terça-feira, dezembro 04, 2007

São quatro

Mas apenas a três deles já lhes consegui aprender a personalidade. O outro continua fugidio, mais solitário, nem sei ainda se é gato ou gata.


Nenhum deles parece gato de rua, de tão meigos que são. Há um então que é uma graça, porque ainda tem reminiscências de gatinho. Corre atrás de qualquer coisa que mexa, é um destemido, vem para o colo de modo próprio, e já esteve à beira de me entrar em casa.

A outra é a fêmea do grupo, e fazendo jus a isso, quem sabe se também com autoridades de mãe, lidera. Faladora, faz questão de chamar sempre que passo por ela, outra característica tipicamente feminina, que aos outros ainda não lhes conheço um miau.

E depois há o tímido. O que quer e não quer. O que me vira as costas quando o chamo, e faz de conta que não ouve. O que abala a fugir quando vê a mão erguer-se, quase a tocar-lhe a cabeça, para fazer festas. Que se senta a um metro de onde eu me sento mas não arreda pé, a fingir para ele próprio que não quer saber de mim para nada. Que dá imediatamente um passo para trás quando vê os companheiros a chegarem-se à frente e fica só a olhar, tal e qual como tantos de nós fazemos pela vida fora.

É a ele que eu vejo com mais frequência, porque ultimamente passa muito tempo próximo da minha janela. Quando o chamo começa a rebolar no chão de felicidade, vai se aproximando sempre a rebolar, deita-se no parapeito da janela com as patas para o ar, mas sempre a uma distância tal que não me permite chegar-lhe. Ele próprio estica as patas até ao limite e ficamos ali os dois, suspensos neste toque que não chega a ser, eu porque não consigo lá chegar mesmo querendo, ele porque não consegue ainda querer o suficiente.

No outro dia conseguimos, os dois. Ao fim de um tempo infinito à janela, ao frio (será por isso esta dorzita de garganta? Mas que se lixe, para os gatos nunca me faltou paciência), lá o consegui atrair a mim à conta de brincadeira, numa altura em que os companheiros andavam por outras paragens. Aceitou as festas até ao ponto de lhas fazer na barriga, o local mais sensível para os bichanos, e que eles não consentem a qualquer um. Totalmente rendido, colocou uma pata no meu braço, como quem quer retribuir os afagos, e olhou-me de uma forma tão intensa que senti sinceramente o meu carinho a ser correspondido. Foram apenas alguns segundos de silêncio e magia. Mas encheram-me o coração de coisas positivas.

A seguir lembrou-se que era tímido, deu um salto e foi-se embora, porque afinal, o senhor gato precisa de continuar a ser fiel a si próprio e à sua reputação!...

12 comentários:

raquel disse...

mas que texto espectacular!...

por acaso não aprecio tanto gatos como cães, mas este texto está tão bonito, tão carinhoso, que quase me pareceu ver os olhos do bichano quando ele "agradeceu" as carícias...

a blimunda continua a surpreender! E pela positiva! :)

um beijinho

Anónimo disse...

que cena é esta, agora só como anónimo? sou a Pois Claro Sou Eu, e tenho um gato em casa, e gosto muito dele, e recomendo os gatos como bichos de estimação para ter em casa...

Anónimo disse...

E digo mais:
Não foi um gato planeado, passou antes por acaso pela casa aqui da blogueira, que na altura não tinha jardim à porta plantado, e que apesar de tudo, gosta mesmo é de os ver da janela....

Parabéns pelo texto, está muito bom...

sgps.blogs.sapo.pt disse...

Os gatos são a coisa mai linda deste mundo! tive uma gata preta que tinha uma personalidade daquelas! era ela quem mandava lá em casa. Depois quando ela morreu :( fui buscar o meu gato à União Zoofila e é o gato mais amoroso e carinhoso que conheço...parece que todos os dias me agradece por o ter ido buscar quando mais ninguem o queria...(já era adulto e tinha uma infecção num olho). Adoro o meu menino :)

http://sgps.blogs.sapo.pt/

blimunda sete luas disse...

Cara Pois Claro Sou Eu, se clicares em "Apelido" já podes voltar a seres tu outra vez...

Obrigadinha pelos elogios, e é claro, longe vá o sacrilégio de pretender ser melhor do que tu em matéria de gostar de gatos. Ainda bem que esclareceste esse aspecto.

monikyta disse...

q história tão bonita...mm para quem tem fobia a gatos :/

bj meu

Mariana disse...

olá!!
lindo o texto!!
fui procurar este video para ti, provavelmente já conheces mas é giro, ainda mais para quem tem/teve/terá gatos !

beijos

http://www.youtube.com/watch?v=GmwqpHsMExg

Pedro Aniceto disse...

Mais informo que dei o URL deste texto a uma pessoa conhecida que é jornalista e edita textos no Animalia.pt

Se receberes um contacto dela já sabes quem é o culpado.

Pedro Aniceto disse...

Mais informo que dei o URL deste texto a uma pessoa conhecida que é jornalista e edita textos no Animalia.pt

Se receberes um contacto dela já sabes quem é o culpado.

blimunda sete luas disse...

Obrigada e obrigada! :D

Pedro Aniceto disse...

Juro que não bebi nada (se calhar é por isso mesmo).

sobrinha disse...

eu tambem tenho mto carinho retribuido nas minhas maos pelo sr gato meu! é tanto amor k as vezes xega a haver sangue derramado!