sexta-feira, janeiro 20, 2006

Doidas, doidas, doidas, andam as galinhas

Dizia-me hoje uma amiga, frequentadora de baby-blogs, que corria pelos comentários de alguns deles coisas do género, ah e tal, é coisa muito absurda haver mulheres que podendo ter filhos, não os querem ter.

E isto irritou-me. Ao ponto de não me apetecer ser boazinha, que aliás, em regra não sou. Ao ponto de me estar a apetecer ser fundamentalista, e até quem sabe um bocado estúpida, mas que se lixe, que também às vezes uma pessoa cansa-se de estar sempre a levar com estas matronas presumidas, armadas em donas da virtude e convencidas que só elas é que estão certas.

Não tenho a maternidade como uma prioridade, nem primeira, nem sequer segunda nem sequer terceira, pois não. E isso não faz de mim uma mulher de segunda categoria, tenham lá paciência, vão olhar de modo complacente para outro lado ó fáxavor. Raios as partam.

Fiquem a saber que a moeda tem sempre dois lados. Absurdo para mim é ver mulheres que manifestamente não podem ter filhos e que continuam obcecadas , dispostas a tê-los a qualquer preço. Com tanta criança que por aí anda aos caídos, isso não é egoísmo também?

De uma vez por todas. Temos todas os mesmos direitos, ninguém é melhor que ninguém. O desejo de procriar é tão legítimo quanto o desejo de não o fazer. Certo? Ah claro, já sei. Não precisam de dizer. Sou uma insensível. Não posso compreender. Porque não sou mãe, pois claro.

Pois aqui esta pecadora capital, esta deficiente emocional a quem obviamente faltam peças fundamentais tem a dizer que, muito francamente, acho que os baby-blogs às vezes são tão queriduchos, tão mimosinhos, tão ternurentinhos, e as respectivas comentadoras são tão pi-pi-pi, tão qui-qui-qui, mi-mi-mi, nhe-nhe-nhe, tu-tu-tu, coro cocó, que me deixam a pontos de vomitar em cima deles.

7 comentários:

Pois Claro Sou EU disse...

Sou mãe.
Concordo na quase totalidade das tuas afirmações, mas acho que te irritas demasiado com o tema, e que ainda não lidas com ele com a naturalidade de quem está completamente segura das suas intenções.
O que não se pode efectivamente é olhar para quem quer que seja achando(a) diferente só por não se encaixar nas nossas filosofias de vida.
Quanto aos blogs, é mesmo uma pasmaceira de ideias como se a maternidade venha retirar a capacidade de pensar noutras coisas, o que não é verdade (exemplo: EU)

Carla Marques disse...

Não podia estar mais de acordo! Que é isso agora da ditadura da maternidade? É a maternidade que determina se uma mulher é mais ou menos completa? Eu também sou mãe e sinto a mesma indignação quando me vêm com essas ideias, assim como me irritam aqueles comentários da heroína desgraçadinha, uma mártir na gravidez e no parto que lamenta que os homens não possam sofrer assim, nem ter dores menstruais, como se a dor dos outros viesse aliviar ou vingar a dor própria! Tive os meus filhos porque quis e quando quis, amo-os mais do que tudo, desejo-lhes uma vida cheia do que é bom e faço o que está ao meu alcance ser uma boa mãe, mas isso não significa ter de me anular enquanto pessoa. A pessoa que era antes e depois da maternidade é a mesma, com os mesmos interesses. Continuo a não ter pachorra para histórias e cantigas infantis, continuo a achar que é inútil fazer acreditar às crianças que o pai natal existe, assim como fazer de conta que o mal não existe. Durante as minhas gravidezes sempre considerei que a minha barriga continuava a se tão minha como noutras alturas, por isso nunca gostei que me mexessem nela como se de repente fosse pública. Não apreciava particularmente, assim como hoje continuo a não apreciar, histórias de barriguinhas, de bebezinhos, de gravidezezinhas, de partinhos, de roupinhas, de gasezinhos... É por essas e por outras que não frequento blogues que à partida, e pelo tema abordado, não me interessam. O que por vezes é esquecido por algumas mães (e pais) é que os filhos crescem e saem de casa e que se elas deixaram de viver a sua vida por causa deles vão sentir um vazio, por isso não me venham falar em amarguras e azias de quem nunca teve filhos.

Sonia disse...

Por acaso fiz um post com esse tema, o de haverem mulheres que desejam engravidar e de existirem outras que fogem da maternidade como o diabo da cruz.
Acho que uma coisa não invalida a outra, ser mãe, não faz da mulher apenas mãe!
Mas pergunto-me eu, haverá coisa melhor?

Que não se entendam cetas ideologias, que não se entendam certos sonhos eu compreendo, agora que se fale deles desta forma, que expressas também não concordo.
É muito fácil falar da obcessão da maternidade como algo negativo, quando como afirmas, não tens a maternidade como prioridade, quem sabe quando esse desejo despertar em ti o possas entender e valoriza,tendo também como mais real o assunto infertilidade, para quem tem uma prioridade diferente da tua, mas comparativamente igual áquilo que defendes ser hoje, a tua prioridade.
Quanto á adopção, era uma via possível, se as condições fossem favoráveis a esses casais que obcecados por um filho,e que lutam sem resultados.

Eu também não sou mãe, mas faço parte do grupo das "galinhas doidas", das que tem um blog ternurento e queriduxo, tamém sou uma comentadora "pi-pi-pi,qui-qui-qui,, mi-mi-mi, nhe-nhe-nhe, tu-tu-tu, coro cocó e ainda bem que o sou, pois consigo ser isto e muito mais, possivelmente tudo aquilo que quem não entende as "doidas das galinhas" também o é.
Mas é por isso que a maternidade deveria ser especial e exclusiva de quem a entende, daí que por vezes se faça a pergunta xs sem conta, "porque é que ela conseguiu, se não queria, e eu, que quero tanto não consigo?"

Mas ninguém disse que a vida é fácil, ou justa, mas ainda bem que as galinhas existem, eu adorei ter uma mãe assim, sempre com a asa por cima de mim, por isso hoje sou o que sou e quem sou, mesmo que por umas linhas apenas me possam caracterizar como " pi-pi-pi, tão qui-qui-qui, mi-mi-mi, nhe-nhe-nhe, tu-tu-tu, coro cocó"

blimunda sete luas disse...

Cara Sónia, percebo e aceito aquilo que dizes, até porque tudo foi dito com muita classe.

A questão fundamental é precisamente saber respeitar as opções de cada um e não emitir juízos de valor sobre ninguém. É que, uma coisa é colocar a tal questão de que falas, que no fundo trata do tristemente célebre "dá Deus nozes a quem não tem dentes", não é? Isso eu respeito.

O que me chateia é a facilidade com que se resvala para um juízo de valor arcaico, discriminatório, para com as mulheres que preferem outras vivências à vivência da maternidade. E são as mulheres elas próprias, as primeiras a estarem prontas para lançar a primeira pedra.

A meu ver, isto tem que ser combatido, porque está tão enraizado na nossa educação quanto não gostar de pretos ou de maricas. Alguém considera um homem menos homem por não querer ser pai?, pergunto-te eu.

Um grande pi-pi-pi e tu-tu-tu para ti, manda sempre!;-)

Eu disse...

Tinha que deixar um comentário.
Gostei muito do que li. Sou mãe de dois rapazes fantásticos, com 10 anos de diferença (11 e 1 anos), mas partilho a tua ideia de que cada um tem direito à sua opção, sem por isso ter que ser julgado.
E apesar de adorar os meus "piolhos", não consigo ser como muitas das mães que leio, que ficam doentes com as doenças dos filhos, entram em desespero quando têm que se separar deles, nem que seja por um par de horas.
Não sou assim, gosto de ter os meus momentos, gostava de poder ter mais tempo para mim. No entanto, não abdico dos meus flhos. Mas isso não me impede de compreender que nem todas as mulheres tenham a maternidade como prioridade.
A prioridade deve ser a felicidade. Com ou sem filhos.

http://omeumar.blogspot.com

Beguinha disse...

Bom proveito para o vómito.

blimunda sete luas disse...

Muito obrigada, cara beguinha. Normalmente, depois de vomitar, alivia.

'jinhos, qu'ida!