quarta-feira, janeiro 18, 2006

Campanha Eleitoral III

Pois, realmente, está tudo dito.

6 comentários:

Joaquim Varela disse...
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Joaquim Varela disse...

Hum... Peço desculpa, mas não posso de todo concordar com a análise do xõr Sérgio.

Durante o cavaquismo, apostou-se, de facto, nas infra-estruturas rodoviárias em deterimento das ferroviárias, porque basicamene elas não existiam (a malta esquece-se que quando CS se tornou 1ºministro não estava completa a A1, sendo impensável que as 2 principais cidades do país não estivessem ligadas por uma AE - algo que na Alemanha, por exemplo, foi feito por Hitler 50 anos antes). Não existia AE nem para o Algarve e muito menos ligações decentes a Espanha e à tal Europa. Que na Europa se tenha apostado em infra-estruturas ferroviárias, tenho muitas dúvidas, porque cada vez mais o automóvel é usado como meio de transporte em deterimento do comboio. Mas mesmo que tal tenha sido uma realidade ( e muito francamente só estou a ver o TGV como a tal aposta), pôde ser feito, porque nós partimos desde logo com um atraso do caraças e as infra-estruturas rodoviárias já existiam nesses países.

Durante o cavaquismo também não se investiu forte e feio na agricultura, antes pelo contrário. Grande parte dos investimentos foram canalizados para a o comércio, os serviços e a formação (sendo que aqui talvez tenha sido onde se desbaratou mais dinheiro). Desde que aderimos à UE (em 1986, nos primórdios do Cavaquismo), Portugal, fez em 20 anos, algo que em príncipio deveria ter durado o dobro do tempo. Passámos de cerca de 20 % da população activa a viver da agricultura para os cerca de 10 % actuais, que é o padrão dos países ditos desenvolvidos. Tudo isto com sensivelmente a mesma produção e rendimento. E desde 1986 o sector dos serviços, tem tido cada vezmais preponderância na nossa economia, ao contrário do que o xôr Sérgio afirma. Ainda se ele falasse da falta de investimento no sector industrial, aí eu assinava por baixo... Mas atenção, não me refiro a Indústria Pesada e de mão de obra intensiva.

Em termos de "ultrapassagem", pela Irlanda e pela Grécia, durante os anos do Cavaquismo, aqui então nem vale a pena discutir, porque os números dizem precisamente o inverso. Durante todo o período do cavaquismo, Portugal cresceu em termos de PIB, semprea cima da média comunitária (algo que já não sucede desde o ano 2000) e quando CS saíu de 1º ministro ainda estávamos à frente desses dois países em inúmeros dados económicos e com tendência para manter a diferença. Isto, assim como a melhoria de todos os indicadores económicos relevantes (Inflacção, Dívida Pública, Taxa de Desemprego, Investimento, Consumo Privado, Défice do OE, etc). A malta por vezes esquece-se que em 1986 a taxa de inflacção rondava os 10 % anuais, que as taxas de juro praticadas pela banca estavam bem acima dos 20 %, que a Dívida Pública ultrapassava largamente os 70 % do PIB e que o desemprego andava por números perto dos actuais - os mais altos dos últimos 15 anos, assim como o agora famoso Défice do OE tinha constantemente números de 2 dígitos. Todo este quadro acompanhado de constantes desvalorizações da nossa moeda e de 2 "pronto-socorros" do FMI antes de 1986, dão bem a ideia das nossas fragilidades económicas.

Tomara eu que os primeiros ministros que se seguiram ao Cavaco, fossem eles de que partido fossem, tivessem conseguido manter a coisa no rumo certo. Infelizmente, na minha opinião, desde que Guterres começou o 2ºmandato, a coisa descambou e têm sido só andorinhas.

Não quero com isto nem dizer que CS tomou todas as opções correctas, nem que não poderia ter feito melhor. Por certo que sim. Nem sou cego o suficiente para não descortinar erros e certas maleitas que depois tiveram consequências nefastas. Mas, por favor, o seu a seu dono, ó faxavor!

Ao xôr Sérgio, fazia-lhe bem conhecer estes dados Macro-Económicos, antes de dizer disprates. No entanto, respeito as suas opções pessoais, apesar de fundadas em pressupostos que estão profundamente errados. É que os tiques da tal esquerda que ele renega, a meu ver continuam lá todos...

Aceito o direito à diferença e defendo-o fervorosamente, mas por favor, não com argumentos destes!

Pois Claro Sou EU disse...

Tenho uma percepção política um pouco esotérica para a maioria das pessoas. Acredito perfeitamente que ninguém que esteja no poder, (de qualquer partido portanto) faça tudo certo ou tudo errado.
Mas voltando ao princípio, e sem discutir factos que são muito complexos e dariam muitas páginas cheias de ses, o que eu sinto, e volto a frizar SINTO é que não gosto do Cavaco Silva.
Não gosto de lembrar o tempo em que governou, não gosto do que agora transmite, não gosto dos seus seguidores, e estou muito temerosa sim senhor, com o facto dele ser PR.
Eu sou das que não vão dormir descansadas.
Vão dizer que esta não é uma opinião fundamentada, pois, ficando muito contente com o facto de já ter 45 anos e ainda ter estes ataques de esquerda à esquerda, e porque é verdade que a maturidade tem a sua importância nisto, a minha fundamentação vem depois.
Pode ser um bocadinho cobarde da minha parte não o fazer agora, mas (e aí sim os 45 contam) já perdi um bocadinho a vontade de estar a tentar abrir os olhos de alguém à força, até porque não resulta.
Para quem quizer entender a mudança neste País tem que partir de dentro para fora, e enquanto as pessoas não descobrirem isso vão continuar a escolher governantes à sua imagem e semelhança.
Este que agora se prepara talvez mostre por fim que não se podia ter dormido em cima do 25 de Abril, aqui o meu lado esquerda diz que se deve estar sempre alerta.

Não gosto do Cavaco, não voto nele nem morta. Eih. OK! (cuidado menina porque até achas que ele é dos que são capazes de pôr outra vez os mortos a votar).

Pois Claro Sou EU disse...

Não consigo emendar o meu comentário.

quiser

e frisar

é assim que se escreve. Mania das pressas.

O fazfavor emenda lá essa coisa, OK

blimunda sete luas disse...

Sem os conhecimentos do xô Varela, também a mim me pareceu, quando li, que o investimento na Agricultura não correspondia lá muito à ideia que tinha da política seguida naquela altura.

Já tenho dito isto outras vezes mas não me canso de repetir, não acho que o Cavaco seja o bicho papão, e confio na solidez da democracia do nosso País. Infelizmente, acho que a conjuntura histórica torna a eleição dele inevitável, e encaro isso com serenidade.

Pode ser muito competente, não discuto isso. Mas é um homem de direita, e o próximo governo, provavelmente, será de direita. E nessa altura, os estudantes que em tempos andaram a manifestar-se nas ruas e a levar porrada da polícia, que como diz o Sérgio, agora até já têm a sua vidinha de burguês organizada, vão votar no Prof. Cavaco, a seguir terão os filhos na rua a levar outra vez porrada da polícia.

É o peso inexorável da história...

Joaquim Varela disse...

Prefiro os argumentos da xôra Dona "pois claro que sou eu" que não gosta do Cavaco e ponto final (eu também não gosto de certos politicos seja por que motivo fôr e ponto final), que os argumentos falaciosos do xôr Sérgio, que a meu ver não tem bem uma prespectiva histórica do nosso país desde os tempos do "Tó de Santa Comba" e de todos os atrasos que ele provocou a este "cantinho à beira-mar plantado", nem uma pequena ideia do que era Portugal, digamos por exemplo em 1980, nm do estado da nossa economia pré-Cavaco Silva.

E claro que o Cavaco não é o bicho papão, da mesma forma que os comunistas não comem criancinhas ao pequeno almoço, etc. Se fôr eleito mal dos que não durmam descansados, porque terão, se calhar, 10 anos de insónias, porque na nossa história mais recente, o PR, candidata-se quase que a um plebiscito, quando decide recandidatar-se. Numa das mais infelizes frases de que tenho memória, Mário Soares até disse que ele como Presidente da Répública, pouco ou nada poderia fazer para bem do país, dados os poderes executivos reduzidos, associados ao cargo.

Eu até sou da opinião, que os governos do Cavaco Silva alcançaram certos objectivos, precisamente por haver alguma tensão entre o 1º ministro e o PR, mas isso é uma opinião também muito subjectiva.

Quanto à sua eleição, não se deve ter como assumida, porque eu cada vez tenho mais dúvidas sobre os métodos de sondagens neste país (somente a pessoas com telefones fixos, parece-me uma coisa muito desfasada da realidade, nos dias que correm). Que ele vai ganhar a 1ª volta, julgo que não restam grandes dúvidas. Quanto ao resto, como diz quer ele, quer a grande maioria dos candidatos, o povo que decida no domingo próximo. Ou noutro 3 semanas depois.

Quanto ao próximo governo ser de "direita", ainda falta tanto tempo para se saber que irá suceder, que não se deve tomar como certo, algo de tão distante.

Eu por mim, palavra de honra, que tanto me faz, desde que no geral, o país revele melhorias e que o executivo faça coisas COMADEVESER (como por exemplo as negociações que este executivo fez em Bruxelas, no âmbito dos Quadros Comunitarios de Apoio. Não se falou quase nada disso, porque basicamente não havia rigorosamente nada a apontar, antes pelo contrário), o que não tem sido o caso dos últimos 5 anos (2000-2005).