quarta-feira, agosto 18, 2010
Filosofia para massas (mas não menos relevante)
terça-feira, agosto 17, 2010
segunda-feira, agosto 09, 2010
Objectividade, no fundo
As balanças nas farmácias dizem que eu tenho mais 1,5 kgs do que a balança do meu endocrinologista.
O meu endocrinologista diz coisas sobre o meu peso que fazem dele um homem extremamente atraente.
As balanças das farmácias estão calibradas de forma a deprimir-nos e a levar-nos a adquirir comprimidos de dieta. São umas mentirosas e não têm qualquer credibilidade.
quinta-feira, agosto 05, 2010
Dúvidas da sociedade de consumo #3

O que é feito das canetas Pentel? Percorro Jumbos, percorro Modelos, Pingos Doces, Staples e nada de canetas Pentel. Onde andam elas? A marca faliu, mandou gente para o desemprego, o que é que foi que se passou? Sou obcecada por canetas de ponta fina e aquelas eram mesmo boas.
Dou alvíssaras na forma de canetas de variadas formas e feitios de ponta grossa que não me servem para nada, a quem me indicar superfície comercial na Grande Lisboa que tenha canetas Pentel.
Agradecida, do fundo do coração.
domingo, agosto 01, 2010
Dúvidas da sociedade de consumo #2
Julgo que os supra-sumo disto são os gajos da MediaMarkt, marca na qual me recuso solenemente a gastar um tostão que seja por causa das campanhas publicitárias para atrasados mentais que sistematicamente são produzidas. E é claro, por causa dos gritos.
Actualmente são as raspadinhas mais os saldos do Freeport que, a passarem constantemente, por vezes um spot a seguir ao outro, dão cabo da paciência a um santo. A sério, será que a malta que trabalha nisto acha que a falta de criatividade se compensa com gritaria? Ou que por não haver imagem só mesmo aos gritos é que se capta a atenção do ouvinte?
Tenho uma novidade para vocês: detesto gritos e não devo ser a única. Não raras vezes desligo o rádio no momento em que passam os spots por já não suportar mais tanta agressão auditiva. E depois esqueço-me de o voltar a ligar.
terça-feira, julho 27, 2010
Dúvidas da sociedade de consumo #1
Ele é um plástico duríssimo, ele é cola que para se tirar arranca os rótulos, quase destrói as embalagens... Eh pá, não querem vender aquilo àquele preço não vendam!...
Hoje para finalmente separar duas embalagens de champô Pantene, teve que ser com uma faca de cozinha das grandes, depois de concluir que à dentada não dava e com golpes de artes marciais também não... :-)
segunda-feira, julho 12, 2010
Que não se lixe o romantismo!
Muitos países deste mundo suspiram porque gostariam de estar no lugar da Espanha. Muitas mulheres deste mundo suspiram porque gostariam de estar no lugar da Sara Carbonero.
Que linda forma de terminar o Mundial de Futebol!! :-)
domingo, julho 11, 2010
Má onda
Ao contário deste episódio, em que as bizarrias só deram mais charme ao local e aí sim, comemos principescamente, hoje fomos parar a uma espelunca em que tudo falhou. Trouxeram bebidas quando pedimos que só viessem com a comida e, quando veio a comida, a bebida não aparecia. Estivemos perto de uma hora à espera de quatro sardinhas e três carapaus, que ainda assim vieram mal grelhados, alguns ainda em sangue, impossíveis de comer. Quando perguntei por batatas cozidas (o peixe veio só com salada) fizeram um ar de pânico como se nunca tivessem ouvido falar, nos dias da vida, em batatas cozidas a acompanhar peixe grelhado. Quando vieram vinham quase cruas. Tenho o hábito de temperar com azeite e limão (vinagre em cru é coisa de que não gosto), pedi meio limão que, está claro, nunca chegou a aparecer. Levantámo-nos e fomos buscar pão a outra mesa, a bebida acabámos por ir buscar ao balcão, porque tudo o que pedíamos levava eternidades a chegar!...
Na mesa ao lado, outro desgraçado reclamava ainda com mais angústias que nós face à demora, já que tinha crianças a quem alimentar...
A sério. Que saudades da Praia da Mata, onde hoje não consegui estacionar. No restaurante de lá, a decoração é tosca, não há música ambiente, nem sofázinhos nem panos a esvoaçar à entrada. Mas a comida é boa e vem bem servida.
Fica o aviso à navegação. Restaurante da Praia da Princesa, na Costa da Caparica, é um sítio a evitar. Por mim, a visita valeu por três: foi a primeira, a única e a última...
quarta-feira, julho 07, 2010
Esta insatisfação
Os dias intranquilos são quando o passado nos faz recordar, com saudade, de um presente que nunca chegou a ser.
O futuro é aquilo que ainda não foi, não se pode contar com ele. Mas impõe-se na intranquilidade dos dias e pergunta por vezes, que futuro serei eu, se este presente deixar de te bastar.
sábado, junho 26, 2010
sexta-feira, junho 18, 2010
1922-2010

Julgo já ter dito em momento anterior que no ano de 1988, para o bem e para o mal, me transformei eu na pessoa que sou hoje, e a isso não foram alheios os professores que me calharam naquele ano escolar, nem tão pouco os livros que na altura me pus a ler. Foi numa das muitas incursões que nessa altura fiz à biblioteca da minha escola que, aos 16 anos de idade, li pela primeira vez O Memorial do Convento.
Como quem roda a chave numa fechadura, aquele livro abriu portas dentro da minha cabeça que eu não sabia que existiam. Hoje, sentada aqui no meu escritório de casa, olho para a prateleira onde tenho perfiladas as obras do José Saramago que pela minha vida fora têm continuado a abrir-me portas e janelas na cabeça: Terra do Pecado (Romance); Os Poemas Possíveis (Poesia); Provavelmente Alegria (Poesia); Deste Mundo e do Outro (Crónicas); A Bagagem do Viajante (Crónicas); O Ano de 1993 (Conto); Manual de Pintura e Caligrafia (Romance); Objecto Quase (Contos); A Noite (Teatro); Levantado do Chão (Romance); Que Farei com Este livro? (Teatro); Viagem a Portugal (Crónicas); Memorial do Convento (Romance); O Ano da Morte de Ricardo Reis (Romance); A Jangada de Pedra (Romance); A Segunda Vida de Francisco de Assis (Teatro); História do Cerco de Lisboa (Romance); O Evangelho Segundo Jesus Cristo (Romance); In Nomine Dei (Teatro); Cadernos de Lanzarote I a V (diário); Ensaio Sobre a Cegueira (Romance); Todos os Nomes (Romance); Discursos de Estocolmo; O Conto da Ilha Desconhecida (Conto); Folhas Políticas 1976-1998 (Crónicas); A Caverna (Romance); A Maior Flor do Mundo (Conto); O Homem Duplicado (Romance); Ensaio sobre a Lucidez (Romance); Don Giovanni ou O dissoluto absolvido (Teatro); As Intermitências da Morte (Romance); As Pequenas Memórias (Memórias); A Viagem do Elefante (Romance); O Caderno (Blog); Caim (Romance). Olho para todas estas obras e pergunto-me se, por esta altura, já terão decidido ou não decretar o luto nacional. Arrisco-me a pensar que o próprio José Saramago daria pouco ou nenhum valor a tal decisão, vá ela num sentido ou noutro. Imagino-o a dizer aos senhores ministros que não se incomodem em reunir-se só por causa da simples morte de um escritor, ainda para mais quando, por este dias, têm tantas coisas importantes em que pensar.
Volto aos livros. Ao primeiro que li, O Memorial do Convento. Que reli vezes e vezes sem conta e que tantas vezes me fez rir e chorar. Recordo como me emocionei há uns anos atrás quando, no Palácio de Mafra, assisti a esta história contada em Teatro, essa mesma história que vi há poucos dias, numa Escola Secundária, representada por jovens alunos que ainda apenas puderam dizer as palavras, sem maturidade para compreender tudo o que elas significam. Mas lá chegarão, estou certa, assim não lhes falte a vontade que põe passarolas a voar.
Volto ao Levantado do Chão, que me ensinou coisas de um tempo que os meus olhos já não viram. Coisas de quando estivemos atirados ao chão e tivemos que nos levantar. Sim, é claro, é panfletário, o homem eram comunista. Pois era. Mas "se podes olhar, vê. Se podes ver, repara" (Ensaio sobre a Cegueira). A pensar pela minha cabeça, ouvi a história que o Saramago me contou.
Volto ao Evangelho Segundo Jesus Cristo, tal como os anteriores, colado na lombada com fita cola, páginas amarelas e gastas do uso. Ao Ensaio Sobre a Cegueira, assinado pelo próprio a 26 de Outubro de 1995, guardo-o com carinho, mesmo não sendo muito dada a autógrafos.
Já se sabe que mais tarde ou mais cedo todos morremos, e hoje morreu ele. Então eu acho que a maior homenagem que se lhe pode prestar é lê-lo, sem complexos de ordem política ou religiosa, sem puritanismos de linguística e de amor aos pontos e às vírgulas e aos travessões e aos parágrafos. Porque o que vai naquelas páginas é muito superior a tudo isso.
"Enquanto não alcançares a verdade, não poderás corrigi-la. Porém, se a não corrigires, não a alcançarás. Entretanto, não te resignes." (História do Cerco de Lisboa). Julgo que não se resignou ele, isso não se lhe poderá apontar. A sua herança, para todos quantos apreciem a sua obra, será talvez esta condição de não-resignação, mesmo que por vezes a resignação fosse o mais dócil dos caminhos.
Não falemos por isso da imortalidade da sua obra, do valioso património cultural que deixa a este País, da referência literária mundial que representa, ou outras eventuais palavras de peso, com todas as vírgulas nos seus devidos lugares (nada de maluqueiras à Saramago), que amplamente serão ditas pelos próximos dias afora.
Quanto a mim, prefiro recordar-me de mim própria com os tais 16 anos, sentada cá fora nos intervalos das aulas a ler o Memorial do Convento, deslumbrada com os mundos que tinha por descobrir. Prefiro falar das vontades.
"Dentro de nós existem vontade e alma, a alma retira-se com a morte, vai lá para onde as almas esperam o julgamento, ninguém sabe, mas a vontade, ou se separou do homem estando ele vivo, ou a separa dele a morte, é ela o éter, é portanto a vontade dos homens que segura as estrelas, é a vontade dos homens que Deus respira (...)" (Memorial do Convento).
Para o José Saramago
domingo, junho 13, 2010
Demasiado tempo entre mãos
sábado, junho 12, 2010
O vício, meu deus
Não sei se isto está ao nível de cromo para a caderneta do Nuno Markl. Só sei que voltou um enorme vício da minha adolescência, o Supaplex! Eternamente grata a quem mo instalou de volta, já são muitas as horas dedicadas a este jogo que corre em MS DOS, do mais básico que há (para alguns), mas que a mim me fascina, enerva, vicia até não poder mais. Já nem a internet me diz nada, meus amigos. Melhor que isto, só mesmo se voltasse um jogo de pinball que era com um dragão, e que também recordo com saudade.PlayStation o quê? Vão-se lixar. Supaplex. Grande domínio.
domingo, junho 06, 2010
sexta-feira, junho 04, 2010
Do Alentejo profundo
Primeiro momento não sei quê:
Nós: para beber, queremos litro e meio de água...
Ele (com ar circunspecto): A questão é que só há garrafas de litro e meio de plástico...
Nós: Então, mas... por nós tudo bem...
Ele (explicando-se finalmente): Sim, mas por lei não podemos ter garrafas de plástico (novo ênfase no plástico, com ar ligeiramente enojado), só podemos ter de vidro, e de vidro a maior é de um litro...
Segundo momento não sei quê, já depois de adjudicada a garrafa de vidro de um litro de água:
Nós: Queremos o lombo de porco...
Ele (escandalizado): Lombo de porco? Mas nós não temos lombo de porco!...
Nós: Não tem? Mas ainda agora disse que havia, até está escrito na ementa e tudo...
Ele: Não, não, temos lombinhos de porco, não é a mesma coisa...
(e de facto, não é)
Terceiro momento não sei quê, com água em garrafa de vidro e dose generosa e de lombinhos de porco na mesa:
Nós: Podia trazer metade de um limão, se faz favor...
Ele (abana consternado a cabeça em negativa, como se tivesse acabado de lhe morrer um parente próximo)
Nós (já com medo do que é que ali vem, questionando-nos que alarvidade gastronómica teremos acabado de cometer, ao querer juntar limão aos lombinhos de porco depois de termos começado por os insultar tratando-os por lombos)
Ele (esclarecendo, de novo com um certo delay, a razão do seu desapontamento): Peço muita desculpa mas não temos limão, acabou-se...
Suspirámos de alívio e continuámos a comer, que a comida era maravilhosa. E o atendimento também, temos é que dar tempo ao tempo. Amanhã vamos lá outra vez!... :-)
quinta-feira, junho 03, 2010
quarta-feira, maio 12, 2010
Eu não ACREDITO...
Estou com verdadeiro e profundo ódio aos autores de Lost. Se é para matar toda a gente não vale a pena ver isto até ao fim, xiça!!!
domingo, abril 25, 2010
Todo o mundo é composto de mudança
Depois, é claro, veio a vida. A adulta, bem entendido, que antes dessa também de vida se tratava. E daí, talvez não fosse.
Será que se pode chamar vida àquele planar inconsciente pelos dias, pelas estações do ano, em que quase nada era exigido, todos nos protegiam dos males do mundo e por isso o pior que nos podia acontecer era sermos enfarinhadas pelo Carnaval. Será que se pode chamar vida a uma existência em que tudo o que interessava era que ao fim-de-semana havia desenhos animados e tortas com creme (e nunca mais, nenhuma terá o sabor que aquelas tinham), e o bife com batatas fritas já vinha cortado e sabia ao amor com que nos era posto no prato. Vida seria, mas numa estranha forma, porque a simplicidade do mundo era o desconhecimento do mundo, e por isso é que, necessariamente, quando se alcança uma coisa perde-se a outra, afinal não é preciso ler a bíblia para ficar a conhecer a história de Adão e Eva, olhe-se para uma criança e lá estará.
Onde isto nos levou, onde nos levará. Falava-se de duas amigas de infância, as melhores do mundo, que à medida que o foram descobrindo, se foram afastando. Esta é afinal a mais banal de todas as histórias, repetidamente acontecida na vida de qualquer um de nós.
Reencontraram-se estas amigas algures no tempo, e no olhar de ambas uma alegria genuína pelo reencontro, mas também uma certa amargura por tudo o que já não existe. Veio à memória o tempo em que tudo era simples, porque quase nada se sabia, apenas as letras das canções das doce, cantadas nos intervalos para toda a escola ouvir. As duas amigas inseparáveis permanecem nesse tempo, nessa vida, não nesta.
Nesta vida, a adulta por assim dizer, resta apenas a conversa de circunstância. Pergunta uma, no que é que trabalhas, e a outra responde, não trabalho, tenho filhos. E pergunta a outra por sua vez, já tens filhos, e a resposta é que não, tenho um trabalho. Nesta vida de gente crescida, estas duas mulheres já não têm nada em comum.
Mas não façamos da vida adulta a grande culpada de todos os males. Existe, ainda assim, a vontade. O livre-arbítrio. Foram este e a falta daquela os verdadeiros responsáveis pelo fim da amizade que, a dado momento, se deixou de cultivar. Não se colhe aquilo que não se semeia.
Quando nos pomos a pensar nisso, vivem-se muitas vidas pela vida fora. E encontram-se muitas pessoas diferentes, por vezes várias dentro da mesma pessoa. Começando em cada um de nós, todo o mundo é composto de mudança.
domingo, abril 18, 2010
A verdadeira revolução tecnológica
A sério. Com tanta tecnologia a germinar por aí e ainda ninguém foi capaz de se concentrar neste problema? Hein?...
Havia outra maneira de contornar a questão, era os exames realizarem-se realmente nas horas para que estão marcados, mas isso julgo que já é esperar demasiado do mundo em que vivemos. Venha de lá a tecnologia super avançada que não obrigue a gente a ir para lá aflitinhas.
E a ter que ir a correr para a casa de banho dois minutos antes de finalmente nos chamarem.
E a ter que voltar a emborcar água como se não houvesse amanhã para nova espera interminável que por pouco não resultava num remake do cenário anterior...
A vontade das mulheres em não terem que passar esta provação é tal que chega a gerar mitos urbanos: uma colega contou-me que ouviu falar de uma pessoa que conhece uma médica numa clínica que consegue fazer ecografias a mulheres não grávidas, sem que elas precisem de encher a bexiga.
Pois, pois. Por onde andará essa messias dos exames ginecológicos?...
domingo, abril 04, 2010
Superstar
"Everything's Alright" é mais um exemplo. Um Jesus apaixonado e sem ilusões. Um Judas comunista. E uma mulher a fazer o que as mulheres sempre fizeram pelo tempo fora: tentar que o mundo permaneça em equilíbrio. Para que tudo fique bem, quando enfim, na realidade, não está nem vai estar. Porque a vontade das mulheres também não chega.
Try not to get worried. E Boa Páscoa.
