova, ouçam o que vos digo. Aliás, bem vistas as coisas, não percebo porque é que, se a Paroxetina é comparticipada, porque raio não há também comparticipação na compra destes produtos aqui ou aqui? Hein?... Pois se também libertam a tal da serotonina?...
Tomai nota, que isto é que tem rigor científico: felicidade. Serotonina. Cuecas e soutiens novos. Tudo a mesma coisa.
O que eu acho estranho, e abona pouco em favor do rigor da dita reportagem, é que nunca, em momento algum, falaram de uma actividade que potencia a libertação de serotonina em grande escala, e que contribui sempre, mas sempre, para aumentar a felicidade: não, não é isso. Quer dizer, isso também liberta serotonina. Mas no caso em concreto refiro-me a outra coisa: comprar lingerie nova. Nunca falha, o que liberta de serotonina e deixa uma pessoa bem disposta, pá! E não apareceu na reportagem, vá-se lá saber porquê.
E note-se que até tem um efeito que se perpetua no tempo: liberta-se a serotonina quando se compra, quando se veste, e com um bocado de sorte, liberta-se mais serotonina, inclusivamente em mais do que uma pessoa, quando se despe, e por aí fora, é um libertar de serotonina que é tudo uma grande alegria.
Quais anti-depressivos quais quê. Lingerie nova, ouçam o que vos digo. Aliás, bem vistas as coisas, não percebo porque é que, se a Paroxetina é comparticipada, porque raio não há também comparticipação na compra destes produtos aqui ou aqui? Hein?... Pois se também libertam a tal da serotonina?...
Tomai nota, que isto é que tem rigor científico: felicidade. Serotonina. Cuecas e soutiens novos. Tudo a mesma coisa.
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